Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J.
SEBASTIÃO
2.
E SILVA
volume
0
Capítulo I
Curso Complementar do Ensino Secundário
Edicão G EP o
LI SBOA
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
COMPÊNDIO DE
MATEMÁTICA
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. SEBASTIÃO E SILVA
COMPÊNDIO DE
,
MATEMATICA 2.° VOLUME
CURSO DO
COMPLEMENTAR
ENSINO SECUNDÁRIO
1 976
GABINETE DE ESTUDOS E PLANEAMENTO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTíFICA
Av. Miguel Bombarda, 20- Lisboa
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
o texto deste
Comp6ndío foi utilizado no âmbito de uma expe-
riência de modernização do ensino da matemática em Portugal, dirigida pelo Prof. Sebastião e Silva e realizada pelo Ministério da Educação Nacional em colaboração com a O. C. D. E. (Projecto Especial STP-4/SP). Nesta experiência estiveram envolvidos alunos dos antigos 6.° e 7.° anos do ensino liceal (idades entre 15 e 17 anos) . Nos termos do acordo estabelecido entre a O. C. D. E. e Portugal é proibida a reprodução total ou parcial deste texto por terceIros.
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NOTA PRÉVIA
o
2.° volume do texto-piloto contém, ainda mais do que o 1.°
e o 3.°, matérias que não são de modo algum obrigatórias nos cursos-pilotos e que aparecem devidamente assinaladas com asteriscos ou notas ao fundo da página. A inclusão dessas matérias foi determinada pelas seguintes considerações: 1.° Ao professor interessa adquirir conhecimentos para além dos que precisa de ministrar, a fim de que pos5a ter ideias mais precisas sobre as finalidades do seu ensino. 2.° A indicação de bibliografia para a aquisição de tais conhecimentos não basta. Ao professor convém um texto orgânico, onde as novas noções apareçam devidamente concatenadas e que lhe permita economizar aquilo de que tanto carece: tempo. 3.°
Há que estimular ao máximo os alunos talentosos, facul-
tando-lhes a leitura fácil de certos assuntos para além do programa. (Num importante projecto internacional para melhoria do ensino matemático nos paises árabes, propõe-se um ensino matemático especial para os alunos excepcionalmente dotados e ainda o recurso a competições para os seleccionar e orientar, à semelhança do que se faz noutros paises.)
7
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. SEBASTIÃO E SILVA
4.° Os alunos que forem frequentar as cadeiras de Matemáticas Gerais e Álgebra Linear, em Faculdades de Ciências ou Institutos Superiores, ficarão a possuir, nos textos-pilotos, elementos de informação e esclarecimento, que lhes permitirão superar mais facilmente o fosso que se tem vindo a cavar entre ensino liceal e ensino universitário, quer em conteúdo cientifico, quer em forma de ensino.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
ADVERT!NCIA
o
texto-piloto para o 7.° ano compõe-se de 2 volumes, dos
quais este é o primeiro - embora seja o segundo em relação ao do 6.° ano. A divisão do Compêndio do 7.° ano em dois volumes tornou-se necessária por imposições da própria experiência, que não permitiu, desde logo, chegar a uma redacção definitiva. Hão-de notar-se por isso algumas pequenas repetições, para as quais se chama oportunamente a atenção do leitor. Esta divisão tem no entanto vantagens, porquanto a Indole diferente dos assuntos - mais acentuadamente de análise infinitesimal neste volume e mais acentuadamente de álgebra e geometria no seguinte - torna aconselhável que tais assuntos sejam tratados, tanto quanto posslvel, em paralelo e não em série (no regime de bifurcação já adoptado no 6.° ano), a fim de se obter o melhor aproveitamento posslve!. Aliás, no Guia para a Utilização do Compéndio de Matemática (1 .· volume) do texto-piloto do 6.° ano já foi salientado que a ordem lógica na apresentação dos assuntos não é, muitas vezes, a mais aconselhável do ponto de vista didáctico. Devemos, pelo contrário, procurar seguir um caminho em ziguezague, de tentativa e erro, por aproximações sucessivas, semelhante ao da investigação. Numa palavra, convém seguir, tanto quanto posslve!. o método heurlstico. O assunto com que abre este volume - CÁLCULO NUM~RICO APROXIMADO, em Intima ligação com a TEORIA DOS LIMITES e como base heurlstica para a introdução ao CÁLCULO DIFERENCIAL-
9
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
além da importência capital que está a assumir na Sociedade Moderna, com o rapidissimo desenvolvimento da Automação é, pela sua própria essência, uma concretização típica do método de tentativa e erro, e dos processos de aproximações sucessivas, que caracterizam afinal todo o esforço de adaptação do homem ao mundo em que vive, procurando compreendê-lo cada vez melhor, para depois tentar transformá-Ia a seu favor (as explorações espaciais ilustram bem o que se acaba de dizer). Nesta ordem de ideias, é no fim e não no principio que deverão aparecer, em forma explicita, os fundamentos da aritmética e da análise, com a formulação das respectivas axiomáticas. Assim estaremos a seguir o método analltico, característico da investigação, em vez do
método sintético, de que se faz uso e abuso na exposição de tipo tradicional. Convém ter presente que, tal como no texto-piloto do 6.° ano, uma boa parte das matérias aqui expostas não é obrigatória, destinando-se, em principio, a elucidação dos professores e, eventualmente, a satisfazer a curiosidade dos alunos mais interessados. Não só por
isto, mas também porque os assuntos são tratados com grande generosidade em exemplos e em considerações de ordem geral e humana, os textos atingem um número elevado de páginas, o que SfJTÍa injusto e demasiado simplista tomar como base de uma critica sobre a extensão de programa. Deve ainda salientar-se que, embora enquadrada nas recomendações gerais da O.C.D.E. para modernização do ensino da matemática, a concepção destes textos é quase cem por cento orig inal. como se pode verificar, confrontando-os com livros congéneres estrangfJiros. Aproveitamos esta oportunidade para deixar aqui expressos os nossos vivos agradecimentos ao laboratório Nacional de Engenharia Civil, pela amável colaboração que se dignou prestar-nos através da sua Divisão da Macênica Aplicada.
