Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J.
SEBASTIÃO
2.
E SILVA
volume
0
Aditamento I e II
Curso Complementar do Ensino Secundário
Edicão G EP o
LI SBOA
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPÊNDIO DE
MATEMÁTICA
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIÃO E SILVA
COMPÊNDIO DE
,
MATEMATICA 2.° VOLUME
CURSO DO
COMPLEMENTAR
ENSINO SECUNDÁRIO
1 976
GABINETE DE ESTUDOS E PLANEAMENTO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTíFICA
Av. Miguel Bombarda, 20- Lisboa
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
o texto deste
Comp6ndío foi utilizado no âmbito de uma expe-
riência de modernização do ensino da matemática em Portugal, dirigida pelo Prof. Sebastião e Silva e realizada pelo Ministério da Educação Nacional em colaboração com a O. C. D. E. (Projecto Especial STP-4/SP). Nesta experiência estiveram envolvidos alunos dos antigos 6.° e 7.° anos do ensino liceal (idades entre 15 e 17 anos) . Nos termos do acordo estabelecido entre a O. C. D. E. e Portugal é proibida a reprodução total ou parcial deste texto por terceIros.
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NOTA PRÉVIA
o
2.° volume do texto-piloto contém, ainda mais do que o 1.°
e o 3.°, matérias que não são de modo algum obrigatórias nos cursos-pilotos e que aparecem devidamente assinaladas com asteriscos ou notas ao fundo da página. A inclusão dessas matérias foi determinada pelas seguintes considerações: 1.° Ao professor interessa adquirir conhecimentos para além dos que precisa de ministrar, a fim de que pos5a ter ideias mais precisas sobre as finalidades do seu ensino. 2.° A indicação de bibliografia para a aquisição de tais conhecimentos não basta. Ao professor convém um texto orgânico, onde as novas noções apareçam devidamente concatenadas e que lhe permita economizar aquilo de que tanto carece: tempo. 3.°
Há que estimular ao máximo os alunos talentosos, facul-
tando-lhes a leitura fácil de certos assuntos para além do programa. (Num importante projecto internacional para melhoria do ensino matemático nos paises árabes, propõe-se um ensino matemático especial para os alunos excepcionalmente dotados e ainda o recurso a competições para os seleccionar e orientar, à semelhança do que se faz noutros paises.)
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIÃO E SILVA
4.° Os alunos que forem frequentar as cadeiras de Matemáticas Gerais e Álgebra Linear, em Faculdades de Ciências ou Institutos Superiores, ficarão a possuir, nos textos-pilotos, elementos de informação e esclarecimento, que lhes permitirão superar mais facilmente o fosso que se tem vindo a cavar entre ensino liceal e ensino universitário, quer em conteúdo cientifico, quer em forma de ensino.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
ADVERT!NCIA
o
texto-piloto para o 7.° ano compõe-se de 2 volumes, dos
quais este é o primeiro - embora seja o segundo em relação ao do 6.° ano. A divisão do Compêndio do 7.° ano em dois volumes tornou-se necessária por imposições da própria experiência, que não permitiu, desde logo, chegar a uma redacção definitiva. Hão-de notar-se por isso algumas pequenas repetições, para as quais se chama oportunamente a atenção do leitor. Esta divisão tem no entanto vantagens, porquanto a Indole diferente dos assuntos - mais acentuadamente de análise infinitesimal neste volume e mais acentuadamente de álgebra e geometria no seguinte - torna aconselhável que tais assuntos sejam tratados, tanto quanto posslvel, em paralelo e não em série (no regime de bifurcação já adoptado no 6.° ano), a fim de se obter o melhor aproveitamento posslve!. Aliás, no Guia para a Utilização do Compéndio de Matemática (1 .· volume) do texto-piloto do 6.° ano já foi salientado que a ordem lógica na apresentação dos assuntos não é, muitas vezes, a mais aconselhável do ponto de vista didáctico. Devemos, pelo contrário, procurar seguir um caminho em ziguezague, de tentativa e erro, por aproximações sucessivas, semelhante ao da investigação. Numa palavra, convém seguir, tanto quanto posslve!. o método heurlstico. O assunto com que abre este volume - CÁLCULO NUM~RICO APROXIMADO, em Intima ligação com a TEORIA DOS LIMITES e como base heurlstica para a introdução ao CÁLCULO DIFERENCIAL-
9
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
além da importência capital que está a assumir na Sociedade Moderna, com o rapidissimo desenvolvimento da Automação é, pela sua própria essência, uma concretização típica do método de tentativa e erro, e dos processos de aproximações sucessivas, que caracterizam afinal todo o esforço de adaptação do homem ao mundo em que vive, procurando compreendê-lo cada vez melhor, para depois tentar transformá-Ia a seu favor (as explorações espaciais ilustram bem o que se acaba de dizer). Nesta ordem de ideias, é no fim e não no principio que deverão aparecer, em forma explicita, os fundamentos da aritmética e da análise, com a formulação das respectivas axiomáticas. Assim estaremos a seguir o método analltico, característico da investigação, em vez do
método sintético, de que se faz uso e abuso na exposição de tipo tradicional. Convém ter presente que, tal como no texto-piloto do 6.° ano, uma boa parte das matérias aqui expostas não é obrigatória, destinando-se, em principio, a elucidação dos professores e, eventualmente, a satisfazer a curiosidade dos alunos mais interessados. Não só por
isto, mas também porque os assuntos são tratados com grande generosidade em exemplos e em considerações de ordem geral e humana, os textos atingem um número elevado de páginas, o que SfJTÍa injusto e demasiado simplista tomar como base de uma critica sobre a extensão de programa. Deve ainda salientar-se que, embora enquadrada nas recomendações gerais da O.C.D.E. para modernização do ensino da matemática, a concepção destes textos é quase cem por cento orig inal. como se pode verificar, confrontando-os com livros congéneres estrangfJiros. Aproveitamos esta oportunidade para deixar aqui expressos os nossos vivos agradecimentos ao laboratório Nacional de Engenharia Civil, pela amável colaboração que se dignou prestar-nos através da sua Divisão da Macênica Aplicada.
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ADITAMENTO
I
CALCULO DE VALORES APROXIMADOS
ADVERT~NCIA PRIÔVIA
Só uma parte do que, é exposto neste aditamento ao § 1, Capo I, deste volume, deverá ser tratada nas aulas. O objectivo essencial destes apontamentos é o de corresponder a solicitações vindas espontaneamente de professores e alunos, no sentido de estabelecer uma coordenação entre os elementos de cálculo numérico aproximado, como vêm expostos no texto -piloto, e as regras práticas que são apli cadas tradicionalmente nos problemas de física em que intervêm multiplicações, divisões, extracções de raiz, etc. Desde já se deve salientar que, embora úteis dentro de certos limites, as referidas regras não são rigorosas, e que o seu uso indiscriminado pode conduzir, em certos casos, a conclusões pouco satisfatórias, ou porque são demasiado optimistas ou porque são demasiado pessimistas. Uma das razões pelas quais essas regras não são rigorosas é o facto de se basearem nas fórmulas aproximadas dos desvios relativos, que só poderão ser úteis e seguras quando usadas com certo discernimento, baseado não só na teoria, mas também na experiência e no bom senso.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
oT. 8EBA8TIAO E 8ILVA
Desde logo nos parece evidente que a aquisição de uma tal experiência ultrapassa a finalidade do ensino liceal. Mas há um mrnimo razoável que os alunos deveriam conhecer sobre o assunto. E esse mlnimo, em nosso entender, é mais ou menos o que vem exposto nos n. os 2, 3, 4, 5, 6 e 7, mas sem desenvolvimentos teóricos:
bastará conhecer as regras e sabê-Ias aplicar na prática com critério. Tudo o mais pode ser recomendado aos alunos como leitura, para melhor esclarecimento do assunto. Note-se que as duas últimas regras do n.o 5 são apresentadas como facultativas. O que, entre a matéria desse número, consideramos essencial, é a regra prática inicial e a aplicação das fórmulas aproximadas de majoração dos erros relativos. Os cálculos logarltmicos a que se faz referência nos n.o s 5 e 6, e outros análogos, podem eventualmente ser propostos como exercicios aos alunos em qualquer ocasião, com dupla finalidade: treiná-los nessa técnica de cálculo e levá-los a tomar plena consciência da importância dos problemas relativos ao grau de aproximação dos resultados, o que é sempre muito importante. Quanto às fórmulas rigorosas de majoração dos erros absolutos, que se estudam previamente no texto-piloto, e quanto aos problemas, directos e inversos, que se resolvem com aplicação dessas fórmulas, a sua finalidade é principalmente pedagógica, como introdução heurística e lógica à teoria dos limites, que, por sua vez, é o fundamento rigoroso do cálculo infinitesimal e da análise numérica. Aproveitamos a oportunidade para deixar aqui expressos os nossos melhores agradecimentos ao Snr. Dr. Alfredo Osório dos Anjos, que pôs amavelmente à nossa disposição todos os elementos em que se baseou para as suas lições no curso de férias de 1967, o que muito facilitou a nossa tarefa, embora este aditamento se afaste sensivelmente da linha tradicional.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMP1!JNDIO DE MATEMÁTICA
CÁLCULO DE VALORES APROXIMADOS
1. O sistema da virgula flutuante no c6lculo elementar, no c6lculo logarltmico e no c6lculo electr6nico. Normalmente, os dados e os resultados numéricos são apresentados na prática sob a forma decimal, isto é, sob a forma de dIzimas finitas. Tal como se aprende na escola primária, a multiplicação com dIzimas finitas - impropriamente chamadas números decimais (1) - é feita em duas fases sucessivas: primeiro, abstrai-se das vlrgulas e multiplicam-se os números como se fossem inteiros; depois, coloca-se a vlrgula no produto, de acordo com a bem conhecida regra, que se justifica facilmente. Exemplo: 2,307 x 48,26 = (2307 x 10- 3 ) x (4826 x 10- 2 ) = (2307 x 4826) x 10- 5 = 11133582
X
10- 5
= 111,33582
A parte geralmente trabalhosa do cálculo, para a qual se torna útil o emprego de máquinas de calcular, é evidentemente a primeira. Para a divisão, procede-se de maneira semelhante na essência, embora diversa nos pormenores: começa-se por multiplicar o dividendo e o divisor por potências de 10 convenientes, de modo a obter dois números inteiros tais que o quociente inteiro do primeiro paIo segundo tenha o número de algarismos significativos desejado; depois divide-se o quociente (e eventualmente o resto) pela potência
(') Por abuso c6modo de linguagem, usaremos também aqui a expressão 'número decimal' ou simplesmente 'número' no sentido de 'dizima finita'.
385 eM-aS .
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J . SEBASTIAO E SILVA
de 10 que corrige a alteração inicial. Suponhamos, por exemplo, que se trata de achar o quociente e o resto de 1,48 por 3,14 com 3 algarismos exactos(I) . Ora, tem-se: 148 = 148000 x 10- 5 ; 3,14 = 314 x 10- 2 ; 148000
314
2240 420
471
106
8 4 3 4
ou seja: 148000 = 314 x 471 + 106,
donde, dividindo ambos os membros por 10 5 : 1,48 = 3,14 x 0,471 + 0,00106
Assim, obtêm-se o quociente e o resto pedidos 0,471
e 0,00106,
deslocando a vfrgula para a esquerda 5 - 2 casas no quociente inteiro, 471, e 5 casas no resto, 106. Geralmente, o resto não interessa nestas divisões : basta conhecer
(') No n.O 2 se dirá, precisamente, o que deva entender-sa por 'algarismos significativos' e por 'algarlsmol exact08'.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPENDIO DE MATEMATIOA
o Quociente com aproximação até ao iJltimo algarismo significativo Que se pretende. No exemplo anterior, será:
-
1,48 -=0,471... 3,14
São conhecidas variantes deste processo, como as que se aprendem na escola primária ('). Assim, dum modo geral, Quando sa trata de multiplicações ou divisões, a posição da virgula pode ser alterada conforma ai conveniências, fazendo-se depois a devida corracçilo no resultado. Exprime-se então este facto dizendo Que os cálculos silo feitos com vlrgula flutuante. Note-se Que já no cálculo logaritmico e no emprego da régua de cálculo se recorre a tal processo. Assim, no cálculo com logaritmos decimais, tudo se passa como se os niJmeros fossem escritos sob a forma do produto de um niJmero do intervalo [1,10] por uma potência da 10; por exemplo:
932.58 = 9.3258 x 10 2 10.25 = 1.025 x 1O' 3,142 = 3,142 x 10 0 0,00508 = 5,08 x 10- 3
(')
E de notar o à-vontade com que, entre n6s, se impõe a crianças de 7
a 8 anos a aprendizagem de uma técnica que está longe de ser almples, contrariamente ao que possam imaginar as pessoas que se automatizaram há muitos anos nessa técnica. E o método pedag6gico dos castigos corporais, ainda hoje usado com frequência no nosso Pais, para ensinar às crianças esses processos de cálculo, .6 contribui para leventar barreiras pslquicas insuperáveis e cimentar e já proverbial averllo 6 matemática.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
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Então o expoente da potência de 10 que figura no produto é a
caracterlstica do logaritmo do número e o logaritmo do primeiro factor, compreendido entre 1 e 10, é a mantissa do logaritmo do número considerado. Nestes exemplos, a virgula foi deslocada de modo a deixar à esquerda um só algarismo significativo, portanto J
>1 e '" 9; diz-se então que o número (ou, melhor, a dizima) tem a virgula normalizada. Mas, quando se procura a mantissa do loga-
o,
ritmo numa tábua usual, o que se faz na prática é colocar a virgula (pelo menos mentalmente) de modo a deixar à esquerda exactamente 4 algarismos significativos; assim, os números anteriores são substituidos respectivamente peios seguintes: 9325,8
1025
3142
5080
Então, a tábua fornece directamente a mantissa do número representado pelos 4 primeiros algarismos. Quanto aos algarismos seguintes, se os houver, será preciso fazer a correcção correspondente, recorrendo à i nterpolação pelas primeiras diferenças (diferenças tabulares) . Como é sabido, o processo descrito é perfeitamente licito, uma vez que a mantissa não depende da posição da virgula, mas apenas dos logaritmos significativos. E a determinação da caracteristica não oferece a minima dificuldade, segundo a regra usual. Convém notar que os computadores electrónicos digitais para
cAlculo cientifico, trabalham normalmente com virgula flutuante e com um determinado número de algarismos decimais significativos (cerca de nove nos computadores de potência média e de doze nos de grande potência) . E necessário, portanto, não perder de vista os er_ros de truncatura ou de arredondamento que daqui resultam, visto que, tal como sucede com as tábuas de logaritmos, são omitidos os
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMP:8NDIO DE MATEMATIOA
algarismos significativos que viriam a seguir ·àqueles que são conservados, em número fixo ('). Não se deve também esquecer o facto de os computadores utilizarem internamente o sistema binário de numeração, exigindo o emprego de mecanismos suplementares para a tradução e a retroversão entre o sistema decimal e o sistema binário. Seja como for, na utilização de tais computadores, cada número real é representado externamente sob a forma de uma dIzima com um número fixo de algarismos significativos, precedido do sinal + ou -, e seguido da indicação de um número inteiro, positivo, negativo ou nulo, que é o expoente da potência de 10 pela qual deve ser multiplicada essa dIzima para dar um valor, geralmente aproximado, do número em questão. O referido número inteiro (expoente), também não pode ir além de certo limite (dois algarismos significativos, em computadores de potência média) . Mas esta e outras limitações poderão ser rodeadas, em caso de necessidade, por meio de artificios mais ou menos laboriosos. Para separar a dizima inicial da indicação do domfnio inteiro, que é o expoente da potência de 10 pela qual a primeira deve ser multiplicada, adopta-se um determinado sinal. Fi nalmente, é preciso notar que, em palses de IIngua inglesa, se usa o ponto com o significado entre nós atribuído à vfrgula e vice-versa, na representação decimal de números. Por exemplo, em tais países, as expressões
0.54; 3.1416; 3.405,243.28
( ,)
Há, no entanto, computadores (para cálculo comercial) que trabalham
no alltema de vlrgula fixa.
