Manutenção Lean com aplicação técnicas: qualidade na análise preditiva de fiabilidade

Page 1

Dossier

Suzana da Silva Lampreia suzana.paula.lampreia@marinha.pt Rui Ribeiro Parreira ribeiro.parreira@marinha.pt Escola naval, CINAV, Base Naval de Lisboa

Manutenção Lean com Aplicação Técnicas: Qualidade na Análise Preditiva de Fiabilidade Resumo No contexto da aplicação do conceito Lean Maintenance, visando reduzir o risco de falha de uma máquina, pretende-se monitorizar o estado de um equipamento mecânico através da aplicação de cartas de controlo da qualidade, às vibrações mecânicas desse equipamento.

é emergente nas empresas pois a sua implementação conduz a um controlo do processo efectivo e a menos desperdícios, optimizando os processos. Actualmente já surgem expressões como Total Lean Management (TLM) que servem para uma correcta avaliação da situação, apesar de existirem lacunas na sua aplicação (Zou, Liu, e Xu, 2008).

Normas MIMOSA

1. Introdução O controlo estatístico do processo (SPC - Statistical Control Process) engloba metodologias que permitem estimar os parâmetros de um processo e monitorizar o seu comportamento através de cartas de controlo. Os dados de vibrações recolhidos da performance de uma electrobomba permitem responder se o processo é capaz de produzir de acordo com as especificações técnicas definidas pelo fabricante (Requeijo, 2010). No contexto da aplicação do conceito Lean Maintenance, visando reduzir o risco de falha de uma máquina, pretende-se monitorizar o estado de um equipamento mecânico através da aplicação de cartas de controlo da qualidade, às vibrações mecânicas desse equipamento. O objectivo final de ter um programa de Manutenção Condicionada com base nas cartas de controlo e conceito Lean, é o de reduzir os custos directos e indirectos de manutenção, tornando-os exequíveis, aceitáveis e adequados. Esta operacionaliza o funcionamento do equipamento, aumentando a produtividade da manutenção e de todo o processo envolvido.

2. Lean Maintenance versus MIMOSA Lean Maintenance A Lean Maintenance é uma manutenção preventiva, planeada e programada, sistémica e global, centrada na fiabilidade, focada nos resultados e numa melhoria contínua dos processos envolvidos (Kaizern) envolvendo a actuação autónoma dos utilizadores, usando técnicos multifacetados (multi-skilled), assente num sistema de informação que garanta no mínimo a documentação completa de todas as ordens de execução e utilização de recursos humanos e materiais necessários e aplicados (Yile, XueHang e Lei, 2008). Em termos logísticos importa referir que o fornecimento de material que impera é o Just-In-Time (JIT), tendo em conta a análise de fiabilidade executada, e a tendência dos resultados obtidos. O lean

58 · MANUTENÇÃO

As normas MIMOSA (Maintenance Information Open System Alliance)( http://www.mimosa.org/s, 2008) têm como objectivo desenvolver e encorajar a adopção da partilha de informação entre a área operacional e a área da manutenção, e entre os colaboradores que efectuam a manutenção dos sistemas ao longo de um ciclo de vida. Assim ao aplicarmos as MIMOSA, vamos integrar várias áreas técnicas (como a electricidade ou a mecânica), melhorando e minimizando as operações de manutenção, através do armazenamento de dados e o seu tratamento num só sistema. Será então possível melhorar a performance dos sistemas, aumentar a sua disponibilidade e diminuir os custos do ciclo de vida. Isto significa, em síntese, que as normas MIMOSA são um instrumento de Lean Maintenance.

3. Cartas controlo As cartas de controlo de Shewhart, sempre foram as mais usadas apesar de serem menos sensíveis do que outras alternativas na função de detectar valores fora dos limites de controlo do processo. Dada a sua simplicidade, aplicámo-las para estimar os parâmetros a utilizar na modelação das cartas de controlo de um equipamento (Pereira e Requeijo, 2008). Na aplicação das cartas de controlo consideram-se em geral duas fases: Fase I (estimação) e Fase II (utilização). Na Fase I, assumindo um funcionamento estabilizado, podemos estimar os parâmetros do funcionamento do equipamento, recorrendo à recolha de m amostras. Na Fase II, efectua-se a monitorização do estado de condição do equipamento com aplicação SPC (Dias, Requeijo e Pereira, 2009).

3.1 Cartas da Média e do Desvio Padrão Na Fase I, em geral, podem-se aplicar duas cartas: uma para a monitorização da média e outra para a monitorização da dispersão do processo. De seguida apresentamos somente a carta do desvio padrão.


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook