Skip to main content

4x4x4 Mockup de Habitação | Maria Isabel Imbronito

Page 1


4x4x4

mockup de habitação

Maria Isabel Imbronito

mockup de habitação

4x4x4
Maria Isabel Imbronito São Paulo, 2019

A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA PEDAGÓGICA

Não é possível superestimar a importância dos temas do ensino e formação para o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo – CAU/SP.

Nosso foco principal, definido pela lei federal 12.378/10, é a fiscalização do exercício profissional, mas também pugnar pelo aperfeiçoamento da Arquitetura e Urbanismo.

A mesma lei define a obrigação dos CAU/UFs em instituir uma Comissão Permanente de Ensino e Formação. Essa comissão coordena nosso relacionamento com a centena de instituições de ensino no Estado e atua em paralelo às entidades que lutam pelo aprimoramento da formação dos futuros colegas arquitetos e urbanistas.

Foi com muita satisfação, portanto, que o CAU/SP apoiou a proposta oferecida pelo Instituto Ânima.

A documentação deste projeto pedagógico, que envolveu a construção de mockups de projetos de habitação escolhidos pelos alunos, é uma contribuição importante para o avanço das práticas de ensino, com ênfase na atividade laboratorial.

Para nós, do Conselho, é uma grata iniciativa. Entendemos que a vivência de laboratório ainda é uma prática imprescindível para a formação adequada dos arquitetos e urbanistas.

Estes profissionais vão construir as cidades do futuro.A experiência do canteiro de obras, amparada pelo adequado contexto pedagógico, será a chave para elevarmos o padrão de excelência de nossas instituições de ensino.

O direito à cidade e o direito à habitação somente podem ser garantidos com profissionais qualificados e comprometidos com a segurança e a qualidade do projeto construtivo.

Apoiando esta iniciativa, o CAU/SP acredita oferecer sua contribuição, em parceria com o Instituto Ânima e a Universidade São Judas Tadeu, para aprimorar o ensino e formação dos arquitetos e urbanistas.

José Roberto Geraldine Junior · Presidente do CAU/SP

INOVAÇÃO, PESQUISA E CULTURA

Criado em 2005 para dar suporte às pesquisas e às atividades culturais e de extensão do Centro Universitário Una, em Belo Horizonte/MG, o Instituto Una de Responsabilidade Social somou-se ao histórico social de pesquisa, tecnologia e inovação da Sociesc–Sociedade Educacional de Santa Catarina –, com atuação desde 1959, e passou a se chamar Instituto Ânima Sociesc de Inovação, Pesquisa e Cultura, com o objetivo de expandir suas atividades e atuar em projetos nacionais e internacionais. O Instituto tem por finalidade o fomento, o estímulo e o desenvolvimento de atividades ligadas à cultura, às artes, ao turismo, ao desenvolvimento social e sustentável, à ciência e à educação do nível básico ao superior. Além disso, é seu papel promover e executar atividades e pesquisas de caráter científico e tecnológico, inclusive em parcerias com instituições públicas ou privadas e órgãos de fomento. Mantendo como Missão ampliar e integrar o conhecimento junto a sociedade, por meio do estímulo e da promoção de projetos sociais, ambientais e de pesquisa científica e tecnológica, vem promovendo dessa forma o desenvolvimento tecnológico e social do país. Possui o maior espaço de aprendizagem da América Latina, um laboratório com 700m² e 75% dos seus professores possuem titulação em mestrado ou doutorado. Com 100% dos seus cursos avaliados com notas 4 ou 5 no Conceito de Curso (CC) do MEC, o Instituto Ânima já conquistou importantes prêmios e distinções em âmbito nacional, numa clara demonstração de sua capacidade realizadora, tais como: 1º lugar no Prêmio de Inovação do FINEP – Região Sul do país –Categoria ICT; 1º Lugar do Prêmio Stemmer de Inovação 2012 e 2º Lugar no Prêmio Valor Inovação Brasil 2017.

A parceria estabelecida entre o Instituto Ânima Sociesc de Inovação, Pesquisa e Cultura e o CAU/SP, através do Edital 001/2018 – Termo de Fomento 009/2018 para apoio à publicação, permite divulgar neste volume a pesquisa acadêmica sobre um procedimento de ensino realizado na Universidade São Judas Tadeu, na disciplina Introdução ao Projeto de Arquitetura e Urbanismo. Pretende-se com a iniciativa contribuir para o debate sobre o ensino em projeto de arquitetura, conferindo visibilidade a práticas que estimulam o campo da investigação e da experimentação, o que vem de encontro aos valores defendidos em nossas ações de ensino e pesquisa.

Instituto Ânima Sociesc de Inovação, Pesquisa e Cultura

MOCKUP: UMA PRÁTICA CONTINUADA DE ENSINO DE PROJETO DE ARQUITETURA

Cada vez se ampliam as atribuições do arquiteto e urbanista, sendo necessário constantemente reavaliar o papel do projeto e a contribuição que este pode dar à sociedade. Ancorados num campo em interface com outros, e imersos num momento de dissolução dos limites disciplinares, percebemos que não há um modo único de se abordar o ensino em arquitetura. Assim, o exercício apresentado neste volume complementa-se com as demais peças que comporão a formação do arquiteto. Cabe à Universidade zelar pela a amplitude dessa formação e atualizá-la ao mundo contemporâneo.

Nessa dinâmica abrangente, o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu também valoriza aspectos inerentes ao campo disciplinar, e o exercício de projeto objeto deste livro é um bom exemplo. Os mockups de habitação, projetados e construídos por estudantes no primeiro ano do curso,refletem preocupações constitutivas do projeto de arquitetura, como o uso do espaço, a tectônica, as possibilidades da forma e a escala humana. Mas, para além disso, o exercício torna-se verdadeiro laboratório de construção e experimentação de ideias, acrescentando ao mero estudo preliminar – comumente, a fase final dos exercícios aplicados aos estudantes –, o detalhamento do projeto, a organização do trabalho, a execução da obra e a percepção do espaço edificado. Condensar essas etapas proporciona um salto no entendimento do projeto, não apenas do ponto de vista técnico e espacial, mas enquanto instrumento transformador do habitat, e aproxima o estudante de um processo ágil e objetivo do fazer arquitetônico,necessário para ampliar a presença do arquiteto no espaço construído das nossas cidades. Se o exercício consegue assim se desdobrar no estudante, também esta publicação poderá alcançar o leitor, animando-o ao diálogo sobre a relação entre o ensino nas escolas e a realização do projeto, a ser colocada como uma possibilidade para complementar a etapa formativa.

O livro abre, assim, perspectivas válidas de discussão de aspectos metodológicos e instrumentais próprios do ensino da atividade de projeto, em suas diferentes etapas de desenvolvimento, sem perder de vista que a arquitetura, embora vinculada a uma indispensável base conceitual, é essencialmente uma prática.

o exercício da casa 10 as origens dos mockups 16 laboratório da casa mínima 22 panorama: etapas do exercício 29 mockups construídos – 2012 a 2015 32

painel: montagem 96

painel: mockups finalizados 100

painel: uso do espaço 104 autores dos projetos 108 a casa em movimento 112

1. oexercíciodacasa

Início dos trabalhos no galpão, 2015.

Mockups de habitações mínimas foram construídos por estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu entre 1991 e 2015, totalizando um conjunto de projetos e obras ainda não documentado, mas certamente definidor na formação de cada arquiteto egresso da escola.

A construção desses mockups compunha a etapa final de um exercício de projeto dado no primeiro ano do curso, na disciplina Introdução ao Projeto de Arquitetura e Urbanismo. O exercício completo tinha início com a elaboração individual de um projeto de habitação contido no espaço de um cubo com 4m de lado. Após a conclusão dessa etapa, dava-se a escolha de alguns projetos a serem detalhados para posterior execução na escala 1:1, utilizando-se como material sarrafo de madeira e papelão.

As várias etapas do exercício – desde a concepção espacial, passando pela discussão sobre o panorama de soluções encontradas, o detalhamento executivo dos projetos escolhidos, a organização e construção de uma obra com certo grau de complexidade e a percepção do espaço em suas reais dimensões – constituíam um conjunto interligado de ações para capacitar o estudante a atribuições diversas no campo da arquitetura.

Esta publicação, dedicada ao exercício, tem como ponto central apresentá-lo em seu formato recente, conforme recorte temporal estipulado convenientemente em função do contato possível com os alunos ainda presentes ou recém saídos da escola. Deste modo, além de expor as prerrogativas e condutas do exercício, foi possível reunir o panorama da produção discente edificada entre 2012 e 2015.

Apesar da manutenção de diversas características, o exercício nem sempre foi conduzido de modo idêntico, tendo se modificado ao longo do tempo seja por iniciativa docente, seja por refletir questões pertinentes a cada momento

de aplicação. A memória do exercício é resgatada no texto da Eneida de Almeida, As origens dos mockups, a partir de entrevistas realizadas com os professores idealizadores do exercício– Luiz Augusto Contier, Antonio Gil da Silva Andrade, Kátia Azevedo Teixeira e Shieh Shueh Yau.

Apresentadas as origens do exercício e sua transformação no tempo,retoma-se a descrição do formato aplicado no período entre 2012 e 2015, no texto por mim redigido, Laboratório da casa mínima, no qual os principais aspectos do exercício são resgatados: a sobreposição de atividades no espaço; o chão que se desdobra; cheio e vazio, volume e abertura; a modulação da superfície e a estrutura dos painéis; o tensionamento da estrutura; a presença do corpo no espaço.

Ressalta-se a condição de excepcionalidade da questão trazida aos estudantes. O espaço reduzido e as condicionantes definidas no enunciado do exercício inviabilizam quaisquer soluções convencionais para o enfrentamento do problema da habitação. Propõe-se, em seu lugar, uma investigação pautada nas relações entre corpo, espaço e uso, aliada às possibilidades do sistema construtivo utilizado, estabelecendo uma estreita relação entre o vazio, o invólucro, a tectônica e o corpo.

O exercício propicia que o aluno ingressante desenvolva um projeto até a etapa de construção e estabeleça uma investigação que considere o aspecto material da arquitetura, percebendo sua importância constitutiva e organizativa. O processo é também revelador do papel dos meios de representação em arquitetura, na atribuição de imaginar a realidade do espaço e do elemento construído enquanto se manipulam desenhos e maquetes e, no sentido oposto, ao permitir vivenciar o espaço construído que foi, outrora, espaço projetado.

Em seguida, uma significativa parte dessa publicação expõe os 62 mockups executados entre 2012 e 2015, recorte

Partes penduradas dos mockups, equipe Letícia Melo, 2015.

possível de ser levantado não sem certa dificuldade, uma vez que os modelos 1:1 foram todos descartados logo após sua finalização e, em muitos casos, ficaram poucos e esparsos registros de sua produção e breve existência.

Fazer ver esse conjunto edificado é um importante passo para contribuir para uma reflexão acerca do ensino em projeto de arquitetura. O registro dos projetos construídos entre 2012 e 2015 permite uma leitura espacial e construtiva abrangente, e vem confirmar a relevância dessa coletânea de propostas, devido à qualidade dos resultados atingidos e por seu caráter experimental.

Os 62 mockups construídos nesse período tiveram material recolhido entre alunos e professores e foram redesenhados para garantir uma padronização gráfica, devido às diferenças de qualidade e formato do material recuperado. Optou-se, na seção de projetos, pela representação dos mesmos através de perspectivas isométricas, rotacionando-se o objeto para contemplá-lo sob diferentes ângulos e removendo-se as paredes externas para melhor visualização interna. A representação não convencional é justificada por facilitar o entendimento dos projetos. Introduzindo a seção de desenhos, há uma página-guia para auxiliar na leitura, informando sobre a escala e a disposição dos desenhos.

Cada projeto recebeu uma identificação por ano, turma e número. Uma listagem, ao final dos desenhos, contém o nome do autor de cada projeto e dos professores responsáveis pela turma. Cada mockup mostrado neste livro teve um autor inicial, mas foi detalhado e construído por equipes de 20 a 30 alunos, totalizando cerca de 2000 estudantes envolvidos diretamente na construção desses modelos entre 2012 e 2015.

O trabalho de pesquisa e redesenho dos projetos foi feito pela estudante de graduação Daniele Heinrich Calega-

Corte dos montantes de madeira, 2015.

ri, através do Programa Voluntário de Iniciação Científica (PVIC) do Centro de Pesquisa da Universidade São Judas Tadeu, em pesquisa intitulada Mockups de habitação 4X4X4m executados entre 2012 e 2015: levantamento de projetos e obras, finalizada em 2017 sob minha orientação.

Com os projetos redesenhados, reservou-se o uso de eventuais fotos, sejam do processo de trabalho, sejam dos modelos finalizados, para as demais partes da publicação. Os registros fotográficos foram feitos sem a perspectiva da existência deste livro, e a maioria das fotos mostra a situação cotidiana do galpão onde eram feitos os modelos. Tomou-se o cuidado de acrescentar um panorama ilustrado com as etapas do exercício de modo a fornecer um rápido entendimento do processo de trabalho, e três painéis de fotos reunidas pelo tipo de atividade: montagem, mockups finalizados e uso do espaço.

Em 2016, entrou em vigor um novo formato do exercício, apresentado no texto A casa em movimento, também de minha autoria.O relato desse exercício foi acrescido ao final do livro, pois considera-se que a junção de ambos propicia um interessante contraponto de questões e soluções, uma vez que são muito diferentes em sua proposta, mas dialogam entre si ao ensaiar o espaço experimental da casa mínima. O mérito da formulação do segundo exercício coube aos professores Apoena Amaral, Juliana Braga, João Paulo Meirelles de Faria, Gislaine Moura do Nascimento, Guilherme Petrella, Carlos Ferrata, Luciana Brasil, Adriana Belleza, Sérgio Salles, Vanessa Guilhon, Anníbal Montaldi e Maria Isabel Imbronito. O texto vem acompanhado por registros fotográficos realizados junto a uma das turmas em que foi aplicado. O novo formato do exercício perdurou até 2017, e o mesmo continuou a se alterar em 2018 por razões diversas, o que justifica ainda mais sua inclusão neste volume.

Cabe dizer que o livro é parte de uma pesquisa desenvolvida no âmbito da Pós-Graduação da Universidade São

Mockups em processo de construção no galpão, equipe Daniel Trovão, 2013.

Judas Tadeu sobre esse tema, que gerou publicações que enfatizaram os aspectos pedagógico e construtivo do exercício. Nessas ocasiões, já se havia detectado a necessidade de identificar as origens do exercício e de reunir um material gráfico sobre o conjunto de mockups construídos, de modo a complementar os estudos em andamento, propiciando elementos para estabelecer uma reflexão mais ampla quanto ao tipo de espaço proposto e ensaiado para a casa mínima.

A pesquisa debruça-se sobre um material produzido coletivamente. Este volume não seria possível sem o empenho de estudantes, professores e funcionários do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidades São Judas Tadeu ao longo de muitos anos, cuja memória pretende-se preservar e valorizar através desta pesquisa. São notáveis os avanços da proposta em constante aprimoramento pedagógico e arquitetônico, bem como as vantagens do contato direto com a oficina para testar soluções espaciais e construtivas.

Cumprem também importante papel a coordenação do Curso de Arquitetura e Urbanismo, que sempre estimulou as empreitadas e providenciou os meios para realizá-las, e o Instituto Ânima Sociesc de Inovação, Pesquisa e Cultura, por propiciar o ambiente favorável à pesquisa acadêmica que resultou nesta compilação.

Por fim, cabe ressaltar o fundamental e estimado apoio dado pelo CAU/SP através do Edital de Chamamento Público No. 001/2018, Termo de Fomento No. 009/2018, que viabilizou a produção, impressão e distribuição deste livro.

Mockup finalizado, equipe Matheus Lima, 2015

2. asorigens dosmockups

Mockups de habitação 4X4X4m construídos na praça de acesso à Universidade, publicados na Revista da São

Recuperar a memória da aplicação do exercício de projeto de habitação mínima cuja última etapa corresponde à construção dos modelos em escala 1:1, os mockups, pareceu-nos relevante pelo interesse não só do registro da participação dos professores que tomaram parte dessas práticas didáticas, como também das alterações a que estiveram submetidas, uma vez que se mostraram tão duradouras quanto frutíferas, tendo se reapresentado ininterruptamente no ensino da disciplina de Projeto de Arquitetura, ministrada no primeiro ano, desde o segundo ano de funcionamento do Curso de Arquitetura e Urbanismo da USJT, em 1991, até o ano de 2017, subsistindo a várias reformulações da grade curricular anual.

Perseguindo esse propósito, este escrito baseou-se em conversas informais realizadas com alguns dos professores que participaram dessas atividades, procurando reportar as principais variações realizadas naquela fase de concepção do Curso, determinadas tanto por discussões pedagógicas desencadeadas no interior das equipes de professores, quanto por questões operacionais que se apresentaram durante o longo percurso de experimentação, tais como: o número de alunos ingressantes, a quantidade de turmas que se revezavam no espaço de trabalho, e as próprias condições de funcionamento dos laboratórios disponíveis para a montagem dos modelos.

Os principais objetivos de investigação que nortearam a criação do exercício, indicados pelos professores responsáveis pela disciplina, Antonio Gil da Silva Andrade, Kátia Azevedo Teixeira, Luiz Augusto Contier e Shieh Shueh Yau, eram, em linhas gerais: i) a relação entre a escala humana e o espaço projetado para uma habitação; ii) os atributos de qualidade do espaço ligados aos usos e aos hábitos culturais; iii) os padrões tradicionalmente aceitos em comparação a novos modos de vida; iv) as novas formas de morar como soluções alternativas às próprias moradias, considerando o conhecimento trazido pelo aluno, tendo por refe-

Judas, 1993.

rência inicial da aprendizagem a sua experiência pregressa. A Profa. Kátia Azevedo Teixeira ressalta que o exercício desempenhava um papel fundamental na formação inicial do estudante, pois permitia superar uma visão reducionista sobre as possibilidades e recursos de projeto para a articulação espacial.

No segundo semestre de 1990, a atenção esteve dirigida à chamada habitação mínima, após as atividades do semestre anterior terem se pautado em exercícios para a aquisição de habilidades iniciais ligadas à representação bi e tridimensional do espaço, em diferentes escalas, e à introdução das questões relacionadas à compatibilidade entre programa e partido arquitetônico. Naquele ano, porém, os resultados dos projetos foram avaliados por meio da entrega de desenhos e maquetes na escala 1:20.

Conforme assinalou o Prof. Antonio Gil Andrade, a proposta do projeto da habitação de dimensões mínimas deveria ponderar o tempo de permanência nos ambientes dedicados aos diferentes usos: estudar, descansar, comer, dormir, avaliando a possibilidade de simultaneidade de usos e prescindindo da compartimentação do espaço interno. Para o bom êxito da solução, as equipes deveriam considerar ainda a importância das aberturas, suas dimensões e posicionamento em relação à configuração do interior, a incidência da luz natural e a possibilidade de alterar a percepção das dimensões. Recorria-se à metáfora da ilha e à dimensão ampliada do horizonte.

A experimentação propiciada pelos mockups iniciou-se somente no segundo ano de curso, em 1991. Participaram da concepção desse exercício os professores Antonio Gil Andrade e Shieh Shueh Yau, que optaram por construir o modelo em escala 1:1, complementando a entrega dos trabalhos, que contava com desenhos e maquetes em escala 1:20 desde o ano anterior. A intenção era desmistificar a convicção de parte dos alunos de que a qualidade do espaço estava

diretamente relacionada com a dimensão, e, consequentemente, demovê-los da ideia errônea de que uma habitação de espaço mínimo não ofereceria boas condições de habitabilidade. Estando o próprio aluno dentro do espaço, pretendia-se favorecer sua percepção de que havia alcançado a otimização do aproveitamento da área interna e a adequada disposição das funções, à medida que testava a viabilidade da proposta.

No primeiro ano de curso (1990), tomou-se por referência os trailers em seus aspectos dimensionais e conceituais. Essa indicação evocava um dos paradigmas mais sugestivos para o debate daqueles anos, a mobilidade da casa, que não estaria mais presa ao território. Procurou-se, portanto, explorar tanto as medidas-padrão dos trailers para uma conveniente organização do espaço interno, quanto o caráter itinerante da habitação moderna, viabilizada pelos processos industriais, pela utilização de componentes leves e pelos processos de montagem-desmontagem e transporte, que revolucionariam as formas de morar.

Como relembrou o Prof. Shieh Shueh Yau, o tema da industrialização dos componentes da arquitetura residencial e dos sistemas construtivos, em compasso com a utopia da “máquina de morar”, era um dos motes de discussão, vistos sob a perspectiva de diminuição de custos e aceleração dos tempos de execução. Nesse sentido, o processo de montagem do mockup guardava importantes analogias com os processos de construção de modelos experimentais alternativos aos padrões e métodos tradicionais. Simulava o emprego de materiais leves, de fácil manejo e transporte.

O desenvolvimento do exercício no ano seguinte (1991), segundo depoimento do Prof. Antonio Gil Andrade, concentrou-se na mudança de hábitos associados aos modelos de habitação moderna, em combinação com a investigação das questões ergométricas. Interessava discutir e experimentar diferentes modelos de organização do espaço.

Torre-Cápsula Nakagin, Kisho Kurokawa, Tóquio, 1970-72.
Casa Eames, Ray e Charles Eames, Los Angeles, 1949.

Nesse mesmo ano, conforme esclareceu o Prof. Antonio Gil Andrade, a Profa. Kátia Azevedo Teixeira sugeriu a alteração da dimensão da habitação a ser projetada, que passou a configurar um cubo de 4m de lado, destinada a uma família de quatro pessoas. Essa nova condição manteve-se inalterada por praticamente toda a duração da experiência didática, posto que, por um lado, entendeu-se que o impedimento de se propor uma habitação de dois pavimentos sobrepostos com pé-direito de 2,00 m cada, correspondia a um estimulante desafio a ser superado pelos alunos para a acomodação dos ambientes e de seus respectivos usos, na medida em que não seria possível reproduzir soluções convencionais; por outro, também se percebeu que a preponderância do volume cúbico (m³), ao invés da área (m²), como parâmetro de organização espacial, oferecia inúmeras possibilidades de aproveitamento, permitindo agenciamentos inovadores, com respeito aos modelos das habitações tradicionais. Ao comparar o próprio mockup com o das outras equipes, os alunos surpreendiam-se com a diversidade das propostas. As experimentações e descobertas foram sempre vistas com grande entusiasmo, conforme se deparavam com os resultados alcançados, construindo e vivenciando o espaço projetado.

Luiz Augusto Contier, em sua dissertação de mestrado1 , descreve as principais fases de desenvolvimento: i) alunos desenvolvem individualmente suas propostas, apresentando plantas, cortes, elevações e maquetes na escala 1:20; ii) equipes de aproximadamente 20 alunos escolhem um dos projetos a ser construído em escala real, em discussões compartilhadas com a turma e com os professores, nas quais se ponderam os quesitos reconhecidos como qualidades dos projetos selecionados.Ao discorrer sobre os êxitos do exercício,Contier comenta os aprendizados propiciados pela experiência, e indica o mais evidente deles: “Raramente um aluno tem a oportunidade de entrar em um espaço que projetou, podendo avaliar suas relações com a escala humana, mesmo numa simulação espacial”. E assim prossegue:

Eduardo Porto, 1993.

Ensino de Arq uitetura. Aspectos e reflexões sobre sua organização. Vol. 1. Dissertação de mestrado, FAUUSP, 2001, p.87-89.

O segundo aprendizado, que talvez represente a essência do aprendizado pela solução de problemas, é a percepção pelo aluno da necessidade de informações no projeto que conduzam à construção do espaço como imaginado. Em seus projetos, essas informações nem sempre estavam presentes ou completas. É normal, durante a execução, ter que interromper a montagem para desenhar um detalhe ou outro, que não havia sido pensado. (CONTIER, 2000, p. 88)

Em concomitância com o enfrentamento do “espaço mínimo” e das restrições de projeto que impulsionavam a busca criativa para as soluções espaciais, apresentava-se, portanto, mais um dos objetivos do exercício: o defrontar-se com os problemas concretos da execução dos mockups. Desse ponto de vista, a proposição da construção do modelo revelava-se um momento substancial de aprendizado, pois esse processo pedagógico valorizava a capacidade de organização das equipes, que se evidenciava nas fases sucessivas de montagem, no contato direto com o próprio espaço projetado, com os elementos que o compunham, com o material utilizado, checando as escolhas, ajustando-as quando necessário, de modo a atender não apenas às condicionantes funcionais e formais, mas também às exigências técnicas. Os alunos deveriam perseguir critérios de racionalidade e economia no uso das peças empregadas (basicamente sarrafos de madeira como elementos de sustentação e placas de papelão como elementos de vedação) e atentar-se às condições de estabilidade dos elementos utilizados na construção do modelo.

No momento da realização, os alunos percebiam as inadequações, podiam fazer ajustes e solucionar problemas antes não percebidos. Os processos intermediários de apresentação e debate entre professores e alunos não apenas subsidiavam a escolha dos projetos a serem construídos, e orientavam as adaptações das fases sucessivas de desenvolvimento do projeto e da construção, mas também favoreciam a assimilação das críticas, concomitantemente com o exercício da autocrítica, tudo em prol do aprimoramento dos resultados.

Mockup construído com base em projeto de
Mockup construído com base em projeto de Larissa Verticchio, 1994.

Conceber um espaço habitável com 64m3 implica um agenciamento não convencional das medidas e dos aparatos funcionais. Isso posto, abre-se caminho para investigar os limites mínimos e as sobreposições possíveis de equipamentos e usos no espaço, dentro de parâmetros menos rigorosos do ponto de vista normativo, mas verificáveis sob o ponto de vista ergonômico.

3. laboratório dacasamínima

Regra da alternância das alturas internas.

O ponto de partida do exercício aqui analisado é, assim, um enunciado meticulosamente engendrado para se atingir soluções alternativas, promover uma apropriação menos rígida do espaço e, ao mesmo tempo, incentivar determinadas relações entre os planos horizontais e verticais e as medidas do corpo humano. O corpo e suas articulações tornam-se o parâmetro para a disposição de superfícies apropriáveis pelo usuário em suas alturas, larguras, profundidades e afastamentos.

Ao mesmo tempo em que se investiga a relação do corpo no espaço e as relações entre cheio e vazio, a matéria – o invólucro – assume fundamental importância, por não se dissociar a espacialidade obtida da materialidade intrínseca às superfícies envolventes.

Considerações dessa natureza – além de questões pedagógicas não tratadas aqui – estão presentes na versão do exercício do mockup ilustrada pelos projetos apresentados neste livro. Desde as propostas iniciais nos anos 1990, a experiência projetiva, construtiva e vivencial dos mockups migrou de uma ênfase nos utensílios articuláveis e móveis, estimulada pelo debate da industrialização da construção, e da verificação in loco dos espaços a partir da ergonomia, para a construção de uma arquitetura fixa em sua conformação, rigorosa ao integrar forma, espaço e construção, e que prevê múltiplas possibilidades de situações do corpo no espaço para atender a usos diversificados que possam acontecer, amparados pelas plataformas e planos desenhados. A construção, por sua vez, aprimorou-se e ganhou

Maria

ênfase no rigor tectônico ao aperfeiçoar o sistema construtivo que apresenta problemas de complexidade comparável a um edifício. Devido às características construtivas, o mockup deixou de ser mero instrumento de representação ou verificação da medida real do espaço para tornar-se propriamente um objetivo em si mesmo, prestando-se ao longo dos anos como campo exploratório para o amadurecimento de questões tanto espaciais como tectônicas.

