

Instituições de Ensino Superior com cursos de Arquitetura e Urbanismo
no Estado de São Paulo
Instituições de Ensino Superior com cursos de Arquitetura e Urbanismo
no Estado de São Paulo



Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP)
Gestão 2021-2023
Catherine Otondo, Presidente
Poliana Risso Silva Ueda, Vice-presidente
Comissão de Ensino e Formação do CAU/SP (CEF – CAU/SP)
Ana Lúcia Cerávolo, Titular (Coordenadora)
Tatiana de Souza Gaspar, Suplente
Denise Antonucci, Titular (Coordenadora Adjunta)
Maria Cristina da Silva Leme, Suplente
Ana Paula Preto Rodrigues Neves, Titular
Livia Louzada de Toledo Pugliese, Suplente
Analia Maria Marinho de Carvalho Amorim, Titular
Ana Beatriz Goulart de Faria, Titular em exercício
Arlete Maria Francisco, Titular
Tamires Noely Gomes de Oliveira, Suplente
Cassia Regina Carvalho de Magaldi, Titular
Leila Regina Diegoli, Suplente
Danila Martins de Alencar Battaus, Titular
Renato Matti Malki, Suplente
Delcimar Marques Teodozio, Titular
Maria Cristina Pinheiro Machado Sanches, Suplente
Fernanda de Macedo Haddad, Titular
Melyssa Maila de Lima Santos, Suplente
Fernando Netto, Titular
Luiz Fernando Gentile, Suplente
Jose Roberto Merlin, Titular
Teresinha Maria Fortes Bustamante Debrassi, Suplente
Kelly Cristina Magalhães, Titular
Jennifer Talita Pereira, Suplente
Monica Antonia Viana, Titular
Mariana Correa Madureira Guimarães, Suplente
Paula Raquel da Rocha Jorge, Titular
Larissa Garcia Campagner Arcuri, Suplente
José Roberto Geraldine Junior, Titular
Saide Kahtouni, Suplente
Vanessa Gayego Bello Figueiredo, Titular
Adriana Corsini Menegolli, Suplente
Comissão de Ética e Disciplina do CAU/SP (CED – CAU/SP)
Camila Moreno de Camargo, Titular (Coordenadora)
Beatriz Aied, Suplente
Nalligia Tavares de Oliveira Tavares, Titular (Coordenadora Adjunta)
Dania Brajato, Suplente
Carina Costa Correa, Titular
Thais Borges Martins Rodrigues, Suplente
Carina Serra Amancio, Titular
Carolina Heldt D’Almeida, Suplente
Gabriela Katie Silva Morita, Titular
Maria Eneida Barreira, Suplente
Jose Marcelo Guedes, Titular
Airlana Fernandes Silva Polzatto, Suplente
Luiz Antonio de Paula Nunes, Titular
Natália Costa Martins, Suplente
Márcia Helena Souza da Silva, Titular
Denise Elaine Simões de Sá, Suplente
Maria Alice Gaiotto, Titular
Poliana Risso Silva Ueda, Titular
Maira de Camargo Barros, Suplente
Ronaldo José da Costa, Titular
Luiz Antonio Raizzaro, Suplente
Comissão de Exercício Profissional do CAU/SP (CEP – CAU/SP)
Fernanda Menegari Querido, Titular (Coordenadora)
Larissa Francez Zarpelon, Suplente
Consuelo Aparecida Gonçalves Gallego, Titular (Coordenadora Adjunta)
Stefania Dimitrov, Suplente
Amarilis da Silveira Piza de Oliveira, Titular
Maria Stella Tedesco Bertaso, Suplente
Débora Sanches, Titular
Viviane Manzione Rubio, Suplente
Edison Borges Lopes, Titular
Caio Bacci Marin, Suplente
Jaqueline Fernandez Alves, Titular
Clarissa Duarte de Castro Souza, Suplente
Marcelo de Oliveira Montoro, Titular
Maria Jocelei Steck, Suplente
Márcia Mallet Machado de Moura, Titular
Victor da Costa, Suplente
Renata Ballone, Titular
Claudia Maria Lima Ribeiro, Suplente
Renata Fragoso Coradin, Titular
Aline Alves Anhesim, Suplente
Soriedem Rodrigues, Titular
Wilton Flavio Camoleze Augusto, Suplente
Viviane Leão da Silva Onishi, Titular
Maria Ermelina Brosch Malatesta, Suplente
Comissão de Fiscalização do CAU/SP (CF – CAU/SP)
Angela Golin, Titular (Coordenadora)
Salua Kairuz Manoel, Titular (Coordenadora Adjunta)
Catherine D’Andrea, Suplente
Ailton Pessoa de Siqueira, Titular
Flavia Regina de Lacerda Abreu Hartmann, Suplente
Ana Claudia de Souza Ferreira, Titular
Paula Rodrigues de Andrade, Titular em exercício
Ana Claudia Fernandes Maciel, Titular
Camila Campos Tavares Carvalho, Suplente
Debora Tognozzi Lopes, Titular
Lais Silva Amorim, Suplente
Elena Olaszek, Titular
Ligia Rocha Rodrigues, Suplente
Maurílio Ribeiro Chiaretti, Titular
Mariana Estevao de Souza, Suplente
Nilson Ghirardello, Titular
Helio Hirao, Suplente
Paula Fernanda Faria Rodrigues, Titular
Gabriela Gonçalves Franco, Suplente
Paulo Marcio Filomeno Mantovani, Titular
Jose Augusto das Graças, Suplente
Comissão de Organização e Administração do CAU/SP (COA – CAU/SP)
Rossella Rossetto, Titular (Coordenadora)
Elisabete França, Suplente
Amanda Rosin de Oliveira, Titular (Coordenadora Adjunta)
Rivanise Couto, Suplente
Afonso Celso Bueno Monteiro, Titular
Fabiana Zanquetta de Azevedo, Suplente
André Luis Queiroz Blanco, Titular
Fernando Rodrigues Neto, Suplente
Andreia de Almeida Ortolani, Titular
Leticia Tamisari Ferreira, Suplente
Ederson da Silva, Titular
Denise Carvalho Schneider, Suplente
Flavia Taliberti Pereto, Titular
Raquel Furtado Schenkman Contier, Suplente
José Luiz Lemos da Silva Neto, Titular
Marcio Macedo Porto, Suplente
Leda Maria Lamanna Ferraz Rosa Van Bodegraven, Titular
Sofia Puppin Rontani, Suplente
Maria Isabel Rodrigues Paulino, Titular
Viviane de Andrade Sá, Suplente
Samira Rodrigues de Araujo Batista, Titular
Carmela Medero Rocha, Suplente
Tatiana Reis Pimenta, Titular
Geise Brizotti Pasquotto, Suplente
Vitor Chinaglia Junior, Titular
Daniella Farias Scarassatti, Suplente
Comissão de Planejamento e Finanças do CAU/SP (CPFi – CAU/SP)
Renata Alves Sunega, Titular (Coordenadora)
Danielle Skubs, Suplente
Barbara Emilia Kemp Dugaich Auto, Titular (Coordenadora Adjunta)
Claudia Andreoli Muniz, Suplente
Bruna Beatriz Nascimento Fregonezi, Titular
Rayssa Saidel Cortez, Suplente
Daniel Passos Proença, Titular
Maria do Carmo Cassani Lopes Soeiro, Suplente
Fernanda Simon Cardoso, Titular
Juliana Souza Santos, Suplente
Gustavo Ramos Melo, Titular
Bruno Ghizellini Neto, Suplente
Maria Teresa Diniz dos Santos Maziero, Titular
Maria Teresa Cardoso Fedeli, Suplente
Maria Eduarda Curio Alcantara e Silva, Titular
Carolina Dondice Cominotti, Suplente
Paulo Machado Lisboa Filho, Titular
Milene Sabbag Abla Scala, Suplente
Jose Renato Soibelmann Melhem, Titular
Carolina Ribeiro Simon, Suplente
Rosana Ferrari, Titular
Juliana Binotti Pereira Scariato, Suplente
Sandra Aparecida Rufino, Titular
Vanessa Padia de Souza, Suplente
Vera Lúcia Blat Migliorini, Titular
Debora Prado Zamboni, Suplente
Ficha Técnica
Coordenação do Projeto “10+_Diagnóstico do Estratégico do CAU/SP” – CAU/SP
Catherine Otondo, Ana Lúcia Cerávolo, Rossella Rossetto
Acompanhamento do Projeto - Equipe CAU/SP
Renata da Rocha Gonçalves, Secretária Geral dos Órgãos Colegiados
Isabela Rahal de Rezende Pinto, Analista
Marta Lagreca, Gerente Técnica
Ernani da Silva Bianchi, Assistente
Eduardo Pimentel Pizarro, Assessor de Relações Internacionais
Francine Derschner, Assessora
Cebrap - Centro Brasileiro de Análise e Planejamento
Presidente
Adrian Gurza Lavalle
Diretor administrativo
Victor Callil
Diretor científico
Arilson Favareto
Coordenadora de seminários
Bianca Tavolari
Coordenadora de cursos
Monise Fernandes Picanço
Coordenadores do Projeto – CEBRAP
Tomás Wissenbach – Atlas da Arquitetura e Urbanismo no Estado de São Paulo
Victor Callil – Profissionais de Arquitetura e Urbanismo no Estado de São Paulo |