/0
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
§ 3.
34.
LIMITES DE FUNÇÕES DE VARIÁVEL REAL
Conceitos e propriedades elementares.
Neste ponto,
deverá tomar·se como texto-base o Compêndio de Algebra, no Capitulo V. A definição de ' limite de uma função', dada na p. 188 desse Compêndio, pode agora ser esclarecida por meio da lógica simbólica ( ') . Seja f uma função real de variável real. Trata-se de definir o significado da frase: f(x) tende para b quando x tende para a que se escreve, abreviadamente: f(x) ..... b quando x ..... a sendo
a e b constantes, finitas ou infinitas.
Esta expressão tem um sentido bastante intuitivo, ligado à ideia
(')
As considerações que vão seguir-se dirigem-se mais propriamenta ao
profassor, para oriantação dldáctica. Mas devem também sar aconsalhadas como leitura aos alunos mais Interessados.
129 C M-"
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. BEBABTIAO E SiLVA
de movimento, sentido esse que se pode traduzir mais directamente. lendo a expressão do seguinte modo: f{x) aproxima-se de b, quando x se aproxima de a, ou ainda deste modo:
Quando x vai para a, f{x) vai para b. Esta intuição de carácter dinâmico é muito valiosa e convém, por isso, mantê-Ia sempre viva no esplrito, utilizando com frequência as referidas maneiras de dizer. Mas, em matemática, não basta a intuição: é preciso definir os conceitos com rigor lógico, para podermos sobre eles raciocinar com inteira segurança. Note-se que, nas frases anteriores, a conjunção 'quando' equivale à condicional 'se', que se traduz pelo slmbolo ç . Portanto, interpretada à letra, a expressão 'f{x) .... b quando x .... a' traduz-se simbolicamente por: f{x) .... bçx .... a ou, o que é equivalente, por: x .... a => f{x) .... b Mas, as expressões ·x .... a' e 'f{x) .... b', consideradas isolada -
mente, não têm qualquer significado que não seja aquele intuitivo, ligado à ideia de movimento. Com rigor lógico, só definimos, até agora, o significado de expressões do tipo
U n .... a.
em que
Un
geral de uma sucessão. Ora, a maneira de dizer intuitiva:
x aproxima-se de a,
130
é o termo
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
OOMPSNDIO DE MATEMATIOA
pode ser interpretada deste modo:
x toma uma sucessão de valores tendentes para a, ficando subentendido que esses valores são todos distintos de a. Assim, finalmente, a expressão 'f(x) -+ b quando x -+ a' vem a ser definida como abreviatura da seguinte : un -+ a 1\ Un '" a (Vn) ~ f(un) -+ b e é isso mesmo o que diz a definição 1 da p. 188 do dito
Compêndio de Algebra. Subentende-se, é claro, que a implicação (2) é formal. isto é, deve verificar-se qualquer que seja a sucessão Un considerada (supondo que os valores desta pertencem todos ao domrnio de f).
NOTA.
Se em vez da notação un usarmos a notação <p(n), o
significado da expressão 'f(x) -+ b quando x -+ a' será dado mais precisamente pera seguinte:
que é, como sabemos, uma abreviatura desta outra :
V<p: <p -+ a 1\ <p (n) '" a (Vn E IN) ~ fo<p -+ b Aqui, as variáveis n e <p são de tipos diferentes: o domrnio da primeira é IN ; o da segunda é o conjunto de todas as sucessões
de números reais (aplicações de IN em IR) cujos termos pertencem 11 Df. UI
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J . 8EBA8TIAO E 81LVA
Assim, a anterior noção intuitiva acabou por ser completamente
logificada (ou formalizada). Mas observe-se como foi profunda, neste caso, a evolução que se deu no sentido da intuição para a 16gica.
35. Definic;io de 'limite de uma func;io' segundo Cauchy' . Como vimos, a anterior definição de limite de uma função de variável real faz intervir a noção anterior de 'limite de uma sucessão'. Mas tal definição, cuja ideia se atribui a Heine, pode ser substitulda por uma definição directa, devida a Cauchy. Bastará considerar aqui o caso em que a e b são finitos (números reais). Neste caso, a expressão intuitiva :
f(x) aproxima-se de b, quando x se aproxima de a
pode ser interpretada do seguinte modo:
Por menor que seja o número positivo 8, existe um número positivo t, tal que f{x) está na vizinhança (8) de b quando x está na vizinhança (t) de a.
Se a isto juntarmos a condição x # a, temos finalmente a defi nição de Cauchy, com a e b finitos:
DEFINiÇÃO.
Diz-se que f{x)
'""* b
quando x -+ a, sse:
\>'3> O, 3 • > O: Ix- ai < c /\ x # 8
132
=> x
If(x)-bl
<
11
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aOMP1!JNDIO DI!JMATEMATIGA
A figura junta ajuda a esclarecer esta definição
f
b+3 b
a-e a a+e
Quanto à intervenção da condição x # a, esta s6 ficará inteiramente clarificada quando se tratar da noção de continuidade. Resta saber se a definição de Cauchy é equivalente à anterior (de Heine) . Vamos ver que sim.
1.' parte. (1 )
Su ponhamos que a proposição f(x)
~
b quando x
~
a
é verdadeira segundo Cauchy. Queremos provar que também é verdadeira segundo Heine; isto é: sendo un uma sucessão qualquer de números reais distintos de a (pertencentes a Df) tal que un ~ a, trata-se de provar que f(un) ~ b. J: o que vamos fazer. Seja li um número positivo arbitrário. Então existe um número positivo e tal que IUn-al <
E
'ir If(un)-bl < li
(porqu87)
133
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
.J. BEBABTIAO E BILVA
Por outro lado, como u n -+ a, existe um número p tal que
(porquê?) Logo n > p ~ If(un)-bl < 8 E, como li pode ser um número positivo qualquer, isto significa que f(u n) -+ b e que, portanto, a proposição segundo Heine.
2.· parte.
(1) é verdadeira
Suponhamos que a proposição (1) é verdadeira
segundo Heine. Queremos provar que também é verdadeira segundo Cauchy; é, isto que:
(2)
<
Vil > 0, 3 <> O: Ix-ai
< 11 x #- a "," If(x)-bl < 8 x
Vamos prová-lo por redução ao absurdo. Suponhamos que a proposição (2) é falsa, isto é, suponhamos o seguinte: Existe pelo menos um 11 >
°
tal que:
V < > 0, 3 x: Ix-ai < t il x #- a II lf(x)-bl ;;. li
(3)
Seja então
Ild
um número positivo que verifique esta condição
e seja n um número natural qualquer. Como 1 In > 0, conclui-se de (3), com
(4)
134
t
= 1 In, que existe pelo menos um x tal que
Ix-ai <
1
-
n
11 x #- a IIlf(x)-b l ;. 80
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
aOMP1!:NDIO DE MATEMAT.IOA
Seja
Xn
um determinado valor de x que verifique esta condição,
escolhido arbitrariamente (pode haver mais de um I). Assim, a cada n E IN, fizemos corresponder um (e um sól) número real xn que verifica as três condições seguintes: Ixn-a l <
-
1
n
,
xn # a ,
If(xn)-bl ;;;' /lo
('in)
Da primeira deduz-se:
(5)
Xn ~
a
(porqué?)
Da terceira deduz-se: (6)
f(x n )
Ib
(porque?)
E, como u n # a para todo o n, conclui-se que a propo8içio f(x) -+ b quando
x -+ a
é falsa segundo Heine. Mas isto é contra a hipótese. Fica, portanto, provado o que pretendiamos.
36. Axioma de Zermelo·. Na 2." parte da demonstração anterior admitimos implicitamente que é posslvel fazer corresponder a cada n E IN um determinado valor xn de x que verifique (4), escolhido entre vários posslveis. Por outras palavras, admitimos o seguinte: E posslvel efectuar uma infinidade de escolha8, independente8 umas das outras, para definir a sucessão un como foi indicado.
135
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J . ·8 EBABTIAO E 8lLVA
Mas, pergunta-se: Como pode uma pessoa - mesmo que vivesse uma eternidade - efectuar completamente uma infinidade de escolhas independentes? (Por 'escolhas independentes' entende-se aqui 'escolhas que não fiquem predeterminadas, a partir de certa ordem, por um processo qualquer',) Muitos matemáticos tinham admitido implicitamente essa possibilidade, em várias demonstrações, sem se aperceberem de tal. Mas bastou que o matemático ZERMELO (hebreu alemão) formulasse explicitamente pela primeira vez essa possibilidade, como axioma
da lógica (o famoso AXIOMA DA ESCOLHA), para que se levantasse um imenso coro de protestos. Zermelo defendeu-se então dizendo que a possibilidade admitida por esse axioma era puramente ideal e deu ao seu axioma a seguinte forma lógica, sem qualquer intervenção de conceitos psicológicos:
AXIOMA DE ZERMELO. Qualquer que seja a faml/ia
q
de conjuntos não vazios (finita ou infinita), existe pelo menos uma aplicação <p que faz corresponder a cada conjunto X de (j; um determinado elemento x desse mesmo conjunto, isto é, uma função <p tal que <p(X) =
X
eX
'v'Xeq
A esta função <p podemos chamar •operador de escolha', visto que tal função escolhe (ou selecciona), por assim dizer, em cada conjunto X, um e um só elemento x desse conjunto. Por exemplo, se cada conjunto X da famllia
q , é o conjunto das
cidades de um mesmo pafs, o operador de escolha pode ser o que faz corresponder a X a capital desse pafs. Neste caso, a faml/ia ~
(f-
finite e muitas outras funções de escolha podem ser definidas. Se
(f- é o conjunto de todos os segmentos de reeta do espaço,
(f- é Infinito e um operador de escolha pode ser, por exemplo, o 136
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
COMPBNDJO DE MÁ.TEMATIOÁ
que é definido pela expressão 'ponto médio de'. E é claro que, uma
vez escolhido um referencial cartesiano, muitos outros operadores de escolha podem ser definidos para esta famllia. Se
(f- é a famllia de todos os conjuntos não vazios de números
naturais, isto, é se (]: =
rp
(IN), a função de escolha pode ser,
por exemplo, definida assim :
<p (X) = o menor elemento de X
(V'X Er])
Mas note-se, agora, o seguinte facto importante:
Se (]: = rp (IR), não existe nenhum operador de escolha conhecido, e admite-se que nunca venha a ser posslvel definir algum. No caso da demonstração do número anterior (2. 0 parte) a famllia (]: é constitufda pelos conjuntos Xn assim definidos:
Xn = { x: Ix-a i < -
1
n
1\ x i' a 1\ If(x)-b l ;;;. 30} , V'n
E
IN
Ora, no caso geral (sendO f uma função qualquer), não se conhece nenhum operador <p tal que:
<p (X n) = Xn E Xn
, V'n
E
IN
Mas a resposta de Zermelo, quando lhe eram apresentadas objecções deste tipo, pode resumir-se nas seguintes palavras:
Há muitas coisas que existem e que nós não conhecemos nem viremos li conhecer. /37
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J . SEBA.STIAO E SILVA
Este mesmo ponto de vista foi claramente expresso por HADAMARD nos seguintes termos:
11 Y a bien des choses que nous ne pouvons jamais connaitre at qui. cependant. existent «en soi». indépendammant de la capacité humaine de les décrire. indépendamment I' activité de notre espirit et indépendammant même de I'existence de I'homme sur la Terre. Mas, aqui, levantou-se uma viva polêmica, de carácter filosófico, entre diversos matemáticos, que se dividiram em duas correntes principais: 1)
A corrente dos matemáticos idealistas (ou platónicos),
caracterizada essencialmente pela aceitação do anterior ponto de vista de Hadamard. 2)
A corrente dos matemáticos empiristas (ou positivistas),
que não aceitam a referida posição( '). Para estes últimos, a expressão: Existe pelo menos um ente ...
tal que .. . significa o seguinte:
t
(')
posslvel determinar (ou definir) um ente ... tal que ...
Sendo a matemática, por assim dizer, a essência do racionalismo, em
oposição ao empirismo, pode parecer que a designação 'matemático empirista'
leja contraditória em si mesma. Note-se, porém, que racionalismo e empirismo alo duas atitudes complementares, e portanto inseparáveis, do nosso esp(rito, predominando uma ou outra conforme as pessoas e as situações. Já sabemos que 8 matemática não é 56 lógica, só racionalismo. Da conciliação dia/~ctica,
dinlmicB, da. duas tondAncias, é quo podo rosultar progrosso. E noto-so quo a palavra 'empirismo' nAo é tomada na acepção vulgar pojorativa (vor NOTA HISTORICA do Capo IV do Compêndio de AlgBb'B).
138
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
aOMP1!iNDIO DE MATEMATIOA
Por exemplo, a proposição: 3XE(;: x 8 +3x 2 +1 = 0,
significa :
t posslvel determinar (com a aproximação que se queira) um número complexo que verifique a equação x 8 + 3x 2 + 1 = O.
o
TEOREMA DE D'ALEMBERT (1. 0 volume, 2.0 tomo, Capo VI ,
p. 155) afirma precisamente que toda a equação algébrica de coefi-
cientes em (; e de grau n ;;. 1 tem, pelo menos, uma solução em C. Mas, as demonstrações mais frequentes (e mais simples) deste teorema são feitas pelo método de redução ao absurdo - e, por isso, tais demonstrações não são construtivas, isto é, não fornecem nenhum
método para o cálculo da solução (ou das soluções). Ora bem: Os matemáticos empiristas não admitem como válidas demonstrações de existência que não sejam construtivas. Entre as demonstrações não construtivas figuram: 1)
As que recorrem ao método de redução ao absurdo, baseado
no PRINCIpIO DO TERCEIRO EXCLUIDO. 2)
As que recorrem ao AXIOMA DE ZERMELO.
Deste modo, o princípio do terceiro excluído e o axíoma de Zermelo não foram aceites como axiomas da lógica, pelos matemáticos positivistas. Na Holanda, foi fundada por Brouwer uma escola (') que tem vindo a desenvolver uma nova lógica e uma
( 1)
Cha mada 'flscola intuicionists' .
139
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J . BEBAS'111AO E SILV A
nova matemática, não baseadas nesses princlpios. Mas, embora assa escola tenha conduzido a resultados de real interesse, a verdade
é que, por outro lado, põe entraves excessivos ao progresso da matemática. Vendo bem, as demonstrações não construtivas podem ser bastante cómodas e úteis, numa primeira fase da investigação. Por exemplo, as demonstrações não construtivas do TEOREMA DE D'ALEMBERT servem habitualmente para demonstrar a validade de vários métodos de cálculo das raIzes, tais como o método de
Griiffe (ver n.O 33, pp. 117-128) e outros mais. Em dado momento, havia muitos matemáticos que aceitavam o princIpio de terceiro excluldo, mas não o axioma de Zermelo - o que é, na verdade, um tanto ou quanto contraditório . Hoje, pode dizer-se, a maioria dos matemáticos aceita os dois princlpios como hipóteses cómodas de trabalho, admitindo que é indispensável um certo grau de idealização platónica, para não cair num positivismo demasiado restritivo da actividade criadora do esplrito. NOTA. A vida de Zermelo foi tristemente atribulada pela polémica, nem sempre correcta, que se levantou à volta do princIpio que tem o seu nome, e depois, mais tarde, pelas perseguições que sofreu, em consequência da sua origem hebraica. Tal como Cantor [o fun-
dedor da TEORIA DOS CONJUNTOS (1845-1918), também judeu alemão, que sofreu graves dissabores por causa das crIticas sarcásticas suscitadas inicialmente pelos paradoxos da sua teoria]. Zermelo passou grande parte dos últimos anos da sua vida em estado de perturbação mental. Faleceu em Freiburg em 1953. Têm sido encontradas várias proposições importantes, equivalen tes ao axioma da escolha, algumas delas formuladas pelo próprio Zermelo.
37. Exemplo. de limite. de funções circulare. e d••
funç6a. exponenclel e logarltmlca. Neste momento, já são conhe/40
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
OOMPBNDIO DE .MATEMATIOA
cidas do aluno as funções circulares e as funções exponencial e logarrtmica, que fornecem exemplos importantes de limites.
Comecemos pela função seno. Desde logo se vê intuitivamente o seguinte: Quando x ..... +
00,
a função sen x não tende para limite algum,
finito ou infinito, visto que oscila sempre antra 1 a -1.
Logicamente, podemos demonstrar este facto, considerando por exemplo as duas seguintes sucessões:
u 1 = O , u 2 = 1< 1< V1
=
2
V
2
51< =2
U
3
= 21< ,
91< v =3 2
•
... ...
• un = (n-1)1<
,
...
1< • v n =-+2(n-1)1< •
Qualquer destas sucessões tende para +
2
00,
como é fácil ver,
e, no entanto:
sen
Un
= O (\>'n), portanto sen un ..... O
sen
Vn
= 1 (\>'n) , portanto sen
Vn
..... 1
Daqui se conclui que sen x não tende para limite algum quando x ..... +
00 .
Analogamente se vê que não existe limite de sen x quando x ..... -
00.
e o mesmo para cos x quando x ..... +
00
ou x ..... -
00 .
UI
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. SEBASTIAO E SILVA
Passemos, agora, à função tangente. A representação da tangente por meio do circulo trigonométrico mostra que:
A função tg x tende para + 00 quando x tende para 1t/2, por valores menores que 1t/2 e tende para - 00 quando x tende para 1t/2 por valores maiores que 1t/2: isto é: Um tg x = +
00
lim tg x = -
1t-
x ...... -
00
1t+
x ...... -
2
2
ou ainda: 1ttg - =+ oo 2
1t+ tg = 2
Analogamente para todos os pontos
00
1t "2 + n1t
e para a função
cotangente, nos pontos n1t, com n E Z. Seja agora a função aX, com a > O. Comecemos por supor a > 1. Então, segundo vimos no n.O 30, p. 99, tem-se:
lim an = +
00 ,
sendo n a variável natural. Mas, como a função aX é crescente, facilmente se deduz daqui que, sendo un uma sucessão qualquer
tendente para +
142
00,
será:
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
OOMP1!INDIO DE MATEMATIOA
Por conseguinte:
lim00 aX
x-++
=
+
00 I
se a > 1
Por outro lado, notando que a-x = l/a x, conclui-se daqui que
lim
X ~ -O'J
aX = O , se
a> 1
Se a < 1 (sendo a > O), aX tende para O ou para + forme x -+ +
00
ou x -+ -
00,
con-
00.
Também, agora, é fácil reconhecer que:
logax = +
00
lim x-+o
log.x = -
00
se a > 1.
(Convém rever, agora, os gráficos das funções 2 x e log 2X.)
143
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. 8EBASTlAO E SILVA
Como aplicação concreta dos resultados obtidos, consideremos o caso de uma lâmina cravada num taco de madeira e que é afastada ligeiramente da posição normal. Como é sabido, uma vez abandonada
à força que a solicita para a posição normal, a lâmina segue um movimento que, em primeira aproximação, podemos considerar
recti/lneo e vibratório simplas, isto é, definido pela equação: x = a cos w
t,
em que t é o tempo contado a partir do instante inicial, x a distância da ponta da lâmina à posição normal no instante t (com o sinal + ou - conforme está no lado inicial ou no outro), a a amplitude do movimento, isto é, a distância máxima à posição normal e w a pul-
sação, isto é, w = 21t/T, sendo T o tempo de uma oscilação completa (perlodo) . Assim, como se vê, a e w são constantes, e x é uma função de t. Ora, pelo que se viu atrás, x não tende para limite algum quando t -+ + 00 : a lâmina oscila eternamente entre as mesmas posições extremas. Mas nós sabemos que, na realidade, as coisas não se passam assim: a resistência de ar amortece cada vez mais as oscilações. Em segunda aproximação, a lâmina segue então um movimanto
vibratório amortecido, que é definido por uma equação do tipo x = e- kt a coswt
em que k é uma constante positiva (coeficiente de amortecimento). Como Icos", ti .. 1 para todo o t, vê-se que: Ixl " a e- kt , Vt E I R
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
COMP8JNDIO DE MATEMATICA
E, como e- kt -+ O quando t -+ +
00,
conclui-se:
x -+ O quando t -+ +
00
Quer dizer: a amplitude das oscilações é cada vez mais pequena, tendendo para zero, quando t -+ + 00. Teoricamente, o valor de x nunca se torna definitivamente nulo, isto é, a lâmina nunca pflra em absoluto. Todavia, na prfltica, chega um momento em que o movi-
mento se pode considerar definitivamente terminado.
A figura junta descreve o fenómeno: são indicados, por um lado, os gráficos das funções ae- kt, - a e-kt e, por outro lado, o gráfico da função a e- kt cos '" t. Recordemos, a propósito, que os modelos matemflticos são sempre esquemas, isto é, descrições simplificadas (ou aproximadas) da realidade, pois seria imposslvel uma descrição exacta. Aliás, é sabido
que a própria lâmina não é constiturda por uma porção contInua de matéria, mas antes por uma espécie de nevoeiro de fltomos, que estão em perpétuo movimento uns em relação aos outros.
14$ C M-.o
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA
38.
Indeterminações.
O problema das indeterminações apa-
rece no cálculo dos limites de funções de variável real, tal como já tinha sucedido para as sucessões.
Agora será muito frequente a indeterminação O/O. Suponhamos, por exemplo, que se trata de achar o limite de
x2 - 4 x 2 - 5x + 6
quando x ...... 2. Tentando aplicar o teorema do limite do quociente, é-se conduzido à indeterminação O/O. Mas o facto de ambos os polinómios x 2 - 4 e x 2 - 5x + 6 se anularem quando x = 2, significa que ambos são divisrveis por x - 2. Tem-se então (aplicando a regra de Ruffini ao segundo polinómio):
x 2- 4
=
x 2 - 5x + 6
(x-2) (x+2)
= (x-2) (x-3)
Portanto x2-4
x+2
x 2-5x + 6
x-3
- -- - -
, Vx"# 2
E como, no cálculo do limite quando x ...... 2, só interessam
os valores de x distintos de 2, vem:
lim ....... 2
146
x2-4 x2- 5x + 6
_
lim ....... 2
x-2
O
x- 3
-1
=0
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
COMP1!JNDlO DE MATEMATLOA
Exemplos análogos de indeterminações da forma O/O ou
00 /00
aparecem nos exercícios do Compêndio de Algebra, Capo VI, pp. 1.98-199 (1) .
39.
Funç6es continuas.
Quanto às definições e propriedades
elementares, pode seguir-se inteiramente o Compêndio de Algebra, Capo VII. Os professores e os alunos mais interessados poderão analisar a definição directa de 'função contrnua', segundo Cauchy:
Diz-se que uma função f é continua num ponto a, sse a pertence ao domrnio de f e, para todo o 8 > 0, existe um e > 0, tal que, se
x é valor aproximado de a a menos de e, então f(x) é
valor aproximado de f(a) a menos de 8; isto é, simbolicamente:
V 8 > 0, 3 e> O: Ix-ai < e =>-If(x) - f(a)1 x Agora a condição x
~
<8
a não é necessária, visto que a implicação
se verifica manifestamente, mesmo quando x =
8.
Por exemplo, tem-se, qualquer que seja a > O:
V 8 > 0, 3 e > O: Ix-ai < e'f
o que significa que a função
( ')
Xv Vx
1\Ix -
vai < 8,
é contrnua em todo o seu
Não vale a pena apresentar casos em que os dois termos da fracção
têm raizes múltiplas comuns. O aluno aprenderá depois em Matemáticas Gerais a Regra de I'H(Jpit., que é bastante mais prática.
147
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
.T. 8EBA8TIAO E 8ILVA
domlnio de existência. Mais geralmente, isto acontece com a função xvVx, em que p é qualquer número natural. E é isso, afinal, o
que diz o teorema do n.O 13, pp. 47-48, relativo ao cálculo numérico aproximado de uma raiz. A noção de função contínua pode estender-se de modo análogo ao caso de funções de mais de uma variável. Consideremos, por exemplo, uma função f(x,y) de duas variáveis reais. Diz-se que uma tal função é continua num ponto (a,b), sse este pertence ao domlnio de f e, além disso:
\f8 > O, 3 e> O: Ix-a ll< e l\ Iy-bl< e=> If(x,y)-f(a,b)I <8 x,y Por exemplo, sendo a e b dois números reais quaisquer, tem-se, segundo os teoremas dos n,"" 5 e 9, relativos ao cálculo numérico aproximado da soma e do produto:
\f 8> O, 3 e> O: Ix-ai < e 1\ Iy-.bl < .e x,y => I (x+y)-(a+b) 1< 8 \f8 > O, 3 e> O: Ix-al < e l\ Iy-bl < e x,y => Ixy-abl < 8 o que significa, precisamente, que a soma x + y e o produto xy são funções continuas de x e y em todo o plano IR 2. Por sua vez, o quociente x/V é função continua de x e y em todo o seu domlnio de existência, que é o complementar da recta y = O no plano IR 2.
148
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
NOTA FINAL
A falta de tempo impede-nos de apresentar aqui um último capitulo, que seria intitulado 'Grandezas e números reais' e que incluiria, em especial. um estudo rigoroso das funções exponencial e logaritmica. No entanto, propomo-nos dizer ainda alguma coisa sobre o assunto na parte final do Guia.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
•
Indice NOTA
PR~VIA
7
ADVERT~NCIA
Capitulo I. §
9
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO DIFERENCIAL
1. Cálculo numérico aproximado 1. Considerações prévias intuitivas
11
2.
14
Erro de um valor aproximada .
3. Algarismos exactos dum valor aproximada.
20
4.
Majoração do erro de uma soma . . . .
21
5.
Cálculo aproximado de uma soma com erro inferior a um número
dado. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
24
6.
Erro do valor simétrico e erro do valor absoluto .
25
7.
Majoração do erro de uma diferença.
27
8.
Majoração do erro de um produto . •
28
9.
Cálculo aproximado de um produto com erro inferior a um número
dado. • • •
. • . . .
33
10. Majoração do erro de um quociente.
37
11 . Cálculo aproximado de um quociente com erro inferior a um número dado. . • . . . . . . . . . .
40
425
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. SEBASTIAO E SILVA
§
2.
12.
Majoração do erro de uma potência.
44
13.
Majoração do erro de uma raiz.
46
14.
Desvio relativo e erro relativo.
49
15.
erro relativo de um produto
50
16.
erro relativo do quociente .
51
17.
Erros relativos da potência e da raiz .
52
Teoria dos limites de sucessões 18.
Métodos de aproximações sucessivas .
, 9. Convergência de uma sucessão.
61
20.
Pormenores de terminologia. . .
68
21.
Primeiros teoremas sobre limites .
72
22. Algebra dos limites .
75
23.
Métodos de iteração
81
24.
Critérios particulares de convergência.
84
25.
51mbolos de impossibilidade e slmbolos de indeterminação
86
26.
Limites infinitos. .
88
27. Operações com limites infinitos
90
28.
Regras de cálculo com o símbolo
29.
Novos sim bolos de indeterminação.
