A privacidade dos dados na computação em nuvem

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Fernando Baptista Departamento de Ciências e Tecnologias da Informação Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa – Portugal fernando.baptista@sef.pt

Este artigo efetua uma descrição e uma reflexão sobre a privacidade na computação em nuvem. É efetuada ainda a análise, com base nos resultados de um inquérito composto por quatro questões fechadas e distribuído por forma eletrónica a uma amostra conveniente formada por técnicos de informática com idades entre os 18 e 50 anos, sendo apresentados os dados mais relevantes.

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A Privacidade dos Dados na Computação em Nuvem

1. INTRODUÇÃO Aaron Kimbal (2008) na sua apresentação com o título “Welcome to the new era of Cloud Computing”, descreve a computação em nuvem como a democratização da computação distribuída e apresenta duas definições para a Computação em Nuvem. Na perspetiva de engenharia define a computação em nuvem como o fornecimento de serviços em máquinas virtuais alocadas no topo de uma grande pilha de máquinas físicas. Na perspetiva de negócio carateriza a computação em nuvem como um método para atingir a escalabilidade e a disponibilidade em aplicações de larga escala. Thorsten von Eicken (2008) no artigo “The Three Levels of Cloud Computing” apresenta uma caraterização de três tipos distintos de computação em nuvem. As aplicações na nuvem, como o Gmail, o Yahoo! Mail, o WordPress.com e a Wiki-

pedia, em que empresas disponibilizam na Internet, aplicações que os utilizadores usam sem qualquer preocupação de onde, como e por quem é efetuado o processamento e o armazenamento. Neste tipo de computação o serviço é oferecido ou vendido como aplicações disponibilizadas e prontas a serem utilizadas pelos clientes. As plataformas na nuvem – como o Mosso, o Google App Engine e o Force.com – onde é disponibilizado uma plataforma aplicacional na nuvem sobre a qual é possível efetuar desenvolvimento e disponibilizar aplicações. Neste tipo de computação o código aplicacional é colocado e executado numa plataforma algures na nuvem, normalmente com capacidade de crescimento automático de processamento e de armazenamento e dependente da utilização da aplicação. O serviço vendido é a utilização da plataforma.

As infraestruturas na nuvem são a oferta mais genérica, onde a Amazon foi pioneira, e onde são adquiridos fundamentalmente recursos computacionais e de armazenamento de dados na nuvem, com o objetivo de disponibilizar e executar aplicações. Este tipo de computação é encarado como o mais potente, considerando que, teoricamente, qualquer aplicação ou configuração que possa ser acedida através da Internet pode ser implementada numa infraestrutura em nuvem. Este tipo de computação em nuvem é o que requer mais recursos por parte do implementador.

2. PROBLEMA Estes três tipos de computação em nuvem foram desenvolvidos tendo em consideração diferentes objetivos e apresentam formas distintas de funcionamento, mas um dos resultados comum à aplicação da computação em nuvem é a transferência do ambiente de trabalho do utilizador para áreas indefinidas de uma rede global composta por milhões de computadores conjuntamente ligados e acessíveis a partir da Internet, o que poderá apresentar grandes problemas relacionados com a proteção, a privacidade e a segurança de dados dos utilizadores. Algumas empresas têm tido preocupação em abordar determinados problemas de segurança, como é o caso da Amazon (2009) e da ElasticHosts (2009), através da implementação de infraestruturas em múltiplas localizações, como os Estados Unidos e a Europa, com o objetivo de proteger as aplicações e os dados de falhas ou desastres que possam ocorrer em determinadas áreas geográficas ou países. Existe também alguma preocupação, por parte de algumas empresas, na abordagem de aspetos relacionados com a privacidade, através da disponibilização


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