Ondas Sonoras Michael Fowler Ondas sonoras “unidimensionais” Começaremos por considerar a propagação do som num tubo oco, para evitar complicações matemáticas desnecessárias. O som é uma onda longitudinal – à medida que a onda passa, o ar move-se para a frente e para trás no tubo, sendo este movimento oscilatório na mesma direcção em que a onda viaja. Para visualizarmos o que está a acontecer, imagina mentalmente que divides o ar no tubo, que está em repouso se não houver som, em fatias finas. Concentra-te numa dessas fatias. Em equilíbrio, ela sente pressões iguais e opostas de ambos os lados. (Analogamente a um pequeno segmento de corda em repouso que sente tensões opostas nos dois lados, mas claro que a pressão do gás é para dentro). Assim que a onda sonora atravessa essa fatia, a onda de pressão gera pequenas diferenças de pressão entre os dois lados, surgindo uma força que acelera a fatia de ar. Para analisarmos isto quantitativamente – aplicar à fina fatia de ar – temos de começar por . definir o deslocamento, a quantidade correspondente ao movimento transversal da corda Usaremos para denotar o deslocamento horizontal (ao longo do tubo) da fina camada de ar cuja posição de equilíbrio é quando não há som.
Se o tubo tiver raio , e consequentemente área , uma fatia de ar de espessura tem volume 3 logo, escrevendo a densidade do ar (1.29 km/m ), a massa da fatia de ar é . Claramente, a aceleração é , portanto já temos o lado direito de . Para encontrarmos o lado esquerdo – a força exercida na fina fatia de ar – temos de encontrar a diferença de pressão entre os dois lados. Relação entre diferenças de pressão e deslocamento A variação da pressão à medida que a onda sonora se propaga ao longo do tubo está intrinsecamente relacionada com a compressão ou expansão local do gás. É como uma mola: à medida que o gás é comprimido para um volume menor, a pressão aumenta, e assim que se expande diminui. E, exactamente como numa mola, as variações de pressão e volume estão linearmente relacionadas. O coeficiente de proporcionalidade é chamado módulo de compressibilidade, usualmente escrito , e definido pela equação:
Repara no sinal! Se o volume diminui, a pressão aumenta. Uma vez que a razão entre volumes é adimensional, as unidades do módulo de compressibilidade são as mesmas que a da pressão: Pascal. Para o ar à pressão e temperatura normais, o seu valor é Pa. Agora, estamos a monitorizar o movimento do gás à medida que a onda passa analisando o parâmetro , o deslocamento ao longo do tubo no instante do gás cuja posição de equilíbrio é . não depender de , todo o gás é transladado pela mesma quantidade, e não ocorre Obviamente, se compressão nem expansão. Variações locais de volume ocorrem apenas se houver variações locais de . Para tornar isto quantitativo, considera uma fatia de gás com espessura (em repouso): se, nalgum , e o lado instante em que a onda passa através dela, o lado direito sofrer um deslocamento esquerdo um deslocamento maior , digamos,
a espessura da fatia passou evidentemente de
para
Uma vez que o volume de ar na fatia é directamente proporcional à sua espessura, a onda sonora variou neste instante o volume do ar inicialmente no segmento junto ao ponto por uma fracção
sendo a derivada exacta no limite de uma fatia muito fina. Portanto, a pressão extra local é directamente proporcional a menos o gradiente de
:
De à equação de onda Tendo encontrado como é que a variação local de pressão se relaciona com , estamos prontos a deduzir a equação de onda a partir de para uma fatia de gás. Recorda que para uma destas fatias , e obviamente . A força resultante
Inserindo em
na fatia é a diferença entre a pressão em
e em
:
:
Esta é exactamente a equação de onda que encontrámos para uma corda, agora com o deslocamento longitudinal no lugar do deslocamente transversal e o módulo de compressibilidade a desempenhar o papel de tensão, ambos medidas da energia potencial armazenada com origem nas variações locais do deslocamento. As densidades, claro, desempenham o mesmo papel nos dois casos, medido a energia cinética armazenada para dadas velocidades de deslocamento. Condições fronteira para ondas sonoras em tubos Uma vez que a nova equação de onda é idêntica em forma à equação de ondas numa corda, a nossa discussão de ondas a viajar, ondas estacionárias, etc, para um corda pode ser aplicada aqui com as mudanças de notação apropriadas. Por exemplo, uma onda estacionária num tubo tem a forma fechado em , de modo que o ar não se move em . A condição fronteira para um tubo com uma extremidade fechada é:
, para um tubo
E numa extremidade aberta? Nesse caso, o ar é livre de se mover – a condição fronteira não será . Contudo, a pressão não pode variar livremente: é sempre a pressão atmosférica. Portanto numa extremidade aberta . Recordando que , a condição fronteira escreve-se:
Ondas estacionárias harmónicas em tubos Considera agora uma onda harmónica estacionária num tubo de comprimento , fechado em aberto em . Da condição fronteira
, a onda tem de ser da forma
A condição fronteira da extremidade aberta em .
mas
. requer que o declive
. Isto é,
Exercício: prova que o maior comprimento de onda possível de uma onda estacionária no tubo é esboça a onda.
,e
Exercício: qual é o maior comprimento de onda seguinte? Faz um desenho. Potência e Intensidade Uma outra solução da equação de onda é:
onde , tal como na corda. Esta é uma onda que viaja ao longo do tubo. Pode ser gerada por um prato oscilante na extremidade fechada: por outras palavras, um altifalante. Qual é a potência emitida pelo altifalante? Está-se a mover e a empurrar contra a pressão: Potência =
= taxa de trabalho = força x velocidade = pressão x área x velocidade
Quão rápido se está a mover? No instante , o prato está em
portanto move-se com velocidade
A pressão no prato é
Em
onde
.
Portanto a taxa a que o trabalho é realizado no instante , a potência
:
A definição habitual de potência para qualquer tipo de gerador de onda é a potência média ao longo de um ciclo completo. Uma vez que o valor médio de
Usando
e
,
, podemos escrever
Isto diz-nos também quanta energia há na onda:
A intensidade da onde é a potência média por metro quadrado da secção recta, portanto aqui
e
mede-se em watts por metro quadrado.
O factor , a velocidade, na expressão anterior surge porque num segundo, a energia transmitida pela onda a um metro quadrado de área perpendicular à direcção de propagação da onda é a energia em metros cúbicos de onda: tomando a velocidade do som como 330 metros por segundo, 330 metros cúbicos de energia sonora atravessarão um metro quadrado de área em cada segundo.
Tradução/Adaptação Casa das Ciências 2009