96
30.
Limíte da exponencial. . . . .
99
00
94
31 . Soma de todos os termos duma progressão geométrica
102
32. Aproximações por meio de séries. Série binomial
1I I
33.
426
54
Um método geral de resolução de equações algébricas de qual. quer grau . . . . . . . . . . • . . . . . . . . . . ,
117
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
OOMPBNDIO DE MATEMATICA
§
3. Limites de funções de variAvel real 34.
Conceitos e propriedades elementares
129
35.
Definição de 'Iimite de uma função segundo Cauchy'.
132
36. Axioma de Zermelo. . . . 37.
§
135
Exemplos de limites de funções circulares e das funções exponencial e logarltmica
140
38.
Indeterminações
.
146
39.
Funções continuas
147
4. Derivadas 40.
Conceitos fundamentais e regras de derivação.
149
41.
Conceito de diferencial
153
42.
Regras de diferenciação
158
43.
O conceito de diferencial nas ciências da natureza .
160
44.
Derivação das funções exponencial e logarltmica.
164
45.
Derivada da função logarltmica .
171
46.
Derivadas das funções circulares.
173
47.
Máximos e mfnimos. concavidades e inflexões .
175
48. Teorema de Cauchy.
177
49.
Método da tangente (ou de Newton)
183
50.
Método da corda (ou regra da falsa posição).
189
51.
Interpolação por diferenças finitas . .
191
Capitulo 11.
•
INTRODUÇÃO AO CALCULO INTEGRAL
1. O problema da primitivação
203
2.
207
Primitivações imediatas . . .
427
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J . 8EBA8TIAO E 8ILVA '
3. Regras elementares de primitivação
211
4. Alguns exemplos de aplicação às ciências da natureza
218
5. Noção intuitiva de integral •
228
6. Definição de integral
235
. .
7. O integral como limite de uma sucessão .
238
8. Interpretação geométrica do conceito de integral .
242
9. Valor médio duma função; teorema da média
243
10. Teorema da decomposição do intervalo.
247
11. Teorema fundamental do cálculo integral
249
12. Fórmula de Barrow .
257
13. Cálculo de áreas . .
262
14. Cálculo de volumes.
265
15. Cálculo do comprimento de curvas
270
16. Novos exemplos da fisica . . . .
277
17.
285
Propriedades em que se baseia o cálculo numérico de integrais
18. Métodos de integração numérica
289
19. Fórmula de Taylor
293
20. Série de Taylor . .
296
21.
298
Desenvolvimentos em série de potências
22. Integração de séries termo a termo
301
23. Exemplos de equações diferenciais.
307
24. Integração numérica de equações diferenciais
312
Capitulo 111- TEORIA DEDUTIVA DOS NÚMEROS NATURAIS 1. Caracterização da estrutura do grupóido ( 1N, +)
428
. . .
319
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
OOMP1ÇNDIO DE.-MATEMATlOA
2.
rência. . . . . . . . . .
325
O principio de indução matemática em termos de compreensão. Demonstrações por indução • . . . . . • . .
333
4.
Nova forma do raciocínio de indução matemática
342
5.
Regresso ao problema inicial: caracterização da estrutura de (IN,+) • . . •• • . • . • . • • . . . . • . . . .
344
3.
. ,.
Principio de indução em IN. Sucessões; definições por recor-
6.
7.
Axiomática da teoria dos numeros naturais. Primeiras definições
e teoremas. . . . . . . . . . . . . . .
346
Caracterização da estrutura aditiva dos números naturais (conclusão) . • .
353
8. Axiomática de Peano
359
9.
Axiomáticas compatlveis
362
10. Axiomáticas categóricas
363
11. Axiomáticas independentes
365
12.
Existem afinal conjuntos infinitos? .
366
13.
O problema da nllo contradição da aritmética
375
Aditamento I. Câlculo de valores aproximados .
383
Advertência prévia. . . . . . . . . . . . .
383
1. O sistema da vírgula flotuante no cálculo elementar. no cálculo logarítmico e no cálculo electrónico. . . . .
385
2.
Algarismos significativos e algarismos exactos
390
3.
Arredondamento de valores numéricos
394
4.
Erro relativo e número de algarismos exactos.
395
6. Avalieção do erro do resultado de multiplicações e divisões sucessivas . . . 6.
Ceso d. potoncie
401 407
429
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Limites de funções de variável real
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA 7.
Caso da raiz
408
8.
Caso da adição e da subtracção
409
Aditamento 11. Nova orientação no estudo do cálculo de valores apro· ximados .
411
NOTA FINAL. . . . . • . . . • . . • . . • . . • . . . . .
423
430
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Composto e imp.e·sBO na Tipografia Guerra -
V/.seu
e conclulu-.se enl l!arço de 1976
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GABINETE DE ESTUOOS E PLANEAMENTO 00 MINlSrtRIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA