Skip to main content

Utilização de robots humanoides em aplicações médicas e biomédicas (3.ª Parte)

Page 1

Utilização de robots humanóides em aplicações médicas e biomédicas

Alexandra Pereira, Beatriz Santos, Rita Pereira Supervisao: J. Norberto Pires Universidade de Coimbra

4. O CASO DO DIGIT E POSSÍVEIS APLICAÇÕES NA SAÚDE ”Go Where Humans Go”. Este é o lema da empresa norte-americana Agility Robotics que anunciou o seu mais recente robot bípede - DIGIT - em fevereiro de 2019 [42]. O robot DIGIT apresenta as seguintes caraterísticas: • Altura de 155 cm [39]; • Duas pernas, que lhe conferem mobilidade que se assemelha ao movimento de uma avestruz, e 2 pés que proporcionam equilíbrio e estabilidade nas mais variadas superfícies [40, 41]; • Um tronco, integrado com 4 câmaras Intel RealSense para detetar obstáculos, sensores de perceção, incluindo tecnologia LIDAR no topo do seu tronco, para que possa mapear e percorrer ambientes complexos e, finalmente, um poderoso hardware de computador a bordo [36, 37, 38]; • Dois braços, que auxiliam o equilíbrio e o movimento do robot, ao balançarem em coordenação com a marcha. Além disso, os braços do DIGIT ajudam-no a segurar-se quando cai e a reorientar-se para voltar a ficar de pé [39]; • Consegue pegar, empilhar e transportar caixas que pesem até 18 kg [39].

robótica 129, 4.o Trimestre de 2022

robótica

4

artigo científico

3.ª Parte

O sistema do DIGIT pode ser controlado por uma API desenvolvida para poder executar trajetórias pré-definidas ou subir escadas, por exemplo. A API pode ser controlada de duas formas: a bordo ou via wireless [43]. Possui ainda uma biblioteca de simulação que permite planear um modelo 3D de trajetórias nas mesmas condições do ambiente envolvente, antes de colocar o robot no mundo real. Desta forma, é possível testar e aperfeiçoar todas as situações em contexto de simulação, prevenindo que o robot se danifique ao bater contra uma parede ou um objeto, ou que cause um acidente e ponha em perigo a vida de terceiros. A Ford e a Agility Robotics aliaram-se neste projeto e, juntos, ambicionam lançar um robot de entregas que irá ajudar os seus clientes de veículos comerciais, incluíndo de veículos autónomos, a tornar o armazenamento e a entrega mais eficientes e acessíveis [42]. De destacar que, ao contrário da maioria dos robots apresentados na secção 3.1, que ainda se encontram em fase de estudo, a tecnologia do DIGIT já está totalmente desenvolvida, e o seu lançamento para o mercado ocorreu no início deste ano. Segundo a Agility Robotics [42], a Ford comprou os primeiros 2 robots da linha, e planeia lançar, já em 2021, um modelo do DIGIT apto para entregar encomendas, desde o veículo até à porta de casa das pessoas [44].

No entanto, para além desta aplicação, o DIGIT mostra-se como um robot extremamente promissor em termos de aplicabilidade na área da saúde, em particular, no meio hospitalar, tendo a capacidade de automatizar uma série de processos, o que é particularmente importante e necessário tendo em conta a atual pandemia do COVID-19. A automatização contribuirá significativamente para a prevenção da disseminação da doença. De um ponto de vista logístico, a utilização do DIGIT em ambiente hospitalar poderá automatizar processos de distribuição de medicamentes, equipamentos e consumíveis, diminuindo deste modo a quantidade de auxiliares indiferenciados e, por conseguinte, reduzindo contactos desnecessários e prevenindo a disseminação de doenças infeciosas. Devido ao sistema de visão que reconhece diferentes objetos, pode ainda ser aplicado no processo de recolha dos excedentes dos consumíveis para eliminação e dos equipamentos usados para posterior esterilização. A esterilização e organização do material hospitalar, frequentemente concretizada por enfermeiros poderá ser facilmente efetuada pelo robot, diminuindo o risco de infeção cruzada e permitindo redirecionar estes profissionais de saúde para o tratamento de doentes. É ainda de considerar a possibilidade da utilização do robot DIGIT como um auxiliar nas enfermarias que recebe, por exemplo, os pedidos dos doentes que pressionarem a campainha e os transmite à distância para o balcão de enfermagem (basta para isso incluir um microfone e sistema de transmissão), o que resulta numa diminuição de contactos desnecessários. Seguindo esta linha de raciocínio, facilmente se chega à utilização desde robot para humanizar a telemedicina: situação em que um doente é visitado pelo robot que está conectado, por exemplo, ao computador do médico. Desta forma, o médico poderá consultar o doente à distância, o que será útil não só em situações de pandemia, como já antes explicado, mas também permitirá que a medicina especializada chegue a áreas remotas onde os cuidados de saúde sejam escassos.

5. PERSPETIVAS PARA O FUTURO Como anteriormente mencionado, os robots humanoides estão ainda numa fase inicial de desenvolvimento quando comparados com outras categorias de robots devido, quer à sua alta complexidade do ponto de vista mecânico, quer ao desejo de que estes robots sejam autónomos e consigam lidar com a imprevisibilidade da vida humana. Os robots humanoides com aplicações na área da saúde estão, deste modo, dependentes dos robots humanoides com aplicações mais generalistas que,


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Utilização de robots humanoides em aplicações médicas e biomédicas (3.ª Parte) by cie - Issuu