Pesquisa interna avalia impacto da restrição ao uso de aparelhos na Chapel
PENSAMENTO CRÍTICO
Ex-aluna Bruna Alba destaca as habilidades que desenvolveu na Chapel
A
PRESSA NÃO DEIXA A VIDA
PASSAR
Crônica de Ignácio de Loyola Brandão
“O
CELULAR ESTÁ DESTRUINDO A INFÂNCIA”
O pediatra Daniel Becker alerta sobre os perigos da exposição às telas
DE MÃOS DADAS NA RUA, SOLTOS NA REDE
Entrevista exclusiva com a juíza Vanessa Cavalieri, sobre a importância da supervisão parental no ambiente digital
Nossa Missão
Em um ambiente academicamente desafiador e cuidadoso, a Chapel propicia um sistema americano de educação para um corpo discente internacional. Por meio de valores cristãos, os alunos aprendem a tomar decisões conscientes, a arcar com a responsabilidade por suas ações pessoais e pelas necessidades da comunidade, respeitando a vida e a diversidade cultural.
Ms. Juliana Menezes, Superintendente da Chapel
Bem-vindos à 32ª edição do Inside Chapel e ao segundo semestre do ano letivo 2025-2026. Estamos muito contentes por iniciar este novo capítulo juntos e por poder receber nossos alunos, suas famílias e nossos funcionários para um semestre centrado no aprendizado, no crescimento e em conexões significativas.
Nesta edição, voltamos nossa atenção para o papel da tecnologia na infância e na adolescência, explorando seu impacto a longo prazo nas crianças em idade escolar. Por meio de contribuições de especialistas conceituados, compartilhamos dados, reflexões e convites elaborados com atenção para fazer uma pausa e ponderar como podemos apoiar nossos filhos no mundo digital de hoje de maneira mais eficaz.
O pediatra Daniel Becker dá ênfase às conclusões de um estudo da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal que apontam para uma oportunidade importante de maior conscientização. A pesquisa mostra que muitos brasileiros ainda não sabem que as bases para o desenvolvimento cognitivo, físico e socioemocional são estabelecidas na primeira infância. Ela também nos lembra que a primeira infância se estende até os seis anos de idade, um período vital que merece cuidado, atenção e apoio intencional.
Esta edição também traz a juíza Vanessa Cavalieri, nossa convidada para a capa e para o “Parent Talk” deste semestre. Com base em seus anos à frente da Vara da Infância e Juventude, ela compartilha como o perfil dos adolescentes que estão ingressando no sistema jurídico mudou nos últimos anos, especialmente após a pandemia da COVID-19. Suas reflexões nos convidam a examinar mais de perto os desafios encarados pelos adolescentes de hoje e a reconhecer a importância da orientação, do diálogo e da responsabilidade coletiva.
Esta edição também compartilha insights de uma pesquisa recente realizada com nossos alunos do Ensino Médio, dentre os quais 85,5% afirmam usar seus telefones mais nos finais de semana do que nos dias úteis. Aos fins de semana, temos oportunidades valiosas para momentos em família, atividades compartilhadas e conexões pessoais. Também reconhecemos que nós, adultos, encaramos desafios parecidos. Equilibrar e-mails, mensagens e mídias sociais é algo que todos estamos aprendendo juntos, sendo pais, educadores e exemplos a serem seguidos. Essas conversas devem continuar dentro dos lares e as famílias desempenham um papel crucial no estabelecimento de limites e no desenvolvimento de hábitos saudáveis.
Outra descoberta interessante fruto da pesquisa é que apenas 2,5% dos entrevistados relataram usar seus telefones majoritariamente para pesquisas acadêmicas ou relacionadas à escola. Isso reforça o entendimento de que é pouco necessário usar os dispositivos durante o período escolar. Na escola, os celulares ficam fora do campo de visão, o que faz parte do nosso compromisso em dar apoio à saúde mental, ao desenvolvimento socioemocional e às importantes interações presenciais dos alunos. Embora existam desafios, eles são oportunidades de reflexão e de aprimoramento. Essa abordagem demonstra um esforço contínuo em equilibrar o uso digital com interações e aprendizado presenciais. Nós frequentemente revisamos nossas diretrizes e práticas para identificar áreas de crescimento, sempre priorizando o bem-estar dos alunos.
Como sempre, a Inside Chapel é um convite para refletir, conectar-se e caminhar lado a lado no trabalho compartilhado de apoiar nossas crianças à medida que crescem em um mundo complexo e em constante mudança.
INSIDE CHAPEL É UMA PUBLICAÇÃO
SEMESTRAL DA CHAPEL SCHOOL
WWW.CHAPELSCHOOL.COM
CONSELHO EDITORIAL CHAPEL SCHOOL: Miguel Tavares Ferreira, Marcos Tavares Ferreira, Eliana Cardia e Silas Nunes
EDITORA: Paula Veneroso MTB 23.596 (paulaveneroso@gmail.com)
Adriana Calabró, Ignácio de Loyola Brandão, Maurício Oliveira e Paula Veneroso
FOTOS:
Acervo Pessoal, Arquivo Chapel, Caroline Pereira, Grazy Barreto, Leo Aversa e Freepik
DESIGN GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: João Henrique Moço
TRADUÇÕES: Chapel School
IMPRESSÃO: Margraf
ADRIANA CALABRÓ
[Na rota do sucesso, p. 32] é jornalista e desenvolve projetos nas áreas de literatura, teatro e audiovisual, além de realizar pesquisa autoral sobre a escrita como processo de transformação. Foi premiada com o Selo PUC/Unesco Melhores Livros do Ano (2017) e com o Prêmio João de Barro (2016) pelo seu primeiro livro juvenil, Vida Game. Também conquistou o ProAC de criação literária (2007) e os prêmios Selo Elas Cabíria Telecine (2021) e Rio WebFest (2022, como roteirista colaboradora). Foi finalista nos prêmios Off-Flip, Paulo Leminski e em Festivais de curta-metragem, no Brasil e em Contis, na França. Tem nove livros publicados.
IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
[A pressa não deixa a vida passar, p. 37] é um contista, romancista e jornalista brasileiro. Ao longo da carreira, publicou dezenas de livros em gêneros variados (romance, contos, crônicas, literatura infantojuvenil, biografia, entre outros), muitos traduzidos para vários idiomas. Reconhecido como um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea, recebeu diversos prêmios — dentre eles o Prêmio Jabuti (em várias edições) e o Prêmio Machado de Assis, este último concedido em 2016 pela Academia Brasileira de Letras (da qual ele é membro), pelo conjunto de sua obra.
MAURÍCIO OLIVEIRA
[Pesquisa interna avalia impacto da restrição ao uso de celulares, p. 15] já escreveu para os principais veículos da imprensa brasileira como Veja, Exame, O Estado de S. Paulo, Valor Econômico e UOL. Com mestrado em História Cultural e doutorado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), tem mais de 30 livros publicados, como Amores Proibidos na História do Brasil, Garibaldi, Herói dos Dois Mundos e Pelé, O Rei Visto de Perto
PAULA VENEROSO
[“Os pais não têm a menor ideia do que os filhos fazem em seus computadores e celulares”, p. 24, e Olhos baixos: a epidemia silenciosa das telas, p. 9] é editora da Inside Chapel Jornalista e mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), atuou como revisora, redatora e repórter nas revistas Veja, Veja São Paulo e no jornal Folha de S.Paulo. Por mais de 20 anos lecionou técnicas de redação jornalística em cursos de graduação. Atualmente, trabalha como preparadora e revisora de livros, e na produção e edição de reportagens para mídias impressas e digitais.
SUMÁRIO
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UMA GERAÇÃO REFÉM DAS TELAS
O pediatra e ativista pela infância Daniel Becker alerta para o vício generalizado em celular que acomete tanto adultos como crianças, causando prejuízos irreversíveis no seu desenvolvimento cognitivo. Segundo ele, “uma infância que não brinca gera adultos estúpidos, infelizes, deprimidos, violentos e intolerantes”.
CRÔNICA
Na crônica “A pressa não deixa a vida passar”, Ignácio de Loyola Brandão, escritor membro da Academia Brasileira de Letras, relembra sua infância e juventude em meio aos amigos, época em que as conversas eram cara a cara e os bilhetes, escritos à mão. E reflete sobre a importância da escola e dos professores na escolha da sua profissão, antes dos celulares sequestrarem nossos momentos de trocas.
COLÉGIO SEM CELULAR
Com o objetivo de compreender melhor os impactos da lei 15.100, que restringiu o uso de celulares nas escolas do Brasil, a Chapel organizou uma pesquisa sobre o tema com 200 alunos, de 12 a 18 anos, e 59 professores. Os resultados revelaram que houve aumento de conversas, interação e diversão, melhorando a convivência escolar.
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SPOTLIGHT
Fique por dentro do que foi notícia na Chapel: Associação de Escolas Americanas no Brasil unifica competições esportivas em um único torneio, agora disputado por quatorze escolas; Membros do NHS criam Buddy Program e passam a colaborar na Educação Infantil da Chapel; Evento de Natal inaugura novo formato e promove manhã descontraída com piquenique das famílias, ação solidária e diversão para as crianças.
CELULAR NÃO COMBINA COM CRIANÇA
Vanessa Cavalieri, juíza titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, alerta: o ambiente digital não é seguro para crianças e adolescentes sem o monitoramento dos pais, que devem, sim, ver o que os filhos fazem nas redes sociais. Suas opiniões sobre os malefícios da internet são contundentes e expõem a falta de controle parental. Em entrevista exclusiva, ela detalha o que a motivou a criar o protocolo “Eu Te Vejo” e a apoiar movimentos de desconexão digital.
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TALENTOS & PAIXÕES
Os professores Priscilla Odinmah e Erick Santana falam de suas aptidões, respectivamente, para o canto e para o ciclismo de estrada. Destacam-se, entre os alunos, a dedicação a projetos sociais; vocação para esportes – golfe, tênis, vôlei e automobilismo –, para artes e música – como pintura, balé e piano –, e até conhecimento do universo das fragrâncias.
TECNOLOGIA COM RESPONSABILIDADE
Bruna Alba, ex-aluna da Chapel e atual Head de Marketing da Amazon México, conta um pouco da sua vida profissional e relembra as bases construídas no colégio, que facilitaram sua ascensão em grandes empresas internacionais: o pensamento crítico foi determinante para o seu crescimento pessoal e profissional.
GALLERY
Registros fotográficos de eventos culturais e comemorativos do último semestre da Chapel: a programação da tradicional Feira de Livros; as divertidas fantasias da Spirit Week e do Halloween; o novo formato do Evento de Natal e as cerimônias de posse dos membros do NHS e do NJHS.
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OLHOS BAIXOS: A EPIDEMIA SILENCIOSA DAS TELAS
CRÍTICO CONTUNDENTE À EXPOSIÇÃO DE CRIANÇAS A TELAS, O PEDIATRA DANIEL BECKER AFIRMA, SEM HESITAR, QUE “O CELULAR ESTÁ DESTRUINDO A INFÂNCIA”. EM SUA BUSCA POR SOLUÇÕES SISTÊMICAS, ELE FOI UM DOS PRINCIPAIS ARTICULADORES DA LEI QUE RESTRINGIU O USO DE CELULARES
NAS ESCOLAS: “EU SOU UMA DAS PESSOAS RESPONSÁVEIS POR ESSA LEI E TENHO MUITO ORGULHO DISSO”. NO ENTANTO, APESAR DOS RESULTADOS POSITIVOS, ELE REITERA QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ESTÃO VICIADOS EM TELAS, E LEIS NÃO BASTAM; PARA MUDAR ESSE QUADRO, FAMÍLIAS, ESCOLAS E GOVERNO DEVEM OPERAR UMA TRANSFORMAÇÃO PROFUNDA.
No cotidiano das famílias brasileiras, uma cena se repete com frequência perturbadora: a criança em silêncio, o rosto iluminado pelo brilho da tela, os dedos deslizando em um movimento hipnótico. Longe da ebulição da vida real, essa criança se encontra, na visão do pediatra Daniel Becker, no centro de uma epidemia que se espalha silenciosamente e que exige um diagnóstico claro e uma resposta contundente. As mais recentes pesquisas não apenas confirmam o que o especialista vem dizendo há anos, elas também demonstram que o problema só piora: de 2015 a 2024, o número de crianças de zero a dois anos com acesso à internet aumentou quase 400%. Apesar de a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendar que bebês menores de dois anos não tenham nenhum contato com telas, a última pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) apontou que 44% dessa faixa etária são usuários da internet. Outro estudo, realizado em 2025 pela Fundação
Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Datafolha, mostra números ainda mais alarmantes. Intitulado “Panorama da Primeira Infância: o que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida”, demonstrou que 78% das crianças de zero a três anos passam mais de uma hora por dia olhando para uma tela, e quase a totalidade das crianças de 4 a 6 anos (94%) são expostas a telas por cerca de três horas diariamente.
PERFIL
Por Paula Veneroso Fotos: Leo Aversa
DEIXAR UMA CRIANÇA ENTRETIDA
DIANTE DE UMA TELA IMPEDE QUE ELA SEJA CRIATIVA, QUE ENFRENTE O TÉDIO E QUE PENSE.
Primeira infância: zero tela De acordo com Daniel Becker, é preciso entender, de uma vez por todas, que a primeira infância é a fase mais importante para a formação do ser humano: “É um momento de desenvolvimento explosivo, rapidíssimo, intenso, o mais intenso da vida. E a formação do ser sempre se deu no mundo real, no mundo em três dimensões”. O pediatra lembra que a raça humana “se desenvolve em contato com a luz do dia, dormindo à noite, no escuro, movimentando o corpo, interagindo uns com os outros, contando histórias, raciocinando, pensando, enfrentando o tédio com alguma criatividade, brincando com as crianças, principalmente, planejando e se organizando. Isso é o desenvolvimento humano por excelência. É o que levou a nossa espécie a ser o que é hoje. E muitas dessas habilidades fundamentais do nosso organismo, não só neurológicas, se dão nessa época”. Outro dado preocupante revelado pela pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal toca exatamente nesse ponto: 84% dos brasileiros desconhecem que as bases do desenvolvimento cognitivo, físico e socioemocional ocorrem na primeira infância (para 41% dos entrevistados, ocorre na idade adulta, a partir dos 18 anos; enquanto outros 25% acreditam que é na adolescência, entre 12 e 17 anos). Aliás, a maioria absoluta dos brasileiros (98%) não sabe que a primeira infância vai até os seis anos de idade.
Nessa fase, o cérebro realiza 1 milhão de sinapses por segundo e 90% das conexões cerebrais são estabelecidas, o que é extremamente prejudicado pelas telas, que tiram a criança do contato com a natureza, do contato com a luz do dia, da interação com outras pessoas e da brincadeira. “Deixar uma criança entretida diante de uma tela impede que ela seja criativa, impede que ela enfrente o tédio e pense, impede que ela contemple, e isso significa abolir a criatividade. Tudo isso a impede de se desenvolver normalmente, especialmente na primeira infância”, afirma Becker, justificando o porquê de os especialistas recomendarem zero tela nessa faixa etária, como se faz na França. “No Brasil, a gente fala em zero tela até os dois anos, embora o ideal seja prolongar mais esse tempo, pois as telas não trazem nenhum benefício para o desenvolvimento. Ao contrário, só trazem malefícios”, avisa.
Crianças e adolescentes: experiências reais
No desenvolvimento da infância, até a adolescência, o pediatra continua elencando os prejuízos causados pelas telas, incluindo um agravante: o vício. “Aplicativos tecnológicos, como redes sociais e vídeos curtos, são viciantes porque, neles, tudo é fácil, rápido e irresistível”, afirma. Pior do que isso, os jovens perdem boa parte das vivências fundamentais que são responsáveis por torná-los adultos funcionais. “Na puberdade, acontece um processo muito importante de amadurecimento cerebral, que é a transformação do cérebro da criança no cérebro de adulto. E isso se dá muito intensamente na puberdade”, explica Becker. Nessa fase, se fortalecem as conexões do córtex pré-frontal, onde acontecem as funções executivas, que são típicas do adulto: “Planejamento, organização, controle de impulsos, pensamento crítico, adiamento da gratificação, enfrentamento de frustrações, realização de tarefas, solução de problemas, resolução de conflitos, empatia, tudo isso reside nessa área do sistema”. E, novamente, o especialista afirma que, a fim de desenvolver tão
importantes funções, são necessárias experiências reais, experiências sociais com os pais e vivências em grupos. “É preciso brigar com os amigos, se reconciliar, abraçar, empurrar, jogar bola, perder, ganhar, entender que se treinar melhor vai jogar melhor, tomar uma bronca do professor, ir mal numa prova, estudar mais e ir bem na próxima, fazer um trabalho de casa, se organizar para isso, resolver problemas com a família, com os seus amigos, ter modelos de comportamento, modelos éticos dos seus pais, dos seus avós, fazer esporte, se dedicar, enfim, viver a vida social e cultural.
AS TELAS NÃO TRAZEM NENHUM BENEFÍCIO PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL. AO CONTRÁRIO, SÓ TRAZEM MALEFÍCIOS.
Tudo isso são experiências fundamentais: viver na natureza, se desafiar, subir numa árvore, fazer uma trilha, ter coragem, ter curiosidade, iniciativa. Tudo isso a gente aprende na adolescência.”
Muito além de tempo perdido
O tempo médio dedicado às telas por um adolescente brasileiro – de 8 a 9 horas por dia –, além de deteriorar habilidades essenciais como a atenção e o foco, fragmenta o sono, provocando, a longo prazo, segundo Becker, consequências devastadoras:
“Ansiedade, depressão e pânico são as mais comuns, mas também vemos aumentar casos de automutilação, de pensamentos suicidas e até mesmo de suicídio, principalmente entre meninas”, afirma. Tais danos se dão justamente pelos conteúdos que a internet entrega, os quais, para o pediatra, são extremamente nocivos. “Trata-se de um conteúdo repleto de ódio, de intolerância, de consumismo, de violência extrema, de misoginia, de racismo, de ódio ao pobre, de ódio à escola, de venda de vapes (cigarros eletrônicos), de suplementos falsos, de remédios falsos, tratamentos falsos e jogos de azar que chegam ao jovem, além da pornografia que o vicia e cria uma iniciação à sexualidade totalmente deturpada”, explica. Para as meninas, o efeito das redes é ainda mais pernicioso. “Ao serem continuamente expostas a ostentações de corpos artificiais, elas acabam se achando péssimas e, na busca por uma barriga negativa, começam a querer comprar todo tipo de remédio, a fazer dietas e a vomitar, se automutilando e entrando em depressão”, acrescenta.
O que fazer?
Não é a escola sozinha que vai resolver o problema, adverte Becker, lembrando que o papel dela é fornecer educação digital, enquanto famílias e governo devem, respectivamente, colocar restrições e sancionar leis que regulamentem o ambiente digital. Nesse sentido, a lei que proibiu o celular nas escolas vem ajudando bastante: “Essa pausa de quatro, seis ou oito horas na
vida digital de crianças e jovens está sendo elogiada por professores, que veem os alunos interagindo fisicamente, prestando mais atenção às aulas e voltando a se conectar no recreio, jogando, brincando, conversando”, afirma. O ideal seria que, longe de gerar um “efeito rebote”, em que as crianças compensariam, em casa, o tempo perdido com o celular, a restrição na escola as levasse a um reencontro com o mundo real.
Para isso, é fundamental que a família cumpra o seu papel. “A família tem que fazer contratos, tem que implementar um aplicativo de controle parental, supervisionar e restringir o tempo de uso, as contas e o tipo de conteúdo que o filho recebe”, argumenta Becker. Para ele, o pai e a mãe comprometidos sentam-se com o filho adolescente e veem junto com ele os vídeos
O IDEAL É QUE OS PAIS ENTREGUEM CELULAR AOS FILHOS O MAIS TARDE POSSÍVEL, DEPOIS
DOS 14 ANOS.
a que ele está assistindo, o conteúdo que chega para ele e o ajudam a desenvolver um pensamento crítico sobre esse conteúdo. “Se possível, os pais devem entregar o celular o mais tarde possível; recomendo sempre no 9º ano, com 14, 15 anos, e entrar nas redes sociais apenas no Ensino Médio, só no 2º ano, por aí, aos 16 anos, que é a recomendação universal, criada por Jonathan Haidt, autor do livro A Geração Ansiosa. E sempre com supervisão”, afirma.
Quanto ao governo, Becker considera o banimento do celular na escola uma política pública fundamental, mas a infância e a adolescência precisam de mais proteção federal. Ele cita a Lei Federal n° 2628, sancionada em setembro do ano passado, que criou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente - ECA Digital: “Era uma luta de três anos de vários ativistas e não estava dando em nada. De repente, um vídeo do influencer Felca criou uma onda de indignação e o
Congresso acordou, aprovando a lei”. O pediatra afirma que, embora a lei garanta um maior controle sobre os crimes cometidos pelas redes sociais –divulgação de conteúdos inadequados incitando ódio, intolerância, racismo, desafios perigosos e fazendo apologia à erotização precoce, ostentação e jogos de azar –, ela não acabará com o vício de crianças e adolescentes. Esse deve ser controlado pelas famílias, ao tentar garantir para os filhos uma maior vivência no mundo real.
DA UNIVERSIDADE À FAVELA: A GÊNESE DA PEDIATRIA INTEGRAL
A autodenominação de Daniel Becker como “ativista pela infância” não é uma estratégia de marketing recente, mas a descrição de uma identidade que se manifesta há décadas, desde a residência em pediatria na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde atendia crianças da favela da Maré, vizinha ao hospital do campus. “As crianças vinham muito doentes, e a gente tratava a desnutrição, a infecção, a verminose, mas, poucos meses depois, elas voltavam do mesmo jeito. Então, eu não via sentido: investia-se muito dinheiro, muitos recursos, muito tempo e muita energia para cuidar de uma criança doente que, ao retornar à origem da sua doença, voltava a adoecer”, conta, justificando sua trajetória profissional a partir dali. Investiu, então, em cursos de formação em pediatria social, primeiro na França e, em seguida, cursando o mestrado em Saúde Pública na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Depois foi para a Tailândia, em 1988, atuar em campos de refugiados, sendo o primeiro brasileiro a integrar a organização Médicos sem Fronteiras: “Aprendi ali a lidar com a medicina sem nenhum recurso além da minha capacidade”, conta. Quando regressou ao Brasil, foi trabalhar em favelas, atuando mais de vinte anos em periferias, onde, mais do que lidar com a pobreza, buscava a equidade em saúde. “A saúde é um produto social. A saúde não é um produto de médicos e remédios. Saúde a gente alcança quando se tem bons recursos, quando a gente tem desenvolvimento, educação, renda, saneamento, um bom meio ambiente, vida cultural, vida recreativa, faz exercício físico, mas tem um ambiente bom para se exercitar, quando a gente tem boas relações, quando a gente tem comunidade, quando a gente tem, enfim, tudo aquilo que faz uma vida ser boa”.
Soluções coletivas para problemas coletivos
No hospital público, no consultório, nas emergências, na docência universitária, cada vez ficava mais evidente que as pessoas deveriam saber que saúde não se conquista apenas com remédios, dietas e exercícios, pois, “para problemas coletivos são necessárias soluções coletivas”, afirma,
explicando a origem da expressão “pediatria integral”, que norteia e resume sua atuação. No início dos anos 1990, passou a integrar o grupo que havia recém-criado, o Centro de Promoção da Saúde – CEDAPS –, organização sem fins lucrativos que foi pioneira ao agregar a figura do agente comunitário de saúde nas favelas do Rio de Janeiro, inaugurando a primeira equipe de Saúde da Família da cidade. Tal iniciativa, levada ao Ministério da Saúde, foi responsável por tornar o programa a principal política de saúde no Brasil, se tornando base do SUS (Sistema Único de Saúde), criado na mesma época. “Hoje em dia, a Saúde e Atenção Básica atende 150 milhões de brasileiros. É o maior programa do SUS, e um dos orgulhos da minha carreira”, afirma. Pelo CEDAPS, colaborando com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a OMS (Organização Mundial da Saúde) em projetos internacionais, Daniel Becker percorreu 23 países.
“Todos nós temos que ser ativistas”
Por volta de 2010, ele começou a escrever sobre pediatria integral no Facebook e percebeu que seu discurso era bem recebido, já que o número de seguidores subia rapidamente. “Comecei a falar das duas coisas mais importantes para a criança: seu território essencial, que é a natureza, e sua atividade principal, que é a brincadeira”, conta. Na pandemia, foi um dos pioneiros a defender a volta das aulas presenciais e, sempre na vanguarda, um dos primeiros a alertar sobre os perigos das telas às quais as crianças estão excessivamente expostas. Além disso, lutou fervorosamente pela proibição dos celulares nas escolas e, atualmente, está engajado nas questões ambientais. “Sempre tive a preocupação de olhar para o presente e, a partir dele, tentar antever o futuro para, daí, tentar intervir no agora para melhorar o depois. Por isso eu chamo de ativismo”, explica. Hoje, suas preocupações estão voltadas também para a questão ambiental: “A crise climática chegou e nós precisamos entender que as crianças já estão sofrendo e vão sofrer mais ainda, e que precisamos atuar, todos nós, como ativistas ambientais. Na verdade, todos nós temos que ser ativistas agora.”
Maurício
PESQUISA INTERNA AVALIA IMPACTO DA RESTRIÇÃO AO USO DE CELULARES
VIGENTE DESDE JANEIRO DE 2025, LEI 15.100 CONTRIBUIU PARA MELHORAR A EXPERIÊNCIA TANTO DOS ALUNOS QUANTO DOS PROFESSORES DA CHAPEL.
Ocotidiano das escolas brasileiras foi transformado pela Lei Federal 15.100, que restringiu o uso de celulares nos estabelecimentos de educação básica em todo o país. Vigente desde janeiro do ano passado, a lei foi bem recebida pela população, que percebia a necessidade de limitar o acesso de crianças e adolescentes ao dispositivo. Às vésperas da edição da lei, o índice de apoio à proposta chegava a 86%, de acordo com pesquisa realizada nacionalmente pelo Instituto Nexus. Havia 54% de concordância em relação à proibição total nas escolas, enquanto 32% dos entrevistados defendiam o uso dentro dos estabelecimentos de ensino exclusivamente para atividades didáticas e pedagógicas, com supervisão do professor responsável. Apenas 14% dos brasileiros se disseram contrários às medidas que naquele momento estavam em debate no Congresso Nacional.
Na Chapel School, assim como ocorreu Brasil afora, a entrada em vigor da lei resultou na redução drástica dos danos provocados por uma distração que havia se tornado onipresente nas escolas. Sem ter o celular sempre às mãos, os alunos intensificaram a atenção aos estudos durante as atividades em sala de aula e passaram a interagir bem mais uns com os outros nos intervalos. Aos poucos, a sensação inicial de perda foi sendo substituída pelo prazer proporcionado por atividades como jogos de mesa ou brincadeiras ao ar livre, além de uma prática que andava um tanto esquecida: simplesmente conversar, bater papo, contar e ouvir histórias.
Por
Oliveira Fotos: Arquivo Chapel
“Nossa avaliação sobre as mudanças proporcionadas pela lei é extremamente positiva, já que o uso de celulares nas escolas havia se tornado uma grande preocupação tanto para os pais quanto para os educadores”, diz Ms. Juliana Menezes, superintendente da Chapel. “Tenho certeza de que para os alunos também foi um passo importante para a manutenção dasaúde mental.”
Menos celular, mais foco
Com o objetivo de compreender melhor os impactos da lei depois de quase um ano de vigência, a Chapel organizou uma pesquisa sobre o tema com alunos e professores. Foram obtidas 200 respostas de alunos, com idade entre 12 e 18 anos, e 59 de
uma amostragem significativa da população escolar. De todas as pessoas ouvidas, apenas 11 (nove alunos e dois professores) disseram não ter celular, evidência de como a posse do aparelho está amplamente disseminada mesmo entre crianças e adolescentes.
Dos alunos que responderam à pesquisa, 37% perceberam mudanças no tempo total de uso do celular depois que a lei entrou em vigor, sendo que 34,5% afirmaram estar usando menos e apenas 2,5% disseram estar usando mais. Os demais 63% avaliam que o tempo total de uso continua semelhante, pois a restrição de acesso no colégio acaba sendo compensada por mais
redução no tempo de uso do celular, de uma média próxima a cinco horas para três horas diárias. “Sinto que estou com mais foco para estudar e mais tempo para fazer esportes e conversar com os amigos”, ela descreve. A aluna acrescenta que sempre gostou de conversar, mas às vezes se sentia um tanto inibida ao se aproximar dos colegas e perceber que todos estavam no celular. Agora essa barreira deixou de existir.
A importância do exemplo
A indicação de tempo máximo de tela recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para cada idade é conhecida por 78,5% dos alunos entrevistados – dos que conhecem essa referência, 46% admitiram que não a estão seguindo. Depois da lei, entretanto, o excesso de
uso do celular é um problema que se tornou claramente concentrado nos finais de semana: 85,5% dos alunos ouvidos dizem utilizar proporcionalmente mais o celular no período entre sexta e domingo do que entre segunda e sexta. É um indício de que ainda há muito a discutir sobre o assunto no ambiente doméstico. Para 40,5% dos alunos ouvidos, o uso que fazem do celular é desaprovado pelos pais, enquanto 36,5% consideram que o uso é aprovado pelos pais. Os restantes 23% não souberam responder ou afirmaram que os pais são indiferentes ao tema. Dos alunos ouvidos, 66% consideram que os pais usam celular ainda mais intensamente do que eles próprios. “Quando a gente estabelece regras, precisa estar atento para cumpri-las também”, lembra Ana Paula
Aragon, mãe dos gêmeos Enrico e Anna Beatriz, de 15 anos. Ela cita, como exemplo, o acordo para que ninguém da família use o celular durante as refeições compartilhadas. “Outro dia fiquei em dúvida sobre um assunto que estávamos conversando, acho que era o nome da capital de algum país, e saquei o celular para pesquisar. Eles me chamaram a atenção na hora. E estão certos, regra é regra.”
Mães e pais precisaram se adaptar à dificuldade de comunicação com os filhos em decorrência da nova regra. Antes, era muito fácil e rápido mandar mensagem a qualquer momento. Agora, é preciso entrar
precisam falar com os pais. “Isso com certeza nos ajudou na organização como família, com todos planejando melhor o que precisamos fazer e o que deve ser combinado”, avalia Ana Paula. Ter perdido a instantaneidade da comunicação é o principal motivo para que 65,5% dos alunos ouvidos na pesquisa tenham afirmado que a lei trouxe pelo menos uma desvantagem. Desses, 74,5% apontaram como principal fator negativo a dificuldade de contato com a família e os amigos, enquanto os demais 25,5% se dividiram entre respostas como tédio, ansiedade e acesso dificultado a entretenimento e notícias.
Ganhos e perdas
Quando a lei foi sancionada, a direção da Chapel conversou com os professores para acertar como ficaria o uso do celular por eles no ambiente escolar. Optou-se por manter o aparelho sempre guardado – não poderia sequer estar à vista no bolso da calça durante os intervalos, por exemplo.
O resultado foi uma mudança de hábitos também para os professores, que, em momentos como o pós-almoço, costumavam passar algum tempo no aparelho. Entre os professores ouvidos na pesquisa, 57,6% disseram estar usando o celular menos tempo do que antes, no cômputo geral, enquanto 42,4% consideram estar usando durante o mesmo tempo. Nenhum dos professores ouvidos na pesquisa afirmou estar usando mais o celular do que antes.
Outra decisão da Chapel foi abrir mão da possibilidade de uso
pedagógico do celular durante as aulas, prevista na lei. O motivo é evitar possíveis brechas de acesso ao aparelho nos demais momentos da permanência dos alunos. Essa medida teve impacto para boa parte dos professores, já que 40% deles costumavam usar o dispositivo como apoio para atividades em sala de aula.
Marcio Kuroiwa, professor de Química e Ciências do 7o ao 12o ano, é um entusiasta do uso dos recursos de tecnologia em sala de aula, e, por conta disso, aponta um efeito colateral da aplicação da nova lei: “O celular permite muita praticidade para gravar vídeos e tirar fotos, entre outros recursos”, ele exemplifica, acrescentando que passou a buscar alternativas para suprir a ausência dessas possibilidades. Mesmo com eventuais contratempos desse tipo, no entanto, 50,8% dos professores que participaram da pesquisa consideram que a experiência no
trabalho ficou melhor, enquanto
40,7% afirmaram estar igual e apenas 8,5% apontaram que a experiência piorou.
Aqueles que viram melhora no cotidiano do trabalho destacam, como principal motivo para isso, a redução do desgaste envolvido na missão de monitorar e coibir o uso do celular durante as aulas, algo que acontecia com muita frequência.
Livia Galeote, professora do 7o e 8o anos, sentiu um grande alívio com o início da vigência da lei. “Numa sala de aula, temos que prestar atenção em várias coisas ao mesmo tempo, o que aumenta o cansaço mental. O celular certamente era um dos fatores que mais causava estresse.”
Algazarra bem-vinda
Dos professores ouvidos, 61% consideram que os alunos estão mais felizes depois que a lei entrou em vigência e 39% que estão no mesmo nível de felicidade. Nenhum
afirmou que os alunos estão menos felizes. É uma visão que difere um pouco daquela que os alunos têm sobre o próprio nível de felicidade em relação ao tema: 14% se consideram mais felizes, 79% se disseram com o mesmo nível de felicidade e 7% se classificaram como menos felizes.
Nuno Tavares, 17 anos, é um dos alunos que afirmaram estar mais felizes. “Deixar de usar o celular ajudou a explorar mais alternativas no ambiente escolar, incluindo os recursos que a Chapel oferece, como a quadra e o campo”, ele descreve. Uma das descobertas, ao lado dos colegas, foi o Four Square, um jogo com bola ideal para intervalos curtos. “Sempre gostei de me movimentar, de praticar esportes. Então, certamente estou mais feliz agora, porque
tenho mais amigos compartilhando essas atividades comigo.”
Marina Almeida, 13 anos, sentiu bastante, especialmente nos primeiros tempos, a dificuldade de contato com os pais e amigos, mas avalia que esse lado negativo da lei foi balanceado pelas novas formas de diversão e interação com os colegas. “Começamos a fazer coisas que não fazíamos antes, e isso foi muito legal. O maior exemplo é o truco”, ela conta.
A algazarra típica do truco, jogado principalmente na biblioteca, é uma espécie de “símbolo” das mudanças trazidas à Chapel pela restrição aos celulares. “No início, o barulho era muito forte. Depois as coisas foram melhorando um pouco”, lembra a professora Ruby Sheets, de Matemática e Ciências para o 6o ano. “Mas não estou reclamando,
longe disso. Era triste passar e ver 15 crianças com o celular nas mãos, cabeças abaixadas, em silêncio. Acho tão bonito quando conversam, interagem, se divertem juntas.”
Embora existam sinais claros de melhoria após a implementação da nova lei, a Chapel reconhece que ainda há espaço para crescimento. O colégio avalia que a adaptação a novas realidades — particularmente aquelas trazidas por tecnologias em rápida evolução — exige reflexão contínua, vigilância e responsabilidade coletiva. Embora os desafios persistam, os resultados positivos já observados reafirmam que o caminho a seguir é necessário e que os benefícios dessas mudanças continuam a superar as dificuldades que o colégio precisa enfrentar à medida que avança.
Depois da mudança no jeito que você usa o celular, você se sente mais feliz, menos feliz ou igual?
Mais feliz 14%
Menos feliz 7% Igual 79%
Mudança no tempo total de uso do celular:
Usando menos 34,5%
Usando o mesmo tempo 63%
Usando mais 2,5%
O uso do celular é discutido na sua casa?
Não 56%
Sim 44%
Usa mais o celular:
Nos finais de semana 85,5%
De segunda a sexta 14,5%
Você acha que seus pais usam celular mais ou menos do que você?
Mais 66%
Menos 34%
Sua vida escolar melhorou, piorou ou permaneceu igual?
Melhor 17%
Pior 8%
O que seus pais acham do seu uso do celular?
Aprovam 36,5%
Desaprovam 40,5%
Indiferentes/não sei 23,0%
Há alguma desvantagem em deixar de usar o celular?
Sim 65,5%
Não 34,5%
Qual foi o maior período que ficou sem usar celular?
Horas 21,5%
Semanas 24,5% Meses 14% Dias 40%
Principal uso que faz do celular:
Acompanhar redes sociais 50,5%
Comunicação com amigos e parentes 36%
Música, jogos, séries 11%
Pesquisas escolares 2,5%
Como se sentiu no maior período sem celular?
Predominância de sensações positivas (alegria, liberdade, produtividade etc) 24%
Predominância de sensações negativas (ansiedade, tédio, isolamento etc) 18,5%
Neutralidade/ Equilíbrio entre sensações positivas e negativas 57,5%
Principal desvantagem de deixar de usar o celular*:
Dificuldade de comunicação com a família e os amigos 74,5%
Ansiedade 5,3%
Menos acesso a informações e notícias 5,3%
Menos acesso a entretenimento 4,6%
Outras 4,2% Tédio 6,1%
*Entre os 131 alunos que apontaram existir desvantagens
Mudança no tempo total de uso do celular:
Usando menos 57,6%
Usando durante o mesmo tempo 42,4%
Usando mais 0%
Sua experiência como professor está:
Melhor 50,8%
Igual 40,7%
Pior 8,5%
Professores
Usava celular como ferramenta com os estudantes na sala de aula?
Sim 40,7%
Não 59,3%
Considera que os estudantes estão:
Mais felizes 61%
Mesmo nível de felicidade 39%
Menos felizes 0%
CONHEÇA O TEXTO DA LEI
LEI Nº 15.100, DE 13 DE JANEIRO DE 2025
Dispõe sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Esta Lei tem por objetivo dispor sobre a utilização, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais, inclusive telefones celulares, nos estabelecimentos públicos e privados de ensino da educação básica, com o objetivo de salvaguardar a saúde mental, física e psíquica das crianças e adolescentes. Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se sala de aula todos os espaços escolares nos quais são desenvolvidas atividades pedagógicas sob a orientação de profissionais de educação.
Art. 2º Fica proibido o uso, por estudantes, de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais durante a aula, o recreio ou intervalos entre as aulas, para todas as etapas da educação básica.
§ 1º Em sala de aula, o uso de aparelhos eletrônicos é permitido para fins estritamente pedagógicos ou didáticos, conforme orientação dos profissionais de educação.
§ 2º Ficam excepcionadas da proibição do caput deste artigo as situações de estado de perigo, estado de necessidade ou caso de força maior.
Art. 3º É permitido o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes, independentemente da etapa de
ensino e do local de uso, dentro ou fora da sala de aula, para os seguintes fins:
I – garantir a acessibilidade;
II – garantir a inclusão;
III – atender às condições de saúde dos estudantes;
IV – garantir os direitos fundamentais.
Art. 4º As redes de ensino e as escolas deverão elaborar estratégias para tratar do tema do sofrimento psíquico e da saúde mental dos estudantes da educação básica, informando- lhes sobre os riscos, os sinais e a prevenção do sofrimento psíquico de crianças e adolescentes, incluídos o uso imoderado dos aparelhos referidos no art. 1º desta Lei e o acesso a conteúdos impróprios.
§ 1º As redes de ensino e as escolas deverão oferecer treinamentos periódicos para a detecção, a prevenção e a abordagem de sinais sugestivos de sofrimento psíquico e mental e de efeitos danosos do uso imoderado das telas e dos dispositivos eletrônicos portáteis pessoais, inclusive aparelhos celulares.
§ 2º Os estabelecimentos de ensino disponibilizarão espaços de escuta e de acolhimento para receberem estudantes ou funcionários que estejam em sofrimento psíquico e mental decorrentes principalmente do uso imoderado de telas e de nomofobia.
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 13 de janeiro de 2025; 204º da Independência e 137º da República.
Por Paula Veneroso
Fotos: Acervo pessoal e Freepik
“OS PAIS NÃO TÊM A MENOR IDEIA DO QUE OS FILHOS
FAZEM EM SEUS COMPUTADORES E CELULARES”
É O QUE AFIRMA A JUÍZA VANESSA
CAVALIERI. TITULAR
DA VARA DA INFÂNCIA
E JUVENTUDE DO RIO DE JANEIRO HÁ DUAS
DÉCADAS, NOTOU, NOS
ÚLTIMOS DEZ ANOS, UMA SIGNIFICATIVA
E PREOCUPANTE
MUDANÇA NO PERFIL
DOS ADOLESCENTES ENVOLVIDOS EM ATOS INFRACIONAIS. A MAGISTRADA IDENTIFICOU
UM AUMENTO NOS CASOS DE INFRAÇÕES
DIGITAIS GRAVES, MUITAS
VEZES COMETIDAS POR ADOLESCENTES DE CLASSES MÉDIA E ALTA, À REVELIA DE SEUS PAIS.
Agravidade das infrações, aliada à análise da trajetória de vida de dezenas de jovens que planejaram ou executaram ataques a escolas, a levou a uma conclusão crucial: o ambiente digital desacompanhado se tornou um dos lugares mais perigosos para crianças e adolescentes, e a violência escolar está interligada a questões de saúde mental, falta de supervisão parental no mundo virtual e desafios como o cyberbullying. Segundo Vanessa Cavalieri, os eventuais benefícios trazidos pelas redes sociais não compensam os danos causados a crianças e adolescentes. “Para cada receita de cookie que uma menina pesquisa, uma enxurrada de postagens enaltecendo transtornos alimentares é entregue propositalmente pelos algoritmos”, afirma. Com o intuito de falar sobre esses e outros assuntos, a juíza concedeu uma entrevista exclusiva à Inside Chapel
Ao assumir a cadeira de juíza da Vara da Infância e Adolescência do Rio de Janeiro, a senhora afirma que percebeu uma mudança no perfil dos jovens infratores. O que mudou?
VC: Realmente, nos últimos dez anos que eu estou à frente da Vara da Infância e Juventude, notamos uma mudança no perfil do adolescente que chega ao judiciário, principalmente após a pandemia. Além daquele menino muito vulnerável, com uma situação socioeconômica de muita privação e de falta de acesso a direitos, passou a chegar também um outro menino que não costumava frequentar as páginas policiais. Meninos e meninas de famílias de classe média, classe alta, alunos de boas escolas, com famílias organizadas, estruturadas, sem grandes questões de falta de acesso a direitos básicos. E que estão cada vez mais cometendo crimes violentos, quase sempre ligados ao uso da tecnologia.
Por que a senhora sentiu a necessidade de criar o protocolo “Eu te Vejo” e quais foram os principais resultados alcançados?
VC: O objetivo do protocolo “Eu te Vejo” é bastante amplo, pois ele objetiva reduzir a violência nas escolas e a violência entre adolescentes. Em 2023, a partir da onda
de ataques a escolas, percebemos que havia situações em que esses meninos e meninas estavam dentro das escolas, e que eles eram vítimas de violências, violações, bullying, humilhações, e que tudo isso era invisível, tanto para as escolas quanto para as famílias, até o momento em que eles deixavam de ser vítimas e se tornavam agressores. Nesse momento, a gente teve vontade de colocar luz sobre esse problema e pontuar essas causas, para que tanto a escola quanto a família e o poder público possam atuar preventivamente no
combate, no enfrentamento da violência na adolescência.
A senhora também faz parte do “Movimento Desconecta”. Poderia nos explicar o que é e o que propõe?
VC: Eu sou embaixadora e apoiadora do “Movimento Desconecta”, que é um coletivo de famílias que se uniu com o objetivo de criar um acordo coletivo, de adiar o momento de entregar o primeiro smartphone para os filhos e adiar o momento
de permitir o acesso deles às redes sociais. A proposta desse movimento é que ninguém entregue o smartphone antes dos filhos completarem 14 anos e que ninguém permita o uso de redes sociais antes dos 16, seguindo as recomendações do psicólogo Jonathan Haidt no livro
A Geração Ansiosa, entendendo que há uma maior vulnerabilidade, maior risco para a saúde mental e prejuízo do desenvolvimento quando o acesso a essas telas móveis acontece de
forma precoce. E, complementando, sabemos que é muito difícil uma família sozinha conseguir manter esse compromisso, essa regra, principalmente quando o filho acaba ficando excluído dos grupos de WhatsApp e das redes sociais. Nossa visão é a de que, havendo um grupo de famílias que se comprometem, a gente consegue criar bolhas de crianças que terão sua infância preservada, livre de telas.
No ambiente digital, quais são os perigos mais urgentes e alarmantes que a senhora observa, e por que redes sociais aparentemente inofensivas como o TikTok podem ser perigosas? Quais são as plataformas mais nocivas atualmente?
VC: São muitos os riscos das redes sociais e das plataformas para a saúde física e mental. Sedentarismo, privação crônica do sono, aumento da depressão e da ansiedade, automutilação e transtornos alimentares são os mais recorrentes. E há o risco da segurança também. As crianças e adolescentes não apenas podem se tornar vítimas de crimes, de aliciadores, de pedófilos, de criminosos, mas também autores de atos infracionais a partir do momento em que são cooptados por comunidades extremistas. A gente sabe que tanto no TikTok quanto no Instagram, ou no X, existem pessoas fazendo apologia ao extremismo, à violência, ao neonazismo, bem como propagando misoginia, racismo e homofobia. Mas, hoje, sem dúvida nenhuma, a
plataforma mais perigosa de todas é o Discord, porque é uma plataforma em que não há moderação ativa de conteúdo, não há moderação repressiva. O design da plataforma torna todos os seus usuários muito vulneráveis a qualquer tipo de crime porque não tem compromisso com a segurança. O que acontecia cinco anos atrás na dark web hoje acontece na superfície da web através dos servidores criados pelos próprios usuários, as chamadas “panelas” do Discord. Sem supervisão, a internet é muito mais perigosa para uma criança ou adolescente do que as ruas.
Na visão da Justiça, qual a real responsabilidade dos pais e responsáveis em monitorar e orientar o uso da internet por seus filhos? Onde termina a liberdade e começa a negligência?
UMA CRIANÇA NUNCA DEVE TER ACESSO A REDES SOCIAIS.
diante de pais ausentes e de mães permissivas. Quando eu faço palestra nas escolas, só vai quem não precisa ir. Os que mais precisam me ouvir não aparecem.
A senhora recomenda que as famílias recorram a aplicativos de controle parental para tentar monitorar a atividade dos filhos. Pela sua experiência, qual a eficácia dessas ferramentas e quais as suas limitações?
O CELULAR NÃO FOI FEITO PARA CRIANÇAS.
VC: A lei entende que até os 18 anos os pais são responsáveis pelos filhos, ou seja, são responsáveis pelos lugares que os filhos frequentam, pelas situações de risco nas quais adolescentes e crianças se colocam, e isso vale tanto para o ambiente presencial quanto para o virtual. Então, até os 18 anos, os pais são responsáveis por monitorar e supervisionar o que os adolescentes e crianças fazem no ambiente virtual, assim como no presencial. São responsáveis por impedir o acesso dos seus filhos a conteúdos inadequados para cada idade. Então, pornografia e bets, por exemplo, são para maiores de 18 anos, assim como as redes sociais, que têm indicação etária. Dessa forma, uma criança nunca deve ter acesso a redes sociais. E quando essa criança, ou esse adolescente, acaba causando dano a alguém, os pais respondem civilmente, ou seja, são corresponsáveis civilmente pelo filho e podem ser condenados a pagar indenização por danos morais, materiais, tratamento de saúde das vítimas, entre outras. Atualmente, a questão da falta de limites – em todas as classes sociais – é muito comum. Estamos
VC: Sim, eu recomendo que, além de conversar, orientar os filhos e estabelecer regras bem claras, os pais utilizem aplicativos de monitoramento parental, de controle parental; os melhores são os que as crianças odeiam. Eles conseguem limitar o tempo de uso e configurar tudo o que não deve ser visto pelo filho, porque não dá para esperar que uma criança ou um adolescente – com cérebro imaturo e diante de toda a sedução que é feita de forma profissional através de big techs – consiga sozinho se autorregular, se autocontrolar e fazer tudo aquilo que é necessário para não se colocar em risco. Então, da mesma forma que a gente controla, monitora o que os filhos fazem no ambiente presencial, também precisa monitorar no ambiente virtual.
Qual é a responsabilidade do governo na proteção das crianças e adolescentes em relação aos riscos do ambiente digital?
VC: Na nossa visão, a responsabilidade do governo – e estamos nos referindo ao Estado em sentido amplo, o que inclui
NO AMBIENTE
DIGITAL, CRIANÇAS
E ADOLESCENTES
NÃO APENAS
PODEM SE
TORNAR VÍTIMAS
DE CRIMES,
MAS TAMBÉM
AUTORES DE ATOS
INFRACIONAIS.
QUEM É A JUÍZA QUE LUTA CONTRA
O
ABANDONO DIGITAL
A juíza Vanessa Cavalieri consolidou sua carreira como uma das vozes mais ativas na defesa dos direitos de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro. Sua trajetória profissional e acadêmica é marcada por um profundo engajamento com as vulnerabilidades da juventude e a evolução dos desafios sociais. Formada em Direito, iniciou sua atuação na área jurídica em uma posição de grande contato com a população mais carente: aos 22 anos de idade, tornou-se Defensora Pública do Estado do Rio de Janeiro. Em 2005, tornou-se juíza e, dez anos depois, assumiu o cargo de juíza titular da Vara da Infância e Juventude, onde passou a conviver diariamente com a dura realidade dos menores infratores e dos casos de negligência e violência. Sua expertise a levou a ser convidada para colaborar com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na área da Infância e Juventude por volta de 2017, atuando no mapeamento de programas de depoimento especial para crianças e adolescentes vítimas de violência, e a ser professora da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ).
os poderes executivo, legislativo e o próprio judiciário – é a de regular as plataformas, elaborando as leis necessárias. Tivemos recentemente a publicação do ECA digital, que entra em vigor agora em março, e a obrigação do governo é fazer o law enforcement dessa lei, ou seja, garantir e fiscalizar a aplicação e o cumprimento pelas plataformas.
A senhora teve papel crucial na criação da lei que proíbe o uso de celulares em escolas. Um ano após sua implementação em todo o Brasil, quais foram os principais impactos observados nas escolas?
Já é possível verificar algum resultado na sua área de atuação?
VC: Esse movimento de banimento do uso do celular nas escolas foi um movimento mundial, houve uma recomendação da Unesco. Vários países fizeram, e a intenção era justamente preservar esse momento da convivência entre os alunos, o momento do pátio, das brincadeiras, da conversa, das discussões, do conflito, do namoro, enfim, de tudo que acontece durante o intervalo, durante o tempo de convivência. Ele também foi fruto de uma análise dos prejuízos para a aprendizagem que o uso do celular em sala de aula estava trazendo como o fracionamento da atenção e a piora no nível de aproveitamento em algumas disciplinas como a matemática. Um ano depois, foi feita uma pesquisa aqui no Rio de Janeiro, um estudo que concluiu que realmente já houve uma melhora nas notas, no clima escolar, uma redução da violência, e isso está relacionado à vedação do uso celular.
Crianças e adolescentes não costumam ter ideia de que suas ações online podem gerar consequências nocivas na vida real. Na sua opinião e pela sua experiência, quais são os problemas mais graves que esses jovens podem vir a enfrentar?
VC: O problema mais grave de todos é a própria morte. Existem adolescentes vindo a óbito, em desafios, em quadros de induzimento ao suicídio, muitas vezes feitos por outros adolescentes, em comunidades do Discord. Vemos
uma piora da saúde mental, com casos de automutilação e de transtorno alimentar. E também eles podem vir a perder a liberdade, cumprindo medida socioeducativa de internação, que é a total privação da liberdade, dependendo da gravidade do ato infracional, do crime que eles cometerem.
Por que é preciso adiar o momento de dar o primeiro celular para os filhos e, mais ainda, de permitir o primeiro acesso a redes sociais? Em quais idades isso deve ser permitido?
VC: Em relação a crianças, eu acho que é praticamente unânime entre os especialistas que menores de 12 anos não devem ter celular. O celular não foi feito para crianças. As redes sociais e os jogos não são desenvolvidos para elas. Então, não há nada de positivo, não há nenhum benefício que o celular traga para crianças. Em relação aos adolescentes, a gente tem recomendações de permitir o smartphone a partir dos 14 anos e as redes sociais após os 16, porque a primeira fase da adolescência, até os 15 anos, é um momento de muito risco para a saúde mental. Há o luto
pela perda da infância, o luto pela perda dos pais da infância, dos amigos da infância, do corpo da infância. É um momento de se acostumar com todo o novo que vem, momento de muita instabilidade emocional por causa dos hormônios, por causa das mudanças. E esse risco todo para a saúde mental, que é inerente à adolescência, é muito agravado quando vem esse componente que a gente já sabe que é prejudicial para a saúde mental, que são as redes sociais. Principalmente redes como o Instagram, o TikTok, onde há uma comparação com a vida dos outros, que é sempre melhor. Então, é bom que a gente consiga preservar um pouquinho a saúde mental nessa primeira fase da adolescência. A partir dos 16, 17 anos, eles estão mais maduros.
A senhora acredita ser possível a promulgação de leis nesse sentido? VC: Eu acho que, por lei, a gente talvez consiga a proibição do uso de redes sociais para quem não tem a idade
ECA digital, vai trazer a obrigação de verificação etária pelas plataformas, pois a indicação etária já existe e, em muitos casos, é para maiores de 18 anos. Por exemplo, o X e o Discord têm classificação etária para maiores de 18 anos; o Instagram, para maiores de 16, e assim por diante. Agora, em relação ao momento de entregar o primeiro celular, eu não acho que o caminho seja a lei. Isso é um trabalho de conscientização de cada família que tem que respeitar as fases da infância dos filhos.
Qual a sua opinião em relação a grupos de WhatsApp, notadamente no que concerne a postagens por mães e pais em grupos da escola, e por crianças e adolescentes em grupos de alunos?
VC: Eu entendo que os grupos de WhatsApp vieram aproximar as comunicações e trazer benefícios como a facilidade de articular, de mobilizar as pessoas mais rapidamente; só que o mau uso desses grupos pode ser prejudicial. Dessa maneira, a primeira coisa que a gente tem que fazer é separar seu uso por grupos de adultos do uso por crianças e adolescentes. Crianças nem deveriam usar o WhatsApp, porque a idade mínima para usá-lo
OS MELHORES APLICATIVOS DE CONTROLE PARENTAL
SÃO OS QUE AS CRIANÇAS ODEIAM.
PROTOCOLO “EU TE VEJO”
Foi a partir da necessidade urgente de conscientização dos perigos da internet e da prevenção de crimes digitais que a juíza Vanessa Cavalieri, em conjunto com a Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro e o CEJUSC (Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania) de Justiça Restaurativa, idealizou o Protocolo “Eu Te Vejo”. O programa busca prevenir a violência nas escolas e o envolvimento de crianças e adolescentes em crimes digitais, conscientizando famílias, escolas e o sistema de Justiça sobre as causas dessa violência, a importância da parentalidade funcional e da segurança digital, visando transformar o ambiente escolar em um local mais acolhedor e seguro. O protocolo, que advoga pelo letramento digital e, em um de seus desdobramentos, apoiou a legislação que proíbe o uso de celulares nas escolas, reflete o compromisso da juíza em fazer com que a sociedade e a justiça “vejam” as crianças e adolescentes antes que o caminho da infração se estabeleça. Com quase 140 mil seguidores, o perfil do Instagram (@protocoloeutevejo) traz dicas de parentalidade ativa e informações sobre segurança digital e legislação, além de reunir todas as entrevistas que a juíza concede sobre o tema.
é 13 anos, e isso está lá no aplicativo como indicação etária. Significa que, se uma criança que ainda não tem 13 anos está usando o WhatsApp, é porque os pais a autorizaram a mentir a idade para usar um aplicativo que não é adequado para a idade dela. E isso não deveria acontecer, pois é algo totalmente disfuncional e cabe a esses pais se comprometerem em ser adultos e respeitarem as leis do país. E, caso eles autorizem o filho a usar o WhatsApp, o mínimo dos mínimos é eles supervisionarem o que os filhos fazem. Ou seja, lerem todas as mensagens, acessar todo o conteúdo, porque estamos tratando de crianças. Em relação aos adolescentes, eu entendo que há maior liberdade de uso, para combinar saídas, combinar programas, festas, organizar aniversários, conversar coletivamente sobre assuntos de interesse deles, inclusive de estudos. Acredito que a ferramenta pode ser usada positivamente, mas é importante os pais supervisionarem o grupo de WhatsApp.
Um grupo com quarenta adolescentes não é um ambiente privado, é um ambiente público, funciona como uma rede social e precisa de supervisão. Até para os pais orientarem, caso vejam que a situação está indo por um caminho inadequado, se está sendo usado para humilhar alguém, para cometer crimes, para expor, para fazer algo que não seja considerado adequado, seja à lei ou aos valores da família. Em relação a grupos de pais, grupos de mães, de famílias, enfim, no que
se refere aos adultos, eu acho que os pais têm que ter o bom senso de usar esses grupos respeitando o lugar da escola e as suas decisões pedagógicas, lembrando que muitas vezes não será possível agradar o filho, sabendo que ele vai se frustrar e tudo bem. Quando houver uma situação mais grave que precisa ser resolvida com a escola, o pai deve entrar em contato direto com a instituição e não ficar fazendo um debate no grupo de WhatsApp, pois isso não acrescenta nada.
APROFUNDANDO A CONVERSA
A QUESTÃO DA FALTA DE
LIMITES
– EM TODAS AS CLASSES SOCIAIS –É MUITO COMUM.
Livros
A GERAÇÃO ANSIOSA: COMO A INFÂNCIA HIPERCONECTADA ESTÁ
CAUSANDO UMA EPIDEMIA DE TRANSTORNOS MENTAIS
Autor: JONATHAN HAIDT
EditorA: COMPANHIA DAS LETRAS
Websites
SAFERNET BRASIL (https://www.safernet.org.br)
A FÁBRICA DE CRETINOS
DIGITAIS: OS PERIGOS
DAS TELAS PARA NOSSAS
CRIANÇAS
Autor: MICHEL DESMURGET
EditorA: VESTÍGIO
ONG Organização sem fins lucrativos dedicada à defesa e promoção dos direitos humanos no ambiente digital.
CHILDHOOD BRASIL (https://www.childhood.org.br)
Organização privada sem fins lucrativos que atua no enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes.
FAMÍLIAS E INTERNET –10 MANEIRAS DE PROTEGER
CRIANÇAS E ADOLESCENTES DA VIOLÊNCIA SEXUAL E ONLINE disPonívEl grAtuitAmEntE Em: www.sheylli.com.br/livros
CRIANÇA E CONSUMO (https://criancaeconsumo.org.br)
Programa do Instituto Alana, cujo objetivo é o fim da exploração comercial infantil em todos os lugares, inclusive no ambiente digital.
SHEYLLI CALEFFI (https://www.sheylli.com.br)
Ativista na luta contra a violência sexual, a atriz e educadora fala abertamente acerca do tema nas redes sociais.
ALUMNUS
Por Adriana Calabró Fotos: Caroline Pereira
A EX-ALUNA DA CHAPEL E ATUAL HEAD DE MARKETING DA AMAZON MÉXICO, BRUNA ALBA, CONTA UM POUCO DA SUA VIDA PROFISSIONAL E RELEMBRA AS BASES CONSTRUÍDAS NA ESCOLA, QUE FACILITARAM SUA ASCENSÃO EM GRANDES EMPRESAS INTERNACIONAIS.
NA ROTA DO SUCESSO
Depois de passar os primeiros anos escolares em Luxemburgo, Bruna Alba retornou com a família ao Brasil. Na bagagem, trazia a vivência europeia, a natural curiosidade dos seus 10 anos de idade e todo o preparo para ingressar no 4th grade da Chapel School. Com o inglês afiado da prática diária na escola internacional e o português “que usava em casa para falar com os pais” e ganhou outros ambientes, ela logo se acostumou à sua nova rotina. Como era uma apaixonada por esportes, e a Chapel oferecia uma ampla variedade deles coordenada por professores capacitados, ela relembra desses momentos nas quadras e campos com especial carinho. Outro destaque são as amizades, que surgiram já nos primeiros anos e a acompanham até os dias de hoje. “As minhas amigas estão em diversos lugares do mundo e precisamos marcar um ponto de encontro para nos vermos”, diz, com um sorriso no rosto. Há outra questão que Bruna Alba coloca como central na sua experiência na Chapel School, uma capacidade que foi desenvolvida desde cedo, nela e em todos os estudantes ao seu redor, e que se tornou fator determinante para
o percurso profissional e também pessoal: o pensamento crítico. “Por meio dele, é possível entender a diversidade cultural, ter uma visão macro, dialogar com uma perspectiva mais ampla em todas as situações que se apresentam. Os debates na Chapel me treinaram para isso”, reflete ela.
Um mapa de possibilidades
Como uma aluna que sabia o que queria, com habilidades que validavam as suas aspirações, Bruna sempre vislumbrou para si uma carreira internacional. Nem por isso achava que a faculdade no exterior era o único caminho para esse feito. Para ela, o importante era se capacitar, ampliar o conhecimento e, assim, se candidatar a boas vagas em empresas multinacionais de reconhecida solidez. Ali, ela conseguiria o seu passaporte para ir além das fronteiras. E foi exatamente assim que construiu seu itinerário corporativo: ainda no início da carreira, ingressou na Procter & Gamble e, ao longo de 13 anos, construiu os alicerces de uma bem-sucedida carreira em que foi galgando posições até chegar ao cargo de Diretora de Marketing para a América Latina. Foi então que veio a pandemia e, com ela, uma mudança de rota: a oportunidade de assumir um cargo de liderança numa promissora empresa familiar peruana. Bruna aceitou o convite, deslanchou como alta executiva e, por coincidência ou não, a própria empresa cresceu como um todo, se capacitando para novos mercados. Resultado: quando a executiva estava se acostumando com os ares do Peru, nas suas palavras “um bom país para se viver”, mais um degrau esperava por ela, dessa vez na expansão do negócio. “A diretoria disse que eu seria promovida, mas que isso envolveria uma transferência para o México. Eu não tive dúvidas e peguei o primeiro voo quando os aeroportos foram abertos na pós-pandemia. Assim que cheguei, percebi que era ali que eu queria morar, fiquei encantada”, conta Bruna.
A arte de dizer sim
A vida de executiva tem muitas demandas e, quando revela uma trajetória ascendente, muitas oportunidades também. Tornar-se a Head de Marketing na Amazon México coordenando um time de outras 11 lideranças foi uma delas. Hoje, apaixonada pelo que faz, ela aplica no seu dia a dia muitas das coisas que aprendeu ao longo da carreira e com os pilares de uma educação de excelência: “Gosto de trabalhar com um time feliz, motivado, e para isso existe uma
AO MESMO
TEMPO EM QUE AS TECNOLOGIAS ESTÃO AÍ E NÃO PODEMOS IGNORÁLAS, TEMOS DE USÁ-LAS COM RESPONSABILIDADE.
ENTENDER A DIVERSIDADE
CULTURAL, TER
UMA VISÃO MACRO, DIALOGAR COM
UMA PERSPECTIVA
MAIS AMPLA
EM TODAS AS SITUAÇÕES QUE SE APRESENTAM. OS
DEBATES NA CHAPEL
ME TREINARAM
PARA ISSO.
escuta aos diversos tipos de pessoas, bem como a responsabilidade de formar uma equipe adequada para as múltiplas funções. Isso é estratégico”.
Quanto aos desafios, sim, eles existem. Bruna sabe quais são e foca nas soluções que melhor se aplicam para resolvê-los. “Em primeiro lugar, é preciso manter contato constante com o consumidor para obter insights relevantes. Não adianta assumir que já se sabe algo, é preciso ir a campo para entender”, explica. “Outro aspecto é saber se diferenciar em um ambiente cada vez mais competitivo, o que inclui desenvolver e treinar equipes para manter a alta performance”. Além disso, Bruna considera que acompanhar as tendências, mais do que um desafio, é uma obrigatoriedade. E ela inclui a Inteligência Artificial nesta pauta.
“A Amazon está automatizando processos e facilitando experiências tanto para consumidores quanto para funcionários internos. A análise de dados, que antes demorava muito tempo, agora é muito mais rápida”, diz Bruna, que planeja focar nos próximos anos no estudo e implementação de “Agents” de IA, sempre com muita responsabilidade.
“Ao mesmo tempo em que as tecnologias estão aí e não podemos ignorá-las como meio para a evolução do marketing, temos de usá-las com responsabilidade, com pensamento crítico e bastante atenção às informações confidenciais”, reflete. Segundo ela, as estratégias têm de ser discutidas para que se encontrem as melhores ferramentas, sejam elas já existentes ou desenvolvidas internamente.
Conselhos de uma executiva
Embora cada caminho profissional seja pessoal e intransferível, é sempre ponto de interesse perguntar aos que tiveram grandes conquistas sobre as suas melhores práticas.
Os que vêm depois, entre eles os alunos da Chapel e os jovens, de uma forma geral, agradecem. No caso de Bruna, ela é ao mesmo tempo pragmática e inspiradora ao responder. Diz que teve uma boa base, que permitiu segurança em seus passos, e que nunca deixou de se atualizar, como provam suas especializações em instituições renomadas como FGV, Universidade de São Paulo e Harvard Business School. Comenta ainda sobre um binômio imbatível: de um lado, as pessoas que a ajudaram e os chefes que deram suporte profissional e, de outro, a própria personalidade ambiciosa, o seu esforço e a sua
perseverança. “Não adianta desistir diante do primeiro desafio que aparece. Eu falo para os meus estagiários que se afligem diante de um problema: ‘calma, veja a situação de outro ponto de vista, você vai conseguir’. Acredito que a concorrência sempre vai existir, assim como as dificuldades, mas é preciso que a pessoa desenvolva a sua confiança. Cada um faz a sua parte”, orienta a executiva.
O seleto grupo de pessoas que estão nas lideranças das corporações não poderia concordar mais. O que Bruna Alba diz, e aplica em sua vida profissional, faz todo sentido para voos cada vez mais altos.
A VIDA DE EXECUTIVA TEM MUITAS DEMANDAS E, QUANDO REVELA UMA TRAJETÓRIA ASCENDENTE, MUITAS OPORTUNIDADES
TAMBÉM.
FOTO: GUSTAVO SCATENA
Por Ignácio de Loyola Brandão
Da Academia Brasileira de Letras
Fotos: Grazy Barreto
A PRESSA NÃO DEIXA A VIDA PASSAR
Esses jovens estudantes, da mesma geração de meus netos, talvez fiquem espantados com o que vou contar. Alguns vão pensar que estou inventando. Alegarão que cada época tem suas características, seu modo de ser. Tenho oitenta e nove anos, vivi quase um século, e vocês estão apenas começando. Quem sou eu? Um escritor. Publiquei sessenta livros, estou nas Academias Brasileira e Paulista de Letras, há sessenta anos lancei meu primeiro título. Sempre fiz o que gostei, e esse foi o ensinamento maior de meu pai: faça o que gosta, vá atrás do seu sonho.
Meu pai era ferroviário. Para complementar o salário, dava aulas noturnas de aritmética e, nas noites de domingo, fazia palestras gratuitas numa igreja sobre os santos do mês. Eu ficava no fundo, vendo-o ser aplaudido, ouvindo gente comentar: “O Brandão fala tão bem.” Talvez tenha sido aí que nasceu minha vaidadezinha de escrever, falar, ser ouvido.
Na década de 1960, quando eu tinha vinte e cinco anos, telefonar era um ritual. Vocês nem imaginam a paciência que devíamos ter. Primeiro, era preciso ter telefone, o que já era luxo. Aparecia até declarado no imposto de renda como um bem. Poucos tinham: o prefeito, o delegado, o juiz, alguns médicos, advogados, os mais ricos. Ao tirar o fone do gancho, uma telefonista atendia. Você dizia o número, ela ligava, ou avisava: “ocupado”. Às vezes, acrescentava: “o doutor está jantando” ou “está fazendo a sesta”. Sabiam da vida de todos, eram quase personagens de novela, donas do fio que conectava as conversas da cidade.
Ah, se revelassem o que ouviam, porque ouviam tudo.
E quando se tratava de interurbano, era um suplício. Pediase ligação para outra cidade e a resposta vinha: São seis horas de espera. Para outro estado, dez horas. E lá íamos nós ouvindo a cantilena: Bauru atendendo, passando para Jaú. Jaú atendendo, passando para Itirapina. Itirapina atendendo, passando para Rio Claro. Cada voz um degrau, cada degrau uma eternidade. Às vezes, quando a ligação finalmente se completava, a linha caía. Um martírio.
Me lembro de quando, já jornalista, estava em Los Angeles e precisei mudar um voo de volta ao Brasil. Liguei para a companhia aérea, perguntei: “Devo ir pessoalmente à agência? A jovem que me atendeu ficou surpresa: “Mas o senhor está falando de Los Angeles, nossa central é no Alabama, do outro lado do país. A 2.043 quilômetros. Melhor tentarmos resolver por telefone.” Resolveu. Ano de 1967. Cerca de 60 anos atrás. Fiquei espantado. Foi ali que percebi, de repente, o quanto o mundo havia mudado.
Hoje vocês pegam um celular, discam para o Polo Norte e um esquimó atende em segundos. Milhões de quilômetros reduzidos a décimos de segundo. Vocês têm ideia do tanto de cérebros, equações, fórmulas, raciocínios e inspirações que permitiram isso? O celular é o maior poder do universo.
Em todos os bolsos, bolsas, mãos. Devia inspirar admiração. Mas vem sendo usado, por culpa nossa, para destruir mentes, corações, finanças. O que me assusta é o aumento dos casos de sofrimento profundo entre jovens, fragilizados pelas redes sociais, perseguidos por hackers e desonestos. O celular fascina e, ao mesmo tempo, apavora.
Não falo como quem dita regras. Falo como cronista, com base em experiências. Eu mesmo me surpreendo ao abrir o YouTube e ser perseguido por algoritmos que me empurram notícias ruins, fofocas venenosas, conteúdos que me envergonham. Fecho, mas eles voltam. Se isso acontece comigo, que vivi quase nove décadas, imaginem com adolescentes que ainda estão aprendendo quem são.
Na escola aprendi a ler e a gostar de livros. Redação era obrigatória desde o segundo ano. Minhas professoras, Lourdes Prada e Ruth Segnini, nos mandavam para a rua. “Observem, conversem, ouçam. Tragam o que virem de curioso, triste, divertido.” Voltávamos com cadernetas de bolso cheias de anotações. Era o treino para pensar, imaginar, transformar em texto. Graças a isso escrevi oito mil crônicas em jornais. Uma das primeiras nasceu de um encontro na rua. Eu ia pela calçada quando uma senhora elegante, de uns setenta anos, cruzou comigo. Eu ia para a esquerda, ela também. Eu para a direita, ela também. Duas, três vezes, até que paramos e sorrimos. Em geral, nas cidades grandes, alguém se irrita: “Saia da frente, estou atrasado, tenho uma reunião.” Aquela senhora, não. Foi, voltou, foi. Quatro vezes. Parou e disse: “Muito obrigado, meu senhor, por ter dançado comigo nesta manhã.” Poesia pura. Escrevi a crônica e consegui emprego. Às vezes a vida oferece literatura pronta, basta estar atento.
Minha família me dava livros infantis. Eu lia e recontava, colegas se juntavam em volta. Inventava histórias como se fossem realidade, como a da zebra que, em todo carnaval, doava suas listras para virar serpentina. A imaginação admitia tudo, diziam as professoras. Usem, exagerem. Não tenham medo do absurdo. Ele é real. Nos recreios, as conversas eram infinitas. Cada grupo discutia os seriados exibidos nas vesperais de cinema. Os capítulos sempre terminavam em enigmas, e passávamos a semana inteira imaginando saídas, inventando soluções mirabolantes para heróis em apuros. Foi assim que aprendemos a criar.
Nos papos sobre futebol e basquete aprendíamos a argumentar, a defender por que nosso time era o melhor. Trocar ideias era o esporte.
E havia os bilhetes escondidos nas carteiras. Você abria e dava com o recado: “Te encontro no cinema”, “Te pago sorvete de tamarindo amanhã.” A emoção de um convite, o frio na barriga do primeiro encontro. Ou a frustração cruel de ler: “Você escreve tão mal que nem quero saber.” Poemas copiados da biblioteca passavam de mão em mão para impressionar. Assim éramos forçados a procurar livros, a copiar, a seduzir com palavras.
Havia também os bilhetes que vinham de outra classe, outro turno. Marcar encontro com alguém desconhecido, mas que no fundo todos sabiam quem era. Era aventura, era descoberta, era coragem. A vida, ali, pulsava. Hoje vejo meus netos. Tenho seis, de várias idades. Estão todos colados no celular, esperando a notificação, a chamada. Conversar, já não. Argumentar, já não. O celular roubou
essa capacidade. Trouxe um mundo pronto, opiniões prontas, sentimentos prontos. E nós, adultos, também nos deixamos levar. Basta olhar um restaurante: famílias inteiras caladas, cada qual diante de sua tela.
Não sou contra o celular. Ele trouxe progresso, abriu horizontes. Mas nos tornou dependentes. Tirou de nós a experiência do debate, da convivência, da imaginação. Na minha época, para escrever um livro, era preciso paciência. Máquina de escrever, laudas, cortar e colar com tesoura e cola. Uma Olivetti portátil pesava, batia nas teclas com força, o barulho metálico ecoava pela casa. Cada página terminada era uma lauda, retirada, guardada, corrigida. Se precisasse mudar uma frase, escrevia-se tudo de novo. Muitas vezes o fluxo do pensamento se perdia no cortar e colar. Uma ideia interrompida raramente voltava igual. Era um desespero. Por isso, escritores de todas as épocas agradecem ao computador. Ele libertou a narrativa, permitiu que o pensamento corresse solto.
Mas há algo que tecnologia nenhuma substitui: a conversa cara a cara, o brilho nos olhos, a descoberta de que a vida não cabe numa tela. O celular melhorou a comunicação, mas também a empobreceu.
Se estou aqui é porque devo muito à escola. Aos professores que me incentivaram, às conversas que me formaram, aos mestres que foram referência. Lembro de Maria Helena de Moura Neves, grande autora de gramática de português, que foi inspiração e estímulo. Lembro de dona Mariquita, que me preparou para o exame de admissão no ginásio, e cuja filha, Ruth, viria a ser primeira-dama do Brasil. Pessoas que dedicaram a vida a ensinar e abriram caminhos para milhões de crianças.
Não fosse isso, eu não teria me tornado escritor. Por isso, não peço que vocês larguem o celular. Peço que não se deixem ser comandados por ele. Guardem espaço para o encontro verdadeiro, para a imaginação que nasce fora das telas, para o silêncio que permite pensar. A vida é mais interessante quando não vem pronta.
SPOTLIGHT
EVENTO DE NATAL REÚNE FAMÍLIAS EM CLIMA
DESCONTRAÍDO E ACOLHEDOR
Organizado pela Chapel School com a colaboração da Associação de Pais e Professores da Chapel (PTA), o evento de Natal ganhou novo formato e, na manhã do dia 8 de novembro, reuniu cerca de quinhentas pessoas para um acolhedor encontro nas dependências do colégio. O dia começou com um piquenique que, em razão da chuva, foi realizado no auditório, especialmente preparado para a ocasião. Segundo Juliana Menezes, superintendente da Chapel, “para nossa comunidade escolar, o Natal é um convite para compartilharmos a luz de Cristo por meio da bondade e do amor, fortalecendo nossos laços de fé e unidade. Foi um evento especial e exclusivo para pais, alunos, irmãos e docentes. Mesmo após uma madrugada de chuva intensa e persistente, vivemos um dia verdadeiramente inesquecível, com famílias reunidas, presentes e que aproveitaram cada momento com leveza e alegria”. Ana Paula Aragon, membro do comitê executivo do PTA, acrescenta: “Essa manhã de confraternização foi pensada justamente para reunir as famílias, pois o verdadeiro espírito natalino é podermos celebrar juntos”.
No palco, o coral da empresa do maestro Renato Misiuk entoou canções clássicas e natalinas enquanto as famílias
interagiam, saboreando as delícias preparadas pelo Serviço de Nutrição. “A comida estava muito gostosa e foi um dos pontos altos do evento. Foi perceptível para todos a dedicação na preparação da comida, desde a escolha dos quitutes, das frutas, até a apresentação e o sabor, tudo estava muito delicioso”, afirma Mariana Jucá, que integra o comitê executivo do PTA.
As crianças ouviram histórias contadas com brilhantismo por Andi Rubinstein e tiveram a oportunidade de participar de oficinas de artes com as professoras Sylvia Almeida, Cristina El Dib e Camila Costa, customizando bolas de Natal para enfeitar a árvore e também escrevendo cartinhas para o Papai Noel. A programação infantil contou ainda com a tradicional – e sempre emocionante – chegada do bom velhinho, que, com muita simpatia, posou para fotos com as famílias e presenteou cada criança com um docinho. “Foi uma manhã deliciosa, em que as famílias puderam confraternizar de forma descontraída, valorizando os momentos junto aos filhos e a alegria de estar ali, sem compromisso, apenas curtindo e aproveitando a companhia da própria família e de outras do colégio”, aprecia Carla Fegyveres, do comitê executivo do PTA.
A solidariedade marcou o evento natalino por meio do projeto em que mais de uma centena de famílias apadrinharam todos
os alunos da Escola Santo Eugênio, presenteando cada criança da escola social com roupas, calçados, kits de higiene, brinquedos e livros de colorir com canetinhas. Segundo Ms. Menezes, “este ano, com alegria, unimos nossa comunidade em um gesto concreto de solidariedade: o PTA organizou pacotes de Natal para as crianças da Escola Santo Eugênio, nossa escola social mantida pelos Padres Oblatos, fortalecendo laços e compartilhando a luz do Natal com quem mais precisa. Agradecemos profundamente às famílias que apadrinharam uma ou mais crianças”. No estande do The Giving Project, coordenado por Ms. Cristiana Cavalcanti e Mr. Christopher Govier, estavam à venda os blocos de notas de papel reciclado, confeccionados artesanalmente pelos membros do clube, e cujo valor obtido será destinado à aquisição de materiais para os alunos da Escola Santo Eugênio. “Mais uma vez, esgotamos as vendas dos nossos bloquinhos artesanais. Agradecemos às famílias que estão sempre prestigiando esse projeto e contribuindo significativamente para a nossa causa”, comentam Ms. Cavalcanti e Mr. Govier.
“Foi um sucesso, pois se trata de um evento que corrobora toda a proposta da escola: comunidade, família e união de todos. Foi um momento exclusivo, bem gostoso e acolhedor, que tem tudo a ver com a Chapel”.
Ana Paula Aragon, membro do comitê executivo do PTA
“O novo formato do evento de Natal do colégio foi um verdadeiro sucesso! Um momento descontraído, animado e repleto de boas energias, em que as famílias puderam socializar e aproveitar cada instante. O delicioso café da manhã preparado com tanto capricho pelo Serviço de Nutrição estava simplesmente maravilhoso e conquistou a todos”.
Marcia Cecilio, membro do PTA
“As oficinas ficaram cheias o tempo inteiro e foram um sucesso, tanto a cartinha para o Papai Noel quanto a confecção do ornamento, que era uma bola de Natal para enfeitar a árvore, empolgaram as crianças. O coral foi maravilhoso e trouxe um brilho a mais para o evento, assim como a contação de histórias”.
Carla Fegyveres, membro do comitê executivo do PTA
“O cuidado que a Chapel tem com a comunidade sempre foi um diferencial. Isso é perceptível na simpatia dos funcionários e dos seguranças, profissionais que nos recebem sempre com um sorriso no rosto, agradecendo a nossa presença, e isso é muito especial. Também achei fantástica a atitude do colégio no apadrinhamento das crianças da Escola Santo Eugênio pelas famílias: isso, de fato, traduz o espírito do Natal”.
Sarita Cardoso, membro do PTA
“Gostei muito das oficinas, as crianças se divertiram e ainda levaram para casa uma lembrança desse dia, que foi muito agradável. O coral, para mim, foi um ponto muito alto do evento porque foi muito bonito, desde a escolha das canções, até a própria apresentação, foi emocionante”.
Mariana Jucá, membro do comitê executivo do PTA
BUDDY PROGRAM APROXIMA ESTUDANTES
DO ECEC E MEMBROS DO NHS
OS MEMBROS DO
NHS ATUAM COMO MENTORES PARA AS CRIANÇAS MAIS NOVAS, DESENVOLVENDO COM ELAS RELACIONAMENTOS SIGNIFICATIVOS, OFERECENDO ORIENTAÇÃO, INCENTIVO E SERVINDO DE EXEMPLO POSITIVO.
Desde o início do ano letivo, as turmas do Pre II e do Kindergarten estão sendo acompanhadas por alguns estudantes do High School, por meio do Buddy Program, elaborado pelo clube de honra da Chapel, o National Honor Society (NHS). Algumas vezes na semana, membros do NHS atuam como voluntários nas salas de aula da Educação Infantil em atividades de apoio às professoras e auxiliares, interagindo com os estudantes a fim de auxiliar no desenvolvimento social e acadêmico dos mais novos. Assentado em quatro pilares- mérito acadêmico, liderança, serviço e caráter –, o clube de honra é composto por estudantes que se destacam não apenas academicamente, mas também revelam qualidades como integridade, respeito e perseverança, bem como se comprometem a desenvolver ações altruístas que gerem mudanças positivas na comunidade escolar e na sociedade, agindo como liderança e inspiração para outros estudantes. “Atuar como um buddy dos estudantes da Educação Infantil é colocar em prática todos os princípios do clube de honra, ou seja, ser um modelo a seguir, alguém em quem os mais novos possam se espelhar e que sirva de exemplo para eles, e não se portar como um aluno mais velho que entra na sala de aula deles apenas para brincar ou distrair sua atenção”, explica a presidente do NHS e uma das criadoras do projeto, Maria Carolina Melo, aluna do 12º ano.
A ideia do Buddy Program surgiu logo depois que o professor de inglês Christopher Abbs assumiu a coordenação do NHS. “Ao ingressar no programa no ano passado, percebemos a necessidade desse componente de serviço dentro da população atendida pelo NHS. Buscamos dentro do colégio eventos e atividades
em que eles pudessem se envolver para, de certa forma, capacitá-los a assumir um papel de liderança, não apenas na sala de aula, mas também ajudando as crianças menores”, comenta o professor. A partir daí, o clube de honra tomou a iniciativa de estabelecer essa parceria com o ECEC, percorrendo todas as etapas necessárias, inclusive a comunicação com as famílias da Educação Infantil. Para tanto, contaram com a colaboração da coordenadora da Educação Infantil, Carla Eggers, que, conhecendo o currículo acadêmico do High School e entendendo as necessidades e desafios dos membros do NHS, se propôs a apresentar o projeto aos docentes, bem como reunir-se com os alunos para dar forma ao projeto. “Procuramos estimular esse tipo de iniciativa porque, além de ser, realmente, bastante positiva para as crianças, é também um meio de os estudantes mais velhos desenvolverem habilidades de liderança, que é um dos pilares do NHS. As reuniões realizadas com os alunos representantes procuraram não impor diretrizes, mas promover suporte e sugestões ao longo da formatação do projeto. Fomos conversando e alinhando a conduta, os procedimentos, com os alunos à frente do processo, e isso é muito rico”, avalia a coordenadora, revelando que a experiência vem sendo elogiada por todos os envolvidos. Quando estão com as crianças, os jovens mentores têm a tarefa de auxiliá-las no inglês, já que muitas estão desenvolvendo o idioma. “Nós nos comunicamos com os alunos apenas em inglês, e isso os ajuda na aprendizagem, tanto em contextos acadêmicos formais na sala de aula quanto em interações mais informais com eles”, afirma Maria Carolina, lembrando que a postura dos mentores é totalmente voltada ao aprendizado e à conexão com os pequenos: “Nos sentamos no chão como eles, prestamos atenção na fala das professoras e auxiliares, não conversamos quando não é permitido, ou seja, estamos lá para servir de exemplo mesmo”. O exemplo, no
entanto, não se restringe apenas à sala de aula: “Nosso modelo tem de ser constante, em todos os momentos e ambientes. Nós agimos de maneira correta em qualquer situação: ao atravessarmos a rua na faixa, ao recolhermos um papel do chão e jogarmos no lixo; nas menores atitudes somos observados pelos pequenos”, afirma Leticia Menezes, aluna do 12º ano e tesoureira do NHS. Para ela, assim como para os outros membros do NHS que participam do Buddy Program, a convivência com as crianças da Educação Infantil é energizante: “Para mim, que nunca tinha pisado no ECEC, está sendo maravilhoso, o tempo que passo com as crianças é a melhor parte do meu dia. A convivência com elas me ajuda a lidar com o estresse do último ano, repleto de obrigações e avaliações, pois fico tão envolvida que me acalmo, fico mais leve”, finaliza.
INTEGRAÇÃO DOS TORNEIOS ESPORTIVOS FAVORECE
INTERCÂMBIO CULTURAL
Tradição das escolas americanas, os torneios esportivos passaram recentemente por reformulações, visando à unificação das competições em um calendário comum a todas as escolas membros da AASB – Associação de Escolas Americanas no Brasil. Antes, os colégios americanos integravam ligas diferentes e, consequentemente, não disputavam os mesmos campeonatos. “O objetivo da AASB sempre foi o de reunir as quatorze escolas associadas num mesmo torneio”, afirma o diretor de Esportes da Chapel, Bruno Pereira, que participou ativamente da reconfiguração das competições.
“Para tanto, estudamos e desenvolvemos um novo formato de torneio, com início no ano letivo de 2025, que agora integra todas as escolas numa mesma liga e é disputado no mesmo local, o complexo esportivo do Acampamento Nosso Recanto (NR), na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais”, conta Mr. Pereira, que também coordena o departamento de Educação Física da Chapel. Em outubro do ano passado, aconteceu a primeira temporada do AASB Varsity National Tournament, reunindo atletas do 9º ao 12º ano de escolas americanas de todo o Brasil em disputas de futebol de campo, basquete e cheerleading. A segunda temporada desse torneio ocorre agora em março, quando são disputadas as modalidades futsal, voleibol, softball e cheerleading. “Um dos maiores ganhos proporcionados por essa reconfiguração é a riqueza de intercâmbio cultural entre os atletas, pois, antes, algumas escolas nunca se encontravam nos torneios; agora, ao dividir o mesmo calendário de competições, haverá mais possibilidades para interações culturais”, comenta o diretor de esportes, explicando que, por outro lado, os torneios estão mais desafiadores: “Quanto maior a quantidade de times, mais difícil é chegar entre os primeiros”. Quanto aos atletas dos anos iniciais do High School – 7º e 8º –, eles agora disputam o AASB Middle School National Tournament, também em duas temporadas. A primeira aconteceu em novembro passado, reunindo as modalidades futebol de campo, basquete e cheerleading; enquanto a segunda está prevista para o próximo mês de maio, com as disputas de futsal, voleibol, softball e cheerleading. “A riqueza das trocas culturais vai acontecer também no torneio AASB MS, reunindo todas as quatorze escolas do Brasil, e permitindo que nossos estudantes se conectem com colegas de diversos Estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco”, comemora Mr. Pereira. Outra mudança promovida em razão da reformulação dos torneios diz respeito ao enquadramento dos atletas nas categorias – Varsity e Middle School –, que agora se dá pelo ano escolar (grade level) e não mais pela idade. “Não utilizamos mais a nomenclatura ‘sub 15’, por exemplo, porque é o ano escolar que define se um atleta compõe a equipe Varsity ou a equipe MS”, esclarece o diretor, se mostrando otimista diante das mudanças: “Acredito que nossos atletas vêm vivenciando torneios muito ricos, apesar de mais difíceis, mas, como sempre, fazemos de tudo para conquistar as melhores colocações”.
AASB VARSITY NATIONAL TOURNAMENT
Atletas: Estudantes do 9º ao 12º ano Temporada 1 (outubro/2025)
Modalidades: Futebol, Basquete e Cheerleading (sideline)
Temporada 2 (março/2026)
Modalidades: Futsal, Voleibol, Softball e Cheerleading
AASB MIDDLE SCHOOL (MS) NATIONAL TOURNAMENT
Atletas: Estudantes do 7º e do 8º ano Temporada 1 (novembro/2025)
Modalidades: Futebol, Basquete e Cheerleading (sideline)
Temporada 2 (maio/2026)
Modalidades: Futsal, Voleibol, Softball e Cheerleading
ESCOLAS AASB PARTICIPANTES DOS TORNEIOS
SP
Chapel School - The International American School of Brazil
Graded – The American School of São Paulo
PACA – Pan American Christian Academy
EAC – Escola Americana de Campinas
Sant’Anna International School
PR
ISC – International School of Curitiba
RS
PASPOA – Pan American School of Porto Alegre
RJ
EARJ – Escola Americana do Rio de Janeiro
OLM – Our Lady of Mercy American School
MG
EABH – Escola Americana de Belo Horizonte
DF
EAB – American School of Brasília
School of the Nations
BA
PASB – Pan American School of Bahia
PE
EAR – American School of Recife
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TALENTOS & PAIXÕES
Nesta edição, a seção Talentos & Paixões exibe a aptidão da professora do 5º ano Priscilla Odinmah, cantora brilhante que desenvolveu proficiência em português por meio da música; e as aventuras no asfalto do chefe do departamento de português e professor de espanhol e português Erick Santana, que dedica seu tempo livre ao ciclismo de estrada, modalidade que exige resiliência, autocontrole e perícia para tomar decisões certeiras em uma fração de segundo.
Entre os estudantes, a seção apresenta sete destaques, do 6º ao 12º ano, que se dedicam a projetos sociais; são feras em esportes como golfe, tênis, vôlei e automobilismo; em artes e música como pintura, balé e piano; e até conhecedores do universo das fragrâncias.
ODINMAH CANTANDO E ENCANTANDO
ACREDITO REALMENTE QUE ESTAR NO BRASIL REFORÇOU A MINHA IDENTIDADE COMO CANTORA.
Nascida e criada em Nova York, Priscilla Odinmah cresceu em um meio musical por excelência, iniciando estudos de canto e piano aos cinco anos de idade, na P.859 Special Music School, a mesma escola em que cursava o ensino regular. Em seguida, ao estudar na Stuyvesant High School, participou do Coral de Câmara da instituição. Seguiu com o canto até ingressar no Middlebury College, em Vermont, onde cursou Educação e Psicologia, e integrou o coral a cappella – grupo que canta sem o acompanhamento de instrumentos musicais. “Hoje eu percebo que a música sempre fez parte da minha vida. Eu lembro de ter um microfone na casa da minha avó e sempre me pegar cantando”, conta a professora do 5º ano, que aprendeu a falar português também por meio do canto.
“Na minha universidade, se eu aprendesse um dos idiomas oferecidos, eu poderia fazer intercâmbio no país que falasse aquele idioma, e minha bolsa seria transferida para lá”, explica. Na época, ela estava enfrentando dificuldades no aprendizado do francês, língua que escolhera, quando desabafou com a melhor amiga, que a convidou para participar das aulas de português. “Ela me disse: ‘Venha, às sextas tem karaokê com músicas brasileiras’; e foi o que eu precisava para me apaixonar pelo idioma. A primeira música que cantei foi ‘Devolva-me’, gravada por Adriana Calcanhotto”, lembra, rindo. Em 2014, depois de um ano e meio estudando o idioma, conheceu o Brasil.
Em 2016, já formada, Priscilla voltou ao Brasil pelo programa de bolsas Fulbright, do governo norte-americano, para atuar como professora assistente de inglês em programas de Letras nas universidades federais. “Trabalhei com o Inglês sem Fronteiras nas universidades federais de Pernambuco e do Ceará. Voltou para os Estados Unidos em 2021, junto com o marido argentino que conhecera no Brasil, para finalizar o mestrado em Educação Básica. Há quase dois anos, a oportunidade de lecionar na Chapel trouxe o casal de volta ao Brasil, o que foi uma alegria, pois ambos mantêm fortes conexões com o País. Não demorou muito para Priscilla encontrar outro grupo de coral: há um ano integra o coral da Universidade de São Paulo (Coralusp), participando do projeto “Pedra 90”, cujo repertório consiste em homenagear o samba paulistano das décadas de 1980 e 1990.
ERICK SANTANA CICLISMO DE ESTRADA
Há doze anos na Chapel, o professor de português e espanhol Erick Santana não se aventura somente nas letras. Aos finais de semana e sempre que tem um tempo livre, pega a sua bike e se lança a percorrer longas distâncias com sua equipe de ciclismo de estrada. “Sempre gostei de andar de bicicleta, mas foi na época da faculdade, quando estudava na Universidade de São Paulo, que passei a treinar com mais seriedade, inclusive participando de algumas competições”, conta ele, que aproveitou as ruas tranquilas do campus da Cidade Universitária para se desenvolver no esporte. Há mais de uma década, integra a JCC Team, equipe de alto rendimento coordenada pelo exatleta profissional Jean Coloca, que promove treinos organizados em percursos de mais de uma centena de quilômetros, a velocidades que beiram os 70 Km/h. “Treinamos semanalmente, num grupo de 20 a 30 ciclistas composto por médicos, professores, advogados; é um hobby bem estruturado”, diz.
O ciclismo de estrada é um esporte exigente, que requer excelente condicionamento físico e treinamento constante. A equipe se encontra todos os fins de semana, seja para treinamentos rotineiros em locais próximos da capital, como as cidades de São Roque, Araçariguama e Santana de Parnaíba, seja para percorrer roteiros especiais em localidades mais distantes, como Campos do Jordão, Taubaté ou Aparecida. Em todos os treinos ou viagens, o grupo conta com carro de apoio, que se encarrega da segurança dos ciclistas e oferece suporte médico e mecânico. “O ciclismo de estrada é muito arriscado e não admite erros, um pequeno deslize pode derrubar todos os ciclistas que vêm atrás. Por isso, ele me ensina muito: exercito a concentração, desenvolvo resiliência e cultivo o espírito de equipe”, explica, complementando: “Numa situação de estresse, por exemplo, consigo manter a calma, consigo ver e avaliar a situação. O ciclismo ensina que não adianta a gente se desesperar”. E isso ele aprendeu pelo fato de também pedalar sozinho, atividade que lhe dá muito prazer. “Eu rodo muito sozinho, já passei duas semanas das minhas férias pedalando nas estradas de Campos do Jordão, descendo serra, subindo montanha, refletindo e planejando. Isso me relaxa de verdade”, finaliza.
O CICLISMO DE ESTRADA ME
ENSINA MUITO.
COM ELE EXERCITO A CONCENTRAÇÃO, DESENVOLVO
RESILIÊNCIA E CULTIVO O ESPÍRITO DE EQUIPE.
FAZENDO A DIFERENÇA
EU ACREDITO QUE
TODAS AS CRIANÇAS
MERECEM COISAS
BOAS. POR ISSO
QUERO FAZER O QUE EU PUDER PARA AJUDÁ-LAS.
Ela tem apenas 12 anos de idade, mas já percebeu que suas pequenas ações podem fazer grande diferença no mundo. Em razão do trabalho dos pais, Sofia frequenta o litoral sul da Bahia praticamente desde que nasceu, tendo inclusive morado em Trancoso, para onde viaja várias vezes ao ano. E foi nessa cidade que ela conheceu, há pouco mais de um ano, o projeto Formiguinhas, que proporciona reforço escolar, alfabetização e oficinas de artes e esportes para crianças de 4 a 16 anos em situação de vulnerabilidade. Sofia se encantou pelas crianças atendidas pelo projeto social e fez questão de conhecê-lo melhor: “Eles também oferecem gratuitamente consultas com médicos e dentistas, e incentivam a participação das crianças nas festas tradicionais de Trancoso, para que elas cultivem e levem adiante a cultura local”, conta entusiasmada. Numa de suas férias escolares, Sofia teve a oportunidade de ministrar oficinas de confecção de origami e de pulseiras para as crianças do projeto.
Na volta às aulas, ela se uniu a quatro colegas de classe do 6º ano para conseguir livros, a fim de modernizar a biblioteca do projeto: “A biblioteca deles foi montada apenas com doações; então, há muitos livros didáticos, que eles não usam, e livros desatualizados, que não atraem as crianças”, explica. Num esforço conjunto, as amigas conseguiram adquirir mais de uma centena de livros e os entregaram pessoalmente, em outubro do ano passado, quando viajaram para Trancoso.
Na Chapel desde o Pre I, Sofia se sente muito à vontade no colégio, onde, além de cultivar amizades, participa do Art Club e pratica esportes como vôlei e basquete. “Eu gosto muito das aulas, das pessoas que trabalham e estudam aqui. E não posso esquecer da comida, que é muito boa”, afirma a garota cuja rotina inclui ainda aulas semanais de idioma, música e esporte: “Faço francês, tenho aulas de guitarra e pratico natação”, finaliza.
HENRIQUE
Atualmente cursando o 7º ano da Chapel, Henrique Lamounier aprendeu a jogar golfe por incentivo do pai, aos 5 anos de idade. Assim que a família se tornou sócia do Clube de Campo de São Paulo, às margens da represa Guarapiranga, ele começou a praticar o esporte de forma recreativa: “Eu jogava por brincadeira e até parei por um tempo para praticar vela e hipismo no clube mas, com o passar do tempo, acabei fazendo parte de um grupo de amigos que também jogava golfe e isso me incentivou a voltar para esse esporte”, conta. O golfe é conhecido por sua capacidade de conectar pessoas e criar amizades duradouras, independentemente do nível de habilidade.
Há cerca de dois anos, ele passou a treinar com o objetivo de disputar torneios que oferecem etapas no Brasil, o que ocorreu naturalmente e com o incentivo dos pais e amigos. “À medida que eu ia treinando e melhorando, fui me entusiasmando com os torneios”, revela o jovem de 13 anos. Em 2025, após a conquista de ótimos resultados, ele se classificou para o South American Championship, que acontece uma vez por ano no Campo Olímpico de Golfe, localizado na cidade do Rio de Janeiro e construído especialmente para as Olimpíadas de 2016.
Hoje em dia, quando não está no colégio, Henrique está se preparando física e tecnicamente para o esporte que aprendeu a amar. “Todos os dias da minha semana eu faço algo que pode me ajudar no golfe, se não é no clube, é treinando na academia. Também gosto de praticar outros esportes, como jiu-jitsu e basquete, que me ajudam na preparação física e mental. Aliás, tenho muito orgulho de jogar basquete pela Chapel no Trojans”, explica o jovem atleta, que ainda encontra tempo para a leitura, outra paixão que traz do berço: “Antes mesmo de saber ler, meus pais já liam para mim todos os dias, e é um hábito que não quero perder”. Henrique costuma ler no mínimo dois livros por mês, e geralmente escolhe uma obra em português e outra em inglês, idioma que gosta muito. Na Chapel, o que mais o atraiu desde o início foram as bibliotecas, que ele considera muito acolhedoras, além, é claro, do campo de futebol e do verde, que se destacam no campus.
O GOLFE NÃO É TÃO FÁCIL QUANTO PARECE, E MUITA GENTE DESISTE NO COMEÇO. EU DIGO PARA CONTINUAR, PORQUE DEPOIS FICA MUITO BOM. NO CAMPO, APRENDEMOS LIÇÕES DE VIDA COMO PACIÊNCIA, RESILIÊNCIA E HUMILDADE.
MANCHON DESENVOLVENDO HABILIDADES
TOCAR PIANO FAZ
BEM PARA A MINHA
SAÚDE MENTAL.
TENTO TOCAR MINHAS
MÚSICAS TODOS OS
DIAS, PELO MENOS
UM POUQUINHO.
A família de Bernardo Manchon foi sensata e certeira ao, durante a pandemia da covid-19, transformar adversidades em oportunidades. Quando as interações sociais foram restringidas, cinco anos atrás, os pais do aluno do 8º ano proporcionaram a ele aulas de tênis na quadra do condomínio – em local aberto, com máscara e distância segura – e aulas de piano online. “Tinha uma quadra no condomínio em que eu morava, então foi uma oportunidade de continuar a praticar esporte, porque eu jogava futebol desde muito novo, mas tive que parar”, conta o estudante do 8º ano, que acabou de completar 14 anos de idade. Ele gostou tanto do esporte que continua praticando até hoje, agora numa escola de tênis.
Com o piano foi praticamente igual. Sua mãe adquiriu o instrumento também durante a pandemia para a família ter a oportunidade de aprender a tocar, com um professor particular, em aulas online. “Eu comecei a tocar aprendendo com o aplicativo SimplyPiano e também tendo aulas a distância. Hoje, com o mesmo professor, tomo aulas em casa”, explica o jovem, que já participou de vários concertos. Na época dessa entrevista, estava ensaiando a adaptação para o piano da peça “In the Hall of the Mountain King”, composta originalmente para orquestra por Edvard Grieg. Além desse compositor, Bernardo domina peças de Beethoven e Chopin, cuja rapidez o desafia: “A mão esquerda de Chopin é complicada. Você vai tocando muito rápido com a direita e a esquerda é mais difícil”, comenta.
Na Chapel desde a Educação Infantil, Bernardo integra o time de futebol do colégio, participando dos jogos amistosos e dos torneios proporcionados pelo programa de esportes. “Eu gosto muito do campo de futebol da Chapel, e ainda tem as quadras, é um ambiente muito bom”, opina. Fora do colégio, joga tênis no Esporte Clube Sírio, de onde é sócio. Não é à toa que as aulas de que Bernardo mais gosta são as de educação física.
JOÃO PEDRO
C. SAUMA BERGER INSPIRADO PELO AVÔ
Na Chapel desde o Pre I, João Pedro C. Sauma Berger cursa atualmente o 9º ano e, assim como a maioria dos jovens da sua idade, além de se dedicar aos estudos, gosta de praticar esportes. No colégio, teve a oportunidade de experimentar o softball, modalidade que é oferecida durante um semestre a cada ano. Já no clube Monte Líbano, do qual sua família é sócia, aprendeu a gostar de outros, como a natação, o tênis e, mais recentemente, o beach tennis. “Comecei na natação ainda bebê e faço até hoje porque estou acostumado”, conta o jovem de 14 anos de idade. O tênis é outro esporte que, há anos, integra a sua rotina, mas que entrou na sua vida por influência do avô materno, seu grande incentivador: “Comecei a jogar por causa dele, aliás, por coincidência, eu gosto de tudo o que meu avô gosta. Gosto de correr, ele também; jogo tênis, e ele também jogava”, revela.
João Pedro não esconde a admiração que sente pelo avô, responsável por grande parte das inspirações que, atualmente, regem a sua vida: a incursão pelo universo dos perfumes é uma delas. “Passei a me interessar por notas e fragrâncias ao observar meu avô, e aprendi com ele a entender do assunto”, explica. Ele descreve com maestria as notas (aromas que compõem uma fragrância e que variam de acordo com a evaporação e o tempo em que o produto fica na pele), explicando que nos mais intensos, geralmente indicados para a noite, podem ser encontradas notas de oud, e que os aldeídos formam a base dos perfumes do dia, pois provocam sensação de frescor e limpeza ao trazer elementos da natureza. “Meu perfume predileto é o Note di Colonia IV da Acqua di Parma, que tem opoponax como nota de base e é um dos que o meu avô usa”, afirma.
No seu tempo livre, gosta de viajar com a família, seja para o sítio em São Roque (interior de São Paulo), onde brinca com os onze cães da propriedade, seja para Ilhabela, no litoral norte do Estado, onde curte os passeios de barco com ninguém menos que seu avô.
OBSERVANDO MEU AVÔ, PASSEI A GOSTAR DE PERFUMES, E ELE ME ENSINOU A IDENTIFICAR ALGUMAS NOTAS QUE COMPÕEM AS FRAGRÂNCIAS.
VELOCIDADE NA VEIA
O AUTOMOBILISMO
É UM ESPORTE DE MUITA TÉCNICA E CONCENTRAÇÃO.
MEU OBJETIVO É ADQUIRIR O MÁXIMO DE EXPERIÊNCIA NAS COMPETIÇÕES.
Ele tem apenas 16 anos de idade e, em duas ocasiões, abriu a etapa brasileira de Fórmula 1, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. Marcelo Hahn é piloto de Fórmula 4, categoria de base do automobilismo, que, no Brasil, integra a programação preliminar do maior campeonato de automobilismo do mundo. E sua primeira vez na categoria foi justamente na etapa de Interlagos, diante de milhares de pessoas, sendo observado até mesmo pelos pilotos de F1. “Quando comecei, a corrida mais difícil do ano foi a minha primeira, e minha carreira é cheia desses desafios”, conta o aluno do 10º ano da Chapel.
Idealizada para jovens pilotos que estão iniciando suas carreiras nas corridas de alto desempenho em carros monopostos – veículos com apenas um assento para o piloto, caracterizados por terem rodas descobertas e um cockpit aberto – a F4 serve como uma plataforma de transição entre o kart e categorias superiores, como a F3 e a F2. E esse é o caso de Marcelo, ou melhor, Celo, como é conhecido no automobilismo: “Eu tinha uns sete anos de idade quando comecei no kart, mas não permaneci. Quando eu voltei, tempos depois, participei de competições durante um ano antes de estrear na F4”, explica. Ele foi incentivado pelo pai – piloto premiado na categoria Gran Turismo (GT) –e pelo irmão mais velho, Chris, que iniciou na F3 e hoje compete na GT. “Sempre gostei muito dessa adrenalina, acompanho meu pai desde pequeno. A F4 é o começo dos sonhos, porque o carro é todo aberto, feito para a velocidade”, afirma. Ele conta que, diferentemente do que muitos pensam, o piloto de F4 não corre sentado no cockpit, “a gente pilota reclinado, o que é muito mais emocionante”.
A fim de adquirir técnica e experiência nesse esporte tão desafiador, Celo segue uma rotina de treinos que incluem, além das pistas, o simulador e o velho kart. Se a modalidade escolhida por ele veio do pai, a base da disciplina esportiva foi herdada da mãe, Priscila, ex-atleta de voleibol de alto rendimento que atuou em clubes renomados como o Juventus e o Corinthians. Ela conta que, em razão da sua dedicação de muitos anos aos esportes olímpicos, a base da educação dos filhos seguiu três grandes princípios: o trabalho em equipe, o respeito e a disciplina.
JULIA PARASKEVOPOULOS NA LÓGICA E NAS ARTES
Com a leveza de uma dançarina de balé, Julia Paraskevopoulos, do 11º ano, descreve seus talentos, que não são poucos, cultivados desde muito pequenina, e a dança é um deles. Mesmo tendo que parar por um tempo, quando a família se transferiu de Campinas, interior de São Paulo, para a capital, em plena pandemia da covid-19, ela retomou as aulas no Estúdio de Ballet Cisne Negro, e, hoje, vive um momento de grande alegria: foi aprovada com menção High Merit no exame da Royal Academy of Dance de Londres. “O balé sempre ocupou grande parte do meu tempo, mas é algo que faço com alegria, pois me dá muito prazer”, conta a jovem de 16 anos de idade.
Na Chapel desde 2021, assim que ingressou no programa IB (International Baccalaureate), resolveu colocar seus conhecimentos de matemática a serviço da sua formação, e passou a dar suporte para os colegas do 4º ao 6º ano do Elementary School que desejam participar da Olimpíada Canguru de Matemática, competição internacional, na qual ela já conquistou a medalha de bronze. “Sempre fui uma pessoa de exatas, sou bem lógica, e decidi auxiliar os estudantes do ES com algo que eu gosto”, afirma, explicando que sempre teve facilidade nessa área.
A jovem, que ama ciências e pretende ser engenheira, tem a disciplina de física como sua preferida. Mesmo assim, ela se dedica às artes a fim de descobrir novos horizontes: já integrou o Drama Club e atualmente participa do Art Club da Chapel. No entanto, ultimamente, seu tempo ficou escasso em razão do balé, que lhe toma muitas horas de preparação semanal. Além do exame para passar de nível, estava ensaiando para dois espetáculos: “O Quebra Nozes”, tradição da escola em que estuda, e “Coppélia”, montagem apresentada no final do ano passado pelo mesmo instituto de dança. Sobre o colégio, Julia é só carinho: “Eu amo a Chapel, o ambiente, as árvores, o campo e as pessoas”, finaliza.
O BALÉ SEMPRE
OCUPOU GRANDE
PARTE DO MEU TEMPO, MAS É ALGO QUE FAÇO COM ALEGRIA, POIS ME DÁ MUITO PRAZER.
ESTOU ME
DEDICANDO PARA
SER ACEITA NUMA
BOA UNIVERSIDADE, DE PREFERÊNCIA
NA ESPANHA, POIS É COM ARTES QUE QUERO TRABALHAR.
Filha de professora, Sofia Campos sempre teve a oportunidade de estudar em instituições acolhedoras. Quando ingressou na Chapel, em 2018, vinda de uma escola montessoriana bilíngue, com ampla área verde e super equipada, se sentiu em casa. “O que mais me marcou quando conheci a Chapel foi o campus, enorme e com infraestrutura maravilhosa”, revela. Ela cursava o 5º ano do Elementary School quando aprendeu a jogar vôlei, esporte que praticou durante sete anos: “Eu me identifiquei com o vôlei e, até o ano passado, joguei muitos campeonatos e amistosos pela Chapel; parei agora para me dedicar mais aos estudos”, conta a aluna do 12º ano, referindo-se aos exames e requisitos do diploma IB (International Baccalaureate) e ao processo de candidaturas em universidades do exterior.
Apaixonada por artes desde muito nova, Sofia cursa o IB Arts e pretende ingressar num curso de graduação em Artes ou Design numa universidade fora do Brasil. Entre as técnicas de artes plásticas e visuais que mais gosta figuram o desenho e a pintura, mas as possibilidades são inúmeras: “O IB Arts nos motiva a experimentar muitos meios diferentes, as aulas são produtivas e o colégio nos oferece uma diversidade de recursos e de materiais”, afirma.
Foi graças à College Fair promovida pela Chapel que Sofia passou a cogitar cursar a graduação na Europa: “Estou me dedicando para ser aceita numa boa universidade, de preferência na Espanha, pois é com artes que quero trabalhar”, afirma a jovem de 17 anos de idade. Sua predileção pela Espanha tem vários motivos: além de ser um país reconhecido por suas excelentes escolas de artes e design, é lá que sua prima está estudando Marketing e onde Sofia se sentiria à vontade em razão da ascendência hispânica da sua família. “A Europa sempre foi muito intrigante para mim”, revela a jovem artista que está se despedindo da Chapel motivada pelas inúmeras descobertas e possibilidades que a graduação no exterior lhe proporcionará.
GALLERY
A programação da tradicional Feira de Livros; as divertidas fantasias da Spirit Week e do Halloween; o novo formato do Evento de Natal e as cerimônias de posse dos membros do NHS e do NJHS foram alguns dos momentos especiais que marcaram o último semestre na Chapel. Confira, nas próximas páginas, registros desses eventos culturais e festivos que reuniram a comunidade escolar.
FEIRA DE LIVROS BOOK FAIR
Fotos: Arquivo Chapel
Photos: Chapel Archives
01 - As bibliotecárias da Chapel, Ms. Solange Silva, Ms. Ana Lucia Oliveira, Ms. Fernanda Caires e Ms. Meire Silva, responsáveis pela Feira de Livros.
01 - Chapel’s librarians, Ms. Solange Silva, Ms. Ana Lucia Oliveira, Ms. Fernanda Caires, and Ms. Meire Silva, were responsible for the Book Fair.
02 - Ao lado da bibliotecária Fernanda Caires, os professores responsáveis pelos workshops oferecidos durante o evento literário: Ms. Cristina El Dib, Ms. Sylvia Almeida, Ms. Adriana Alves, Ms. Livia Galeote, Ms. Talita Vieira, Mr. Caio Gragnani, Mr. Igor Lisboa e Mr. Javier Rebagliati.
02 - The teachers in charge of the workshops during the literary event with librarian Fernanda Caires: Ms. Cristina El Dib, Ms. Sylvia Almeida, Ms. Adriana Alves, Ms. Livia Galeote, Ms. Talita Vieira, Mr. Caio Gragnani, Mr. Igor Lisboa, and Mr. Javier Rebagliati.
03 - Ms. Cristina El Dib orienta as alunas do 5º ano, Isabel Luz e Nina Daher, na oficina de colares inspirados na natureza.
03 - Ms. Cristina El Dib gives guidance to 5th grade students Isabel Luz and Nina Daher during the workshop on nature inspired necklaces.
04 - Thomas Giacaglia (irmão da estudante Olivia Giacaglia, do Kinder A) com o pai, Alessandro, participando da oficina de artes.
04 - Thomas Giacaglia (Kinder A student Olivia Giacaglia’s brother) with their dad, Alessandro, during the art workshop.
05 - Julia Guglielmetti, do 7º ano, divertiu-se no workshop.
05 - 7th grader Julia Guglielmetti had fun during the workshop.
06 - Julia De Renzis, do 1º ano, escolhendo livros.
06 - First grader Julia De Renzis choosing books.
07 - Lavinia Jucá (2º ano) e Berlin Bokermann (3º ano) venderam cadernos de papel reciclado para o The Giving Project.
07 - Lavinia Jucá (2nd grade) and Berlin Bokermann (3rd grade) sold recycled paper notebooks on behalf of The Giving Project.
08 - João Ermel, do 1º ano, durante a contação de histórias.
08 - First grader João Ermel during storytelling.
09 - Nicholas Ribeiro, Catarina Caram, Maria Mertens, Barbara Monte Alto, Mr. Leonardo Silveira, Enzo Ventura, Lucca Karam, Rafael Kato e Mr. Marcio Kuroiwa.
09 - Nicholas Ribeiro, Catarina Caram, Maria Mertens, Barbara Monte Alto, Mr. Leonardo Silveira, Enzo Ventura, Lucca Karam, Rafael Kato, and Mr. Marcio Kuroiwa.
10 - Elisa Furlong, do 2º ano, com John Kirk, durante a contação de histórias.
10 - Second grader Elisa Furlong with John Kirk during storytelling.
SPIRIT WEEK
Fotos: Arquivo Chapel
Photos: Chapel Archives
01 - No dia do pijama, os amigos do 7º ano Luiz Felipe Mariutti, Henrique Lamounier, Gustavo Rocha e Rafael Soares.
01 - The 7th grade friends on pyjama day: Luiz Felipe Mariutti, Henrique Lamounier, Gustavo Rocha, and Rafael Soares.
02 - Os seniors Mohamad Smaili, Luca Menezes, Henri Martin, Tomas Resegue e Abdul Smaili.
02 - Seniors Mohamad Smaili, Luca Menezes, Henri Martin, Tomas Resegue, and Abdul Smaili.
03 - As amigas seniors Barbara Monte Alto, Sofia Zaher, Beatriz Rangel, Beatriz Ackel, Mel Arantes e Sophie Neto capricharam nos pijamas.
03 - Seniors and friends Barbara Monte Alto, Sofia Zaher, Beatriz Rangel, Beatriz Ackel, Mel Arantes, and Sophie Neto paid special attention to their pyjama looks.
04 - Gabriela García e Manuela Salgado (8º ano) ao lado de Helena Tuma (9º ano).
04 - Gabriela García and Manuela Salgado (8th grade) next to Helena Tuma (9th grade).
05 - Felipe Campaña (9º ano) e Henri Martin (12º) capricharam na descombinação.
05 - Felipe Campaña (9th grade) and Henri Martin (12th grade) tried their best to be mismatched.
06 - Numa confusão de trajes, os seniors Charbel El Khouri e Tomas Resegue.
06 -Seniors Charbel El Khouri and Tomas Resegue with very discombobulated outfits.
07 - Despedindo-se do High School, a turma dos descombinados: Sofia Zaher, Barbara Monte Alto, Alex Baines, Antonio Mello, Lorenzo Perrotti, Beatriz Rangel, Beatriz Ackel e Nuno Tavares.
07 - The group in mismatched outfits saying goodbye to High School: Sofia Zaher, Barbara Monte Alto, Alex Baines, Antonio Mello, Lorenzo Perrotti, Beatriz Rangel, Beatriz Ackel, and Nuno Tavares.
08 - Com suas camisas esportivas, Felipe Heine, Matheus Lopes, Pedro Lima e Davi Choo (10º ano).
08 - Felipe Heine, Matheus Lopes, Pedro Lima, and Davi Choo (10th grade) wearing their sport shirts.
09 - Do 7º ano, a são-paulina Julia Guglielmetti com Greta (Maddie) Iwarson.
09 - São Paulo fan Julia Guglielmetti with Greta (Maddie) Iwarson from 7th grade.
10 - As amigas do 10º ano Laís Ribeiro, Nina Kameyama Pereira, Bianca Ludgero, Ana Luiza Dall’Ovo, Maria Antonia Michaluart e Isabela Paraskevopoulos desfilaram suas camisas esportivas.
10 - Tenth grade friends Laís Ribeiro, Nina Kameyama Pereira, Bianca Ludgero, Ana Luiza Dall’Ovo, Maria Antonia Michaluart, and Isabela Paraskevopoulos paraded in their sport shirts.
11 - Nicholas Ribeiro (7º ano) vestido como Mr. John Morrison.
11 - Nicholas Ribeiro (7th grade) dressed as Mr. John Morrison.
12 - A senior Mel Arantes vestida como Mr. Silas Nunes.
12 - Senior Mel Arantes dressed as Mr. Silas Nunes.
13 - Barbara Monte Alto (12º ano) vestida como Mr. Ronaldo Souza.
13 - Barbara Monte Alto (12th grade) dressed as Mr. Ronaldo Souza.
14 - João Jorge Cury (como Trojan), do 11º ano, ao lado de Mr. Sean Quinn.
14 - Eleventh grader João Jorge Cury (as the Trojan) next to Mr. Sean Quinn.
15 - No dia do azul e branco: Tony Choo, Nicholas Ribeiro, Rafael Kato, Lucca Karam, Nuno Tavares, Mel Arantes, Theo Giarola, Vitto Di Grassi Neto, Gabriel Son, Mr. Leonardo Silveira, João Jorge Cury, Maria Mertens, Mel Arantes, Barbara Monte Alto, Beatriz Rangel, Ana Luiza Nagano, Catarina Caram, Sofia Miraglia, Paula Lins, Mr. Marcio Kuroiwa e Bernardo Aymoré.
15 - On blue and white day: Tony Choo, Nicholas Ribeiro, Rafael Kato, Lucca Karam, Nuno Tavares, Mel Arantes, Theo Giarola, Vitto Di Grassi Neto, Gabriel Son, Mr. Leonardo Silveira, João Jorge Cury, Maria Mertens, Mel Arantes, Barbara Monte Alto, Beatriz Rangel, Ana Luiza Nagano, Catarina Caram, Sofia Miraglia, Paula Lins, Mr. Marcio Kuroiwa, and Bernardo Aymoré.
HALLOWEEN
Fotos: Arquivo Chapel
Photos: Chapel Archives
01 - Alice Christo, do Pre I, com Ms. Camila Costa.
01 - Alice Christo from Pre I with Ms. Camila Costa.
02 - Do Kinder, Martina Antunes e Omar Zarif.
02 - Kindergarteners Martina Antunes and Omar Zarif.
03 - Eduardo Breuel e Joaquim Cannon, do Pre I.
03 - Eduardo Breuel and Joaquim Cannon from Pre I.
04 - Thomas Baldassarri, do 1º ano, fez sucesso como Obelix.
04 - First grader Thomas Baldassarri was a hit as Obelix.
05 - Diretamente da Transilvânia, as amigas do 2º ano: Gabrielle Aya Ambrósio, Bettina Sergole, Antonella Giamundo, Maria Eduarda Iberê e Leticia El Khouri curtiram a festa.
05 - The 2nd grade friends who looked like they came straight from Transylvania: Gabrielle Aya Ambrósio, Bettina Sergole, Antonella Giamundo, Maria Eduarda Iberê, and Leticia El Khouri enjoyed the celebration.
06 - As policiais do 4º ano: Maria Valentina Boesel, Isabela El Khouri e Donatella Carui.
06 - Fourth grade policewomen: Maria Valentina Boesel, Isabela El Khouri, and Donatella Carui.
07 - Helena Zono e a boneca assassina Isabela Yumi Hoshino (3º ano).
07 - Helena Zono and the killer doll Isabela Yumi Hoshino (3rd grade).
08 - O pequeno zumbi, Rafael Muradian, do 1º ano.
08 - The young zombi from 1st grade Rafael Muradian.
09 - Teresa Noto (1º ano), Marina Toro, Antonia Gurgel, Isabella Haddad e Sofia Tchilian (4º ano) capricharam nas fantasias.
09 - Teresa Noto (1st grade), Marina Toro, Antonia Gurgel, Isabella Haddad, and Sofia Tchilian (4th grade) were meticulous with their costumes.
10 - Do 6º ano, Paula Fernandez, Stella Carui e Stella Gurgel arrasaram nos looks de piratas e princesa.
10 - Paula Fernandez, Stella Carui, and Stella Gurgel from 6th grade crushed it with their pirate and princess outfits.
HALLOWEEN
11 - A turma do 5º ano com Ms. Priscilla Odinmah, Ms. Juliana Chyla e Ms. Aline Cuchiaro.
11 - The 5th grade class with Ms. Priscilla Odinmah, Ms. Juliana Chyla, and Ms. Aline Cuchiaro.
12 - Do 5º ano: Giancarlo Rodrigues, Marcos Masi, Helena Bortolin, Carolina Azevedo, Filippo Karsten, Ms. Aline Cuchiaro, Luisa Echenique e Pietra Almeida.
15 - Maria Diederichsen (7º ano) e Maria Antonia Michaluart (10º ano) arrasaram como Lorax.
15 - Maria Diederichsen (7th grade) and Maria Antonia Michaluart (10th grade) crushed it as the Lorax.
16 - Do 7º ano: Manuela Delmazo, Alice Hodge, Beatriz Rahal, Nicholas Ribeiro, Luiz Felipe Mariutti, Manuela Gurgel, Joana Marques e Julia Queiroz.
16 - Seventh graders: Manuela Delmazo, Alice Hodge, Beatriz Rahal, Nicholas Ribeiro, Luiz Felipe Mariutti, Manuela Gurgel, Joana Marques, and Julia Queiroz.
17 - Entre o inferno e o céu, as amigas do 10º ano: Beatriz Fonseca e Helena Ramalho.
17 - Beatriz Fonseca and Helena Ramalho, friends from 10th grade, representing heaven and hell.
EVENTO DE NATAL
CHRISTMAS AT CHAPEL
Fotos: Arquivo Chapel
Photos: Chapel Archives
01 - Larissa Fonseca (Pre I) com seus pais, Tamires e Leopoldo, e o irmão menor, Felipe.
01 - Larissa Fonseca (Pre I) with her parents, Tamires and Leopoldo, and her younger brother, Felipe.
02 - Eduardo Breuel, do Pre I, com os pais, Rony e Andrea.
02 - Eduardo Breuel, from Pre I, and his parents, Rony and Andrea.
03 - Helena Moreira (3º ano) e Miguel Ramos (Pre II) com os pais, Agnaldo e Pamela, e o irmão mais novo, Gabriel.
03 - Helena Moreira (3rd grade) and Miguel Ramos (Pre II) with their parents, Agnaldo and Pamela, and their little brother, Gabriel.
04 - Do Kindergarten, Liam Giliam, Lorenzo Giamundo e Valentim Pereira.
04 - Kindergarteners Liam Giliam, Lorenzo Giamundo, and Valentim Pereira.
05 - As amigas do Kinder: Lorena Luna, Laura Ayres, Julia Chede e Rafaela Gouveia.
05 - Kindergarten friends: Lorena Luna, Laura Ayres, Julia Chede, and Rafaela Gouveia.
06 - Dominando a bola, Victor Mantegazza, do Pre I.
06 - Victor Mantegazza, from Pre I, was in full control of the ball.
07 - Teresa Noto (1º ano) concentrou-se na sua produção.
07 - First grader Teresa Noto was focused on what she created.
08 - Jogando futebol: Leonardo Mariutti (4º ano), Felipe Guimarães (3º ano), Thomas Toledo (1º ano) e Pedro Mercadante (3º ano).
08 - Leonardo Mariutti (4th grade), Felipe Guimarães (3rd grade), Thomas Toledo (1st grade), and Pedro Mercadante (3rd grade) played soccer.
09 - Isabella Straube, do 5º ano.
09 - Fifth grade’s Isabella Straube.
10 - Representando o clube The Giving Project: Ms. Carla Eggers, Ms. Cristiana Cavalcanti, Mr. Colin Weaver e Lis Cozzatti, do 4º ano.
10 - Representatives of The Giving Project club: Ms. Carla Eggers, Ms. Cristiana Cavalcanti, Mr. Colin Weaver, and fourth grader Lis Cozzatti.
11 - No trono do Papai Noel, Luisa Pavan e Rebecca Prosini, do 1º ano, e Pietro Prosini, do Pre I.
11 - Luisa Pavan and Rebecca Prosini, from 1st grade, and Pietro Prosini, from Pre I, on Santa Claus’ chair.
12 - Com muito amor, Maria Eduarda Iberê e Antonella Giamundo, do 2º ano.
12 - Maria Eduarda Iberê and Antonella Giamundo, from 2nd grade, show much love.
13 - Luísa Assan, do Pre II, com o Papai Noel.
13 - Pre II’s Luísa Assan with Santa Claus.
14 - Os irmãos Matheus Saraiva (1º ano) e Clara Saraiva (Pre II) curtiram o bom velhinho.
14 - Siblings Matheus Saraiva (1st grade) and Clara Saraiva (Pre II) enjoyed the good old man.
15 - Com Papai Noel, Isabella Serpa (1º ano) e Gustavo Serpa (4º ano) entre seus pais, Juliana e André.
15 - Isabella Serpa (1st grade) and Gustavo Serpa (4th grade) sit with Santa Claus between their parents, Juliana and André.
16 - Ivo Pitanguy, do Pre II, com o Papai Noel.
16 - Pre II’s Ivo Pitanguy with Santa Claus.
CERIMÔNIA DE POSSE
DO NJHS
NJHS INDUCTION
CEREMONY
Fotos: Arquivo Chapel
Photos: Chapel Archives
01 - Os dez novos membros do NJHS com o advisor, Mr. Érico Padilha.
01 - The 10 new NJHS members with their advisor, Mr. Érico Padilha.
02 - Alicia Min Hee Choi com seus pais, Elizabeth e Jin Suk, ao lado de Mr. Sean Quinn.
02 - Alicia Min Hee Choi with her parents, Elizabeth and Jin Suk, next to Mr. Sean Quinn.
03 - Antonio Rossi Diederichsen com sua irmã Maria Eduarda e Mr. Sean Quinn.
03 - Antonio Rossi Diederichsen with her sister Maria Eduarda, and Mr. Sean Quinn.
04 - Joaquina Furlong com seus irmãos, Lucas e Elisa, os pais, Ana e Carlos, e Mr. Sean Quinn.
04 - Joaquina Furlong with his siblings, Lucas and Elisa, their parents Ana and Carlos, and Mr. Sean Quinn
05 - Lara Pedro Faggin com sua mãe, Luciana, e Mr. Sean Quinn.
05 - Lara Pedro Faggin with her mother, Luciana, and Mr. Sean Quinn.
06 - Laura Gouvêa Pontes com seus pais, Michelly e Antonio, e Mr. Sean Quinn.
06 - Laura Gouvêa Pontes with her parents, Michelly and Antonio, and Mr. Sean Quinn.
07 - Laura Sanjar Pereira com sua mãe, Fernanda, e Mr. Sean Quinn.
07 - Laura Sanjar Pereira and her mother, Fernanda, and Mr. Sean Quinn.
08 - Maria Cavalcanti de Albuquerque Masi com sua mãe, Maria Luiza, e Mr. Sean Quinn.
08 - Maria Cavalcanti de Albuquerque Masi with her mother, Maria Luiza, and Mr. Sean Quinn.
09 - Manuela Azevedo Delmazo com seu irmão Lucca, os pais, Paula e Luiz Felippe, e Mr. Sean Quinn.
09 - Manuela Azevedo Delmazo with his brother Lucca, their parents, Paula and Luiz Felippe, and Mr. Sean Quinn.
10 - Nicholas Cruso Morais Ribeiro com seus pais, Mariana e Marcelo, e Mr. Sean Quinn.
10 - Nicholas Cruso Morais Ribeiro with his parents, Mariana and Marcelo, and Mr. Sean Quinn.
11
12 - Membros NJHS 2025-2026.
- NJHS 2025-2026 members
11 - Sofia Alejandra Garzón Ramos com sua mãe, Alba, e Mr. Sean Quinn.
- Sofia Alejandra Garzón Ramos, her mother Alba, and Mr. Sean Quinn.
CERIMÔNIA DE POSSE DO NHS
INDUCTION
CEREMONY
Fotos: Arquivo Chapel
Photos: Chapel Archives
01 - Os sete novos membros do NHS tomaram posse em novembro.
01 - The seven new NHS members were inducted in November.
02 - Ana Luisa Labbate Neves com sua irmã, Maria Eduarda, os pais, Carolina e Rogério, e Mr. Sean Quinn.
02 - Ana Luisa Labbate Neves with her sister, Maria Eduarda, their parents, Carolina and Rogério, and Mr. Sean Quinn.
03 - Julia Gebenes Paraskevopoulos com sua irmã, Isabela, e sua mãe, Maura, ao lado de Mr. Sean Quinn.
03 - Julia Gebenes Paraskevopoulos with her sister, Isabela, and her mother, Maura, next to Mr. Sean Quinn.
04 - Stella Rendtorff Baines com seu irmão, Alex, sua mãe, Maxine, e Mr. Sean Quinn.
04 - Stella Rendtorff Baines and her brother, Alex, her mother, Maxine, and Mr. Sean Quinn.
05 - Lais Buzzinaro Ribeiro com sua mãe, Paula Cristina, e Mr. Sean Quinn.
05 - Lais Buzzinaro Ribeiro with her mother, Paula Cristina, and Mr. Sean Quinn.
06 - Os irmãos Lorenzo e Luca Perrotti, com a irmã, Valentina, e Mr. Sean Quinn.
06 - Brothers Lorenzo and Luca Perrotti, their sister, Valentina, and Mr. Sean Quinn.
07 - Nicolas Garzón Ramos com sua mãe, Alba, e Mr. Sean Quinn.
07 - Nicolas Garzón Ramos and his mother, Alba, and Mr. Sean Quinn.
08 - Membros NHS 2025-2026 com o advisor, Mr. Christopher Abbs.
08 - NHS 2025-2026 members with advisor Mr. Christopher Abbs.