FINAL WOODEN HOUSE

Referência fundamental para alimentar a presente versão do exercício de habitação 4X4X4m foi o projeto de Sou Fujimoto, Final Wooden House (Kumamoto, Japão, 2008). A cabana de Fujimoto, de dimensões finais compatíveis com a proposta do exercício, é construída com peças de madeira de seção quadrada com 35cm e comprimento variável. A peça, componente elementar de uma tectônica maciça,é disposta em duas direções de modo a estabelecer duas condições – o cheio e o vazio –, sem que haja predominância de um sobre o outro. Os vazios obtidos a partir das posições relativas entre as toras tornam-se habitáveis na presença do corpo, podendo constituir planos para assento, trabalho, repouso, etc. Mais do que ter uma conformação determinada a partir de um uso programado, o ambiente é proposto para promover a experiência do espaço na conjunção momentânea entre corpo, ação e espaço, construída a partir do sujeito.

SOBREPOSIÇÃO DE ATIVIDADES NO ESPAÇO

No exercício proposto, a limitação de projeto a uma área de 16m2 em planta–64m3 –induz à investigação do volume para uma utilização intensa do espaço tridimensional e máximo aproveitamento na relação entre os planos verticais e horizontais–enquanto suporte das atividades–, e o vazio.

Algumas regras fixadas de antemão pelo exercício estabelecem importantes restrições para a ocupação e o desenho do espaço e atuam como condicionantes nas relações de encaixe dos equipamentos e usos tanto em planta como em corte.

Le Corbusier. Posições típicas do corpo humano no espaço.

A atribuição de uma altura final de 4m, associada à obrigatoriedade de um pé direito mínimo de 2,20m para que uma pessoa permaneça em pé, impede a adoção de mezaninos extensos na cota intermediária correspondente à metade da altura total, e transforma a sobreposição das atividades nas diferentes cotas de nível em um elaborado exercício que alterna, no plano vertical, áreas circuláveis com planos funcionais ou espaços disponíveis para sentar ou deitar.

PLATAFORMAS ELEVADAS: O CHÃO QUE SE DESDOBRA

Na habitação 4x4x4m, é obrigatório o acesso a um pavimento superior, desde que obedecida a regra de pé-direito mínimo de 2,20m para a permanência em pé. Sendo assim, uma escada é necessária desde o nível de acesso 0.00 até o nível +1.80m.Com espelho estipulado de 20cm,fornece na altura a modulação para determinar superfícies horizontais acessíveis ao usuário. A prerrogativa de explorar planos horizontais em altura faz com que os projetos se desenvolvam através de plataformas nas cotas +0.20, +0.40, +0.60, +0.80, +1.00, +1.20, +1.40, +1.60, +1.80 e +2.20m, determinando espacialidades nas quais perde-se o chão como referência. O projeto torna-se um agenciamento de planos que exploram relações de altura entre si e que valorizam o percurso através do espaço.

CHEIO E VAZIO. VOLUME E ABERTURAS

As habitações propostas não possuem um terreno definido para sua implantação, o que as isenta de estabelecer relações com o sítio e buscar visuais ou orientações convenien-

Sou Fujimoto, Final Wooden House, 2008.

tes. Desta maneira, os estudos de volumetria e aberturas privilegiam parâmetros internos ao projeto. Considera-se prioritariamente o posicionamento e alinhamento dos planos e volumes funcionais em conjunto com a parametrização dada pelos montantes da tectônica leve utilizados na construção tanto do invólucro como dos elementos internos. Uma vez desfeito o procedimento de conceber aberturas como rasgos nas superfícies de um volume preestabelecido, os vãos decorrem das estratégias para constituir e ressaltar a volumetria como um todo.

DELIMITAÇÃO VISUAL DO VOLUME

No modelo tridimensional, não são representados os fechamentos transparentes, o que equivale a omitir parte das superfícies e arestas que delimitam o volume, ficando assim potencializados os procedimentos de dobra do invólucro para a conformação de planos internos, cuja continuidade é desobstruída pela ausência do vidro. Os mockups são também executados sem o plano de cobertura, o que acarreta na diluição do volume no caso de supressão dos fechamentos laterais. Nesses casos, há projetos que exploram a ambiguidade dos limites do edifício a partir das brechas deixadas pelo enunciado do exercício e pelas limitações da execução do modelo 1:1, de modo a alterar a percepção geral da forma cúbica.

MODULAÇÃO DA SUPERFÍCIE E ESTRUTURA DOS PAINÉIS

O sistema tectônico leve adotado para a construção do mockup utiliza montantes compostos por sarrafos de madeira de seção 5x2cm, aparafusados de modo a compor painéis independentes. Os painéis são montados no chão e revestidos pelo lado externo com placas de papelão grampeadas aos montantes, recebendo nas juntas acabamento com fita gomada. O papelão, com largura máxima de 1m, exige a presença regular dos montantes, que passam a configurar quadros rígidos. Além de servir à fixação do papelão, a paginação dos sarrafos nos requadros serve de apoio para plataformas, bancadas e passa-

relas que são acopladas aos painéis verticais. A fixação dos painéis entre si deve formar uma estrutura estável e prever a continuidade estrutural das peças, o que requer o entendimento tridimensional da estrutura, determinando o alinhamento dos perfis e o travamento do sistema como um todo.

Por essa razão, na fase de detalhamento, o projeto executivo dos mockups inclui a elaboração de um modelo estrutural em escala reduzida e o desenho separado com a paginação da estrutura de cada painel.

Uma vez concluído o mockup, a paginação dos painéis permanece visível, marcada na superfície externa pelas juntas do papelão e, internamente, pela posição dos montantes aparentes, o que reforça visualmente a relação entre o espaço obtido e a matéria que constitui seu invólucro.

TENSIONAMENTO DA ESTRUTURA

Nas orientações iniciais da construção de um mockup, recomendava-se a execução e o erguimento dos quatro painéis perimetrais de 4X4m que definem o volume cúbico, seguido da construção de volumes internos e da fixação de plataformas horizontais ao arcabouço principal. Aberturas nas quinas eram justapostas mantendo-se, em parte, os montantes perimetrais do quadro.

Gradativamente, a ênfase dada aos quatro painéis perimetrais que estruturam os mockups sofreu transformações, incentivadas pela experiência acumulada ao longo do tempo no uso do sistema construtivo na oficina. Com novas abordagens estruturais, a estabilidade do conjunto passou a ser obtida de modo combinado, utilizando-se fragmentos de volumes independentes para sustentar planos horizontais ou plataformas que a eles se vinculam.

Outra linha de experimentação estrutural apostou nos elementos internos pendurados por vigas que atravessam

Mockup construído com base em projeto de Gabriel Galera e equipe, 2014.
Mockup construído com base em projeto de Caio Y. M. Sewa e equipe, 2014.
Mockup construído com base em projeto de Luana L. Y. Osato, 2015.

a cobertura, de modo a liberar de apoios e obstáculos o exíguo espaço interno. Tais soluções associam o posicionamento das barras principais de madeira (vigas transversais e apoios verticais perimetrais) aos elementos pendurados do projeto, de modo a garantir a continuidade das peças estruturais. Além disso, incentivam a uma maior transparência dos planos de fechamento do volume, visto que as cargas ficam concentradas em determinados pontos, em vez de estarem distribuídas pelos painéis.

Balanços também foram testados nas estruturas, obtidos a partir da combinação de barras formando peças compostas, e geralmente unindo-se nas quinas dos volumes. A inexistência de fundação, que compromete a estabilidade no caso dos balanços, a fragilidade do material e do sistema de fixação – inicialmente pregos, substituídos depois por parafusos –, e o processo artesanal de execução, naturalmente propenso ao acúmulo de imprecisões, não impediram o surgimento de bons resultados no desempenho das estruturas, ainda que empiricamente concebidas.

A PRESENÇA DO CORPO NO ESPAÇO

Em projetos com dimensões reduzidas, é importante posicionar o corpo no espaço nas diversas situações, para a verificação da habitabilidade dos espaços. Contudo, para além da funcionalidade e da ergonomia, ao final do exercício é possível notar como as disposições previamente estabelecidas flexibilizam-se e alteram-se na presença do usuário. Essa condição é acentuada pela concentração de elementos cuja apropriação ocorre em altura, através de espaços intensamente ocupados por atividades que se alternam e se sobrepõem.

As apresentações finais dos trabalhos, ao juntar muitas pessoas nos espaços dos mockups, proporcionam uma dinâmica demonstrativa da capacidade da arquitetura em dar suporte à presença humana e ser transformada por ela.

4. panorama: etapasdoexercício
Mockup construído com base em projeto de Caio Y. Sewa e equipe, 2014.

projetodetalhamento execuçãoexperimentaçãoregistro

5. mockupsconstruídos

2012a2015

observe a página guia ao lado para a leitura dos projetos subsequentes

isométricasisométricas sem fechamento

planta superior
planta térreo

6. painel: montagem

7. painel: mockupsfinalizados

8. painel: usodoespaço

9. autoresdos projetos

2012 A 01 Maiara Freire de Andrade Eneida de Almeida, Juliana Braga Costa, Leonardo

2012 A 02 Sofonias Resende Coelho

2012 A 03 Yuri Godoy Andreoni

2012 B 02 Danielle de Paula Souza Teodosio

Shieh, Luciana Tombi Brasil, Maria Isabel Imbronito, Victor Longo Cesar da Paixão

2012B 01André Luís Fuster Barbosa Eneida de Almeida, Juliana Braga Costa, Leonardo Shieh, Luciana Tombi Brasil, Luis Mauro Freire, Maria Isabel Imbronito

2012 B 03 Saulo Magno de Almeida Lugarezi

2012C 01Amanda Motta Moreira Eneida de Almeida, Juliana Braga Costa, Leonardo

2012 C 02 Eliane Souza Ito

2012 C 03 Thamara Halushuk Hernandes

Shieh, Luis Mauro Freire, Maria Isabel Imbronito, Victor Longo Cesar da Paixão

2012 D 01Aline de Medeiros Assis Eneida de Almeida, Juliana Braga Costa, Leonardo

2012 D 02 Aline de Souza Pereira

2012 D 03 Elena de Pauli Namba

Shieh, Luciana Tombi Brasil, Maria Isabel Imbronito, Victor Longo Cesar da Paixão

2013 A 01 Amanda Nazaré Pereira de Lima Silva Leonardo Shieh, Luciana Tombi Brasil, Maria Isabel Imbronito

2013 A 02 Bruno Alves Manso

2013 A 03 Tamiris Feitosa da Cruz

2013 B 02 Gabriela de Oliveira Renna

2013B 01Beatriz Gaudencio Guimarães Alejandra Maria Devecchi, Carlos Verna, Eneida de Almeida, Guilherme Moreira Petrella, Maria Isabel Imbronito

2013 B 03 Lucas Naldi Bellan Maia

2013 C 01Amanda Cristina de Lima André Felipe R. Marques, Luis Mauro Freire, Eneida de Almeida

2013 C 02 Kenta Watanabe Nonaka

2013 C 03 Thaís Dias Rodrigues

2013D 01Beatriz Denser Juliana Braga Costa, Leonardo Shieh, Luis Mauro Freire

2013 D 02 Bianca da Silva Guanha

2013 D 03 Rodrigo Luz Damasceno

2013 E 02 Luma Della Valentina Barbosa

2013E 01 Daniel Gregini Trovão André Felipe R. Marques, Juliana Braga Costa, Leonardo Shieh, Luciana Tombi Brasil, Luis Mauro Freire

2013 E 03 Renata Alvino dos Santos

2014 A 01 Caio Yuri Mattoso Sewa Leonardo Shieh, Luciana Tombi Brasil, Maria Isabel Imbronito

2014 A 02 Gabriel Galera do Amaral

2014 A 03 Renata Kelly Silva Gonzaga

2014 B 01Alan Mazete Gonçalves Moreira Guilherme Moreira Petrella, Juliana Braga Costa, Luciana Tombi Brasil

2014 B 02 Antonio Sidynei Oliveira

2014 B 03 Fábio Henrique da Costa Xavier

2014 C 02 Letícia Nunes Leitão

2014C 01Jadsom Emidio da Silva Eneida de Almeida, Guilherme Moreira Petrella, Juliana Braga Costa

2014 C 03 Wellington Henrique da Silva

2014 D 01 José Vauhir Barreto Junior Adriana Belleza, Leonardo Shieh, Maria Isabel Imbronito

2014 D 02 Mariana de Araújo Furtado

2014 D 03 Raphaela Bordino

2014E 01Carolina Nunes de Melo Adriana Belleza, André Felipe R. Marques, Patricia Cezario

2014 E 02 Júlia Aguiar Diniz dos Santos

2014 E 03 Marcelo Azarias Silva Junior

2014 F 01 Eryka Lima da Silva André Felipe R. Marques, Eneida de Almeida, Patricia Cezario

2014 F 02 Robson Santos

2014 F 03 Thaís Ferreira de Almeida

2015 A 01 Luana Lumy Yoshimura Osato Apoena Amaral, Guilherme Petrella, João Paulo Meirelles de Faria, Vanessa Guilhon

2015 A 02 Natália de Barros Jinkings

2015 B 01Letícia de Melo Barros Adriana Belleza, Gislaine Moura do Nascimento, Luciana Tombi Brasil, Maria Isabel Imbronito

2015 B 02 Matheus Lima Santos

2015 B 03 Mayara Peres do Amaral

2015 C 02 Caio Fabiano

2015C 01Amanda Coutinho Pagliaci Anníbal Luis Montaldi, Apoena Amaral e Almeida, João Paulo Meirelles de Faria, Juliana Braga Costa

2015 C 03 Nathália Regina Américo Scrivani

2015D 01 Larissa da Silva Teixeira Adriana Belleza, Gislaine Moura do Nascimento, Luciana Tombi Brasil, Vanessa Valdez Guilhon

2015 D 02 Letícia Coraine

2015 D 03 Letícia Santos de Brito

2015E 01Diego Oliveira dos Santos Carlos Augusto Ferrata, Guilherme Moreira Petrella, Moreno Zaidan Garcia, Patricia Cezario

2015 E 02 Patrícia Fernanda da Silva Coelho

2015 F 01 Brenda Marçal Melo Carlos Augusto Ferrata, Juliana Braga Costa, Moreno Zaidan Garcia, Patricia Cezario

2015 F 02 Natália Guimarães Cabral

2015M 01Caroline Martins Luciana Tombi Brasil, Patricia Cezario

2015 M 02 Fabio Bortoluci Kato

10. acasaem movimento

Mesa de avaliação com modelos 1:10 sobre os cadernos de desenhos, 2017.

A CASA EM MOVIMENTO: UM NOVO EXERCÍCIO

Ao fim de 2015, a construção dos mockups com dimensão de 4x4x4m foi encerrada. Sem descartar sua retomada no futuro, uma nova versão do exercício foi implementada em 2016 e 2017.

As alterações trouxeram a oportunidade de dar um enfoque diferente ao exercício. Questões presentes em versões iniciais da década de 1990 foram retomadas, quando referências móveis como barcos, trailers e aviões eram fornecidas aos estudantes, bem como a possibilidade de mexer na disposição dos elementos – na época, através de mecanismos de montagem tipo giro, abre-e-fecha, etc. –, para gerar configurações e ocupações reversíveis.

No novo modelo proposto, as principais atividades da casa – dormir, estudar, comer, cozinhar, lavar-se, armazenar, conviver – ancoram-se em pequenos módulos móveis – os “carrinhos” –, dispositivos com rodízios capazes de se movimentar pelo espaço habitável. Este foi entendido como uma superfície interior, zona desobstruída e abrigada por um invólucro com dimensões previamente fornecidas. Parte-se, assim, de um abrigo estrutural a ser ocupado por elementos que definem intensidades e usos dentro de um espaço totalmente flexível.

A cada dupla ou trio de alunos caberia conceber dois “carrinhos”, cada um com área máxima em planta de 4m2, teto acessível e dois usos simultâneos a serem combinados aleatoriamente no mesmo módulo (comer e banhar-se, armazenar e dormir, cozinhar e estudar, etc.). O par de carrinhos projetado pelo grupo de estudantes deveria apresentar um funcionamento em conjunto, transformando-se em um elemento coeso na justaposição de ambos, ou ainda isolado, com cada carrinho funcionando de modo independente. Sobretudo, ao se movimentarem, os “carrinhos” deveriam assumir diferentes arranjos, atendendo a, pelo menos, três situações distintas: uso diurno, uso noturno e um layout para sociabilização.

Maria Isabel Imbronito

NAKED HOUSE.

A Naked House, de Shigueru Ban (Saitama, Japão, 2000), constituiu importante referência arquitetônica alinhada com os propósitos do exercício. A casa constitui-se de um sofisticado galpão (estrutura leve com dupla pele, instalações junto aos fechamentos, controle das condições do ambiente) que envolve um amplo espaço de convívio doméstico. Na casa, os ambientes internos não se definem por paredes, mas por um grande vazio ocupado por quartos móveis (mobile rooms). Os quartos – cada módulo destinado a um membro da família – são movimentados para se buscar a posição propícia, em isolamento ou agremiação, ou na tentativa de aproximarem-se das instalações junto ao galpão-suporte. É possível adentrar e abrigar-se nestes cubículos, tatames reservados que fornecem uma condição de intimidade, e dos quais se desce para o espaço comum da casa, ao rés do chão. É também possível escalar ao teto do pequeno habitáculo e ali permanecer, ou ainda carregá-lo para fora do galpão, até o espaço exterior.

Nesta casa, as instalações hidráulicas são fixas, e um espaço para a cozinha, com dimensões equivalentes a um quarto móvel, pode ser delimitado ou não, correndo-se uma diáfana cortina.

MOVIMENTAÇÃO E ANCORAGEM

No exercício proposto em 2016, estudantes ingressantes dedicaram-se a pensar dois módulos sobre rodas que, combinados, ocupassem um galpão com medida de 6x8m com 5m de pé direito, e que pudessem acomodar as atividades de uma casa.

O desafio excede a pensar elementos soltos como mobiliários independentes. Os “carrinhos”, isolados ou combinados, definem espacialidades, dinâmicas e concentrações no espaço do galpão. Sua forma deve antecipar os modos como um “carrinho” encontra o outro, para

que o desenho de cada um venha a se concluir ou se transformar com a justaposição do próximo. Assim, é possível, através da movimentação dos “carrinhos”, abrir ou fechar espaços, esticar o comprimento de planos de apoio e espaços de sentar, ou combinar os degraus de uma escada para se ascender a um plano elevado. Também é possível tirar proveito do desnível existente entre o “carrinho” e o chão. Isso possibilita a utilização do módulo de duas maneiras: subindo e adentrando o “carrinho”, ou permanecendo fora dele, a partir do nível zero do galpão, determinando graus diferentes de penetração no elemento construído. Outro modo de ocupar o espaço, incentivado no enunciado do exercício, consiste em dispor mobiliários de apoio no espaço entre “carrinhos” – mesas ou bancos soltos no próprio galpão –, a serem previstos nos layouts propostos pelas equipes de alunos, potencializando o uso tanto dentro como entre “carrinhos”.

Convém que a flexibilidade obtida nos três arranjos diferentes sugeridos – dia, noite e festas – faça sentido do ponto de vista funcional: o arranjo noturno deve privilegiar a área de descanso, o arranjo para festas deve incentivar uma condição gregária dos ocupantes, e o arranjo diurno pode facilitar atividades como cozinhar ou estudar. Nessas condições, nem todas as partes do “carrinho” precisam ser acionadas ao mesmo tempo ou em todos os arranjos.

Outra consideração presente no exercício envolve o conceito de plug-in. Como os “carrinhos” contém não apenas partes secas, mas também elementos hidráulicos, considerou-se como resolvida a solução das conexões de gás, água e esgoto, a partir de tubos flexíveis que possam se conectar a pontos de instalações fixos, sem que grande esforço fosse empreendido por alunos ingressantes para resolver esse problema, que permanece em aberto para futuras investigações.

Shigueru Ban, Naked House, 2000.
Shigueru Ban, Naked House, 2000.

Do ponto de vista construtivo, houve algumas alterações importantes em comparação aos mockups anteriores de dimensão 4x4x4m. Rodízios foram introduzidos junto a um tablado de MDF estruturado com sarrafos de madeira para permitir caminhar sobre o carrinho ou deslocá-lo. Na execução dos painéis, manteve-se a construção separada das partes com a utilização de sarrafos de madeira compondo requadros modulados, que recebem revestimento em placas de papelão e arremate das juntas com fita gomada. A montagem e fixação dos painéis passou a ocorrer sobre a base móvel de MDF.

A nova proposta segue as mesmas etapas do exercício anterior: estudo preliminar, escolha dos projetos a serem construídos, desenvolvimento do projeto em equipes, execução do modelo em escala 1:1 e experimentação do espaço nas reais dimensões. A avaliação do mockup é acompanhada pela entrega de um diário de obra e de um vídeo com o processo de trabalho e a demonstração do uso dos "carrinhos". Foram mantidos o detalhamento do projeto executivo e a maquete em escala 1:10 com a presença de todas as peças estruturais, que antecede a execução do modelo final na escala 1:1. Projeto e obra aproveitam-se do conhecimento adquirido na oficina durante a experiência de construção dos mockups 4X4X4m e do rigor tectônico decorrente do aperfeiçoamento do sistema construtivo ao longo do tempo de aplicação do exercício.

Ainda em comum com as versões anteriores do exercício é possível citar a preocupação com a ergonomia e os estudos de dimensionamento dos espaços a partir do corpo humano. Porém, uma leitura comparativa dos exercícios revela que, no mockup 4X4X4m, o espaço concebido é totalmente definido em projeto, embora pensado para uma ocupação dinâmica que estimule a apropriação do espaço pelo sujeito de modo imprevisto. No presente caso, o próprio espaço torna-se também dinâmico, pois os elementos projetados

e

Movimentação de carrinhos construídos, 2017. Beatris Augusto Wagner, Gabriela Kohatsu Pereira da Silva, Christiane Baffini de Paula e equipe.

se movem sob a ação do usuário, potencializando arranjos inesperados. Assim, cada módulo deslizante modifica-se na relação com o módulo vizinho e com o espaço envoltório, estimulando o participante não apenas a ocupar o espaço, mas a transformá-lo.

Além disso, no antigo mockup 4x4x4m, era impossível a separação entre o habitáculo e os equipamentos internos de uso e de apoio das atividades da casa, propositalmente fundidos. Já no segundo caso, os “carrinhos” determinam a total separação entre o invólucro e os módulos ocupáveis que, soltos, operam sob uma condição relativa, referente às diferentes situações assumidas por cada carrinho no conjunto dos elementos (fixos e móveis) e dos atores que se correlacionam no espaço.

Movimentação de carrinhos construídos, 2017. Beatris Augusto Wagner, Gabriela Kohatsu Pereira da Silva, Christiane Baffini de Paula e equipe.

Movimentação
demonstração de carrinhos construídos, 2017. Beatris Augusto Wagner, Gabriela A. K. Pereira da Silva, Christiane Baffini de Paula e equipe.

CRÉDITOS DAS IMAGENS

Fotos de abertura: Maria Isabel Imbronito p.8 André F. R. Marques p.9 Um exercício da casa. Fotos: Maria Isabel Imbronito p.11, 12, 13, 15 André F. R. Marques p.14 As origens dos mockups. Fotos: Revista São Judas (ano III, n.3, 94-95, p.27) p.17 Kakidai https://commons.wikimedia.org/wiki/File:2018_Nakagin_Capsule_Tower_03.jpg p.18 ercwttmn http://commons.wikimedia.org/wiki/ Fiel:Eames_House0.jpg p.19 equipe Eduardo Porto p.20 equipe Larissa Verticchio p.21 Laboratório da casa mínima. Perspectivas: Leonardo Shieh p.23 Fotos: ©Iwan Baan p.24 Desenho: Le Corbusier ©FLC/ADAGP p.25 Fotos: André F. R. Marques p.26 Caio Sewa e equipe p.26, 28 Luana Osato e equipe p.27 Etapas do Exercício. Desenhos: Bruno Alves Manso p.30 Fotos das maquetes e sequência de montagem: Maria Isabel Imbronito p.30, 31 Fotos dos desenhos e uso do espaço: André F. R. Marques p.30, 31 Mockups construídos 2012 a 2015. Desenhos: Daniele Heirich Calegari p.33-95 | Montagem. Fotos: Apoena Amaral p.97, 98, 99 Maria Isabel Imbronito p.98, 99 Mockups finalizados. Fotos: Apoena Amaral p.101, 102, 103 Maria Isabel Imbronito p.102 André F. R. Marques p. 102, 103 Uso do espaço. Fotos: Maria Isabel Imbronito p.105 André F. R. Marques p.106, 107 Autores dos projetos. Foto: Maria Isabel Imbronito p.109 A casa em movimento. Fotos: Luciana Brasil p. 133 ©Hiroyuki Hirai, Shigueru Ban Architects p.114, 115 Maria Isabel Imbronito p.116, 117 Fotos de encerramento: André F. R. Marques p.118 | Maria Isabel Imbronito p. 119.

AGRADECIMENTOS

Aos estudantes, pelo material cedido. A Daniele Heinrich Calegari, pelo empenho e inúmeras revisões. Aos funcionários do Laboratório de Modelos, pelo suporte. Aos professores da antiga disciplina AUPA 101, nomeados à página 110, com especial gratidão a André Marques, Apoena Amaral, Eneida de Almeida e Luciana Brasil, pelas ideias sobre o livro e pelas imagens cedidas. E ainda: Antônio Gil da Silva Andrade, Carlos Campoy, Katia de Azevedo Teixeira, Luis André dos Santos, Luiz Augusto Contier, Luiz Eduardo Baronto, Paula De Vicenzo Fidelis Belfort Mattos e Shieh Shueh Yau. Ao CAU/SP, pelo apoio ao projeto. Às equipes de: CAU/SP, Instituto Ânima Sociesc de Inovação, Pesquisa e Cultura e Universidade São Judas Tadeu.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Laura Emilia da Silva Siqueira CRB 8-8127)

Imbronito, Maria Isabel.

4 x 4 x 4: Mock up de habitação/Maria Isabel Imbronito ; produção e pesquisa, Maria Isabel Imbronito ; texto, Eneida de Almeida ; desenho e pesquisa, Daniele Heinrich Calegari ; projeto gráfico, Luciana Orvat. 1a ed. — São Paulo: Editora Quelônio : 2019. 120 p. ; 20 x 23 cm.

ISBN 978-85-93229-44-2

1. Arquitetura: estudo e pesquisa 2. Arquitetura: prática.

I. Imbronito, Maria Isabel.

CDU 72.02 CDD 720.7

Índices para catálogo sistemático:

1. Arquitetura: estudo e pesquisa

2. Arquitetura: prática 720.7

978-85-93229-44-2

Agência Brasileira do ISBN ISBN
Parceria de fomento

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
4x4x4 Mockup de Habitação | Maria Isabel Imbronito by CAU/SP - Issuu