Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J.
SEBASTIÃO
2.
E SILVA
volume
0
Capítulo I
Curso Complementar do Ensino Secundário
Edicão G EP o
LI SBOA
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
NOTA PRÉVIA
o
2.° volume do texto-piloto contém, ainda mais do que o 1.°
e o 3.°, matérias que não são de modo algum obrigatórias nos cursos-pilotos e que aparecem devidamente assinaladas com asteriscos ou notas ao fundo da página. A inclusão dessas matérias foi determinada pelas seguintes considerações: 1.° Ao professor interessa adquirir conhecimentos para além dos que precisa de ministrar, a fim de que pos5a ter ideias mais precisas sobre as finalidades do seu ensino. 2.° A indicação de bibliografia para a aquisição de tais conhecimentos não basta. Ao professor convém um texto orgânico, onde as novas noções apareçam devidamente concatenadas e que lhe permita economizar aquilo de que tanto carece: tempo. 3.°
Há que estimular ao máximo os alunos talentosos, facul-
tando-lhes a leitura fácil de certos assuntos para além do programa. (Num importante projecto internacional para melhoria do ensino matemático nos paises árabes, propõe-se um ensino matemático especial para os alunos excepcionalmente dotados e ainda o recurso a competições para os seleccionar e orientar, à semelhança do que se faz noutros paises.)
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIÃO E SILVA
4.° Os alunos que forem frequentar as cadeiras de Matemáticas Gerais e Álgebra Linear, em Faculdades de Ciências ou Institutos Superiores, ficarão a possuir, nos textos-pilotos, elementos de informação e esclarecimento, que lhes permitirão superar mais facilmente o fosso que se tem vindo a cavar entre ensino liceal e ensino universitário, quer em conteúdo cientifico, quer em forma de ensino.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
ADVERT!NCIA
o
texto-piloto para o 7.° ano compõe-se de 2 volumes, dos
quais este é o primeiro - embora seja o segundo em relação ao do 6.° ano. A divisão do Compêndio do 7.° ano em dois volumes tornou-se necessária por imposições da própria experiência, que não permitiu, desde logo, chegar a uma redacção definitiva. Hão-de notar-se por isso algumas pequenas repetições, para as quais se chama oportunamente a atenção do leitor. Esta divisão tem no entanto vantagens, porquanto a Indole diferente dos assuntos - mais acentuadamente de análise infinitesimal neste volume e mais acentuadamente de álgebra e geometria no seguinte - torna aconselhável que tais assuntos sejam tratados, tanto quanto posslvel, em paralelo e não em série (no regime de bifurcação já adoptado no 6.° ano), a fim de se obter o melhor aproveitamento posslve!. Aliás, no Guia para a Utilização do Compéndio de Matemática (1 .· volume) do texto-piloto do 6.° ano já foi salientado que a ordem lógica na apresentação dos assuntos não é, muitas vezes, a mais aconselhável do ponto de vista didáctico. Devemos, pelo contrário, procurar seguir um caminho em ziguezague, de tentativa e erro, por aproximações sucessivas, semelhante ao da investigação. Numa palavra, convém seguir, tanto quanto posslve!. o método heurlstico. O assunto com que abre este volume - CÁLCULO NUM~RICO APROXIMADO, em Intima ligação com a TEORIA DOS LIMITES e como base heurlstica para a introdução ao CÁLCULO DIFERENCIAL-
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
além da importência capital que está a assumir na Sociedade Moderna, com o rapidissimo desenvolvimento da Automação é, pela sua própria essência, uma concretização típica do método de tentativa e erro, e dos processos de aproximações sucessivas, que caracterizam afinal todo o esforço de adaptação do homem ao mundo em que vive, procurando compreendê-lo cada vez melhor, para depois tentar transformá-Ia a seu favor (as explorações espaciais ilustram bem o que se acaba de dizer). Nesta ordem de ideias, é no fim e não no principio que deverão aparecer, em forma explicita, os fundamentos da aritmética e da análise, com a formulação das respectivas axiomáticas. Assim estaremos a seguir o método analltico, característico da investigação, em vez do
método sintético, de que se faz uso e abuso na exposição de tipo tradicional. Convém ter presente que, tal como no texto-piloto do 6.° ano, uma boa parte das matérias aqui expostas não é obrigatória, destinando-se, em principio, a elucidação dos professores e, eventualmente, a satisfazer a curiosidade dos alunos mais interessados. Não só por
isto, mas também porque os assuntos são tratados com grande generosidade em exemplos e em considerações de ordem geral e humana, os textos atingem um número elevado de páginas, o que SfJTÍa injusto e demasiado simplista tomar como base de uma critica sobre a extensão de programa. Deve ainda salientar-se que, embora enquadrada nas recomendações gerais da O.C.D.E. para modernização do ensino da matemática, a concepção destes textos é quase cem por cento orig inal. como se pode verificar, confrontando-os com livros congéneres estrangfJiros. Aproveitamos esta oportunidade para deixar aqui expressos os nossos vivos agradecimentos ao laboratório Nacional de Engenharia Civil, pela amável colaboração que se dignou prestar-nos através da sua Divisão da Macênica Aplicada.
/0
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
CAPiTULO
I
INTRODUçAo AO CALCULO DIFERENCIAL
§
1.
CALCULO NUMr:RICO APROXIMADO
Considerações prévias intuitivas. Já várias vezes tem sido observado ao aluno que, em matemática aplicada, o conceito de 1.
'verdlldeiro' da lógica bivalente cede o lugar, inevitavelmente, ao conceito de 'aproximadamente verdadeiro' e ao de 'provavelmente verdadeiro', que já não se subordinam ao esquema lógico do 'ser ou não ser', porque neles subsiste sempre, em última análise, uma componente subjectiva. Quando digo 'esta mesa tem 2 metros de comprimento', não pretendo afirmar uma proposição verdadeira, mas apenas referir um facto que eu considero aproximadamente verdadeiro. Aliás, ninguém pode ter a pretensão de afirmar que certo objecto material tem exactamente 2 metros de comprimento, porque tal afirmação seria desprovida de sentido. E o que se diz para comprimentos' aplica -se a áreas, volumes, tempos, massas, forças, temperaturas, etc., sempre que se trata de indicar resultados de medições. Mas qual o critério que permite distinguir uma proposição
aproximadamente verdadeira de outra que o não é? r: claro que, tal como em questões concretas de probabilidades • estetrstica, não existe nenhum critério inteiramente objectivo para
11
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIAO E SILVA
esse efeito: 8 distinção é sempre mais ou menos subjectiva e variável, 18to é, depende do sujeito que julga, bem como das circunstâncias e dos fins em vista. Quando se diz por exemplo que a distância de Lisboa ao Porto, por estrada, ti de cerca de 330 km, dá-se uma indicação útil, com aproximação suficiente. para fins de transporte em veiculo automóvel. Mas se, em vez disso, dissermos que tal distância é de cerca de 600 km, já cometemos um erro grosseiro. Para certos fins, um erro de 1 km ti insignificante. Para outros, um erro de 1 mm ti enorme. As recentes explorações espaciais fornecem exemplos de ambos os casos; mas não é preciso recorrer a tais exemplos, porque, a cada passo, nos encontramos perante situações semelhantes. Assim, por exemplo, pode ser importante o erro de alguns centfmetros no comprimento de uma casa a construir; mas o mesmo erro deixará de ter significado na medição da altura de uma árvore, e ninguém, dotado de bom senso, se lembraria de exigir a medida da altura de uma árvore aproximada até aos mil!metros. O erro de um decigrama, que não tem a mrnima importância na pesagem de uma porção de manteiga, pode ser fatal na confecção de um produto farmacêutico. A temperatura de um doente costuma ser avaliada até aos décimos de grau centl,grado; mas uma tal aproximação já é desnecessária para indicar a temperatura ambiente num dado lugar. O erro de um décimo na classificação de um aluno não tem geralmente importância. Mas o erro de um valor pode ser decisivo. E é preciso não esquecer o carácter subjectivo de tais avaliações: verificam-se às vezes difere?{as de um ou mais valores, em provas classificadas por professores igualmente cuidadosos e justos. Inúmeros outros exemplos poderiam ser aqui apresentados. Aliás, um problema análogo se levanta, ainda antes desse, na diatinçAo entre 'números grandes' e 'números pequenos'. Que quer dizer 'número grande' e 'número pequeno'? ~ claro que não existe
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPIlNDI0 DE MA'l'BMA'l'lOA
definição matemática de tais termos: um mesmo n6mero pode ser considerado 'grande' ou 'pequeno', conforme as pessoas e as circunstâncias. Se ouvirmos dizer que, num desafio de futebol, o resultado foi de 15 a O, não hesitaremos em afirmar que o número 16 (de gol os) é muito grande. Mas, sa nos dissarem que o n6mero de alunos de uma turma é 16, já achamos que esse número é pequeno. E pode sar que, dentro de alguns anos, o mesmo número de alunos de uma turma já não venha a ser considerado pequeno. Mas, note-se: em qualquer dos casos, dizer que um n6mero não {J pequeno não equivale a dizer que esse número é grande, uma vez que a distinção entre os dois atributos 'grande' e 'pequeno' não 6 geralmente rlgida. Na verdade, diz-se muitas vezes, a respeito de um número ou de uma grandeza: 'não 6 grande, mas também não é pequeno'. O mesmo se verifica, dum modo geral, com a maior parte dos juIzos que formulamos a cada momento. Quando afirmamos, a respeito dum aluno, '6 inteligente' ou 'é aplicado', torna-se evidente o carácter subjectivo (e relativo) de tais afirmações: pode haver pessoas que tenham opinião contrária e pessoas que não tenham essa opinião nem a contrária, mas apenas opinião dubitativa. O mesmo quando dizemos 'faz calor', 'esta sala 6 quadrada', etc., etc. Assim, na vida corrente, o principio do terceiro excluldo deixa de ser válido: além dos valores 'verdadeiro' e 'falso', aparecem-nos os valores 'duvidoso', 'provavelmente verdadeiro', 'aproximadamente verdadeiro', etc. As considerações anteriores suscitam, desde logo, uma dúvida: Como é posslvel fundar uma teoria matemática de valores aproximados - ou seja, uma teoria rigorosa de coisas não rigorosas 7 O leigo pensa, consciente ou inconscientemente, que tal não é posslvel e, por isso, ao ouvir falar de 'cálculo numérico aproximado' (ou de 'processos de cálculo aproximado'), julga estar em presença de matemática pouco rigorosa, que é como quem diz, de matemática
degenerada. Ora isto, sim, é um arro grosseiro, que convém desde logo contrariar.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
.T. BIi1BABTIAO E SILVA
Assim como o cálculo das probabilidades é uma teoria matematicamente certa de coisas incertas, assim também o cálculo numérico aproximado é uma teoria matematicamente exacta de coisas inexactas. Afinal. toda a matemática aplicada - a começar pela geometria, aplicada à física e à técnica - assenta, necessariamente, numa teoria rigorosa de coisas que, na prática, não são rigorosas. Aliás, como teremos ocasião de ver, é o estudo dos valores aproximados que conduz naturalmente à teoria dos limites, base de toda a ANALISE INFINITESIMAL, que, tal como a aritmética dos nOmeros naturais, pode ser desenvolvida com rigor lógico impecável. a partir de um sistema de axiomas. O cálculo numérico aproximado que vamos estudar contém já, sob forma embrionária, o CALCULO DIFERENCIAL que, juntamente com o CALCULO INTEGRAL, constitui o CALCULO (ou ANALISE) INFINITESIMAl. Aqui vemos, pois, mais um exemplo típico de interacção fecunda entre a teoria e a prática. O que torna muitas vezes diflcil aos alunos a compreensão da teoria dos limites é, em grande parte, a separação artificial que se estabelece entre os dois termos do par teoria-prática, ou seja entre matemática pura e matemática aplicada. Aliás, o cálculo numérico aproximado está a assumir importância cada vez maior nos tempos actuais, com o desenvolvimento dos computadores electrónicos e suas aplicações à vida das sociedades modernas, às investigações espaciais, etc., tendo conduzido à criação de um novo ramo da matemática: a ANALISE NUMI:RICA.
2.
I
Erro de um valdf aproximado.
Vimos que é imposslvel
definir matematicamente 'va'tor aproximado', assim como é imposslvel definir 'nOmero grande' ou 'nOmaro pequeno'. No entanto, já é possl-
vel definir matematicamente' erro de um valor aproximado'. Por exemplo, se considerarmos o número 3,16 como valor aproximado de
7t,
podemos afirmar 'o erro desse valor aproximado de
7t
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
aOMP1!JNDlO DE MATEMATICA
é inferior a 0,02' - o que é uma proposição verdadeira (e não apenas
aproximadamente verdadeira). Analogamente, é verdadeira a proposição: 'Se tomarmos o número 3,141 como valor aproximado de
7t,
cometemos um erro inferior a 0,001'. Porém, agora, trata-se de um erro por defeito (quer dizer
3,141 < dizer
7t
7t),
enquanto no exemplo anterior o erro é por excesso (quer
< 3,16).
Assim, finalmente, podemos chegar a uma definição matematicamente rigorosa de 'erro de um valor aproximado': DEFINIÇÃO 1.
Seja x um número real qualquer e 8 um número
>
O). Chama-se valor aproximado de x com erro
positivo (isto é,
inferior a 8 todo o número real x, tal que
Convém recordar aqui (com exemplos) que o m6dulo de um
número real u, que se representa por I u I, é igual a u, se u > O, e é igual a - u se u ~ O. Portanto, escrever
Ix, -
x I < 8 equivale
a escrever x,-x<8,
se
x - x, < 8 , se
x,-x>O x, - x
<O
Daqui resulta: se
x,
;;>
x
se
Xl
<X 15
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J.SEBA8'1'IAO E SILVA
e, portanto, como é fácil de ver,
Já sabemos que o conjunto dos valores de x, que verificam esta condição é ] x - 8, x + 8 [. Este intervalo é chamado a vizinhança (8) de x.
x-8
x,
X
x+8
--1------1--1---1----------~----~.
_.----~----
Assim, por definição: A vizinhança (8) de x é o conjunto de todos os valores aproximados de x com erro inferior a 8.
Note-se que, na definição anterior, não se define o significado da expressão com duas variáveis:
x, é valor aproximado de x, mas sim o da expressão com três variáveis:
x, é valor aproximado de x com erro inferior a 8. Define-se portanto, aqui, uma relação ternária e não uma relação bináris. Convém notar que se apresenta uma situação análoga com
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOM>PIJJNDIO DE MATE'MATIOA
o atributo 'grande', aplicado a números. Na verdade, não se define em matemática a propriedade absoluta: x é grande
(no universo IR).
mas sim a propriedade relativa:
xé
maior que y,
ou, mais precisamente, a relação binária
>.
(Como se tem visto, é
substituindo o absoluto pelo relativo que se consegue, em geral. maior rigor lógico em ciência.)
CONVENÇÃO: Em vez de 'valor aproximado de x com erro inferior a Ir, também se diz, para brevidade de linguagem: valor aproximado de x a menos de /I
A definição 1 é completada com a seguinte:
DEFINiÇÃO 2. Chama-se erro de x, como valor aproximado
x (ou erro de x, em relação a x) precisamente Ix, - xl. Diz-se que o erro de x, é por excesso ou por defeito, conforme x, ;;. x ou x, ~ x ('). de
(')
Neste Compêndio adoptámos a definição de 'erro de valor aproximado'
como 'módulo do desvio desse valor". No entanto, os alunos devem ser prevenidOi de que, muitas vezes, se chama *erro' precisamente àquilo a que chamamos
aqui 'desvio'.