Instituições de Ensino Superior com cursos de Arquitetura e Urbanismo
Pesquisadores – CEBRAP
Jonas Tomazi Bicev
Vitor Cesar Vanetti
Fernando de Mello Franco (consultor)
Textos Finais
Victor Callil
Tomás Wissenbach
Jonas Tomazi Bicev
Projeto gráfico, capa e diagramação
Fernando Junqueira
Mapas e imagens
Carolina Passos
Revisão e Preparação de Texto
Eduardo Marinho
O reconhecimento da Arquitetura e Urbanismo como uma formação autônoma, separada das formações em Belas Artes ou Engenharia, começou a ocorrer a partir da década de 1930. Primeiro, com as diversas ações que regulamentaram a profissão a partir de 1933, ações estas que alçaram a disciplina à condição de curso superior autônomo; depois, com a criação sistemática de cursos e faculdades especializadas, nas décadas de 1940 e 1950. Durante esse processo de institucionalização da Arquitetura e Urbanismo, os projetos curriculares foram discutidos e revistos, sobretudo nos momentos de mudanças na conjuntura política e nos contextos de expansão do sistema universitário brasileiro, com o objetivo de encontrar o melhor equilíbrio entre a formação acadêmica e a prática profissional, de caráter tecnocrático, bem como se ajustar às culturas locais e às necessidades de época (Laverde; Oliveira, 2020; Santos Júnior, 2013).
Para compreender como se chegou à atual configuração dos currículos e dos conteúdos programáticos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo cabe recuperar alguns momentos desse processo de regulamentação da profissão e de sua institucionalização acadêmica. O primeiro deles se deu entre 1956 e 1962, período de destaque da arquitetura brasileira no cenário nacional e internacional, expresso na construção de Brasília e na integração entre teoria e prática pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB). Naqueles anos, a realização de congressos e seminários organizados por entidades representativas, como o Instituto de Arquitetos do Brasil, de reuniões e debates entre profissionais de Arquitetura e Urbanismo, docentes e estudantes das principais faculdades do país culminaram na elaboração de um currículo mínimo no ano de 1962, que representou a “afirmação de um novo modelo de ensino, estruturado a partir do ateliê de projetos” (Santos Júnior, 2013, p. 64).
Esse período de efervescência e experimentações foi interrompido pelo Golpe Civil-Militar de 1964 e pelos atos ocorridos nos anos seguintes, que implantaram uma ditadura militar no Brasil. Nas universidades, esse período foi marcado pela perseguição e expulsão de estudantes e docentes críticos ao regime. No âmbito da política educacional, a Reforma Universitária de 19681 cristalizou a divisão das disciplinas de Arquitetura e Urbanismo em duas áreas, intituladas “matérias básicas” e “matérias profissionais”, uma divisão que pouco se ateve às exigências de infraestrutura técnica e laboratorial da área técnica-construtiva (Laverde; Oliveira, 2020, p. 11); a reforma favoreceu também o surgimento do ensino privado, sendo marcado pela expansão da oferta de vagas com um mínimo comprometimento de recursos estatais (Santos Júnior, 2013). O quadro reproduzido em Laverde e Oliveira (2020) mostra como a reforma desse período reorganizou e alterou as nomenclaturas das disciplinas, mas pouco avançou em relação aos parâmetros curriculares existentes:
1 A Reforma Universitária de 1968 de certo modo desconsiderava o que havia sido promulgado na Lei nº 5.194 de 1966, que regulamentou o exercício das profissões de Engenharia, Arquitetura e Engenharia Agrônoma; e que delimitou o papel institucional do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e dos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREAs).
Conteúdo mínimo dos cursos de Arquitetura e Urbanismo (1962)
Matérias
1. Cálculo
2. Física Aplicada
3. Resistência dos materiais e Estabilidade das construções
4. Desenho e Plástica
5. Geometria Descritiva
6. Materiais de Construção
7. Técnica de Construção
8. História da Arquitetura e da Arte
9. Teoria da Arquitetura
10. Estudos Sociais e Econômicos
11. Sistemas Estruturais
12. Legislação, Prática Profissional e Deontologia
13. Evolução Urbana
14. Composição, Arquitetura de Interior e Exteriores
15. Planejamento
Conteúdo mínimo dos cursos de Arquitetura e Urbanismo (1969)
Matérias básicas
1. Estética, História das Artes e, especialmente, História da Arquitetura
2. Matemática
3. Física
4. Estudos Sociais
5. Desenho e outros meios de expressão
6. Plástica
Matérias profissionais
1. Teoria da Arquitetura, Arquitetura Brasileira
2. Resistências dos materiais e Estabilidade das construções
3. Materiais de Construção, Detalhes e Técnicas de Construção
4. Sistemas Estruturais
5. Instalações e Equipamentos
6. Higiene da Habitação
7. Planejamento Arquitetônico
Nos anos 1970 e 1980 surgiram organizações e ações pontuais em defesa da qualidade e da reforma dos currículos dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, caso da Associação Brasileira de Escolas de Arquitetura (ABEA), em 1973, e da proposta de um novo currículo mínimo elaborada pela Comissão de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (CEAU), em 1981. Mas foi somente no início dos anos 1990, ou seja, já sob regime democrático, que foi implementado um diagnóstico e uma proposta de reforma mais abrangente das faculdades e cursos de Arquitetura e Urbanismo existentes no país. De acordo com Santos Júnior (2013), entre fevereiro de 1993 e
setembro de 1994 a CEAU, com o apoio da ABEA, estruturou um processo avaliativo baseado na realização de inventários dos cursos e análise de dados secundários de diversos órgãos governamentais e entidades de classe.
Após a realização de cinco seminários regionais (nas cidades de Natal, Cuiabá, Porto Alegre, Vitória e São Paulo) e um seminário nacional (ocorrido em Brasília), a proposta de um novo currículo foi elaborada e apresentada ao Ministério da Educação (MEC). Essa proposta serviu como base para a Portaria do MEC nº 1.770 de 21 de dezembro de 1994, que fixou as diretrizes curriculares e o conteúdo mínimo dos cursos de graduação de Arquitetura e Urbanismo, estabelecendo o prazo de dois anos para que faculdades, escolas e universidades buscassem os meios necessários para o integral cumprimento da normativa. De acordo com as novas diretrizes do MEC o currículo mínimo assumiu a seguinte configuração:
Quadro 2 I Currículo mínimo em Arquitetura e Urbanismo (1994)
Matérias básicas (conhecimentos fundamentais e integrativos de áreas correlatas)
Estética e História das Artes
Estudos Sociais e Ambientais
Matérias profissionais (conhecimentos vinculados que caracterizam as atribuições e responsabilidades profissionais)
História e Teoria da Arquitetura e Urbanismo
Técnicas Retrospectivas
Projeto de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo
Sistemas Estruturais
Tecnologia da Construção
Conforto Ambiental
Topografia
Informática aplicada à Arquitetura
Planejamento Urbano e Regional
Fonte: Adaptado de Santos Júnior, 2013, p. 83.
Fonte: Laverde; Oliveira (2020), p. 12.
A estrutura do curso foi dividida em três componentes: Matérias Básicas ou de Fundamentação, Matérias Profissionais e Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação (TCC). A carga horária mínima foi definida em 3.600 horas, distribuídas no período mínimo de cinco e máximo de nove anos. Essa configuração, com ênfases variadas nas dimensões teórica/acadêmica ou profissional/prática, a depender da cultura local e do montante de recursos materiais e humanos disponíveis nas instituições, constitui-se a base dos currículos de Arquitetura e Urbanismo vigente na atualidade.
Segundo as informações do Censo da Educação Superior de 2021, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP, 2021), o estado de São Paulo, com um total de 155 cursos presenciais de Arquitetura e Urbanismo e 30.065 matrículas, representava sozinho 23,5% dos cursos presenciais e 26,7% das matrículas de todo o Brasil (CAU/SP, Cebrap, 2023, p. 89).
Partindo da premissa de que as mudanças curriculares refletem a conjunção de movimentos culturais (a exemplo do estilo internacional [International Style], vertente do modernismo em arquitetura da década de 1930 que influenciou a arquitetura brasileira nas décadas seguintes), inovações tecnológicas do instrumental de trabalho e as disputas no campo educacional, a presente pesquisa, intitulada Instituições de Ensino Superior com cursos de Arquitetura e Urbanismo, tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre aspectos pertinentes à formação de profissionais de Arquitetura e Urbanismo. Para isso, contamos com a participação de 72 coordenadoras e coordenadores de cursos de Arquitetura e Urbanismo de diversas Instituições de Ensino Superior (IES) do estado de São Paulo, de forma a compreender melhor o perfil, as percepções e opiniões desses profissionais, e a contribuir com o debate sobre a renovação e atualização dos projetos curriculares universitários e qualidade do ensino ofertada aos corpo discente.
Além de informações sobre a formação e o perfil socioeconômico e profissional das(os) coordenadoras(es), a pesquisa traz dados sobre aspectos relevantes sobre a formação de profissionais de Arquitetura e Urbanismo e sobre estrutura e organiza-
ção dos cursos de Arquitetura e Urbanismo; sobre os desafios e dificuldades enfrentadas nos cursos e nas atividades de coordenação; além de questões relacionadas ao fomento à pesquisa, políticas de intercâmbio e sobre a atuação do CAU/SP na área do ensino e da formação em Arquitetura e Urbanismo.
Metodologia
O método de coleta de respostas foi por meio de um questionário, enviado de forma on-line para as coordenadoras e coordenadores dos cursos presenciais de Arquitetura e Urbanismo do estado de São Paulo. O trabalho de campo teve início no dia 11 de setembro de 2023 e terminou em 31 de outubro de 2023.
O instrumento foi composto por 35 perguntas, em sua maioria fechadas. Os temas abordados perpassavam pelo seguintes aspectos: (i) perfil da pessoa que exercia o cargo de coordenação do curso no momento da pesquisa; (ii) percepções e opiniões mais gerais sobre aspectos importantes para a área, tais como infraestrutura das IES, desafios, problemas e o papel do CAU/SP junto aos cursos de Arquitetura e Urbanismo; (iii) questões específicas sobre o curso em que a pessoa atuava no cargo de coordenação no momento da pesquisa; e (iv) perguntas que objetivavam conhecer com mais profundidade as particularidades do curso tal profissional coordenava.
Por se tratar de um universo reduzido, com apenas 153 casos,2 não seria possível estabelecer uma amostra a priori. O principal desafio da pesquisa foi tentar obter o maior número de respostas possível. Para isso, foi realizado um cronograma de envio e de cobrança das respostas, associado a um trabalho de follow-up, que consistiu na realizações de chamadas telefônicas para as coordenadoras e coordenadores
2 Vale lembrar que, embora a base do INEP conste 155 cursos, nas buscas realizadas para identificar coordenadoras e coordenadores verificamos que dois deles haviam sido encerrados, de forma que o universo real era composto por 153 cursos.
que não haviam respondido, de modo a reforçar a importância da participação na pesquisa. No período de realização da pesquisa foram realizados cinco reforços de preenchimento do questionário via e-mail e ligações para todos as coordenadoras e coordenadores identificados que não haviam respondido o questionário.
Em diversos momentos a equipe de pesquisa teve dificuldade para conseguir identificar a pessoa responsável pela coordenação dos cursos. Em algumas instituições, o atendimento telefônico da IES era realizado exclusivamente por autoatendimento eletrônico e as opções de discagem não ofereciam os telefones/ramais dos departamentos ou, nos casos em que a chamada era transferida, muitas vezes o telefone não era atendido. Em outros casos, os canais de comunicação simplesmente não existiam, o que dificultou ainda mais o trabalho da equipe na busca para identificar a equipe coordenadora dos cursos de Arquitetura e Urbanismo. Por fim, houve poucos casos no qual a instituição se recusou a passar o nome e o contato da pessoa responsável pelo curso, alegando que era uma informação sigilosa. Nesses casos não foi possível aplicar o questionário.
Dos 153 casos, obteve-se, ao final do processo de coleta, uma amostra composta por 72 respostas de coordenadoras e coordenadores de cursos de Arquitetura e Urbanismo em instituições de ensino superior distribuídas pelo estado de São Paulo.
ao nascer e a total ausência de pessoas trans e não binárias nos cargos de coordenação de curso. Houve apenas um caso de recusa em se autoidentificar.
Em termos raciais, 68 casos, ou seja, quase a totalidade da amostra, definiu-se como da cor/raça branca, sendo o restante distribuído entre um caso autoidentificado como pardo, um como amarelo (ambos do sexo masculino) e dois que preferiram não responder. Cabe destacar que todas as mulheres se autoidentificaram como brancas.
Gráfico 1 I Coordenadoras(es) dos cursos de Arquitetura e Urbanismo do estado de São Paulo por gênero e raça
I. Perfil das coordenadoras e dos coordenadores
Com o objetivo de contemplar a maior diversidade de gênero possível, a pesquisa ofereceu cinco categorias de autoidentificação: Homem Cisgênero, Homem Transgênero, Mulher Cisgênero, Mulher Transgênero e Pessoa Não binária – além da possibilidade de recusa da autoidentificação e da categoria aberta “outra”. A totalidade dos respondentes, contudo, se distribuiu entre Mulher Cisgênero (37 casos) e Homem Cisgênero (33 casos). Isso revela uma amostra equilibrada de coordenadoras(es) nas duas categorias de pessoas autoidentificadas com o gênero designado
Mulher cisgênero Homem cisgênero
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Em relação à idade, a maior parte dos respondentes se concentra na faixa etária de 40 a 49 anos, somando 23 casos. Nas faixas seguintes – 50 a 59 anos e 60 anos ou mais – a quantidade de respondentes é a mesma, cada uma com um total de 17 casos. Nota-se uma pequena redução apenas entre os respondentes na faixa etária de 28 a 39 anos, ou seja, relativamente mais jovens, em que a quantidade de casos cai para 13.
Ao se verificar a distribuição etária por gênero, chama a atenção que as mulheres estão mais concentradas na faixa etária entre 40 e 49 anos (15 casos), enquanto os homens se concentram na faixa etária de 60 anos ou mais (11 casos). Isso eleva a idade média dos homens coordenadores para 54 anos, o que representa sete anos a mais em relação à média de 47 anos, verificada entre as mulheres.
Gráfico 2 I Coordenadoras(es) dos cursos de Arquitetura e Urbanismo do estado de São Paulo por gênero e faixa etária
Quanto ao curso de graduação em que a coordenadora ou o coordenador de curso se formou, temos apenas um caso de respondente que não possui formação na área de Arquitetura e Urbanismo. Nesse caso, a pessoa é graduada em Engenharia Ambiental, não possui uma segunda graduação, nem realizou pós-graduação. Com dois casos sem respostas, as demais 69 coordenadoras(es) são graduadas(os) em Arquitetura e Urbanismo.
Em relação à formação complementar, a segunda graduação é uma realidade comum para apenas três casos: um coordenador e uma coordenadora com segunda graduação em Pedagogia e uma coordenadora com título de tecnóloga em Saneamento Ambiental. Além disso, temos um caso de coordenador que possui três formações no ensino superior pois, além da graduação em Arquitetura e Urbanismo, possui bacharelado em Design e é tecnólogo em Design Gráfico.
Tabela 1 I Coordenadoras(es) de curso pelo número de títulos de graduação e sexo
Tecnólogo em Saneamento Ambiental
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Cursos –Bacharelado em Design e Tecnólogo em Design Gráfico
Praticamente a totalidade das(os) coordenadoras(es) possuem pós-graduação stricto sensu. Temos apenas dois casos (uma pessoa graduada em Engenharia Ambiental e outro coordenador) em que profissional não realizou mestrado ou doutorado. A situação mais comum (23 casos) é a realização de mestrado e doutorado em Arquitetura e Urbanismo; em seguida temos casos em que as(os) coordenado-
ras(es) realizaram apenas o mestrado em Arquitetura e Urbanismo (19 casos) (Tabela 2). Na comparação entre os gêneros, destaca-se o maior percentual de mulheres que cursaram o mestrado em Arquitetura e Urbanismo, mas que não cursaram o doutorado (31% contra 25% dos homens); e o maior percentual de homens que cursaram o mestrado em Arquitetura e Urbanismo, mas fizeram o doutorado em outro curso (9% contra 3% das mulheres) (Gráfico 3).
Tabela 2 I Coordenadoras(es) de curso de Arquitetura e Urbanismo por tipo de pós-graduação concluída
Fez o mestrado em AU, mas não fez doutorado
Fez o mestrado em outro curso
Fez mestrado e doutorado em AU
Fez mestrado em AU, mas doutorado em outro curso
Fez mestrado em outro curso, mas doutorado em AU
Fez mestrado e doutorado em outro curso
Não fez mestrado e nem doutorado
Sem informação
Depois do curso de Arquitetura e Urbanismo, o principal curso de mestrado realizado é o de Engenharia Urbana (três casos), seguido de Engenharia Civil (dois casos) e Filosofia (dois casos). Os treze casos restantes distribuem-se em um espectro variado de cursos, que vão da Agronomia à Semiótica, todos eles com um caso cada. Em relação ao doutorado, todos os cursos diferentes de Arquitetura e Urbanismo (total de 12) receberam uma única menção; a exceção foi o curso de Políticas Públicas e Gestão Participativa, mencionado por duas(dois) coordenadoras(es).
Gráfico 3 I Coordenadoras(es) de curso de Arquitetura e Urbanismo por tipo de pós-graduação concluída e gênero (%)
Fez só o mestrado em outro curso
Fez mestrado e doutorado em AU
Fez mestrado em AU, mas doutorado em outro curso
Fez mestrado em outro curso, mas doutorado em AU
Fez mestrado e doutorado em outro curso
Não fez mestrado e nem doutorado
Quase a totalidade das(os) coordenadoras(es) respondentes têm registro ativo no CAU/SP, sendo que o total de mulheres participantes do conselho profissional (66 casos) foi superior ao total de homens (14 casos). A participação nas demais organizações se mostrou residual, sendo que apenas dois respondentes indicaram não fazer parte de qualquer uma das organizações e entidades listadas na questão.
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Tabela 3 I Você faz parte de alguma das organizações a seguir? (N, resposta múltipla)
II. Aspectos relevantes para a área de Arquitetura e Urbanismo
CAU/SP – Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo
ABEA – Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo
IAB – Instituto dos Arquitetos Brasileiros
Sindicato
Partido Político
Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos
Sindicato dos Professores
Não faço parte de nenhuma organização
Total de respostas
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Em resumo, observa-se que o número de coordenadoras(es) de curso de Arquitetura e Urbanismo participantes da pesquisa é bem equilibrado entre mulheres e homens cisgênero (37 e 33 casos, respectivamente). As mulheres tendem a ser mais jovens e se concentram na faixa etária de 40 a 49 anos, enquanto os homens concentram-se na faixa de 60 anos ou mais. Existem poucos casos de coordenadoras(es) com segunda ou terceira graduação. A principal formação é mestrado e doutorado em Arquitetura e Urbanismo; contudo, a quantidade de casos só com mestrado na mesma área da graduação (ou seja, Arquitetura e Urbanismo) também é significativa.
Quando indagados sobre quais aspectos consideram mais relevantes para a uma boa formação de profissionais de Arquitetura e Urbanismo, independentemente do curso em que os respondentes atuavam como coordenadores, os dois fatores mais mencionados foram as atividades práticas (como a produção em ateliê, experimentação em laboratórios etc.), mencionadas por 72% dos respondentes, seguidas da necessidade de a universidade possuir um corpo docente e técnico qualificado, mencionado por 71%. Na percepção das(os) coordenadoras(es), portanto, as atividades que representam desafios práticos, que exigem a interação entre estudantes e professores, além da valorização dos recursos humanos, constituem elementos que ainda fazem a diferença na qualidade da formação oferecida. Outras atividades práticas e de extensão curricular, como trabalho de campo e viagens de estudo receberam uma quantidade significativa de menções (49% dos respondentes).
Com 43% das menções, destaca-se também o incentivo à pesquisa em Arquitetura e Urbanismo como um dos elementos considerados mais relevantes para a formação de arquitetas e urbanistas e arquitetos e urbanistas (AUs). A exigência do Trabalho Final da Graduação (TFG), por sua vez, foi mencionada por 44% dos respondentes. O número significativo de menções a esses dois elementos aponta para um cenário de valorização da pesquisa e da investigação técnico-científica por parte das(os) coordenadoras(es). Cabe destacar que atividades mais próximas de uma iniciação ou uma atuação direta no mercado de trabalho, como a integração com empresas (empresas juniores, escritório modelo etc.) e programas de facilitação ou incentivo ao estágio, foram mencionadas em menor frequência, com 14% e 3% das(os) coordenadoras(es) indicando tais atividades.
Tabela 4 I Quais dos seguintes elementos você considera mais relevantes para a formação de AUs? Assinale os cinco (5) principais (resposta múltipla)
de trabalho, mencionadas por 57% dos respondentes. O segundo fator mais preocupante foi a insuficiência de incentivos às atividades de pesquisa, considerada um problema grave para pouco mais da metade das(os) coordenadoras(es).
Atividades práticas (produção em ateliê, experimentação em laboratórios etc.)
Corpo docente e técnico qualificado
Atividades externas (visitas a campo, viagens de estudo etc.)
Trabalho Final de Graduação (TFG)
Incentivo à pesquisa em Arquitetura e Urbanismo
Infraestrutura e recursos materiais adequados (sala para laboratórios, sala de projetos, esquadro, lápis técnico etc.)
Projetos de extensão e grupos de estudo
Estágio supervisionado/curricular
Interação/comunicação dos estudantes com docentes
Recursos materiais de informática/Tecnologias disponíveis
Programas de integração com empresas (Empresa Jr., escritório modelo etc.)
Programas de intercâmbio nacionais e internacionais
Programas de facilitação/incentivo ao estágio
Elaboração própria.
Ao serem questionados sobre os principais desafios e problemas enfrentados pelos cursos de Arquitetura e Urbanismo, em geral, para se alcançar uma formação de qualidade, novamente as questões relacionadas aos recursos humanos e às condições de trabalho se destacaram, sendo a ausência ou insuficiência de meios e condições adequadas ao desempenho dos professores, como o excesso de carga
A inadequação da infraestrutura e dos recursos materiais disponíveis, ou seja, outros dois fatores essenciais para o exercício pleno da atividade docente, foi indicada como um problema por 46% dos respondentes. Em seguida surge a inadequação ou obsolescência dos currículos, que foram considerados insuficientes para garantir a boa formação acadêmica e profissional por 42% das(os) coordenadoras(es).
Ausência ou insuficiência de oferta de meios e condições adequadas para o bom desempenho dos estudantes (como as políticas de permanência), insuficiência de atividades práticas e disparidade entre a formação e as atribuições profissionais. Estes são os três fatores que afetam mais diretamente a realidade do corpo estudantil e todos eles foram mencionados pela mesma quantidade de respondentes (35%). Apenas 10% mencionaram ausência de estágio ou inadequação do estágio supervisionado como um problema grave enfrentado pelos cursos de Arquitetura e Urbanismo. Somente 6% mencionaram a inexistência ou inadequação do Trabalho Final de Graduação como uma deficiência, o que pode indicar, de modo geral, uma satisfação com este quesito.
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU.
Tabela 5 I Quais dos seguintes itens você considera os principais desafios e problemas enfrentados atualmente nos cursos de Arquitetura e Urbanismo, em geral? Assinale os cinco (5) principais
Ausência ou insuficiência de oferta de meios e condições adequados ao desempenho dos professores (carga de trabalho)
Ausência ou insuficiência de incentivo à pesquisa em Arquitetura e Urbanismo
Inadequação da infraestrutura e dos recursos materiais disponíveis
Currículos inadequados/obsoletos
Ausência ou insuficiência de oferta de meios e condições adequados ao desempenho dos estudantes (políticas de permanência)
Ausência ou insuficiência de atividades práticas (produção em ateliê, experimentação em laboratórios etc.)
Disparidade entre a formação e as atribuições profissionais do profissional de Arquitetura e Urbanismo
Inadequação dos procedimentos didáticos inadequados/Metodologia de ensino
Ausência ou insuficiência de qualificação do corpo docente e técnico
Carga horária inadequada, com currículos excessivamente extensos
Ausência ou insuficiência de contato/interação entre docentes e discentes
Ausência ou inadequação de Estágio Supervisionado
Ausência ou inadequação de Trabalho Final de Graduação
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Em relação à própria atividade como coordenadora(or), os três principais desafios indicados foram as restrições orçamentárias (40%), a evasão e a retenção de estudantes (38%) e as condições inadequadas de trabalho (32). Questões como políticas de permanência estudantil, maiores investimentos em educação e melhores
condições de trabalho também surgiram como pontos importantes na garantia de um ensino superior de qualidade.
Em um segundo grupo estão os elementos associados à qualidade da formação profissional e ao controle da atividade, como os processos avaliativos externos (26%), a capacitação/formação de docentes (18%), e a ausência ou insuficiência de autonomia no exercício das funções de coordenação (15%).
A organização didático-pedagógica (composta por Proposta Pedagógica Curricular [PPC] e Planos de Ensino) não se apresentou de modo tão problemático, já que apenas 14% das(os) coordenadoras(es) a indicaram como um desafio para o exercício da atividade. Foram baixas também as menções sobre a relação estabelecida com o conselho profissional e com o Ministério da Educação, ambas com 10%. Os fatores que se mostraram menos preocupantes foram a relação das(os) coordenadoras(es) com a comunidade escolar, em que apenas 8% indicaram como desafiadora a relação estabelecida com os docentes, percentual próximo dos 7% que consideraram preocupantes a relação existente com os discentes e com a direção.
Tabela 6 I Quais dos seguintes elementos você considera os principais desafios como coordenadora(or) de curso de Arquitetura e Urbanismo? Selecione até três opções
relação ao ensino e formação de profissionais de Arquitetura e Urbanismo, solicitando a opinião das(os) coordenadoras(es) de curso sobre quais deveriam ser as prioridades de atuação da autarquia nesse campo.
Restrições orçamentárias
Evasão e retenção dos estudantes
Condições de trabalho inadequadas (sobrecarga de trabalho, carga horária excessiva etc.)
Processos avaliativos externos
Capacitação/formação dos docentes
Ausência ou insuficiência de autonomia no exercício das funções de coordenação
Organização didático-pedagógica (PPC, Planos de Ensino)
Relação com o conselho profissional correspondente
Relação com o Ministério da Educação (MEC)
Relação com os docentes
Processos de autoavaliação
Outro (especifique)
Relação com os discentes/Acompanhamento dos estudantes
Relação com outras instâncias da IES (Diretoria, Departamentos etc.)
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
O CAU/SP tem como uma de suas finalidades zelar pelo aperfeiçoamento da formação em Arquitetura e Urbanismo e tem como um de seus objetivos promover condições para o exercício, a fiscalização e o aperfeiçoamento das atividades profissionais em parceria com as IES que ofertam cursos de Arquitetura e Urbanismo. Nesse sentido, a pesquisa objetivou explorar, também, a atuação do CAU/SP em
As duas ações mais citadas foram: (i) atuar no debate sobre a qualidade do ensino de Arquitetura e Urbanismo, bem como de sua formação continuada; e (ii) aprimorar a entrada de recém-formados no mercado de trabalho, ambas com 28% dos respondentes. Com a vultosa expansão do número de vagas oferecidas em cursos de Arquitetura e Urbanismo nos últimos anos, em especial na modalidade de Educação a distância (EaD), aliada ao debate sobre a necessidade de novas Diretrizes Curriculares Nacionais, a discussão sobre a qualidade do ensino de Arquitetura e Urbanismo é atualmente um dos temas de maior relevância no campo. As oportunidades de trabalho à disposição de recém-formados, caracterizadas, em grande parte, pela restrição de direitos trabalhistas e desrespeito ao piso salarial profissional, também têm ganhado centralidade no debate da Arquitetura e Urbanismo no país.
Apurar irregularidades e atribuir responsabilidades relacionadas ao ensino e formação, seguida de promover ações de fomento, incentivo e premiação de boas práticas também receberam uma quantidade significativa de respostas, com 26% e 25% das preferências das(os) coordenadoras(es), respectivamente.
Atuar diretamente na formação, realizando ações como promover oficinas para profissionais com graduação, pós-graduação e recém-formados foi indicada por 24% das(os) coordenadoras(es). Percentual, esse, bem próximo da quantidade de respondentes que indicaram como ação prioritária influenciar as diretrizes do currículo e da formação continuada (22%).
Auxiliar no monitoramento da oferta de cursos e ampliar a relação com as IES do interior e do litoral do estado de São Paulo foram, cada uma, mencionadas por 21% das coordenadoras(es). As demais categorias receberam menos de 20% das menções. Cabe destacar que apenas dois casos apresentaram um tom mais crítico. Estes respondentes, que optaram pela categoria “outro”, entendem que isso extrapola as funções do CAU/SP, que, na visão deles, deveria se concentrar em “fiscalizar o exercício profissional” e “garantir os direitos de mercado do profissional formado”.
Observando as distribuições percentuais das respostas, nota-se que coordenadoras(es) de curso, em geral, entendem que a atuação do CAU/SP em relação ao ensino e formação deve estar presente em diferentes frentes, o que aponta para um amplo campo de possibilidades de atuação do Conselho na área.
Tabela 7 I Na sua opinião, quais devem ser as principais ações do CAU/ SP em relação à formação dos profissionais de Arquitetura e Urbanismo? Escolha até três opções
Participação em eventos/ações nas IES (seminários, formaturas, fóruns etc.)
Promover ações de fomento/incentivo/premiação às(aos) graduandas(os) e recém-formadas(os)
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Atuar no debate sobre a qualidade do ensino de Arquitetura e Urbanismo e sua formação continuada
Aprimorar a entrada de recém-formados no mercado de trabalho
Propor e deliberar sobre apuração de irregularidades e responsabilidades relacionadas aos aspectos de ensino e formação
Promover ações de fomento/incentivo/premiação às boas práticas dos cursos de Arquitetura e Urbanismo
Promover oficinas para estudantes da graduação, pós-graduação e recém-formados
Promover ações institucionais para influenciar as diretrizes do ensino de Arquitetura e Urbanismo e sua formação continuada
Auxiliar no monitoramento da oferta de cursos de graduação em Arquitetura e Urbanismo
Ampliar a relação com as IES localizadas nos municípios do interior e litoral do Estado
Promover oficinas/capacitação/encontros para docentes e técnicos
Criação de novos canais de comunicação com as Instituições de Educação Superior
Promover oficinas/encontros/capacitações para/com coordenadoras(es) de curso
III. Sobre o curso de Arquitetura e Urbanismo e suas áreas específicas
Nesta seção apresentamos as atividades, os elementos e os recursos que caracterizam os cursos de Arquitetura e Urbanismo coordenados pelos participantes da pesquisa.
A primeira informação que merece destaque se refere à carga horária das atividades que compõe a estrutura curricular dos cursos. Em média, as atividades do Estágio Supervisionado Obrigatório são as que possuem a maior carga horária, com 292 horas, seguida do Trabalho Final de Graduação (215h) e das Atividades Complementares (150h). A carga horária mais comum verificada no estágio (expressa pela moda) foi de 160h, superior, também, aos valores verificados no TFG e nas demais atividades complementares, de 120h e 100h, respectivamente.
Com o mínimo de 36h e máximo de 640h, o TFG foi a atividade que verificou o maior desvio padrão em relação à média (141,4); em seguida temos o estágio (133,4) e as atividades complementares (84,3). Cabe destacar que em alguns cursos as horas do TFG podem se distribuir em cargas desiguais no 9º e 10º semestre, sendo maior a dedicação no semestre final.
Tabela 8 I Estatística descritiva das horas dedicadas às atividades do currículo de Arquitetura
e
Urbanismo
Mínimo
Trabalho Final de Graduação (TFG)
Estágio Supervisionado Obrigatório
Atividades Complementares
CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Em 48 cursos, de um total de 72, as(os) coordenadoras(es) afirmaram existir uma política científica institucionalizada na graduação, incluindo programas de Iniciação Científica (IC) e/ou outros programas de pesquisa. Neste quesito, dos cinco cursos de universidades públicas que participaram da pesquisa, quatro afirmaram ter políticas de IC. No caso das universidades privadas, 44 delas possuem este tipo de política (de um total de 67).
No ano de 2022, a maior parte dos cursos (31 ou 43%) executaram de um a cinco projetos de IC; outros 13% executaram de 6 a 15 projetos e apenas 7% executaram mais do que 26 projetos. Quase um quarto das(os) coordenadoras(es) que responderam a pesquisa (18 casos) não souberam informar ou preferiram não responder essa questão.
Tão importante quanto a execução de atividades de pesquisas são as condições econômicas em que ela foi realizada e as relações estabelecidas com as políticas de permanência estudantil. No geral, segundo as informações das(os) coordenadoras(es), 28% dos cursos ofereceram a oportunidade de desenvolver projetos de iniciação científica, mas todos eles foram executados sem bolsas ou auxílios estudantis. Por outro lado, em 19% (ou 14 cursos), todos os projetos foram financiados com bolsas de auxílio à pesquisa.
Em 11% dos cursos as bolsas não alcançaram a totalidade, mas beneficiaram a maioria ou mais da metade dos estudantes, ao contrário do que ocorreu em 18% dos cursos, em que apenas uma minoria (menos da metade dos projetos) recebeu
algum auxílio. Chama a atenção que em quatro dos cinco cursos que executaram 26 ou mais projetos de IC no ano de 2022, mais de 50% foram beneficiados com bolsa. Ao contrário do que ocorreu com os cursos com até cinco projetos, em que o grupo mais significativo dos estudantes são aqueles que executam a pesquisa sem bolsa. Isso indica que as instituições com maior histórico de fomento e incentivo à pesquisa são aquelas que acabam atraindo a maior quantidade de bolsas e auxílios.
Tabela 9 I Tendo como referência o ano letivo de 2022, qual foi o número de projetos de Iniciação Científica em execução (somando os concluídos e os em desenvolvimento)?
Nenhum
De 1 a 5
De 6 a 15
De 16 a 25 26 ou mais
Não sabe/Não respondeu
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Tabela 10 I Tendo como referência a pergunta anterior, estes projetos de Iniciação Científica contaram com bolsa/auxílio à pesquisa?
Sim, em sua totalidade
Sim, em sua maioria (>50% dos Projetos)
Sim, em menor parte (<50% dos Projetos)
Não Não sei informar
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Fonte:
Gráfico 4 I Cursos de Arquitetura e Urbanismo pela faixa de projetos de Iniciação Científica executados em 2022 e a quantidade de bolsas disponíveis
Gráfico 5 I Com base na sua atuação/experiência como coordenadora(or), em quais principais setores/áreas estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo realizam estágio? Assinalar os dois principais.
% em relação ao total de coordenadoras(es)
Na própria IES em que cursam Arquitetura e Urbanismo
Terceiro Setor (OSC, ONGs, Associações, Cooperativas)
Nº de cursos de AU
Sim, em sua totalidade Sim, em sua maioria (>50% dos Projetos) Sim, em menor parte (< 50% dos Projetos)
Não Não sei informar
Sobre os setores ou áreas em que estudantes realizam seus estágios, 79% das(os) coordenadoras(es) indicaram o setor privado. Para 57% o setor público também é uma importante área de atuação dos estagiários. Outras áreas, como a realização de estágio nas próprias IES em que estudam, ou ainda no Terceiro Setor, foram pouco mencionadas (4% e 3%, respectivamente).
Em relação à mobilidade acadêmica, chama a atenção que 44 cursos não receberam alunos de intercâmbio nos últimos dois anos e quarenta cursos também não enviaram estudantes para estudar no exterior. Nos poucos casos em que a mobilidade acadêmica ocorreu, sete cursos receberam alunos de países do continente africano, e a mesma quantidade de cursos que recebeu alunos da América Latina (sete). Em cinco cursos houve também a chegada de intercambistas do continente europeu; em seguida existem três casos de cursos que receberam alunos da América Central e dois casos da Ásia. Não houve menções à presença de estudantes oriundos da América do Norte.
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Iniciativa Privada
Poder Público
Quanto ao destino das(os) intercambistas brasileiras(os), quinze cursos relataram o envio de estudantes para países europeus, sete para outros países da América Latina e dois para a América do Norte. Não houve casos de intercambistas enviados para a África ou Ásia e apenas um curso teve alunas(os) estudando nas universidades da América Central. Os dados de mobilidade, portanto, sugerem que cursos brasileiros de Arquitetura e Urbanismo atraem principalmente estudantes de outros países da América Latina e da África, enquanto o principal destino de intercambistas brasileiras(os) são os cursos das universidades europeias.
Gráfico 6 I Continente de origem e destino de intercambistas de Arquitetura e Urbanismo, nos últimos dois anos (N)
No que tange às informações sobre a estrutura dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, cabe destacar que no ano de 2022 as IES tinham em média 22 docentes atuantes na área. A maior parte dos cursos, cerca de 40%, tinham entre onze e vinte docentes. Em seguida, com 17%, apareciam os cursos que tinham até dez docentes, seguidos de outros 11% de cursos na faixa de 21 a trinta docentes. Os cursos de grande porte, com mais de quarenta docentes, e na faixa intermediária de 31 e quarenta docentes apresentavam percentuais mais baixos, representando 3% e 7% dos cursos, respectivamente.
De modo geral, docentes de Arquitetura e Urbanismo representam 68% dos docentes das IES pesquisadas. Mais de 50% dos cursos analisados possuem até vinte docentes no total. Vale notar que, em geral, a média dos docentes AUs representam mais da metade do total dos docentes do curso em todas as categorias.
Não recebeu/enviou alunos intercambistas
Tabela 11 I Tendo como referência o ano letivo de 2022, qual é o número total de docentes que atuaram no curso de Arquitetura e Urbanismo?
CAU/SP
Até 10 docentes
De 11 a 20
De 21 a 30
De 31 a 40
Acima de 40
Não sabe/ não respondeu
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Fonte:
e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
A oferta de carga horária na modalidade de Ensino a Distância (EaD) já é prevista por 42 Projetos Pedagógicos de Curso (PPC). Desse total, dezessete projetos oferecem 40% da carga horária na modalidade EaD e outros doze oferecem 20% da carga horária. Existem ainda dois casos de projetos mais amplos, em que é previsto até 70% da carga horária em EaD e outros dez casos de maior restrição, em que a modalidade será usada em até 19% da carga horária.
Tabela 12 I Qual a porcentagem de oferta de carga horária na modalidade EaD prevista no PPC?
10% ou menos
sabe/Não respondeu
Outro dado importante é que trinta coordenadoras(es) responderam que os cursos em que atuam oferecem disciplinas realizadas integralmente na modalidade EaD. Ainda que treze cursos só utilizem a modalidade EaD para as disciplinas de matérias auxiliares, com professores de outras áreas do conhecimento, doze cursos já as utilizam em pelo menos metade das disciplinas específicas de Arquitetura e Urbanismo; onze em mais de 50% das disciplinas específicas e em sua totalidade. Esse dado tende a reforçar a tendência de crescimento das modalidades de EaD, verificada nos cursos de Arquitetura e Urbanismo de todo o Brasil. Conforme os dados do Censo da Educação Superior (MEC-INEP), compilados no Atlas da Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo (CAU/SP; Cebrap, 2023, p. 69), entre 2016 e
2021 o número de cursos a distância de Arquitetura e Urbanismo cresce de um (1) para 44, o que significa um salto no número de matrículas EaD de residuais 34 para quase 6,5 mil matrículas.
Tabela 13 I As disciplinas ofertadas na modalidade de EaD têm conteúdo específico de Arquitetura e Urbanismo?
Sim, em sua totalidade
Sim, em sua maioria (>50% das disciplinas EaD)
Sim, em menor parte (<50% das disciplinas EaD)
Não (mas oferece em disciplinas de conteúdo de outras áreas do conhecimento)
O curso não oferece disciplinas em EaD
Não sabe/Não respondeu
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
Em relação à estrutura das áreas de atuação específicas de Arquitetura e Urbanismo no interior dos cursos, as áreas de Urbanismo e Desenho; Planejamento Regional e Urbano; Arquitetura das Edificações; Patrimônio Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico; Instalações Prediais; Sistemas Construtivos e Conforto Ambiental se destacam pela presença de docentes especialistas e disciplinas específicas.
Ao lado de Habitação de Interesse Social, essas áreas são também as que mais se destacam na presença de atividades práticas, com uma pequena redução no número de atividades nas áreas de Instalações Prediais e Sistemas Construtivos.
No que se refere aos projetos de Iniciação Científica, as áreas que mais se destacam são Patrimônio Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico; Urbanismo e Desenho; Conforto Ambiental e Planejamento Urbano. Futuros estudos podem indicar o quanto isso resulta do espaço e da força que essas áreas de atividade possuem no campo acadêmico. Em relação às atividades de extensão, contudo, além de Ur-
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Coordenadores de cursos de AU. Elaboração própria.
banismo e Desenho e de Patrimônio Arquitetônico, a maior quantidade de projetos ocorre nas áreas de Arquitetura de Edificações; Paisagismo; Acessibilidade e Meio Ambiente.
Por fim, as áreas que mais se destacam com a presença de conteúdos específicos, gestado em outras disciplinas, são Equidade e Diversidade; Acessibilidade; Mobilidade Urbana; Meio Ambiente e Building Information Modeling (BIM). Ou seja, disciplinas que envolvem ações e projetos mais coletivos, que estimulam uma convivência saudável no espaço público e, por isso, exigem uma maior sensibilidade política e social das arquitetas e urbanistas e dos arquitetos e urbanistas. Esses temas, de natureza transversal, foram introduzidos mais recentemente no campo da Arquitetura e Urbanismo e são temáticas que ainda não se constituíram como campo acadêmico próprio ou que se constituíram recentemente.
Tabela 14 I Em relação às temáticas/áreas de atuação abaixo, o curso que você coordenado apresenta quais dos seguintes elementos?
Número de cursos com:
Docentes especialistas Disciplinas específicas
Conteúdos específicos dentro de outras disciplinas
Arquitetura de Interiores
Conforto Ambiental
Arquitetura das Edificações
Paisagismo
Urbanismo e Desenho Urbano
Planejamento Regional
Planejamento Urbano
Meio Ambiente
Patrimônio arquitetônico, urbanístico e paisagístico
Habitação de Interesse Social (HIS)
Instalações Prediais
Sistemas Construtivos e Estruturais
Gestão de obra ou serviço técnico
Tecnologia da construção e controle de qualidade
Acessibilidade
BIM (Building Information Modeling)
Equidade e Diversidade Mobilidade Urbana
Fonte: CAU/SP e Cebrap, 2023. Survey – Profissionais de AU. Elaboração própria.
Referências bibliográficas
Laverde, A.; Oliveira, C. T. de A. As entidades nacionais na Política Educacional das Escolas de Arquitetura e Urbanismo no Brasil – Entendimentos sobre a área de tecnologia da construção. In: Revista História da Educação, v. 24, p. 1-32, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2236-3459/92558. Acesso em 8 dez. 2023.
Santos Júnior, W. R. dos. A ABEA e a conquista das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Arquitetura e Urbanismo em 1994: uma inflexão inovadora no ensino de Arquitetura e Urbanismo no Brasil (1985-1994/95). In: Gutierrez, E. J. B. (Org) A construção de um novo olhar sobre o ensino de Arquitetura e Urbanismo no Brasil: os 40 anos da ABEA. Associação Brasileira do Ensino de Arquitetura e Urbanismo, ABEA: Brasília, 2013. Disponível em: https://www.caubr.gov.br/wp-content/uploads/2017/02/A-Constru%C3%A7%C3%A3o-de-Um-Novo-Olhar-Sobre-o-Ensino-de-Arquitetura-e-Urbanismo-no-Brasil.pdf. Acesso em 8 dez 2023.
Cursos de graduação EaD no Brasil
A aplicação do questionário não foi realizada com coordenadoras(es) de curso de Arquitetura e Urbanismo na modalidade de Educação a Distância (EaD) por uma série de fatores. Em primeiro lugar, destaca-se que não foi possível obter, na quase totalidade dos casos, os contatos das(os) cordenadoras(es) de curso para envio da pesquisa, mesmo tendo sido realizadas buscas em diversos bancos de dados, como a Plataforma Lattes, e nos sites oficiais das IES. Também não foi possível o contato por telefone. Na quase totalidade dos casos, o atendimento telefônico era realizado exclusivamente por autoatendimento eletrônico. Outro motivo que se destaca é o fato de que apesar de ofertarem um maior número de vagas, os cursos EaD ainda se apresentam em menor número em comparação com os cursos presenciais; além disso, há casos em que um único profissional é responsável por coordenadar por mais de um curso, o que poderia comprometer a amostra desta pesquisa e, consequentemente, possíveis análises sobre os resultados.
Nesse sentido, nos casos específicos de cursos EaD, optamos pela realização de uma pesquisa do tipo documental, desenvolvida tendo como base os dados públicos constantes do e-MEC (https://emec.mec.gov.br/) e da Plataforma Lattes (https:// www.lattes.cnpq.br/). O e-MEC é a base de dados oficial dos cursos e das IES e apresenta informações como: nome da(o) coordenadora(or) de curso, número de vagas autorizadas anuais e carga horária total do curso. A Plataforma Lattes, por sua vez, criada e mantida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é a maior base de dados curriculares do país, mantendo informações sobre professores, coordenadores, pesquisadores e estudantes de IES.
Tendo em vista que, em virtude da estrutura da base da Educação Superior para os cursos a distância, não foi possível restringir a análise por Regiões Geográficas, Unidades da Federação e Municípios, optou-se por realizar a pesquisa com os cursos na modalidade EaD em Arquitetura e Urbanismo de todo o Brasil. A pesquisa de cursos foi realizada na base de dados e-MEC nos seguintes termos: cursos de
“Arquitetura e Urbanismo”; na modalidade “A distância”; em todo o Brasil; que estejam com a situação “em atividade”; e que já tenham iniciado as atividades, tendo como referência o mês de outubro de 2023.
Dessa busca, resultaram quarenta cursos que, em sua totalidade, são ofertados por IES privadas, sendo 29 com fins lucrativos e onze sem fins lucrativos:
Tabela 15 I Tipo de IES que oferecem cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo
Tipo de IES
Privada com fins lucrativos
Privada sem fins lucrativos Nº 29 11
Fonte: e-MEC, 2023.
Um primeiro dado que se destaca é o fato de que, em quatro situações, um mesmo profissional é responsável pela coordenação de mais de um curso de graduação na modalidade EaD, além do de Arquitetura e Urbanismo. Nesse sentido, em um dos casos, uma(a) coordenadora(or) é responsável por sete cursos de graduação; outro(a) coordenadora(or) é responsável por três cursos e duas(dois) coordenadoras(es) são responsáveis por dois cursos, cada.
Tabela 16 I Número de cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo por coordenador(a)
Nº de cursos que coordena
7 cursos
3 cursos
2 cursos
1 curso Nº de coordenadores
Fonte: e-MEC, 2023.
1 1 2 26
Também chama a atenção na pesquisa o alto número de vagas autorizadas dos cursos de Arquitetura e Urbanismo na modalidade EaD. Dos quarenta cursos identificados, quinze (ou 37,5%) têm entre 1.000 e 8.850 vagas autorizadas; doze (30%) têm entre 200 e 500 vagas; sete (17,5%) têm entre 40 e 120 vagas e seis (15%) têm entre 560 e 825 vagas autorizadas.
Tabela 17 I Número de cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo pela faixa de vagas autorizadas
Vagas autorizadas (por Faixas)
40
É importante notar que o aumento do número de vagas de cursos ofertados por IES com autonomia independem de ato prévio do MEC. Nos casos das universidades e dos centros universitários, desde que dentro dos limites da autonomia, o funcionamento de curso superior e o aumento de vagas em cursos já existentes independem de autorização, conforme previsto no artigo 40 do Decreto nº 9.235/2017 e no artigo 45 da Portaria Normativa nº 23/2017.
Em relação à carga horária dos cursos, observa-se que dezessete cursos, ou seja, 42% do total, apresenta a carga horária mínima obrigatória, de 3.600h. Outros quatro cursos apresentam carga horária bem próxima ao mínimo, com 3.620h (três cursos) e 3.660h (um curso). Os demais cursos apresentam carga horária diversa, variando entre 3.720h até 5.100h. É de se destacar que apenas uma pequena parte dos cursos (sete cursos) apresenta carga horária igual ou superior a 4.000h.
Tabela 18 I Faixa de carga horária total dos cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo
Carga horária total
3.600 a 3.620 horas
3.6021 a 3.800
3.801 a 4000 horas Mais de 4.000 horas
A formação das(os) coordenadoras(es) também foi objeto da presente pesquisa e os dados foram coletados diretamente da Plataforma Lattes, na seção referente à “Formação acadêmica/titulação”. Foram pesquisados dados sobre a graduação (ou graduações), mestrado e doutorado. Em dois casos não foi encontrado o perfil do coordenador na Plataforma Lattes e, portanto, foram excluídos da presente análise.
Das(os) 28 coordenadoras(es) de curso com perfil na Plataforma Lattes, 21 (75%) se graduaram em Arquitetura e Urbanismo. Os demais casos variam entre graduadas(os) na área das Engenharias, Administração de Empresas, Ciências da Computação e Ciências Econômicas.
Tabela 19 I Faixa de carga horária total dos cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo
Graduação 1
Arquitetura e Urbanismo
Engenharia Civil
Engenharia Elétrica
Engenharia Florestal
Administração de empresas
Ciência da Computação
Fonte: e-MEC, 2023.
Apenas sete coordenadoras(es) apresentavam uma segunda graduação, sendo um caso em cada curso, conforme tabela a seguir:
Tabela 20 I Segunda graduação das coordenadoras(es) dos cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo
Graduação 2
Ciências Sociais
Desenho e Plástica
Engenharia Civil
Moda
Pedagogia
Tecnologia em Design Gráfico
Ciências Econômicas
Fonte: e-MEC, 2023.
de Coordenadoras(es)
Cabe destacar que dos sete casos encontrados, três não eram graduados em Arquitetura e Urbanismo. Assim, em um dos casos a(o) coordenadora(or) havia realizado duas graduações, em Engenharia Civil e Ciências Sociais; no segundo caso, em Engenharia Civil e Ciências Econômicas; e no terceiro em Ciência da Computação e Pedagogia.
Em relação ao Mestrado, é possível observar uma maior variedade de cursos. Em menos da metade dos casos (43%), as(os) coordenadoras(es) se titularam como mestre em Arquitetura e Urbanismo. Nos demais casos, duas(dois) coordenadoras(es) se titularam em Engenharia Civil; duas(dois) em Engenharia de Produção; duas(dois) em Educação e o restante, representado por um(uma) coordenadora(or) cada, titulou-se em Urbanismo; Administração; Comunicação e Linguagens; Design; Engenharia Florestal; Engenharia Urbana ou Geografia. Ainda há os casos de duas(dois) coordenadoras(es) que não têm mestrado e outro caso que apresenta a indicação de mestrado em andamento.
Tabela 21 I Área do mestrado das coordenadoras(es) dos cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo
Mestrado
Arquitetura e Urbanismo
Engenharia Civil
Engenharia de Produção
Educação
Urbanismo
Administração
Comunicação e Linguagens
Design
Engenharia Florestal
Engenharia Urbana
Geografia
Mestrado em andamento
Não tem
Fonte: e-MEC, 2023.
Em relação à formação em nível de doutorado, chama a atenção o fato de que apenas quatro coordenadoras(es) possuem o título, sendo que em nenhum caso a titulação ocorreu na área de Arquitetura e Urbanismo. Em sua maioria, com dezessete casos (61%), as(os) coordenadoras(es) não apresentam o título de doutorado.
Em outros seis casos aparece a indicação de doutorado em andamento.
Tabela 22 I Área do doutorado das coordenadoras(es) dos cursos EaD de Arquitetura e Urbanismo
Doutorado
Engenharia de Produção
Engenharia Florestal
Administração
Doutorado em andamento
Não tem
Fonte: e-MEC, 2023.
Foi realizada ainda uma pesquisa em todos os sites institucionais das IES que oferecem cursos de Arquitetura e Urbanismo na modalidade EaD. O objetivo inicial foi o de encontrar a Matriz Curricular dos cursos e identificar os dados referentes à carga horária de Estágio Supervisionado Obrigatório, Trabalho Final de Graduação e Atividades Complementares. Objetivou-se também localizar o Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e identificar a porcentagem de oferta de carga horária na modalidade de EaD. No entanto, percebeu-se durante a pesquisa que uma parcela significativa dos cursos não apresentava a Matriz Curricular com carga horária e o PPC acessíveis. Além disso, notou-se que as IES faziam uso de diferentes nomenclaturas para identificar a oferta do Curso na modalidade EaD. Por compreendermos que essas informações são relevantes para colaborar no debate sobre a formação do Arquiteto e Urbanista, elaboramos os quadros apresentados a seguir.
Os cursos são oferecidos com diferentes nomenclaturas, sendo a mais comum o “EaD”, com treze cursos. Em sete cursos também era possível encontrar duas opções de graduação oferecidas na modalidade a distância: o “EaD com aulas ao vivo” e o “EaD semipresencial”. Em outros seis cursos encontrou-se a nomenclatura “semipresencial” e em quatro cursos a nomenclatura “híbrido”. Também foram identificados os nomes “EaD Digital”, “Live 30/70”; “Semipresencial tradicional/ Semipresencial Live” e “EaD Flex”. Em quatro casos, não foi possível encontrar a oferta do curso no site oficial da IES.
Tabela 23 I Nome atribuído à modalidade do curso EaD de Arquitetura e Urbanismo
Nome do curso oferecido no site
EaD
EaD com aulas ao vivo/EaD Semipresencial
Semipresencial
Híbrido
EaD Digital
Live 30/70
Semipresencial tradicional/ Semipresencial Live
EaD Flex
O curso não é oferecido no site
Fonte: e-MEC, 2023.
Em relação à identificação da Matriz Curricular com carga horária e do PPC, a quase totalidade dos sites institucionais não apresentava o PPC acessível e um número significativo (37,5%) não apresenta a Matriz Curricular com carga horária de forma acessível. Os dados foram buscados nas páginas que tratam do curso de “Arquitetura e Urbanismo” nos sites oficiais das IES.
Tabela 24 I Disponibilidade da Matriz Curricular e do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) dos cursos EaD
Documento PPC
Matriz Sim 1 21
Fonte: e-MEC, 2023. Não 1 21
Por compreendermos que o acesso a esses documentos é fundamental para estudantes em potencial encontrem informações sobre o perfil, as características e a organização dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, a ausência desses dados ou a incapacidade de apresentá-los de forma acessível é um ponto que merece maior atenção nas futuras pesquisas e pela comunidade acadêmica.
