“uma pequena aresta pode tornar-se um grande problema”
robótica
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por Helena Paulino
entrevista
A intralogística e a produção manual exigem requisitos distintos sobre as pessoas e os materiais. O planeamento de ambas como entidades separadas cria, muitas vezes, barreiras e gera ineficiência. Mas existem algumas medidas simples que podem ajudar a evitar o problema, como explica o especialista em sistemas de postos de trabalho e Gestor de Produtos da item Industrietechnik GmbH, em Solingen, Marius Geibel.
revista “robótica” (rr): Por que é que a intralogística, fluxos de materiais e mapeamento do fluxo de valor se tornaram tão importantes? Marius Geibel (MG): Porque as empresas podem poupar muito dinheiro, otimizando tempos de produção e combatendo a ineficiência. No passado, o foco era frequentemente cingido à otimização de um processo de trabalho individual ou produto. Atualmente as empresas entendem que o ponto de transmissão de um processo para outro é, no mínimo, tão importante. Afinal as etapas de trabalho mudam mas haverá sempre pontos de transição. As empresas capazes de estabelecer uma ligação efetiva entre a logística interna e a produção irão diminuir os seus custos e reduzir a quantidade de capital empatado em produtos preliminares. Existe uma maior concentração nas atividades que realmente criam um valor acrescentado.
e consideram as bordas altas como uma entrave. Ter uma visão clara dos materiais também facilita as operações de picking. Posto isto, quais as exigências às quais dá prioridade, sobretudo quando sabe que uma ou outra opção resulta automaticamente em ineficiência?
rr: Por que é que esta é considerada como uma nova tarefa? Independentemente da atividade, otimizar a produção não é sempre o principal objetivo? MG: Trata-se de um assunto novo, porque muitas vezes há um conflito de interesses entre a logística e a produção quando se trata do fornecimento de material. A preferência em intralogística é usar recipientes padronizados com paredes laterais altas que mantêm o conteúdo a transportar em perfeitas condições. Também é mais eficiente fornecer todos os materiais de uma só vez, em vez de fornecer pequenas quantidades mesmo frequentemente. Por outro lado, os funcionários que trabalham em produção primam o acesso fácil aos produtos
rr: Como concilia esse conflito de interesses? MG: Otimizando as transições, de modo que ambos os requisitos possam ser atendidos. O conceito ergologistic® combina intralogística eficiente com operações de produção que não são prejudicadas devido a aborrecimentos desnecessários. Este conceito abrange toda uma gama de aspetos como a simplificação do transporte de mercadorias, eliminando bordas obstrutivas e tornando mais fácil a divisão de grandes quantidades de produtos em porções menores. Isto garante às empresas a possibilidade de colocar em prática os processos de trabalho eficientes, atendendo às necessidades da sua força de trabalho. Se permitir que as ineficiências se enraízem, corre o risco de elevar as ta-
xas de erro devido a uma falta de concentração ou taxas de abstenção por doença.
“uma pequena aresta pode tornar-se um grande problema”
rr: A que devem as empresas estar atentas? MG: O transporte de mercadorias dentro de uma empresa significa, muitas vezes, transportar grandes volumes de um ponto para o outro. Quer se trate de peças completas ou caixas individuais com pequenos componentes, ao longo de um ano, estamos perante várias toneladas no total, todas movidas manualmente. Uma pequena aresta pode tornar-se um grande problema. Os pontos de transferência a partir do armazém para o carrinho de transporte e do carro de transporte até à bancada de trabalho são cruciais. Quanto menos os funcionários tiverem que levantar, melhor. É por isso que as bordas de caixas mais baixas são uma vantagem.
rr: As bordas mais baixas não significam que as cargas estão menos seguras quando movidas? MG: Não se forem projetadas corretamente. A questão é onde essas arestas precisam de estar. Bordas de retenção estáveis são geralmente indispensáveis quando se trata de manter caixas no lugar durante o transporte. Por outro lado, as bordas devem ser evitadas no lado de carregamento de postos de trabalho, para que os funcionários não tenham que levantar as caixas mais do que é estritamente necessário no momento do fornecimento e possam, ainda assim, ver o seu conteúdo. Os sistemas FIFO que usam calhas de roletes são uma boa alternativa. Quando se trata de operações de remoção manual, as caixas devem estar localizados numa posição final ligeiramente inclinada, facilitando o acesso à mercadoria e a sua visualização rápida por parte do operador. Além disso, o gradiente mais íngreme