perdas por efeito pelicular nas linhas aéreas de corrente alternada (1.ª Parte)

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alta tensão

perdas por efeito pelicular nas linhas aéreas de corrente alternada 1.ª PARTE Manuel Bolotinha Engenheiro Electrotécnico – Energia e Sistemas de Potência (IST – 1974) Mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores (FCT/UNL – 2017) Membro Sénior da Ordem dos Engenheiros Consultor em Subestações e Formador Profissional

1. INTRODUÇÃO Para além das perdas por efeito de Joule (P = RI2) devido à resistência do condutor em corrente contínua, das perdas por efeito de coroa, que dependem, entre outros factores, da frequência da rede e das condições atmosféricas, e das perdas por efeito de proximidade (dos condutores), as linhas aéreas de corrente alternada têm também perdas devidas ao efeito pelicular, que são o objecto deste artigo. As perdas por efeito pelicular resultam do aumento da resistência dos condutores da linha. Este aumento de resistência é também influenciado pelo efeito de proximidade. Consequentemente o aumento da resistência dos condutores origina um aumento das perdas por efeito de Joule.

2. O QUE É O EFEITO PELICULAR O efeito pelicular é um fenómeno que se verifica em corrente alternada (ca), em que a densidade de corrente é maior junto à superfície do condutor do que no seu interior. Analisem-se as Figura 1.a e 1.b. Figura 1.a

Figura 1.b Cargas eléctricas

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Superfície do condutor

Área do condutor não utilizada

Na Figura 1.a as cargas eléctricas movem-se utilizando toda a área interior do condutor, podendo afirmar-se que o condutor é eficientemente utilizado. Em contrapartida, na Figura 1.b, verifica-se que as cargas eléctricas não utilizam toda a área disponível do condutor, originando o fenómeno designado por efeito pelicular. Este efeito resulta das correntes induzidas (ou de Foucault) devidas à variação do campo magnético e que se opõem à corrente do circuito (lei de Lenz). A corrente eléctrica fluí principalmente junto à superfície do condutor e o seu fluxo é menor nas camadas interiores, designando-se a parte do condutor em que a corrente eléctrica circula por profundidade de penetração (δ), o que se ilustra na Figura 2.

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Condutor

Figura 2. Representação do efeito pelicular num condutor e respectiva profundidade de penetração.

A consequência directa e mais relevante do efeito pelicular é a diminuição da secção útil do condutor a que corresponde a um aumento da sua resistência e das perdas por efeito de Joule.

3. RESISTÊNCIA E PERDAS NUM CONDUTOR EM CORRENTE ALTERNADA Em corrente contínua, a resistência de um condutor é calculada pela expressão: RCC [Ω] = ρ x l/s

Figura 1. Movimento das cargas eléctricas.

Texto escrito de acordo com a antiga ortografia.

δ

Zona de circulação da corrente eléctrica

[1]

Onde: • ρ – resistividade do material do condutor [Ωkm/mm2] • l – comprimento do condutor [km] • s – secção do condutor [mm2] Sendo I [A] a corrente nominal da instalação, a potência de perdas (Pp) no condutor por efeito de Joule são calculadas pela expressão: Pp [W] = RI2

[2]

Considerando o comprimento do condutor unitário (l = 1 km), a resistência unitária em corrente contínua (R’CC) será: R’CC = ρ/s

[3]

Veja-se agora a situação em corrente alternada, tendo em atenção o efeito pelicular. Sendo d o diâmetro do condutor e δ a profundidade de penetração, a secção útil do condutor é su [mm2] = πd2/4 – π(d-δ)2/4

[4]


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