Fausto Faustino Logistema, Consultores de Logística, S.A. fausto@logistema.pt
LOGÍSTICA ACTUAL: GESTÃO DE INVENTÁRIO - REFLEXÕES I. INTRODUÇÃO O Inventário é, em Logística Industrial, visto de forma semelhante ao inventário em qualquer outra fase do ciclo de Produção e Distribuição. O Inventário inclui todas as mercadorias e materiais, desde as Matérias Primas, a Peças de Substituição ou de Montagem até ao Produto Acabado, tal como são também incluídos no Inventário todos os fornecimentos efectuados nos processos de Produção e de Distribuição. O Inventário liga-se à utilização de capital, usa espaço de armazenagem, requer manuseamento, deteriora-se, torna-se obsoleto, paga taxas, requer seguro e por vezes perde-se ou “evapora-se”. Por vezes o Inventário (elevado) é uma boa desculpa para uma ineficaz gestão, uma previsão de compras inadequada e uma menor atenção a ciclos e arranque de linhas de produção. Nestes casos aumenta o custo e eventualmente a produtividade dos equipamentos, mas, normalmente, sem representar uma melhoria na margem final. No entanto, os benefícios de um Inventário bem gerido ultrapassam o seu custo e permite um efectivo suporte organizacional, em termos de Objectivos, Nível de Serviço a Clientes, Produtividade, Lucro e Retorno do Investimento.
II. DECISÕES NA CONSTITUIÇÃO DO INVENTÁRIO Em termos de Gestão de Inventário, os Objectivos e Políticas e Decisões a adoptar, devem ser coerentes com os Objectivos da Empresa e consistentes com os Objectivos de Marketing, Financeiros e de Produção. Em termos de decisão há estreita ligação com as decisões sobre Capacidade de Produção, bem como com todas as restantes variáveis
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de execução do Plano de Produção, tais como: Necessidades de Produção Sazonal, o Tipo de Processo, Método de Produção, Método de Distribuição e entre outras, ainda o Processo de Compra. Os princípios, conceitos e técnicas de gestão de Inventário, deverão sempre responder às habituais questões, sobre a encomenda: O quê? Quanto é a quantidade económica? Quando é necessário? Quando encomendar para produção ou para stock? Como e onde armazenar? Questões estas que deverão ter sempre em conta os Objectivos Globais e Sectoriais, os Níveis de Serviço a Clientes e os Valores Agregados de Custo.
III. QUAL O SISTEMA DE GESTÃO DE INVENTÁRIO A SELECCIONAR Um Sistema de Gestão de Inventário não é mais que um conjunto de procedimentos, incorporando normas decisionais e baseando-se em informações que permitem uma análise interactiva da situação. No entanto deveremos ter consciência de que não há um modelo universalmente utilizável nas mais diversas situações, porquanto as variáveis diferem de caso para caso. A análise das características das variáveis são a chave do sucesso da decisão e devem ser tidas em conta: A Classificação Funcional, A Medição da Performance e de Valor e os Custos Induzidos. Nesta simples abordagem à questão Inventário, iremos referir somente a Classificação Funcional, uma vez que é provavelmente a área mais influente na decisão sobre a selecção do Sistema a utilizar.
IV. CLASSIFICAÇÕES FUNCIONAIS A função principal do Inventário é a de servir de capacidade tampão. Serve de “pára choques” entre a Procura e a Produção, entre a Disponibilidade de Componentes e a Montagem, entre o Matéria requerido numa Operação e a sua Disponibilização pela Operação precedente, entre o Processo de Produção e o Fornecedor de Matérias Primas. Tipicamente a Classificação Funcional inclui: Inventário Antecipado, Inventário por Tamanho de Lote, Inventário Flutuante e Inventário em Trânsito entre outros. Devido à disponibilidade de espaço de exposição iremos abordar somente dois exemplos: O Inventário Antecipado e o Inventário por Lote
i. O Inventário Antecipado O Inventário Antecipado é uma decisão crítica normalmente associada a factos concretos e previstos ou possíveis, tais como: Paragem da Produção por Férias, Períodos de Vendas Sazonais, Possibilidade de Greves, Manutenções Programadas de Linhas de Produção. A antecipação da constituição do Inventário implica custos, imediatos e induzidos, que se reflectirão no custo total do produto e que, por poderem ser significativos, devem ser cuidadosamente analisados. No entanto, em certos casos, quando, por exemplo, a falta de Inventário conduz a problemáticas paragens de linhas de produção, ameaçam a vida de um doente ou colocam em causa as normais relações com clientes, o factor custo não é o factor primordial a ter em atenção, pelo que deverá haver consciência da obrigatoriedade na sua assumpção. Exemplo de Análise: - Antecipação, de 3 meses, na compra de 3.000 unidades de artigo (A) ao preço unitário actual de 10,00 e com um aumento previsto para 12,50 ; - 90,00 % de possibilidade de acontecer o aumento de preço;