Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J.
SEBASTIÃO
2.
E SILVA
volume
0
Capítulo I
Curso Complementar do Ensino Secundário
Edicão G EP o
LI SBOA
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
COMPÊNDIO DE
MATEMÁTICA
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIÃO E SILVA
COMPÊNDIO DE
,
MATEMATICA 2.° VOLUME
CURSO DO
COMPLEMENTAR
ENSINO SECUNDÁRIO
1 976
GABINETE DE ESTUDOS E PLANEAMENTO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTíFICA
Av. Miguel Bombarda, 20- Lisboa
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
o texto deste
Comp6ndío foi utilizado no âmbito de uma expe-
riência de modernização do ensino da matemática em Portugal, dirigida pelo Prof. Sebastião e Silva e realizada pelo Ministério da Educação Nacional em colaboração com a O. C. D. E. (Projecto Especial STP-4/SP). Nesta experiência estiveram envolvidos alunos dos antigos 6.° e 7.° anos do ensino liceal (idades entre 15 e 17 anos) . Nos termos do acordo estabelecido entre a O. C. D. E. e Portugal é proibida a reprodução total ou parcial deste texto por terceIros.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
NOTA PRÉVIA
o
2.° volume do texto-piloto contém, ainda mais do que o 1.°
e o 3.°, matérias que não são de modo algum obrigatórias nos cursos-pilotos e que aparecem devidamente assinaladas com asteriscos ou notas ao fundo da página. A inclusão dessas matérias foi determinada pelas seguintes considerações: 1.° Ao professor interessa adquirir conhecimentos para além dos que precisa de ministrar, a fim de que pos5a ter ideias mais precisas sobre as finalidades do seu ensino. 2.° A indicação de bibliografia para a aquisição de tais conhecimentos não basta. Ao professor convém um texto orgânico, onde as novas noções apareçam devidamente concatenadas e que lhe permita economizar aquilo de que tanto carece: tempo. 3.°
Há que estimular ao máximo os alunos talentosos, facul-
tando-lhes a leitura fácil de certos assuntos para além do programa. (Num importante projecto internacional para melhoria do ensino matemático nos paises árabes, propõe-se um ensino matemático especial para os alunos excepcionalmente dotados e ainda o recurso a competições para os seleccionar e orientar, à semelhança do que se faz noutros paises.)
7
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIÃO E SILVA
4.° Os alunos que forem frequentar as cadeiras de Matemáticas Gerais e Álgebra Linear, em Faculdades de Ciências ou Institutos Superiores, ficarão a possuir, nos textos-pilotos, elementos de informação e esclarecimento, que lhes permitirão superar mais facilmente o fosso que se tem vindo a cavar entre ensino liceal e ensino universitário, quer em conteúdo cientifico, quer em forma de ensino.
8
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
ADVERT!NCIA
o
texto-piloto para o 7.° ano compõe-se de 2 volumes, dos
quais este é o primeiro - embora seja o segundo em relação ao do 6.° ano. A divisão do Compêndio do 7.° ano em dois volumes tornou-se necessária por imposições da própria experiência, que não permitiu, desde logo, chegar a uma redacção definitiva. Hão-de notar-se por isso algumas pequenas repetições, para as quais se chama oportunamente a atenção do leitor. Esta divisão tem no entanto vantagens, porquanto a Indole diferente dos assuntos - mais acentuadamente de análise infinitesimal neste volume e mais acentuadamente de álgebra e geometria no seguinte - torna aconselhável que tais assuntos sejam tratados, tanto quanto posslvel, em paralelo e não em série (no regime de bifurcação já adoptado no 6.° ano), a fim de se obter o melhor aproveitamento posslve!. Aliás, no Guia para a Utilização do Compéndio de Matemática (1 .· volume) do texto-piloto do 6.° ano já foi salientado que a ordem lógica na apresentação dos assuntos não é, muitas vezes, a mais aconselhável do ponto de vista didáctico. Devemos, pelo contrário, procurar seguir um caminho em ziguezague, de tentativa e erro, por aproximações sucessivas, semelhante ao da investigação. Numa palavra, convém seguir, tanto quanto posslve!. o método heurlstico. O assunto com que abre este volume - CÁLCULO NUM~RICO APROXIMADO, em Intima ligação com a TEORIA DOS LIMITES e como base heurlstica para a introdução ao CÁLCULO DIFERENCIAL-
9
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
além da importência capital que está a assumir na Sociedade Moderna, com o rapidissimo desenvolvimento da Automação é, pela sua própria essência, uma concretização típica do método de tentativa e erro, e dos processos de aproximações sucessivas, que caracterizam afinal todo o esforço de adaptação do homem ao mundo em que vive, procurando compreendê-lo cada vez melhor, para depois tentar transformá-Ia a seu favor (as explorações espaciais ilustram bem o que se acaba de dizer). Nesta ordem de ideias, é no fim e não no principio que deverão aparecer, em forma explicita, os fundamentos da aritmética e da análise, com a formulação das respectivas axiomáticas. Assim estaremos a seguir o método analltico, característico da investigação, em vez do
método sintético, de que se faz uso e abuso na exposição de tipo tradicional. Convém ter presente que, tal como no texto-piloto do 6.° ano, uma boa parte das matérias aqui expostas não é obrigatória, destinando-se, em principio, a elucidação dos professores e, eventualmente, a satisfazer a curiosidade dos alunos mais interessados. Não só por
isto, mas também porque os assuntos são tratados com grande generosidade em exemplos e em considerações de ordem geral e humana, os textos atingem um número elevado de páginas, o que SfJTÍa injusto e demasiado simplista tomar como base de uma critica sobre a extensão de programa. Deve ainda salientar-se que, embora enquadrada nas recomendações gerais da O.C.D.E. para modernização do ensino da matemática, a concepção destes textos é quase cem por cento orig inal. como se pode verificar, confrontando-os com livros congéneres estrangfJiros. Aproveitamos esta oportunidade para deixar aqui expressos os nossos vivos agradecimentos ao laboratório Nacional de Engenharia Civil, pela amável colaboração que se dignou prestar-nos através da sua Divisão da Macênica Aplicada.
/0
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
§ 4.
DERIVADAS
40. Conceitos fundamentais e ragras de derivação. Sobre este ponto pode também seguir-se o Compêndio de Algebra, no Capo VIII. Quanto à dedução das regras de derivação do produto, do quociente e da raiz, pode agora tirar-se partido do estudo feito no § 1 e utilizar as notações ô.x. ô.y, ô'u, ô'v, etc., atendendo à analogia entre o conceito de desvio e o de acréscimo. Assim. consideremos duas funções u = f(x). v = g(x) e um acréscimo ô'x dado a x. Sejam ô'u e ô'v os acréscimos correspondentes
de u e v, isto é: ô'u = f(x + Ô.x) - f(x)
ô'v = g(x + Ô.x) - g(x)
e ponhamos fg = rp. Ora. já sabemos que se tem: ô.(uv) = (u + Ô.u) (v + Ô.v) - u v = u Ô. v + v ô'u + ô'u ô'v donde: Ô.(uv) ô'x
=u -
ô'v
ô'u ô'v +v +ô'u. ô'x ô.x ô'x
149
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. BEBASTIAO E SILVA
Portanto, em todo o ponto x em que f e 9 admitem derivada finita, vem, aplicando os teoremas sobre limites:
lim âx-+o
(1 )
.i(uv) =u
.ix
.iu .iv lim _ +v lim _ âx-+ o .ix âx-+ o .ix
visto que .iu -+ O (porqué?) e .iv/.ix tende para um limite finito. Mas, lembrando que u
= f(x),
v
= g(x)
e uv
= f(x)g(x) = q> (x),
a
igualdade (1) escreve-se:
q>' (x) = f(x) g'(x) + g(x) f(x)
ou, abreviadamente:
O(uv) = uOv + vOu ou, ainda : (uv)' = uv' + vu' (1)
A extensão a mais de 2 factores faz-se como no Compendio
de AlgebrB.
( ')
Estamos aqui a cometer o abuso de linguagem que consiste em tratar
a8 v.,iAveis dependentes u,v, como se lossem as próprias funções I,g. A lórm~la correcta saria (Ig)' = Ig' + gl' ou O(lg) = 10g + gOl. Mas o relerido abuso de linguagem torna-sa inevitável, a partir de certo momento, para não complica, dem8siado as notações (principalmente em matemática aplicada). Apenas quando houve! p.rigo de confusão, será indispensável utilizar a linguagem correcta.
150
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMP:eNDUJ DE MATEMATICA
Quanto à derivada do quociente, basta lembrar que
6. -
u
+ 6.u v + 6.v
u
-
v
u
- -v
v6.u-u6.V·
-
v (v + 6. v)
= f(x),
Daqui vem, supondo ainda u v
6.~ v
v
= g(x):
dU _ U dV
dX
dX
v(v + 6.v)
6.x
Portanto, em todo o ponto x em que f e 9 admitem derivada finita e g(x) #< O, virá, por passagem ao limite quando 6.x ~ O e pondo f/g = q,: g(x) f' (x) - f(x) g' (x)
q,'(x) -
g(X)2
visto que 6. v .... O quando 6.x
~
O.
Em notação abreviada:
D -
u V
-
vDu-uDv v2
ou, ainda: u vu' - uv· (-)'= - - V
v2
151
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
.T. SEBASTIAO E SILVA
Quanto à derivada da raiz, consideremos um número natural n '.
e um número real Xo oF O (positivo se n é par). Então virá, para
x oF Xo (cf. n.O13, pp. 46-47):
donde:
(2)
Ora, quando x -+ Xo, ('Vx)n-k
('VX;;)k-1 tende para
(porqué7)
e, portanto, o primeiro membro de (2) tende para um limite finito que é:
Mais simplesmente, podemos elicrever:
-
1 -= n 'Vx n- 1
O 'V x= -
para todo o x oF O (e positivo se n é par) . Quanto à fórmula (18) do Comp'ndio de Algebra (p. 239), subentende-se que a fórmula
152
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
aOMP1!INDJO DE MATEMATIOA
é aplicável em todo O ponto x em que 'l' admite derivada finita e tal que 'l'(x)
~
O (positivo se
n é par) .
A regra da derivação da função composta pode ser deduzida como no Compêndio de Algebra. Não esquecer, entretanto, a linguagem moderna: se f(x) = 'l' [0/ (x)]. diz-se que f é a função composta de 'l' com 0/ e escreve-se f = 'l' o 0/. Quanto à regra de derivação da função inversa, pode ser deduzida como no Compêndio de Algebra. mas convém tratar desse assunto mais adiante, imediatamente antes da derivada da função logarltmica, em cuja dedução se aplica o referido teorema.
41. Conceito de diferencial ('). Seja f uma função que admita derivada finita num ponto x e ponhamos y = f(x). Então, a todo o acréscimo ~x dado a x, corresponde um acréscimo ~y para y e tem-se:
(1 )
f' (x) =
~y
lim _
!l.x ..... O ~x
Ponhamos, agora:
(2)
-
~y ~x
-f'(x)
=r
Antes deste assunto. convi,,\ tratar das ~plicaçõe. da. derivada., segundo o Compendio de Algebra. Sobre o conceito de diferencial, importa ver o Guiai (1)
153
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIÃO E SILVA
Será pois r a diferença entre a razão incrementaI e a derivada. Supondo x fixo e ~x variável, r é função de ~x e tem-se, em virtude de (1) e (2):
lim
Ilx~O
r= O
Ora de (2) vem:
~y
(3)
= f' (x) ~x
+r~x
e tem-se:
lim
Ilx~O
r~x
=
~x
lim
Ilx~O
r
=O
Mas isto quer dizer que r ·~ x é um infinitésimo com ~x de ordem
superior à de
~x.
Nestas condições, a fórmula (3) diz-nos o
seguinte:
o
~x
acréscimo ~y é igual a de ordem superior à de ~x.
1'(x)~x,
mais um infinitésimo com
Mais ainda, se f'(x) f= O, tem-se:
r~x r - -- - - ~O f' (x) ~x f' (x)
154
quando ~x~O
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
aOMP1!1NDIO DE ·MATEMATICA
Donde, atendendo a (3):
!:!..y
--~ -+
f'(x)!:!..x
1 quando!:!..x -+ O
Exprime-se este facto, dizendo que !:!..y e f' (x)!:!..x são infinitésimos equivalentes (isto é, o seu quociente tende para 1). Na prática, isto
quer dizer o seguinte:
Quando !:!..X é bastante pequeno, o termo r!:!..x
será muito
pequeno em relação a f' (x) !:!.. x, e portanto desprezável, o que nos
permite escrever, em vez de (3), a fórmula segu inte:
(3')
!:!..y :::; f'(x) !:!..x
Mas é preciso não esquecer que, em rigor, o acréscimo !:!..y não
é geralmente igual a f' (x) !:!.. x. Chama-se diferencial da função f no ponto x o produto f'(x) !:!.. x da derivada de f em x pelo acréscimo!:!.. x da variável independente.
O diferencial de f em x representa-se por df(x) ou simplesmente por dy, se pusermos y = f(x) . Será pois, por definição:
df(x) = f' (x) !:!.. x ou dy = f'(x) !:!..X
Notemos, desde já, o seguinte: em particular, se for f(x) =x,
155
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . BEBABTIAO E BILVA
=1
e portanto dy = 1 • tlx = tlx. Isto leva-nos a escrever dx em vez de tlx, quando x é a variável independente. Ter-se-á, pois: será f' (x)
(4)
dy
=
f'(x)dx
E a fórmula {3} diz-nos, agora, o seguinte:
o acréscimo
tly difere do diferencial dy por um infinitésimo de
ordem superior à de tlx (ou dX) e pode escrever-se tly
~
dy
quando dx é bastante pequeno.
r dx
---------------t:.y dy
dy
P _________ JI
•
A
I
dx
x
x + dx
A figura junta esclarece, por intuição geométrica, o que se acaba de dizer. A recta PB é a tangente ao gráfico da função
/56
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMP2NDlO DE MATEMATlOA
f no ponto da abcissa x; o seu declive é, portanto, f'(x). Os segmentos AP e AB, catetos do triângulo rectângulo [PAB], representam respectivamente dx e dy (dy = f'(x)dx), à parte o sinal. O segmento AC representa o acréscimo l1y, à parte o sinal. A diferença l1y-dy é assim representada, em valor absoluto, por BC. Ora vê-se que, quando dx tende para zero, esta diferença entre o acréscimo l1y e o diferencial dy torna-se desprezável em relação a dy. Assim, a substituiçiío do acréscimo l1y pelo diferencial dy equivale a substituir a curva pela tangente (ou seja, a substituir f pela funçiío linear cujo gráfico é a tangente), o que, para valores bastante pequenos de dx, não produz erro apreciável.
Note-se, por último, que a fórmula
(4)
dy = f'(x)dx,
que define o diferencial, pode escrever-se: dy
-
(5)
dx
Assim se explica a notação
= f'(x)
~~
de Leibniz, para designar a deri-
vada de y em ordem a x.
Para os precursores do cálculo infinitesimal, os diferenciais eram infinitésimos actuais (ou indivislveis) ('). Deste modo, a derivada seria o quociente de duas quantidades infinitésimas. Foi Newton,
('l
Reler NOTA IMPORTANTE das pp. 71-72.
Jj7
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIÃO E SILVA
ao que parece, quem primeiro concebeu a derivada correctamente, isto é, como limite da razão incrementai l::1y/l::1x, quando I::1x -+ O. No entanto, a fórmula (5) também é correcta, uma vez que se defina dy segundo (4) e não como sendo igual a l::1y.
42.
Regras de diferenciação.
O conceito de diferencial,
como desde já se pode reconhecer, está intimamente · relacionado com o cálculo numérico aproximado. Seja, por exemplo, f(x)
= PI x,
em que p é um número natural. Como df(x) =f'(x)dx e
f' (x) _
1 --;;;:-:==
p
V xp-l
será: dx
d
'V x = --.--===P VXP-l
Esta é uma fórmula rigorosa, que, como já tínhamos anunciado no n.O 13, substitui a FÓRMULA APROXIMADA DO DESVIO DA RAIZ:
(1 )
.p / _
1::1 v x ~
l::1x
PV= , P Xp-l
Esta pode agora ser interpretada do seguinte modo: a diferença entre os dois membros de (1) é um infinitésimo com I::1xde ordem superior 8 de I::1x.
/58
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPSNDlO DE MATEMATlOA
Da definição de diferencial
dy
= f'(x)dx,
sendo y
= f(x),
e das regras de derivação, resultam regras perfeitamente análogas de diferenciação:
d(u+v) = du + dv d(uv)
= u dv + vdu
com u = f(x), v
= g(x}
u v du - u dv d-=-----V
v2
Por exemplo:
d(uv)
= (uv)'dx = (uv' + vu')dx = uv'dx + vu'dx = u dv + v du
Note-se que as REGRAS DE DIFERENCIAÇÃO DO PRODUTO E DO QUOCIENTE substituem as FÓRMULAS APROXIMADAS DO DESVIO DO PRODUTO E DO QUOCIENTE (n. os 9 e 11). Finalmente, convém notar que o conceito de diferencial se estende a funções de mais de uma variável, sendo as regras de diferenciação perfeitamente análogas. No caso particular de uma função 2 =
f(x,y) de duas variáveis, que verifique certas condições, tem-se
por definição: oz 02 dz = dx + ~ dy, OX vy oZ oz ,I' d .. d I " . sen d o ôx e ôy as ueflva as parciais a lunçao, respectivamente
em ordem a x e em ordem a y. A primeira obtém-se derivando
159
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. fIEBA8TIAO E 8ILVA
f(x,y) em ordem a x supondo y constante; e a segunda, derivando f(x,y) em ordem a y, supondo x constante. Por exemplo, se z = Vx 2 + 3y tem-se:
x
ôz -
íl x
3
ôz
= --::-;=;;=:=;;;=-
-
Vx 2 +3y
oy
=
-;;-:-;==;;='~
2Vx 2 +3y
e, portanto:
(2)
d V X 2 + 3y =
x
dx +
Vx 2 + 3y
3 2 V x 2 + 3y
dy
Este resultado podia ser obtido, aplicando as regras de diferenciação: d Vx 2 + 3y =
2
V
1
x2
+ 3y
d(x 2 + 3y)
1
- - y-'=== (2xdx + 3dy) 2 x 2 + 3y Substituindo d por  e o sinal - por aproximada do desvio de Vx 2 + 3y.
~,
obtém-se a fórmula
43. O conceito de diferenciai nas cilncias da natureza ( ,). Já se viu qual o papel do conceito de diferencial no cálculo numérico
(') Este n~mero é perticularmentjl recomendável como leitura, para se compreender bem a aplicação do cllculo infinitesimal às ciências da n.turez8. especialmente 6 flllca e ê engenhllla.
160
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPirNDIO DE MATEMATIOA
aproximado. ~ corrente, em questões concretas de matemática relativas às ciências experimentais e à engenharia, usar os diferenciais como se estes fossem os próprios acréscimos das funções. Nisto consistem os chamados 'M~TODOS ABREVIADOS DE CALCULO E RACIOCINIO'. ~ evidente que tais métodos carecem de rigor, pois, como vimos, ao substituir os acréscimos das funções pelos respectivos diferenciais, cometem -se erros. Mas, na prática, estes erros são desprezáveis, dentro de outros limites, e, nos raciocfnios, são compensados por outros erros da mesma ordem, de modo que se chega muitas vezes assim a resultados válidos. Os referidos métodos abreviados são, pois, métodos heurlsticos, isto é, métodos que, embora pouco rigorosos, permitem facilmente descobrir factos, que podem depois ser demonstrados logicamente pelos métodos rigorosos da matemática pura, No fundo, continua a seguir-se o método dos indivislveis (pp. 71-72) com uma só diferença: é que se tem agora consciência da falta de rigor e da necessidade de confirmar posteriormente os resultados à luz da lógica dedutiva. Convém, portanto, que o aluno fique desde já prevenido de que irá encontrar, com frequência, no estudo das ciências experimentais nomeadamente na flsica, racioclnios que deixam muito a desejar do ponto de vista do rigor lógico. A razão é esta: nesses casos, são normalmente usados os referidos métodos abreviados de carácter heurlstico, e não há tempo para fazer demonstrações rigorosas, que são muitas vezes longas ou mesmo complicadas. Estas competem aos matemáticos. Na NOTA HISTÓRICA do Capo V do Compêndio de Álgebra, mostra -se como tal método pode ser usado para descobrir a fórmula da área do circulo. De modo análogo se pode descobrir a fórmula que dá o volume da esfera (supondo já conhecidas as que dão a área da esfera e o volume do cone) .
161 C M-Il
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
.' J , ' SEBASTIAO E SILVA
Outros exeploms: a)
Já sabemos que, num movimento de equação s = f(t), a
velocidade, em cada instante t, é a derivada f'(t) do espaço em ordem ao tempo, derivada que também se representa por dS/d1. Pois em linguagem abreviada raciocina-se deste modo: num inter-o valo de tempo infinitésimo [t,t + dt]. o movimento pode considerar-se uniforme; logo, a velocidade v nesse intervalo (e, portanto, no instante t) é o quociente do espaço percorrido ds = f(t + dt) - f(t) pelo tempo dt. isto é, v
= ds/dt = f'(t),
Ora, nesse raciocfnio há dois erros: 1,°, supõe-se constante a velocidade no intervalo [t, t + dt]; 2,°, substitui-se o acréscimo ô's = f(t + dt) - f(t) pelo diferencial ds, Mas é claro que os dois erros se compensam e o resultado está certo (') , b)
A quantidade de electricidade a que passa numa dada
secção dum fio condutor durante um tempo t é função de t :
a = f(t) Num intervalo infinitésimo
[t, t + dt]. a quantidade de electri -
cidade escoada, da = f(t + dt) - f(t), é também infinitésima e pode considerar-se proporcional ao tempo d1. A constante de proporcionalidade, que representaremos por I, chama-se intensidade de corrente no instante 1. Tem-se, pois:
I = -
da
= f(t)
dt (')
Aqui 'infinitésimo' significa 'muito pequeno'; mas já sabemos que, em
rigor, 'infinitésimo' significa 'tendente para zaro',
162.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPRNDIO DE MATEMATIOA
Mas, em geral, I varia com t (é uma nova função de t) não sendo constante no intervalo [t, t + dt], contrariamente ao que se supôs. Em rigor, a intensidade I deverá ser definida pela fórmula:
I = f'(t) =
c)
lim
dt
f(t + dt) - f(t)
~O
dt
A quantidade de calor q necessária para elevar de 0 0 a 1 0
a temperatura de um grama de certa substância é função de t : q = q> (t)
A um acréscimo infinitésimo dt de t corresponde um acréscimo infinitésimo dq, de q, que pode ser considerado proporcional a dt. A constante de proporcionalidade, y, chama-se calor especifico da substância à temperatura t. Tem-se, pois: dq y= =q>'(t)
dI
Mas y varia geralmente com a temperatura: é uma função de t (como no caso anterior) . NOTA IMPORTANTE. O acréscimo t1y = t1f(x) de uma função num ponto x também é chamado diferença finita da função, principalmente quando se consideram acréscimos da variável independente todos iguais entre si, como sucede nas tabelas numéricas (p. ex. nas de logaritmos) . Como acabámos de ver, a diferença finita t1y é, muitas vezes, substitufda pelo diferencial dy. Mas também muitas vezes se faz a substituição inversa: O diferencial dy é substituído pela diferença finita t1y (e portanto a dBrivada pela razão incrementai), quando t1 x é bastante peqúeno.
163
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIAO E SILVA
Acontece isto correntemente em cálculo numérico, como veremos a propósito do cálculo integral. Faz-se então aquilo a que podemos chamar uma discretização dos problemas: as variáveis contInuas (de tempo, espaço, massa, etc.) são substiturdas por variáveis dis-
cretas, com intervalos todos iguais. O problema fundamental que se põe então aos matemáticos é o de avaliar o erro que daI resulta, para saber até que ponto a discretização conduz a resultados aceitáveis. No fundo, trata-se pois ainda aqui de questões de convergência, muitas das quais ainda estão por resolver em vários tipos de problemas, pela sua extrema dificuldade. Quando os técnicos não dispõem de critérios matemáticos rigorosos para controlar os resultados dos seus cálculos, são obrigados a verificá-los por meio de modelos
materiais, que reproduzem ou simulam, em escala muito reduzida, a obra ou o fenómeno em estudo (moderos de barragens, modelos aerodinâmicos, etc.). Mas, além de morosos e caros, tais processos empfricos apenas fornecem uma fraca aproximação.
r: de notar que os chamados 'computadores analógicos', baseados geralmente em analogias eléctricas, constituem um meio termo entre os métodos matemáticos e os processos de simulação.
44. Derivação das funções exponencial e logarftmica. Seja
a um número positivo qualquer, diferente de 1. Procurem
calcular a derivada da função xvax num ponto x qualquer. Neste caso a razão incrementaI é: ax+h_a x h
ax·ah_a x
-
h
ou seja: ax + h _ a X
(1 )
164
h
=a
X •
ah -1 h
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMP2NDIO DE MATEMATIOA
Suponhamos que a h_1 tende para um limite finito quando h -+ O e representemos esse limite por À(a), isto é:
ah - 1
(2)
À(a) = lim-h-+O h
Passemos, agora, ao limite em ambos os membros de (1). quando h -+ O, lembrando que a x é constante (visto que estamos a considerar x fixo e só h variável). Virá, então:
lim h ..... O
h
= a X À(a)
Por conseguinte : (3)
Dxa x = aXÀ(a)
, 'rIxE IR
, a> O , a i' 1
Mas este resultado foi obtido na hipótese de existir e ser finito o limite indicado em (2) . Em tal hipótese, o limite À(a) será a derivada da função a X no ponto zero (visto que aO = 1) e representa, portanto, o declive do gráfico da função no ponto de abcissa zero. Ora, demonstra-se efectivamente que esse limite existe e é finito('). Podemos, portanto, aceitar a fórmula (3) como válida.
(1)
Supondo a > 1, a demonstração pode fazer-se a partir dos seguintes
factos: 1) a função é continua; 2) por menor que seja 8 positivo, os acréscimos a8-1, a 28 - aa, a 38 _ a 28 são cada vez maiores (função de acréscimos cres-
contos). Daqui resulta que a razão (a"-1 )/h, representativa do declive e da secant8, diminui quando h decresce para zero e. como é sempre menor que 1, tende para um limite finito quando h -+ 0+. Isto implica, por sua vez, que existe, e é igual ao primeiro, o limite da razão incrementai quando h -+ 0-. E o resultado estende-se facilmente ao caso em que a < 1.
16j
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
.T. SEBASTIÃO E SILVA
o
x
Se, no lugar de x, se tiver uma função u = cp(x), com derivada finita, virá, pelo teorema das funções compostas:
(4) Seja, agora, boutro número positivo =F 1. Como
tem-se, elevando ambos os membros a x:
donde, atendendo a (4), com u = x Ioga b:
ou seja:
166
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMP1iJNDlO DE MATEMATIOA
Mas, por outro lado, segundo (3), temos: Dx b X = b X À(b)
(porquê?)
donde, por comparação com a fórmula anterior:
Or8, podemos determinar b de modo que seja À(b) À(a) logab
= 1.
= 1,
isto é,
Com efeito, esta igualdade equivale a 1 logab = - À(a)
ou seja:
b = a 1/ À (a)
(5)
o
valor de b assim obtido (sendo a um número positivo
arbitrário) é a base dos logaritmos neperíanos, que se designa por e. Demonstra-se que este número é irracional. Com 11 algarismos exactos, tem-se:
e = 2,7182818284 ... Será, pois, e = a 1/ À(a), segundo (5), donde: eÀ(a) = a e, portanto:
167
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
, J. SEBASTIÃO E SILVA
Quer dizer: '-(a) é precisamente o logaritmo neperiano de a, que, em matemática aplicada, se designa muitas vezes por In a:
Em questões de análise, é costume representar simplesmente pela notação log a o logaritmo neperiano de a, dada a frequência com que se apresentam ar os logaritmos nessa base. Para evitar equrvocos, será preciso representar por log, oa o logaritmo decimal de a. Todavia, em questões numéricas em que intervem s6 logaritmos decimais, continua-se, por comodidade, a omitir a base 10
em Indice. Costuma-se pôr: 1
donde:M
=
loge 10
Com 7 algarismos exactos, tem-se ('): M = 0,4342944
lembrando que logea
(6)
( ,)
=
1
log a = -
M
1IM = 2,302585
log, oa • Ioga10, vem:
Iog , oa "" 2,3026 log , oa
As tábuas de logaritmos costumam dar valores de a, M e 11M com
muitos algarismos exactos. Não é preciso, evidentemente, fixar 08 valores de e, M e 11M, que são dados aqui apenas para eventual consulta.
168
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
aOMPtlNDIO DE MATEMATIOA
Posto isto, a fórmula (3) pode escrever-se:
(7)
Em particular, se a = e, vem:
(8)
, visto que log e = 1
Vemos, assim, que a função eX tem a particularidade muito
notável de ser invariante por derivação. 1:, portanto, indefinidamente derivável, sendo a sua derivada de qualquer ordem igual a eX. Mais geralmente, se, em vez de x, tivermos u = <p(x), sendo <p uma função com derivada finita, as fórmulas (7) e (8) dão lugar às seguintes, aplicando o teorema das funções compostas: Dxa u = aU log a • u' Note-se que a função eX também se representa pela notação exp x (ler 'exponencial de x'). Tem-se, pois: Dxexp u = exp u • u' EXEMPLOS: I.
Achar a derivada de 2 v' X-, em ordem a x.
Tem-se; log 2 log 2· Dx Yx-1 = 2 v'x-, ---;==~ 2 '\fi(:1
169
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . SEBASTIÃO E SILVA
11. Achar a derivada de exp
1 -x 2
1 +x 2
em ordem a x.
Tem-se: 1-x 2
Dx exp
1+x 2
1-x 2
= exp
1-x 2
O x
1+x2
1+><2
'
e como
O
1 -x 2
x 1 +x2
-
-2x(1 +x 2)-2x(1-x 2) (1 +x 2 )
2
4x =---(1 +x 2 )2
vem: 1 -x 2 Dx exp =exp - 1+x 2 (1+X 2)2 1+x 2 1-)(2
111.
4x
Calcular, em ordem a x:
NOTA IMPORTANTE.
A fórmula (6) permite converter loga-
ritmos decimais em logaritmos neperianos, com certa aproximação. Por outro lado, os alunos devem ter presente que o cálculo dos valores de eX se pode fazer por meio de logaritmos decimais, atendendo a que log1o eX = x log 10 e
=Mx
Aliás, é da máxima conveniência que, neste momento, ou anteriormente, os alunos aprendam a utilizar a régua de cálculo para expressões numéricas do tipo ab. E também a utilizar · o papel
170
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
COMPENDIO DE MATEMÁTICA
logarítmico ou semilogarítmico para linearização de funções exponenciais ou funções potências.
45.
Derivada da função logarítmica.
Seja ainda a um
número positivo diferente .de 1. Da fórmula (7) deduz-se a derivada da função logax, aplicando a regra de derivação da função inversa (que convém previamente deduzir). Pondo y = I09aX, vem:
x = aY Ora, segundo (7): dx --
=
dy
a Y log a
Mas, segundo a regra da função inversa, dy dx
1
- dX dY
Portanto: dy dx
Como y
= logax
e
-
x= aY
1 aY log a
virá, finalmente: 1 x log a
171
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIAO E SILVA
Em particular, com a = e, vem:
0xlog x = -
1
x
Se, em vez de x, se tem u = 'P (x) , com derivada finita, vem, pelo teorema das funções compostas: u' 0x log.u = - -u log a
Em particular u'
0x log u =
u
EXERCI CIOS. Calcular, em ordem a x:
o
o log
log 10(1 +x')
Resp.:
NOTA.
2x
eX
{1 + x')log 10
1 + eX
(1 + Vx'+1) x
,
Vx' + 1 (1 + Vx' + 1 )
As regras de derivação das funções exponencial e
logarítmica permitem deduzir facilmente a regra de derivação das potências de expoente real <1. qualquer (racional ou irracional, positivo ou negativo). Tem-se, com efeito, x<1. = e<1.log x, donde: Ox<t. = Oe<1. 109 x = e <1.109 x O(<1.log x) = x<t. -
<1. X
172
= <1.x<1.-
1
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
O()MP~NDIO
DE MATEMATIOA
Portanto:
Dx"'=Otx"'-1 , 'v'OtEIR
46.
Derivadas das funções circulares.
As derivadas das
funções circulares directas são deduzidas no Compêndio de Trigo·
nometria, como se diz no Guia. Tem·se:
o
sen x = cos x
,
O cos x = - sen x
Se, em vez de x, se tem u = cp(x), com derivada finita, vem:
o
sen u
= cos u'u'
o
, Ocos u
=-
sen u·u'
tg u = sec 2 u'u'
Por exemplo :
o
sen 3x = 3 cos 3x
o eCos x =
_ e cos x sen x
o
log (1
+sen 3
,
o
sen 2X = 2 sen x cos x
O tg (1+log x) = -
x) =
3 sen 2 x cos x 1 +sen 3 x
1 x
sec 2 (1 +Iogx)
, etc.
Para achar as derivadas das funções circulares inversas (ver
Guia, 2.° volume, I, n.O 14), basta aplicar o teorema das funções inversas.
173
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J, SEBASTIAO E SILVA
Assim: 7t
a)
Pondo y = arc sen x (com y
x = sen y , -
E [-
7t
"2 ' "2])'
vem:
dx
dy
=cos Y
e, portanto:
(1 )
dy
1
dx
cos y
Ora 7t
'ltYE [- -
2
7t
, - ]
2
Logo, de (1) vem:
1
D arc sen x =
b)
Analogamente se reconhece que
1
D arc cos x = - --::r;=~
V1 x 2 7t
c)
Pondo y = arc tg x (com YE[- -
2
dx
x = t9 Y , 174
dy
7t
, -
=sec 2 y
2
])
, vem:
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPt!JNDIO DE MATEMATIOA
e, portanto:
dy
1
dx
sec 2 y
Ora sec 2 y = 1 +tg 2 y=1 +x 2 Logo:
o
1 arc tg x = - - 1 + x2
Mais geralmente, sendo u = rp(x) , com derivada finita:
u' 1 +u 2
Imagine e resolva alguns exercícios em que se apliquem estas regras.
47. Máximos e mlnimos. concavidades e inflexões.
Sobre
estes assuntos seguir o Compêndio de Algebra, Capo VIII. Como
já foi observado atrás, convirá até começar a tratá-los imediatamente após terem sido dadas as primeiras regras da derivação (antes do conceito de diferencial), para que o aluno tome contacto, o mais cedo possive!, com as aplicações concretas do estudo das derivadas.
175
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . SEBASTIAO E SILVA
Ao fazer a distinção entre máximos (ou mlnimos) relativos e
máximos (ou mlnimos) absolutos. convém tomar nota do seguinte teorema, que se pode aceitar intuitivamente, sem demonstração:
TEOREMA DE WEIERSTRASS. Toda a função contInua num
intervalo limitado e fechado [a, b] toma nesse intervalo um valor máximo e um valor mlnimo (') . ~ claro que tais valores têm de ser finitos
(porquê?).
Note-se que esse máximo ou esse mrnimo podem ser atingidos em mais de um ponto; basta lembrar o exemplo da função seno em intervalos tais como [0,41<], [0,61<], etc. Quanto a exercrcios sobre máximos, mínimos, etc., dispomos agora de maior variedade, visto ter sido alargada a classe de funções cujas derivadas se podem determinar facilmente. Nos casos em que intervierem funções exponenciais ou logarrtmicas, convém ter presente qual é o sinal destas funções, para poder aplicar o PRIN cIpIO DE DECOMPOSiÇÃO. Para isso, é aconselhável começar por resolver os exercicios 10 e 11 do Capo XXII do Compêndio de
Algebra (7. 0 ano). EXERClcIOS.
Estudar o gráfico das seguintes funções, relati -
vamente a sinais, sentido de variação e assrmptotas:
c)
d)
e-x cos x
x
Estude o gráfico da primeira no que se refere a concavidades e pontos de inflexão (respostas no final do número seguinte) .
(')
/76
Subentende-se 'máximo absoluto' e ' mfnimo absoluto'.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPENDIO DE MATEMATIOA
48.
Teorema de Cauchy (').
Consideremos uma função f
continua num intervalo limitado e fechado [a, b]. Suponhamos que f(a) # f(b) -
por exemplo, f(a) < f(b) -
e seja k um número
qualquer compreendido entre f(a) e f(b): . f(a) < k < f(b)
B f(b) ----------------~ k~----------------_L_
f(a)
___ ,A I I
a
b
Consideremos agora, num plano cartesiano, os pontos AV(a,f(a», BV(b,f(b» e a recta y = k. O ponto A está abaixo desta recta e o ponto B está acima da mesma (porquê?). Pergunta-se, agora:
Será posslvel ligar os pontos A e B por meio de uma linha contInua sem atravessar a reeta x = k? Vê-se intuitivamente que a resposta é negativa.
(') A lelture deste número tem bastante interesse, mas nAo 01 indispensAvel p.r.
J'. 177
eM· "
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIÃO
li}
SILVA
Ora, o gráfico da função f em [a,b] é uma linha contInua que liga os pontos A e B. Logo, o gráfico corta necessariamente a recta x = k pelo menos num ponto (pode cortar em mais de um: desenhe a lápis, sobre a figura, linhas destas em vários casos) . Posto isto, seja c a abcissa de um ponto em que o gráfico corta a dita recta. Qual é o valor da função f em c? Tem-se:
f(c) = ...
Vamos, agora, formular a conclusão sob a forma de um teorema. Hipótese? f á uma função contInua em [a,b], f(a) # f(b), k á um
número compreendido entre f(a) e f(b). Tese? Existe, pelo menos, um ponto c entre a e b tal que f(c) = k. Este teorema, devido a CAUCHY, tem importância fundamental em análise, e é demonstrado rigorosamente em cursos universitários. Podemos enunciá-lo do seguinte modo:
. TEOREMA DE CAUCHY. Se f á uma função continua num
intervalo limitado e fechado [a,b], e se f(a) # f(b) , então f toma nesse intervalo, todos os valores entre f(a) e f(b).
Em forma intuitiva:
Uma função continua não pode passar de um valor a outro sem passar por todos os valores intermádios. Exemplo concreto : a temperatura de um corpo é função continua do tempo; logo, não pode passar de um valor a outro sem passar por todos os valores intermédios. (Nisto mesmo, .aliás, consiste a ideia vulgar de 'variação contInua'.)
178
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
aOMPI1NDIO DE MATEMATICA
Associado ao teorema de Weierstrass o teorema de Cauchy toma o seguinte aspecto:
Uma função continua num inteNalo toma, nesse intervalo, todos os valores entre o máximo e o mlnimo (se estes coincidem I.
a função é evidentemente constante no intervalo). Outro aspecto do teorema de Cauchy é o seguinte:
11. Se uma função f é contInua num inteNalo [a,b] e toma sinais contrários nos extremos do intervalo, então f tem pelo menos uma raiz nesse inteNalo.
f{a)
c
"~
----------------
O e f{b) < O, e existe um ponto c entre a e b tal que f{ c) = O. Será, pois, c um zero de f situado entre a e b . No caso da figura tem-se f{a)
>
Na prática, o teorema de Cauchy aplica-se ao cálculo de raIzes reais de equeções. Consideremos uma equação da forma f{x) = O
179
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA
em que f é uma função continua num intervalo [a,b] (função real de variável real). Se f toma sinais contrários em a e b, já sabemos que existe, pelo menos, uma raiz de equação entre a e b. Para calcular uma tal raiz, pode-se começar por dividir [a,b] em 10 partes iguais e ver o sinal que f toma nos pontos de divisão. Se f se anula num desses pontos (o que é pouco provável), está achada uma raiz; caso contrário, existem, pelo menos, dois pontos consecutivos a, e b" em que f toma ainda sinais contrários : então existe, pelo
menos, uma raiz entre a, e b, . Pode, agora, proceder-se para [a" b,], como se fez para [a, b], e assim sucessivamente. Ora, de duas uma: ou um dos pontos de divisão é uma raiz, que fica assim calculada exactamente, ou se obtém uma sucessão de intervalos [an,bn ] dentro dos quais está uma raiz r. Mas, neste caso, tem-se:
b-a b -a = --
,
,
10
b
2
b-a -a = - 2 100
b-a
10n
I
•••
o que mostra que an e bn são vaiores aproximados de r, respectivamente por defeito e por excesso, a menos de (b-a) x 10- n. Podemos, assim, calcular r com a aproximação que quisermos(').
EXEMPLOS: I. Achar as raIzes da equação 2x = 3x + 1.
(')
Este processo de cálculo fornece uma demonstração construtiva do
teorema de Cauchy (cf. n.O 35).
180
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPSNDJO DE MATEMATICA
Uma das rarzes é evidentemente O. Para achar outra raiz, notemos que a equação é equivalente à seguinte:
Representando o primeiro membro por f(x), vê-se que f é uma função continua em IR e que, por exemplo. f(3)
= - 2 • f(4) = 3
Portanto, segundo o teorema de Cauchy, existe, pelo menos, uma raiz entre 3 e 4. Calculando os valores de f nos pontos 3,1 ; 3,2; 3,3; 3,4; 3,5; 3,6; 3,7; 3,8; 3,9 vê-se que f(3,5)
<
O , f(3,6)
> O.
Existe, pois, uma raiz entre 3,5 e
3,6, cujo valor com dois algarismos exactos é, portanto, 3,5. Anarogamente se calculava a raiz até às centésimas, até às milésimas, etc. (Prova-se que a equação tem s6 duas rarzes, que são as abcissas dos pontos da intersecção da recta y = 3x + 1 com a curva y = 2x.)
Achar os máximos e m/nimos relativos da função y = x sen x no intervalo [0,21<]. 11.
A derivada da função é: y' = sen x + x cos x Uma das rarzes da derivada é, precisamente, O e ar é fácil ver que y' passa de negativa a positiva: portanto, O é um ponto de
181
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . SEBASTIAO E SILVA
mini mo relativo. No 1.° quadrante é sempre y' > O. Mas, no 2.° quadrante, tem-se y'
=1
para x
= 1t/2
e y'
=-
1t,
para x
= 1t.
Portanto,
segundo o teorema de Cauchy, existe, pelo menos, uma raiz da derivada entre 1t/2 e
1t,
que pode ser calculada por aproximações
sucessivas, como foi indicado. Pode, ainda, provar-se que essa raiz da derivada entre 1t/2 e 1t é única e que y' passa de positiva a negativa nesse ponto, que é, portanto, um ponto de máximo relativo. Analogamente se prova que existe um ponto de mlnimo relativo
no 4.° quadrante. No 3.° quadrante é sempre y' < O e portanto y é decrescente. No entanto, o referido processo de cálculo é demasiado laborioso, sobretudo quando não se dispõe de um computador electrónico. Um método muito mais expedito é o método de Newton (ou
da tangente) que já indicámos no n. ° 18, no caso particular ai considerado.
RESPOSTAS AOS EXERCI CIOS DO NÚMERO ANTERIOR a)
'\;Ix
E
y'
= e- X2/2 •
(-x), y"
= (x 2 _ ' )
e- X2/2 • Como e- x2 > O.
I R, tem-se y' > O para x < O, y' < O para x > O e o sinal
de y" é o de x 2 -1, portanto y" > O para x < -1 V x > " y" < O para -, < x < 1. logo, y > O em I R, crescente em ] decrescente em ]0. +
00 [.
00,
e 0[,
máximo em O. pontos de inflexão para
x = 1 e x = - 1. concavidade para baixo em ]-,. , [. etc. Asslmptota:
y = O. b) Negativa para x < O. positiva para x > O. nula para x = O. decrescente em ] -
00. - ,
/2[ e ]1/2. + 00
[.
crescente em [-, /2. , /2].
mlnima em -1/2, máxima em 1/2. asslmptota y = O. Curva simétrica em relação à origem. c) y < O para x < O. y > O para x > O, y = para x = O (+ 00 à direita, e ]0,1 [, crescente em ]1. x
= O,
00
00
à esquerda). decrescente em ]- 00, O[
+00 [.
mini mo relativo em 1, assrmptotas
Y = O. Concavidade para baixo em ] -
00.
O [. para cima
em ]0. + 00 [; não tem pontos de inflexão. d) Zeros e sinais
182
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
COMPSNDlO DE MATEMATICA
iguais aos de cos x; y' x = 31</4 + n1< (n
E
=-
e - x (sen x + cos xl, logo y'
=O
para
Z); , mínimos relativos de y para x = 3 1</4 + 2n1<,
máximos relativos para
x = 71</4 + 2n 1<; deduz-se dai onde y
cresce e onde decresce. Asslmptota: y = O (56 à direita).
49. Método da tangente (ou de Newton)( ').
Conside-
remos uma equação f(x) = O
(1 )
Suponhamos que a função é continua e admite derivada continua num intervalo [a,b]; e que, além disso, f(a) e f(b) têm sinais contrários. Existe, portanto, pelo menos uma raiz de f nesse intervalo. Seja x, um primeiro valor aproximado de uma tal raiz (por exemplo x,
=a
ou x 2
= b).
Como já sabemos, se o acréscimo x - x, for
bastante pequeno, o acréscimo f(x) -f(x,) é aproximadamente igual ao diferencial, f(x,) (x-x,), isto é: f(x) - f(x,) "" (x-x, )f'(x,) ou seja: f(x) "" f(x,) + (x-x,)f'(x,) Podemos portanto, em primeira aproximação, substituir a equação (1) pela equação em x:
' f{x,)+(x-)(,) f'(x,) =0
(2)
( t)
Leitura facultativa, recomendável antes da visita a um centro de cálculo
automático.
183
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . 8EBA8TIAO E 81!.VA
Como a equação (2) é linear, diremos que, na passagem de (1) para (2), a equação (1) foi linearízada. Resolvendo (2) , vem sucessivamente: (x-x,) f'(x,) = -f(x,)
x - x,
f(x ,) = -
f'(x, )
supondo f'(x , ) # 0,
f(x, )
x = x, -
f'x , )
Representemos por x 2 esta raiz da equação (2), isto é:
x2
=
x, -
Podemos tomar, agora,
X2
f(x ,) f'(x, ) como segundo valor aproximado da
raiz de (2) em questão e proceder para x 2 como se fez para x, e assim sucessivamente. Fica, pois, definida uma sucessão Xn, a partir de x" pela fórmula de recorrência:
(3)
Xn+,=Xn -
Suponhamos, agora, verificadas as seguintes condições: I.
11.
f' é continua e diferente de zero em [a,b]. Xn e
[a,b]
VnelN
111. A sucessão xn é convergente.
184
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPBNDIO DE MATEMATIOA
Então, virá de (3):
lim
Xn +
donde, pondo r = lim
' = lim
Xn =
f(lim Xn ) Xn - - - - f'(lim Xn )
lim
Xn +
(porquê?)
,:
f(r) r=r- - f'(r) e, portanto f(r) = O
Quer dizer: uma vez verificadas as referidas hipóteses, a sucessão Xn
tem, por limite, uma raiz de (1) situada entre a e b .
Mas, como se consegue saber se as condições 11 e 111 são verificadas? Para isso, vamos recorrer à intuição geométrica. Já sabemos que a substituição
do acréscimo f(x) - f(x,)
pelo diferencial
f'(x,) (x- x,) equivale a substituir a curva representativa de f pela tangente à curva no ponto da abcissa x,. Com efeito, esta recta tem por equação:
y = f(x,) + f'(x,) (x - x,)
o
valor x 2 é a abcissa do ponto de intersecção da recta com
o eixo dos x. /85
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBABTIAO E SILVA
8
c
1 I I
I
A
Na figura junta considera-se o gráfico de uma função f, que verifica as seguintes condições no intervalo [a,b]: 1)f tem derivada f' positiva (:. f é crescente) ; 2} f tem 2. a derivada, f", também
positiva (:. a curva tem a concavidade voltada para cima); 3} f(a} < 0, f(b}
> O. Nestas condições, f tem uma e uma só raiz r em [a,b], (porquê?) .
Experimentando o número a como primeiro valor aproximado de r, pelo método de Newton, vê-se que o segundo valor aproximado é um ponto c situado fora de [a,b]. Pondo x, = b, obtém-se um valor x 2 situado em [a,b] e bastante mais próximo de r (tem-se r < x 2 < x,) . Continuando a aplicar o método de Newton deste lado, vê-se
intuitivamente, pela figura, que a sucessão xn obtida tem todos os valores em [a,b] e é convergente. São, pois, verificadas as condições I, " e "I anteriores e, portanto, lim xn = r. Observe-se que, neste caso, se tem f(a) < 0, f(b)
>
°
e 1"(x}
>
°
em [a,b]. Portanto f e f" têm o mesmo sinal em b, mas sinais
contrários em a.
186
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
aOMP1!JNDIO DE MATEMATlOA
Dum modo geral, demonstra-se a seguinte
REG RA: Se f é uma função contInua em [a,b] tal que: 1}
f toma sinais contrários em a e b;
2}
f tem segunda derivada com sinal constante em [a,b];
então f tem uma e uma só raiz em [a,b], que pode ser calculada pelo método de Newton; deve então tomar-se para primeiro valor aproximado, x" aquele extremo do intervalo [a,b] em que f e f" têm o mesmo sinal. EXEMPLOS: I.
Calcular V'23 com 7 algarismos exactos.
Note-se que ~ 23 é a raiz real da equação
x 5 -23=O (Como já sabemos, esta equação tem mais 4 raízes, mas todas imaginárias.) Representando por f(x} o 1.° membro da equação, vem: f'(x}
= 5x'
, f"(x}
==
20x 3
f(1 y = - 22 < O . , f(2} = 9 > O
Portanto, a raiz real procurada está entre 1 e 2. No intervalo [1,2], tem-se f"(x}
> O.
No extremo 2 do intervalo, f e f" têm o
187
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. BEBABTIAO B
BI~VA
mesmo sinal : é, pois, esse o extremo que convém tomar para primeiro valor aproximado. A fórmula da recorrência será, agora:
X n +1=Xn
o
-
cálculo já foi apresentado no n.O 18, pp. 60-61 . Nesse §,
como se viu (n. os 18 e 23), o método iterativo foi justificado por via elementar.
11.
Calcular, com 7 algarismos exactos, a raiz positiva da
equação
2X
-
3x - 1 = O
Já vimos no número anterior, exemplo I, que esta equação tem duas (e só duas) raízes reais: uma igual a zero e a outra situada entre 3 e 4. I:': desta que se trata agora. Representando por f(x) o 1.° membro da equação, vem:
f(x)
Como f"(x)
>O
=2xln2 - 3
, f"(x)
com [3.4] e f(x)
> O,
=2 x(ln2)
vê-se que o extremo
favorável é 4. Utilizando a fórmula de recorrência
2xn - 3x n - 1
xn + , = xn - - 2'"""" '---1n-2-"--3-
188
2
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPSNDIO DE MATEMATIOA
com X, = 4, obteve-se por meio de um computador, no L. N. E. C., a sequência indicada à margem, tal como foi escrita pela
teleimpressora (1).
Aplicando
a
REGRA EMP/RICA DE ESTABILIDADE,
40000000 36291881 35420414 35376806 35376701
0 + 01 0 + 01 0 + 01 0 + 01 0 + 01
que será enunciada mais adiante, e admitindo que o número de algarismos exactos duplica sensivelmente em cada iteração, podemos aceitar que o seguinte valor aproximado da raiz tem 7 algarismos exactos:
x = 3,537670 Note-se que uma dificuldade está no cálculo dos valores de 2 x para x = x 2 ' x 3
°O • •
Esse cálculo foi feito pelo computador, em cada
iteração, por meio de um desenvolvimento em série segundo as instruções de uma sub-rotina, inclulda no programa. O tempo de cálculo na máquina não chegou a 1 minuto.
50. Método da corda (ou regra da falsa posiçio)*, Seja ainda f uma função continua em [a,b] e que tome sinais contrários em a e b. Para calcular por aproximações sucessivas uma raiz de f situada em [a,b]. pode-se utilizar o método da corda, também chamado «regu/a fa/si» ou «regra da falsa posição». Consiste este método em substituir a curva representativa de f pela respectiva corda, cujos extremos são os pontos (a,f(a»
(')
,
(b,f(b»
Cf. n.· 33, nota do exemplo I.
189
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA
e achar a abcissa da intersecção da corda com o eixo dos x. Ora, uma equação da recta que passa por esses pontos é:
x-a
y-f(a)
-- =---
b-a
f(b)-f(a)
Fazendo nesta y = 0, obtém-se a equação em x que, resolvida, dá o referido valor aproximado. Representando-o por x', temos:
x' =
af(b) - bf(a) f(b) - f(a)
Este método é menos expedito que o de Newton, mas tem a vantagem de não exigir condições prévias além desta: f continua com sinais contrários em a e b.
----------------f(b)
B
a
f(a)
A
Além disso, quando o método da tangente é aplicável. o método da corda fornece um valor aproximado da raiz situado do outro lado desta, o que permite majorar o erro dos valores obtidos pelos dois métodos associados.
190
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMpeNDIO DE MATEMATIOA
Todavia, na prática, sobretudo quando se usam computadores electrónicos, prefere-se adoptar a regra emplrica de estabilidade, que já foi atrás usada, e que será enunciada mais adiante com precisão.
51.
Interpolação por diferenças finitas·.
O método da
corda (ou regra da falsa posição) não se aplica apenas ao cálculo de raizes de equações. A falsa posição (ou, melhor, a falsa suposição) que dá o nome à regra, consiste em supor que, no intervalo considerado, a função é linear e que, portanto, os são proporcionais aos
acr~scimos
acr~scimos
da função
da variável. Isto é falso em geral.
evidentemente, mas o erro que dai resulta pode tornar-se desprezável quando o intervalo é bastante pequeno, como sucede, por exemplo, no emprego das diferenças tabulares em tábuas de logaritmos. Por outro lado, como já se disse atrás, os acréscimos de uma função também se chamam diferenças finitas (por oposição aos diferenciais), especialmente quando correspondem a sucessivos acréscimos iguais da variável independente. Mais precisamente, imaginemos uma tabela que forneça sucessivos valores V" ~ Y2' Y3' .. . da função, correspondentes a sucessivos valores x" x 2 ' x 3 '
. ..
da
variável, conforme se indica a seguir:
x,
sendo x 2
-
x2
x3
.j.
.j.
y,
Ys
x, = x 4
-
x3 =
Xs -
x 4 = . .. Então os acréscimos são
chamados diferenças finitas da função na tábua e, mais precisamente, pimeiras diferenças. Chamam -se segundas diferenças da
191
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . 8EBA8TIAO E 8II.VA
função as diferenças finitas das primeiras diferenças e representam-se do seguinte modo: ,
.. .
Tem-se pois. por exemplo: ~2y,
(1)
= (Y3-Y2) - (Y2-Y') = Y3 - 2Y2 + Y,
Por sua vez. as diferenças finitas das segundas diferenças são chamadas terceiras diferenças e representam-se deste modo: I
•• •
e assim por diante. Por exemplo. para a função y = 1 Ix. tem-se (') : x
y
3.0
0.33333
~Y
~2y
~3y
- 1075 3.1
67
0.32258
-6
-1008 3.2
61
0.31250
-5
947 3.3
0.30303
56 - 6
891 3.4
50
0.29412 841
3.5
('l
Exemplo dado por D. R. HARTREE em «Numerical Analysis•• Clerendon
Presa. Oxlord.
192
0.28571
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMP~NDIO
DE MATEMATIOA
em que, por comodidade, as diferenças são representadas tomando para unidade a centésima milésima.
o
PROBLEMA DA INTERPOLAÇÃO - que tem importância
fundamental no moderno cálculo numérico - consiste no seguinte: Conhecidos os valores y "y 2,,,.Yn +"
de uma função f em
de dado tipo, que tome nesses pontos os mesmos valores que f, e que permita pontos sucessivos X"x2, ... Xn+" determinar uma função
ql
calcular os valores de f nos pontos intermédios, com certa aproxi-
mação e com relativa facilidade. O tipo de funções · mais usadas para esse fim é o das funções
polinomiais, sendo o grau do polinómio :s;; n, se o número de pontos xi for n + 1. Se, além disso, os intervalos entre estes pontos forem iguais, isto é, se x 2 - X 1 = X 3 - X 2 = ". = Xn + 1 - Xn está indicado o método de interpolação por diferenças finitas, que vamos descrever. Comecemos por notar que
Y2 = y, + tJ.y, Mas também Y3
, visto ser tJ.Y1 = Y2 - Y1
= Y2 + tJ.Y2
e
Logo
= Y1 + 2 tJ. Y1 + tJ. 2y 1 Analogamente se reconhece que
Y4 = Y1 + 3 tJ.y 1 + 3 tJ. 2y 1 + tJ. 3y ,
193
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . 8EBA8TIAO E 8ILVA
A analogia com a fórmula do binómio faz-nos prever que seja
Yn+, = Y, + n !J.y, + (~) !J.2y, + ... + (~) !J.Py, + ... x !J.ny, ou ainda, convencionando que !J.0y, = y,: n(n-1) ... (n-p+1)
n
(2)
Yn+ , -
-"< ' ~
P A
pl
p-O
<.lo
y,
Esta previsão pode ser confirmada pelo método de indução
matemática, de que trataremos oportunamente.
t: claro que a fórmula (2) também é válida, substituindo n por r = 0, 1, 2, ... , n. E surge, agora, uma ideia-chave: a fórmula continua a ser válida, substituindo n por r, excepto no slmbolo de somatódo; isto é, tem-se: n
(3)
y, + , =
L
r(r-1) ... (r- p+ 1) pl
para r = 0, 1, 2, .. ., n. Basta notar que, se r < n, cada termo do soma tório correspondente a um p> r é nulo, de maneira que tudo se passa como se estivesse apenas r em vez de n no sinal L. Ponhamos: h = X2 - x, = x 3 - x 2 = ... = Xn+, - Xn Então será
x, + rh = x, + " para r = 0, 1, ... , n. Seja, agora, x um
ponto qualquer do intervalo [x"xn + ,] e r não um inteiro mas sim o número real tal que
x, + rh
=
x. Será, pois:
x - x,
r = - -h
194
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
aOMPIlNDIO DE MATEMATIOA
Substituindo r por esta expressão no 2.° membro de (3) e representando por y o valor da nova expressão obtida, vem:
n 1 x-x, y = l : - -•• 0 pl h
x-x,-h x-x,-2h h
h
x-x,-(p-1)h - - - , -- - !J,.Py h '
Mas x, + h = x 2 ' x, + 2h = x3' ... , x, + (p-1)h = xp. Logo:
n
(4)
y= l: (x-x,) (x-x 2 ) (x-x 3 )
•••
(x-xp)
•• 0
Esta é a FÚRMULA DE INTERPOLAÇÃO POR DIFERENÇAS FINITAS, que se pode escrever, mais desenvolvidamente:
y = y, + (x - x,)
(4·)
t.y, h
+ (x-x,) (x-x 2 )
e
+ (x - x,) (x - x 2)
+ ... +
t.ny •.•
claro que se for x = xr+"
(x-xn)
, nlhn
com r = O, 1, ... , n, vem
x-x, =xr+,-x, =rh e o valor de y dado por (4) é y,+, segundo (3). Portanto, como se vê, a fórmula (4) define, efectiva-
mente, uma função polinomial de grau ,,; n, que toma nos pontos x"
X2' •.• ,
(')
xn+, respectivamente os valores y" Y2' ... , Yn+, (').
Aplicando o PRINCIpIO DAS IDENTIDADES, vê·se que 01 esta a únlc8
funçlo polinomial do grau"; n que toma os referidos valores nos pontos Indicado..
195
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA
Vamos examinar dois casos particulares: 1.° Se n
(5)
= 1,
Y=Y,
a fórmula (4) reduz-se a:
!ly,
Y2-Y,
+ (x-x,)-- =y, + ( x - x , ) - - h x 2 - x,
Neste caso (interpolação por primeiras diferenças) a função f é substituída em [x"x 2] pela função linear que toma os mesmos valores nos extremos do intervalo - o que equivale a substituir o gráfico de f nesse intervalo, pela corda correspondente.
t: claro que
isto não conduzirá a erro significante, se o intervalo for bastante pequeno.
Y A2 I
I I I
I Y2 I I
O
x,
X2
X
Por exemplo, quando se usa uma tábua de logaritmos, a fórmula (5) permite calcular, com certa aproximação, o logaritmo Y de um número x, compreendido entre dois números consecutivos, x, e x 2 • inscritos na tábua. Neste caso, h
=
1 e !ly 1 éa diferença tabular,
expressa na última unidade decimal que a tábua dá para logaritmos (centésimas milésimas, para tábuas de 5 decimais). O problema inverso é o de procurar o número y que tem por logaritmo x, estando x compreendido entre dois logaritmos, x, e x 2 , consecutivos na tábua (abstraindo da caracteristica); neste caso, h é a diferença
tabular e !ly,
196
= 1.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OO'MP'RNDIO DE MATEMATIOA
2.° . Se n= 2, a fórmula (4) reduz-se a:
(6)
Y=Y , +(X-X , )
I Y,I
tly 1 h
h
x,
+ (x-x,) (X-X 2 )
I I Yz' I I I
tl 2 y 1
2h 2
I I
, Y 31
I I
h
Xz
x3
Neste caso (interpolação por segundas diferenças), a função f é substitufda geralmente no intervalo [x"x 3 ] por uma função quadrática, o que equivale a substituir o gráfico da f pela parábola de 6ixo vertical que o intersecta nos pontos de abcissas x,, x 2 ' x 3 • Este processo fornece, em geral, melhor aproximação do que o anterior, nos intervalos
[X "
X2 ] e [X 2 ,X 3 ].
Ocasionalmente, pode acontecer que seja tl 2 y 1 = O. Então a função dada por (6) é linear e recai-se no caso anterior. (Bastará fazer uns dois exercIcios com 2.·' diferenças.) NOTAS -I.
Por vezes, em vez do cálculo aproximada de uma
função f num intervalo [a,b] em que f se encontra tabelada, procura-se uma expressão para o cálculo aproximado de f fora do intervalo [a,b J mas não muito longe dos extremos. Nesse caso, trata-se de 6xtr6polação, am vez de int6rpolação. 11.
A primeira diferença finita de uma função f, correspondente
a um determinado acréscimo h da variável independente, é mais
197
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . SEBASTIAO E SILVA
precisamente indicada por meio do srmbolo Âh' Este representa, pois, um operador definido pela fórmula
Âhf(x) = f(x+ h) - f(x)
para todo o x tal que x E Df e x + h E Df. O operador Âh transforma assim a função f na função cp tal que cp(x) '" f(x+h) - f(x) . Por outro lado, pondo
Thf(x) = f(x + h)
, '!Ix: x, x + h
E
Df'
fica definido um novo operador Th (operador de translação) e a fórmula anterior pode escrever-se
o que sugere a escrita Âhf = (Th -1)f ou ainda
em que o srmbolo 1 representa, agora, o operador identidade. Por outro lado, teremos
e somos naturalmente induzidos a pensar que
198
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPSNDIO DE MATEMATIOA
A
potência T~ de
Th é, evidentemente, o operador que
consiste em somar n vezes h à variável independente de f, isto é, T~ f(x) = f(x + nh) . Portanto, a fórmula anterior significa que
"
f(x + nh) =!:
p=o
o que, para x = x"
(B) ~g f(x),
nos faz recair na fórmula (2) atrás usada.
Analogamente, somos induzidos a pensar que
~"= (Th-1)" h
"o = p= !:
(-1)P (") T~ p
o que, aplicando a f, dá:
"
~~f(x) = p~O (-1)P (g) f(x
fórmula esta que também é verdadeira.
+ ph),
t: claro que, na prática, se
pode omitir h em Indice, desde que esteja subentendido qual é o acréscimo h de que se trata. Note-se que a justificação dos anteriores desenvolvimentos de T~ e de ~~ é feita num ramo de matemática moderna, chamado CÁLCULO SIMBÓLICO ou CÁLCULO OPERACIONAL.
111.
Demonstra-se que, se f é uma função polinomial do grau
.;; n, as suas diferenças finitas de ordem n + 1 são nulas qualquer que seja h. A rec(proca desta proposição também é verdadeira.
IV. As noções de primeira diferença, segunda diferença, ... , diferença de ordem n, correspondem às de primeiro diferencial, segundo
199
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIÃO FJ SILVA:
diferencial, .. .,diferencial de ordem n. Estas, para uma função
y = f(x), são definidas pelas fórmulas dy=f'(x)dx , d 2 y=f"(x)dx 2
...
,
, d"y = f{n) (x)dx",
em que f(") é a derivada de ordem n de f e dx" é a potência
n do acréscimo dx, que também podemos representar por h, isto é: dx" = h". Daqui as notações de Leibniz para as derivadas de ordem superior à primeira
d 2y = f"(x)
dx 2
,
d 3y = f"(x)
dx 3
,
•••
o,
-
d"y
= f{")(x)
dx"
Demonstra-se que a diferença /l."y - d"y entre a diferença de ordem n e o diferencial de ordem y é um infinitésimo de ordem superior à de dxn (num ponto x em que existe derivada de ordem n de f finito). NOTA IMPORTANTE SOBRE TERMINOLOGIA. portugueses dizem 'a diferencial' em vez de
'0
Muitos autores
diferenciar, por tra-
dução directa do francês 'Ia différentielJe'. Mas então deveria dizer-se, e não se diz, 'a integral' (do francês Ti ntégrale', em que o gênero feminino do substantivo 'intégrale' não se distingue, por causa do apóstrofo). Julgamos, assim, preferlvel adaptar para estas e outras noções análogas o género masculino, como fazem os italianos que dizem:
'iI differenziale', 'I'integrale' (masc.)
e, genericamente: 'iI funzionale' (o funcional). 200
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
aOMPSNDIO DE MATEMATIOA
Aliás, são frequentes as incoerências na terminologia matemática portuguesa, resultantes de uma tradução apressada do francês, como se verifica nas expressões:
'espaço a 3 dimensões' (em vez de 'espaço com 3 dimensões') 'equação às derivadas parciais' (em vez de 'equação nas derivadas parciais' ou 'equação em derivadas parciais'). ~ também manifesta a incoerência entre as duas seguintes
expressões em uso entre n6s:
'máximo divisor comum' e 'menor múltiplo comum' A 'máximo' opõe-se 'mlnimo'. Ou bem se diz 'máximo divisor
comum' e 'mlnimo múltiplo comum, ou bem se diz 'maior divisor comum' e 'menor múltiplo comum'. Aproveitamos ainda a oportunidade para discordar do significado que se atribui actualmente entre n6s a 'bilião' (como 'milhão de milhões'). Não s6 nos parece pouco necessária uma designação especial para o número 10' 2, como ainda se cria confusão na leitura de autores franceses, norte-americanos, italianos, alemães, etc., em que o correspondente a 'bilião' é 'mil milhões'. Acresce a circunstância de a população do Globo ser da ordem dos biliões, isto é, dos
mil milhões. ~ certo que os ingleses chamam 'billion' ao milhão de milhões;
mas também é verdade que não adoptam ainda o sistema métrico e circulam ainda pela esquerda ...
201
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
NOTA FINAL
A falta de tempo impede-nos de apresentar aqui um último capitulo, que seria intitulado 'Grandezas e números reais' e que incluiria, em especial. um estudo rigoroso das funções exponencial e logaritmica. No entanto, propomo-nos dizer ainda alguma coisa sobre o assunto na parte final do Guia.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
•
Indice NOTA
PR~VIA
7
ADVERT~NCIA
Capitulo I. §
9
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO DIFERENCIAL
1. Cálculo numérico aproximado 1. Considerações prévias intuitivas
11
2.
14
Erro de um valor aproximada .
3. Algarismos exactos dum valor aproximada.
20
4.
Majoração do erro de uma soma . . . .
21
5.
Cálculo aproximado de uma soma com erro inferior a um número
dado. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
24
6.
Erro do valor simétrico e erro do valor absoluto .
25
7.
Majoração do erro de uma diferença.
27
8.
Majoração do erro de um produto . •
28
9.
Cálculo aproximado de um produto com erro inferior a um número
dado. • • •
. • . . .
33
10. Majoração do erro de um quociente.
37
11 . Cálculo aproximado de um quociente com erro inferior a um número dado. . • . . . . . . . . . .
40
425
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. SEBASTIAO E SILVA
§
2.
12.
Majoração do erro de uma potência.
44
13.
Majoração do erro de uma raiz.
46
14.
Desvio relativo e erro relativo.
49
15.
erro relativo de um produto
50
16.
erro relativo do quociente .
51
17.
Erros relativos da potência e da raiz .
52
Teoria dos limites de sucessões 18.
Métodos de aproximações sucessivas .
, 9. Convergência de uma sucessão.
61
20.
Pormenores de terminologia. . .
68
21.
Primeiros teoremas sobre limites .
72
22. Algebra dos limites .
75
23.
Métodos de iteração
81
24.
Critérios particulares de convergência.
84
25.
51mbolos de impossibilidade e slmbolos de indeterminação
86
26.
Limites infinitos. .
88
27. Operações com limites infinitos
90
28.
Regras de cálculo com o símbolo
29.
Novos sim bolos de indeterminação.
96
30.
Limíte da exponencial. . . . .
99
00
94
31 . Soma de todos os termos duma progressão geométrica
102
32. Aproximações por meio de séries. Série binomial
1I I
33.
426
54
Um método geral de resolução de equações algébricas de qual. quer grau . . . . . . . . . . • . . . . . . . . . . ,
117
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMPBNDIO DE MATEMATICA
§
3. Limites de funções de variAvel real 34.
Conceitos e propriedades elementares
129
35.
Definição de 'Iimite de uma função segundo Cauchy'.
132
36. Axioma de Zermelo. . . . 37.
§
135
Exemplos de limites de funções circulares e das funções exponencial e logarltmica
140
38.
Indeterminações
.
146
39.
Funções continuas
147
4. Derivadas 40.
Conceitos fundamentais e regras de derivação.
149
41.
Conceito de diferencial
153
42.
Regras de diferenciação
158
43.
O conceito de diferencial nas ciências da natureza .
160
44.
Derivação das funções exponencial e logarltmica.
164
45.
Derivada da função logarltmica .
171
46.
Derivadas das funções circulares.
173
47.
Máximos e mfnimos. concavidades e inflexões .
175
48. Teorema de Cauchy.
177
49.
Método da tangente (ou de Newton)
183
50.
Método da corda (ou regra da falsa posição).
189
51.
Interpolação por diferenças finitas . .
191
Capitulo 11.
•
INTRODUÇÃO AO CALCULO INTEGRAL
1. O problema da primitivação
203
2.
207
Primitivações imediatas . . .
427
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J . 8EBA8TIAO E 8ILVA '
3. Regras elementares de primitivação
211
4. Alguns exemplos de aplicação às ciências da natureza
218
5. Noção intuitiva de integral •
228
6. Definição de integral
235
. .
7. O integral como limite de uma sucessão .
238
8. Interpretação geométrica do conceito de integral .
242
9. Valor médio duma função; teorema da média
243
10. Teorema da decomposição do intervalo.
247
11. Teorema fundamental do cálculo integral
249
12. Fórmula de Barrow .
257
13. Cálculo de áreas . .
262
14. Cálculo de volumes.
265
15. Cálculo do comprimento de curvas
270
16. Novos exemplos da fisica . . . .
277
17.
285
Propriedades em que se baseia o cálculo numérico de integrais
18. Métodos de integração numérica
289
19. Fórmula de Taylor
293
20. Série de Taylor . .
296
21.
298
Desenvolvimentos em série de potências
22. Integração de séries termo a termo
301
23. Exemplos de equações diferenciais.
307
24. Integração numérica de equações diferenciais
312
Capitulo 111- TEORIA DEDUTIVA DOS NÚMEROS NATURAIS 1. Caracterização da estrutura do grupóido ( 1N, +)
428
. . .
319
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
OOMP1ÇNDIO DE.-MATEMATlOA
2.
rência. . . . . . . . . .
325
O principio de indução matemática em termos de compreensão. Demonstrações por indução • . . . . . • . .
333
4.
Nova forma do raciocínio de indução matemática
342
5.
Regresso ao problema inicial: caracterização da estrutura de (IN,+) • . . •• • . • . • . • • . . . . • . . . .
344
3.
. ,.
Principio de indução em IN. Sucessões; definições por recor-
6.
7.
Axiomática da teoria dos numeros naturais. Primeiras definições
e teoremas. . . . . . . . . . . . . . .
346
Caracterização da estrutura aditiva dos números naturais (conclusão) . • .
353
8. Axiomática de Peano
359
9.
Axiomáticas compatlveis
362
10. Axiomáticas categóricas
363
11. Axiomáticas independentes
365
12.
Existem afinal conjuntos infinitos? .
366
13.
O problema da nllo contradição da aritmética
375
Aditamento I. Câlculo de valores aproximados .
383
Advertência prévia. . . . . . . . . . . . .
383
1. O sistema da vírgula flotuante no cálculo elementar. no cálculo logarítmico e no cálculo electrónico. . . . .
385
2.
Algarismos significativos e algarismos exactos
390
3.
Arredondamento de valores numéricos
394
4.
Erro relativo e número de algarismos exactos.
395
6. Avalieção do erro do resultado de multiplicações e divisões sucessivas . . . 6.
Ceso d. potoncie
401 407
429
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA 7.
Caso da raiz
408
8.
Caso da adição e da subtracção
409
Aditamento 11. Nova orientação no estudo do cálculo de valores apro· ximados .
411
NOTA FINAL. . . . . • . . . • . . • . . • . . • . . . . .
423
430
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
Composto e imp.e·sBO na Tipografia Guerra -
V/.seu
e conclulu-.se enl l!arço de 1976
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Derivadas
GABINETE DE ESTUOOS E PLANEAMENTO 00 MINlSrtRIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA