Skip to main content

A Ciência da TV: verdade ou mito?

Page 1

Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

1

Escola de Ciências da Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710 - 057 Braga

Breve descrição Resumo: A atividade “A Ciência da TV: verdade ou mito?” consiste num quizz em suporte multimédia composto por 30 questões alusivas à veracidade dos conteúdos científicos presentes em vários filmes e séries televisivas populares. Os estudantes podem jogar este quizz individualmente ou em equipa. Posteriormente, a desmistificação da Ciência da TV ficará a cargo dos próprios alunos, que serão responsáveis pela pesquisa e apresentação das soluções a cada uma das questões do quizz!

Áreas científicas: Biologia, Física, Geologia, Matemática, Química Público-alvo: estudantes do ensino secundário Duração prevista: 120 minutos (duas sessões: 30 minutos + 90 minutos) Publicação debaixo de uma Licença Creative Commons da Casa das Ciências.

I – Introdução Atualmente, a Ciência está presente em vários filmes e séries televisivas. Alguns destes programas – como “A Teoria do Big Bang” e “Perdido em Marte” – têm como eixo central a Ciência. Outros incluem conteúdos científicos apenas em pequenos excertos (e.g. “Taken – A Vingança”, “007 – O Mundo Não Chega”). Tendo em conta que os filmes e séries televisivas são uma forma de entretenimento bastante popular (Audiências, 2017), estes têm um grande potencial para transmitir informação de cariz científico. Por exemplo, um inquérito conduzido pelo CDC – Centers for Disease Control and Prevention (2001) revelou que metade dos inquiridos que viam regularmente dramas médicos televisivos afirmaram adquirir novos conhecimentos acerca de doenças e/ou sobre o seu tratamento através deste meio. Segundo o mesmo inquérito, um terço dos inquiridos afirmou já ter agido com base nos conhecimentos que adquiriu em séries televisivas relacionadas com a área da saúde (CDC, 2001). No entanto, muitas vezes, os acontecimentos retratados em filmes e


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

séries televisivas não são “cientificamente corretos”. A título exemplificativo, o trabalho de Moeller et al. (2011) demonstrou que os primeiros socorros prestados em caso de ataque epilético não foram os apropriados em 43,1% dos episódios analisados (séries: “Anatomia de Grey”, “House”, “Clínica Privada” e “Serviço de Urgência”). Consequentemente, torna-se evidente a necessidade de alertar a comunidade para o facto de que nem sempre os filmes e séries televisivas retratarem os conteúdos científicos de forma fidedigna. Neste contexto, a atividade “A Ciência da TV: verdade ou mito?” tem como principal objetivo desenvolver a capacidade de reflexão e análise crítica dos participantes face aos conteúdos científicos disponibilizados pelos media.

II – A estrutura do quizz “A Ciência da TV: verdade ou mito?” O quizz é composto por 30 questões, 6 de cada área científica (Biologia, Física, Geologia, Matemática e Química). Os temas abordados são muito diversificados, entre os quais se encontram: erupções vulcânicas, efeito Doppler, probabilidades, cromatografia e ADN. Apesar de muitas das perguntas incidirem sobre conteúdos curriculares, existem várias em que tal não acontece, pelo menos não de forma direta. A lista completa das questões está disponível no anexo I, juntamente com as respetivas soluções. No quizz, cada questão é acompanhada do vídeo-excerto de um filme/série, cuja duração varia entre os 30 e os 60 segundos. Após o visionamento da película, os alunos têm 10 segundos para escolher uma resposta. Nas perguntas que implicam fazer cálculos, o tempo concedido para responder é de 90 segundos. Todas as questões são de resposta fechada, sendo que para a maioria existem apenas 2 opções. O quizz “A Ciência da TV: verdade ou mito?” encontra-se alojado na plataforma Kahoot! e o seu modo de utilização é explicado detalhadamente na seção IV.

III – Equipamento necessário Para esta atividade, é necessário:  Computador com acesso à internet;  Projetor multimédia;  Wi-fi;  Um dispositivo que permita o acesso à internet (e.g. computador, tablet, smarthphone) por cada aluno/equipa de alunos.

IV – Implementação da atividade em contexto de sala de aula O quizz “A Ciência da TV: verdade ou mito?” pode ser jogado individualmente ou em equipas. No entanto, a decisão por uma destas opções tem implicações no que respeita aos equipamentos necessários:  Caso pretenda que os alunos joguem individualmente, é preciso um dispositivo que permita o acesso à internet por cada estudante;  Se preferir que os alunos joguem em equipas, cada uma só precisa de um dispositivo que possibilite o acesso à internet.

1.1) Como aceder ao quizz? Instruções para os estudantes: 1. Aceder à plataforma Kahoot! através do seguinte endereço eletrónico: https://kahoot.it/; 2. Inserir o pin que irá aparecer projetado na tela; 3. Digitar o nome da equipa e/ou o seu nome.


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

Instruções para o professor: No computador ligado ao projetor multimédia: 1. Aceder à plataforma Kahoot! através do seguinte endereço eletrónico: https://create.kahoot.it/; 2. Criar uma conta ou fazer login caso já seja um utilizador registado; 3. No menu, selecionar “Find Kahoots” e utilizar a barra de pesquisa para procurar a sondagem com a designação “A Ciência da TV” ou digitar diretamente o seguinte endereço: https://play.kahoot.it/#/k/45fa473a-5f9f-49f1-89e19211386ba971 ; 4. Carregar em “Play”; 5. No menu “Game options”, ligar a opção “Randomize order of questions”, caso contrário as perguntas aparecerão agrupadas por área científica; 6. Selecionar o modo “Classic” se pretender que os alunos joguem individualmente ou escolher a opção “Team mode” se preferir que os estudantes joguem em equipa; 7. Iniciar a projeção de imagem para a tela; 8. Aguardar que todos os nomes dos alunos/equipas que vão jogar apareçam na tela; 9. Pressionar “Start” para dar início ao quizz.

1.2) Como jogar? As perguntas, o vídeo-excerto e as opções de resposta aparecem projetadas na tela (figura 1 – A). Os dispositivos dos participantes mostram apenas os símbolos correspondentes às opções de resposta (figura 1 – C). Após todos os alunos/equipas responderem a uma questão ou o tempo para responder se esgotar, irá aparecer um gráfico de barras que ilustra o número de jogadores que escolheram cada opção (figura 1 – B). Para passar para a próxima pergunta, o professor deverá premir “Next” (figura 1 – B).

Figura 1 | Imagens ilustrativas do aspeto do quizz. A figura 1–A ilustra a forma como são apresentadas as perguntas: cada uma é acompanhada do vídeo-excerto e das respetivas opções de resposta. O circulo roxo presente nesta figura funciona como um temporizador, alertando para o tempo que resta aos participantes para responder. Na mesma figura, a expressão “0 answers” irá sendo atualizada de forma a traduzir o número de estudantes/equipas que responderam à pergunta até ao momento. A figura 1–B mostra o aspeto da tela após todos os alunos terem respondido ou o tempo para responder se ter esgotado. Nesta figura, as barras representam o número de estudantes/equipas que escolheram cada opção de resposta. A figura 1–C constitui um exemplo do que irá aparecer nos dispositivos dos estudantes, neste caso trata-se do telemóvel da equipa “Tubos de ensaio”.

No final do quizz, o docente pode fazer o download de um documento Excel com as respostas dadas pelos estudantes, que lhe permitirá determinar as pontuações de todos os jogadores/equipas. Nota: se notar que os vídeo-excertos aparecem “cortados”, diminua o zoom da janela do navegador de internet.


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

1.3) A desmistificação da Ciência da TV As soluções às perguntas do quizz devem ser pesquisadas e apresentadas pelos próprios estudantes. Assim, recomendase que, após a realização do quizz, as 30 questões sejam distribuídas equitativamente pelos vários alunos/equipas, que ficarão responsáveis por:  Consultar bibliografia que lhes permita responder corretamente às perguntas que lhes foram atribuídas;  Preparar uma breve justificação científica para acompanhar cada solução. Numa aula posterior, cada estudante/equipa deve apresentar à turma as soluções e explicações científicas que preparou. No fim das apresentações, o docente deverá divulgar as pontuações (nº de respostas corretas) de cada jogador/equipa.

V – Avaliação da literacia científica Na plataforma Kahoot!, após cada jogo, os resultados ficam gravados numa base de dados apenas disponível para os criadores do quizz. Desta forma, o quizz “A Ciência da TV: verdade ou mito?” constitui uma ferramenta útil para avaliar a literacia científica dos participantes. Claro que não se trata de uma avaliação exaustiva. No entanto, não deixa de ser um instrumento interessante para caracterizar a capacidade de mobilização de conhecimentos científicos dos alunos face ao visionamento de filmes e séries televisivas. Assim, através da disponibilização deste recurso, a Equipa SciMyth pretende também fazer um estudo da literacia científica dos participantes, com impacto a nível nacional. Neste sentido, agradecemos todo o feedback que os professores que implementem esta atividade no contexto de sala de aula nos possam fornecer.

VI – Bibliografia Audiências (2017). Data source: GfK and CAEM. https://www.atelevisao.com/category/audiencias/.

Accessed

on

October

24,

2017,

from:

Centers for Disease Control and Prevention (2003). 2001 Porter Novelli Healthstyles Survey: TV drama viewers and health information. Accessed on October 24, 2017, from: https://www.cdc.gov/healthcommunication/toolstemplates/entertainmented/2001Survey.html. Moeller, A.D, Moeller, J.J., Rahey, S.R. & Sadler, R.M. (2011). Depiction of seizure first aid management in medical television dramas. The Canadian Journal of Neurological Sciences, 38: 723-727. https://doi.org/10.1017/S0317167100054093.

VII – Contactos Para enviar sugestões, tirar dúvidas ou reportar erros, contacte-nos através do seguinte e-mail: scimyth.ecum@gmail.com


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

Anexo I | Ficha de professor Nesta ficha encontram-se todas as perguntas incluídas no quizz, organizadas por área científica. Para cada questão, é disponibilizada a seguinte informação: opções de resposta, solução (destacada a negrito) e respetiva justificação científica, nome do filme ou série a que a pergunta se refere e hiperligação para o vídeo-excerto.

Biologia 1. “A maioria dos humanos só usa 10% do seu cérebro”: verdade ou mito? ● ●

● ●

Opções de resposta: verdade/mito Explicação científica: através de exames como ressonâncias magnéticas é possível observar que várias partes do cérebro estão ativas mesmo durante a realização de tarefas simples. Além disso, lesões em apenas uma pequena seção do cérebro podem resultar em consequências severas, por exemplo, ao nível motor ou da linguagem (Salla, 1999). Filme: Lucy Link do excerto: https://youtu.be/sY7ADrZyB9A

2. O ADN pode ser preservado em bom-estado por períodos de tempo tão longos como é sugerido? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: com o passar do tempo o ADN vai-se degradando. Um artigo publicado em 2012 estima que o ADN, mesmo quando preservado em condições ideais, degrada-se de tal forma que, após cerca de 1,5 milhões de anos, já não fornece informação útil (Allentoft et al., 2012). Filme: Parque Jurássico Link do excerto: https://youtu.be/GNKOQxwUJ2g

3. Estes animais podem transmitir doenças a humanos, como acontece neste excerto? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: porcos e morcegos podem transmitir doenças aos humanos. Por exemplo, no caso da infeção pelo vírus Nipah, os morcegos são o reservatório natural do vírus e os porcos podem funcionar como hospedeiro intermediário (Field et al., 2007). Filme: Contágio Link do excerto: https://youtu.be/eKNxAUv4bCU

4. Será possível usar o solo de Marte para cultivar plantas comestíveis, como Mark fez? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: teoricamente, pensa-se que será possível (Wamelink et al., 2014; Bohle et al., 2016; Jordan, 2017). Todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas foram encontrados no solo de Marte ou em meteoritos daí provenientes (Jordan, 2017). Além disso, já se realizaram experiências onde foram cultivadas diferentes espécies vegetais num solo com a composição semelhante ao existente em Marte, tendo-se observado a germinação e o crescimento das plantas (Wamelink et al., 2014). Filme: Perdido em Marte Link do excerto: https://youtu.be/HG_AdJ-FPcQ

5. É possível, com um teste de ADN, obter a informação que Stella pretende? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: Sim, é possível detetar a presença do vírus HIV com um “teste de ADN”. Este tipo de teste – formalmente designado de teste de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) – deteta a presença do RNA do vírus mesmo antes dos anticorpos poderem ser detetáveis por testes “mais tradicionais” (Hutchinson et al., 2010). Série: CSI: Nova Iorque Link do excerto: https://youtu.be/t5dKU5CnhOw


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

6. A explicação que Foreman dá ao paciente neste excerto está correta? ● ● ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: a toxoplasmose é uma doença, não um fungo. Além disso, a doença não é causada por um fungo, mas sim por um protozoário (Toxoplasma gondii) (Hill & Dubey, 2002). Série: House Link do excerto: https://youtu.be/zXUYlpxHSFk

Ciências da Terra 7. Qual das seguintes opções não é característica dos dinossauros presentes neste excerto? ●

● ● ●

Opções de resposta:  Penas  Cerca de 2 m de altura (adultos)  Cauda comprida Explicação científica: os dinossauros do género Velociraptor apresentam cauda comprida e penas, no entanto, ao contrário do que é retratado no filme, o seu tamanho é semelhante ao de um peru (Paul, 2010). Filme: Mundo Jurássico Link do excerto: https://youtu.be/lRiDk_-UAU8

8. Seria possível no passado encontrar estes dois dinossauros a interagir? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: estes dois dinossauros não coexistiram. A espécie Tyrannosaurus rex habitou a América do Norte e a espécie Spinosaurus aegypticus ocorreu no Norte de África, quando estes continentes já estavam separados (Paul, 2010). Além disso, embora ambas tenham vivido no Cretácico superior, a espécie T. rex existiu no período de tempo compreendido entre os 66 e os 72 milhões de anos atrás, enquanto a espécie S. aegypticus viveu entre os 93 e os 100 milhões de anos atrás (Paul, 2010). Filme: Parque Jurássico Link do excerto: https://youtu.be/WWp9G8qXWmc

9. É possível prever a ocorrência de sismos, como as personagens fazem neste excerto? ● ● ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: embora dentro da comunidade científica este seja um tema em aberto e sobre o qual existem vários projetos de investigação, atualmente, ainda não é possível prever a ocorrência de sismos (Erickson, 2002). Filme: Terremoto - A Falha de San Andreas Link do excerto: https://youtu.be/Ju441tmVwtc

10. Será que um vulcão como o deste filme origina lava como a que se pode ver neste excerto? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: vulcões que originam erupções com lava tão fluída (pobre em sílica) como a que se vê neste excerto têm, por norma, cones achatados (vulcões de escudo) e não dão origem a fluxos piroclásticos como os retratados (Jain, 2014). Filme: O Cume de Dante Link do excerto: https://youtu.be/g6XQuGAK16g

11. Deveriam os protagonistas ter sobrevivido durante a fuga a esta erupção vulcânica? ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: as lavas fluídas (básicas) atingem temperaturas na ordem dos 1200°C (Jain, 2014). Assim, esta fuga seria impossível por várias razões, entre as quais: a temperatura dentro do veículo seria muito superior à que o corpo humano consegue aguentar. A título exemplificativo, pode visualizar este vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=i5MDnkV8DZA) que retrata uma experiência de petrologia experimental, em que se fundiram rochas para recriar as condições de formação


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

de magma, tendo aproveitando posteriormente a lava para cozinhar bifes. Filme: O Cume de Dante Link do excerto: https://youtu.be/sPshXe3h-Qk

● ●

12. Deveriam os protagonistas ter sobrevivido durante a fuga a esta erupção vulcânica? ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: o avião não conseguiria funcionar no meio de uma nuvem piroclástica, cuja temperatura pode atingir 1000°C e em que existem cinzas, lapilli e bombas que podem destruir a fuselagem e danificar as hélices (Neal & Guffanti, 2010; Jain, 2014). Além disso, é de referir que os passageiros, sem máscaras de oxigénio, poderiam não sobreviver aos gases da nuvem (Neal & Guffanti, 2010). Filme: 2012 Link do excerto: https://youtu.be/k5Par_JhPPg

● ●

Física 13. No meio científico, existe mesmo uma partícula popularmente conhecida por “Partícula de Deus”? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: Em 1993, foi publicado um famoso livro de divulgação científica intitulado "A Partícula de Deus", que aborda o mecanismo proposto por Brout, Englert e Higgs para explicar a massa das partículas fundamentais, onde é prevista a existência de uma partícula designada por Bosão de Higgs (Lederman & Teresi, 1993). Esta partícula fica assim conhecida no imaginário popular por "Partícula de Deus". No entanto, o Bosão de Higgs – a partícula responsável por atribuir massa às partículas subatómicas – foi apenas descoberta em 2013, pelas Colaborações ATLAS e CMS do CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas) (CMS Collaboration, 2013). Esta descoberta foi galardoada nesse mesmo ano com o prémio Nobel da Física. Filme: Anjos e Demónios Link do excerto: https://youtu.be/-7qrKX5BiH4

14. É real a equação de que se fala neste excerto? ● ● ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: a equação de Drake permite estimar o número de civilizações extraterrestres ativas e comunicativas existentes na Via Láctea (Wallenhorst, 1981). Série: A Teoria do Big Bang Link do excerto: https://youtu.be/M86nPdI2RXs

15. Anos-luz é mesmo uma medida de distância, tal como Sheldon afirma? ● ● ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: a Penny não tinha razão: é uma medida de distância: corresponde à distância percorrida durante um ano pela luz no vácuo (Ule, 1851). Série: A Teoria do Big Bang Link do excerto: https://youtu.be/_gJ6BDjrALU

16. Seria possível Mark movimentar-se em Marte da forma como se vê neste excerto? ●

● ● ●

Opções de resposta: ▪ Sim, a gravidade em Marte é semelhante à da Terra ▪ Não, em Marte não há gravidade ▪ Não, a gravidade em Marte é inferior à da Terra Explicação científica: A gravidade na Terra é 1 ɡ, a gravidade em Marte é de 0,38 ɡ (Shiba et al., 2017). Filme: Perdido em Marte Link do excerto: https://youtu.be/cdrrMUufX5c


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

17. É possível, atualmente, usar antimatéria para destruir uma cidade? ● ● ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: a produção de antimatéria é um processo muito pouco eficiente (Schmidt et al., 2000), pelo que para produzir quantidades suficientes para destruir uma cidade seriam necessários milhares de anos. Filme: Anjos e Demónios Link do excerto: https://youtu.be/IZJJ5IW_u50

18. É o efeito Doppler, tal como definido pelo Sheldon, um fenómeno físico real? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: O efeito Doppler é a aparente mudança na frequência de uma onda causada pelo movimento relativo entre a fonte e o observador (Zhang et al., 2006). Por exemplo, enquanto uma ambulância passa por nós, notamos que o som da sirene se vai alterando. No entanto, na verdade, o som emitido pela sirene da ambulância nunca mudou. Série: A Teoria do Big Bang Link do excerto: https://youtu.be/vJrFMYvkVYE

Matemática 19. A explicação de Ben para trocar a porta nº 1 pela porta nº 2 está correta? ●

●

Opções de resposta: ▪ Sim, trocando, a probabilidade de ganhar é de 66,7% ▪ Não, trocando, a probabilidade de ganhar é igual (50%) Explicação científica: o problema exposto neste excerto é amplamente conhecido como “O problema de Monty Hall”. Este problema matemático foi primeiramente tratado por Selvin (1975), que se inspirou num conhecido programa da época – o “Let’s Make a Deal”. Selvin (1975) afirmou que mudar de porta originaria uma probabilidade de ganhar de 2/3, enquanto manter a porta original resultaria numa probabilidade de vencer de 1/3. A explicação matemática para este problema encontra-se detalhada na tabela I. Esta tabela demonstra que, se o concorrente mantiver a sua primeira escolha, de entre os 9 casos possíveis, ganha em apenas 3 deles. Pelo contrário, se o concorrente optar por trocar de porta, de entre os 9 casos possíveis, ganha em 6.

Tabela I | Casos possíveis no concurso “Let’s Make a Deal”.

Nº da porta em que está o carro: 1

2

3

● ●

1ª escolha do concorrente: 1 2 3 1 2 3 1 2 3

O apresentador abre a porta: 2 ou 3 3 2 3 1 ou 3 1 2 1 1 ou 2

Se o concorrente mantiver a 1ª escolha: Ganha Perde Perde Perde Ganha Perde Perde Perde Ganha

Se o concorrente trocar: Perde Ganha Ganha Ganha Perde Ganha Ganha Ganha Perde

Filme: 21 – A Última Cartada Link do excerto: https://youtu.be/YJIAcghfkHY

20. Porquê que a Kim nunca deveria ter conseguido encontrar o pai? ●

●

Opções de resposta: ▪ É impossível localizá-lo usando aquela técnica ▪ Precisava de uma régua para medir corretamente as distâncias ▪ As circunferências não tinham as medidas que o pai disse Explicação científica: neste excerto, a Kim tenta localizar o seu pai utilizando a técnica da triangulação, usando materiais do


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

● ●

dia-a-dia (um marcador e uns atacadores). A pedido do pai, Kim deveria desenhar duas circunferências com um certo diâmetro, sendo que os pontos de interseção de ambas seriam essenciais para a localização deste. Assim, Kim usa os atacadores para medir a distância correspondente ao raio. No entanto, enquanto Kim desenha as circunferências, os atacadores fazem um ângulo de cerca de 45 graus com o plano. Isto faz com que a distância da ponta do marcador ao centro da circunferência seja menor que o comprimento do fio, o que impossibilitaria a localização do pai. Para perceber melhor o que está em causa, basta imaginar que, a cada instante, há um triângulo retângulo definido pelo atacador (a hipotenusa), pelo marcador (um dos catetos) e pelo raio da circunferência que liga o centro ao ponto marcado nesse instante pela ponta do marcador (o outro cateto). Ora, num triângulo retângulo, o comprimento da hipotenusa é maior que o dos catetos. Filme: Taken – A Vingança Link do excerto: https://youtu.be/tCerWbS-Ecg

21. Os cálculos que James Bond faz mentalmente neste excerto estão corretos? ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: Dados: Distância ao terminal: 171 km Velocidade: 113 km/h

113 km ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ 60 min 171 km ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ X min ● ●

X = 106*60/70 = 91 minutos

Filme: 007 – O Mundo Não Chega Link do excerto: https://youtu.be/YFiXn66dR-M

22. Neste excerto, os dígitos do valor de π estão corretos? ● ● ● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: Confrontando os dígitos que surgem no cartaz com os dígitos de π, vemos que não coincidem (Alfeld, 1996): no cartaz deveria constar “π=3,141592653”. Filme: Nunca fui beijada Link do excerto: https://youtu.be/mj1grhx9n9o

23. Os números da sequência de Fibonacci estão mesmo fora de ordem neste excerto? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: a sequência de Fibonacci é a uma sequência de números inteiros, que se caracteriza pelo fato de cada número depois dos dois primeiros ser a soma dos dois números que o precedem. Assim, a ordem correta da sequência de Fibonacci é: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, ... (Gould, 1963). Filme: O Código da Vinci Link do excerto: https://youtu.be/W8hEkrA3ppQ

24. Tendo em conta os dados fornecidos, será que a carrinha não tinha mesmo tempo de parar? ●

●

Opções de resposta: ▪ Sim, a carrinha podia ter parado ▪ Não, a carrinha não tinha tempo/espaço para parar Explicação científica: Dados: Distância ao táxi: 18 m Velocidade: 48 km/h

3,6 km/h ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ 1 m/s 48 km/h ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ ̶ X m/s

X = 48*1/3,6 = 13,33 m/s


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

Fórmula da distância de travagem: 2 2 D=trv + v /2µg = 1 x 13,33 + 13,33 /(2 x 0,9 x 10)= 23,2 m Nesta fórmula: D: distância de travagem / tr: tempo de reação. Em média é 1 segundo / v: velocidade do veículo (em m/s) / µ: coeficiente de atrito dinâmico. Geralmente considera-se µ=0,9 / g: aceleração da gravidade. É uma constante: g=10 m/s2

● ●

Filme: Sem Limites Link do excerto: https://youtu.be/aabAktwN6Yw

Química 25. É possível produzir água a partir de combustível para foguetão, tal como Mark faz? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: a hidrazina (usada em combustíveis para foguetão), por contato com um produto catalítico, pode ser convertida em hidrogénio (H2) e azoto (N2) (Schirmann & Bourdauducq, 2002). Posteriormente, através da combustão controlada do gás hidrogénio, pode-se produzir água (RSCa, n.d.a). Filme: Perdido em Marte Link do excerto: https://youtu.be/ocZSkZnRIqo

26. Qual dos símbolos que aparece nos créditos não corresponde a um elemento químico real? ● ● ● ●

Opções de resposta: Ch/Kr/Co/W Explicação científica: “Kr” é o símbolo químico do crípton, o “Co” o do cobalto e o “W” o do tungsténio. O “Ch” é o único símbolo que não corresponde a um elemento químico real (RSC, n.d.b). Série: Breaking Bad Link do excerto: https://youtu.be/alSup7t8i6w

27. É verdade que o vinagre e o óleo vegetal não se misturam, como Walter diz? ● ● ● ●

Opções de resposta: sim, não se misturam/não, misturam-se Explicação científica: a explicação de Walter está correta: o vinagre é polar, enquanto o óleo vegetal é apolar e, por não serem semelhantes, estas duas substâncias não se misturam (Curtright et al., 1999; Zych, 2014). Série: Breaking Bad Link do excerto: https://youtu.be/KpkrB7tk49I

28. Esta técnica permite tirar conclusões acerca dos pigmentos que compõem uma tinta? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: este excerto retrata a execução de uma cromatografia, que é uma técnica que permite separar os componentes de uma dada mistura (ex. tinta, pigmentos de uma planta) com base nas suas afinidades para a fase estacionária e a fase móvel (Curtright et al., 1999). Série: CSI – Crime Sob Investigação Link do excerto: https://youtu.be/jMO_Fti2pNU

29. É possível detetar ouro pelo método que Dr. House usou neste excerto? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não 3+ Explicação científica: o cloreto de estanho (II) reage com o ouro dissolvido (Au ), havendo a formação de um precipitado de cor púrpura – conhecido como púrpura de Cassius. Este precipitado tem sido utilizado não só para colorir vidro e porcelana, mas também como teste colorimétrico para deteção de ouro (Fink & Putnam, 1942; Habashi, 2016). Série: House Link do excerto: https://youtu.be/geTpIIfSHws


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

30. É possível fazer sabão utilizando o ingrediente mencionado neste excerto? ● ●

● ●

Opções de resposta: sim/não Explicação científica: o sabão é tradicionalmente obtido a partir de uma gordura animal, através da reação de saponificação (hidrólise alcalina) dos triglicerídeos presentes na gordura com hidróxido de sódio aquoso. Nesta reação é produzida uma mistura de sais de sódio de ácidos gordos, vulgarmente designada por sabão (Clayden et al., 2001). Filme: Fight Club – Clube de Combate Link do excerto: https://youtu.be/A0zl3gvkdr8

Bibliografia Alfeld, P. (1996). pi to 10,000 digits. Accessed on October, 10, 2017, on https://www.math.utah.edu/~pa/math/pi.html Allentoft, M.E., Collins, M., Harker, D., Haile, J., Oskam, C.L., Hale, M.L., Campos, P.F., Samaniego, J.A., Gilbert, M.T.P., Willerslev, E., Zhang, G., Scofield, R.P., Holdaway & R.N. & Bunce, M. (2012). The half-life of DNA in bone: measuring decay kinetics in 158 dated fossils. Proceedings of the Royal Society B, 279: 4724-4733. doi:10.1098/rspb.2012.1745 Bohle, S., Montaño, H.S.P., Bille, M. & Turnbull, D. (2016). Evolution of soil on Mars. News & Reviews in Astronomy & Geophysics, 57(2): 2.18-2.23. Clayden, J., Greeves, N. & Warren, S. (2012). Organic chemistry. Oxford, UK: Oxford University Press. ISBN: 9780199270293 CMS Collaboration (2013). Observation of a new boson with mass near 125 GeV in pp collisions at = 7 and 8 TeV. Journal of High Energy Physics, 06: 081. doi:10.1007/JHEP06(2013)081 Curtright, R.D., Emry, R. & Markwell, J. (1999). Student understanding of chromatography: A hands-on approach. Journal of Chemical Education, 76(2): 249-252. doi:10.1021/ed076p249 Erickson, J. (2002). Environmental geology: Facing the challenges of our changing Earth. New York, USA: Facts on File Science Library. ISBN 0816047278 Field, H.E., Mackenzie, J.S. & Daszak, P. (2007). Henipaviruses: emerging paramyxoviruses associated with fruit bats. Current Topics in Microbiology and Immunology, 315: 133-59. Fink, C.G. & Putnam, G.L. (1942). Determination of small amounts of gold with stannous chloride. Industrial & Engineering Chemistry Analytical Edition, 14(6): 468-470. doi:10.1021/i560106a008 Gould, H.W. (1963). Operational recurrences involving Fibonacci numbers. Fibonacci Quarterly, 1(1): 30-33. Habashi, F. (2016). Purple of cassius: nano gold or colloidal gold?. European Chemical Bulletin, 5(10): 416-419. doi:10.17628/ECB.2016.5.416 Hill, D. & Dubey, J.P. (2002). Toxoplasma gondii: transmission, diagnosis and prevention. Clinical Microbiology and Infection, 8(10): 634-640. https://doi.org/10.1046/j.1469-0691.2002.00485.x Hutchinson, A.B., Patel, P., Sansom, S.L., Farnham, P.G., Sullivan, T.J., Bennett, B., Kerndt, P.R., Bolan, R.K., Heffelfinger, J.D., Prabhu, V.S. & Branson, B.M. (2010). Cost-effectiveness of pooled nucleic acid amplification testing for acute HIV infection after thirdgeneration HIV antibody screening and rapid testing in the United States: A comparison of three public health settings. PLOS Medicine, 7(9): e1000342. https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1000342 Jain, S. (2014). Fundamentals of physical geology. Springer. doi:10.1007/978-81-322-1539-4 Jordan, G. (2017). Can plants grow with Mars soil? Accessed on October, 11, 2017, on https://www.nasa.gov/feature/can-plantsgrow-with-mars-soil Lederman, L.M. & Teresi, D. (1993). The God particle: if the universe Is the answer, what Is the question?. New York, USA: Dell Publishing, ISBN: 0-385-31211-3 Neal, C.A. & Guffanti, M.C. (2010). Airborne volcanic ash: A global threat to aviation. U.S. Geological Survey Fact Sheet 2010-3116. Accessed on October, 31, 2017, on https://pubs.usgs.gov/fs/2010/3116/ Paul, G.S. (2010). The Princeton field guide to dinosaurs. New Jersey, USA: The Princeton University press. ISBN 9780691137209


Aceite para publicação em 21 de dezembro de 2017

Royal Society of Chemistry (no date – a). Hydrogen. Accessed on October, 31, 2017, on http://www.rsc.org/periodictable/element/1/hydrogen Royal Society of Chemistry (no date – b). Interactive periodic table. Accessed on October, 10, 2017, on http://www.rsc.org/periodictable Salla, S.D. (1999). Mind myths: exploring popular assumptions about the mind and brain. Chichester, UK; New York, USA: Wiley. ISBN 0471983039 Schirmann, J.-P. & Bourdauducq, P. (2002). Hydrazine. In Ullmann's encyclopedia of industrial chemistry (79-96). doi:10.1002/14356007. Schmidt, G.R., Gerrish, H.P., Martin, J.J., Smith, G.A. & Meyer, K.J. (2000). Antimatter requirements and energy costs for near-term propulsion applications. Journal of Propulsion and Power, 16: 923-928. Selvin, S. (1975). A problem in probability (letter to the editor). American Statistician, 29(1): 67-71. Shiba, D., Mizuno, H., Yumoto, A., Shimomura, M., Kobayashi, H., Morita, H., Shimbo, M., Hamada, M., Kudo, T., Shinohara, M., Asahara, H., Shirakawa, M. & Takahashi, S. (2017). Development of new experimental platform ‘MARS’—multiple srtificialgravity research system—to elucidate the impacts of micro/partial gravity on mice. Scientific Reports, 7: 10837. doi:10.1038/s41598-017-10998-4 Ule, O. (1851). Was wir in den Sternen lesen. Deutsches Museum: Zeitschrift für Literatur, Kunst und Öffentliches Leben, 1: 721-738. Wallenhorst, S.G. (1981). The Drake equation re-examined. Quarterly Journal of the Royal Astronomical Society, 22: 380-387. Wamelink, G.W.W., Frissel, J.Y., Krijnen, W.H.J., Verwoert, M.R. & Goedhart, P.W. (2014). Can plants grow on Mars and the Moon: A growth experiment on Mars and Moon soil simulants. PLoS ONE, 9(8): e103138. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0103138 Zhang, J., Zhang, K., Grenfell, R. & Deakin, R. (2006). Short note: On the relativistic Doppler effect for precise velocity determination using GPS. Journal of Geodesy, 80(2): 104-110. https://doi.org/10.1007/s00190-006-0038-8 Zych, A. (2014). Salad dressing science: Emulsions. Accessed on October 11, 2017, on https://www.sciencefriday.com/educationalresources/salad-dressing-science-emulsions/


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
A Ciência da TV: verdade ou mito? by Casa Ciências - Issuu