Projecto Faraday Textos de Apoio
Fluidos 12ยบ Ano de Escolaridade
Porto, Outubro de 2009
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Ficha T´ ecnica Projecto de interven¸c˜ao no ensino da F´ısica no secund´ario. Financiamento Funda¸c˜ ao Calouste Gulbenkian. Execu¸ c˜ ao Departamento de F´ısica, Faculdade de Ciˆencias da Universidade do Porto. Escolas Participantes ES Filipa de Vilhena ES Fontes Pereira de Melo ES Garcia de Orta ES da Maia ES de Santa Maria da Feira
Coordena¸ c˜ ao J. M. B. Lopes dos Santos Manuel Joaquim Marques
Portal URL: http://www.fc.up.pt/faraday
Texto do 12º Ano Redactor Principal J. M. B. Lopes dos Santos
3 Colabora¸ c˜ ao e revis˜ ao Elisa Arieiro Carlos M. Carvalho Manuel Joaquim Marques Maria de F´ atima Mota
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Cap´ıtulo 4
Fluidos 4.1
Press˜ ao
A press˜ao, P, exercida sobre uma superf´ıcie ´e a for¸ca por unidade de ´area: P =
F . A
No SI as unidades de press˜ao s˜ ao o N m−2 tamb´em designado por Pascal (Pa). Por que raz˜ ao se define esta grandeza? Se caminharmos sobre um soalho de madeira macia, recentemente polido, com havaianas nos p´es, n˜ ao causamos danos que incomodem o propriet´ario do dito soalho. No entanto, se usarmos sapatos ferrados com picos, apropriados para subir montanhas cobertas de neve, ou sapatos de tac˜ oes, tipo estilete, com os quais algumas senhoras realizam constantes prod´ıgios de equl´ıbrio, n˜ ao seremos, certamente, t˜ ao bem recebidos. A for¸ca total exercida no soalho ´e em ambos os casos a mesma, o nosso peso. Contudo, no segundo caso, ela ´e exercida numa ´area muito menor. Se imaginarmos a ´ area de contacto dividida em pequenos quadrados iguais, a for¸ca em cada quadrado ´e muito maior no segundo caso que no primeiro, embora seja exercida em menos quadrados. O resultado ´e que a deforma¸c˜ao do soalho na ´area de contacto pode tornar-se permanente, para grande desgosto do propriet´ ario do soalho. A maneira de comparar for¸cas em quadrados de igual ´ area ´e conhecer a press˜ao, a for¸ca por unidade de ´area. 5
(a)
(b)
Figura 4.1: Mesmo que as for¸cas exercidas no solo pela havaiana (a) e pelo sapato de tac˜ ao (b) sejam iguais, as for¸cas exercidas em cada rectˆangulo de igual ´area s˜ao muito maiores no segundo caso.
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CAP´ITULO 4. FLUIDOS
ET V 1 : Cada uma das botas de um esquiador tem uma base que corresponde aproximadamente a um rectˆ angulo de 10 × 2 30 cm . (a) Que for¸ca exerce um esquiador de 80 kg sobre a ´area de neve debaixo de cada bota, quando assente sobre os dois p´es? (b) Se cal¸car esquis de 10 × 220 cm2 , que for¸ca exerce sobre a´ area correspondente `a base de uma bota (300 cm2 )?
O conceito de press˜ao ´e importante sempre que lidamos com for¸cas exercidas atrav´es de superf´ıcies. Outro exemplo ´e o das for¸cas entre um g´ as ou l´ıquido e as paredes do recipiente que o cont´em. Se imaginarmos uma por¸c˜ao da superf´ıcie da parede, de ´area A, dividida em pequenos quadrados, cada um est´ a em contacto com partes do fluido com propriedades idˆenticas: a for¸ca em cada quadrado deve ser a mesma. A for¸ca total sobre a por¸c˜ao de superf´ıcie que estamos a considerar ser´ a ent˜ao proporcional ao n´ umero de quadrados, ou seja `a ´area total, A: 111111111111 000000000000 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 A 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 000000000000 111111111111 111111111111111111111111111 000000000000000000000000000
Figura 4.2: Cada pequeno quadrado da zona sombreada est´ a em contacto com fluido com idˆenticas propriedades; as for¸cas em cada quadrado s˜ao iguais.
F = P × A. O que caracteriza o fluido ´e a press˜ao, P , n˜ ao a for¸ca sobre a parede. Neste cap´ıtulo e no seguinte vamos fazer uma introdu¸c˜ao a alguns aspectos da f´ısica de fluidos, quer em equil´ıbrio, quer em movimento. Vivemos, andamos, corremos, saltamos e voamos num fluido, o ar. Outro fluido, a ´agua, ´e o nosso principal constituinte, e tem um papel fundamental nossa existˆencia. N˜ao ´e dif´ıcil compreender o quanto as nossas vidas dependem da nossa compreens˜ao das propriedades de fluidos, em particular, do modo como se movem. Uma das caracter´ısticas mais evidentes dos fluidos ´e que as suas diferentes partes se podem mover com velocidades e acelera¸c˜oes distintas. Da´ı que a aplica¸c˜ao das leis de movimento implique a considera¸c˜ ao das for¸cas internas, entre diferentes partes ou por¸c˜oes do fluido. N˜ao ´e suficiente, como no caso dos s´ olidos (r´ıgidos), considerar as for¸cas externas. Veremos que o conceito de press˜ao ´e
˜ 4.1. PRESSAO
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fundamental neste contexto, porque as for¸cas internas s˜ ao exercidas atrav´es das superf´ıcies que separam as diferentes partes do fluido. A quest˜ ao central deste cap´ıtulo ´e ent˜ao: Como podemos compreender os movimentos de fluidos (l´ıquidos e gases) de acordo com as leis de Newton? A estrat´egia ser´ a: Teremos que aprender a considerar as for¸cas internas que podem existir entre as diferentes partes de uma massa de l´ıquido ou g´ as, em particular as for¸cas de press˜ao, e aplicar as leis de Newton a cada uma dessas partes.
4.1.1
Factos importantes sobre a press˜ ao
Dois factos importantes sobre a press˜ao em fluidos em equil´ıbrio s˜ ao f´aceis de verificar: 1. A for¸ca de press˜ao sobre uma superf´ıcie ´e perpendicular `a mesma. 2. A press˜ao num fluido aumenta com a profundidade `a superf´ıcie da Terra. Se observarmos uma mangueira furada notamos que os jactos de ´agua emergem dos furos na direc¸c˜ao perpendicular `a superf´ıcie da mangueira, n˜ ao na direc¸c˜ ao de escoamento da ´agua (ver tamb´em a Caixa 4.1). Isso acontece devido ao primeiro facto referido. A ´agua empurra a superf´ıcie da mangueira na direc¸c˜ao perpendicular `a mesma. Quando removemos uma parte da parede da mangueira (um furo) a ´ agua ´e ejectada nessa mesma direc¸c˜ao. O segundo facto explica por que raz˜ ao, quando mergulhamos, s´ o podemos respirar por um tubo pr´ oximo da superf´ıcie da ´agua. Mais `a frente veremos que a dez metros de profundidade a press˜ao ambiente j´a ´e o dobro da press˜ao atmosf´erica, a press˜ao `a superf´ıcie da ´agua. Para conseguir inspirar ter´ıamos que reduzir a press˜ao nos pulm˜oes para menos que a press˜ao atmosf´erica, que ´e a press˜ao na outra extremidade do tubo; de outro modo o ar da superf´ıcie n˜ ao entra no tubo. A nossa musculatura n˜ ao consegue criar uma diferen¸ca de press˜ao t˜ ao grande entre o interior dos pulm˜oes e o exterior da caixa tor´ acica.