17 C M-.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . SEBA8TIAG E 8ILVA
Assim, como se vê, qualquer número real X, pode ser considerado como valor aproximado de x, em matemática pura, pois o que se define apenas é o grau de aproximação, indicado pelo número 8. Convém ainda fazer uma distinção entre 'erro' e 'desvio', que será muito útil, como veremos : DEFINiÇÃO 3.
Chama-se desvio de x, em relação ao número x
a diferença X, - x. Assim, o desvio de x, em relação a x será um número posi tivo, negativo ou nulo, ao contrário do erro de x, em relação a x, que é sempre superior ou igual a zero - por ser precisamente o módulo do desvio. Quando estiver subentendido o valor x, de que se trata, designaremos pelo símbolo 6.x o desvio de x, em relação a x, isto é, poremos:
6.x
=
x, - x
Mas, basta comparar os dois membros para se ver que a notação 6.x é incompleta, se não estiver subentendido o valor aproximado x, a que se refere o desvio. Como sinónimo de 'desvio', hão-de aparecer-nos, depois, os termos 'variação' e 'acréscimo', quando se tratar de funções. NOTAS : I.
Na fórmula (1) podemos trocar os papéis de x e x" apli-
cando o princfpio de substituição de variáveis aparentes. Assim:
Ix,-xl < 8 18
<>
x,-8<x < x,+1I
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
aOMPRNDIO DE MATEMATlOA
isto é: x, é valor aproximado de x a menos de 8, sse x pertence ao
intervalo ] x, - 8, x, + 8 [. 11.
Na prática, os números reais são medidas de grandezas.
Assim, o que se diz quanto a erros e desvios para números, aplica-se
mutatis mutandis a grandezas, expressas pelas respectivas medidas, em relação a uma unidade. EXERClclOS - I.
- 1, 0,
Indique os desvios e os erros dos números
2, 3, 2,1, 2,3, 2,34, 2,339
em re lação a 2,34.
li. Indique diversos valores aproximados de 0,02 por excesso e por defeito.
v' 3
a menos de
111. Sabendo que 4,73 é valor aproximado dum número menos de 0,05, indique: a)
Uma vizinhança de
!1;,
!1;
a
tão pequena quanto posslvel, a que
pertença o número 4,73( ') . Dois números tão próximos quanto posslvel, entre os quais
b)
esteja
!1;.
Dê nova resposta à segunda aHnea sabendo que: 1) 4,73 é valor aproximado de de
!1;
!1;
por defeito; 2)
4,73 é valor aproximado
por excesso.
('l
O Intervalo ),,-0,06; IX + 0,06 [.
19
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . SifJBASTIAO E SILVA
IV.
Sendo
Clt
um número real qualquer e /) um número positivo, o conjunto dos valores aproximados de Clt por defeito
identifique: a)
a menos de /); b)
o conjunto dos valores aproximados de
excesso a menos de Il;
c)
Clt
por
a reunião dos dois conjuntos.
V. Sabe-se que a massa de um corpo é de 5,328 kg, com erro inferior a 3 g. Entre que limites está compreendida a massa do corpo?
VI. a)
Sabendo que 4,37 é valor aproximado dum número
a menos de 0,02, indique um valor aproximado de menos de 0,04, e um valor aproximado de
Clt,
Clt,
Clt
por defeito, a
por excesso, a menos
de 0,04. b)
Sabendo que a é valor aproximado de
que um valor aproximado de
O(
Clt
a menos de Il, indi-
por defeito e outro por excesso, a
menos de 2 Il. Enuncie o teorema contido na resposta.
VII. Sabendo que 0,27 é valor aproximado de Clt, por defeito, a menos de 0,05, indique um valor aproximado de Clt a menos de 0,03.
3.
Algarismos exactos dum valor aproximado.
Suponha-
mos, por exemplo, que 3,5835 é valor aproximado dum número
Clt
com erro inferior a 0,002. Então é fácil ver que
3,5815
<
Clt
< 3,5855
Porconseguinte,-até ao algarismo das centésimas, a dizima
s.6 pode ser 3,58. Diremos, por isso, que o número 3,5835 é valor aproximado de Clt com três algarismos axactos. que representa
20
Clt
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPSNDIO DE MATE<MATIOA
Analogamente, suponhamos que 4853420 é valor aproximado dum número
~
com erro inferior a 4000. Temos então
4849 420
<
~
<
4857 420
e vemos que o número 4853420 é valor aproximado de
~
com
dois algarismos exactos. Também podemos escrever: ~ ~
4,853 x 10 6 (com erro inferior a 5000)
Ainda neste caso, diremos, por exemplo, que 0,04853 é valor \
aproximado de
~
x 10- 8 com dois algarismos exactos. Dum modo
geral:
Com algarismos eXactos só contam algarismos significativos, isto é, algarismos que não sejam zeros à esquerda (precisamente aqueles que intervêm na determinação da mantissa do logaritmo ou na utilização da régua de cláculo) (1).
4. Majoração do erro de uma soma.
Sejam x, y dois
números reais e tomemos dois números x l' Y 1 como valores apro ximados de x e de y, respectivamente.
(')
Os computadores mais rápidos têm sistem~ de 'v/;gula flutuante, isto é,
dlo por um lado os algarismos significativos e, por outro lado. um nllmero inteiro
igual à car.cterlstica do logaritmo.
11
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J:. S'EBASTIAO E SILVA
Ora (1)
(x I + Y I )
-
(x + y) = (x I
-
x) + (y I
-
y)
O primeiro membro de (1) é o desvio de x I + YI em relação a x + y. Por sua vez x I
-
x é o desvio de x I em relação a x e y I
-
Y
o desvio de y I em relação a y. Assim, a fórmula (1) pode exprimir-se
abreviadamente, dizendo:
o desvio da soma
é igual à soma dos desvios das parcelas.
Ou ainda, simbolicamente:
(2)
fl (x + y) - flx + fly
pondo fl(x+y) - (x, +Y,) - (x+y), flx = x, -x, fly=y,-y
Daqui e da propriedade do módulo da soma deduz-se:
(3)
I fl (x +
y)
I '" I fl x I + I fly I
Como o erro é o módulo do desvio, esta fórmula pode exprimir-se abreviada mente dizendo:
o 6rro parc6las. 22
da soma é sempre inferior ou igual à soma dos 6rros das
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPIlNDIO DE .MATEMATIOA
Convém, ainda, notar o seguinte:
A fórmula (3) pode ser substitulda pela igualdade
I ,i (u + v) I = I ,iu I + I ,iv I se e só se os erros das parcelas são ambos por excesso ou ambos por defeito (neste caso o erro da soma será também por excesso ou por defeito, respectivamente). Estes resultados estendem-se, mutatis mutandis, a mais de duas parcelas. Chama-se majorante (ou maiorante) dum número número
IX' ;;. IX.
Majorar um número
IX
IX,
qualquer
é achar um majorante de
IX.
Assim, a fórmula (3) pode ser chamada FÓRMULA DE MAJORAÇÃO DO ERRO DA SOMA. Analogamente, chama-se minorante dum número número IX''';
IX,
qualquer
IX.
EXEMPLOS: I.
Sabe-se que 3,14 é valor aproximado de
7t,
nos de 0,01, e que 1 A 1 é valor aproximado de menos de 0,01. Logo, o número 3,14 + 1 A 1 mado de
7t
+
V 2,
=
por defeito, a me-
V 2,
por defeito, a
4,55 é valor aproxi-
por defeito a menos de 0,02.
11. Sabe-se que 0,528, 3,032 e 4,530 são valores aproximados de três números
IX,
~,
y, a menos de 0,002, 0,003, 0,005, respecti-
vamente. Logo, o número 0,528 + 3,032 + 4,530 é valor aproximado de
IX
+ ~ + Y a menos de 0,01.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . S·E BABTIAO E SILV A
5. C61culo aproximado de uma soma com erro inferior a um número dado_
Nos problemas do número anterior são
dados valores aproximados x" Yl '
de números x, y, ... , com
.. . ,
erros inferiores a números positivos também dados, e procura-se um majorante do erro da soma x, + y 1 + ... . Consideremos, agora, o problema inverso (em primeiro lugar com duas parcelas) : Sejam x, y números reais. Dado um número positivo 8, achar valores aproximados x" Y1 de x e y tais que x, + y 1 seja um valor aproximado de x + y com erro inferior a 8. Ponhamos, como anteriormente: x, -
X
= Ilx
, Y1
-
Y = Ily , (x 1 + Y1)
Trata-se, pois, de achar um número
I Ilx I <
E
9
I Ily I <
E,
E
se tenha
-
(x + y) = Il(x + y)
tal que, sendo
I Il (x + y) I < 8. Ora
I Il (x + y) I ~ I Ilx I + I Ily I Então,
S9
for
I Il x I <
E
9
I Il y I <
I Il (x + y) I ~ Portanto, para se ter
e:, virá :
2 e:
I Il (x + y) I <
8. basta que seja 2 e: = 8,
isto é, e: = 8/2. Em resumo : TEOREMA.
Para calcular a soma de dois números com erro
inferior 8 8, basta tomar valores aproximados desses números com erro inferior a
E
= 8/2.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
COMPENDIO DE MATEJMATIGA
Assim, podemos afirmar o seguinte:
V 13 > O, 3 & > O: I Llx I <
&
1\ I Lly 1<
&
=>
I Ll (x + y) 1< 13
o teorema anterior estende-se, evidentemente, a somas com mais de duas parcelas: basta substituir 2 por n, sendo n o número de
parcelas. EXERClcIOS: I. 11.
Calcular" +
V2
a menos de 0,001 (por defeito).
Calcular
,/- ,/5 ,,+ v2+ v3+ 3 com erro inferior a 0,05, por excesso.
6.
Erro do valor simétrico e erro do valor absoluto.
IÔ fácil reconhecer o seguinte:
TEOREMA 1. Se x, é valor aproximado de x a menos de 13,
também -x, é valor aproximado de -x a menos de 13, e reciprocamente. Com efeito, este teorema é traduzido pela seguinte expressão simbólica:
x-l3 < x, < x+l3-= -x-8 < -x, < -x+13 cuja dedução é imediata (justifique).
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Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SqjJBASTIAO E SILVA
Ao mesmo tempo, vê-se que:
é valor aproximado de x por defeito, aproximado de - x por excesso (e vice-versa) . Se X ,
X,
é valor
Com efeito:
x, < x => -x, > - x , X, > X=> -X, < -X
Por outro lado : TEOREMA 2. Se x, é valor aproximado de x a menos de li, também
1x, 1 é valor aproximado de 1x 1 a menos de li.
Demonstração: Suponhamos que x, é valor aproximado de x a menos de li. Quer isto dizer que (1 )
Ora, segundo as regras de adição e subtracção de números reais, o módulo da diferença de dois números nunca pode ser inferior à diferença dos módulos desses números. Por exemplo :
15 - ( - 3) 1= 8 > 15 1- 1( - 3) 1 1(- 3) - (- 5) 1= 2 = 1(- 5) 1- 1( - 3) 1 Em resumo : o módulo da diferença da dois números é sempre
26
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOM'P1!)NDJO DE MATBMATIOA
superior ou igual ao módulo da diferença dos módulos desses números. Temos, pois,
I X,
-
x
I ;;.
I 1 X,
I - I x 1I
'
"VX,
x1
E
IR,
donde, atendendo a (1):
Mas isto quer dizer, precisamente, que
I x 1 I é valor aproximado
de I x I a menos de 8. EXEMPLO. número
<1.
Suponhamos que - 0,04 é valor aproximado dum
a menos de 0,05. Então, segundo o teorema 1, 0,04 é
valor aproximado de -
<1.
a menos de 0,05, isto é, tem-se:
- 0,01
< - <1. < 0,9.
Ao mesmo tempo, aplicando o teorema 2, podemos afirmar que 0,04 é valor aproximado de
I <1. I a menos de 0,05. Mas não temos
elementos para poder afirmar que
<1.
é positivo, que é negativo ou
que é nulo. Porquê 7
7. Majoração do erro de uma diferença. Visto que a diferença x - y de dois números x, y é igual a x + ( - y) a majoração do erro da diferença reduz-se à da soma de x com - y. Em particular:
Se x,II valor aproximado de x por defeito e Y1 é valor apro-
ximedo de y por excesso, então x, - Y1 é valor aproximado de 27
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . BEBABTIAO E SILVA
x - y por defeito (e vice-versa. trocando as palavras 'defeito' e 'excesso'). Por exemplo, sabemos que 1.414 é valor aproximado de
V2 por defeito a menos de 0,001 lt,
e que 3,142 é valor aproximado de
por excesso, a menos de 0,001. Então, o número
1.414 - 3,142 = - 1,628
será um valor aproximado de
V2 -
lt,
por defeito, a menos de
0,002. Suponhamos agora que 4,38 e 1,59 são valores aproximados, ambos por defeito, de dois números ", e
~,
respectivamente, a menos
de uma centésima . Então, o número 4,38 - 1,59 = 2,79
é valor aproximado de '" -
~
a menos de 0,01. mas não sabemos se
por excesso se por defeito.
8. Majoração do erro de um produto.
Sejam x" y, valo-
res aproximados de dois números reais x, y, respectivamente, e ponhamos, como anteriormente, x, - x = D.x, y, - y = D.y.
(1 )
x,=x+D.x
, y ,= y+D.y
donde x,y, = xy + x D.y + yD.x + D.xD.y
28
Então:
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMP1ilNDlO DE MATF)MATlOA
ou seja
(2)
x,y, - xy ~ xlly
+ yllx + /:;.xlly
Ora podemos pôr. segundo a notação anterior:
x,y, - xy
~
II (xy) (desvio de x,y, em relação a XV)
Então (2) pode escrever-se:
(3)
ll(xy) ~ xlly
+ yllx + llxlly
Esta fórmula é a importante FÓRMULA DO DESVIO DO PRODUTO. cuja interpretação geométrica intuitiva se encontra na figura que a seguir se apresenta no caso em que llx > O e lly > O.
lly
y
I
xlly
llx lly
xy
yllx
x
llx
A figura fala por si e o aluno deve relacioná-Ia com as fórmulas anteriores sem auxilio alheio.
29
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J.
S~BASTIAO
E 'S ILVA
De (3) deduz-se, por exemplo:
t:. (XY) = Xt:.y
+ (y + t:.y) t:.X
ou seja, atendendo a (1):
(4)
t:.(xy) = xt:.y
+ Y, t:.x
Daqui vem, por sua vez:
I t:. (xy) I :S;; I x I I t:.y I + I y, I I t:.x I (justifique)
(5)
Seja, agora, isto é:
x ;;.I xl
x um
majorante de I x I e Y um majorante de Iy, I,
, Y;;.ly,I(') .
Então de (5) virá, pela monotonia da adição e da multiplicação em IR:
(6)
I t:. (xy) I :S;;
xI t:. Y I + y I t:. x I
Esta é, pois, uma FÓRMULA DE MAJORAÇÃO DO ERRO DO PRODUTO.
( ')
~ claro que nada impede de trocar aqui os pap61s de x e y, visto
que a multiplicaçio 6 comutativa. O slmbolo p6u'. O me.mo pare
30
9, etc.
x lê-se
'x circunflexo' ou 'x cha-
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
aOMPIlNDIO DE MATE-M ATIGA
EXEMPLO. Suponhamos que 4,538 e 0,5327 são valores aproximados de dois números x e V' respectivamente, a menos de 0,001 e de 0,0001. Neste caso, tem-se :
I x I = x < 4,539 , I V 1 I = V 1 = 0,5327 e assim podemos tomar, por exemplo:
x=5 , 9=1 Como
I ilv I = 0,0001 e I ilx I = 0,001 , virá, aplicando (6): I il (XV) I '" 5
x 0,0001
+ 0,001 = 0,0015
Por conseguinte o produto
4,538 x 0,5327 = 2.4173926 é um valor aproximado de XV a menos de 0,0015. Suponhamos, agora, que os números 4,538 e 0,5327 são valores aproximados de x e V por defeito (com erros inferiores a 0,001 e
0,0001 , respectivamente) . Então, o produto desses números é valor aproximado de XV, por defeito a menos de 0,0015, isto é: 2.4173926 '" XV < 2.4188926 Ficam, portanto, determinados apenas três algarismos exactos de XV: XV = 2.41 .. .
31
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIÃO E SILVA
Mas, é claro que 2,417 é ainda um melhor valor aproximado de xy (a menos de 0,002, por defeito). Os restantes algarismos decimais
é que já não interessam ('). NOTAS IMPORTANTES: I.
Para obter o produto de dois números com n algarismos
exactos (incluindo a parte inteira, se esta não é nula) é necessário
geralmente conhecer os factores com n + 1 algarismos exactos. Assim, no exemplo anterior, os factores são dados com 4 algarismos exactos e o produto é obtido com 3 algarismos exactos: perdeu-se,
portanto, um algarismo exacto. Mas algumas vezes perde-se mais de um algarismo exacto; outras vezes, pelo contrário, não se perde nenhum. 11.
No caso em que x = x"
é claro que a fórmula (3) do
desvio do produto se reduz à seguinte: ó. (xy) = xó.y, sendo, neste caso, mais fácil a majoração do erro do produto. Ana logamente se y = y,.
11.
Ainda a respeito da fórmula (3), que dá o desvio de um pro-
duto, convém notar o seguinte: Quando os erros
I ó'x I e I ó.y I são bastante pequenos,
o termo
ó.xó.y da fórmula (3) é muito pequeno em relação aos dois primeiros
(')
O aluno poderá resolver outros exercicios deste tipo; mas convám esco-
lher números com menos algarismos, para evitar cálculos demasiado laboriosos,
32
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPÉNDIO DE MATEMÁTIOA
e pode, então, ser desprezado na prática. Assim, em vez de (3), podemos escrever:
(3')
LI. (xy) :::; x LI. y
+ Y LI. x
Esta é a FORMULA APROXIMADA DO DESVIO DO PRODUTO, que, nas referidas circunstâncias, pode substituir a fórmula exacta (3). Veremos depois como, no CÁLCULO DIFERENCIAL, a fórmula (3') li
torna exacta, substituindo o conceito de 'desvio' pelo de 'diferen-
ciai' (ou pelo de 'derivada') .
9. Cálculo aproximado de um produto com erro inferior • um número dado. Consideremos, agora, o problema inverso do que foi estudado no número anterior:
Dado arbitrariamente um número li > O, achar valores aproximados x" y, de dois números x, y, de tal modo que o produto x,y, ,eje velor aproximado do produto xy com erro inferior a 3. Sejam x, e y, valores aproximados de x e y (respectivamente),
a determinar. Continuemos a repreIIntar por LI.(xy) o desvio x,y , - xV. O que se pretende, precisamente, • determiner & de modo que seja: com erro inferior a um número
&
I LI. (xy) I < li 33 C M-l
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . 8EBABTIAO E 8ILVA
Para isso, tomemos um número X;;' I x I e um número 9> I y I. Então, se obrigarmos e a verificar a condição
e~ 9-ly l
(1 )
tem-se:
(2)
Iyl
IYI+e
9
1====::;1---11-- -
Ora, sendo y" valor aproximado de y a menos de e, também
I y, I é valor aproximado de I y I a menos de e (ver n. O 6), e portanto ( ')
l y, I<lyl+e
donde, atendendo a (2):
I y, I < 9
( ' ) ~ claro que nos podlamos li mitar aqui a números positivos. o que dispensava a notaçlo de módulo. Mas, convém-nos a hipótese mais garal de n6meros ..ali, para podar aplicar, depois, alie taorema à taoria dOI limita•.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPeNDIO DE MATEMATlOA
xé
Assim,
y,
um majorante de 1x 1e Y um majorante de 1
I, o que
nos permite aplicar a fórmula do número anterior:
1t. (xy) I.;;
x1t.x 1+ Y1t.y 1
Como, além disso, 1t.x 1< e e Il!..y 1< e, virá: 1
Por conseguinte, será
(x
1
t. (xy) 1 < (l<+ y) "
t. (xy) 1 < 8, se for
+ y) e';; 8 ou seja
e';; - -
x+y
x
em que, como se disse, > 1x 1e V> 1y I, Além disso, "deve ainda verificar a condição (1). Assim, em conclusão:
TEOREMA. Sejam x e y determinados números reais. Então, quelquer que seja 8> O, existe pelo menos um e> O tal que o produto de dois valores aproximados de x e y a menos de E é, com certeza, valor aproximado de xya menos de 8. Um tal número e pode 88r qualquer número positivo que verifique simultâneamente as duas condições: (3)
,endo
e';; -
-
x+V
x, y números quaisquer tais que x>lxl , y>lyl(')
( ,)
~ claro que os papéis de x e de y podem ser trocados neste teorema.
35
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIAO E SILVA
A primeira parte do teorema pode ser traduzida simbolicamente pela fórmula 'ri a > 0, 3 e > O:
I ~x I < e 1\ I ~y I < e => I ~ (xy) I < a
Mas, é preciso não esquecer o seguinte: Ao contrário do que sucede no caso da soma, o número e procurado depende agora não só de 1l, mas também dos próprios números x, y, como se vê pelas fórmulas (3) .
EXEMPLO. Suponhamos que se pretende achar um valor aproximado de x=
7t,
Y=
Y 2 com erro inferior a 0,001. Neste caso, pondo Y 2, podemos tomar por exemplo: 7t
x=4 , y=2 Procuraremos, agora, um número e tal que
0,001 4+2
t.;;;2- Y 2
Um número que verifica a primeira condição é 0,0001. Ora, este número verifica também a segunda condição, visto que portanto 1 -
V2 < 1 ,5 e
V2 > 1 - 1,5 = 0,5. Logo, podemos tomar t
= 0,0001
isto é:
Y 2 com erro inferior a 0,001, bastará tomar vaIa ras aproximados de 7t e de Y2 com erro inferior a 0,0001, ou seje, Para calcular
7t
aproximados até ás décimas milésimas.
36
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
COMPSNDIO DE MATEMATWA
10. Majoração do erro de um quociente.
Sejam x, e Y',
valores aproximados de dois números x e y, respectivamente, e suponhamos que se tem y # O e y, # O. Continuando a usar as notações anteriores, temos: (1 )
x,=x+ÀX
,
Y,=Y+ÀY
donde
-
(2)
x,
- -
Y,
x
Y
x + Àx
x
Y + Ày
Y
- - -- - -
(xy + yÀx) - (xy + xÀy)
-
y (y + Ày)
Pondo, agora
À-
x y
x,
x
y,
y
= -- - -
deduzimos de (1) e (2) a FÓRMULA DO DESVIO DO QUOCIENTE:
À -
(3)
x
Y
yÀx~xÀy
= -'-.:..:........:..:...-'--
YV,
Daqui, por sua vez, deduz-se:
À -
x y
~
I X"ÀYI+ly I IÀxl ---------. _ -I y II y, I
(justifique)
37
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIAO E SILVA
Seja, agora,
~
um majorante de I x I,
y um majorante de I y I e Y
um número positivo, tal que
y",IYI
e
Então, virá (2):
xI 6.y I + YI 6.x I
(4)
y2
Esta é uma FORMULA DE MAJORAÇÃO DO ERRO DO QUOCIENTE.
EXEMPLO. Suponhamos que 0,23232 e 3,1416 são valores aproximados de dois números x e y, a menos de 0,00001 e 0,000 1, respectivamente. Neste caso podemos tomar, por exemplo:
Jt
= 0,3
,
Y=
4 ,
Y=
3
Assim: x
I6. -y
I
0,3 x 0,0001 + 4 x 0,00001
'"
9
< 0,000008
Suponhamos, além disso, que o primeiro valor (dividendo) é aproximado por defeito, e que o segundo (divisor) é aproximado
(') Diz-se, neste caso, que y é um minorante positivo de Ivl e Iv,l. O slmbolo y lê-se 'V traço' ou 'V barra'. (') Aumentando o dividendo, o quociente aumenta; diminuindo o divisor, o quociente aumenta. Isto é: a < b '"' a/c < b/c, b > c=> a/b < a/c (em IR). Justifique, aplicando princlpios de equivalência de inequações.
38
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPBNDlO DE MATEMATIOA
por excesso. Então o quociente é aproximado por defeito e tem-se, calculando o quociente até às milionésimas:
0,073949
< -
o quociente de x por y fica,
x y
<
0,073957
pois, determinado com trés algaris-
mos exactos: perderam-se, portanto, dois algarismos exactos (geralmente, na divisão, perde-se apenas um algarismo exacto, tal como na multiplicação). Mas, note-se que o número 0,07394 é valor aproximado de xlv a menos de 0,00002. Outros exemplos análogos poderiam ser apresentados. Convirá no entanto, para exercicios, escolher números com menos algarismos, 8 fim de evitar cálculos demasiado laboriosos.
NOTAS:
I.
No caso particular em que y = y" é claro que a fórmula (3)
do desvio do quociente se Simplifica, dando:
ll -
x
=
y
llx
Y
Neste caso, a majoração do erro do quociente será mais fácil.
li.
Relativamente à fórmula (3) , convém ainda observar o
seguinte: Na prática, quando o erro
I lly I
é bastante pequeno em rels-
39
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA
ção
B
I y I, é desprezável o erro que se comete, substituindo Y, por
Y em (3). Assim, em vez de (3), podemos escrever:
(3')
YI1x - xl1y y
y2
Esta é a FORMULA APROXIMADA DO DESVIO DO QUOCIENTE que, nas referidas circunstâncias, pode substituir a fórmula exacta (3) . Mais tarde veremos como, no CALCULO DIFERENCIAL, a própria fórmula (3') se torna exacta, substituindo o conceito de 'desvio' pelo conceito de 'diferencial' (ou pelo de 'derivada') .
11. Cálculo aproximado de um quociente com erro inferior a um número dado. Consideremos, agora, o problema inverso do anterior:
Dado arbitrariamente 8 > O, achar valores aproximados x" y, de dois números x,y, de modo que o quociente x, /y, seja aproximado do quociente xlv a menos de 8 (com y O e y, O) .
*
*
Sejam x"y, valores aproximados de x, y (respectivamente), com erro inferior a um numero e a determinar_ e continuemos a designar por l1(x/y) o desvio x,/Y , - x/V. Pretende-se, pois, determinar e de modo que seja
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPI/JNDIO DE MA!l'EMATIOA
Para isso, tomemos arbitrariamente um número X;" I x I, um número y ;" I V I e um número
Vtal
que
O< v <l v l Então, se e verificar a condição e"; lvi-v tem-se:
'I ";
(1 )
o -
- - --
-
V - 1
I vl- e Ivl 1- -
-
1- -- - -
Ora, sendo V, valor aproximado de V a menos de e, também I V, I é valor aproximado de I V I a menos de e e tem-se: I v l -e < lv, 1 donde, atendendo a (1): v< I V, I Assim, 'I é um minorante positivo de I V I e I V, I, e, como x, y do majorantes de I x I e I V I, respectivamente, podemos aplicar a FORMULA DE MAJORAÇÃO DO ERRO DO QUOCIENTE:
x Il1v I + YIl1x I V2 41
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . BEBABTIAO E BILVA
Como, além disso,
I ô'X 1<
e
&
I ô,Y 1<
&,
virá:
x+9 y2
Por conseguinte, será
x+9 y2
&
~
I ô, (xlv) I < 8, desde que seja
8, e que equivale a
&
~
Em conclusão:
Sejam x e y dois números reais e suponhamos y # O. Então, para todo 8 > O, existe pelo menos um & > O, tal que o quociente de um valor aproximado de x a menos de e por um valor aproximado de y a menos de & é valor aproximado de xlv a menos de 8. Um tal número & pode ser qualquer número positivo que verifique as duas condições TEOREMA
,
sendo X, 9,
&
~
IYI- y,
y, números quaisquer tais que x ;;. Ixl , 9 ;;' IYI , 0 < y < Iyl
A primeira parte do teorema é traduzida pela fórmula: x
V8, 3&: Iô'xl < &/\ Iô'YI < &=> Iô' - 1< 8 y
42
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPIlNDIO DE MATEMATIOA
Tal como no caso do produto, o número e procurado depende
nlo s6 de 3, mas também de x e y. EXEMPLO.
Suponhamos que se trata de calcular V 211< a
menos de 0,001 . Pondo x = V 2 , y = 1<, podemos tomar, por exemplo: ~=2
, y=4 , y=3
Procuremos, agora, um número e tal que
9
,,; e - - - x 0,001
2+4
Um número que verifica a primeira condição é 0,0015. Ora, este número verifica também a segunda condição, visto que 1< > 3,1 e, portanto,
1< -
3 > 0,1. Logo, podemos tomar e = 0,0015 ou mesmo €
= 0,001
isto é:
Para calcular V 211< a menos de 0,001, basta tomar valores eproximados de V 2 e de 1< até às milésimas. EXERCICIOS: I.
e
ex/~,
11.
Sendo ex = 0,252. .. e ~ = 3,141 ... , calcular ex + ~, ~ - ex, com o maior número posslvel de algarismos exactos.
"'~
Sabendo que a base e a altura dum triângulo medem respec-
tivamente 26,3 cm e 5,0 cm, a menos de 1 mm por defeito, calcular
43
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIAO E SILVA
um valor aproximado, por defeito, da área do triângulo, e achar um majorante do erro desse valor aproximado. 111.
Determinar o número de algarismos exactos que se devem
tomar no desenvolvimento de
°
de 1
7t
para calcular a área dum circulo
m de raio com erro inferior a 1 cm 2.
IV. Pretende-se construir um recipiente cillndrico com 1 m de altura e 30 cm de raio da base. Avaliar o erro que pode provocar na capacidade do recipiente o erro de 1 mm cometido no raio da base e na altura. V. Determinar a relação de grandeza que se verifica entre os números V'5 e V3, aplicando o seguinte teorema:
a<
'Sendo a e b números positivos e n um número natural, tem-se b, a > b ou a = b, conforme an < bn, an > b n ou an = bn, VI. VII.
Idem para os números V' 5 '/2 - 7 e
V 2 - 1.
Dispor por ordem de grandeza os números 4,
V 13 e
V 2 + V 5 sem recorrer a desenvolvimentos decimais. VIII.
Verificar que V' 2 - '/rr:
e 0,7 (começando por calcular
7t
está compreendido entre 0,6
a menos de 0,01).
12. Majoraçio do erro de uma potincia. Seja x 1 valor aproximado de um número real x e seja n um número natural. Então, como 56 viu no 6. 0 ano, x~ - xn = (x, - x) (X~-l
+ X~·2X + .. . + X, Xn - 2 + xn - l)
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
aOMP1!JNDIO DE MATEMATIaA
ou ainda, adoptando as notações anteriores para desvios:
que é a FÓRMULA DO DESVIO DA POT~NCIA.
Daqui, por sua vez, deduz-se:
Portanto, se designarmos por í( um majorante qualquer de Ix, I e Ixl, virá :
I~xnl '" n í(n-' I ~xl
que é uma FÓRMULA DE MAJORAÇÃO DO ERRO DA POT~NCIA. Esta permite não só majorar o erro da potência de um valor aproximado de x, como também resolver o problema i nverso, de modo análogo ao que fizemos para o produto. Isto é :
Qualquer que seja 8 > 0, tem-se I~xn l < 8, desde que seja I ~xl < e, sendo e um número positivo tal que
e '"
-
n
-c;:::-;.. n- 1
e
X
em que lt li qualquer número maior que Ixl. 45
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIAO E SILVA
Relativamente à fórmula (1), verifica-se, na prática, o seguinte facto: Quando I~xl é bastante pequeno, o erro que se comete em substituir x, por x é desprezável e, assim, obtemos:
(1 ')
Esta é a FORMULA APROXIMADA DO DESVIO DA POTI:NCIA que, nas referidas circunstâncias, substitui a fórmula exacta (1). Veremos depois como, no CÁLCULO DIFERENCIAL, a própria fórmula (1 ') se torna exacta, substituindo o conceito de 'desvio' pelo conceito de 'diferencial' (ou pelo de 'derivada').
13. Majoração do erro de uma raiz.
Sejam, agora, x e x,
números reais não negativos e seja n um número natural. Pondo y =
n/ -
yx
e
y,=~
tem-se: n n = (y,-y )(n-l y,-y y, +y,n-2y+ ... +yn-,)
ou seja:
46
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPIlNDIO DE MATBMATIOA
Daqui, pondo x,-x=Âx
e
vem, finalmente: Âx
 ~ x = -----o:---;:-~---;:--n-k-, k :E x, n X n
(1 )
n-'
k-O
que é a FORMULA DO DESVIO DA RAIZ. Daqui, por sua vez, deduz-se: 1
-""nC-.~,- IÂxl ,
(2)
nx - n-
sendo x um minorante positivo de x, e x, isto é, um número tal que O< x < x, e X< X. Esta é uma FÓRMULA DE MAJORAÇÃO DO ERRO DA RAIZ, que permite não s6 majorar o erro da raiz de Indice n de um valor aproximado de x como também resolver o problema inverso:
TEOREMA.
Qualquer que seja 8 > O existe E> O tal que
I x, - x I < e =- I ~ x, - C'x 1< 8
(com x ;;. O)
Um tal número e pode ser qualquer número positivo que verifique as duas condições:
(3)
E~
~ /--
n vx n -,
.
a,
e<x-x
47
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA
sendo li qualquer minorante positivo de x. - --
o
- 1-
-
-
X x-e X - 1 - 1==:::=::;1
Com efeito, seja li um minorante positivo de x e seja x, um valor aproximado de x a menos de e, sendo e um número que verifica as condições (3) . Então, será:
x - e < x, donde, por ser e <
X-
X
(porquê?)
x- (x-x) < x,
ou seja X < x ,. Por conseguinte, li < x ,. Assim, x é um minorante positivo de x e x" o que permite aplicar a fórmula (2):
1
1 C'x, - {YX I ,,; ---;;-n::-;.,- I x, - x nx - n-
1
n·,
Mas, 1x , - x 1< e "; n X -n- 8, por hipótese. Logo 1
C'x, - (YX 1 < 8
q. e. d.
Relativamente à fórmula (1), observa-se o seguinte: Na prática, quando IÂxl é bastante pequeno, o erro que se comete em substituir x, por x é desprezável e, assim, obtemos:
(1')
48
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
COMPl!!NDIO DE MATEMATICA
Esta é a FÓRMULA APROXIMADA DO DESVIO DA RAIZ, que, nas referidas circunstâncias, substitui a fórmula exacta (1). Veremos também, como no CALCULO DIFERENCIAL, a fórmula (1') se torna exacta, substituindo o conceito de 'desvio' pelo de 'diferenciaI' (ou pelo de 'derivada') .
14. Desvio relativo e erro relativo.
Seja x um número
real cF O e seja x, um valor aproximado de x. Chama-se desvio relativo de x, (em relação a x) o quociente do desvio de x" (em relação a x) pelo próprio número x. Designaremos por ;l'x o desvio relativo de x, em relação a x. Será, pois, por definição: ;lx
;l'x =
x,-x =
x
x
Chama-se erro relativo de x, em relação a x o módulo de ;l'x('). Por exemplo, já sabemos que 3,14 é valor aproximado de
7t,
por
defeito, a menos de 0,01. Então, o erro relativo de 3,14 em relação a 7t será inferior a 0,01
3
<
0,004
Também podemos dizer, neste caso, que o erro relativo é inferior a 4%0 (ou inferior a 0.4 %). Quanto ao desvio relativo de 3,14 em
(') Tambêm 8e chama 'desvio absoluto' ao desvio propriamente dito, para o dlllinguir de desvio relativo, e 'arro ab.oluto·. ao erro propriamente dito.
49 C M- • .
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEB.A.STIAO E SILVA
relação a
7t,
tanto 3,14
esse será superior a - 0,004, visto que 3,14 < -7t <
7t
e por -
O.
EXERClclOS -I.
Sabendo que 23,08 é valor aproximado dum
número", com erro relativo inferior a 1 %, indique os limites (majorante e minorante) que dai se deduzem para o número oc.
11.
Problema análogo, sabendo que 2,538 x 10 7 é valor apro-
ximado dum número [3 com erro relativo inferior a 0,2 %.
15.
Erro relativo de um produto·.
Da fórmula do desvio
do produto ~(XV) = x!:J.V
+ V!:J.x + !:J.x!:J.V
deduz-se imediatamente, dividindo por xv:
!:J. (XV) xV
!:J.V
!:J.x
!:J.x
!:J.V
V
X
X
V
= -- + -- +
ou seja: ~'(XV)
= !:J.'x + !:J.'V + !:J.'x!:J.'V
que é a FÓRMULA DO DESVIO RELATIVO DO PRODUTO. Na prática, quando os erros relativos dos factores são suficientemente pequenos (p. ex. menores que 0,1), pode-se desprezar o produto desses erros e escrever: (1 )
50
!:J.' (xy)
~
!:J.'x + !:J.'V
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMP1IJNDIO DE MATEMATIOA
que é a FÓRMULA APROXIMADA DO DESVIO RELATIVO DO PRODUTO.
No CÁLCULO DIFERENCIAL, esta fórmula torna-se
exacta, substituindo o conceito de 'desvio relativo' pelo conceito de 'diferencial relativo' (ou pelo de 'elasticidade'). De (1) deduz-se, por sua vez:
I L1'(xy) 1;:S I L1'x I + I L1'y I
(2) isto é: Quando
1L1'xl e 1L1'yl são bastante pequenos, o erro relativo do
produto é inferior ou aproximadamente igual à soma dos erros rela tivos dos factores; e podemos dizer que é aproximadamente igual a essa soma, se os desvios dos factores tiverem o mesmo sinal( 1 ).
Por exemplo, se 0,27 e 3,5 são valores aproximados de dois números
IX
e
~
com erros relativos inferiores a 1 %, podemos dizer
que 0,27 x 3,5 é valor aproximado de
IX~,
com erro inferior ou
aproximadamente igual a 2 %. Se o erro for superior a 2 %, a diferença (erro de segunda ordem) será inferior ao produto dos erros relativos
dos factores e portanto inferior a 0,0001, o que é na verdade insignifica nte na prática.
Erro relativo do quociente.· do desvio do quociente 16.
L1 -
(')
x y
-
Como vimos, a fórmula
yL1x - xL1y y(y + L1y)
O sinal ~ lê-se 'menor ou aproximadamente igual'.
51
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . SEBASTIÃO E SILVA
pode ser substituida pela fórmula aproximada
(1 )
x
!:i-
vilx - x!:iV
~ ----
V2
V
quando l!:ivl é bastante pequeno em relação a Ivl, isto é, quando l!:i'yl é suficientemente pequeno. Então de (1) deduz-se, dividindo por x/y:
(2)
!:i' -
x y
~
!:i' x - !:i'y
Esta FÓRMULA APROXIMADA DO DESVIO DO QUOCIENTE cede o lugar a uma fórmula exacta, quando se substituir o conceito de 'desvio relativo' pelo conceito de 'diferencial relativo' (ou pelo de 'elasticidade') . De (2) por sua vez deduz-se, na hipótese considerada
I !:i'-
x
I ;:s I !:i'x I + I !:i'y I
V
tendo-se
I !:i' -
x y
I ~ I !:i'x I + I !:i'y I
quando !:i'x e !:i'y tiverem sinais contrários.
17.
Erros relativos da potência e da raiz.·
Por conside-
rações semelhantes às dos números anteriores, chega-se às seguin-
52
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMP1!lNDIO DE MATEMATIOA
tes FORMULAS APROXIMADAS DOS DESVIOS RELATIVOS DA POT~NCIA E DA RAIZ: ~,xn
r,-
t:>: v x
::::: nA'x
~
-
1
t:,.' x
n
que permitem fazer a majoração aproximada dos correspondentes erros relativos.
53
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
NOTA FINAL
A falta de tempo impede-nos de apresentar aqui um último capitulo, que seria intitulado 'Grandezas e números reais' e que incluiria, em especial. um estudo rigoroso das funções exponencial e logaritmica. No entanto, propomo-nos dizer ainda alguma coisa sobre o assunto na parte final do Guia.
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
•
Indice NOTA
PR~VIA
7
ADVERT~NCIA
Capitulo I. §
9
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO DIFERENCIAL
1. Cálculo numérico aproximado 1. Considerações prévias intuitivas
11
2.
14
Erro de um valor aproximada .
3. Algarismos exactos dum valor aproximada.
20
4.
Majoração do erro de uma soma . . . .
21
5.
Cálculo aproximado de uma soma com erro inferior a um número
dado. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
24
6.
Erro do valor simétrico e erro do valor absoluto .
25
7.
Majoração do erro de uma diferença.
27
8.
Majoração do erro de um produto . •
28
9.
Cálculo aproximado de um produto com erro inferior a um número
dado. • • •
. • . . .
33
10. Majoração do erro de um quociente.
37
11 . Cálculo aproximado de um quociente com erro inferior a um número dado. . • . . . . . . . . . .
40
425
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. SEBASTIAO E SILVA
§
2.
12.
Majoração do erro de uma potência.
44
13.
Majoração do erro de uma raiz.
46
14.
Desvio relativo e erro relativo.
49
15.
erro relativo de um produto
50
16.
erro relativo do quociente .
51
17.
Erros relativos da potência e da raiz .
52
Teoria dos limites de sucessões 18.
Métodos de aproximações sucessivas .
, 9. Convergência de uma sucessão.
61
20.
Pormenores de terminologia. . .
68
21.
Primeiros teoremas sobre limites .
72
22. Algebra dos limites .
75
23.
Métodos de iteração
81
24.
Critérios particulares de convergência.
84
25.
51mbolos de impossibilidade e slmbolos de indeterminação
86
26.
Limites infinitos. .
88
27. Operações com limites infinitos
90
28.
Regras de cálculo com o símbolo
29.
Novos sim bolos de indeterminação.
96
30.
Limíte da exponencial. . . . .
99
00
94
31 . Soma de todos os termos duma progressão geométrica
102
32. Aproximações por meio de séries. Série binomial
1I I
33.
426
54
Um método geral de resolução de equações algébricas de qual. quer grau . . . . . . . . . . • . . . . . . . . . . ,
117
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMPBNDIO DE MATEMATICA
§
3. Limites de funções de variAvel real 34.
Conceitos e propriedades elementares
129
35.
Definição de 'Iimite de uma função segundo Cauchy'.
132
36. Axioma de Zermelo. . . . 37.
§
135
Exemplos de limites de funções circulares e das funções exponencial e logarltmica
140
38.
Indeterminações
.
146
39.
Funções continuas
147
4. Derivadas 40.
Conceitos fundamentais e regras de derivação.
149
41.
Conceito de diferencial
153
42.
Regras de diferenciação
158
43.
O conceito de diferencial nas ciências da natureza .
160
44.
Derivação das funções exponencial e logarltmica.
164
45.
Derivada da função logarltmica .
171
46.
Derivadas das funções circulares.
173
47.
Máximos e mfnimos. concavidades e inflexões .
175
48. Teorema de Cauchy.
177
49.
Método da tangente (ou de Newton)
183
50.
Método da corda (ou regra da falsa posição).
189
51.
Interpolação por diferenças finitas . .
191
Capitulo 11.
•
INTRODUÇÃO AO CALCULO INTEGRAL
1. O problema da primitivação
203
2.
207
Primitivações imediatas . . .
427
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J . 8EBA8TIAO E 8ILVA '
3. Regras elementares de primitivação
211
4. Alguns exemplos de aplicação às ciências da natureza
218
5. Noção intuitiva de integral •
228
6. Definição de integral
235
. .
7. O integral como limite de uma sucessão .
238
8. Interpretação geométrica do conceito de integral .
242
9. Valor médio duma função; teorema da média
243
10. Teorema da decomposição do intervalo.
247
11. Teorema fundamental do cálculo integral
249
12. Fórmula de Barrow .
257
13. Cálculo de áreas . .
262
14. Cálculo de volumes.
265
15. Cálculo do comprimento de curvas
270
16. Novos exemplos da fisica . . . .
277
17.
285
Propriedades em que se baseia o cálculo numérico de integrais
18. Métodos de integração numérica
289
19. Fórmula de Taylor
293
20. Série de Taylor . .
296
21.
298
Desenvolvimentos em série de potências
22. Integração de séries termo a termo
301
23. Exemplos de equações diferenciais.
307
24. Integração numérica de equações diferenciais
312
Capitulo 111- TEORIA DEDUTIVA DOS NÚMEROS NATURAIS 1. Caracterização da estrutura do grupóido ( 1N, +)
428
. . .
319
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
OOMP1ÇNDIO DE.-MATEMATlOA
2.
rência. . . . . . . . . .
325
O principio de indução matemática em termos de compreensão. Demonstrações por indução • . . . . . • . .
333
4.
Nova forma do raciocínio de indução matemática
342
5.
Regresso ao problema inicial: caracterização da estrutura de (IN,+) • . . •• • . • . • . • • . . . . • . . . .
344
3.
. ,.
Principio de indução em IN. Sucessões; definições por recor-
6.
7.
Axiomática da teoria dos numeros naturais. Primeiras definições
e teoremas. . . . . . . . . . . . . . .
346
Caracterização da estrutura aditiva dos números naturais (conclusão) . • .
353
8. Axiomática de Peano
359
9.
Axiomáticas compatlveis
362
10. Axiomáticas categóricas
363
11. Axiomáticas independentes
365
12.
Existem afinal conjuntos infinitos? .
366
13.
O problema da nllo contradição da aritmética
375
Aditamento I. Câlculo de valores aproximados .
383
Advertência prévia. . . . . . . . . . . . .
383
1. O sistema da vírgula flotuante no cálculo elementar. no cálculo logarítmico e no cálculo electrónico. . . . .
385
2.
Algarismos significativos e algarismos exactos
390
3.
Arredondamento de valores numéricos
394
4.
Erro relativo e número de algarismos exactos.
395
6. Avalieção do erro do resultado de multiplicações e divisões sucessivas . . . 6.
Ceso d. potoncie
401 407
429
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA 7.
Caso da raiz
408
8.
Caso da adição e da subtracção
409
Aditamento 11. Nova orientação no estudo do cálculo de valores apro· ximados .
411
NOTA FINAL. . . . . • . . . • . . • . . • . . • . . . . .
423
430
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
Composto e imp.e·sBO na Tipografia Guerra -
V/.seu
e conclulu-.se enl l!arço de 1976
Compêndio de Matemática, 2º volume, Capítulo I - Cálculo numérico aproximado
GABINETE DE ESTUOOS E PLANEAMENTO 00 MINlSrtRIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA