Diretora Cláudia Guedes da Costa n.º 4 · ano 2 Portugal
04
2.º / 3.º trimestre 2020
NUTRIÇÃO Úlceras por pressão no idoso
DOSSIER SOBRE FORMAÇÃO
FIGURAS E INSTITUIÇÕES
A importância da formação em tempos de pandemia
Saúde mental: quando a doença bate à porta
Entrevista
ALICE VIEIRA “Que idade teria se não soubesse a idade que tenho?”
Sumário | 3
NESTA EDIÇÃO NUTRIÇÃO Úlceras por pressão no idoso
DOSSIER SOBRE FORMAÇÃO
FIGURAS E INSTITUIÇÕES
P.16
P.50
P.06
Saúde mental: quando a doença bate à porta
ÍNDICE 04 Editorial “Os Avós são feitos de sabedoria”
05 Espaço Associação Coração Amarelo A Importância da capacitação
28 Mente Ativa Corpo Ativo REIKI
31 Reportagem Ageing Congress 2020: “O envelhecimento como um todo”
06 Nutrição Úlceras por pressão no idoso
36 Entrevista 36 Alice Vieira: “Que idade teria se
09 Espaço RUTIS O voluntariado sénior em Portugal, 2019
não soubesse a idade que tenho?”
40 Ilda Gois: “Nós seremos na velhice o que projetarmos durante a vida”
10 Espaço Associação de Farmácias de Portugal O papel do farmacêutico durante a pandemia
43 E Depois A função dos rituais no processo de luto
44 Notícias 11 A Voz de 11 Educação e desenvolvimento
49 Atividades
comunitário 14 Envelhecimento e longevidade
50 Figuras e Instituições
16 Dossier sobre Formação
Saúde mental: quando a doença bate à porta
16 A importância da formação em tempos de pandemia
18 A nova era dos cuidados pessoais 20 A formação na área da Gerontologia face ao imperativo da biodegradabilidade do conhecimento
23 Diálogos sobre a formação e graduação em gerontologia
52 Bibliografia
Espaço Associação Coração Amarelo | 5
A Importância da capacitação Capacitar! Formar! Informar! Passar conselhos! Rever e avaliar atuações!
Sandra Mourinha Presidente da Direção da Delegação de Lisboa
Todas estas ações ou sinónimos servem para um propósito: potenciar o desenvolvimento humano, ou seja, das competências que cada um de nós já possui ou que vem adquirindo ao longo da vida e que sendo melhoradas poderão melhor servir o propósito para o qual sejam dirigidas. Na vida pessoal, familiar, profissional e social enquanto atores e interventores sociais. Na Associação Coração Amarelo – Delegação de Lisboa há muito que assumimos a responsabilidade de proporcionar aos voluntários as oportunidades de adquirirem ou reverem conhecimentos que, no âmbito da sua atuação, possam contribuir para uma maisvalia na resposta proporcionada, mas também para que conheçam os limites da respetiva atuação. Desde logo, remontando ao ano de 2005, a Associação Coração Amarelo candidatou-se ao então denominado Programa de Apoio Integrado a Idosos (PAII), financiado pelo Centro Distrital da Segurança Social de Lisboa (CDSS) e fundos europeus e, por um período de 3 anos, implementou um conjunto de várias iniciativas de formação dirigidas a voluntários, tendo apresentado níveis de execução acima dos 96%. As iniciativas subdividiam-se em diferentes níveis - do inicial ao avançado, passando por encontros temáticos. E desde logo a diferença fez-se sentir no seio da atuação dos voluntários, pois, para além de terem um caráter obrigatório, o entusiasmo e os resultados recolhidos através de instrumentos de avaliação de satisfação permitiram-nos validar que a importância destas iniciativas constituía uma mais-valia para a atuação dos voluntários, que nessa altura não dispunham de enquadramento técnico. É então em 2009 qua o já aqui citado CDSS de Lisboa valida uma proposta apresentada pela Associação, no sentido de poder ter um reconhecimento da resposta de voluntariado dirigida à população idosa com enquadramento de uma equipa técnica.
É entendimento da Associação que faria sentido dispor de um conjunto de profissionais da área das ciências sociais que coordenasse a intervenção dos voluntários - cidadãos que por várias motivações desejam dedicar algum do seu tempo livre em prol de alguém mais velho e que se encontre numa situação de solidão ou isolamento social. E assim se tem mantido o acordo atípico celebrado com a Segurança Social e que valida, para além do acompanhamento à população idosa, a possibilidade de recrutar, selecionar, enquadrar, acompanhar e avaliar o desempenho de voluntários para além do trabalho dirigido à pessoa idosa. Há cerca de quatro anos criou-se a figura de Gestor de Voluntariado na equipa técnica, tendo ficado entregue essa missão à área da Psicologia. Desde há dois anos que se implementou um projeto de capacitação denominado Ciclo de Encontros Temáticos, capaz de se ajustar às diferentes necessidades de revalidação de competências dos voluntários, uma vez que ocorre numa periodicidade bimestral, em horário pós laboral, de livre participação mas com indicação de inscrição e subordinado a temas que os voluntários vão comunicando à gestora de voluntariado como sendo os mais difíceis de lidar. Tentamos proporcionar também a oportunidade de se confrontarem com momentos em que colocam em causa as dúvidas que encontram no caminho que percorrem enquanto coadjuvantes de uma intervenção social que é mista, ou seja, o voluntário atua no âmbito social e o técnico na vertente profissional. A sexualidade na pessoa idosa. O testamento vital. A emocionalidade no voluntariado. … Os temas são tratados e apresentados por reconhecidos especialistas nas respetivas matérias que graciosamente se associam à nossa organização e nos fazem crescer. A vontade de ir mais além implica-nos e avaliamos o nosso trabalho frequentemente, sendo que da última avaliação do CEV realizada os resultados – patentes nos gráficos abaixo – nos renovam o ânimo para, presencialmente ou numa versão à distância, prosseguirmos neste caminho.
6 | Nutrição
Úlceras por pressão no idoso Susana Arranhado Nutricionista e docente na Escola Superior de Saúde do Politécnico de Leiria e na Escola Superior de Saúde Ribeiro Sanches
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or definição, úlcera por pressão é uma lesão na pele (ferida) causada pela interrupção sanguínea numa determinada área do corpo, que se desenvolve devido a um aumento de pressão, por um período prolongado dos tecidos moles entre proeminências ósseas e a superfície externa (Rocha, 2006). No fundo, são feridas provocadas pelo peso ou pela fricção do corpo sobre a cama, cadeira de rodas ou cadeirão, quando se permanece muito tempo na mesma posição. Desenvolvem-se nas zonas do corpo de maiores saliências ósseas (nuca, orelhas, ombros, na região sagrada, nádegas, trocânteres, cotovelos, tronco e calcanhares) e vão depender da posição que a pessoa mantiver durante mais tempo (Rocha, 2006). A idade avançada é um dos fatores de risco para o aparecimento das úlceras por pressão (NPUAP/EPUAP/PPPIA, 2014). Mas existem outros igualmente relevantes, tais como a humidade, a imobilidade e a diminuição do aporte alimentar. Com a desnutrição agravam ou desenvolvem-se as úlceras por pressão, especialmente em idosos anémicos (Esquema 1). Estas deficiências graves levam a uma diminuição da força muscular. Quanto menor for a força muscular, maior é o risco de desen-
volver feridas, uma vez que decresce a tolerância dos tecidos para suportar a pressão. Quando se trata de terapêutica nutricional na cicatrização de úlceras por pressão, é necessário compreender-se o processo inerente ao tratamento das mesmas. De seguida, descrevem-se sucintamente as diferentes etapas. A cicatrização como processo dinâmico compreende três fases distintas, com o propósito de restaurar as características do tecido lesado (Stechmiller, 2010; Thornton, 1997). Cada fase do processo cicatricial exige a presença e a atuação de nutrientes específicos (Utley, 1992). Na verdade, a nutrição e a cicatrização de feridas estão interligadas, tanto que uma boa nutrição é determinante para o sucesso do tratamento das úlceras por pressão.
“(...) úlcera por pressão é uma lesão na pele (ferida) causada pela interrupção sanguínea numa determinada área do corpo, que se desenvolve devido a um aumento de pressão, por um período prolongado dos tecidos moles entre proeminências ósseas e a superfície externa(...) ”
A primeira fase que se inicia aquando da lesão e que se desenvolve até cerca de três a dez dias (Mayes, 2001; Stechmiller, 2010) é denominada fase inflamatória. Esta primeira etapa prepara a ferida para a cicatrização. Primeiramente ocorre coagulação, processo importante na proteção da ferida contra contaminações e na prevenção de hemorragias. É o tecido lesado em conjunto com as plaquetas que estimula a cascata da coagulação. De facto, as plaquetas têm um papel fundamental na cicatrização, uma vez que contêm fatores de crescimento importantíssimos nesta fase e agregam-se às paredes dos vasos originando um tampão (hemóstase ou coagulação). De seguida, ocorre vasodilatação que dá início à inflamação. Observa-se calor, edema e dor. O aumento da permeabilidade do capilar permite a migração de células imunitárias para a zona lesionada: entre 24 a 48 horas os neutrófilos chegam à ferida; os monócitos transformam-se em macrófagos 48 a 96 horas após a lesão. Compete a estas células desbridar a superfície e a defesa contra invasores (através do fenómeno de fagocitose). Igualmente macro e nutrientes são recrutados e participam nestas reações, dos quais se destacam as proteínas, os aminoácidos e as vitaminas A e K, sendo por isso fulcrais nesta fase (Mayes, 2001; Utley, 1992). A segunda fase, fase de granulação ou proliferativa, ocorre geralmente a partir do quarto dia. Distinguem-se por 4 etapas
Espaço RUTIS | 9
O voluntariado sénior em Portugal, 2019
A Luís Jacob Professor Adjunto no Instituto Politécnico de Bragança e Presidente da RUTIS
“(...) o voluntariado permite manter uma ocupação e, em alguns casos, uma nova perspetiva de vida (...), um sentimento de utilidade e confiança.”
importância do voluntariado nas sociedades modernas tem vindo a ser notória. É possível associar o voluntariado com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), já que é nos países com maior IDH que há mais espírito de voluntariado, segundo Bandeira et Barbedo (2012). Podemos considerar que o voluntário “é um indivíduo que oferece o seu serviço, competências e tempo a uma determinada organização, grupo ou projeto de forma desinteressada, espontânea e livre, serviço esse que origina benefícios ao próprio indivíduo e a terceiros”. Em conformidade com o INE, 2019, “o maior número de voluntários em entidades da economia social concentrou-se essencialmente nos serviços sociais (39,8%), seguindo-se as organizações da religião (17,3%) e as da cultura, comunicação e atividades de recreio (16,5%), p. 10”. O principal tipo de voluntariado realizado pelos portugueses é ao nível de direção e gestão das associações de economia social. Existem estudos que apontam, para uma taxa de voluntariado, na população portuguesa, entre 18-20% (PROACT, 2012) e os 11,5% (Inquérito Piloto ao Trabalho Vo-luntário, INE, 2012). Já os dados do INE de 2018 apresentam valores entre os 7,8%. “A taxa de voluntariado em 2018 foi de 7,8%, tendo cerca de 695 mil pessoas da população residente com 15 ou mais anos participado em, pelo menos, uma atividade formal e/ou informal de trabalho voluntário” (INE, 2019). Em resumo “o voluntário português é maioritariamente do sexo feminino, com formação superior, idade compreendida entre 25 e 44 anos, reside no Norte do país e participou essencialmente em ações de volunta-
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riado no domínio da ação social, tendo dedicado a essa atividade cerca de 29 horas/mês (Ventura, 2018)”. Traçando um perfil sociodemográfico do voluntário, poderá afirmar-se que, nas atividades de trabalho voluntário formal, os indivíduos mais jovens foram os que mais se destacaram, desempregados, com níveis de escolaridade mais elevados, do sexo feminino e solteiros. No trabalho voluntário informal prevaleceram indivíduos em escalões etários mais elevados, com níveis de escolaridade elevados, desempregados, do sexo feminino e divorciados/separados. Segundo o INE, 2019, “a taxa de voluntariado feminina foi supe-rior à masculina (8,1% vs. 7,6%). O escalão etário predominante foi o dos 15-24 anos (11,3%). A participação no trabalho voluntário aumentou progressivamente com o nível de escolaridade (15,1% nos indivíduos com ensino superior). A taxa de voluntariado foi superior nos indivíduos desempregados (10,5%) e solteiros (9,1%)”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2005), o voluntariado é um elemento importante na manutenção do bem-estar e da qualidade de vida na velhice, transformando-se numa ferramenta de envelhecimento ativo e saudável. Cunha (2014), citado por Batista et al. (n/d), indica que este novo impulso do voluntariado sénior (devido ao envelhecimento geracional) permite valorizar o voluntariado, mais que anteriormente, pois encontra-se associado a uma ação de utilidade social, mas também económica, cultural e política, ou seja, encontra-se associado a uma produção de valor e de troca positiva. “O voluntariado sénior transforma-se num desafio num momento em que a população em idade de reforma tem vindo a aumentar. Com a saída do mercado de trabalho os idosos são desafiados e sentem necessidade de criar novas relações sociais fora do trabalho. Neste sentido, o voluntariado permite manter uma ocupação e, em alguns casos, uma nova perspetiva de vida (Ehlers et al., 2011: 31), um sentimento de utilidade e confiança. Este sentimento de utilidade é reforçado pela ONU (2003) que refere que os idosos que realizam voluntariado comprometem-se socialmente, utilizam os seus conhecimentos, conservam e desenvolvem um sentimento de utilidade, além de preservarem a sua autonomia. Alguns países também têm vindo a promover medidas específicas orientadas para a promoção do voluntariado de idosos, como por exemplo a Alemanha, que criou centros de voluntariado para pessoas idosas numa perspetiva de aproveitar o seu potencial e os interesses destas pessoas ajudando-as na transição da vida ativa para a reforma. Estes centros são mais de 250, sendo 80% deles pertencentes e financiados pelo poder local” (FEA, 2013, p. 199). O voluntariado para os seniores é realizado essencialmente nas instituições de acolhimento de idosos (Centros de Dia, ERPI, Serviço de Apoio Domiciliário e US) e nos projetos autárquicos, e por menores de 30 anos. Podemos concluir que para as organizações de economia social o voluntariado dos seus dirigentes e colaboradores é absolutamente fulcral para o funcionamento destas instituições. Resumo do estudo “Caracterização do voluntariado em Portugal” de Luis Jacob, acessível em www.servoluntario.pt. Bibliografia acessível no mesmo estudo.
A Voz de | 11
Educação e desenvolvimento comunitário Assunção Nogueira1 e Zaida Azeredo2 1
Especialista em Enfermagem Comunitária, Doutorada em Educação, Docente na ESSVS, IPSN, IINFACTS CESPU 2
Médica de Medicina Familiar; Doutorada em Saúde Comunitária; Coordenadora da RECI (Research Unit in Education and Community Intervention)
mentos científicos e novas experiências, isto é, a mudanças. Por isso, à medida que estas mudanças se tornam mais complexas, acompanhando a crescente complexidade das sociedades, mais difícil se torna conseguir períodos de estabilidade mais ou menos prolongados. Como Edgar Morin afirma, “A complexidade é um progresso de conhecimento que traz o desconhecido e o mistério”.[2,3] Por vezes estas transformações são impercetíveis, mas vão-se acumulando, influenciando de forma mais ou menos silenciosa a sociedade e a respetiva economia até que surge a necessidade imperiosa de mudar. Podemos pois afirmar que, subjacente a uma mudança social está sempre um conjunto de fatores mais ou menos complexos. Porém, para que a mudança social tenha um impacto mais ou menos duradouro, que permita, assim, um período de estabilidade social e de recuperação de cidadãos em perigo de exclusão social, é fundamental que as transformações operadas não sejam superficiais e possam ser mensuráveis no tempo, uma vez que normalmente atingem as estruturas de uma sociedade. Em todo o processo de mudança é fundamental a educação do cidadão. A educação deve assim ser interpretada em termos de instrução e educação e em termos de cidadania.
Educação do cidadão © freepik
Introdução O Homem é um ser mutável que está em permanente interação com o seu meio, influenciando-se mutuamente[1]. Porém, nem todas as mudanças se processam à mesma velocidade. Numa sociedade quanto mais bruscas e/ou complexas forem essas mudanças maior será a probabilidade de haver desigualdades sociais, marginalidade e/ou conduzir a problemas de saúde individuais e/ou coletivos. Em cada sociedade, há situações que mudam mais rapidamente (ex.: alterações demográficas) do que outras, sobretudo se nestas últimas há fatores culturais envolvidos (ex.: crenças e estereótipos), porém, só a participação do cidadão permite contribuir para uma confluência destas situações fazendo com que a sociedade evolua no sentido de uma cidadania plena. Qualquer mudança social implica uma rutura com um passado, causando alguma perturbação na estabilidade social, isto é, alguma desorganização e confusão. Segundo Edgar Morin (1997), esta desorganização é
necessária para que haja progresso e desenvolvimento, mas o importante é que se lhe siga um período de estabilidade para que as mudanças sejam assimiladas e profícuas[2,3]. Este período de estabilidade também é importante para que a sociedade possa recuperar aqueles cidadãos que estão na eminência de serem socialmente excluídos, porém, quando prolongado no tempo pode trazer inércia e repetição, não se sentindo, por isso, a necessidade de mudança e a necessidade de se prepararem mudanças. Com as novas tecnologias de informação e de comunicação há uma aprendizagem constante, mais ou menos veloz, que causa inquietações no ser humano, apelando por isso a novos conheci-
“A complexidade é um progresso de conhecimento que traz o desconhecido e o mistério”
A educação visa não só desenvolver o sentido de responsabilidade individual e coletivo do Homem perante a vida, mas também dotá-lo de um conjunto de ferramentas, que lhe permita compreender melhor as mudanças sociais e aderir de forma consciente a elas. Por isso a educação deve ser um processo contínuo em que a observação, o pensamento/reflexão e a reformulação são essenciais, entrelaçando-se num emaranhado que vai evoluindo em espiral. Permite, assim, aumentar a autoconsciência e capacidade para enfrentar acontecimentos de vida e escolher de forma consciente comportamentos. É um processo que se deve estender ao longo de todo o ciclo vital, porém, a educação deve ser adaptada a cada etapa da vida e a cada contexto situacional e socio-cultural[4]. A educação, para além de tornar o cidadão mais assertivo, aumentando-lhe a sua consciência sociopolítica, potencializa a possibilidade de aquele agir de forma altruísta com os outros, capacitando-o de habilidades para interagir com o meio. Assim estará mais apto a ter um comportamento participativo e a colaborar no desenvolvimento da socieda-
14 | A Voz de
Envelhecimento e longevidade O que estamos a perder? Bruno Trindade e Ricardo Pocinho1 1
Professor Investigador
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O
nosso corpo é um “maquinismo” complexo com várias estruturas que trabalham em conjunto, composto por biliões de células e com órgãos e sistemas que trabalham sem parar independentemente da nossa atividade. A dormir ou acordados, tudo nele está ligado direta ou indiretamente, por esse motivo deparámo-nos, minuto a minuto, segundo a segundo, com o envelhecimento. O tempo, a forma como o vivemos, é implacável. Queremos mais qualidade no dia a dia, como nos nossos minutos ou segundos do dia… procuramos, numa corrida desenfreada em busca do futuro “perfeito”, do melhor dia… a longevidade que vai permitir refletir os nossos erros. As decisões da vida ampliam os horizontes para uma vida onde as experiências, novidades e mudanças ganham forças na procura da felicidade e de um envelhecimento melhor. Vivemos numa cultura materialista, na preocupação do futuro perfeito, na vertente económica, deixando o essencial para trás. Quando se procura a “poção mágica” para a felicidade… que caminhos devemos percorrer, como devemos fazer… não existe
“receita”, existem muitas perguntas e poucas respostas, que não queremos seguir… apesar de conhecermos os sinais, não temos tempo para ouvir, sentir e refletir… Hoje em dia, procuramos algo que não sabemos. Corremos na procura de algo desconhecido, por termos perdido a nossa conetividade ao mundo social e humanizado. Estamos a perder a conexão humana, estamos a passar para um mundo de conexões tecnológicas, que nos dá e proporciona tudo em termos visuais e determina o nosso pensamento. Devido à grande correria do dia a dia, por causa das tecnologias, da procura de “sucesso”, de ganharmos mais, de subir no estatuto social, do que não sabemos… andamos sempre à procura.
“A dormir ou acordados, tudo nele está ligado direta ou indiretamente, por esse motivo deparámo-nos, minuto a minuto, segundo a segundo, com o envelhecimento.”
A tecnologia centra-nos num mundo de incessante insatisfação, à procura do melhor plano fotográfico, da melhor imagem, da realização imediata de mais informação fidedigna ou não! Mas afinal, quais são os ingredientes para a felicidade, para podermos alcançar a “cereja no topo do bolo”? Para alguns o descanso, para outros o trabalho, uma agenda muito ou pouco preenchida, sensação ou emoção, ter mais ligações socais, relações emocionais, bem-estar, lazer e diversão… Mas o que nos faz realmente felizes? A chave para podermos abrir o caminho da felicidade, está a perder-se. A essência do ser humano, a socialização, perdemos a sensibilidade e a capacidade de compreender os outros. Navegamos em nós mesmo, com num ego na procura do “grandioso”, do sucesso. Deixamos de observar o mundo que nos rodeia com o olhar sensível, perdemos a capacidade de pedir ajuda e de ajudar, minimizamos a habilidade da socialização e da sensibilidade, quando um dos segredos está nas coisas mínimas do dia a dia, onde a beleza dos atos simples se transforma num sorriso, num afeto ou num carinho.
16 | Dossier sobre Formação
A importância da formação em tempos de pandemia © freepik
Presidente da ANGES; CICS.NOVA.IPLeiria
Ricardo Pocinho
Introdução Ao longo da vida, no contexto pessoal e profissional, vamos sendo confrontados com novas realidades que nos exigem a capacidade de assumir diferentes posturas e novas formas de lidar com essas mesmas realidades. Este processo permanente pode ser designado por aprendizagem ao longo da vida e no plano profissional, podemos dizer que constitui o “diretório” integral de necessidades de formação que todos nós vamos sentindo, no domínio organizacional e que deveriam ser supridas, para podermos ascender a um novo patamar de competitividade. A formação profissional define-se, portanto, como um conjunto de processos que permitem ao indivíduo adquirir e desenvolver as capacidades necessárias à realização adequada da sua atividade, o que significa que deveriam existir aqui dois diretos interessados na qualidade deste processo: o indivíduo e a organização onde ele exerce a sua atividade.
“Os momentos de crise, como a situação atual que vivemos na pandemia pelo Covid-19, são também momentos de oportunidade de desenvolvimento e de progresso.”
Importância da formação durante a pandemia Num ambiente de mudanças e pressões, o conhecimento é visto como um fator-chave para as organizações, sendo considerado uma “matéria-prima” que irá fomentar a inovação, criatividade e qualidade, contribuindo assim, para o progresso da organização. É neste âmbito que Serrano e Fialho (2005) consideram que o conhecimento é a informação que muda algo ou alguém; tanto por transformar-se em base para a ação, como por fazer um individuo ou uma organização serem capazes de ações diferentes e mais efetivas. A formação permite ao indivíduo adquirir competências e colocar o seu conhecimento ao serviço de um projeto empresarial concreto. Uma organização com colaboradores que apliquem sistematicamente
nos contextos de trabalho as competências e os conhecimentos adquiridos em formação, está em melhores condições de proporcionar maior produtividade, um ambiente participativo e motivador e mais orientado para atingir os objetivos pretendidos (Ramos & Bento, 2010). A época atual, designada frequentemente como a “era do conhecimento”, é cenário de um desenvolvimento constante do saber em todas as áreas, motivado pela rapidez das mudanças que caracteriza o funcionamento atual das organizações, o que traz consequente desatualização dos conhecimentos que possuímos (Saraiva & Borrego, 2007; Tavares, 2010). Segundo a mesma autora, as organizações estão permanentemente em risco de perda das suas competências se descurarem a formação dos seus trabalhadores. Neste sentido, é inevitável que as organizações proporcionem formação aos seus colaboradores para que estes se mantenham atualizados, e por essa via, contribuam para uma organização mais competitiva e refrescada. A formação apresenta vantagens ao nível individual e organizacional (Tavares, 2010). Ao nível individual, a autora enuncia que há um desenvolvimento e satisfação dos trabalhadores pelo acréscimo de competências, pelas maiores oportunidades de carreira,
Dossier sobre Doenças Formação | 23
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Diálogos sobre a formação e graduação em gerontologia Henrique Salmazo da Silva1, Evany Bettine de Almeida2 1
Vice-Presidente, 2 Presidente, Associação Brasileira de Gerontologia (ABG)
Introdução Um dos eixos para a promoção do envelhecimento saudável é a educação na formação básica e no ensino superior, de modo que possa criar respostas sociais a médio e longo prazo. Isto porque o envelhecimento solicita um cabedal múltiplo de conhecimentos e o envolvimento da sociedade, profissionais investigadores; e a educação seria o eixo condutor que leva ao aperfeiçoamento do conhecimento técnico e das capacidades humanas no processo de cuidado (Cachioni, M. e Palma, 2006; Salmazo-Silva e Gutierrez, 2018; Salmazo-Silva, Silveira e Freitas, 2017), inspirando novas configurações nas leis, políticas públicas e cultura. Contudo, a
gerontologia como disciplina ainda é principiante na maioria dos currículos do ensino superior da área da saúde no nosso país, sendo um pouco mais estudada entre as categorias de profissionais enfermeiros e médicos (Carvalho e Hennington, 2015). Neste caso, surgem como questões: como é que os idosos são cuidados? De que forma sensibilizar a sociedade para a formação sobre o envelhecimento e, sobretudo, as categorias de profissionais que terão cada vez mais atendimentos virados para a velhice? Embora Metchinicoff tenha proposto o estudo sistematizado da gerontologia em 1903, conceituando-o como campo de estudos virado para o envelhecimento humano
e as suas variáveis biológicas, psicológicas e sociais (Neri, 2008), apenas após a 2.ª Guerra Mundial (década de 1940) a gerontologia passa a ser caracterizada como disciplina e objeto de interesse no meio académico, em especial pelo processo gradual de envelhecimento populacional que se instalou nos países europeus (Neri, 2008). Entende-se por disciplina um ramo da instrução ou educação; um departamento da aprendizagem ou conhecimento; ou de uma ciência ou arte no seu meio educacional. Nesse período, os modelos conceptuais passaram a exigir a integração de conhecimentos e a adoção de linguagem entre diferentes ramos do saber e, por essa razão, a Gerontologia surge como disciplina, com o seu caráter interdisciplinar (Alkema e Alley, 2006). No Brasil, desde a década de 1960, a gerontologia é um campo em ascensão e possui como desafio a sensibilização da sociedade, das universidades e do poder público para as questões do envelhecimento (Lopes,
“ (...)o envelhecimento solicita um cabedal múltiplo de conhecimentos e o envolvimento da sociedade, profissionais investigadores; e a educação seria o eixo condutor que leva ao aperfeiçoamento do conhecimento técnico e das capacidades humanas no processo de cuidado (...)”
28 | Mente Ativa Corpo Ativo
REIKI a energia universal Terapeuta de Reiki
“O preceito de Reiki não prega uma filosofia, um credo ou uma religião. Mas sim um modo de viver baseado na confiança, na gratidão, na honestidade, na justiça e na bondade.”
É este o sentido de vida que sigo todos os dias, desde a altura em que me iniciei como reikiano. Todos estes preceitos fazem do meu dia a dia um processo de encontro com o meu bem-estar mental, emocional e espiritualmente. É onde o meu foco, a minha fé em mim próprio e no Universo, são colocados em permanência e prioridade. Embora este estilo de vida e terapêutico ainda não tenha seja totalmente reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde), a terapia de Reiki já começa a integrar as equipas multidisciplinares de muitos hospitais por esse mundo fora. No caso específico de Portugal, já começa a estar presente em alguns hospitais oncológicos e outras instituições de saúde, com muitas vantagens e benefícios para quem a recebe. O Reiki é uma técnica fantástica, em que o amor e a compaixão estão sempre presentes. É uma técnica que nos ajuda a agradecer e a perceber todos os acontecimentos do nosso dia a dia, conseguindo-os aproveitar melhor e a reagir a eles da melhor forma. No mundo de hoje, em que tudo é vivido a uma velocidade frenética, onde diariamen-
Ricardo Teixeira
te nos induzem a viver o nosso futuro, e não o de sentirmos e desfrutarmos do nosso presente. Deixamos, por isso, de sentir a presença das pequenas transformações que existem em nós mesmo. Deixamos que o Universo e a sua presença deixe de fazer o seu papel na nossa vida. A sua aplicação e o tratamento vêm ajudar a percepcionar o que é mais importante. O aqui e o agora. O momento que vivemos. Os acontecimentos diários. De aproveitarmos o facto de que hoje estarmos aqui e de fazermos tudo ao nosso alcance, para vivermos ao máximo cada momento, a cada instante e a cada atividade, por mais rotineira que seja. Poderá ser o nosso último dia neste mundo terreno, mas o nosso objetivo diário deverá ser o simplesmente abraçar, aceitar e agradecer por tudo aquilo que nos acontece. Colocando em tudo o que fazemos muita fé e crença. Que o que tiver de acontecer, irá acontecer. Só assim poderemos aproveitar ao máximo, o que o Universo tem reservado para nós. Em termos históricos, este estilo de vida começou com um cidadão japonês, de seu nome Mikao Usui, um simples estudante regular e trabalhador do Estado japonês. Cer-
Reportagem | 31
Ageing Congress 2020 “O envelhecimento como um todo”
por
Marta Caeiro e André Manuel Mendes
O envelhecimento foi analisado em todas as suas vertentes nos dias 21 e 22 de setembro de 2020 no 3.º congresso internacional sobre envelhecimento, o Ageing Congress 2020, que teve como mote “o envelhecimento como um todo”.
Aquele que é considerado como o maior evento sobre a temática do envelhecimento em Portugal olhou com uma visão holística sobre o envelhecimento, a longevidade, a saúde, procurando respostas para as inúmeras perguntas que se apresentam no dia a dia. Sandrina Milhano, Diretora da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Politécnico de Leiria deu as boas-vindas a todos os participantes e elementos da mesa e deu o mote para o início do Ageing Congress 2020. Na mesa do primeiro painel do evento marcaram presença Ana Mendes Godinho, Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Rui Pedrosa, Presidente do Politécnico de Leiria, Ana Vieira, Coordenadora do Centro de Investigação CICS.NOVA.IPLeiria, Pedro Carrana, Delegado em Portugal da Cátedra de Prevenção de Riscos Laborais e Saúde Pública Universidade de Córdoba, Es-
panha, e Ricardo Pocinho, Chair do Ageing Congress e Presidente da ANGES – Associação Nacional da Gerontologia Social. Rui Pedrosa sublinhou que “este Congresso tem ainda mais importância no tempo que vivemos” e que a aposta no conhecimento é de um “valor incalculável para conseguirmos respostas” para suprimir as necessidades nesta área. Ricardo Pocinho, Chair do Ageing Congress, salientou que este evento é “dedicado aos trabalhadores das organizações sociais” e que “agora que sabemos como o vírus se transmite, está nas nossas mãos proteger quem mais necessita”. “Se a pandemia mostrou várias fragilidades da nossa sociedade, mostrou também que não afeta de forma igual as pessoas”, sublinhou a Ministra Ana Mendes Godinho. Estes são tempos de uma enorme missão em que temos um inimigo comum, e só juntos conseguimos combater as enormes dificuldades que temos no terreno, nomeadamente a resposta à situação nos lares. “Estamos numa altura de um enorme compromisso social”.
Ricardo Pocinho
“Se a pandemia mostrou várias fragilidades da nossa sociedade, mostrou também que não afeta de forma igual as pessoas”
Ana Mendes Godinho
36 | Entrevista
Alice Vieira “Que idade teria se não soubesse a idade que tenho?” por
Nunca quis ser escritora mas nunca soube como o evitar. O coração mandou-a, primeiro, ser jornalista, porém, destino ou vontade, amor mais forte ou razão, em 40 anos escreveu 80 livros para todas as idades. Muitas vidas extraordinárias inventadas com sonhos, risos e lágrimas, histórias com cheiro, pássaros verdes, ladrões e profetas, castelos, reis e tesouros, e até uma trisavó de pistola à cinta. Viveu o turbilhão de maio de 68 em Paris, apaixonou-se por um homem 23 anos mais velho e amou-o até ao fim, enfrentando velhos do Restelo e convenções sociais. E mesmo quando o destino lhe entregou sofrimento em forma de doença, enganou a morte certa que os médicos lhe traçaram. Como ela própria diz, “vai sempre em frente quando quer uma coisa”. E ela queria viver.
Carlos Saraiva
Alice Vieira, 76 anos, nasceu em Lisboa, licenciou-se em Filologia Romântica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e trabalhou como jornalista no Diário de Lisboa, Diário Popular e Diário de Notícias. Publicou o seu primeiro livro infanto-juvenil em 1979, “Rosa, minha irmã Rosa”, um sucesso editorial imediato. O último ainda não está escrito mas vem a caminho. É a biografia do Padre António Vieira. Em entrevista à revista Dignus, a escritora muitas vezes premiada fala da sua vida, das paixões que a preencheram, dos livros amáveis, dos alunos que ainda a surpreendem e da importância das histórias de vida e experiências dos mais velhos num mundo de velocidade digital.
40 | Entrevista
Ilda Góis “Nós seremos na velhice o que projetarmos durante a vida” por Marta Caeiro
O ritmo acelerado em que vivemos o dia a dia faz com que tenhamos cada vez menos disponibilidade para nos dedicarmos completamente a certas questões familiares. Fundada há 17 anos, a NorteCare - Apoio Domiciliário à Família, Lda foi pensada para responder a estas necessidades, dando autonomia às famílias e aos seus idosos. Atualmente diretora técnica, Ilda Góis deu-nos a conhecer a empresa que ocupa hoje um lugar de destaque no setor privado do apoio domiciliário, deixando também o seu olhar sobre o mercado do presente e do futuro.
Dignus (D): Como nasceu a NorteCare e quais as respostas que veio dar ao mercado? Ilda Góis (IG): A NorteCare, fundada há 17 anos, é uma empresa que se dedica ao apoio domiciliário, no Grande Porto, composta por uma equipa de profissionais nas áreas da saúde, geriatria, serviço social, entre outras. Em 2003, o apoio domiciliário privado era visto como algo estranho e fora dos padrões da época. Esta resposta social durante longos anos foi da responsabilidade de instituições da rede solidária. A NorteCare e outros SAD (serviços de apoio domiciliário) vieram revolucionar um pouco a economia social e responder a necessidades que as instituições da rede solidária não conseguiam dar resposta. Começamos a trabalhar num pequeno escritório que reunia as condições exigidas pela Segurança social para o funcionamento desta valência, bem diferente do espaço que ocupamos atualmente. Os primeiros anos não foram fáceis, uma vez que havia a ideia de que éramos essencialmente empresas lucrativas, mas com o tempo essa mentalidade mudou. Hoje somos reconhecidas como empresas essenciais na prestação de serviços domiciliários com uma importância significativa para as famílias. Há 17 anos, um dos maiores problemas com que nos deparámos foi falta de mão de obra qualificada para fazer este trabalho. Atualmente, já existem muitas formações disponíveis na área da Geriatria, mas continua a haver falta de pessoas que gostem de trabalhar nesta atividade. Na nossa atividade, na maioria das vezes lidamos com o final da vida e isso é uma situação pouco atrativa. São necessários cada vez mais cuidadores com formação para lidar com as várias patologias da terceira idade e principalmente com as demências que acompanham a maioria dos idosos e que nem todos conseguem compreender e lidar. Outra das dificuldades que sentimos no início foi a participação dos cuidadores no espaço privado das famílias. Embora existisse a necessidade de um apoio domiciliário diferente, por
parte das famílias e doentes, mais personalizado e adequado a cada situação, existia grande relutância à mudança nas próprias famílias. Os nossos cuidadores passaram a fazer parte do espaço familiar dos doentes e com isto as famílias passaram a funcionar de forma diferente. Hoje a maioria dos nossos clientes diz que não sabe o que faria sem empresas como a NorteCare, pois o ritmo acelerado em que vivemos o dia a dia faz com que tenhamos cada vez menos disponibilidade para nos dedicarmos completamente a certas questões familiares. A NorteCare veio criar autonomia às famílias e aos seus idosos para que estes possam ter os cuidados necessários ao seu estado de saúde sem terem de sair da sua casa. Quando criamos a NorteCare, estávamos longe de imaginar que esta empresa tivesse a dimensão que tem hoje, quer ao nível de volume de negócios, quer ao nível dos recursos humanos que emprega. Sendo das empresas pioneiras na atribuição do Alvará de funcionamento, hoje ocupa um lugar de destaque no setor privado do apoio domiciliário. D: Que serviços são hoje prestados? IG: Inicialmente com serviços mais limitados, hoje conseguimos responder tanto a situações temporárias de convalescença como a situações prolongadas ou mesmo
50 | Figuras e Instituições
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Saúde mental quando a doença bate à porta Sandra Silva Coordenadora da Delegação de Lisboa da Fundação S. João de Deus
I
Texto escrito de acordo com a antiga ortografia.
nstituída em 2006 pela Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus, a Fundação S. João de Deus (www.fsjd.pt) apoia pessoas em situação de vulnerabilidade, de forma inovadora e sustentada, promovendo a saúde mental e o envelhecimento activo. Está reconhecida pelo Estado Português com personalidade jurídica cívil, sendo Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), com estatuto de Utilidade Pública. Actualmente, está representada em Lisboa e na Madeira. Como Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), a instituição tem como objectivo a coordenação ou apoio de outras iniciativas – principalmente nos países em vias de desenvol-
vimento e subdesenvolvidos – tais como ajudas humanitárias de emergência ou de calamidade pública, de reabilitação e de desenvolvimento social e comunitário. Para tal, a Fundação está presente em países como Brasil, Timor-Leste e Moçambique, procurando promover a resolução dos problemas mais urgentes de cada região. A Fundação S. João de Deus continua a levar a saúde mental a casa de pessoas a quem a doença já bateu à porta. No âmbito do projecto Academia da Memória, na Madeira, estamos a promover sessões de estimulação cognitiva em grupo e individuais; em Lisboa, promovemos visitas culturais, workshops e viagens, para que todos e todas possamos envelhecer com mais vida e memória. No início
“Continuamos a falar do que não se fala: falamos, sem tabús, de saúde e doença mental e da importância de cuidarmos da nossa saúde mental, por via do projecto MENTALizar.”
52 | Bibliografia
O homem de 70 anos
PVP: 18,98 € Poupa: 1,90 € Preço BOOKI:
17,08 € Autores: Manuel Mendes Silva, Nuno Monteiro Pereira, Pedro Vendeira Editora: Lidel Ano de edição: 2019 Número de páginas: 202 ISBN: 9789897524080
Este livro é uma reflexão sobre diversas perspetivas relativas à saúde do homem setuagenário: médicas, físicas e psicológicas, mas também sociológicas, familiares, filosóficas, preventivas e efetivas. 20 anos depois de O Homem de 50 Anos e 10 anos depois de O Homem aos 60 Anos, direcionados sobretudo para a saúde sexual, a presente obra é mais ambiciosa e o seu objetivo mais vasto. Contando com a participação de prestigiados autores, o seu conteúdo explica e fomenta um envelhecimento ativo e com qualidade de vida, prevenindo e combatendo as suas consequências, e uma assistência humanizada e de qualidade na doença, na velhice e na extrema velhice. Índice: Desempenho físico; Cérebro e mente; Depressão; Oftalmologia; Otorrinolaringologia; Saúde oral; Coração e artérias; Pele e as marcas do tempo; Locomoção e doenças reumáticas; Alimentação, obesidade, diabetes e síndrome metabólica; Cancro; Próstata; Incontinência de urina; Andropausa; Mitos da sexualidade e erotismo; A mulher do homem de 70 anos; A reforma; Cuidados em fim de vida; A morte.
Idioma: Português
Enfermagem e a pessoa idosa - A prática de cuidados como experiência formativa
PVP: 15,90 € Poupa: 1,59 € Preço BOOKI:
14.31 € Autores: José Manuel N. Moniz Editora: Lusociência
Este trabalho, que corresponde, com as devidas alterações, à dissertação de Mestrado em Ciências da Educação - Especialidade de Educação e Desenvolvimento, intitulada “A Enfermagem e a Pessoa Idosa: A Prática de Cuidados como Experiência Formativa”, mobiliza o conteúdo e a análise de 7 entrevistas que refletem as experiências profissionais de enfermeiros com pessoas idosas, visando compreender como estes se formam, na sua prática profissional, para cuidar destas pessoas. Índice: A Educação/Formação de Adultos; A Conceção do Cuidar em Enfermagem; A Pessoa Idosa; Trabalho Empírico e Metodologia; Apresentação e Análise dos Dados.
Número de páginas: 158 Ano de edição: 2003 ISBN: 9789728383497 Idioma: Português
Saúde e bem-estar para pessoas idosas
PVP: 47,70 € Poupa: 4,77 € Preço BOOKI:
42,93 € Autores: Anne Squire Editora: Lusodidacta Ano de edição: 2008 Número de páginas: 448 ISBN: 9789728383879 Idioma: Português
O desafio dos cuidados de saúde a uma população em envelhecimento é uma das mais prementes questões que se coloca aos enfermeiros e a outros prestadores de cuidados de saúde. Este livro debruça-se sobre a forma como podemos interagir com as pessoas idosas, explorando os seus e os nossos próprios valores e crenças, relativamente ao modo como podemos promover a saúde em conjunto. Nele são analisadas questões importantes como a escolha, as parcerias e o desenvolvimento comunitário para que os promotores de saúde possam trabalhar com e ao lado das pessoas idosas, assegurando que as necessidades de saúde das mesmas são atendidas. O texto contém numerosos exemplos de boas práticas e é intencionalmente interativo, de modo a encorajar os profissionais a refletirem e a questionarem aquilo que dão por adquirido, acerca da saúde e das expetativas de qualidade de vida dos idosos. Índice: O que afeta a saúde das pessoas idosas?; Âmbito, metas e valores da promoção da saúde com pessoas idosas; Quem promove a saúde das pessoas idosas?; Ajudar as Pessoas Idosas a Viver de Forma Mais Saudável; Planear e Avaliar a Promoção da Saúde com Pessoas Idosas; Trabalhar em Parceria com Outros; Utilizar Ferramentas Eficazes de Comunicação; Trabalhar com Pessoas Idosas no Contexto da Comunidade; Trabalhar com Pessoas Idosas em Contextos Hospitalares; Trabalhar com Pessoas Idosas no Contexto dos Lares; Vida, Trabalho e Remuneração na Terceira Idade.
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