Projecto Faraday Textos de Apoio
Oscila¸c˜ oes 12º Ano de Escolaridade
Porto, Outubro de 2009
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Ficha T´ ecnica Projecto de interven¸c˜ao no ensino da F´ısica no secund´ario. Financiamento Funda¸c˜ ao Calouste Gulbenkian. Execu¸ c˜ ao Departamento de F´ısica, Faculdade de Ciˆencias da Universidade do Porto. Escolas Participantes ES Filipa de Vilhena ES Fontes Pereira de Melo ES Garcia de Orta ES da Maia ES de Santa Maria da Feira
Coordena¸ c˜ ao J. M. B. Lopes dos Santos Manuel Joaquim Marques
Portal URL: http://www.fc.up.pt/faraday
Texto do 12º Ano Redactor Principal J. M. B. Lopes dos Santos
3 Colabora¸ c˜ ao e revis˜ ao Elisa Arieiro Carlos M. Carvalho Manuel Joaquim Marques Maria de F´ atima Mota
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Cap´ıtulo 6
Oscila¸c˜ oes Recentemente o Paquist˜ ao foi assolado por um terramoto devastador. Durante um terramoto a superf´ıcie da Terra vibra. Essas vibra¸c˜ oes comunicam-se ao edif´ıcios e, se a amplitude da vibra¸c˜ao exceder as margens de seguran¸ca, os edif´ıcios colapsam. Quando falamos fazemos vibrar as nossas cordas vocais. Essa vibra¸c˜ao transmite-se ao ar e constitui o som. Todos os instrumentos musicais, tˆem componentes (cordas, colunas de ar, palhetas met´ alicas, ferros) que vibram, oscilam, para produzir o som. Dentro de um rel´ ogio, computador, ou telem´ ovel, existe um pequeno cristal de quartzo cujas oscila¸c˜ oes constituem o elemento central de controlo do tempo e do sincronismo destes aparelhos. A radia¸c˜ao electromagn´etica p˜ oe cargas a oscilar em torno de posi¸c˜oes de equil´ıbrio e por isso dizemos que ´e constitu´ıda por vibra¸c˜oes dos campos el´ectricos e magn´eticos. O estudo de sistemas oscilat´ orios (osciladores) ´e um dos t´opicos mais importantes quer da F´ısica Cl´ assica quer da F´ısica Quˆ antica. Um corpo, ou um sistema qualquer, que se encontra numa situa¸c˜ao de equil´ıbrio est´ avel, tender´a a regressar a essa posi¸c˜ao, se dela for ´ por isso que dizemos afastado ligeiramente e, depois, largado. E que o equil´ıbrio ´e est´ avel. Uma esfera que rola numa ta¸ca numa ta¸ca esf´erica ´e um bom exemplo (fig. 6.1). Se deslocarmos a esfera do centro da ta¸ca em qualquer direc¸c˜ ao e a largarmos, o seu peso e a reac¸c˜ao normal da ta¸ca aceleram-na em direc¸c˜ ao ` a posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Ao passar no ponto de equil´ıbrio, a velocidade da esfera n˜ ao ´e nula e ela n˜ ao para imediatamente, come¸ca a subir de novo a ta¸ca. A partir desse instante, as for¸cas sobre a esfera retardam o seu movimento 5
Figura 6.1: A posi¸ca˜o de equil´ıbrio est´ avel ´e o centro da ta¸ca.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
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e fazem-na regressar de novo ao centro da ta¸ca: a esfera oscila em torno da posi¸c˜ ao de equil´ıbrio.
⊲ consp´ıcuo: que d´ a nas vistas.
Algo semelhante acontece com qualquer sistema que seja perturbado ligeiramente da sua configura¸c˜ao de equil´ıbrio. Por esta raz˜ ao, os fen´omenos oscilat´ orios s˜ ao t˜ao consp´ıcuos. Naturalmente, efeitos de atrito e de dissipa¸c˜ao de energia tender˜ao a reduzir, mais ou menos rapidamente, a energia de um oscilador. As oscila¸c˜ oes s˜ ao amortecidas, o afastamento m´ aximo da posi¸c˜ao de equil´ıbrio em cada oscila¸c˜ao, a amplitude, vai diminuindo com o tempo e o sistema acaba por parar na posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Se s˜ ao t˜ ao comuns os fen´omenos de oscila¸c˜ao, poder´ıamos perguntar: Teremos que estudar separadamente todos os tipos de osciladores, ou existem caracter´ısticas comuns a todos os fen´omenos de oscila¸c˜ao? Efectivamente, o comportamento dinˆ amico de vastas classes de osciladores ´e, no essencial, o mesmo: ao estudar um, estudam-se todos. Por isso, alguns dos conceitos que vamos introduzir neste cap´ıtulo podem aplicar-se a sistemas muito diferentes daqueles que vamos utilizar como exemplo. Uma das caracter´ısticas mais importantes ´e que muito osciladores tˆem um movimento peri´ odico: o seu movimento repete a mesma configura¸c˜ao ao fim de um intervalo de tempo fixo, o per´ıodo. Para um tipo muito importante de osciladores, osciladores harm´onicos, este per´ıodo ´e uma caracter´ıstica do oscilador que n˜ ao depende do modo como foi posto em oscila¸c˜ ao, em particular, n˜ ao depende da energia da oscila¸c˜ao. A nossa capacidade de medi¸c˜ao precisa do tempo ´e totalmente baseada neste facto.
6.1 6.1.1
Exemplos de osciladores O Pˆ endulo
Um pˆendulo ´e uma massa suspensa por um fio de comprimento fixo num campo grav´ıtico. A posi¸c˜ao de equil´ıbrio est´ avel ´e, naturalmente, a configura¸c˜ao em que o fio est´ a vertical e a massa directamente por baixo do ponto de suspens˜ ao. Fora desta posi¸c˜ao a reac¸c˜ ao normal do fio e o peso do corpo deixam de ser colineares. A resultante acelera o corpo em direc¸c˜ao `a posi¸c˜ao de equil´ıbrio. A
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6.1. EXEMPLOS DE OSCILADORES
1111111111 0000000000 0000000000 1111111111 1111111111 0000000000
11111111111 00000000000 00000000000 11111111111 11111111111 00000000000 T
T P P (a)
(b)
Figura 6.2: Na posi¸ca˜o de equil´ıbrio a resultante das for¸cas sobre o corpo ´e nula (a). Fora desta posi¸ca˜o a tens˜ao do fio e o peso do corpo deixam de ser colineares; a resultante acelera o corpo em direc¸ca˜o `a posi¸ca˜o de equil´ıbrio (b).
acelera¸c˜ ao tangencial ´e positiva e a velocidade aumenta. Quando o corpo passar na posi¸c˜ ao de equil´ıbrio ter´ a alguma energia cin´etica e continuar´ a o seu movimento, agora com acelera¸c˜ao tangencial negativa e velocidade a diminuir. Acaba por parar e inverter o sentido de movimento, repetindo-o agora no sentido inverso. Se houvesse conserva¸c˜ ao de energia mecˆ anica, o pˆendulo voltaria `a posi¸c˜ ao inicial e o movimento repetir-se-ia indefinidamente. Na pr´ atica ´e poss´ıvel reduzir a dissipa¸c˜ao de tal modo, que s˜ ao necess´arias muitas oscila¸c˜ oes para que o pˆendulo perca uma parte significativa da sua energia. O per´ıodo do pˆendulo ´e o intervalo de tempo entre duas configura¸c˜oes sucessivas com a mesma posi¸c˜ao e velocidade. O ˆangulo m´ aximo de afastamento da vertical ´e a amplitude angular da oscila¸c˜ ao. ´ atribu´ıda a Galileu a descoberta que o per´ıodo de oscila¸c˜ao do E pˆendulo n˜ ao depende da amplitude de oscila¸c˜ao, se esta n˜ ao for demasiado grande. Esta descoberta foi crucial para o desenvolvimento da nossa capacidade de medi¸c˜ao do tempo e, durante muito tempo, a base da tecnologia dos rel´ ogios. A oscila¸c˜ao de um pˆendulo marca um intervalo de tempo constante: contar oscila¸c˜oes de um pˆendulo ´e medir o tempo!
6.1.2
Flutuador
Um corpo que flutua ` a superf´ıcie da ´agua, tem um volume imerso, Vi , tal, que o seu peso, P = mg, e a impuls˜ao, I = ρa Vi g, s˜ ao
⊲ Actividade 6.1
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
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R
R=0
R (a)
(b)
(c)
Figura 6.3: Na situa¸ca˜o de equil´ıbrio a resultante do peso e da impuls˜ao, ~ ´e nula, (a). O sentido da resultante ´e oposto ao deslocamento da R, posi¸ca˜o de equil´ıbrio, portanto o corpo oscila se o equil´ıbrio for perturbado, (b) e (c).
iguais. No equil´ıbrio, Vi = Veq , Veq =
m , ρa
em que m ´e a massa do corpo e ρa a massa vol´ umica da ´agua. Se o corpo estiver afundado relativamente `a configura¸c˜ao de equil´ıbrio (Vi > Veq ), a impuls˜ao ´e maior que o peso e o corpo fica sujeito a uma for¸ca de sentido ascendente; por outro lado, se o corpo estiver acima da posi¸c˜ao de equil´ıbrio (Vi < Veq ), a impuls˜ao ser´ a menor que o peso e a resultante ter´ a o sentido descendente. A resultante das for¸cas que actuam no corpo tem sentido oposto ao do deslocamento do equil´ıbrio e o sistema oscilar´ a se for perturbado da posi¸c˜ ao de equil´ıbrio.
6.1.3
Massa suspensa em mola
Se suspendermos uma esfera numa mola esta distende-se e, na configura¸c˜ ao de equil´ıbrio, o m´ odulo da for¸ca exercida pela mola ser´ a igual ao peso da esfera (supomos o peso da mola desprez´avel em compara¸c˜ ao com o da esfera).
111111111 000000000
111111111 000000000
111111111 000000000 y
le R m
R= 0
R
x
Figura 6.4: A resultante das for¸cas sobre a esfera tem o sentido oposto do deslocamento da posi¸ca˜o de equil´ıbrio.
6.1. EXEMPLOS DE OSCILADORES
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Se a esfera estiver abaixo da posi¸c˜ao de equil´ıbrio, a for¸ca exercida pela mola ser´ a ascendente e maior que o peso e a resultante ter´ ao sentido ascendente. Se a esfera estiver acima da posi¸c˜ao de equil´ıbrio a mola fica menos distendida e a respectiva for¸ca diminui; a resultante tem, ent˜ ao, o sentido do peso da esfera.
6.1.4
Absor¸c˜ ao de choques
Por vezes ´e muito importante garantir um amortecimento r´ apido de vibra¸c˜ oes: ´e o caso dos sistemas destinados absorver choques externos em estruturas. O exemplo mais comum ´e o dos amortecedores dos autom´ oveis. A maior parte da massa de um carro, incluindo a cabina onde viajam os passageiros, est´ a apoiada em molas, que por sua vez est˜ ao sustentadas na estrutura que cont´em as rodas e eixos e que contacta directamente com a estrada. Uma imperfei¸c˜ao na estrada origina um brusco movimento vertical das rodas, comprimindo ou distendendo as referidas molas. Estas molas permitem que a acelera¸c˜ao na cabine n˜ ao seja t˜ ao grande como seria se as rodas estivessem ligadas rigidamente ao resto do carro. As duas partes do carro ligadas pelo sistema de molas constituem um oscilador que ´e importante amortecer rapidamente, pois a sua oscila¸c˜ao ´e n˜ ao apenas desconfort´ avel, mas perigosa, j´a que pode fazer perder o contacto das rodas com a estrada. Esse ´e o papel dos amortecedores. Na configura¸c˜ ao mais comum, s˜ ao dois tubos: o mais exterior est´ a ligado a um pist˜ ao perfurado, que se move no tubo interior, o qual, por sua vez, est´ a cheio de o´leo. Um dos tubos est´ a preso `a estrutura do carro e o outro ao eixo junto `a roda. A energia de oscila¸c˜ ao ´e rapidamente dissipada no movimento do ´oleo viscoso no amortecedor. Sistemas como estes existem em muitas outras situa¸c˜oes, sempre que seja necess´ario absorver e dissipar a energia de choques em estruturas.
6.1.5
Resumo
Um sistema oscila quando fica sujeito a uma for¸ ca restauradora ao ser deslocado da posi¸c˜ ao de equil´ıbrio. Esta for¸ca ´e nula na configura¸c˜ ao de equil´ıbrio; tem sentido oposto ao do deslocamento da posi¸c˜ ao de equil´ıbrio. A oscila¸c˜ ao ocorre devido ` a in´ ercia. A for¸ca restauradora acelera o sistema em direc¸c˜ ao ` a posi¸c˜ao de equil´ıbrio, mas este n˜ ao
Figura 6.5: Amortecedores de um carro. Adapatado de [?].
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˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
para quando a for¸ca se anula ao passar no equil´ıbrio; as for¸cas determinam acelera¸c˜oes, n˜ ao determinam velocidades. Para afastar um sistema da posi¸c˜ao de equil´ıbrio ´e necess´ario realizar trabalho externo sobre ele. Como a for¸ca restauradora ´e oposta ao deslocamento, a for¸ca externa tem que ter o sentido do deslocamento e realiza trabalho, aumentando a energia do sistema relativamente `a da configura¸c˜ao de equil´ıbrio. Se a energia mecˆ anica do oscilador se conservar, a amplitude da oscila¸c˜ao (afastamento m´ aximo da posi¸c˜ao de equil´ıbrio em cada oscila¸c˜ao) mant´em-se constante. A dissipa¸c˜ ao faz com a energia do osilador diminua em cada oscila¸c˜ ao e, com o passar do tempo, o sistema vibra cada vez mais pr´ oximo da posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Estas oscila¸c˜oes chamam-se amortecidas. Em osciladores em que a energia se mant´em constante, o movimento ´e peri´ odico: o oscilador repete o mesmo estado ao fim de um intervalo de tempo fixo, o per´ıodo. A existˆencia de fen´omenos f´ısicos peri´ odicos ´e a base da tecnologia de medi¸c˜ao e contrˆ olo do tempo.
6.2 6.2.1
Movimento Harm´ onico Simples Equa¸c˜ ao de movimento
Vamos agora estudar com mais detalhe um exemplo concreto de oscilador. O nosso sistema ser´ a constitu´ıdo por uma esfera suspensa numa mola, em movimento vertical (direc¸c˜ao Oy). Para determinar o movimento da esfera teremos apenas que aplicar o programa newtoniano. As for¸ cas Para movimentos relativamente lentos as for¸cas de resistˆencia do ar s˜ ao pouco importantes. As for¸cas na esfera s˜ ao, ent˜ ao, o seu peso e a for¸ca el´astica da mola: P~ = −mgˆ F~e = k(l − l0 )ˆ,
(6.1)
em que l0 ´e o comprimento da mola quando n˜ ao est´ a distendida ou comprimida. A massa m e a constante da mola, k, s˜ ao grandezas que supomos conhecidas.
´ 6.2. MOVIMENTO HARMONICO SIMPLES
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111111111 000000000 ET V 1 : Que sentido tem a for¸ca el´astica se a mola estiver comprimida? E se estiver distendida? A equa¸c˜ao 6.1 tem o sinal correcto, ou precisa de um sinal negativo? Se invertermos o sentido do eixo Oy, como se modificam as equa¸c˜oes das for¸cas?
y
le
x y(t)
Parece natural, j´a que vamos estudar oscila¸c˜oes em torno da posi¸c˜ao de equil´ıbrio, fazer coincidir a origem do sistema de eixos com essa posi¸c˜ao. Assim, l = le − y(t), (6.2)
Figura 6.6: O comprimento da mola ´e le − y(t).
em que y(t) ´e o deslocamento segundo Oy em rela¸c˜ao `a posi¸c˜ao de equil´ıbrio, tamb´em designado, neste contexto, por elongamento. A resultante das for¸cas sobre a esfera ´e: ~ = (−mg + k (le − l0 − y))ˆ R
= (−mg + k (le − l0 ) − ky)ˆ
= −kyˆ.
(6.3)
Por que raz˜ ao pudemos simplificar deste modo a express˜ ao da resultante? Sorte? N˜ao! O comprimento de equil´ıbrio, le , ´e definido pelo anulamento da resultante das for¸cas sobre a esfera: −mg + k(le − l0 ) = 0.
(6.4)
Ao escolher a posi¸c˜ ao de equil´ıbrio como origem de coordenadas, temos que obter resultante nula quando y = 0. Este resultado traduz a observa¸ca˜o que fizemos antes sobre v´arios osciladores: a for¸ca restauradora tem o sentido oposto ao do elongamento: se y > 0, Ry < 0 e vice-versa. Al´em disso, neste caso, o m´ odulo da for¸ca restauradora ´e proporcional ao elongamento y(t) (eq. 6.3). Este tipo de oscilador, em que for¸ca ∝ −elongamento
chama-se oscilador harm´ onico, ou linear. k ´e a constante da for¸ ca restauradora e tem unidades de N m−1 (for¸ca por unidade de deslocamento). Para pequenos desvios do equil´ıbrio, ´e quase sempre poss´ıvel aproximar a for¸ca restauradora por uma express˜ ao semelhante `a da eq. 6.3, pelo que quase todos os osciladores s˜ ao harm´onicos, quando oscilam com pequena amplitude.
⊲ Oscilador harm´ onico
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
12 A segunda lei
Como o movimento ´e segundo Oy, ~a(t) = ay (t)ˆ.
A segunda lei de Newton diz-nos que: may (t) = −ky(t), ou ay (t) = −
k × y(t). m
(6.5)
A segunda parte do programa de Newton est´ a completa: se soubermos a posi¸ca˜o y(t) da esfera, sabemos calcular a sua acelera¸c˜ao. Esta equa¸c˜ ao ´e a equa¸ c˜ ao de movimento do oscilador harm´ onico. Para completar o programa Newtoniano temos que descobrir que elongamentos y(t) satisfazem esta equa¸c˜ao: isto ´e, que fun¸c˜oes y(t) tˆem uma segunda derivada (acelera¸c˜ao ay (t)) proporcional e de sinal oposto `a pr´ opria fun¸c˜ao, y(t).
ET V 2 : Suponhamos que, no instante t = 0, y = y0 6= 0 e, portanto, ay = −(k/m)y0 . Ser´ a o movimento uniformemente acelerado, 1 k y(t) = y0 − y 0 t2 2 m k vy (t) = − y0 t ? m Por que n˜ ao?
6.2.2
Energia de um oscilador
Qual ´e a energia deste oscilador, para movimentos verticais? Temos: Energia cin´etica: Ec = mvy2 /2; Energia potencial grav´ıtica: tomando a altura de referˆencia como sendo a de equil´ıbrio, Eg = mgy;
´ 6.2. MOVIMENTO HARMONICO SIMPLES
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Temos que juntar a estes dois termos a energia el´astica da mola, 1 Ee = k(l − l0 )2 , 2 em que l0 ´e comprimento da mola se n˜ ao estiver comprimida nem distendida; o comprimento da mola ´e l = le − y, em que le ´e o comprimento da mola quando a esfera est´ a na posi¸c˜ao de equil´ıbrio (ver fig. 6.6 na p´ agina 11). Assim, Ee = =
1 k(le − y − l0 )2 2 1 1 k(le − l0 )2 + ky 2 − k(le − l0 )y. 2 2
A energia potencial total (el´ astica mais grav´ıtica) ´e: Ep =
1 1 k(le − l0 )2 + ky 2 + (mg − k(le − l0 )) y. 2 2
Ep
Para l = le , o m´ odulo do peso ´e igual ao da for¸ca el´astica, E0
mg = k(le − l0 ),
y Fy
pelo que 1 1 Ep = k(le − l0 )2 + ky 2 . 2 2 O primeiro termo ´e uma constante que n˜ ao depende da posi¸ca˜o da esfera durante a oscila¸c˜ ao: 1 Ep = E0 + ky 2 . 2
(6.6)
Conforme vemos na figura 6.7, a energia potencial ´e m´ınima na posi¸c˜ao de equil´ıbrio, o ponto onde a for¸ca restauradora ´e nula. Sempre que a for¸ca restauradora seja proporcional ao elongamento, isto ´e, sempre que o oscilador seja harm´onico, obtemos um resultado semelhante: a energia potencial varia como o quadrado do elongamento.
6.2.3
Energia do pˆ endulo
O caso do pˆendulo ´e uma boa ilustra¸c˜ao da u ´ ltima frase da sec¸c˜ao anterior e do facto de muitos osciladores serem harm´onicos para oscila¸c˜ oes de pequena amplitude.
y
Figura 6.7: Energia potencial e for¸ca el´astica de uma massa suspensa numa mola.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
14
Escolhamos a origem dos eixos no ponto de equil´ıbrio do pˆendulo. As coordenadas x(t) e y(t) n˜ ao s˜ ao independentes porque a traject´ oria ´e uma circunferˆencia com centro no ponto de suporte e raio igual ao comprimento l do fio. Isto ´e, x2 + (l − y)2 = l2 ou x2 + l2 − 2ly + y 2 = l2 .
000000000000 111111111111
Para pequenas oscila¸c˜oes, temos y ≪ l e y 2 ≪ 2ly. Podemos desprezar o termo y 2 em compara¸c˜ao com 2ly e obter1 : l
l−y θ
y≈
y x
Figura 6.8: Como escrever a energia potencial do pˆendulo?
x2 . 2l
A energia potencial grav´ıtica, medida relativamente `a posi¸c˜ao de equil´ıbrio, ´e 1 mg 2 x . Ep = mgy = 2 l Obtemos uma express˜ ao semelhante `a do sistema massa–mola com uma constante de mola efectiva k=
mg . l
Como y=
x x2 , =x× 2l 2l
e o termo entre parˆentesis ´e muito menor que a unidade para pequenas oscila¸c˜oes (x ≪ l), podemos concluir que y ≪ x. Logo, a componente vx da velocidade ´e muito superior a vy e a energia cin´etica ´e 1 1 Ec = m vx2 + vy2 ≈ mvx2 . 2 2 Em resumo: Para pequenas oscila¸c˜oes, o pˆendulo ´e equivalente a um oscilador em movimento segundo Ox, com massa m e constante de for¸ca k = mg/l. 1
Um resultado semelhante apareceu no cap´ıtulo 5, das notas do 11º ano, quando discutimos a acelera¸c˜ ao da Terra relativamente ao Sol.
´ 6.2. MOVIMENTO HARMONICO SIMPLES
15
´ f´acil obter uma express˜ ET V 3 : E ao exacta para a energia potencial do pˆendulo em fun¸c˜ao do ˆangulo com a direc¸c˜ao vertical. Como l − y = l cos θ, temos Ep = mgy = mgl(1 − cos θ) Por outro lado, x = lsenθ. Calcular e comparar os valores obtidos com as duas express˜oes, Ep = mgl(1 − cos θ)
(exacta)
e
1 mg 2 x (aproximada), 2 l para um pˆendulo com l = 1 m, m = 1 kg e ˆangulos de 5º, 10º,15º, . . . . Ep =
6.2.4
A solu¸c˜ ao
Elongamento, velocidade e energia Voltemos ao sistema massa-mola em oscila¸c˜ao vertical: se deslocarmos a massa de y = 10 cm da posi¸c˜ao de equil´ıbrio e a largarmos, o que acontece? Antes de fazer a experiˆencia proposta na actividade 6.2, podemos tentar antecipar o aspecto geral dos gr´ aficos de y(t) e vy (t). O exerc´ıcio da Caixa 6.1 chama a aten¸c˜ao para alguns pontos a ter em aten¸c˜ao. Se os levarmos em conta, chegaremos a gr´ aficos semelhantes aos da figura 6.9; na actividade 6.2 encontram-se gr´ aficos semelhantes. Vejamos alguns pontos importantes. i) Os extremos de y(t) ocorrem nos instantes em que vy (t) = 0. Com efeito, os extremos correspondem aos instantes em que a esfera inverte o sentido de movimento e a velocidade se anula. ii) A energia total do oscilador ´e o valor da energia potencial nos pontos extremos de elongamento.
⊲ Actividade 6.2.
16
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
ET V 4 : adivinhando o movimento oscilat´ orio harm´ onico Desenhar um gr´afico esquem´ atico do que se espera obter para y(t) em fun¸ca˜o de t e vy (t) em fun¸ca˜o de t, supondo a posi¸ca˜o inicial y(0) = 10 cm, com vy (0) = 0. Ter em aten¸ca˜o, em particular, os pontos not´ aveis, m´aximos, m´ınimos e zeros, destas duas fun¸co˜es. Depois de realizado o exerc´ıcio, verificar se os gr´aficos levaram em conta os seguintes pontos: 1. A massa ´e largada do repouso. A sua velocidade inicial ´e zero. Qual ´e o declive da tangente ao gr´afico de y(t) para t = 0? 2. Como a acelera¸ca˜o inicial ´e negativa, a coordenada y(t) deve come¸car por diminuir. O valor de vy (t) deve tornar-se positivo ou negativo? O que deve acontecer ao declive da tangente ao gr´afico de y(t), `a medida que t aumenta? 3. Quando y(t) passa a posi¸ca˜o de equil´ıbrio, y = 0, a for¸ca troca de sentido: a for¸ca e a velocidade passam a ter sentidos opostos. O que deve acontecer ao m´odulo da velocidade? Como deve variar o declive da tangente ao gr´afico de y(t)? 4. Quando y(t) atinge o valor m´ınimo, quanto vale vy (t)? 5. Como n˜ ao consideramos for¸cas de atrito, a energia mecˆanica da massa suspensa conserva-se. Quando y(t) volta a passar por um m´aximo, o seu valor ´e maior, menor ou igual a y(0)? 6. Se a massa voltar a estar na posi¸ca˜o inicial, com velocidade nula, ao fim de T segundos, o que vai acontecer nos pr´oximos T segundos? Depois de rever estes pontos, confrontar os gr´aficos feitos com os da figura 6.9 da p´ agina 17.
Caixa 6.1: Adivinhando o movimento de um oscilador simples.
´ 6.2. MOVIMENTO HARMONICO SIMPLES
17
y cm 10 5 t -5 -10 vy
0
t
Figura 6.9: Gr´aficos de posi¸ca˜o e velocidade de um oscilador em fun¸ca˜o do tempo.
Nos extremos de elongamento, y(t) = ±y0 , a velocidade e a energia cin´etica s˜ ao nulas; a energia total tem apenas o termo potencial: 1 E = Ep (y0 ) = E0 + ky02 . 2 iii) Se houver conserva¸c˜ ao de energia, o sistema oscila entre valores sim´etricos, y0 e −y0 .
Isto resulta do ponto anterior. Nos extremos de elongamento a energia total ´e a energia potencial; como a primeira se conserva, a energia potencial tem que ser a mesma, sempre que y(t) passe por um m´ aximo ou m´ınimo; os valores m´ aximo e m´ınimo de y(t) tˆem que ser sim´etricos, ±y0 , pois Ep −E0 ∝ y2.
iv) A velocidade tem m´ odulo m´ aximo na posi¸c˜ao de equil´ıbrio. Na posi¸c˜ ao de equil´ıbrio a energia potencial tem o valor m´ınimo: a energia cin´etica ter´ a ent˜ao o valor m´ aximo. Logo, a velocidade ser´ a m´ axima para elongamento nulo. Durante a oscila¸c˜ ao a energia passa de potencial a cin´etica quando a esfera acelera em direc¸c˜ ao ` a posi¸c˜ao de equil´ıbrio e de cin´etica para potencial quando ela se afasta dessa posi¸c˜ao.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
18
v) Havendo dissipa¸c˜ao de energia, os valores dos m´ aximos e m´ınimos de y(t) v˜ao diminuindo em m´ odulo e as oscila¸c˜oes v˜ao diminuindo de amplitude com o tempo. Se a energia diminui, o valor de y(t)2 , ao passar um m´ aximo ou m´ınimo, tem que ser menor em virtude do ponto ii).
ET V 5 : Desenhar de um modo esquem´ atico, no mesmo gr´ afico, as energias cin´eticas e potencial do oscilador em fun¸c˜ao ´ habitual representar apenas a parte vari´ do tempo. E avel da energia potencial, Ep − E0 . Ser´ a que os per´ıodos de oscila¸c˜ ao de Ec e Ep s˜ ao o mesmos que os de y(t) ou vy (t)?
O per´ıodo Os valores m´ aximo e m´ınimo do elongamento y(t) e da velocidade vy (t) dependem da energia total da oscila¸c˜ao. Como esta se conserva, quanto maior for a energia do estado inicial, maior ser´ aa amplitude do movimento. E o per´ıodo? Ser´ a que varia tamb´em com a energia? Um dos resultados mais importantes da equa¸c˜ao de movimento do oscilador harm´onico (com for¸ca restauradora proporcional ao elongamento) ´e o seguinte: O per´ıodo de um oscilador harm´onico ´e independente da amplitude das oscila¸c˜oes e das condi¸c˜oes iniciais do movimento. Depende apenas da massa, m, e da constante, k, da for¸ca restauradora. Na Actividade 6.2 teremos oportunidade de verificar este resultado em rela¸c˜ ao ao sistema de massa suspensa numa mola. J´ a referimos que foi Galileu que descobriu esta propriedade das oscila¸c˜oes do pˆendulo. Podemos compreender este resultado do seguinte modo. O intervalo de tempo que decorre entre um m´ınimo, y(t) = −y0 , e o zero seguinte, y(t + ∆t) = 0, ´e um quarto de per´ıodo, ∆t = T /4. No instante inicial deste intervalo a esfera est´ a a uma distˆ ancia y0 do ponto de equil´ıbrio e tem velocidade nula; no instante final
´ 6.2. MOVIMENTO HARMONICO SIMPLES
19
a velocidade ´e m´ axima, vmax . Qual ser´ a a velocidade m´edia neste ` partida n˜ intervalo? A ao sabemos, mas parece razo´ avel admitir que deve ser proporcional a vmax : vm ∝ vmax . Quando o sistema passa na origem, toda a energia potencial, em excesso da do equil´ıbrio, se transformou em energia cin´etica: r 1 2 k 1 2 mvmax = ky0 ⇒ vmax = y0 2 2 m ent˜ao vm ∝
r
k y0 m
Este resultado diz-nos que no intervalo de tempo em que o oscilador passa de um m´ınimo a um zero, T /4, tem uma velocidade m´edia proporcional ` a distˆ ancia que tem que percorrer, y0 . Ora, por defini¸c˜ ao de velocidade m´edia, vm ∆t = vm
T = y0 , 4
ou seja, T y0 y0 ∝ = ∝ p 4 vm y0 k/m
r
m k
(6.7)
O per´ıodo n˜ ao depende da amplitude porque y0 cancela entre o numerador e o denominador. Para uma amplitude maior o oscilador percorre uma distˆ ancia maior entre um m´ınimo de elongamento e um zero, mas f´a-lo com uma velocidade m´edia superior tamb´em: demora o mesmo tempo. Se a energia potencial, Ep − E0 , n˜ ao fosse a de uma for¸ca el´astica, proporcional ao quadrado do elongamento, n˜ ao haveria cancelamento de y0 entre o numerador e denominador da express˜ ao da equa¸c˜ao 6.7 e o per´ıodo dependeria da amplitude. Daqui a pouco veremos que a f´ormula exacta do per´ıodo de um oscilador harm´onico ´e, de facto: r m . T = 2π k Este resultado ´e um dos mais importantes da f´ısica do oscilador harm´onico: os valores da massa e da constante da for¸ca restauradora determinam o per´ıodo. Cada oscilador tem um per´ıodo
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
20
caracter´ıstico, independente do modo como ´e posto a oscilar ou da energia que tem no seu movimento. Podemos aumentar ou diminuir a energia de um oscilador, que o seu per´ıodo T , ou frequˆencia de oscila¸c˜ao, f = 1/T , n˜ ao variam. Toda a tecnologia que depende de manter o sincronismo entre v´arios processos (os rel´ ogios, a transmiss˜ ao de r´ adio ou televis˜ao, as telecomunica¸c˜oes, o processamento no CPU de um computador, etc.) ´e baseada nesta propriedade dos osciladores harm´onicos. 11111111111111111111 00000000000000000000 00 11 00 11 00000000000000000000 11111111111111111111 00 11 00 11 k
k
11 00 00 11
ET V 6 : A barra da figura 6.10 tem massa m = 2 kg e est´ a suspensa em duas molas idˆenticas com k = 200 N m−1 . Qual ´e a frequˆencia de oscila¸c˜ao vertical deste sistema?
y
1 0 0 1
m
Figura 6.10: Qual ´e frequˆencia deste oscilador?
x
6.3
Descri¸c˜ ao matem´ atica do MHS
J´ a sabemos muito sobre as caracter´ısticas do movimento harm´onico simples. Todavia, ainda n˜ ao completamos o programa Newtoniano. Sabendo a posi¸c˜ao e velocidade num dado instante, y(t0 ) e vy (t0 ), que valores tomam o elongamento e a velocidade em qualquer instante t?
6.3.1
⊲ Actividade 6.3
As fun¸ c˜ oes trigonom´ etricas
Vamos come¸car por escrever os resultados, como se eles tivessem ca´ıdo do c´eu. Mais `a frente veremos que existe uma rela¸c˜ao estreita entre o movimento harm´onico simples e o movimento circular uniforme e estes resultados tornar-se-˜ao menos misteriosos. A fun¸c˜ ao y(t) que satisfaz a equa¸c˜ao de movimento, eq. 6.5, da p´ agina 12, k ay (t) = − y(t) m tem a forma: y(t) = y0 cos (ωt + θ0 ) . (6.8) A velocidade, por sua vez, ´e vy (t) = −ωy0 sen (ωt + θ0 ) em que:
(6.9)
˜ MATEMATICA ´ 6.3. DESCRIC ¸ AO DO MHS
21
ω, a frequˆencia angular, vale
ω=
r
k . m
y0 ´e a amplitude do movimento. Como o cosseno toma valores entre −1 e 1, o elongamento varia entre valores extremos de −y0 e y0 .2 θ0 ´e a fase inicial.
` primeira vista ´e surpreendente encontrarmos aqui cossenos e A senos, normalmente associados a aˆngulos, num movimento em que tudo se desenrola numa u ´ nica direc¸c˜ao. Vejamos primeiro se compreendemos o que significam estas express˜ oes. Suponhamos que y0 = 0,1 m e que a fase θ(t) ≡ ωt + θ0 = 30. Quanto vale y(t)? Basta calcular cos(30), o que com o recurso a uma m´ aquina calculadora ´e relativamente simples. Mas 30 quˆe? Graus ou radianos? ´ importante referir que o que temos que calcular ´e o cosseno (ou E o seno) de um ˆ angulo de 30 radianos, nunca 30º! O resultado ´e y(t) = 2 × cos(30) = 0,309 m. A defini¸c˜ ao das fun¸ co ˜es sen(s) e cos(s) em que s ´e qualquer n´ umero real ´e recordada na Caixa 6.2; a liga¸c˜ao com o conceito mais familiar de seno ou cosseno de um ˆangulo ´e a seguinte: O valor da fun¸c˜ ao sen(s) (cos(s)) ´e o seno (cosseno) de um ˆ angulo de s radianos. Usando as seguintes propriedades do seno e cosseno, π = cos (θ) sen θ + 2 π cos θ + = −sen (θ) , 2 podemos escrever y(t) e vy (t) numa forma diferente, mas inteiramente equivalente, y(t) = y0 sen ωt + θ0′ (6.10) ′ vy (t) = ωy0 cos ωt + θ0 , (6.11) 2
Nota: y0 , a amplitude, n˜ ao deve ser confundido com o valor inicial, y(0). S´ o s˜ ao idˆenticos se o elongamento for m´ aximo em t = 0.
⊲ Os f´ısicos preferem radianos!
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
22 sendo θ0′ = θ0 + π/2.
As fun¸c˜ oes sen (s) e cos(s) tˆem um per´ıodo 2π (ver Caixa 6.2). Se a fase, θ(t) = ωt + θ0 , variar de 2π, os valores de elongamento e velocidade repetem-se. Assim, o per´ıodo T do movimento harm´onico simples ´e definido por θ(t + T ) − θ(t) = ωT = 2π, ou seja, 2π = 2π T = ω
r
m . k
Repare-se que a frequˆencia angular, ω, e o per´ıodo, T , s˜ ao determinados pela equa¸c˜ao de movimento. Os valores de y0 e θ0 dependem da maneira como ´e iniciado o movimento, ou seja dos valores iniciais de y e vy .
ET V 7 : No instante t = 0, temos y = 10 cm e vy = 0, para oscilador com k = 20 N m−1 e m = 2 kg. Quais s˜ ao as fun¸c˜oes y(t) e vy (t)? Quanto vale a velocidade em t = 2 s?
6.3.2
O Movimento circular e o MHS
Existe, como dissemos, uma rela¸c˜ao muito interessante entre o movimento circular uniforme e o movimento harm´onico simples: As projec¸c˜oes nos eixos coordenados de um movimento circular uniforme s˜ ao movimentos harm´onicos simples. Este resultado demonstra-se com muita facilidade e vai permitirnos compreender melhor a forma das equa¸c˜oes do movimento harm´ onico simples. A frequˆ encia angular Um corpo em movimento circular uniforme descreve ˆangulos iguais em intervalos de tempo iguais. Se θ(t) for o ˆangulo (em radianos) medido em rela¸c˜ao ao eixo Ox, a velocidade angular ω=
dθ dt
˜ MATEMATICA ´ 6.3. DESCRIC ¸ AO DO MHS
23
Fun¸ co ˜es trigonom´ etricas O valor de um ˆ angulo em radianos ´e o comprimento do arco correspondente a dividir pelo raio do c´ırculo, ou, o que ´e equivalente, o comprimento de um arco de um c´ırculo de raio unit´ ario (c´ırculo trigonom´etrico).
y s θ R
x
Oa ˆngulo em radianos, θ, ´ e a raz˜ ao s/R em que s ´ e o comprimento do arco e R raio do c´ırculo.
Como o per´ımetro de um c´ırculo de raio unit´ ario ´e 2π, poderia parecer que os ˆ angulos em radianos s´o tomam valores entre 0 e 2π ≈ 6,283. Contudo, n˜ ao h´ a qualquer dificuldade em considerar um ˆ angulo superior a 2π: corresponde ao comprimento de um arco descrito dando mais que uma volta completa ao c´ırculo com in´ıcio no eixo Ox, rodando no sentido oposto ao dos ponteiros do rel´ogio. Um ˆ angulo negativo corresponde a percorrer o c´ırculo no sentido dos ponteiros do rel´ogio. Deste modo, podemos associar um ponto no c´ırculo unit´ ario a qualquer n´ umero real, s. A respectiva coordenada no eixo Ox ´e cos(s) e no eixo Oy, sen(s): isto define o valor destas duas fun¸co˜es para qualquer argumento real. Naturalmente, como s e s+ n× 2π (n inteiro) definem a mesma posi¸ca˜o no c´ırculo trigonom´etrico, temos: cos(s + 2nπ) = cos(s) sen(s + 2nπ) = sen(s)
n, inteiro n, inteiro.
As fun¸co˜es trigonom´etricas tˆem per´ıodo 2π.
Caixa 6.2: Defini¸c˜ ao das fun¸c˜oes trigonom´etricas.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
24 y
Fx θ
Rsen θ
Fy
θ Rcosθ
x
R
Figura 6.11: As projec¸co˜es da for¸ca centr´ıpeta nos eixos Ox e Oy, Fx e Fy , s˜ao proporcionais a x(t) e y(t), respectivamente.
´e constante. Se a derivada de θ(t) em ordem ao tempo ´e constante, sabemos que θ(t) tem a forma3 : θ(t) = ωt + θ0 em que θ0 designa o ˆangulo com o eixo Ox em t = 0. O corpo efectua uma volta completa quando θ variar de 2π. Ou seja, num per´ıodo, ∆t = T , ∆θ = ω∆t = ωT = 2π e ω=
2π = 2πf. T
A frequˆencia, f = 1/T , ´e o n´ umero de revolu¸c˜oes por segundo. A velocidade linear ´e v=
2πR = ωR = 2πf R. T
(6.12)
Projec¸ co ˜es nos eixos coordenados Para o movimento circular uniforme, sabemos a direc¸c˜ao, sentido e m´ odulo da for¸ca, a for¸ca centr´ıpeta: ´e dirigida para o centro da 3
Um gr´ afico de θ em fun¸c˜ ao de t ´e uma recta (declive constante).
˜ MATEMATICA ´ 6.3. DESCRIC ¸ AO DO MHS
25
traject´oria e vale mv 2 /R. Projectando a for¸ca nos eixos coordenados (ver fig. 6.11), Fx = −F cos (θ(t))
Fy = −F sen (θ(t)) ,
e usando v = ωR e F = mv 2 /R, ´e f´acil obter Fx = −mω 2 R cos (θ(t)) = −mω 2 x(t)
Fy = −mω 2 Rsen (θ(t)) = −mω 2 y(t),
(6.13)
em que x(t) e y(t) s˜ ao as coordenadas do corpo em movimento circular uniforme. Pela segunda lei de Newton: ax (t) = −ω 2 x(t) 2
ay (t) = −ω y(t).
(6.14) (6.15)
As equa¸c˜ oes de movimento segundo qualquer dos eixos coordenados s˜ ao as de um oscilador harm´onico simples em que ω 2 = k/m. Mas conhecemos exactamente as solu¸c˜oes destas equa¸c˜oes: bastanos calcular as coordenadas do movimento circular uniforme. O vector de posi¸c˜ ao do corpo ´e ~r = R cos (θ(t))ˆı + Rsen (θ(t))ˆ; as suas coordenadas x(t) e y(t) s˜ ao dadas por: x(t) = R cos (θ(t)) = R cos(ωt + θ0 )
(6.16)
y(t) = R sen (θ(t)) = R sen(ωt + θ0 ).
(6.17)
J´ a tinhamos visto atr´ as que estas duas formas s˜ ao equivalentes: correspondem apenas a diferentes escolhas da fase inicial. Compreendemos agora o aparecimento das fun¸c˜oes trigonom´etricas (eqs. 6.16 e 6.17) na solu¸c˜ ao da equa¸c˜ao de movimento do oscilador harm´onico (eqs. 6.14 ou 6.15): O movimento harm´onico simples ´e a projec¸c˜ao de um movimento circular. A fase ´e o ˆangulo (em radianos) do movimento circular relativamente a um eixo coordenado.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
26
vx y θ
vy
θ
Rsen θ
θ Rcosθ
x
R
Figura 6.12: O vector velocidade e o vector de posi¸ca˜o de um movimento circular fazem um ˆangulo de π/2.
Podemos ainda usar o movimento circular para determinar a forma das velocidades correspondentes `as coordenadas das equa¸c˜oes 6.16 e 6.17. A velocidade ´e tangente `a traject´oria e perpendicular a ~r. Ent˜ao (ver figura 6.12) vx (t) = −v sen (θ(t)) vy (t) = v cos (θ(t))
Usando a rela¸c˜ ao entre a velocidade linear e angular, v = ωR, vx (t) = −ωR sen (ωt + θ0 ) vy (t) = ωR cos (ωt + θ0 ) .
6.3.3
Resumo
A solu¸c˜ ao de uma equa¸c˜ao de movimento do oscilador harm´onico, ay (t) = −
k y(t) m
pode escrever-se numa de duas formas equivalentes: y(t) = y0 cos (ωt + θ0 ) vy (t) = −ωy0 sen (ωt + θ0 )
ˆ 6.4. RESSONANCIA
27
ou y(t) = y0 sen ωt + θ0′
vy (t) = ωy0 cos ωt + θ0′ em que θ0′ = θ0 + π/2.
Este movimento ´e a projec¸c˜ ao de um movimento circular de raio y0 num eixo coordenado. A fase θ(t) = ωt + θ0 ´e o ˆangulo, em radianos, descrito pelo movimento circular em rela¸c˜ao a um dos eixos coordenados. A velocidade ou frequˆencia angular ω= vale ω=
dθ dt
r
k m
e o per´ıodo 2π T = = 2π ω
6.3.4
r
m . k
Imagina¸c˜ ao em ciˆ encia
Ser´ a que sempre que temos um oscilador harm´onico existe algures um corpo em movimento circular? Com certeza que n˜ ao. Contudo, sempre que pretendemos compreender aspectos de um fen´omeno f´ısico, somos livres de imaginar as situa¸c˜oes que quisermos, desde que sejam compat´ıveis com as leis da F´ısica. Neste caso foi u ´ til imaginar um movimento circular e project´a-lo nos eixos para descobrir as solu¸c˜ oes do movimento oscilat´ orio harm´onico. A imagina¸c˜ ao e a criatividade tˆem um papel em ciˆencia n˜ ao menos importante do que o que tˆem nas artes e humanidades. No entanto, a criatividade e imagina¸c˜ ao cient´ıficas tˆem que restringir-se a cen´ arios e situa¸c˜ oes compat´ıveis com as leis da F´ısica (as conhecidas ou as que se pretendem descobrir). Por isso exigem uma enorme disciplina intelectual e profundos conhecimentos t´ecnicos. Ao fim ao cabo, tal como nas artes!
6.4
Ressonˆ ancia
O u ´ ltimo t´ opico do nosso estudo de oscila¸c˜oes ´e um fen´omeno de capital importˆ ancia quer em F´ısica Cl´ assica quer em F´ısica Moderna: o fen´omeno da ressonˆ ancia.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
28 vy
f
ext
0
t
(a)
t
(b)
vy f
ext
0
W>0
W< 0
Figura 6.14: (a) Se a for¸ca externa, fext , tiver o mesmo per´ıodo que a velocidade do oscilador, o trabalho realizado pode ser sempre positivo. Se o per´ıodo for diferente (menor no caso (b)), h´ a ciclos de trabalho positivo e ciclos de trabalho negativo.
1111111111 0000000000 0000000000 1111111111
v
f ext
1111111111 0000000000
v
f ext
Figura 6.13: Se a for¸ca tiver o mesmo per´ıodo do oscilador, pode realizar sempre trabalho positivo, transferindo energia para o oscilador.
Imaginemos uma for¸ca externa, f~ext , aplicada ao oscilador que temos vindo a considerar. Para ilustrar o que ´e o fen´omeno de ressonˆancia, precisamos de considerar uma for¸ca peri´ odica, como a que resulta, por exemplo, da interac¸c˜ao com outro oscilador. Para simplificar, vamos supor que esta for¸ca externa tem a direc¸c˜ao do movimento do oscilador e ´e de intensidade muito menor que a for¸ca restauradora: pouco altera o movimento da esfera. Se, porventura, a for¸ca externa f~ext (t) e a velocidade da esfera, ~v (t), tiverem o mesmo sentido, a for¸ca f~ext (t) realiza trabalho positivo sobre o oscilador (for¸ca e deslocamento paralelos) e a energia deste aumenta; se os sentidos forem opostos, a energia do oscilador diminui. A velocidade do oscilador troca de sentido em cada meio per´ıodo, T /2. Se a for¸ ca externa tiver o mesmo per´ıodo do oscilador4 , o trabalho realizado sobre o oscilador mant´em-se sempre positivo: a energia e a amplitude de oscila¸c˜ao v˜ao aumentando em cada ciclo. Contudo, se o per´ıodo da for¸ca n˜ ao for o mesmo do oscilador, mesmo que comecemos com uma for¸ca com o sentido da velocidade, ao fim de algum tempo haver´ a uma diferen¸ca de 4
Recordemo-nos que o per´ıodo de um oscilador harm´ onico n˜ ao varia com a amplitude.
ˆ 6.4. RESSONANCIA
29
fase de π e o sentido da for¸ca e da velocidade s˜ ao opostos. Haver´ a oscila¸c˜ oes em que a energia aumenta e outras em que a energia diminui (fig. 6.14). O resultado deste efeito ´e o fen´omeno da ressonˆancia: Quando a frequˆencia da for¸ca externa coincide com a do oscilador, a amplitude deste pode crescer para valores muito elevados, mesmo que a intensidade da for¸ca externa seja muito pequena. O oscilador recebe energia em todos os ciclos de oscila¸c˜ao. Se as frequˆencias n˜ ao forem iguais efeito da for¸ca ´e muito menos importante.
6.4.1
Exemplos de ressonˆ ancias
O fen´omeno da ressonˆancia foi aqui apresentado usando a linguagem de for¸cas e deslocamentos da F´ısica Cl´ assica. Contudo, trata-se de um conceito que continua a ter em F´ısica Moderna um papel t˜ ao ou mais importante que em F´ısica Cl´ assica. Sintoniza¸ c˜ ao A sintoniza¸c˜ ao de um r´ adio consiste em variar a frequˆencia de um oscilador interno, at´e que a repectiva frequˆencia coincida com a da esta¸c˜ao emissora pretendida. Quando isso acontece a amplitude do oscilador interno do r´ adio aumenta muito e podemos ouvir a esta¸c˜ao pretendida. Vibra¸c˜ oes com outras frequˆencias quase n˜ ao transferem energia para o r´ adio. Instrumentos musicais O elemento produtor de som de um violino ou de um piano ´e uma corda. Mas uma corda solta, isolada, ´e quase inaud´ıvel; o som de um piano ou de um violino enche enormes audit´ orios sem qualquer necessidade de amplifica¸c˜ ao. Na realidade, todo o instrumento vibra e, em consequˆencia, a vibra¸c˜ao ´e transmitida muito mais eficazmente para o ar. A vibra¸c˜ao do instrumento resulta de fen´omenos de ressonˆancia. Cada instrumento tem in´ umeras vibra¸c˜ oes poss´ıveis, com frequˆencias diferentes. As oscila¸c˜ oes ressonantes com a vibra¸c˜ao da corda s˜ ao as que ter˜ ao maior amplitude. O desenho de instrumentos musicais determina o tipo e a frequˆencia das suas oscila¸c˜oes; ´e uma arte
⊲ Actividade 6.4
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
30
que exige profundos conhecimentos e muita experiˆencia, pelo que os pre¸cos de bons instrumentos podem ser elevad´ıssimos.
Espectros de emiss˜ ao e absor¸ c˜ ao No d´ecimo ano vimos que os ´atomos no estado gasoso s´ o absorvem radia¸c˜ ao com certas frequˆencias. Os gases das camadas exteriores do Sol, por exemplo, absorvem a radia¸c˜ao a certas frequˆencias e o espectro solar apresenta riscas escuras para essas frequˆencias. Mas os mesmos ´atomos, ao emitir, emitem apenas nas frequˆencias correspondentes `as riscas de absor¸c˜ao. O espectro de emiss˜ao de um dado elemento tem riscas de emiss˜ao nas frequˆencias onde aparecem as riscas negras no espectro de absor¸c˜ao. Isto ´e tamb´em um fen´omeno de ressonˆancia. O ´atomo pode ser visto como um conjunto de osciladores. Quando oscila emite radia¸c˜ ao ` as frequˆencias dos seus osciladores. Quando incide radia¸c˜ao sobre o ´ atomo, esta ´e absorvida fortemente se estiver em ressonˆancia com um dos osciladores at´omicos: ou seja, as riscas de emiss˜ao e absor¸c˜ ao ocorrem `as mesmas frequˆencias.
6.5
Respostas ` as ET Vs
6.1. ET V 1 : Se l > l0 , l − l0 > 0, a mola est´a distendida e a for¸ca
tem o sentido do semi-eixo positivo Oy, Fy > 0. Ao cont´ ario, se l < l0 , l − l0 < 0, a mola est´ a comprimida e exerce uma for¸ca com o sentido vertical descendente, Fy < 0. O sinal da eq. 6.1 est´ a correcto. Se troc´ assemos o sentido do eixo Oy ter´ıamos Fy < 0 para uma for¸ca de sentido ascendente e Fy < 0 para uma for¸ca de sentido descendente. Logo as equa¸co˜es seriam: P~ F~e
=
mgˆ
=
−k (l − l0 )ˆ.
6.2. ET V 2 : N˜ao ´e, porque a acelera¸ca˜o n˜ao ´e constante. A acelera¸ca˜o s´o vale (−k/m)y0 se y = y0 . Como y varia durante o movimento, a acelera¸ca˜o varia e diminui em m´odulo `a medida que a esfera se aproxima da posi¸ca˜o de equil´ıbrio (y = 0).
6.3. ET V 3 : Os valores que se obtˆem s˜ao os seguintes:
` ET VS 6.5. RESPOSTAS AS
31
θ/º
θ/rad
Ep (exacta)/J
Ep (aprox)/J
5
0,0873
0,0373
0,0372
10
0,1745
0,1489
0,1478
15
0,2618
0,3339
0,3282
20
0,3491
0,5910
0,5732
25
0,4363
0,9182
0,8752
30
0,5236
1,3130
1,2250
E Ec Ep − E0
6.4. ET V 4 : ver texto (fig. 6.9, da p´agina 17). 6.5. ET V 5 : O gr´afico de energias em fun¸ca˜o do tempo tem o aspecto do da figura 6.15. O per´ıodo ´e metade do de y(t). Os valores de energia cin´etica e potencial s˜ao iguais para valores sim´etricos (y e −y) do elongamento.
6.6. ET V 6 : Usando um sistema de eixos com origem na altura de equi-
l´ıbrio da barra, se esta se deslocar verticalmente de y, a varia¸ca˜o de comprimento de cada mola ´e: ∆l = −y. Como a for¸ca exercida por cada mola ´e dada por Fy = k(l − l0 ) a varia¸ca˜o das for¸cas exercidas por cada mola ´e: ∆Fy = k∆l = −ky. Na posi¸ca˜o de equil´ıbrio as for¸cas das molas s˜ao canceladas pelo peso da barra. O peso n˜ ao varia quando a barra se desloca. Ent˜ ao, a resultante das for¸cas exercidas na barra (for¸ca restauradora) ´e: Ry = 2∆Fy = −2ky e a equa¸ca˜o de movimento ´e a de um oscilador harm´onico simples:
2k y(t). m A constante de for¸ca efectiva ´e 2k. A frequˆencia angular, ω, e a frequˆencia f , valem: r 2k ω = = 14,1 s−1 m ω = 2,25 Hz. f = 2π Para calcular a for¸ca restauradora em basta considerar as varia¸ co ˜es de cada for¸ca quando o sistema se afasta do equil´ıbrio. Por defini¸ca˜o, na posi¸ca˜o de equil´ıbrio, a resultante de todas as for¸cas ´e nula. ay (t) = −
t
Figura 6.15: Energias cin´etica e potencial em fun¸ca˜o do tempo para o caso de um oscilador sem dissipa¸ca˜o.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
32
6.7. ET V 7 : Como k = 20 N m−1 e m = 2 kg, ω = Usando as express˜oes gerais com t = 0, y(0) = vy (0) =
p √ k/m = 10 s−1 .
y0 cos (θ0 ) −ωy0 sen (θ0 )
Como vy (0) = 0, podemos escolher θ0 = 0, o que d´ a y(0) = y0 = 0,1 m. Assim, y(t) = vy (0) =
√ 0,1 × cos 10t √ √ −0,1 × 10 × sen 10t .
Para t = 2, vy (2) = −0,1 ×
√ √ 10 × sen 2 10 = −0,013 m s−1 .
√ (N˜ao esquecer que temos de calcular o seno de 2 10 radianos!)
6.6
Actividades quest˜ oes e problemas
6.1. Isocronismo de oscila¸ co ˜es do pˆ endulo. Usando duas massas marcadas idˆenticas e o mesmo comprimento de fio, construir dois pˆendulos idˆenticos e suspendˆelos lado a lado. Pˆ o-los a oscilar com amplitudes diferentes e verificar se o per´ıodo ´e o mesmo. Figura 6.16: Se os per´ıodos forem iguais, os dois pˆendulos mantˆem-se sincronizados.
6.2. Movimento Harm´ onico Simples Ver ficha de actividade A42. 6.3. Fun¸ co ˜es trigonom´ etricas Como varia o gr´ afico de y(t) quando variam os parˆ ametros y0 , amplitude, ω = 2πf , frequˆencia angular, e θ0 , fase inicial?
Para responder a esta pergunta abrir com o Microsoft Excel© o ficheiro sinais_harmonicos.xls que se encontra no CD Sons, pasta fich_excel, e seguir as instru¸c˜oes relativas ao primeiro exerc´ıcio. 6.4. Afinar uma guitarra sem ouvir O fen´omeno de ressonˆancia ´e muito f´acil de observar numa guitarra. Se a guitarra estiver afinada, a sexta corda, a mais
˜ 6.6. ACTIVIDADES QUESTOES E PROBLEMAS
33
grave, pisada no quinto traste, deve emitir a mesma nota (L´ a) que a quinta corda. Se isso acontecer, ao dedilhar a sexta corda pisada no quinto traste, a quinta come¸ca a vibrar “por simpatia”. Na realidade come¸ca a vibrar porque fica sujeita a uma perturba¸c˜ ao externa com a sua pr´ opria frequˆ encia de vibra¸ c˜ ao: ´e um fen´omeno de ressonˆancia. Se variarmos a tens˜ ao da quinta corda, podemos “ver” quando fica afinada pelo facto de vibrar em “simpatia” com a sexta corda pisada no quinto traste. Experimente!
6.6.1
Quest˜ oes
6.1. Usando um caso concreto de oscilador explique o significa cada um dos seguintes termos: (a) Amplitude, elongamento, per´ıodo, for¸ca restauradora, amortecimento. 6.2. No texto mostra-se que a energia de um pˆendulo, para pequenas oscila¸c˜ oes, tem a forma 1 1 mg 2 E = mvx2 + x , 2 2 l em que x ´e a coordenada horizontal do pˆendulo medida em rela¸c˜ ao ao ponto de equil´ıbrio (ver fig. 6.8 da p´ agina 6.8) o que faz o pˆendulo equivalente a um oscilador harm´onico simples. (a) Qual ´e a constante de for¸ca de um pˆendulo? (b) A frequˆencia de oscila¸c˜ao de um pˆendulo depende da sua massa? De que parˆ ametros depende? 6.3. Um oscilador harm´onico simples, ao fim de 100 ciclos de oscila¸c˜ ao, tem uma amplitude que ´e metade da inicial. (a) Que frac¸c˜ ao da sua energia inicial j´a dissipou? 6.4. Duas massas marcadas de 100 g e 200 g oscilam presas a molas idˆenticas. A massa de 100 g tem uma amplitude de oscila¸c˜ ao 1,5 vezes superior ` a da outra. (a) Em qual dos casos ´e maior a energia de oscila¸c˜ao (relativamente ` a respectiva configura¸c˜ao de equil´ıbrio)? Justifique.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
34 y cm 10 5 5
t 10 15 20
6.5. Depois de fazer a actividade 6.2, um estudante resolveu colar um quadrado de cartolina de 4 × 4 cm2 na base da massa suspensa na mola e repetir o registo do elongamento da massa.
-5 -10
(a) Qual das curvas da figura 6.17 corresponde `a experiˆencia com a cartolina? Justificar cuidadosamente.
y cm 10 5 5
t 10 15 20
-5 -10
6.6. O dispositivo da figura 6.18 usa uma mola comprimida para lan¸car um proj´ectil. Quando a mola ´e libertada distende-se empurrando a esfera. (a) Que rela¸c˜ao existe entre o tempo que decorre at´e a esfera descolar da mola, e o per´ıodo de oscila¸c˜ao que teria o sistema esfera-mola, se a esfera estivesse presa `a mola?
Figura 6.17: Qual das curvas corresponde ` a massa com cartolina?
11111111111111111 00000000000000000 00000000000000000 11111111111111111 00000000000000000 11111111111111111 00000000000000000 11111111111111111 00000000000000000 11111111111111111 l0
l1
Figura 6.18: Quanto tempo dura o lan¸camento?
(b) Se a mola for ainda mais comprimida o tempo de lan¸camento varia? 6.7. Uma estudante precisava de uma medida r´ apida da constante de uma mola. Pendurou nela uma massa marcada de 200 g e cronometrou 20 oscila¸c˜oes do sistema. (a) Explicar como ´e que este procedimento permite calcular a constante da mola.
6.6.2
Problemas
6.1. Um cilindro de madeira, de altura h = 6 cm e diˆ ametro de base de 8 cm, flutua `a superf´ıcie da ´agua. A massa vol´ umica da madeira ´e de 0,7 × 103 kg m−3 . (a) Que altura do cilindro fica dentro de ´agua no equil´ıbrio (altura imersa)? (b) Qual ´e o valor da constante de for¸ca restauradora, para pequenas varia¸c˜oes da altura imersa do cilindro? (c) Qual ´e o per´ıodo de oscila¸c˜ao do cilindro? Sugest˜ao: calcular a for¸ca sobre o cilindro para uma altura imersa for hi + x, em que hi ´e a altura imersa na posi¸c˜ao de equil´ıbrio. 6.2. No gr´ afico da figura 6.19 registou-se o elongamento de um oscilador de massa e mola vertical. (a) Obter do gr´ afico os valores do per´ıodo e da amplitude.
˜ 6.6. ACTIVIDADES QUESTOES E PROBLEMAS
35
(b) A massa suspensa valia m = 150 g. Qual era o valor da constante da mola? (c) Qual era o valor m´ aximo de velocidade da massa suspensa durante as oscila¸c˜oes? 6.3. Um pˆendulo constitu´ıdo por uma esfera de m = 0,5 kg, presa num fio de comprimento l = 1,0 m, oscila com uma amplitude angular de 5º.
y cm 10 5 5
10
15
20
t s
-5 -10
Figura 6.19: Elongamento em fun¸ca˜o do tempo.
(a) Qual ´e o per´ıodo da oscila¸c˜ao? (b) Quanto vale a energia armazenada na oscila¸c˜ao (relativamente ` a configura¸ca˜o de equil´ıbrio)? (c) Se em cada ciclo de oscila¸c˜ao o pˆendulo dissipar 5% da sua energia, qual ´e a amplitude angular de oscila¸c˜ao ao fim de 20 per´ıodos? 6.4. Uma estudante precisava de uma medida r´ apida da constante de uma mola. Pendurou nela uma massa marcada de 200 g e cronometrou 20 oscila¸c˜ oes completas do sistema em 15 segundos. v cm s-1
(a) Qual ´e a constante da mola? (b) Se tivesse usado uma massa de 100 g, quanto tempo teriam demorado as 20 oscila¸c˜oes completas? 6.5. No gr´ afico da figura 6.20 registou-se a velocidade de um oscilador harm´onico simples. (a) Obter do gr´ afico os valores do per´ıodo e da amplitude (valor m´ aximo do elongamento).
4 2 5
10
15
20
t s
-2 -4
Figura 6.20: Velocidade em fun¸ca˜o do tempo.
x
(b) A massa suspensa valia m = 150 g. Qual era o valor da constante da mola? (c) Qual ´e a energia total deste oscilador (medida relativamente ao estado de equil´ıbrio). 6.6. A for¸ca exercida por um arco de competi¸c˜ao na flecha ´e proporcional ` a distˆ ancia de retrac¸c˜ao da flecha (fig. 6.21). Dados de um arco de competi¸c˜ ao d˜ ao uma for¸ca de 171 N para uma distˆ ancia de 41 cm. A massa de uma flecha ´e de 20,1 g. (a) Quanto tempo demora a flecha a perder o contacto com o arco, depois de largada?
F
Figura 6.21: O arqueiro puxa a seta de uma distˆancia x. A for¸ca que tem que exercer ´e sim´etrica da for¸ca do arco na flecha.
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
36
x k2 m k1 111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111 0 1 0 1 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111 0 1 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111 0 1 0 1 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111 111111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000000 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111 111111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000000
(b) Qual ´e a velocidade de sa´ıda da flecha, para uma retrac¸c˜ao de 41 cm? (Ver quest˜ao 6.6.) 6.7. O corpo de massa m = 0,5 kg da figura 6.22 desliza sem atrito numa mesa horizontal ligado a duas molas de constantes k1 = 10 N m−1 e k2 = 20 N m−1 . Seja x(t) a sua coordenada na direc¸c˜ ao paralela `a mesa, medida relativamente `a posi¸c˜ao de equil´ıbrio.
Figura 6.22: Qual ´e frequˆencia deste oscilador?
(a) Mostre que a for¸ca restauradora ´e proporcional a x(t), F = −kx(t), e calcule a constante de for¸ca respectiva, k. (b) Determine a frequˆencia de oscila¸c˜ao do corpo. m k
k
11111111111111111111111111111 00000000000000000000000000000 00000000000000000000000000000 11111111111111111111111111111
Figura 6.23: Qual ´e frequˆencia deste oscilador?
(c) Se os suportes onde est˜ ao ancoradas as molas estivessem mais pr´ oximos, reduzindo o comprimento das molas, a frequˆencia da oscila¸c˜ao seria alterada? 6.8. Uma mesa ´optica de massa m = 500 kg, est´ a suportada em quatro molas idˆenticas, fixas ao solo e `a mesa, de constante de for¸ca, k = 800 N cm−1 . (a) Qual ´e a frequˆencia das oscila¸c˜oes verticais da mesa? 6.9. As for¸cas entre dois ´atomos de uma mol´ecula diat´ omica, como O2 ou H2 podem ser vistas como el´asticas, como se existisse uma mola entre os dois ´atomos. A mol´ecula pode oscilar com deslocamentos dos dois ´atomos em rela¸c˜ao `a respectiva posi¸c˜ao de equil´ıbrio, com a direc¸c˜ao do eixo da mol´ecula e de sentidos opostos.
Figura 6.24: Qual ´e frequˆencia deste oscilador?
(a) Se um dos a´tomos tiver um deslocamento x(t) relativamente `a sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio e o outro −x(t) em rela¸c˜ao `a sua, qual ´e varia¸c˜ao de comprimento da “mola”? (b) Escrever a equa¸c˜ao de movimento para um dos ´atomos e obter uma express˜ ao para a frequˆencia desta oscila¸c˜ao. (c) No caso da mol´ecula de H2 , a frequˆencia desta oscila¸c˜ao ´e f = 1,3×1014 Hz. Qual ´e o valor da constante de for¸ca da liga¸c˜ao H–H?
˜ 6.6. ACTIVIDADES QUESTOES E PROBLEMAS
37
6.10. Um oscilador de frequˆencia angular ω = 2 s−1 , recebe, na posi¸c˜ ao de equil´ıbrio, x(0) = 0, um impulso tal que a sua velocidade inicial ´e vx (0) = 0,2 m s−1 . (a) Escrever as equa¸c˜ oes do elongamento, x(t), e da velocidade, vx (t), da oscila¸ca˜o que resulta deste impulso.
38
˜ CAP´ITULO 6. OSCILAC ¸ OES
Conte´ udo Ficha T´ecnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Oscila¸ co ˜es 6.1
6.2
6.3
6.4 6.5 6.6
2 5
Exemplos de osciladores . . . . . . . . . . . . . . .
6
6.1.1
O Pˆendulo . . . . . . . . . . . . . . . . . .
6
6.1.2
Flutuador . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
7
6.1.3
Massa suspensa em mola . . . . . . . . . .
8
6.1.4
Absor¸c˜ ao de choques . . . . . . . . . . . . .
9
6.1.5
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
9
Movimento Harm´ onico Simples . . . . . . . . . . .
10
6.2.1
Equa¸c˜ ao de movimento . . . . . . . . . . .
10
6.2.2
Energia de um oscilador . . . . . . . . . . .
12
6.2.3
Energia do pˆendulo . . . . . . . . . . . . . .
13
6.2.4
A solu¸c˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
15
Descri¸c˜ ao matem´ atica do MHS . . . . . . . . . . .
20
6.3.1
As fun¸c˜ oes trigonom´etricas . . . . . . . . .
20
6.3.2
O Movimento circular e o MHS . . . . . . .
22
6.3.3
Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
26
6.3.4
Imagina¸c˜ ao em ciˆencia . . . . . . . . . . . .
27
Ressonˆ ancia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
27
6.4.1
Exemplos de ressonˆancias . . . . . . . . . .
29
Respostas ` as ET Vs . . . . . . . . . . . . . . . . . .
30
Actividades quest˜ oes e problemas . . . . . . . . . .
32
6.6.1
Quest˜oes
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
33
6.6.2
Problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
34
39