⊲ Actividade 4.1.
Figura 4.3: Abaixo de uma certa profundidade n˜ ao ´e poss´ıvel respirar por um tubo.
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CAP´ITULO 4. FLUIDOS
Uma experiˆ encia para casa. Para esta demonstra¸ca˜o n˜ ao ´e necess´ario mais do que uma garrafa de pl´astico e um alfinete ou pion´es. Com a garrafa cheia de ´agua e tapada, fazem-se v´arios furos, com o pion´es, em diferentes pontos da superf´ıcie da garrafa. Como a superf´ıcie n˜ ao ´e lisa, ´e poss´ıvel fazer os furos em pontos da superf´ıcie com orienta¸co˜es vari´aveis. Espremendo a garrafa verifica-se que os jactos saem de cada furo na direc¸ca˜o perpendicular `a superf´ıcie no ponto onde foi feito o furo.
Os jactos num garrafa furada emergem perpendicularmente ` a superf´ıcie no local de cada furo.
Caixa 4.1: Uma experiˆencia para fazer na cozinha, em casa.
´ 4.2. LEI FUNDAMENTAL DA HIDROSTATICA
4.2
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Lei fundamental da Hidrost´ atica
⊲ Actividade 4.2
Os dois factos acima referidos s˜ ao consequˆencias das Leis de Newton e de algumas propriedades elementares de fluidos. Comecemos por tentar compreender o equil´ıbrio de uma coluna de ´agua. Na superf´ıcie livre da ´ agua ´e exercida pelo ar uma for¸ca de sentido vertical descendente de m´ odulo F = P0 A,
A
em que P0 ´e a press˜ao atmosf´erica. Esta for¸ca n˜ ao ´e pequena. Em 1663 Otto von Guericke, mostrou que as for¸cas de press˜ao atmosf´erica sobre uma semi-esfera de 51 cm de diˆ ametro eram superiores `a for¸ca combinada de oito cavalos (Caixa 4.2da p´ agina 10).
h
ET V 2 : A press˜ao atmosf´erica ´e cerca de 105 Pa. Qual ´e o m´ odulo da for¸ca que o ar exerce sobre a superf´ıcie da ´agua numa piscina de 25 m (25 × 16 m2 )?
Se o recipiente da figura 4.4 tiver uma sec¸c˜ao circular de raio 5 cm, a for¸ca total sobre a superf´ıcie ´e de 785 N. A por¸c˜ao de l´ıquido de altura h na figura 4.4 est´ a a ser empurrada para baixo por uma for¸ca de 785 N. Por que n˜ ao cai? N˜ao basta dizer que h´ a l´ıquido por baixo! Recordemos Newton: os estados de movimento (repouso, uniforme, acelerado) s˜ ao determinados por for¸cas. Com esta por¸c˜ao de l´ıquido est´ a em equil´ıbrio (sem acelera¸c˜ ao) a resultante das for¸cas que actuam nela ´e nula. O l´ıquido que est´ a por baixo ter´ a que exercer for¸cas de press˜ao, atrav´es da superf´ıcie a tracejado, que anulem esta for¸ca de 785 N. . . ,mais o peso da coluna de l´ıquido que est´ a por cima!
Figura 4.4: A parte inferior da coluna de l´ıquido tem que exercer for¸cas sobre a parte superior que cancelem as for¸cas de press˜ ao atmosf´erica e o peso da mesma.
Se P (h) for a press˜ao ` a profundidade h, a condi¸c˜ao de equil´ıbrio ser´ a P (h) × A = P0 × A + mg. A massa de l´ıquido at´e ` a profundidade h ´e m = ρ × V = ρ × A × h, em que ρ ´e a massa vol´ umica da ´agua. Logo P (h) = P0 + ρgh.
⊲ Lei fundamental da hidrost´atica (4.1)
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CAP´ITULO 4. FLUIDOS
As esferas de Magdeburgo Uma das demonstra¸co˜es de F´ısica mais vistosas do s´eculo XVII foi levada a cabo em Magdeburgo, em 1663, por Otto von Guericke, um inventor, cientista e pol´ıtico alem˜ ao. Na altura era Burgomestre de Magdeburgo. Von Guericke inventou a bomba de vazio de pist˜ao. Na referida demonstra¸ca˜o juntou dois hemisf´erios de cobre, de 51 cm de diˆametro, selou-os com um vedante de borracha e extraiu o ar do seu interior. Depois, atrelou duas equipas de 8 cavalos a cada hemisf´erio, as quais n˜ ao foram capazes de os separar, at´e von Guericke deixar entrar de novo o ar no interior da esfera. Esta demonstra¸ca˜o foi feita na presen¸ca do Rei Frederico Guilherme I de Brandenburgo. Com esta experiˆencia von Guericke pˆ os em evidˆencia a existˆencia de for¸cas de press˜ ao na atmosfera e ajudou ultrapassar o conceito medieval de “horror da natureza ao v´acuo”, substituindo-a pela ideia que s˜ao as for¸cas de press˜ ao que empurram o ar para um recipiente evacuado.
Caixa 4.2: As esferas de Magdeburgo.
´ 4.2. LEI FUNDAMENTAL DA HIDROSTATICA
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` profundidade h a press˜ao aumentou de ρgh, que ´e precisamente A o peso de uma coluna de l´ıquido de altura h base de ´area unit´ aria. Este resultado tem o nome, algo pomposo, de lei fundamental da hidrost´ atica. Repare-se, contudo que: aplica-se apenas a fluidos em equil´ıbrio, na presen¸ca de um campo grav´ıtico. Sem gravidade n˜ ao h´ a varia¸c˜ao de press˜ao. baseia-se na suposi¸c˜ ao que a massa vol´ umica do fluido ´e constante e n˜ ao varia, por exemplo, com a press˜ao.
Esta segunda hip´ otese ´e verificada em muitas situa¸c˜oes com l´ıquidos. Nessas situa¸c˜ oes os l´ıquidos dizem-se incompress´ıveis. No caso dos gases, por outro lado, uma duplica¸c˜ao de press˜ao, a temperatura constante, reduz o volume a metade e duplica a massa vol´ umica. Em consequˆencia, a varia¸c˜ao de press˜ao atmosf´erica com a altitude deixa de ser bem descrita pela equa¸c˜ao 4.1 para valores de h superiores a alguns quil´ometros. Este exemplo introduziu (subtilmente) um conceito fundamental na compreens˜ ao da f´ısica de fluidos: as for¸cas de press˜ao n˜ ao existem apenas nas paredes dos recipientes que contˆem fluidos; existem tamb´em no interior dos fluidos. Se imaginarmos uma superf´ıcie a separar duas partes do fluido existem for¸cas de press˜ao exercidas por cada uma da partes na outra atrav´es dessa superf´ıcie.
P P0
h
Figura 4.5: A press˜ ao P ´e P0 + ρgh. Porquˆe?
ET V 3 : A massa vol´ umica da ´agua do mar ´e cerca de 1 × 3 3 10 kg m . A que profundidade ´e que a press˜ao ´e o dobro da press˜ao atmosf´erica? ET V 4 : O man´ometro ´e um dispositivo muito simples de medi¸ca˜o de diferen¸cas de press˜ ao baseado na varia¸ca˜o de press˜ ao com a altura de uma coluna de l´ıquido (fig. 4.5). Consiste simplesmente num tubo em forma de U,aberto, transparente, com um l´ıquido de massa vol´ umica, conhecida, ρ. Se a press˜ ao num dos bra¸cos for superior `a press˜ ao atmosf´erica, o l´ıquido sobe no bra¸co oposto. A press˜ ao medida ´e a press˜ ao atmosf´erica acrescida de ρgh em que h e a diferen¸ca de altura do l´ıquido dos dois bra¸cos do man´ ometro. Explicar porquˆe.
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4.2.1
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
Direc¸c˜ ao das For¸cas de Press˜ ao.
O exemplo anterior mostrou que no interior de um l´ıquido devem existir for¸cas de press˜ao com a direc¸c˜ao do campo grav´ıtico, em superf´ıcies perpendiculares ao mesmo. Ser´ a poss´ıvel ter um l´ıquido em equil´ıbrio com for¸cas apenas nessa direc¸c˜ao? Num dos primeiros factos que referimos acima, vimos que as for¸cas de press˜ao se exercem perpendicularmente a qualquer superf´ıcie do recipiente que contenha o fluido. ´ poss´ıvel mostrar a partir das leis de Newton, que as for¸cas de E press˜ao que uma parte de um fluido em equil´ıbrio exerce sobre outra parte s˜ ao sempre perpendiculares `a superf´ıcie que as separa e tˆem m´ odulo independente da orienta¸ c˜ ao da superf´ıcie. ^ n A
Assim se imaginarmos uma superf´ıcie de ´area A perpendicular ˆ a separar duas partes de um fluido, as for¸cas de a um versor n press˜ao de uma parte sobre a outra ter˜ ao a express˜ ao ~ = P ×A×n ˆ F
Figura 4.6: As for¸cas de press˜ ao s˜ao perpendiculares `a superf´ıcie atrav´es da qual se exercem.
em que P ´e a press˜ao e n˜ ao depende da orienta¸c˜ao da superf´ıcie ˆ ). (do versor n Como vemos as for¸cas de press˜ao, F~ , s˜ ao vectores com direc¸c˜ao sentido e m´ odulo como qualquer for¸ca. Mas a press˜ao num l´ıquido em equil´ıbrio, P , ´e uma grandeza que, como a massa vol´ umica, n˜ ao est´ a associada a nenhuma direc¸c˜ao particular, embora possa variar de ponto para ponto: ´ e um escalar.
4.2.2
Paradoxo de Hidrost´ atica
Nesta sec¸c˜ ao vamos considerar um “paradoxo” cl´assico da est´ atica de fluidos. O que ´e um paradoxo? Embora alguns dicion´ arios o definam como “opini˜ ao contr´ aria ao senso comum” a defini¸c˜ao mais aceite ´e que o paradoxo ´e uma ideia, conceito ou argumento que cont´em elementos de contradi¸c˜ao. Um verdadeiro paradoxo em F´ısica ´e uma coisa muito s´eria. Se a correcta aplica¸c˜ao das leis da f´ısica `a an´ alise de uma situa¸c˜ao conduzir a respostas contradit´ orias, essas leis s˜ ao inconsistentes: a Natureza n˜ ao ´e caprichosa e responde com um comportamento bem definido em cada situa¸c˜ao que lhe colocamos.
´ 4.2. LEI FUNDAMENTAL DA HIDROSTATICA
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A press˜ ao ´ e um escalar Ser´ a poss´ıvel que num l´ıquido existam apenas for¸cas de press˜ ao com uma dada direc¸ca˜o? Se o cubo do painel (a) da figura for s´olido, n˜ ao h´ a qualquer problema em tˆe-lo em equil´ıbrio com for¸cas opostas na face superior e inferior apenas. Mas imaginemos que o cubo est´ a cortado em dois pela superf´ıcie sombreada em (b). As duas metades do cubo deslizar˜ao uma sobre a outra, sob a ac¸ca˜o das for¸cas externas representadas, (c). Podemos compreender porquˆe atentando no painel (d) em que representamos as for¸cas sobre a metade de cima. Sem atrito, a for¸ca de reac¸ca˜o da parte de baixo ´e normal `a superf´ıcie e n˜ ao pode equilibrar a for¸ca na face superior. Se existissem for¸cas compressivas perpendiculares `as faces laterais iguais em m´odulo ` as for¸cas nas faces superior e inferior o cubo ficaria em equil´ıbrio, mesmo cortado. As diferentes camadas de um fluido podem sempre deslizar umas sobre as outras. Podemos imaginar o fluido “cortado” segundo qualquer direc¸ca˜o. Por isso, para um cubo fluido, o equil´ıbrio s´o ´e poss´ıvel se houver for¸cas de igual m´odulo em todas as faces. Um argumento semelhante permite provar que, num fluido em equil´ıbrio, o m´odulo das for¸cas de press˜ ao n˜ ao depende da orienta¸ca˜o da superf´ıcie em que se exercem.
Caixa 4.3: O m´ odulo das for¸cas de press˜ao n˜ ao depende da orienta¸c˜ao da superf´ıcie onde se exercem.
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
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Figura 4.7: Paradoxo hidrost´atico: os dois recipientes tem a mesma ´area na base. Em qual deles ´e maior a press˜ ao no fundo do recipiente?
Contudo, um racioc´ınio incorrecto sobre uma dada situa¸ca˜o f´ısica, pode originar conclus˜oes contradit´ orias. Se o erro for subtil, dif´ıcil de detectar, estamos perante um paradoxo. Que melhor maneira de melhorarmos a nossa compreens˜ao de uma lei f´ısica, que a an´ alise de um paradoxo? A situa¸c˜ ao a analisar refere-se `a figura 4.7 e a pergunta ´e muito simples: Os dois recipientes da figura 4.7 tˆ em a mesma ´ area de base. Em qual deles ´ e maior a press˜ ao na base? Ou¸camos um pequeno di´ alogo entre os nossos dois amigos P e o seu tio Alberto, sobre esta quest˜ao. Tio Alberto, de novo. (P e o seu Tio Alberto est˜ ao frente a uma mesa com dois recipientes semelhantes aos da figura 4.7. O tio pergunta em qual dos recipientes ´e maior a press˜ ao na base.) ´o P: E ´bvio que a press˜ ao ´e maior no recipiente da direita! TA: Porquˆe? P: Porque o peso do liqu´ıdo que a base suporta ´e maior. Se o peso ´e maior e a a ´rea da base a mesma, ´e o ´bvio que a press˜ ao (peso a dividir por a ´rea) ´e maior! TA: E ent˜ ao o princ´ıpio fundamental da hidrost´ atica?
´ 4.2. LEI FUNDAMENTAL DA HIDROSTATICA
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P: Ent˜ ao, o quˆe? TA: Repara na coluna estreita de l´ıquido do recipiente da esquerda. Com certeza te lembras do teu manual de f´ısica que a press˜ ao aumenta de ρgh quando descemos da superf´ıcie de uma distˆ ancia h. P: Concordo. Isso ´e necess´ ario para suportar o peso da coluna de l´ıquido acima. TA: Mas ent˜ ao quando chegamos a ` base a press˜ ao atmosf´erica ´e P0 + ρgl em l ´e a altura de l´ıquido no recipiente. Mas essa ´e exactamente a press˜ ao no recipiente da direita! P: Ah, apanhei-te! Est´ as a esquecer um aspecto importante. Essa coluna tem uma base muito pequena. Por isso a press˜ ao s´ o tem esse valor na a ´rea da base correspondente a ` sec¸ca ˜o da coluna central do recipiente. No resto da base a press˜ ao ´e apenas a necess´ aria para suportar o peso de colunas de l´ıquido muito menos altas que l. Ora a´ı est´ a! TA: Humm, isso n˜ ao funciona!
Pressão maior?
Figura 4.8: Ser´ a que a press˜ ao ´e maior na base da coluna mais alta?
P: N˜ ao funciona porquˆe? TA: Estamos dizer que a press˜ ao, na base, ´e maior no centro que na periferia, certo? P: Certo. TA: Ora, as for¸cas de press˜ ao tem o mesmo valor qualquer que seja a orienta¸ca ˜o da superf´ıcie em que se exercem. Considera ent˜ ao uma part´ıcula de fluido, pr´ oxima da base, limitada por dois planos verticais. Eu mostro em esquema. Se a press˜ ao ´e maior no eixo do recipiente do que na borda, a por¸ca ˜o de fluido que sombreei, limitada pelo tracejado, fica sujeita a uma for¸ca com resultante para o exterior e n˜ ao poderia estar em equil´ıbrio. Isto mostra que a ` mesma altura a press˜ ao n˜ ao pode variar. P: Quer dizer ent˜ ao que a press˜ ao em toda a base tem que ser P0 + ρgl? TA: Precisamente! P: Isso n˜ ao pode ser! Ora vˆe: se a press˜ ao em baixo ´e P0 + ρgl, a for¸ca sobre a base do recipiente ´e (P0 + ρgl) × A = P0 A + ρglA
1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1
111111111111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000000000000 000000000000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111111111111
Figura 4.9: A por¸ca˜o de fluido sombreada n˜ ao pode estar em equil´ıbrio se a press˜ ao no centro for maior que na borda.
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
16
em A ´e a a ´rea da base. Pelo princ´ıpio da ac¸ca ˜o e reac¸ca ˜o este ´e o valor da for¸ca exercida pela base no l´ıquido. Se eu subtrair a for¸ca na superf´ıcie exposta ao ar, P0 A′ , obtenho o m´ odulo da resultante de for¸cas de press˜ao sobre o l´ıquido: P0 (A − A′ ) + ρglA. S´ o o segundo termo ´e igual ao peso de todo o l´ıquido do recipiente maior . Mesmo que A′ = A, e nota que A′ ≪ A, esta for¸ca seria, em m´ odulo, muito maior que o peso do l´ıquido no recipiente mais estreito! ´ verdade, mas isso tem uma explica¸ca TA: E ˜o. Est´ as a esquecer uma coisa muito importante. . .
ET V 5 : O que ´e que P est´ a a esquecer? Ser´ a que as for¸cas de press˜ao no fundo do recipiente mais estreito ultrapassam largamente o que ´e necess´ario para suportar o peso do l´ıquido? Como ´e isso poss´ıvel?
4.3
Princ´ıpio de Pascal
O argumento do Tio Alberto usou o facto de que, sempre que a press˜ao varia no interior de um l´ıquido, as for¸cas de press˜ao sobre elementos do l´ıquido tˆem resultante n˜ ao nula na direc¸c˜ao da varia¸c˜ ao (fig. 4.10). Na direc¸c˜ ao vertical, a press˜ao varia: a resultante das for¸cas de press˜ao sobre uma part´ıcula de l´ıquido anula o seu peso. Mas a press˜ao n˜ ao pode variar na direc¸c˜ao horizontal, se o l´ıquido estiver em equil´ıbrio. Ou seja, entre dois pontos, A e B de um l´ıquido de massa vol´ umica constante a diferen¸ca de press˜ao ´e sempre PA − PB = −ρg (hA − hB ) em que hA e hB s˜ ao as altitudes dos dois pontos no campo grav´ıtico (o sinal menos ´e preciso porque quanto mais alto estiver um ponto menor ´e a press˜ao)1 . 1
Atr´ as us´ amos h para designar profundidade. Se y for uma coordenada vertical de semi-eixo positivo ascendente, temos P (y) = P (0) − ρgy.
4.3. PRINC´IPIO DE PASCAL
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Pressão aumenta
R
Figura 4.10: Se a press˜ ao aumentar no sentido da seta, a resultante das ~ n˜ for¸cas de press˜ ao no elemento sombreado, R, ao ´e nula e tem sentido oposto ao do aumento de press˜ ao.
O Princ´ıpio de Pascal, formulado por Blaise Pascal, matem´ atico, f´ısico, fil´ osofo e te´ ologo francˆes do s´eculo XVII, ´e uma consequˆencia deste resultado: O aumento de press˜ ao num ponto de um l´ıquido em repouso transmite-se uniformemente, sem diminui¸ c˜ ao, a todos os pontos do l´ıquido. Com efeito se a diferen¸ca de press˜oes entre dois quaisquer pontos ´e fixa, aumentar a press˜ao num ponto do l´ıquido aumenta igualmente em todos os outros. Este princ´ıpio tem consequˆencias divertidas. Entre as quais a possibilidade de levantar um carro com o dedo mindinho!
4.3.1
M´ aquinas hidr´ aulicas.
Quando conduzimos um autom´ ovel e carregamos no pedal do trav˜ao, esperamos que essa for¸ca seja transmitida aos cal¸cos dos trav˜oes de modo a que estes sejam comprimidos contra os discos das rodas e, por atrito, as fa¸cam parar de rodar. Mas essa for¸ca n˜ ao ´e transmitida por cabos ou alavancas: ´e transmitida por um tubo cheio de fluido, o ´ oleo dos trav˜oes. O princ´ıpio de Pascal torna muito f´acil a transmiss˜ ao de for¸cas: pressionamos numa extremidade de um tubo com l´ıquido, e, na outra extremidade, a press˜ao aumenta exactamente do mesmo valor. Melhor ainda, podemos com relativa facilidade amplificar a for¸ca exercida.
⊲ Princ´ıpio de Pascal
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
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E
S
A A’
Figura 4.11: Princ´ıpio de amplifica¸ca˜o hidr´aulica. Se empurramos com uma for¸ca de m´odulo F em E, a for¸ca exercida em S vale F × A′ /A.
Se exercermos um for¸ca de m´ odulo 100 N (aproximadamente o peso de 10 kg) sobre um ˆembolo de um tubo de sec¸c˜ao de 10 cm2 (10−3 m2 ) preenchido com fluido, a press˜ao aumenta de um valor igual ` a press˜ao atmosf´erica, ∆P = 105 Pa. Na outra extremidade a press˜ao aumenta do mesmo valor. Se a sec¸c˜ao do tubo for de 1 m2 a for¸ca correspondente ser´ a F ′ = ∆P × 1 = 105 N (o peso de 10 toneladas!). Este ´e o princ´ıpio de funcionamento de in´ umeras m´ aquinas hidr´aulicas, desde gruas, escavadoras, prensas, trav˜oes de autom´ ovel, controlo de flaps em avi˜oes etc. F P
Figura 4.12: O m´odulo da for¸ca F~ ´e metade do peso. Mas para elevar a carga de h, o ponto de aplica¸ca˜o de F~ desloca-se de 2h.
A amplifica¸c˜ ao de for¸cas n˜ ao ´e novidade. J´ a vimos no 10º ano que uma roldana m´ ovel permitia reduzir de um factor de dois a for¸ca necess´aria para elevar um carga. Mas havia um pre¸co a pagar: se o ponto de aplica¸c˜ao da for¸ca se deslocasse de um metro, a carga elevava-se apenas de meio metro. Ou seja, o trabalho requerido para elevar a carga n˜ ao era alterado! Tamb´em no caso das m´ aquinas hidr´aulicas n˜ ao h´ a almo¸cos gr´ atis. Podemos ver isso na figura 4.11: se o ponto de aplica¸c˜ao da for¸ca em E se deslocar de d, deslocamos um volume de fluido de d × A. Para que o volume do fluido se mantenha (estamos a supˆo-lo incompress´ıvel), o ˆembolo maior desloca-se uma distˆ ancia d′ , tal que d′ A′ = dA. Isto ´e, d′ =
A × d. A′
Ent˜ ao, ′
′
F ×d =
A′ F× A
A × d× ′ A
= F × d.
N˜ao h´ a amplifica¸c˜ao do trabalho realizado: a energia que transferimos para o ˆembolo em E ´e a que obtemos em S.
˜ 4.4. FORCAS ¸ DE IMPULSAO
4.4
19
For¸ cas de impuls˜ ao
4.4.1
Um quebra-cabe¸cas
Um barco flutua numa piscina com uma pedra dentro. Se a pedra for atirada ` a ´ agua e se afundar, o n´ıvel da ´ agua sobe, desce ou fica na mesma? N˜ao ´e dif´ıcil emitir opini˜ oes sobre esta quest˜ao. Contudo, a resposta exige compreens˜ ao do problema da flutua¸c˜ao em l´ıquidos, o assunto desta sec¸c˜ ao. ´ evidente que, se uma rolha flutua na ´agua, deve existir sobre a E mesma uma for¸ca de sentido vertical ascendente que cancele o seu peso: a for¸ca de impuls˜ao. A existˆencia de uma for¸ca de impuls˜ao, de sentido oposto ao peso, em qualquer corpo imerso num l´ıquido j´a era conhecida do f´ısico grego Arquimedes, que segundo a lenda, ter´ a feito esta descoberta no banho ao reparar na sua aparente falta de peso. Arquimedes descobriu mesmo a forma quantitativa da for¸ca de impuls˜ao, conhecida por Princ´ıpio de Arquimedes: A for¸ ca de impuls˜ ao sobre um corpo imerso, parcial ou totalmente, num l´ıquido ´ e igual ao peso do volume de l´ıquido deslocado pelo corpo. Para um corpo totalmente imerso, a for¸ca de impuls˜ao ´e o peso de um volume de ´ agua igual ao volume total do corpo: I = ρagua × V × g O peso do corpo, por outro lado, ´e p = ρcorpo × V × g Para corpos mais densos que a ´ agua (mais denso = maior massa vol´ umica), p > I: o corpo afunda-se. Por outro lado, para corpos menos densos, p < I se o corpo estiver totalmente imerso. O corpo sobe at´e a superf´ıcie e o seu volume imerso diminui. A impuls˜ao passa a ser dada por I = ρagua × Vimerso × g O peso continua a ser determinado pelo volume total do corpo. O volume imerso diminui at´e que o peso e a impuls˜ao sejam iguais.
1111111 0000000 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 (a) 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 11111111111111111111 00000000000000000000 0000000 1111111 0000000 1111111 111111 000000 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 (b) 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111111111111111111111111 000000000000000000000
Figura 4.13: Se a pedra for atirada `a ´agua, o n´ıvel de ´agua da piscina sobe ou desce?
⊲ Princ´ıpio quimedes
de
Ar-
20
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
Princ´ıpio de Arquimedes em casa Na Actividade 4.2 prop˜ oe-se uma verifica¸ca˜o cuidada e precisa do Princ´ıpio de Arquimedes. Com um garrafa de pl´astico transparente ´e poss´ıvel uma demonstra¸ca˜o muito r´apida deste princ´ıpio, sem qualquer medi¸ca˜o. Um garrafa vazia tem um peso muito menor do que se estiver cheia de ´ agua e flutua quase `a superf´ıcie. Se colocarmos alguma areia ou granalha na garrafa o volume imerso aumenta. O volume imerso s´o deve depender do peso da substˆ ancia que colocamos dentro da garrafa, n˜ ao da sua natureza. E se colocarmos ´agua? O que diz o Princ´ıpio de Arquimedes? Que rela¸ca˜o deve haver entre o volume imerso e o volume de ´agua dentro da garrafa (se pudermos desprezar o peso da garrafa vazia)?
Se o peso da garrafa puder ser desprezado, qual ´ e a rela¸ca ˜o entre os n´ıveis de a ´gua dentro e fora da garrafa?
Caixa 4.4: Demonstra¸c˜ao simples do Princ´ıpio de Arquimedes.
˜ 4.4. FORCAS ¸ DE IMPULSAO
111111111111111 000000000000000 000000000000000 111111111111111 000000000000000 111111111111111 000000000000000 111111111111111 000000000000000 111111111111111 000000000000000 111111111111111 000000000000000 111111111111111 000000000000000 111111111111111
21
Volume imerso
Figura 4.14: Um corpo feito de um material mais denso que a ´agua pode flutuar se a sua forma permitir um volume imerso superior ao volume efectivamente ocupado pelo material denso.
Contudo, barcos feitos de ferro e a¸co, materiais mais densos que a ´agua, flutuam. Como? A sua forma permite que o volume de l´ıquido deslocado seja muito superior ao volume efectivamente ocupado pelos materiais mais densos: a maior parte do volume de l´ıquido que um barco desloca ´e ocupado por ar, n˜ ao por a¸co e ferro. Em qualquer caso, a condi¸c˜ao de equil´ıbrio na flutua¸c˜ao ´e sempre: peso do corpo = ρagua × Vimerso × g.
ET V 6 : Que for¸ca precisa de exercer uma grua para elevar um cubo de cimento de 0,5 m de lado do fundo de um rio? (ρagua = 103 kg m−3 ; ρcim = 2,4 × 103 kg m−3 ).
4.4.2
For¸cas de press˜ ao e princ´ıpio de Arquimedes
` primeira vista poderia pensar-se que temos que adicionar a`s A for¸cas de press˜ao exercidas na superf´ıcie de um s´ olido imerso num l´ıquido a for¸ca de impuls˜ao. Na realidade, a for¸ca de impuls˜ao ´ e a resultante das for¸ cas de press˜ ao na presen¸ ca de um campo grav´ıtico. A press˜ao aumenta com a profundidade do l´ıquido, como vimos atr´ as. Logo, na base de um corpo imerso a press˜ao ´e maior que no seu topo. A resultante ter´ a o sentido de baixo para cima: a for¸ca de impuls˜ao. Vejamos o que acontece no caso de um corpo com a forma de prisma de altura h e ´ area de base A. Se for P a press˜ao do l´ıquido
P
h
^j
P+ ρ gh
Figura 4.15: A resultante das for¸cas de press˜ ao ´e a for¸ca de impuls˜ao.
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
22
na sua face superior, a resultante das for¸cas de press˜ao nessa face ´e F~1 = − (P × A)ˆ. Na face inferior a press˜ao ´e P + ρgh, em que ρ ´e a massa vol´ umica do l´ıquido. A resultante das for¸cas de press˜ao na base ´e ~2 = (P + ρgh)Aˆ. F As for¸cas sobre as faces laterais n˜ ao tˆem componente segundo a direc¸c˜ ao vertical e, mais a mais, cancelam-se em faces opostas. A resultante das for¸cas de press˜ao ´e I~ = ρghAˆ. Como Ah ´e o volume do prisma, ρghA ´e o peso de um volume de l´ıquido igual ao volume do prisma e I~ ´e a for¸ca de impuls˜ao. Figura 4.16: Um corpo com forma t˜ ao irregular como uma batata pode imaginar-se cortado em fatias prism´aticas para calcular a for¸ca de impuls˜ao total.
Um corpo de forma irregular pode imaginar-se dividido em pequenos prismas a cada uma dos quais podemos aplicar o mesmo argumento. A soma das for¸cas de impuls˜ao ser´ a: I~ = ρg (h1 A1 + h2 A2 . . . )ˆ = ρgV ˆ em que V = h1 A1 + h2 A2 . . . , a soma dos volumes dos prismas ´e o volume do corpo. Re-obtemos assim o princ´ıpio de Arquimedes.
ET V 7 : Podemos imaginar no l´ıquido um prisma feito do pr´ oprio l´ıquido. Quanto vale a for¸ca de impuls˜ao nesse prisma? Como se compara com o seu peso?
4.4.3
Resposta ao quebra-cabe¸cas
Voltemos agora ao quebra-cabe¸cas da p´ agina 4.4.1, com que inici´ amos a discuss˜ao sobre impuls˜ao. Qual ´e a resposta? O n´ıvel da ´agua desce! Podemos chegar a esta conclus˜ao da seguinte maneira.
1111111 0000000 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 (a) 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 0000000 1111111 1111111111111 0000000000000 0000000 1111111
4.5. NO VAZIO EXPLODIMOS?
23
V1
111111 000000 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000(b) 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 111111 000000 11111111111111111111 00000000000000 Vb
Qual ´e o volume imerso, V1 , quando a pedra est´ a dentro do barco? O princ´ıpio de Arquimedes afirma que ´ e o volume de ´ agua cujo peso ´ e igual ao peso do barco mais o peso da pedra. V1 = volume de ´ agua de peso igual ao do barco + volume de ´ agua de peso igual ao da pedra.
Vp
17: Se o volume pelo barco com a for superior ao cupado pelo , mais o volume Vp , o n´ıvel da e.
Qual ´e o volume imerso, V2 , quando a pedra est´ a fora do barco? O barco continua a flutuar e, por isso, desloca um volume de ´agua cujo o peso ´e o peso do barco. A este volume temos que somar o volume da pedra no fundo da piscina. V2 = volume de ´ agua de peso igual ao do barco + volume da pedra Ou seja, a diferen¸ca de volumes imersos nas duas situa¸c˜oes, V1 −V2 , ´e: V1 − V2 = volume de ´ agua com peso igual ao da pedra − volume da pedra Ora, a pedra ´e mais densa que a ´agua, o que significa que volume de ´ agua com peso igual ao da pedra > volume da pedra e V1 > V2 . Como o volume imerso (abaixo da superf´ıcie da ´agua) ´e menor quando a pedra est´ a no fundo, o n´ıvel da ´agua desce (para ocupar o volume libertado).
4.5
No vazio explodimos?
Qual ´e a ´ area do corpo humano? Se substitu´ırmos um homem por um cilindro de per´ımetro cerca de 1 m e altura 1,75 m. Isto d´ a uma ´area de 1,75 m2 . Provavelmente ser´ a um pouco maior porque os bra¸cos e as pernas n˜ ao est˜ ao colados ao corpo. Para o efeito tanto faz. Ser˜ ao dois a trˆes metros quadrados.2 Multiplicando esta ´area pela press˜ao atmosf´erica 2
Este tipo de c´ alculo, muito aproximado, chama-se estimativa. O objectivo ´e obter uma ideia da ordem de grandeza, n˜ ao um valor muito preciso. Uma costureira usa, em geral, tecidos de 1,5 m de largura e gasta um comprimento igual ` a altura do vestido mais a altura de manga. Para um modelo de 1,75 cm isto d´ a uma ´ area de tecido de cerca de (1,75 + 0,5) × 1,5 ≈ 3,4 m2 .
24
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000 000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111 Figura 4.18: A garrafa n˜ ao fica espalmada pela press˜ ao do ar no exterior, porque a press˜ ao no interior ´e igual `a exterior. Mas a parede da garrafa ´e comprimida nas duas faces (interna e externa) por for¸cas da ordem de 10 N cm−2 .
obtemos uma for¸ca total de 2 ∼ 3 × 105 N. Um humano de 70 kg pesa apenas cerca de 700 N (mg, g ≈ 10 m s−2 ). A raz˜ ao porque n˜ ao somos esmagados por esta for¸ca tremenda ´e que nascemos para viver nesta atmosfera. O ar nos nossos pulm˜oes est´ a quase ` a mesma press˜ao, assim como muito dos fluidos que formam nosso corpo. A press˜ao exterior da atmosfera e a press˜ao interior dos fluidos do nosso corpo quase se cancelam: n˜ ao sentimos a press˜ao atmosf´erica como uma for¸ca opressiva que nos tenta esmagar. A seguinte analogia pode ser u ´ til para compreender melhor estes factos. Em vez do corpo humano, pensemos numa garrafa de pl´ astico de ´ agua ou de refrigerante. A ´agua ou o ar no seu interior e o ar no exterior est˜ ao `a mesma press˜ao. Por isso a garrafa n˜ ao fica espalmada. Mas o pl´ astico da parede da garrafa est´ a, efectivamente, comprimido por uma for¸ca dirigida para dentro na sua ´ face exterior e uma for¸ca dirigida para fora na face interior. E 5 −2 −2 uma for¸ca de 10 N m ou seja 10 N cm . Dez Newton ´e o peso de uma massa de 1 kg. Quando a parede de pl´ astico foi feita j´a estava debaixo desta compress˜ao. Seja como for, n˜ ao ´e uma press˜ao excessiva. Uma massa de 1 kg, pousada em cima de um rectˆ angulo de pl´ astico de um cent´ımetro de lado n˜ ao o esmaga significativamente. Tudo bem, n˜ ao somos esmagados pela press˜ao atmosf´erica porque
4.6. REPOSTAS AOS ET VS
25
as press˜oes internas e externas est˜ ao equilibradas. E se formos de repente colocados no vazio? Explodimos? No filme 2001 Odisseia no Espa¸co o astronauta Dave Bowman d´ a um curto passeio no espa¸co sem capacete, sem graves consequˆencias. Tolice do autor do argumento, Arthur C. Clark? De facto, n˜ ao explodimos. Clark tinha raz˜ ao! O perigo maior reside em tentar reter o ar nos pulm˜oes. Nessa altura o ar dos pulm˜oes expande-se rapidamente, com destrui¸c˜ao ´ o que acontece `a garrafa se dos tecidos e a morte ´e imediata. E contiver ar e estiver fechada. A press˜ao interior f´a-la “explodir”, porque deixam de estar compensadas pela press˜ao exterior. No entanto, se a garrafa estiver aberta, o ar ´e removido do interior pela abertura. Se estiver cheia de ´ agua, tamb´em n˜ ao “explode” porque o volume ocupado pela ´ agua, mesmo a press˜ao nula, n˜ ao ´e muito maior do que ` a press˜ao atmosf´erica: a ´agua ´e quase incompress´ıvel. No caso do corpo, se as vias respirat´orias estiverem desobstru´ıdas, de modo a que os pulm˜oes se possam esvaziar, n˜ ao se espera qualquer explos˜ ao. A NASA estima que ´e poss´ıvel estar no v´acuo at´e cerca de meio minuto sem danos de sa´ ude permanentes. Por isso, as imagens dos filmes em que o astronauta explode dentro do fato despressurizado s˜ ao fantasia e m´ a ciˆencia3 .
4.6
Repostas aos ET Vs
4.1. ET V 1 : (a) F = 40 × g = 392 N. (b) F
= =
P × 300 × 10−4 = 40g/(2200 × 10−4 ) × 3 × 10−2 53 N.
4.2. ET V 2 : F = 105 × (25 × 16) = 4 × 107 N.
4.3. ET V 3 : para que o aumento de press˜ao seja igual `a press˜ao atmosf´erica, ρgh = P0 = 105 Pa. 3
Num acidente, num centro de treinos da NASA em 1965, um homem foi exposto a um quase v´ acuo. Esteve consciente durante 14 segundos e a repressuriza¸c˜ ao do facto come¸cou ao fim de 15 segundos. N˜ ao sofreu danos permanentes. A u ´ ltima coisa que se lembra, antes de perder a consciˆencia, foi de sentir a saliva ferver na l´ıngua!
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
26 Logo,
P0
P
h=
105 = 10,2 m. 103 × 9,8
h
4.4. ET V 4 : para que o fluido que est´a abaixo da linha a tracejado na B
figura 4.19 esteja em equil´ıbrio, ´e necess´ario que as press˜ oes em A e B sejam iguais. A press˜ ao em A ´e P0 + ρgh e em B ´e P . Logo P = P0 + ρgh.
A
4.5. ET V 5 : Enquanto que no recipiente mais largo as u´nicas for¸cas de press˜ ao com componente vertical s˜ao exercidas na base e no topo do recipiente, no recipiente mais estreito isso n˜ ao ´e verdade. P esqueceu-se que as paredes do recipiente mais pequeno n˜ ao s˜ao verticais. Logo, as for¸cas de press˜ ao respectivas tˆem componentes verticais. Partes das paredes do recipiente mais estreito empurram o l´ıquido para baixo. As for¸cas exercidas pelas superf´ıcies A1 e A2 valem:
Figura 4.19: As press˜ oes em A e B devem ser iguais. A’
(P0 + ρgh) × (A1 + A2 ) h l A2
A1
A
Figura 4.20: As superf´ıcies A1 e A2 exercem for¸cas verticais no fluido.
com sentido descendente. A for¸ca vertical exercida pelas paredes do recipiente e pelo ar vale (P0 + ρgl)A − P0 A′ − (P0 + ρgh) × (A1 + A2 ) = P0 (A − A′ − A1 − A2 ) + ρglA − ρgh(A1 + A2 ) O primeiro termo ´e nulo, pois A = A1 + A′ + A2 . O segundo e terceiro termo d˜ ao o peso total de l´ıquido do recipiente, pois o volume ´e lA − h(A1 + A2 ).
4.6. ET V 6 : O peso do cubo ´e p = ρcim × (0,5)3 g = 2,4 × 103 × 0,125 × g = 2940 N O peso do mesmo volume de ´agua ´e a for¸ca de impuls˜ao I = ρagua × (0,5)3 g = 1225 N A for¸ca necess´aria para erguer o cubo enquanto estiver totalmente imerso ´ e F = p − I = 1715 N.
4.7. ET V 7 : A impuls˜ao num prisma de l´ıquido ´e igual ao peso do volume de l´ıquido que esse prisma ocupa: ou seja, ´e igual ao respectivo peso! Este resultado ´e ´obvio: essa ´e a condi¸ca˜o de equil´ıbrio que us´amos para chegar `a lei fundamental da hidrost´atica. O princ´ıpio de Arquimedes, ´e consequˆencia dessa lei.
˜ 4.7. ACTIVIDADES, QUESTOES E PROBLEMAS
4.7 4.7.1
27
Actividades, Quest˜ oes e Problemas Actividades
4.1. Direc¸ c˜ ao das for¸ cas de press˜ ao Fazer a experiˆencia descrita na Caixa 4.1 da p´ agina 8. S´ o ´e preciso uma garrafa de pl´ astico e um pion´es! 4.2. Varia¸ c˜ ao de press˜ ao com profundidade Ver ficha de Actividade A37. 4.3. Princ´ıpio de Arquimedes Ver ficha de Actividade A38.
20 cm
50 cm
4.7.2
Quest˜ oes
4.1. Um cilindro de a¸co de raio da base de 3 cm e altura 20 cm exerce maior press˜ao numa mesa r´ıgida de p´e, sobre a base, ou deitado de lado? 4.2. A figura 4.21 ao lado representa um recipiente com dois l´ıquidos imisc´ıveis de diferentes densidades. Que aspecto teria uma representa¸c˜ ao gr´ afica da press˜ao em fun¸c˜ao da profundidade neste recipiente?
Figura 4.21: Como varia a press˜ ao com a profundidade?
4.3. Um jovem bi´ ologo, com gosto pela F´ısica, precisava de uma medida r´ apida da massa vol´ umica de um ´oleo. Usando um tubo em U verteu um pouco de ´agua no tubo e, depois, algum ´oleo num dos bra¸cos do tubo. Com uma r´egua fez duas medi¸c˜ oes e conseguiu determinar a massa vol´ umica do ´oleo relativamente ` a da ´ agua.
óleo
(a) Que medi¸c˜ oes fez e como ´e que isso lhe permitiu conhecer a massa vol´ umica do ´oleo? 4.4. No texto mostra-se que o funcionamento de m´ aquinas hidr´aulicas permite a amplifica¸c˜ ao de for¸cas, embora n˜ ao viole a conserva¸c˜ ao de energia. Mas considere-se o sistema da figura 4.23. Se ´e verdade que uma for¸ca de m´ odulo F em E d´ a origem a um for¸ca muito maior em S, F ′ = F A′ /A, o sistema representado dever´ a estar em equil´ıbrio. Como ´e que isso ´e poss´ıvel, se a resultante n˜ ao ´e nula? Que for¸ca falta no balan¸co?
água
Figura 4.22: Um maneira de medir densidades relativas.
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
28
E
S
F
−F’
A
A’
Figura 4.23: Se a for¸ca F~ em E d´ a origem a uma for¸ca F~ ′ em S com ′ m´odulo maior de um factor A /A, o sistema representado estaria em equil´ıbrio. Como ´e isso poss´ıvel se a resultante da for¸cas aplicadas n˜ ao ´e nula?
4.5. Um petroleiro de 30 mil toneladas, sai carregado de um porto. Qual ´e o volume que ocupa abaixo da linha de a´gua?
11111111 00000000 0000 1111 00000000 11111111 0000 1111 00000000 11111111 0000 1111 00000000 11111111 0000 1111 00000000 11111111 0000 1111 00000000 11111111 0000 0000 1111 00000000 11111111 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111 0000 1111
Figura 4.24: Uma m´aquina de fazer energia?
4.6. A for¸ca de impuls˜ao da ´agua sobre uma rolha de corti¸ca ´e a mesma na Terra e na Lua? E o volume imerso da rolha? Porquˆe? 4.7. Quando o gelo num copo de ´agua funde, o n´ıvel da ´agua sobe, desce ou mant´em-se? Porquˆe? 4.8. Se a press˜ao aumenta com a profundidade, por que ´e que a for¸ca de impuls˜ao n˜ ao varia? 4.9. Um estudante, depois de estudar o princ´ıpio de Arquimedes, exclamou: “Eureka! Descobri uma maneira de produzir energia de gra¸ca”. O esquema que propˆos est´ a esquematizado na figura 4.24. Cargas de corti¸ca descem lentamente por um po¸co feito ao lado de um lago ou rio profundo. Por cada 100 kg que descem 50 m, obtemos uma energia E = mgh ≈ 50 000 J. No fundo do po¸co existe uma sala com duas comportas que usamos para introduzir a corti¸ca na ´agua. Depois deixamola flutuar livremente at´e a superf´ıcie. Bingo! Volta a descer e s˜ ao mais 50 000 J. E assim sucessivamente! (a) De que ´e que o estudante se esqueceu? (b) Mostrar que a energia necess´aria para esvaziar de novo a sala das comportas ´e suficiente para invalidar todo o esquema! 4.10. Quando um corpo de massa m varia a sua altura de ∆h no campo grav´ıtico da Terra a sua energia potencial varia de ∆Ep = mg∆h.
˜ 4.7. ACTIVIDADES, QUESTOES E PROBLEMAS
29
(a) Se o corpo estiver no interior de um fluido, a varia¸c˜ao de energia potencial grav´ıtica do sistema corpo mais fluido ´e ∆Ep = mg∆h ou ∆Ep = (mg − I)∆h, em que I ´e a impuls˜ao? (b) Se a massa vol´ umica do corpo for inferior `a do l´ıquido, a energia potencial grav´ıtica do sistema aumenta ou diminui quando o corpo sobe?
4.7.3
Problemas
bomba de vazio
4.1. A figura 4.25 mostra uma variante da experiˆencia das esferas de Magdeburgo (p´ agina 10), distribu´ıda por alguns fabricantes de equipamento did´ actico. Duas caixas cil´ındricas s˜ ao encostadas uma ` a outra de modo a formar uma cavidade de onde ´e extra´ıdo o ar. Se o raio da base for r = 5 cm a e press˜ao no interior for um quarto da press˜ao atmosf´erica, que for¸ca ser´ a necess´ario exercer em cada semi-cilindro para os conseguir separar? (P0 = 105 Pa). 4.2. Na experiˆencia das esferas de Magdeburgo, a for¸ca necess´aria para separar os hemisf´erios ´e igual `a resultante das for¸cas de press˜ao sobre um deles. Mas as for¸cas de press˜ao n˜ ao tˆem uma direc¸c˜ ao fixa j´a que s˜ ao sempre perpendiculares `a superf´ıcie da esfera. Como calcular ent˜ao a resultante das for¸cas de press˜ao sobre metade de uma esfera?
P0 P0 /4
raio = 5 cm Figura 4.25: Que for¸ca ´e necess´aria para separar os cilindros?
51 cm
(a)
vácuo
(a) Se substituirmos um dos hemisf´erios por uma tampa plana (diˆ ametro de 51 cm), qual ´e a resultante das for¸cas de press˜ao sobre a tampa? (b)
vácuo
(b) Que for¸ca seria necess´aria para separar as esferas da experiˆencia de Magdeburgo? 4.3. Um prisma de base rectangular feito de madeira maci¸ca, flutua com 4/5 da sua aresta vertical debaixo da linha de ´agua. Qual ´e a massa vol´ umica da madeira? 4.4. Uma barca¸ca com ´ area de base 3 m2 e com bordos de 40 cm de altura flutua em ´ agua. Quando est´ a vazia, a linha de ´agua fica a 25 cm do bordo superior.
Figura 4.26: Qual ´e a resultante das for¸cas de press˜ ao numa semi-esfera? área = 3 m2 25 cm
40 cm
(a) Quanto pesa a barca¸ca vazia? (b) Qual ´e a carga m´ axima que pode transportar sem se afundar?
Figura 4.27: Quanto pesa a barca¸ca?
30
R r
Figura 4.28: Qual ´e a espessura da parede da esfera?
CAP´ITULO 4. FLUIDOS
4.5. Um esfera de ferro, ˆoca, flutua em ´agua ficando exactamente metade do seu volume imerso. O raio exterior da esfera ´e de 30 cm. Qual ´e o o raio interior r? (ρFe = 8,9 × 103 kg m−3 ). 4.6. Um corpo humano tem um volume imerso em ´agua que ´e quase 100% do total. Que nos diz isso sobre a massa vol´ umica m´edia do corpo? Estimar o volume de um adulto de 80 kg. 4.7. Uma bola de futebol tem uma circunferˆencia de 69 cm e uma ´ largada do fundo de uma piscina com 2 m massa de 430 g. E de profundidade. Se as u ´ nicas for¸cas sobre a bola fossem a impuls˜ao e o peso: (a) quanto tempo demoraria a chegar `a superf´ıcie?
111111111111111111111111111111111 000000000000000000000000000000000 000000000000000000000000000000000 111111111111111111111111111111111
Figura 4.29: Qual ´e indica¸ca˜o da balan¸ca?
(b) Com que velocidade chegaria? 4.8. A esfera de ferro da figura 4.29 tem uma massa de 500 g. Antes de ser mergulhada na ´agua a balan¸ca indicava 300 g (ρFe = 8,9 × 103 kg m−3 ). (a) Quanto indica agora? Qual ´e a tens˜ ao do fio? (b) Se o fio for cortado e a esfera pousar no fundo do gobl´e, quanto passa a indicar a balan¸ca? 4.9. Uma bola de t´enis de mesa (ping-pong) tem um diˆ ametro de 3,81 cm e uma massa de 2,8 g. O material de que ´e feita a bola tem uma massa vol´ umica duas vezes superior `a da agua. ´
Figura 4.30: Se a bola de baixo estiver cheia de agua, a de cima flutua? ´
(a) Que frac¸c˜ao do seu volume fica imersa quando flutua em ´ agua? (b) Que for¸ca ´e necess´aria para a submergir completamente? (c) Duas bolas de ping-pong est˜ ao amarradas por um fio, mas uma est´ a completamente cheia de ´agua. A de cima flutua? Que for¸ca ´e exercida sobre o fio?
Conte´ udo Ficha T´ecnica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Fluidos 4.1
4.2
2 5
Press˜ ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
5
4.1.1
Factos importantes sobre a press˜ao . . . . .
7
Lei fundamental da Hidrost´ atica . . . . . . . . . .
9
4.2.1
Direc¸c˜ ao das For¸cas de Press˜ao.
. . . . . .
12
4.2.2
Paradoxo de Hidrost´ atica . . . . . . . . . .
12
Princ´ıpio de Pascal . . . . . . . . . . . . . . . . . .
16
4.3.1
M´aquinas hidr´aulicas. . . . . . . . . . . . .
17
For¸cas de impuls˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . .
19
4.4.1
Um quebra-cabe¸cas . . . . . . . . . . . . . .
19
4.4.2
For¸cas de press˜ao e princ´ıpio de Arquimedes
21
4.4.3
Resposta ao quebra-cabe¸cas . . . . . . . . .
22
4.5
No vazio explodimos? . . . . . . . . . . . . . . . .
23
4.6
Repostas aos ET Vs . . . . . . . . . . . . . . . . . .
25
4.7
Actividades, Quest˜oes e Problemas . . . . . . . . .
27
4.7.1
Actividades . . . . . . . . . . . . . . . . . .
27
4.7.2
Quest˜oes
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
27
4.7.3
Problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
29
4.3
4.4
31