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Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIAO E SILVA
significam, respectivamente, o mesmo que entre nós, as expressões
0,54; 3,1416; 3.405.243,28 Seguem-se alguns exemplos de números tais como se apresentam em dados ou resultados de cálculos com os referidos computadores:
3.14159265 0 + 00
= 3,14159265
0.314159265 0 + 05 = 31415,9265 2.7182818280- 03
= 0,0027182818
- 0.314159265 0 - 25 = - 3,14159265
x
1 0- 2 6
Os dois clrculos concêntricos são uma imitação do sinal separador usado em certas marcas de computadores.
2. Algarismos significativos e algarismos exactos.
Cha-
ma-se algarismo significativo duma dízima todo o algarismo dessa dfzima que é diferente de O ou tem à sua esquerda, pelo menos, um algarismo diferente de zero. Os algarismos significativos duma dizima finita formam uma sequência, atendendo à ordem natural por que se apresentam. Por exemplo, a sequência dos alagrismos significativos de 0,0053020 é (5, 3, O, 2, O), a sequência dos algarismos significativos de 350 é (3, 5, O), etc. Para introduzir a noção de 'algarismo exacto', começaremos por um exemplo. Suponhamos que 5,382 é valor aproximado de outro número
IX,
com erro inferior a 0,01; quer isto dizer que
entre 5,382 - 0,01 e 5,382 + 0,01, isto é, que
5,372 <
390
IX
< 5,392
IX
está
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPENDIO DE MATEMATICA
Podemos daqui concluir que 5 e 3 são os dois primeiros algarismos significativos da dizima finita ou infinita (normal) que representa
IX,
e podemos exprimir este facto escrevendo:
IX
= 5,
3 ...
Quanto ao terceiro algarismo da dizima representativa de
IX,
o
máximo que podemos dizer é que pode ser 7, 8 ou 9. Será portanto natural dizer, neste caso, que os dois primeiros algarismos de 5,382, como valor aproximado de IX, são 6X6ctoS. Quanto ao terceiro algarismo, podemos dizer também que ele é exacto, se adoptarmos a seguinte DEFINiÇÃO. Diz-se que um dado valor aproximado x, de um número x tem n algarismos 6xactos, sse o erro absoluto, Ix ,-xl, é inferior a uma unidade decimal do n-ésimo algarismo significativo de x,. Por outro lado, diremos que um algarismo exacto de um valor aproximado é estritamente exacto, sse coincide com o algarismo correspondente do valor exacto ('). Assim, no exemplo anterior, os dois primeiros algarismos do valor aproximado 5,382 são estritamente exactos. Adoptaremos daqui por diante esta terminologia, que é cómoda na prática e evita confusões. Vejamos outro exemplo. Sabe-se que a população de certo pais é de cerca de 38630000 habitantes, com erro inferior a 90 000 habitantes. Como 90000 < 100000, o erro absoluto, neste caso, é inferior à unidade decimal do 3.° algarismo significativo, 6, do valor
( ,)
Isto 6, com o algarismo correspondente da dizima finita ou infinita
(normal) qua represanta o valor axacto.
391
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J . SEBASTIÃO E SILVA
dado. Este valor tem, pois, 3 algarismos exactos. Mas o valor exacto, X, da população está compreendido entre 38630000 - 90 000 e 38 630 000
+ 90 000, isto é: 38 540 000 < x < 38 720 000
Isto mostra que os 2 primeiros algarismos do valor dado são
estritamente exactos. Outros exemplos ainda: Quando um aluno é classificado com 9,7 numa prova e aparece na pauta com a classificação de 10, os dois algarismos deste valor são exactos, mas nenhum é estritamente exacto. Pelo contrário, o valor aproximado 9 de 9,7 tem um algarismo estritamente exacto, mas esse valor é menos próximo do valor exacto. Quando se diz que a distância de Lisboa ao Porto, pela melhor estrada é de 321 km, quantos algarismos exactos terá este valor? Na frase 'Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil em 1500', todos os algarismos são estritamente exactos. Da definição resultam imediatamente os dois seguintes factos:
I. Quando se diz que um valor aproximado tem n algarismos exactos, tal não impede que esse valor possa ter mais de n algarismos exactos. Assim, no exemplo anterior relativo à população dum pais não é imposslvel que o valor dado tenha 4 algarismos exactos (embora isto seja pouco aprovável. se apenas se sabe o que é dito no enunciado).
11. A sequência dos algarismos exactos de um valor aproximado n;o depende da posição da vlrgula (isto 6, não muda quando se multiplicam o valor aproximado e o valor exacto pela mesma potência
392
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPENDIO DE MATEMATIOA
de 10 de expoente inteiro, positivo ou negativo). E o mesmo quanto B algarismos estritamente exactos. Muitas vezes, os algarismos dum valor aproximado que vêm a seguir aos algarismos exactos não têm interesse. Nesse caso, podem ser substituidos por O ou simplesmente omitidos, se estão à direita da vlrgula. Tornando ao exemplo da população de um paIs, bastaria dizer que a população é de cerca de 38 600 000 habitantes. Para indicar medidas das grandezas, em flsica, é costume escrever apenas os algarismos que são considerados como exactos, e não omitir o zero, se este é, porventura, o último desses algarismos. Assim, por exemplo, quando se escreve, a respeito de um comprimento a ou de uma pressão p,
a = 3,5 m , p = 5,28 kg/cm 2 ,
pretende-se indicar que todos os algarismos escritos são considerados como exactos, isto é, que o erro da aproximação é inferior a 1 em, no primeiro caso, e a 10 g/cm 2, no segundo caso.
e claro
que,
nestas convenções, o sinal = perde o significado habitual. Quando, porventura, o último algarismo conservado não é exacto, convém indicar um majorante do erro.
A indicação de algarismos supérfluos pode tornar-se ridlcula.
e o que sucede
por exemplo quando, ao fazer o cálculo da altura
de uma torre por trigonometria, se apresenta o resultado
h = 23,450238 m;
é quase certo que, neste caso, os quatro últimos algarismos não são exactos, nem sequer têm qualquer significado fisico. 393
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. BEBABTIAO E BILVA
Nos exemplos anteriores, não se diz se os valores são aproximados por excesso ou por defeito. Mas convém ter presente os seguintes factos : 1)
Se x 1 é valor aproximado de x a menos de 8, então x 1 -8
e X, + 8 são valores aproximados de x, respectivamente por defeito e por excesso, ambos com erro inferior a 2 8. 2)
Se x 1 é valor aproximado de x, por defeito, com erro inferior
a 8, então X, +
~ é
valor aproximado de x com erro inferior (ou
igual) a 8/2.
NOTAS SOBRE A TERMINOLOGIA:
I.
É corrente chamar 'erro' àquilo a que, nestas lições, chamamos
'desvio'. A distinção que fazemos aqui entre 'erro' e 'desvio' é conveniente para comodidade e clareza de exposição.
11.
É preciso não confundir erros de cálculo com erros de obser-
vação. Estes últimos são os erros que se cometem na medição de grandezas. A teoria dos erros de observação (também chamada, simplesmente, 'teoria dos erros') é subordinada ao cálculo das proba-
bilidades e sai inteiramente do âmbito deste programa.
3.
Arredondamento de valores numéricos.
Pode acon-
tecer que se conheça um valor aproximado de um número
rt.
com
determinado número n de algarismos exactos, mas que seja suficiente, para certos fins, utilizar um valor aproximado de
rt.
com um número
de algarismos exactos inferior a n. Por exemplo, são hoje conhecidos valores aproximados de
394
7t
com milhares de algarismos exactos, mas,
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPlbNDIO DE MATEMÁTICA
na prática, não é preciso geralmente ir além de cinco algarismos exactos; muitas vezes, bastam três ou até menos. Em tais casos, o que se faz é uma truncatura do valor aproximado, desprezando os algarismos exactos posteriores aos que são necessários (ou substituindo-os por O, se estão à esquerda da vírgula) e fazendo o arredondamento usual, no caso em que o primeiro algarismo desprezado é igualou superior a 5, isto é, adicionando nesse caso, ao valor considerado, uma unidade decimal da ordem do último algarismo conservado. Por exemplo, o valor aproximado de
1t .
3.1416 é um arredondamento do valor 3,14159, que, como é sabido, tem seis algarismos estritamente exactos. Analogamente, o valor aproximado de
1t
arredondado com quatro algarismos exactos é 3,142.
Este processo de arredondamento é também usado, sempre que possível, na medição das grandezas. É claro que, neste caso, o valor fica aproximado a menos de meia unidade decimal da ordem do último algarismo registado (por defeito ou por excesso). O mesmo processo é ainda usado nas classificações de alunos. Quando, p. ex., se diz que a média das c/assiifcações dum aluno em dado exame foi 10, pretende-se apenas dizer, abreviada mente, que essa média é um número x tal que 9,5 ~ x < 10,5; então 10 é um valor aproximado de x com erro inferior (ou igual) a 0,5 - e não se diz então se é aproximado por defeito ou por excesso.
4.
Erro relativo e número de algarismos exactos. Recor-
demos que, sendo x 1 um valor aproximado de um número x, se chama desvio relativo de x 1 ao quociente llxjx do desvio absoluto
395
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
• . SEBASTIAO E SILVA ~x
(= X, -xl pelo valor exacto x. Convencioná mos representar por
~·x
o desvio relativo (de x, em relação a xl . O erro relativo de x,
é. por definição. I~'x l (' l. O erro relativo que, muitas vezes, se exprime em percentagens. dá uma ideia precisa do grau de aproximação: este será tanto maior quanto menor for o erro relativo; além disso. dois valores aproximados têm o mesmo grau de aproximação, se têm erros relativos iguais. Aliás. o erro relativo está relacionado. como veremos. com o número de algarismos exactos. O erro relativo não depende da posição da vrrgula; mais ainda : não muda quando se multipricam o valor aproximado x, e o valor exacto x, por um mesmo número k (positivo), qualquer que ele seja. Tem-se, com efeito:
Ikx, -kx l
1 x,
- x1
x
kx
Para ver como o erro relativo está relacionado com o número de algarismos exactos. convém começar por um exemplo. Suponhamos que 2,345 é valor aproximado dum número a. com
tres algarismos
exactos; quer isto dizer que o erro absoluto é inferior a 0,01 . isto é, que I~
a.1 = 12,345 - a.1 < 0,01
Como, neste caso. a. > 2.345 - 0.01 = 2,335 > 2. conclui -se que
a.
<
0.01
2
1
--200
( ') Nesta. considerações. subentende-se que o valor exacto x e o valor aproximado x, alo sempre n~meros positivos. o que , suliciente para as Iplicaçõe•.
396
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPSNDIO DE MATEMATlCA
Dum modo geral, tem-se a seguinte regra: TEOREMA 1. Se x, é valor aproximado de x com n algarismos
exactos, sendo o primeiro estritamente exacto ( , ), B se este primeiro algarismo é a, então o erro relativo de x, é inferior a 1
Demonstração'; Suponhamos verificada a hipótese. Como o primeiro algarismo significativo de x, é estritamente exacto, o primeiro algarismo significativo de x coi ncide com esse e é da mesma ordem decimal. Então, existe um inteiro p, positivo, negativo ou nulo, tal que os números V, = x, x 10P e V = x x 10P têm precisamente n algarismos na parte inteira. Como o primeiro algarismo de V é também a, tem-se:
V" a x 10n-,
(1 )
Por outro lado, V, é um valor aproximado de V com n algarismos exactos. Portanto
(2)
(')
Iv,-v l< l
Pode acontecer que x, tenha n algarismos exactos e que o primeiro
nio seja estritamente exacto. Mas.. se n > 1, isto s6 pode acontecer em dois casos excepcionais: a) quando os n primeiros algarismos significativos de x, são
todos iguais a 9; b) quando o primeiro algarismo significativo de x, é 1 e os n -1 seguintes são zeros. No 1.· caso, um majorante de erro relativo será 1/(9 x 10n . ,). No 2.· caso, o erro relativo será, quando muito, ligeiramente superior a 1/1 On, mas o excesso 11 então insignificBnlB. Portanto, na prlticB, pode dispensar-se a restrição de o primeiro algarismo Ilgniflcatlvo de x, ser estritamente exaeto.
397
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIÃO E SILVA
Assim, atendendo a (1) e a (2), o erro relativo de x, será :
I x, - x I x
I y, - YI
1
< - -- -
a x 1 On -,
Y
q. e. d.
o problema inverso consiste em achar um número de algarismos exactos a partir de um majorante do erro relativo. Esse problema pode ser sempre resolvido, começando por calcular um majorante do erro absoluto, a partir do majorante do erro relativo. Por definição, tem-se: I~x l
I ~'xl = -- -
x
Então, se for
E
I ~x I ~ . x I ~'x I
donde
um majorante de
I~'xl
e
x um
majorante de x, virá :
I ~x I :>:; X E
(3)
É fácil calcular um majorante de valor exacto x, a partir do valor
aproximado x, e do majorante E do erro relativo ('). Todavia, na prática,
é geralmente conhecido a priori um majorante de x; aliás, nos casos mais frequentes, o primeiro algarismo significativo do valor aproximado
( ')
Suponhamos
E < 1 como normalmente sucede. Então, se x,
~
x,
tem-se (x-X,)/X<E, donde x-x, <XE e, portanto, x<X,!(1-E). Se x, >x; esta fórmula tambám é válida, visto que 1 -e < 1 e, portanto, x,/(1-e) > x. A fórmula pode pois ser usada em qualquer caso, com e < 1 (mas s6 excepcionalmente, quando nlio se conhece
398
B
priori um majorante de x).
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
aOMPBNDIO DE MATEMATIOA
é estritamente exacto. Para comodidade, vamos admitir, desde já, que esta condição se verifica nos exemplos seguintes. I.
Sabe-se que 1,628 é valor aproximado de certo número x
com erro relativo inferior a 0,005 (0,5 % ou 5 %0). Calcular um majorante do erro absoluto. Sendo o primeiro algarismo de 1,628 estritamente exacto, tem-se x < 2. Então virá, aplicando (3):
I L\x I < 2 x 0,005
= 0,01
Portanto, o valor dado tem três algarismos exactos. Mais ainda, vê-se que x está entre 1,618 e 1,638; portanto, o valor dado tem
dois algarismos estritamente exactos. 11. Sabe-se que a população de certo país é de cerca de 38 630000 habitantes, com erro relativo inferior a 0,003. Calcular um majorante do erro absoluto deste valor. Designando por x o número exacto de habitantes do pais, tem-se:
Ix I< 4
x 10 7
,
I L\'x I < 0,003,
donde: I L\x I < 4
X
10 7 x 0,003 = 1,2 x 10 6 < 10 6
Neste caso, apenas se pode dizer que o valor dado tem dois algarismos exactos. Mas, como o valor exacto está compreendido entre 38 510 000 e 38750000, vê-se que os dois primeiros algaris-
mos sio estritamente exactos.
399
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIAO E SILVA
Para achar directamente um número de algarismos exactos, a partir de um majorante do erro relativo, pode usar-se na prática a seguinte regra : TEOREMA 2. Seja
x, um valor aproximado de x com erro rela-
tivo inferior a 1
----::(sendo n E [No e b natural menor que 10) n b x 10
e seja a o primeiro algarismo significativo de x. Então, se a < b, o valor x, tem n + 1 algarismos exactos. Mas, se a ;;. b, só podemos garantir que esse valor tem n - 1 algarismos exactos. Demonstração":
lx-x, I
1
Suponhamos verificada a hipótese. Então - - - ' - < -- x b x lO n ou seja:
(4)
I x-x
,
x 1< --,,n b x 10
Como o erro relativo e o número de algarismos exactos não dependem da posição da vfrgula, podemos supor desde já, sem quebra de generalidade, que x tem precisamente n+1 algarismos na parte inteira. Então, se a < b, tem-se: x < b x 10n, donde, por substituição em (4): Ix-x,I<1,
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPSNDIO DE MATEMÁTIOA
o que mostra que, neste caso, x, tem 0+1 algarismos exactos. Se a
~
b, tem-se:
x< b x 10n- 1 e, por substituição em (2), vem:
Ix - x,1 < 10, o que mostra que, neste caso, x 1 tem
n algarismos exactos.
Como exerclcio, pode aplicar-se este teorema aos dois exemplos anteriores, notando que 1
0005=, 200
e
1
0,003<-300
As conclusões coincidem com as já obtidas, quanto a número de algarismos exactos.
5. Avaliação do erro do resultado de multiplicações e divisões sucessivas.
Consideremos, por exemplo, a expressão
numérica
3,27 2 x 43,08 0,258 3
x
5,327 2
e suponhamos que os dados numéricos são valores aproximados em que todos os algarismos escritos são exactos. Como avaliar o número de algarismos exactos do valor numérico desta expressão?
401 C M-a6
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIAO E SILVA
Um método seguro, que . se pode sempre .seguir, é o método directo, que consiste, neste caso, . em calcular os valores das
expressões
3,26 2 x 43,07
3,28 2 x 43,09
0,269 3 x 6,328 2
0,267 3 x 5,326 2
Estes são, com certeza, valores aproximados por defeito e por excesso do valor exacto, uma vez que os dados têm todos os algarismos exactos. O cálculo dos valores destas expressões por meio de logaritmos não se torna muito laborioso, desde que se tenha o cuidado de achar sucessivamente os logaritmos de 3,26 e 3,28, de 43,07 e 43,09, etc. Um outro método consiste em calcular, por um lado, o valor da expressão dada e, por outro lado, um majorante do erro relativo desse valor. Da fórmula do desvio do produto
Ll(xy) = VLlx + xàV
+ àxày
deduz-se imediatamente, dividindo por xV' a fórmula rigorosa do desvio relativo do produto:
à'(xV) = à'x + à'V + à'x - à'y
Desta, por sua vez, deduz-se a fórmula rigorosa de majoração do erro relativo do produto:
(1)
I à-(xy) I,;; I à'x I + I à'V I + I à'x l-I à'y I
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPIlNDlO DE MA'l'BMA'l'ICA
Por outro lado, da fórmula do desvio do quociente, é McU deduzir
a fórmula rigorosa de majoração do erro re/etivo do valor inverso:
(2)
em que
I Ã' _1 I ~ IÂXI
x
x
(Ãx = x, - x),
x é um minorante de x,.
Note-se que o majorante de IÃ'xl dado pelo teorema 1 do
número anterior coincide geralmente com um majorante de
I
Ã'!
I
dado por esta fórmula. A aplicação repetida das fórmulas (1) e (2) permite achar, com inteira segurança, um majorante do erro relativo do resultado, em casos como o anterior. Porém, na prática, usam-sa de preferência as fórmulas aproximadas dos desvios, por serem mais cómodas. Querendo ter uma primeira ideia, a priori, do grau de aproximação do resultado, antes de o calcular, pode também usar-se a seguinte REGRA PRÁTICA.
Quando, numa expressão numérica, inter-
vém apenas multiplicações e divisões, o grau de aproximação do resultado é geralmente inferior ao dos dados. Nos casos mais frequentes, se for n o número total de factores em numerador e em denominador e e um majorante dos erros relativos desses dados, será n e um majorante do erro relativo do resultado. Nesta contagem não se atende aos dados que, porventura. sejam valores exactos. No exemplo anterior tem-se n = 8 e podemos tomar e = 1/200, o que conduz ao seguinte majorante do erro relativo do resultado:
1
8 x -- =004=4% 200 '
403
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
3. SEBASTI1J.O E SILVA
°
A regra pode ser usada, com relativa segurança, quando n < 1
e e < 0,01. Para maiores valores de n, requerem-se menores valores de e. A razão é simples: a regra baseia-se nas fórmulas aproximadas dos desvios relativos do produto e do quociente.
x
f),,:~ ~
(4)
V
a'x - a'V
Ora, é óbvio que a aplicação destas fórmulas exige precauções. Se n < 10, verifica-se, recorrendo às fórmulas rigorosas, que podemos aplicar, com relativa confiança, a fórmula
que se deduz de (1). Por outro lado, a fórmula x
I a'- I < I a'x I + I a'V I,
(6)
V "'"
é já satisfatória na prática, quando os erros relativos dos dados, são inferiores a 0,1: na pior das hipóteses, o primeiro membro de (6) será então ligeiramente superior ao segundo, mas o excesso é insignificante na prática (2).
(')
I: claro que, neste caso, x" x 2 '
Valores aproximados de x" x 2"'"
x", x 2 1' (2)
... ,
xn representam .valores exactos.
podem representar-se então, por ex., por
...
Aliás, convém não esquecer o que se disse atrás a propósito da
fórmula (2), que permite, na prática, reduzir a majoração do erro de um quociente 11 do erro do produto.
404
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPENDIO DE MATEMATlCA
As fórmulas (5) e (6) associadas justificam a REGRA PRÁTICA nos casos correntes. Aplicando directamente estas fórmulas ao exemplo inicial, juntamente com o teorema 1 do número anterior, obtém-se o seguinte majorante do erro relativo:
2
1
300
4000
--+
3
2
200
5000
+--+
<
< 0,007 + 0,00025 + 0,015 + 0,0004 < 2,3 % Como se vê, esta majoração é bastante melhor do que a primeira (4 %). É claro que os factores 43,08 e 5,327 influem pouco no erro relativo do resultado (menos de 0,1 %), porque têm quatro algarismos exactos, enquanto os outros têm três. Dum modo geral, podemos dizer o seguinte:
Quando algum dos factores, em numerador ou denominador, tiver um grau de aproximação bastante superior ao de outro, pode na prática, ser considerado como exacto e, portanto, omitido na avaliação do erro. Para avaliar o número de algarismos exactos de um produto de
dois números ou de um quociente, podem usar-se na prática as seguintes regras, que indicamos a título facultativo, sem demonstração:
Se dois valores aproximados têm n algarismos exactos, podemos dizer que o seu produto tem n-1 algarismos exactos nos seguintes casos: REGRA DO PRODUTO.
o primeiro algarismo significativo de ambos os factores é diferente de 1; 1)
40$
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
.T. 8EBAB'1'/AO E S/LVii.
. 2) . o primeiro algarismo significativo de ambos os factores é 1;
o primeiro algarismo significativo de um dos factores é 1 e o primeiro algarismo significativo do produto é menor que 5. 3)
Quando não se verifica nenhuma destas condições, s6 podemos dizer que o produto tem n-2 algarismos exactos. REGRA DO QUOCIENTE. Se dois valores aproximados têm n algarismos exactos, o quociente de um pelo outro tem n-1 alga-
rismos exactos nos seguintes casos: o primeiro algarismo significativo de ambos os termos é diferente de 1; 1)
2)
o primeiro algarismo significativo de um dos termos ou de
ambos é 1, e o primeiro algarismo significativo do quociente é menor que 5. Fora disto, s6 podemos dizer que o quociente tem n-2 algarismos exactos. Note-se bem: Estas regras não são rigorosas, porque se basaiam nas fórmulas aproximadas dos desvios relativos do produto e do quociente. Não se pode, portanto, dar propriamente uma demonstração das ditas regras, mas apenas uma justificação, de carácter teórico-prático. Em caso de dúvida, quando saja necessária uma certeza absoluta, pode-se sempre recorrer às fórmulas rigorosas de majoração. Note-se ainda que, se tivéssemos aplicado estes regras suces-
sivamente ao exemplo inicial não poderlamos garantir a existência de um único algarismo exacto. Isto mostra bem o cuidtldo que é preCISO ter na escolha e na aplicação das regras em célculo numérico,
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPIINDIO DE :MA'J!EMA'l'IOA
6.
c..o da podncie; A · majoração do erro relativo da
potência é um caso particular da do erro relativo do produto, como se viu aliás concretamente no exemplo anterior. Neste caso, tem-se a fórmula aproximada d'(X")
~
nd'x,
que exige precauções semelhantes às que foram indicadas para o produto. Suponhamos, por exemplo, que se trata de calcular
7<10,
utili-
zando o valor aproximado 3,141 de 7<. Este, como é sabido, é um valor aproximado por defeito, com erro relativo inferior a 1/3000. Neste caso, a fórmula aproximada pode ser usada com segurança e fornece o seguinte majorante do erro relativo da potência:
1 1 10x - - - - 3000 300
Façamos, agora, o cálculo por logaritmos: log 3,141 = 0.49707
log 3,142 = 0.49721
10 x 1093,141 = 4,9707 10 x log 3,142
=
4,9721
donde:
3,141 1 o ~ 93470 (por defeito) 3,142 1 o ~ 93780 (por excesso)
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIAO E SILVA
Daqui se conclui que 93470, como valor aproximado de 7t 1 o tem dois algarismos estritamente exactos (não é provável que o terceiro seja exacto).
A mesma conclusão se podia chegar, efectuando
s6 metade dos cálculos e utilizando o majorante 1/300 do erro relativo, que fornece o majorante 400 do erro absoluto (o teorema 2 do n.O 4 apenas nos permitia garantir que o valor considerado tem dois algarismos exactos).
7.
Caso da raiz. A fórmula aproximada do desvio da raiz
I:l:
1
\Ix ~ -
n
~'x
pode ser usada com relativa segurança nos casos correntes da prática e mostra, desde logo, que a radiciação tem a particularidade
notável de aumentar o grau de aproximação. Suponhamos que se trata de calcular
1
CV 100 7t, utilizando o
valor aproximado 314,1 de 1007t (valor arpoximado por defeito, com erro relativo inferior a 1/3000). Neste caso, obtém-se o seguinte majorante do erro relativo da raiz:
_1 .. 10
1
-3000
1 :;:
30000
Façamos o cálculo por logaritmos. Temos, agora: log 314,1 = 2,49707
,
log 314,2 = 2,49721
1 log 314,1 = 0,24970 10
408
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPIlNDIO DE MATEMATIOA
-
1
10
log 314,2 = 0,24972
donde:
'CV'314,1 .~ 1,777 (por defeito) 'CV'314,2 ~1,778 (por excesso) Por aqui se vê já que 1,777, como valor aproximado de , 'V' 100 7t, tem quatro algarismos exactos. Mas, aplicando o teorema 2, com o majorante 1/30000 do erro relativo, vê-se que o valor de
''V'314,1 tem, pelo menos, cinco algarismos exactos, como valor aproximado de ''V'1 00 7t. O quinto algarismo exacto, calculado por interpolação (que merece confiança neste caso), é O e, assim, podemos escrever, segundo a convenção adoptada em fisica
'0/ 100 7t
=
1,7770
!: de admitir que estes algarismds sejam estritamente exactos.
8.
Caso da adição e da subtracção.
!: fácil calcular um
bom majorante do erro absoluto de uma soma algébrica de valores aproximados e avaliar assim o número de algarismos exactos doresultado. Mas, desde já, se deve notar que a subtracção é, de todas as operações elementares, a que mais pode diminuir o grau de aproximação. Isto torna-se evidente, sobretudo quando o aditivo e o subtractivo são números muito próximos. Seja, por 9xempto, aexpressão com valores aproximados
(2,31 - 2,27)
x
0,730 409
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J . BEBABTIAO E BILVA
e suponhamos que todos os algarismos indicados são exactos. A diferença 2,31 - 2,27 dá-nos o valor aproximado 0,04 a menos de 0,02. Deste modo, nem sequer um algarismo exacto podemos garantir na diferença e, portanto, no produto indicado. Uma situação semelhante a esta pode surgir na prática, quando, por exemplo, se trata de calcular a altura h de uma torre por meio da fórmula d tgo< tg~ h= - - -tgo< - tg~ Se a diferença entre
O<
e
~
for relativamente pequena, será preciso
medir estes ângulos com uma grande precisão, para obter um valor de h com aproximação razoável. Situações deste género são frequentes em cálculos astronómicos ou geodésicos. Convém ainda notar o seguinte : Quando, numa soma algébrica, um dos termos tem valor menor que o erro absoluto de outro termo, o primeiro pode, em muitos casos, ser desprezado. Vejamos um exemplo: Sabe-se que a pqpulação de uma cidade, em dado momento, , '.
é de cerca de 850000 habitantes (com dois algarismos exactos) e que, em seguida, teve um acréscimo de cerca de 3800 habitantes. Podemos, então, continuar a dizer que a população da cidade é de cerca de 850000 habitantes (provavelmente ainda com dois algarismos exactos). Mas, se depois deste acréscimo houver um outro de cerca de 8200 habitantes, então já será mais correcto dizer que a população da cidade passou a ser de cerca de 860000 habitantes.
410
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
ADITAMENTO
II
NOVA ORIENTAÇAo NO ESTUDO DO CALCULO DE VALORES APROXIMADOS
1.
Imediatamente após o estudo do cálculo aproximado da
soma e da diferença, deverá passar-se ao estudo dos conceitos de
erro relativo, algarismos exactos e algarismos estritamente exactos, bem como das regras que relacionam esses conceitos, sem obrigatoriedade de demonstrações. Em seguida far-se-á a dedução da FORMULA DO DESVIO DO PRODUTO: ~(xy) = x~y
+ y~x +
~x~y,
da qual resulta imediatamente, dividindo por xv, a FORMULA DO DESVIO RELATIVO DO PRODUTO: ~'(xy) = ~'x
+
~'y
+
~'x
. ~'y
(com xy # O)
Posto isto, pode-se abordar o estudo de problemas respeitantes a erros relativos de produtos (').
(')
A fórmula (6) apresentada na pág. 30 deixa agora de ser necessária.
segundo a nova orientação. Mas convirá, quando seja oportuno, definir «majo-
rante.
B
«minorante» dum nllmero.
411
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA
PROBLEMA DIRECTO. Da fórmula anterior deduz-se imediatamente a f6rmula de majoração do erro relativo do produto:
la'(xy) I ~ la'xl + la'yl + la'xl . la'yl
(1)
Sejam, por exemplo, 3,28 e 0.423 valores aproximados de dois números x e y, com erros relativos inferiores respectivamente a 3% e a 2%. Então
la'xl = 0,03
e
la'yl = 0,02,
donde, aplicando (1):
la'(xy)1 < 0,0506. Na
prática,
poderemos escrever
Id'(xy) 1< ,...., 0,05, em que o sinal < ,...., se lê «menor ou aproximadamente igual a». O mais provável é que seja mesmo
la'(xy) I < 0,05; se isto não se der, a diferença entre
la' (xy) I e 0,05 será inferior
a 0,0006, portanto desprezável na prática.
Dum modo geral ter-se-á, na prática:
la'(xy) 1:S la'xl +Ia'yl 412
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPSNDIO DE MA'1'EMA'1'ICA
Se atendermos aos sinais e não apenas aos módulos, teremos então a fórmula aproximada do desvio relativo do produto f),: (xy) ~
a'x
em que se despreza o termo a'x'
+ a'v,
a'v,
muito pequeno em relação ao de a'x +
cujo módulo é geralmente
a'V.
Nas mesmas circunstâncias, pode usar-se também a fórmula aproximada do desvio (absoluto) do produto
a(xv)
~
xaV + Vax,
que prepara psicologicamente o aluno para, mais tarde, ver intuitivamente as fórmulas da deri.vada e do diferencial dum produto, o que é muito importante do ponto de vista pedagógico. PROBLEMA INVERSO. Sejam x e V números reais diferentes de zero. Pretende-se resolver o seguinte problema: Dado um número positivo r qualquer, achar um número s tal que, se tomarmos valores aproximados de x e V com erros relativos menores que s, o erro relativo do produto desses valores seja menor que r. Trata-se, pois, de achar um número s tal que
la'xl< s /\ ta'vl <
s~
la'(xv)j < r
Para isso notemos que, se s for um número positivo qualquer tal que la'xl < s e
la'vl < s, virá da fórmula (1): la'(xv) I < s + s + S2 = s(2 + s) 4J3
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIAO E SILVA
Então, para que seja IÃ'(xy) I < r, basta que seja s(2 + s) "" r ou, o que é equivalente,
(2)
Vamos provar que esta condição será verificada se for
r
(3)
2+r
Com efeito, tem-se
r
2
r 5 ""
2+r
+r
<r
e, porta nto:
",. 5 < r ",.
r
r
2+r
< -2+s
Logo (3) implica (2), como querramos provar.
Teremos assim, em conclusão:
(4)
IÃ'xl <
r
2+r
/\ IÃ'vl <
r
2+r
",. IÃ'(XY) I < r
Quando r < 1 (como sucede normalmente), a fórmula (3) pode ser substitulda por esta outra, mais cómoda para os cálculos:
(6)
414
r
r2
s"" -2 - -4
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPEN~10
DE .MATEMATICA
EXEMPLO. Suponhamos que se trata de calcular 1t x V 2 com erro relativo inferior a 0,001 . Então r = 0,001 e a fórmula (5) dá:
s < 0,0005 - 0,000 000 25 Como se vê, esta diferença é inferior a 0,0005, mas superior p. ex. a 0,0004. Portanto, bastará tomar valores aproximados de 1t
e de V2 com erros relativos inferiores a 0,0004, para , termos a certeza de que o seu produto é valor aproximado de 1tV2 com erro relativo inferior a 0,001.
Porém, o número 0,000 000 25 é tão pequeno em relação a 0,0005, que, na prática, pode ser desprezado. Assim, poder[amos tomar simplesmente
s < 0,0005. Dum modo geral. quando r é bastante menor que 1, a fórmula (5) pode ser substitu[da por r
s"" -2 Isto não garante, em absoluto, que, sendo !Á'x ! < s e !Á'V! < s, se tenha !Á' (XV)! < r; mas, se for !Á'(xv)i ~ r, a diferença será então insignificante para fins práticos.
2. O estudo feito no número anterior permite-nos afirmar o seguinte: (6)
Vr > O, 3 s > O: !Á'x! < s /\ !Á'V! < s => !Á'(xy)! < r
Basta atender, p. ex., a (4) para ver que isto é verdade.
415
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J . SEBASTIÃO E SILVA
Ora, a proposição (6) pode ser estendida ao caso dos erros absolutos;. isto é, podemos. provar que:
Mais precisamente, vamos demonstrar o seguinte TEOREMA. Sejam x e y dois números reais quaisquer. Então,
dado arbitrariamente um número positivo ~, é sempre possível achar um número positivo 1::, tal que, se x 1 e y 1 forem valores aproximados de x ·e de y a menos de 1::, o produto Xl Y1 é, com certeza, valor aproximado de xy a menoS de ~. Demonstração: Basta considerar o caso em que x #- O e y #- O, visto que, caso contrário, o teorema é evidente. Sejam, pois, x e y dois números reais não nulos. Suponhamos que queremos achar valores aproximados x 1 e y 1 de x e y, de modo que o erro absoluto Ix 1 y 1
-
xYI
seja inferior a um dado número ~. Pretende-se, pois, que seja
(7)
1~(xy)1
<
~
Ora, pela definição de desvio relativo, tem-se:
~'(xy)
= Mxy)
xy
Logo, a condição (7) é equivalente a esta outra:
(7')
1~'(xy)1
~
<IxYI
416
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPSNDI0 DE MATEMATlOA
8
Ponhamos Ixyl = r. Ora, segundo (6), existe pelo menos um número s >
°
tal que
I~'xl
(8)
< s fi I~'YI < s=> 1~'(xY)1 < r
Mas, aplicando novamente a definição de desvio relativo. vê-se que as condições I~'YI < s
I~'xl < s
equivalem, respectivamente, às condições I~xl < Ixl·s
Portanto. se designarmos por e
I~YI < IYI.s
O
menor dos números positivos
Ixls e Iy ls, deduzimos de (8): I~x l < e fi I~YI < e => I~(xy) I < 8,
Em conclusão: qualquer que seja 11 > 0, existe pelo menos um e> 0, tal que
Ix,-xl < e fl IY,-YI < e=> Ix,Y, -xYI < 8 q . e. d.
Este teorema tem muito interesse pelas suas aplicações à teoria dos limites e da continuidade. Convém, por isso, que a sua demonstração seja bem estudada. 417 C M-'7
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. BEBABTIAO E BILVA
3.
Passemos, agora, ao caso do quociente. Sejam ainda X, e y,
valores aproximados de dois números reais x e y, sendo y # O e y , # O. Temos então, pondo x, - x =.ó.x e y, -v = .ó.y:
x, -
x - -
v,
y
=
x+.ó.x
x
y + .ó.y
y
y.ó.x-x.ó.y = -
-
-:---
(y + .ó.y) y
ou seja:
(9)
x
y.ó.x-x.ó.y
y
(y + .ó.y) y
.ó. -
Esta é a FÓRMULA DO DESVIO DO QUOCIENTE. Quando I.ó.yl é bastante pequeno em relação a y, pode usar-se na prática a fórmula aproximada:
x
y.ó.x-x.ó.y
y
y2
.ó. - ~ -----
Posto isto, procuremos uma fórmula 'do desvio relativo do quociente (supondo também x # O). De (9) deduz-se, notando que .ó.x = x · .ó.'x
e
y = y . .ó.'y:
x.ó.'x - x.ó.'y x xy· .ó.'x - XV . .ó.'V .ó. - = = (y + V.ó.'y) y y Y+V.ó.'y
418
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMP1!1NDIO DE MATEMATlCA
donde, dividindo o 1. 0 membro e o último por x/V:
x 6.'x - 6.'y 6.' - = - -- y 1 + 6.'y
(10)
Eis, portanto, a FÓRMULA EXACTA DO DESVIO DO QUOCIENTE. Supondo, agora, 16.'yl < 1 (ê este o caso que interessa normalmente), tem-se: 11 + 6.'yl ;;. 1 - 16.'yl >
°
e de (9) deduz-se então:
(11 )
16.' xl + 16.'yl
x
16.' - 1<;; y
1 - 16.'yl
que ê uma FÓRMULA DE MAJORAÇÃO DO DESVIO RELATIVO DO QUOCIENTE (com 16.'yl < 1), que vamos aplicar. PROBLEMA DIRECTO. Sejam, por exemplo, 3,26 e 0.425 valores aproximados de dois números x e y, com erros relativos inferiores, respectivamente, a 3 % e a 2 %. Então 16.'x l
= 0,03
e 16.'y
I = 0,02,
donde, aplicando (11): x 0,05 < 0,0511 16.' - 1< y 0,98 N8 prátic8, pode tomar-se
16.' -
x
y
1< 0,05 ~
419
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J . SEBASTIAO E SILVA
e, dum modo geral,
I ~'
x -I < y
~
I~'x l
+
I ~'y l,
exactamente como no caso do produto.
PROBLEMA INVERSO. Sejam x e y números reais quaisquer. Trata-se, agora, do seguinte problema:
Dado um número positivo r, achar um número positivo s, tal que I~'xl < s
A I~'y l <
x s => I ~' - I < r y
Para isso, notemos que, sendo s um número positivo qualquer
menor que 1, tal que
I~'xl < s e I~'yl < s, virá de (11):
x
2s
y
1- s
I ~' - I <--
Então, para que o 1.° membro seja menor que r, basta que se tenha
2s 1-s
,:;; r,
o que, sendo s < 1, é equivalente a
(11 )
420
r
s,:;; - 2±r
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
COMPÊNDIO DE MATEMÁTICA
Assim, em conclusão: (12)
r 1L\'x l <
2+r
1\ 1L\'vl <
r
x
2+r
=> IL\' - I < r V
Quando r < 1, podemos usar, como no caso do produto, a seguinte fórmula em vez de (11):
(13)
s~
2
4
EXEMPLO. Suponhamos que se trata de calcular Ti./V2 com erro relativo inferior a 0,001. Neste caso tem-se, como no exemplo anterior, r = 0,001. Usando a fórmula (13). idêntica à fórmula (5) usada para o produto, a conclusão será perfeitamente análoga à do referido exemplo. NOTA. Observe-se que, nos problemas respeitantes a erros relativos de produtos e quocientes, não chegam a intervir os números x, V nem os respectivos valores aproximados x" V,. O mesmo já não acontece quando se trata de erros absolutos.
4.
A conclusão (12) permite-nos afirmar que, se x # O e V # O,
(14)
';fr > O ,
x
3s>0: 1L\'xl<s l\l L\'vl < s=>IL\' - I < r V
Esta proposição pode estender-se ao caso dos erros absolutos: TEOREMA. Sejam x e V dois números reais quaisquer, sendo
V # O. Então, dado arbitrariamente um número positivo
a,
é sempre 421
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIAO E SILVA
posslvel achar um número positivo &, de tal modo que, se x, e V, S80, respectivamente, valores aproximados de x e V a menos de & (sendo V, "" O), o quociente x,lv, é, com certeza, valor aproximado da x/V a menos de 11; isto é, em slmbolos:
I
" Ix - x, I <
&
1\ Iv - V, I <
x,
&
x
1\ V, "" O=> 1 - - - I < 11 V, V
A demonstração é perfeitamente análoga à que se deu para o caso do produto e pode ser feita como exerclcio pelo próprio aluno. O teorema tem grande interesse teórico, pelas suas aplicações
à teoria dos limites e da continuidade.
5.
Posto isto, pode-se passar ao estudo, feito no n.O 5 do ADI-
TAMENTO I, sobre cálculo de expressões numéricas com multiplicações e divisões. Finalmente, será tratado, de maneira breve, o caso das potências e das raízes (TEXTO-PILOTO e ADITAMENTO I) . Convém aproveitar a oportunidade para levar o aluno a aperfeiçoar a sua técnica de cálculo, quer numérico, quer algébrico.
422
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
NOTA FINAL
A falta de tempo impede-nos de apresentar aqui um último capitulo, que seria intitulado 'Grandezas e números reais' e que incluiria, em especial. um estudo rigoroso das funções exponencial e logaritmica. No entanto, propomo-nos dizer ainda alguma coisa sobre o assunto na parte final do Guia.
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
•
Indice NOTA
PR~VIA
7
ADVERT~NCIA
Capitulo I. §
9
INTRODUÇÃO AO CÁLCULO DIFERENCIAL
1. Cálculo numérico aproximado 1. Considerações prévias intuitivas
11
2.
14
Erro de um valor aproximada .
3. Algarismos exactos dum valor aproximada.
20
4.
Majoração do erro de uma soma . . . .
21
5.
Cálculo aproximado de uma soma com erro inferior a um número
dado. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
24
6.
Erro do valor simétrico e erro do valor absoluto .
25
7.
Majoração do erro de uma diferença.
27
8.
Majoração do erro de um produto . •
28
9.
Cálculo aproximado de um produto com erro inferior a um número
dado. • • •
. • . . .
33
10. Majoração do erro de um quociente.
37
11 . Cálculo aproximado de um quociente com erro inferior a um número dado. . • . . . . . . . . . .
40
425
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. SEBASTIAO E SILVA
§
2.
12.
Majoração do erro de uma potência.
44
13.
Majoração do erro de uma raiz.
46
14.
Desvio relativo e erro relativo.
49
15.
erro relativo de um produto
50
16.
erro relativo do quociente .
51
17.
Erros relativos da potência e da raiz .
52
Teoria dos limites de sucessões 18.
Métodos de aproximações sucessivas .
, 9. Convergência de uma sucessão.
61
20.
Pormenores de terminologia. . .
68
21.
Primeiros teoremas sobre limites .
72
22. Algebra dos limites .
75
23.
Métodos de iteração
81
24.
Critérios particulares de convergência.
84
25.
51mbolos de impossibilidade e slmbolos de indeterminação
86
26.
Limites infinitos. .
88
27. Operações com limites infinitos
90
28.
Regras de cálculo com o símbolo
29.
Novos sim bolos de indeterminação.
96
30.
Limíte da exponencial. . . . .
99
00
94
31 . Soma de todos os termos duma progressão geométrica
102
32. Aproximações por meio de séries. Série binomial
1I I
33.
426
54
Um método geral de resolução de equações algébricas de qual. quer grau . . . . . . . . . . • . . . . . . . . . . ,
117
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMPBNDIO DE MATEMATICA
§
3. Limites de funções de variAvel real 34.
Conceitos e propriedades elementares
129
35.
Definição de 'Iimite de uma função segundo Cauchy'.
132
36. Axioma de Zermelo. . . . 37.
§
135
Exemplos de limites de funções circulares e das funções exponencial e logarltmica
140
38.
Indeterminações
.
146
39.
Funções continuas
147
4. Derivadas 40.
Conceitos fundamentais e regras de derivação.
149
41.
Conceito de diferencial
153
42.
Regras de diferenciação
158
43.
O conceito de diferencial nas ciências da natureza .
160
44.
Derivação das funções exponencial e logarltmica.
164
45.
Derivada da função logarltmica .
171
46.
Derivadas das funções circulares.
173
47.
Máximos e mfnimos. concavidades e inflexões .
175
48. Teorema de Cauchy.
177
49.
Método da tangente (ou de Newton)
183
50.
Método da corda (ou regra da falsa posição).
189
51.
Interpolação por diferenças finitas . .
191
Capitulo 11.
•
INTRODUÇÃO AO CALCULO INTEGRAL
1. O problema da primitivação
203
2.
207
Primitivações imediatas . . .
427
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J . 8EBA8TIAO E 8ILVA '
3. Regras elementares de primitivação
211
4. Alguns exemplos de aplicação às ciências da natureza
218
5. Noção intuitiva de integral •
228
6. Definição de integral
235
. .
7. O integral como limite de uma sucessão .
238
8. Interpretação geométrica do conceito de integral .
242
9. Valor médio duma função; teorema da média
243
10. Teorema da decomposição do intervalo.
247
11. Teorema fundamental do cálculo integral
249
12. Fórmula de Barrow .
257
13. Cálculo de áreas . .
262
14. Cálculo de volumes.
265
15. Cálculo do comprimento de curvas
270
16. Novos exemplos da fisica . . . .
277
17.
285
Propriedades em que se baseia o cálculo numérico de integrais
18. Métodos de integração numérica
289
19. Fórmula de Taylor
293
20. Série de Taylor . .
296
21.
298
Desenvolvimentos em série de potências
22. Integração de séries termo a termo
301
23. Exemplos de equações diferenciais.
307
24. Integração numérica de equações diferenciais
312
Capitulo 111- TEORIA DEDUTIVA DOS NÚMEROS NATURAIS 1. Caracterização da estrutura do grupóido ( 1N, +)
428
. . .
319
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
OOMP1ÇNDIO DE.-MATEMATlOA
2.
rência. . . . . . . . . .
325
O principio de indução matemática em termos de compreensão. Demonstrações por indução • . . . . . • . .
333
4.
Nova forma do raciocínio de indução matemática
342
5.
Regresso ao problema inicial: caracterização da estrutura de (IN,+) • . . •• • . • . • . • • . . . . • . . . .
344
3.
. ,.
Principio de indução em IN. Sucessões; definições por recor-
6.
7.
Axiomática da teoria dos numeros naturais. Primeiras definições
e teoremas. . . . . . . . . . . . . . .
346
Caracterização da estrutura aditiva dos números naturais (conclusão) . • .
353
8. Axiomática de Peano
359
9.
Axiomáticas compatlveis
362
10. Axiomáticas categóricas
363
11. Axiomáticas independentes
365
12.
Existem afinal conjuntos infinitos? .
366
13.
O problema da nllo contradição da aritmética
375
Aditamento I. Câlculo de valores aproximados .
383
Advertência prévia. . . . . . . . . . . . .
383
1. O sistema da vírgula flotuante no cálculo elementar. no cálculo logarítmico e no cálculo electrónico. . . . .
385
2.
Algarismos significativos e algarismos exactos
390
3.
Arredondamento de valores numéricos
394
4.
Erro relativo e número de algarismos exactos.
395
6. Avalieção do erro do resultado de multiplicações e divisões sucessivas . . . 6.
Ceso d. potoncie
401 407
429
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
J. 8EBA8TIAO E 8ILVA 7.
Caso da raiz
408
8.
Caso da adição e da subtracção
409
Aditamento 11. Nova orientação no estudo do cálculo de valores apro· ximados .
411
NOTA FINAL. . . . . • . . . • . . • . . • . . • . . . . .
423
430
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
Composto e imp.e·sBO na Tipografia Guerra -
V/.seu
e conclulu-.se enl l!arço de 1976
Compêndio de Matemática, 2º volume, ADITAMENTO I e II
GABINETE DE ESTUOOS E PLANEAMENTO 00 MINlSrtRIO DA EDUCAÇÃO E INVESTIGAÇÃO CIENTIFICA