Guia para a Utilização do Compêndio de Matemática, 1º volume, Observações ao Capítulo III
J. SEBASTIÃO E SILVA
Observações ao Capítulo III
Curso Complementar do Ensino Secundário
Ediçio ti EP LISBOA
Guia para a Utilização do Compêndio de Matemática, 1º volume, Observações ao Capítulo III
GUIA PARA A UTILIZACÃO .
DO
COMPÊNDIO DE
MATEMÁTICA
Guia para a Utilização do Compêndio de Matemática, 1º volume, Observações ao Capítulo III
J. SEBASTIÃO E SILVA
GUIA PARA A UTILIZAÇÃO
DO
COMPÊNDIO DE
MATEMÁTICA (1 . 0 VOLUME)
CURSO COMPLEMENTAR DO ENSINO SECUNDÁRIO
1975
GABINETE
DE
ESTUDOS E PLANEAMENTO DO MINIST~RIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA Av. Miguel Bombarda, 20- L1SBOA-1
Guia para a Utilização do Compêndio de Matemática, 1º volume, Observações ao Capítulo III
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o texto deste
Compêndio toi utilizado no âmbito de uma
experiência de modernização do ensino da matemática em Portugal, dirigida pelo Prot. Sebastião e Silva e realizada pelo Ministério da Educação Nacional em colaboração com a O.C.D.E. (Profecto Especial STP-4/SP). Nesta experiência estiveram envolvidos alunos dos antigos 6. 0 e 7. o anos do ensino liceal (idades entre 15 e 17 anos). Nos termos do acordo estabelecido entre a O.C.D.E. e Portugal é proibida a reprodução total ou parcial deste texto por terceiros. 7
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ADVERTÊNCIA PRf:VIA
o
Compêndio de Matemática é destinado a servir, não só como
auxiliar de estudo para o aluno, mas ainda como complemento de formação para o professor. Daí o desenvolvimento e o pormenor com que foi escrito. Cabe pois ao critério e ao bom senso do professor dosear a densidade do ensino com base no Compêndio. Este, por outro lado, não contém todos os assuntos a desenvolver nas turmas experimentais do 6.° ano (1). Em alguns casos será necessário recorrer aos livros adoptados, tal como se indica no presente Guia (2) e no próprio Compêndio.
(1) Refere-se o autor às turmas do ensino liceal nas quais, na altura da primeira edição fotocopiada do presente Guia, se desenvolveu a experiência pedagógica de modernização do ensino da matemática. (I) Este Guia corresponde ao 1.0 volume do Compêndio de Matemática (1. 0 e 2.° tomos).
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NORMAS GERAIS 1. A modernização do ensino da matemática terá de ser feita não só quanto a programas, mas também quanto a métodos de ensino. O professor deve abandonar, tanto quanto possível, o método expositivo tradicional, em que o papel dos alunos é quase cem por cento passivo, e procurar, pelo contrário, seguir o método activo, estabelecendo diálogo com os alunos e estimulando a imaginação destes, de modo a conduzi-los, sempre que possível, à redescoberta. 2. A par da intuição e da imaginação criadora, há que desenvolver ao máximo no espírito dos alunos o poder de análise e o sentido crítico. Isto consegue-se, principalmente, ao tratar da definição dos conceitos e da demonstração dos teoremas, em que a participação do aluno deve ser umas vezes parcial (em diálogo com o professor) e outras vezes total (encarregando cada aluno de expor um assunto, após preparação prévia em trabalho de casa). 3. Muito raramente se deve definir um conceito sem ter partido de exemplos concretos e, tanto quanto possível, sugestivos. Se a preparação psicológica tiver sido bem conduzida, será muitas vezes o aluno quem acabará por definir espontaneamente o conceito, com ou sem ajuda do professor. Em qualquer caso, este deverá enca-
minhar o aluno para o rigor de linguagem, que equivale a dizer, de pensamento. Para isso, será de grande auxílio a introdução à lógica matemática, feita logo de início. 4. Quanto à demonstração dos teoremas, deve seguir-se com frequência uma norma semelhante à anterior. É altamente desejável que o aluno seja muitas vezes posto em condições de ver o teorema antes de o demonstrar e que essa visão o encaminhe a construir por si mesmo a demonstração, mais ou menos impecável do ponto de vista lógico. Não esquecer que, na investigação mate-
mática, a intuição precede normalmente a lógica. 5. A ordem lógica na apresentação dos assuntos não é muitas vezes a mais aconselhável dO ponto de vista didáctico. Normalmente o aluno só pode tomar consciência da necessidade de certo grau de rigor, depois de ter compreendido os assuntos em primeira aproximação ou de modo intuitivo, exactamente como sucede na inves-
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tigação. Assim, em vez da ordem lógica, haverá que seguir de preferência a dialéctica do intuitivo-racional e do concreto-abstracto, em que o grau de rigor lógico se irá elevando progressivamente, com a adesão espontânea do aluno. 6. Para desenvolvimento do sentido crítico, é essencial encorajar o aluno à discussão livre e disciplinada, habituando-o a expor com calma e sem timidez os seus pontos de vista e a examinar serenamente e com interesse as opiniões dos outros. 7. Ao seguir o método activo, o professor deve evitar que os alunos falem todos ao mesmo tempo. Quando um aluno tiver algo a dizer, levantará o braço. Compete então ao professor escolher entre vários. Muitas vezes o professor chamará um aluno à secretária ou à pedra. O aluno deverá então movimentar-se rapidamente e com o minimo rurdo. Deste modo se estabelece o dinamismo disciplinado, que caracteriza a vida em corpo são, e que é indispensável ao êxito do método activo. Não esquecer que o ruido é desfavorável à concentração intelectual, e que tentar conciliar as duas coisas reverte geralmente em prejuízo do sistema nervoso, contribuindo para o desenvolvimento de um dos maiores flagelos da nossa época. A melhor sala de aula será muitas vezes a que estiver mais afastada da via pública (1). 8. A matemática não se reduz a ciência isolada platonicamente de tudo o resto. t: também um instrumento ao serviço do homem nos mais variados ramos da ciência e da técnica. O professor deve sempre ter presente este facto e tentar estabelecer, sempre que possível, as conexões da matemática com outros domínios do pensamento, atendendo a que muitos dos seus alunos irão ser físicos, químicos, biólogos, geólogos, engenheiros, economistas, agrónomos ou médicos. 9. Na aprendizagem da matemática não basta ter intuição, compreender, definir e raciocinar. t: também indispensável adquirir (I) Estão infelizmente a multiplicar-se os casos de alunos com depressões nervosas de (ndole grave. Se um dia se proceder, como se impõe, ao estudo sério deste problema, há-de chegar-se provavelmente à conclusão de que uma das causas preponderantes desse fenómeno é o ruído de que o aluno vive geralmente rodeado.
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certos automatismos psicológicos. Isto vale, especialmente, no que se refere a técnicas de cálculo. Tais técnicas são mais perfeitamente assimiladas quando o aluno conhece bem os fundamentos teóricos das mesmas. Mas esse conhecimento não basta: o professor deve
insistir para que os alunos se treinem bastante em exercícios equilibrados, que requeiram a aplicação das referidas técnicas. 10. O treino recomendado na norma anterior não deve confundir-se de modo nenhum com a mecanização do aluno na resolução de exercícíos por meio de receitas, aplicadas sem qualquer conhecimento de causa. Essa prática, tal como se tem generalizado entre nós, só contribui para desvirtuar completamente a finalidade do ensino da matemática, .habituando o aluno a não pensar e destruindo nele toda a iniciativa e toda a espontaneidade para a resolução de problemas essencialmente novos, como os que são postos a cada passo pela ciência, pela técnica e pela vida corrente. 11 . Alunos e professor devem assumir nas aulas uma atitude descontraída (1), que afaste tanto quanto possível do espírito dos alunos a ideia da nota que irão ter no fim do período (lembrando que o seu interesse principal é aprender) e modere no espírito do professor a ide ia de que é juiz (lembrando que a sua missão é, acima de tudo, ensinar). Assim, o que deve dominar nas aulas é o interesse pelos assuntos tratados. Estes não têm necessariamente de ser todos reduzidos à forma de exercícios escritos (o que é muitas vezes um modo de os tornar abomináveis). Especialmente no que se refere a demonstrações - um aspecto em que é preciso insistir muito - o professor deverá recorrer de preferência ao sistema de
chamadas breves. 12. É dialogando com os alunos que o professor acaba muitas vezes por esclarecer, para si próprio, certos assuntos que pretende ensinar. Isto não vem senão corroborar um velho preceito:
A melhor maneira de aprender é ensinar. Haja em vista os Diálogos de Platão. No «Teeteto» é definida explicitamente por Sócrates a missão do mestre: ajudar a virem à luz 8S ideias na mente do discípulo. E quantas vezes, no mesmo instante, não se ilumina a mente do professor! (I)
Descontracção não implica má-criação.
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13. Nesta ordem de ideias, o professor deve combater no aluno, e em si próprio, o receio de errar, enquanto se trata de fazer um esforço sincero para aprender ou ensinar. Porque só errando se aprende verdadeiramente. Ai daqueles que não aprendem à custa da própria experiência e dos próprios erros, porque esses pouco ou nada aprendem, na verdade. 14. O método heurístico (ou de redescoberta) só a princIpIo poderá parecer mais moroso. A criança que aprende a andar com aparelhos ou a pessoa que aprende a nadar com flutuadores só ilusoriamente aprende mais depressa: na realidade aprende mais devagar e pior. 15. São por vezes obstáculos à aplicação do método heurístico os dois casos extremos que podem surgir numa turma: alunos muito bons e alunos francamente maus, especialmente os repetentes. Os primeiros estão sempre prontos a responder, não deixando tempo aos restantes para pensar (vide norma 7). Os segundos criam uma atmosfera de desinteresse, porventura mesmo de indisciplina, ou então já conhecem a receita, que aprenderam no ano anterior, acabando assim por viciar o processo heurístico. Cabe ao bom senso do professor encontrar uma solução de equilíbrio, tendo presente a norma 7. 16. Terminaremos estas considerações, traduzindo algumas das medidas preconizadas na América para a renovação do ensino geral: a) O ensino em todos os graus terá de se tornar mais flexível, mais adaptado, quer às solicitações dum mundo em rápida evolução, quer às aptidões dos indivíduos. b) Necessitamos de métodos aperfeiçoados para descobrir talentos e levá-los a atingir a plena maturidade. Não devemos encorajar, seja de que modo for, qualquer sistema de ensino que tenda a criar uma geração de bárbaros, incapazes de apreender uma ideia que não lhes seja «programada» por outro cérebro ('). c)
Alusão aos programas feitos pelo homem para os «cérebros» electr6nicos, que não pensam, mas se limitam a executar mecanicamente esses programas. (I)
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Este irá para a coluna seguinte, onde teremos agora
e assim sucessivamente. Deste modo, o computador acaba por calcular a soma dos números por meio de operações lógicas elementares:
111011 +10101 1 1100110 Para multiplicar dois números escritos no sistema binário, o computador segue a regra usual da multiplicação neste sistema, utilizando a tabuada da multiplicação no conjunto { O, 1 } e somando sucessivamente os produtos parciais deslocados sucessivamente de uma casa para a esquerda. Exemplo:
101110 x 1 O 1 101110 101110 11100110 Apesa r de trabalharem fundamentalmente no sistema binário, os computadores electrónicos recebem os dados e fornecem os resultados no sistema decimal, mediante um mecanismo adequado de conversão. Convém ainda que o aluno tome conhecimento dos seguintes factos:
Os mais potentes computadores electrónicos efectuam cerca de um milhão de adições por segundo e cerca de trezentas mil multiplicações por segundo, com números de 72 algarismos decimais. Assim, um sistema de 100 equações lineares com 100 incógnitas, que dantes levaria anos a resolver, pode agora ser resolvido em cerca de 5 segundos. 1)
2) Os computadores efectuam não só cálculos, mas também raciocínios, e estão a substituir cada vez mais o homem em toda a espécie de trabalho intelectual de rotina, em fábricas, minas, laboratórios, estabelecimentos bancários, etc., etc. Entrámos na Era da Automação, em que o trabalho monótono do homem acabará por ser quase todo feito pela máquina. 112
A sonda espacial enviada pelos Estados Unidos para exploração do planeta Marte forneceu todas as informações, inclusive fotografias da superfície marciana, em código binário, que foi depois rapidamente traduzido na Terra por computadores. 3)
As dimensões e o consumo de energia dos computadores diminuiu consideravelmente, depois que se tornou possível substituir as válvulas electrónicas por transIstores. 4)
Dois dos grandes matemáticos que mais contribuíram para o desenvolvimento dos computadores (J. Von Neumann e Norbert Wiener) abriram igualmente caminho a um novo método de estudo do sistema nervoso e da psicologia, em que os neurones são equiparados a elementos de circuitos lógicos. Assim nasce uma nova ciência: a neurocibernética. 5)
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