Skip to main content

Visita de estudo em ambiente marinho entre-marés

Page 1

O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

2.2. Visita de Estudo: “A Vida à Beira-Mar” 2.2.1 - Indicações Metodológicas

Recursos Didácticos Na abordagem prática a esta actividade, as autoras consideram imprescindível a utilização de três instrumentos básicos no decorrer da visita de estudo: o guião do professor, o guião do aluno (Apêndice B) e também um guia de identificação de organismos (Apêndice C).

Instrumentos a utilizar na Visita de Estudo “A Vida à Beira-Mar”

Guião do Professor

Guião do Aluno

Guia de Identificação de Organismos

Cada um destes instrumentos tem um papel vital no sucesso da visita bem como na avaliação do aluno. A sua utilização conjunta possibilita um resultado eficiente no processo de ensino-aprendizagem aqui abordado. Este tipo de instrumentos é preconizado por Orion (1993). Guião do professor: Auxiliar de campo para o professor, bem como de planificação da visita de estudo, onde se encontram as questões a colocar aos alunos, respectivas sugestões de respostas, descrições temáticas e indicações a abordar com os alunos durante a visita de estudo à zona intertidal (letra em corpo menor). Corresponde ao guião do aluno complementado pelas sugestões de respostas às questões e exercícios e também pelas directrizes temáticas a desenvolver. Guião do aluno: Auxiliar de campo para o aluno, onde se colocam questões e se realizam exercícios direccionados para a esquematização mental e apreensão dos conteúdos científicos e metacientíficos a abordar durante a visita de estudo, o que permite que os alunos construam activamente o seu conhecimento a partir do ambiente (Orion, 1993). Algumas indicações orientadoras de conduta são igualmente apontadas. Para além de conduzir a sequência e as competências a mobilizar, este instrumento apresenta uma forte componente de avaliação formativa individual.

50


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

Guia de identificação de organismos: Auxiliar de campo, tanto para o professor como para o aluno, no qual se apresentam os principais, e mais comuns, organismos marinhos, passíveis de serem encontrados na zona intertidal durante a visita de estudo. A sua utilização é essencial para o desenvolvimento das competências pretendidas com esta actividade (Quadro 2) na medida em que, através de um processo de descoberta, orientado pelo professor, os alunos integram a informação visual sobre os organismos característicos deste habitat.

Execução da Visita de Estudo São vários os aspectos a ter em conta para o planeamento e execução da actividade prática que se apresenta neste trabalho. Um dos principais elementos a ter em consideração é sem dúvida a escolha do nível maré da baixa-mar adequado para desenvolver a visita (Figuras 2.11 e 2.12), o qual pode ser obtido pela consulta da página da internet do Instituto Hidrográfico, <http://www.hidrografico.pt>. No entanto, esta escolha não está livre de ambiguidades; encontra-se intimamente ligada às características geomorfológicas da praia em questão, tal como às características climatéricas existentes na data escolhida. Uma baixa-mar de 0,8 m poderá ser suficiente para a execução da visita na praia X, de acentuado declive e abrigada da ondulação, porém, poderá ser de difícil realização na praia Y, caracterizada por um declive muito suave e de grande extensão, sujeita a regime de ondulação forte. De igual modo, uma baixa-mar de 0,4 m poderá tornar-se impossível de recorrer devido a condições climatéricas graves, caracterizadas por ventos fortes direccionados para a costa e agitação marítima agravada. A zona infralitoral poderá, nestas condições, apresentar riscos adicionais de segurança, além de ser dificultado o desenvolvimento dos exercícios previstos.

Figura 2.11. Baixa-mar sob influência de lua-cheia.

Figura 2.12. Baixa-mar sob influência de quarto crescente.

51


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

Apesar da aparente dificuldade na escolha de uma baixa-mar adequada, a norma que se apresenta deverá ultrapassar os obstáculos inerentes a essa selecção. Assim, aponta-se para a escolha de uma baixa-mar ideal igual ou menor a 0,6 m de altura, condições climatéricas amenas, normalmente presentes a partir do mês de Maio, e uma praia com características o mais próximo possível de baía, com hidrodinamismo eventualmente reduzido por formações rochosas que amenizem a acção das ondas na zona intertidal. Um reconhecimento prévio da praia e das suas principais características físicas revela-se essencial nesta fase, bem como das condições climatéricas esperadas para os dias contíguos à data prevista para a visita de estudo. Outro aspecto a ter em conta para a eficaz realização desta actividade contempla o tempo efectivo de trabalho em campo, ou seja, a duração em que a baixa-mar expõe a totalidade da zona intertidal. Salienta-se o facto deste elemento se encontrar igualmente relacionado com as características da praia em questão. Esta duração contempla cerca de três a quatro horas de trabalho efectivo. Quando em situação de passagem da preia-mar para a baixa-mar, o recuar das águas demora em média três horas. Isto faz com que a primeira zona a ser exposta na zona intertidal seja a supralitoral. Apesar de se poder considerar iniciar a visita de estudo tanto a partir do nível superior da zona intertidal em direcção à zona inferior como o oposto, considera-se ser mais vantajoso programar o início temporal e espacial da visita cerca de uma hora antes da hora escalonada para a baixa-mar e na zona infralitoral. Ao escolher estar presente uma hora antes da hora prevista para a baixa-mar, o professor poderá desenvolver algumas das actividades propostas no guião que contemplam o percurso até à zona de estudo e a preparação do vestuário e equipamento. No que respeita ao início espacial da visita, desenvolvendo a actividade a partir da zona inferior, o professor garante que não é despendido tempo extra em cada zona estudada pois a subida da maré não o irá permitir. Escolher esta sequência espacial é igualmente importante dado o facto de, como a zona intertidal apresentar a mais elevada biodiversidade e complexidade de todo o intertidal, mais tempo irá ser gasto no seu estudo e, assim sendo, será conveniente iniciar o estudo nesta parte do intertidal. O professor deve verificar as condições físicas na zona infralitoral imediatamente antes do início da actividade. Deverá comprovar a presença a descoberto de organismos tais como algas vermelhas e/ou verdes, ouriços-do-mar, mexilhões, percebes e, eventualmente, a ausência de cracas (excepto o grupo das cracas de maiores dimensões – género Balanus spp.). É igualmente de vital importância o professor avaliar o grau de risco imposto pelo hidrodinamismo na zona em questão, pois a acção das ondas constitui um perigo adicional na segurança dos alunos. Não é imprescindível 52


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

iniciar a visita no limite inferior da zona infralitoral, mas apenas num local desta zona que apresente as suas principais características bióticas. As autoras chamam identicamente a atenção para o facto de ser essencial um reconhecimento prévio da biodiversidade existente nas diversas zonas estudadas; o professor terá que, recorrendo ao guia de identificação de organismos, tomar contacto com as espécies existentes antes da visita em si. Deste modo, garante um maior domínio e capacidade de orientação em relação aos seus alunos sobre esta vertente tão importante da visita. Para além disso, o professor fica ainda com a tarefa de seleccionar as questões, ou mesmo adaptá-las, de acordo com os conteúdos programáticos que pretende focar, com as competências que pretende desenvolver e de acordo com as características específicas de cada turma envolvida. Salienta-se ainda que, para a realização desta actividade prática, a turma deve estar dividida em grupos de 4 a 5 alunos, já definidos na aula anterior. O porta-voz de cada grupo deve ficar responsável pela apresentação das conclusões a que o grupo chegou, assim como pelo eficaz funcionamento do mesmo e ainda pelo cumprimento da(s) tarefa(s) definida(s) para o seu grupo.

Procedimentos Administrativos Aquando a planificação da visita de estudo há que ter em consideração a legislação em vigor sobre a realização da mesma. O Despacho n.º 28/ME/91, de 28 de Março, regulamenta, sobretudo, as visitas de estudo ao estrangeiro e os programas de geminação e intercâmbio escolar, não contemplando os princípios orientadores e organizativos das visitas de estudo em território nacional. Apenas a 4 de Janeiro de 2005 foi emitido o Ofício Circular n.º2, pela Direcção Regional de Educação de Lisboa, onde se apresentam orientações para a implementação e aprovação de visitas de estudo ao estrangeiro e em território nacional, intercâmbios escolares, passeios escolares e colónias de férias. Assim, de acordo com esta Circular, “as visitas de estudo devem constar da planificação do trabalho lectivo de cada disciplina, Departamento, do Conselho de Turma e respectivo Projecto Curricular, respeitando os seguintes itens: - razões justificativas da visita; - objectivos específicos; - guiões de exploração do(s) local(ais) a visitar; - aprendizagens e resultados esperados; - regime de avaliação dos alunos e do projecto; - calendarização e roteiro da visita; - docentes a envolver ([…] 1 docente por cada 15 alunos no 3º ciclo do ensino básico e ensino secundário); 53


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

- apresentação obrigatória de um Plano de ocupação/ proposta de actividades para alunos não participantes na visita de estudo ou intercâmbio escolar ou cujos professores se encontram integrados numa visita; - data de aprovação da visita de estudo/ intercâmbio escolar em Conselho Pedagógico; - data da reunião de pais para aprovação e autorização da participação dos educandos na respectiva actividade.” Assim sendo, é essencial que o professor inicie a preparação da visita de estudo com muita antecedência, para que possa submeter a proposta dessa visita à apreciação do Departamento Curricular e do Conselho de Turma e, posteriormente, à aprovação do Conselho Pedagógico. As escolas, normalmente, possuem um impresso próprio, no qual o professor tem de indicar várias informações relativas à visita de estudo: local, data, objectivos, professor responsável, turmas, professores acompanhantes, entre outros aspectos. No Apêndice D apresenta-se o exemplo o exemplo de uma folha de registo. Normalmente, cada escola tem o seu impresso normalizado. Caso a praia a visitar seja distante da escola e a deslocação dos alunos não possa ser feita a pé, o professor terá que contactar entidades transportadoras de modo a pedir orçamentos para a realização dessa deslocação. É de salientar que, por vezes, as Câmaras Municipais ou Juntas de Freguesia oferecem condições especiais às escolas nas deslocações em visitas de estudo com o autocarro dessa entidade, garantido preços mais baixos ou mesmo gratuitos. Esses contactos têm que ser efectuados com muita antecedência, dado que nem sempre é fácil conjugar a disponibilidade do autocarro com a data em que se pretende a visita. Na preparação da visita de estudo, o professor terá também que contactar os encarregados de educação dos alunos que irão participar na visita, informando-os das características da actividade, dos custos, do material necessário, entre outros aspectos que o professor considerar pertinentes. No Apêndice D apresenta-se o exemplo de um documento que pode ser utilizado para esse fim. De acordo com o Ofício Circular n.º 2, o professor terá mesmo que convocar uma reunião com os encarregados de educação para aprovação e autorização da participação dos educandos na respectiva visita de estudo. O professor também não se deverá esquecer de colocar, com cerca de 48 horas de antecedência, no livro de ponto, ou no local da escola existente para o efeito, uma comunicação escrita aos professores da(s) turma(s) envolvida(s) relembrando a data e hora da visita, bem como o registo do nome dos alunos que nela vão participar. Após a realização da visita de estudo, e dependendo da escola, será pertinente que o professor efectue a avaliação da actividade e a entregue ao órgão de gestão. No Apêndice D apresenta-se o exemplo de um relatório. Normalmente, cada escola tem o seu relatório normalizado. 54


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

2.2.2 – Guião do Professor

Para os alunos: Ao longo deste ano lectivo, nas aulas de Ciências Naturais, temos estado a estudar a temática dos ecossistemas. A praia das Avencas – uma praia rochosa – constitui um exemplo de um ecossistema marinho entre-marés. Deste modo, nesta visita de estudo pretende-se que possas estudar, no local, vários conceitos relacionados com a dinâmica dos ecossistemas: a zonação de um ecossistema de uma zona litoral, algumas adaptações dos seres vivos a factores abióticos limitantes, interacções entre seres da comunidade e perturbações ao equilíbrio dos ecossistemas. A visita consta de várias etapas. Neste guião está descrito o que o teu grupo deve fazer em cada uma delas: as amostras que deve recolher e os aspectos a que deve ter atenção. Em conjunto com os elementos do teu grupo, deves igualmente responder às questões que te são colocadas e, no final da visita de estudo, entregar o guião ao teu professor. Posteriormente, na próxima aula de Ciências Naturais, haverá discussão dos conceitos abordados ao longo da visita. Durante a visita de estudo é fundamental que não te esqueças de algumas regras de comportamento importantes, as quais foram definidas pela turma: -

Não te afastes do resto do grupo e mantém sempre a ordem;

-

Tem o cuidado de não danificar e de perturbar o menos possível o ecossistema;

-

Se virares rochas soltas para observares determinados seres vivos, no fim torna a colocá-las devagar no local, pois os animais que se encontram debaixo tinham reunido as suas condições de abrigo e protecção;

-

Observa e não colectes os seres vivos, excepto quando sugerido;

-

Em caso de perigo notifica a pessoa responsável;

-

Reserva sempre o lixo em recipientes apropriados e, na sua falta, coloca-o em sacos de plástico. Através desta introdução pretende-se que os alunos percebam que esta actividade se irá debruçar sobre

aspectos científicos abordados ao longo do ano lectivo, especialmente no âmbito da unidade temática “Ecossistemas” (Ministério da Educação, 2002). Para além disso, esclarece os alunos quanto ao modo como irá decorrer a actividade prática e responsabiliza-os pelas regras de comportamento já definidas pela turma na aula anterior. Deste modo, é conveniente que o professor analise esta introdução, em conjunto com todos os alunos da turma, antes de chegar ao local da visita de estudo, salientando o facto das tarefas propostas serem realizadas em grupo, assim como as tarefas específicas de cada grupo.

55


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

Para os alunos: 1- Tendo em consideração que um ecossistema é regulado quer por factores abióticos quer por factores bióticos, quais são os factores abióticos que podes identificar neste ecossistema litoral da Praia das Avencas? Nesta questão, os alunos devem recordar o conceito de ecossistema, como o nível de organização mais abrangente, no qual existe uma complexa interacção entre os factores bióticos – os seres vivos – e os factores abióticos – o meio físico e os factores físico-químicos a ele associados (Hickman et al., 1995). De modo a responderem à questão, o professor deve auxiliar os alunos para que refiram os seguintes factores abióticos: temperatura, tempo de imersão/emersão, variação da salinidade e hidrodinamismo. Através desta questão pretende-se chamar a atenção dos alunos para alguns dos factores abióticos existentes neste ecossistema marinho entre-marés, para que nas próximas questões associem estes factores às adaptações dos seres vivos ao meio. Deste modo, nesta questão são requeridas competências no domínio do conhecimento substantivo.

Para os alunos: 2- Observa com atenção o esquema da Figura 2.13, onde estão representadas três zonas distintas da zona litoral entre-marés.

Figura 2.13.

56


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

2.1- A delimitação das três zonas representadas na Figura 2.13 está relacionada com a existência de diferentes associações de organismos, cuja presença está dependente da intensidade de vários factores abióticos e das suas adaptações aos mesmos. Considerando

o

factor

abiótico

tempo

de

imersão/emersão,

estabelece

a

correspondência correcta entre as zonas da coluna I e as frases da coluna II.

Coluna I

Coluna II

Zona supralitoral

Está sujeita a uma emersão e uma imersão alternadas, duas vezes por dia.

Zona mediolitoral

Recebe gotas de água das ondas mas muito raramente fica coberta de água.

Zona infralitoral

Apenas

uma

pequena

parte

fica

a

descoberto na maré baixa. Os alunos devem chegar à seguinte correspondência: zona supralitoral – recebe gotas de água das ondas mas muito raramente fica coberta de água; zona mediolitoral – está sujeita a uma emersão e uma imersão alternadas, duas vezes por dia; zona infralitoral – apenas uma pequena parte fica a descoberto na maré baixa. Pretende-se, assim, que os alunos relembrem o conhecimento adquirido na aula anterior sobre a influência do fenómeno das marés na zonação de muitos seres vivos. Por exemplo, os organismos que suportam facilmente a exposição ao ar serão encontrados na zona supralitoral e aqueles que são mais sensíveis a este factor limitante serão encontrados na zona infralitoral. Nesta questão são requeridas competências nos domínios do conhecimento substantivo e processual, através da leitura e interpretação de uma tabela sobre a zonação de um ecossistema marinho entre-marés. Apesar de nesta questão se fazer referência apenas a um factor físico – tempo de exposição ao ar, as autoras chamam a atenção para o facto de outros factores físicos determinarem a distribuição dos organismos do intertidal e, consequentemente, a zonação, tais como a temperatura e a salinidade. Para além disso, e tal como refere Nybakken (2001), “apesar da maioria das evidências indicarem que os factores físicos são fortes determinantes dos limites superiores da distribuição dos organismos intertidais, outras explicações são viáveis, e outras ainda estão por investigar” (p.253), por exemplo a influência dos factores biológicos, tais como a competição, predação e herbivoria.

Para os alunos: Zona Infralitoral 3- Observa a zona infralitoral e, com base no guia de identificação de organismos, identifica os seres vivos que predominam nesta zona, indicando quer o nome científico quer o nome vulgar (se existir).

57


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 Na zona infralitoral, os diferentes grupos de alunos, com a orientação do professor e recorrendo ao guia de identificação de organismos, podem identificar alguns dos seguintes seres vivos: -

Actinia equina (anémona)

-

Anemonia sulcata (anémona verde comum)

-

Aplysia sp. (lesma-do-mar)

-

Balanus spp. (cracas de grandes dimensões)

-

Calliostoma zizyphinum (caracol-do-mar)

-

Carcinus maenas (caranguejo verde)

-

Codium sp. (algas verde)

-

Colpomenia peregrina (alga)

-

Corallina elongata. (alga calcária encrustante)

-

Cystoseira tamariscifolia (alga azul fluorescente)

-

Doris verrucosa (nudibrânquio)

-

Eriphia verrucosa (caranguejo)

-

Eulalia viridis (poliqueta verde)

-

Gelidium sesquipedale (alga vermelha)

-

Gibbula umbilicalis (burrié)

-

Halopteris scoparia (alga castanha)

-

Hypselodoris villafranca (nudibrânquio)

-

Hymeniacidon sanguinea (esponja laranja)

-

Leathesia sp. (alga)

-

Lithophyllum incrustans (alga calcária encrustante)

-

Marthasterias glacialis (estrela-do-mar comum)

-

Mastocarpus stelatus (alga vermelha)

-

Misidáceos

-

Mytilus galloprovincialis (mexilhão)

-

Necora puber (navalheira)

-

Octopus vulgaris (polvo)

-

Palaemon serratus (camarão branco legítimo)

-

Patella ulyssiponensis (lapa)

-

Patina pelucida (sobre laminárias-Saccorhiza polyschides)

-

Paracentrotus lividus (ouriço-do-mar)

-

Pollicipes pollicipes (percebe ou perceve)

-

Saccorhiza polyschides (limo-de-correia)

-

Ulva lactuca (”alface-do-mar”) Tal como na questão anterior, também aqui são requeridas competências no domínio do conhecimento

substantivo e processual, através da interpretação de dados expressos no guia de identificação de organismos e também através da correspondente identificação dos seres vivos observados na zona infralitoral.

58


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

3.1- Sabias que…. As estrelas-do-mar são capazes de regenerar partes do seu corpo se forem atacadas por um predador? Esta propriedade fantástica é actualmente estudada para aplicação em seres humanos. O professor pode esclarecer os alunos que os biólogos se encontram, actualmente, a estudar estas propriedades regenerativas da estrela-do-mar para aplicação humana. Sabendo que os equinodermes e o Homem partilham pontos comuns na história evolutiva, estes cientistas tentam estudar a possibilidade dos genes que possibilitam a regeneração de membros poderem conduzir a uma aplicação humana deste tipo de faculdade (Butterworth-McKittrick, 1999). Através desta pequena informação pretende-se que os alunos compreendam que existe uma inter-relação entre a Ciência e a Sociedade (domínio do conhecimento epistemológico).

Para os alunos: 4- Numa comunidade intertidal, as relações bióticas que se estabelecem são importantes para a manutenção do equilíbrio desse ecossistema. Refere que relação biótica se estabelece entre os mexilhões (Mytilus galloprovincialis) e as algas calcárias (Lithophyllum incrustans). Justifica. Os alunos devem chegar à conclusão que entre estes dois tipos de populações se estabelece uma relação interespecífica de competição pelo espaço, dado que o espaço ou está ocupado por algas encrustantes ou por mexilhões, sendo neste caso evidente que estas duas populações lutam pelo espaço. Tal como é referido por Boaventura, Fonseca e Hawkins (2002), a “competição ocorre quando indivíduos da mesma espécie ou de espécies diferentes são afectados adversamente uns pelos outros enquanto tentam adquirir o mesmo recurso, o qual existe em pouca quantidade” (p.172). Neste caso concreto, o recurso comum pelo qual os dois organismos de espécies diferentes competem é o espaço. Na zona intertidal rochosa, o espaço é, normalmente, um recurso muito limitado, já que esta é a zona do ambiente marinho mais pequena e, ao mesmo tempo, a mais densamente povoada (Nybakken, 2001). O professor deve referir que o ouriço-do-mar e as lapas são animais herbívoros que, ao alimentarem-se das algas encrustantes, permitem que o mexilhão seja um competidor mais bem sucedido. Com esta discussão pretende-se, sobretudo, que os alunos desenvolvam competências nos domínios do conhecimento substantivo e do raciocínio, através da aplicação de conhecimentos já adquiridos, neste ano lectivo, sobre as relações bióticas.

Para os alunos: 5- Nas aulas de Ciências Naturais também verificaste que os factores abióticos assim como os factores bióticos influenciam o modo de viver dos organismos, afectando o seu desenvolvimento e o próprio comportamento. 5.1- De que modo os mexilhões e os caracóis se adaptaram ao factor abiótico hidrodinamismo (movimento da água)?

59


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 Para que os alunos possam responder a esta questão, o professor deve fazer algumas questões de orientação, tais como “os mexilhões são animais de vida livre ou sésseis?”, “como se fixam os mexilhões à rocha?”, “onde se localizam preferencialmente os caracóis?”. Os alunos devem chegar às seguintes conclusões: como adaptação ao hidrodinamismo, o mexilhão possui bissos para se fixar à rocha e o caracol encontra-se em fendas ou cavidades na rocha para ficar mais protegido do arrastamento e do embate das ondas. Nesta questão pretende-se que os alunos apliquem conhecimentos já adquiridos sobre a adaptação dos seres vivos ao meio e, deste modo, desenvolvam competências nos domínios do conhecimento substantivo e do raciocínio.

5.2- Determinados seres vivos, para escaparem aos seus predadores, utilizam técnicas de camuflagem de modo a passarem despercebidos. Tenta descobrir um ser vivo que evidencie esta adaptação. Os alunos, ao observarem os seres vivos da zona infralitoral, podem deparar-se com organismos que estejam camuflados de modo a passarem despercebidos aos seus predadores. Por exemplo, podem encontrar lapas ou ouriçosdo-mar cobertos por algas existentes no meio em seu redor (Figuras 2.14 e 2.15), podendo ainda os ouriços-do-mar recorrer a conchas de lapas para disfarçar a sua presença. As lapas podem ainda ser encontradas cobertas por cracas. Pretende-se, deste modo, que os alunos apliquem conhecimentos já adquiridos sobre as relações interespecíficas, nomeadamente sobre a predação e a capacidade de camuflagem de diferentes presas, desenvolvendo assim competências nos domínios do conhecimento substantivo e do raciocínio.

Figura 2.14 – Patella depressa (lapa) coberta por algas existentes no habitat em seu redor.

Figura 2.15 – Paracentrotus lividus (ouriço-domar) com fixação de algas no seus espinhos.

Para os alunos: Debaixo das rochas soltas 6- Recolhe para o tabuleiro, com muito cuidado e sem danificar, seres vivos de vida livre que encontres debaixo de pequenas rochas, como por exemplo, caranguejos e peixes. O professor deve avisar todos os alunos que no tabuleiro devem juntar água suficiente para que os organismos fiquem cobertos, ou para que possam nadar livremente, e que devem levar apenas os animais quando estiverem certos que os conseguem manter vivos.

60


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

6.1- Com o auxílio do guia de identificação de organismos, identifica-os, indicando o respectivo nome científico e vulgar (se existir). Atenção! No final da tarefa, devolve com muito cuidado cada um dos seres vivos ao seu habitat. Debaixo das rochas, os alunos podem encontrar e recolher para o tabuleiro alguns dos seguintes seres vivos: -

Acmaea virginica

-

Antedon bifida

-

Asterina gibbosa (estrela-do-mar pequena)

-

Blennius sp. e Gobius sp. (caboz)

-

Clibanarius erythropus (caranguejo eremita ou casa-alugada)

-

Lepadogaster lepadogaster (sugador)

-

Necora puber (navalheira – caranguejo castanho com olhos vermelhos)

-

Nerophis lumbriciformes (pequeno peixe)

-

Pachygrapsus marmoratus (caranguejo negro com o último segmento do último par de patas em cunha)

-

Porcellana platycheles (caranguejo castanho com tenazes grandes e peludo)

-

Octopus vulgaris (polvo)

-

Ophiotrix fragilis

-

Xantho spp. (caranguejo de aparência robusta mas de pequena dimensão e de cor castanho escuro) É provável que nesta etapa os vários grupos recolham diferentes organismos e, por isso, é aconselhável que

haja um momento de observação em comum dos seres vivos que cada grupo recolheu. Os alunos devem verificar que a listagem final dos organismos existentes debaixo das rochas provém do trabalho conjunto dos vários grupos. Nesta tarefa são requeridas competências no domínio do conhecimento substantivo e processual, através da interpretação de dados expressos no guia de identificação de organismos e ainda através da correspondente identificação dos seres vivos observados debaixo das rochas soltas da zona infralitoral. Pretende-se também que os alunos mobilizem competências nos domínios da comunicação e das atitudes, através da cooperação na partilha de informação. Uma vez que os alunos irão observar caranguejos, o professor pode chamar a atenção para a diferença que existe entre os machos e as fêmeas (apresentam dimorfismo sexual): o abdómen, que se encontra na face inferior do animal, é em forma de “V” invertido estreito no macho, e em forma de “U” invertido na fêmea, mas consideravelmente mais largo, como que arredondado (Figuras 2.16 e 2.17).

Figura 2.16 - Pormenor da zona abdominal de um macho de Pachygrapsus marmoratus.

Figura 2.17 – Pormenor da zona abdominal de uma fêmea de Pachygrapsus marmoratus.

61


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 O professor deve certificar-se que, depois de os examinarem, os alunos colocam os animais recolhidos, no mesmo local onde os removeram ou, caso seja impossível, devem procurar um local com características semelhantes (Campbell, 1994). Poderá haver, por exemplo, um grupo responsável pela verificação do cumprimento desta tarefa.

Para os alunos: 6.3- Explica de que modo os animais que recolheste para o tabuleiro conseguem evitar a perda de água durante a baixa-mar. Através desta questão, pretende-se que os alunos, inicialmente, compreendam que os organismos marinhos começam a perder água por evaporação, quando na altura da baixa-mar ficam expostos ao ar. Assim sendo, para que esses organismos consigam sobreviver na zona intertidal, essa perda de água tem de ser minimizada. No caso concreto dos animais de vida livre que encontraram debaixo das rochas soltas, os alunos devem perceber que estes animais usam um mecanismo muito simples para evitar a perda de água: eles deslocam-se dos locais que ficaram expostos ao ar para locais mais húmidos, como os que se podem encontrar debaixo das rochas. Estes animais evitam as condições ambientais adversas da zona intertidal, aquando a baixa-mar, seleccionando microhabitats adequados (Nybakken, 2001).

Para os alunos: Zona mediolitoral 7- Observa a zona mediolitoral e, com base no guia de identificação de organismos, identifica os seres vivos que predominam nesta zona, excepto nas poças de maré, indicando quer o nome científico quer o nome vulgar (se existir). Na zona mediolitoral (excepto nas poças de maré), os diferentes grupos de alunos, com a orientação do professor e recorrendo ao guia de identificação de organismos, podem identificar algumas das seguintes espécies: -

Actinia fragacea

-

Anfípodes

-

Asterina gibbosa

-

Chthamalus sp. (cracas pequenas)

-

Eriphia verrucosa

-

Fucus spiralis

-

Gibbula umbilicalis

-

Lichina pygmaea (líquen de cor negra)

-

Lithophyllum lichenoides

-

Marthasterias glacialis (estrela-do-mar comum)

-

Osillinus lineata (caramujo)

-

Oncidiella celtica

-

Pachygrapsus marmoratus

62


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 -

Palaemon serratus

-

Patella depressa (lapa – no rebordo do manto na face ventral observam-se pontuações brancas)

-

Patella ulyssiponensis

-

Sabellaria alveolata (poliqueta de tubos de areia)

-

Sagartia sp. Tal como na tarefa anterior, também nesta os alunos têm de interpretar dados expressos no guia de

identificação de organismos, assim como efectuar a correspondente identificação dos seres vivos. Pretende-se, por isso, desenvolver competências no domínio do conhecimento substantivo e processual.

7.1- Sabias que… As lapas, como por exemplo as que pertencem à espécie Patella depressa, produzem uma espécie de super cola para resistir ao desalojamento causado pela acção das ondas? Esta substância é actualmente estudada para uso na indústria de substâncias adesivas. O professor pode esclarecer os alunos que uma das adaptações exibidas pelas lapas ao ambiente intertidal é a sua capacidade de se manterem fixas em áreas específicas (relembrar o conceito de cicatriz ou home-scar), mesmo sob a acção do hidrodinamismo. Investigadores tentam, actualmente, analisar o processo como estes animais usam proteínas com capacidades adesivas funcionais mesmo em substratos imersos; mais especificamente, esses investigadores tentam identificar a componente química destes compostos que lhes permitirá desenvolver novos tipos de cola capazes de manter as suas propriedades, mesmo em condições de imersão. Tal como se pretendia na informação do item 3.1., também aqui se pretende que os alunos compreendam que existe uma inter-relação entre a Ciência e a Sociedade (domínio do conhecimento epistemológico).

Para os alunos: 8- Esta zona apresenta maior ou menor biodiversidade que a zona anterior? Justifica. Através desta questão, os alunos têm que recordar o conceito de biodiversidade, um conceito fundamental para esta actividade, como a variedade de espécies de seres vivos que vivem num determinado ambiente. Assim, pretende-se chamar a atenção dos alunos para a diminuição de biodiversidade na passagem da zona infralitoral para a zona mediolitoral. Os alunos devem indicar que as condições abióticas no nível mediolitoral são fontes mais acentuadas de stress físico e que a disponibilidade de alimento é inferior, suportando esta zona uma diversidade mais reduzida. Nesta questão são, assim, requeridas competências nos domínios do conhecimento substantivo e do raciocínio, uma vez que os alunos têm que recordar o conceito de biodiversidade e que aplicá-lo ao caso concreto da zona entremarés.

Para os alunos: 9- Na zona infralitoral verificaste que existia uma relação biótica entre os mexilhões (Mytilus galloprovincialis) e as algas calcárias (Lithophyllum incrustans). 63


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

Refere agora que relação biótica se estabelece entre as cracas (Chthamalus sp.) e as lapas (Patella depressa). Mais uma vez e tal como haviam verificado entre os mexilhões e as algas calcárias, os alunos devem chegar à conclusão que a relação biótica que se estabelece entre as cracas (Chthamalus sp.) e as lapas (Patella depressa) representa uma relação interespecífica de competição pelo espaço. Nesta situação, o professor deve chamar a atenção dos alunos para o caso das lapas que têm em seu redor uma área sem cracas e algas, que se deve ao facto das lapas se alimentarem e moverem em volta da sua home-scar, ou seja, cicatriz no substrato, onde regressam sistematicamente após qualquer uma daquelas actividades. Com esta questão pretende-se, principalmente, que os alunos desenvolvam competências nos domínios do conhecimento substantivo e do raciocínio, através da aplicação de conhecimentos já adquiridos sobre as relações bióticas interespecíficas.

Para os alunos: 10- Também nesta zona, os seres vivos estão adaptados aos factores abióticos, mas o principal factor abiótico limitante é a exposição ao ar. Assim sendo, os organismos têm de estar adaptados ao facto de estarem duas vezes por dia sem água, durante cerca de 3 a 4 horas. 10.1- Compara os caracóis característicos desta zona (Osillinus lineata) com os caracóis que encontraste na zona infralitoral (Gibbula umbilicalis), quais as principais diferenças ao nível da cor e do tamanho? Os alunos devem verificar que as duas espécies apresentam diferenças bem visíveis: o caramujo (Osillinus lineata) da zona mediolitoral apresenta uma cor mais clara e é de maiores dimensões que o burrié (Gibbula umbilicalis) da zona infralitoral. Deste modo, nesta questão pretende-se desenvolver competências no domínio do raciocínio, através da comparação de dois organismos gastrópodes.

Para os alunos: 10.2- Em que medida essas diferenças tornam o caracol da zona mediolitoral (Osillinus lineata) mais resistente à exposição ao ar e à temperatura elevada? O professor deve auxiliar os alunos a perceberem que o facto do caramujo da zona mediolitoral (Osillinus lineata) ser de maiores dimensões pode permitir ao animal armazenar maiores quantidades de água no seu interior e, para além disso, pode ainda permitir que o animal demore mais tempo a aquecer (um corpo maior demora mais tempo a aquecer do que um mais pequeno) (Nybakken, 2001); e o facto de possuir uma cor mais clara, pode também possibilitar-lhe um menor aquecimento do que o burrié da zona infralitoral (Gibbula umbilicalis), estando por isso melhor adaptado à demorada exposição ao ar e a temperaturas elevadas.

64


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 Tal como na questão anterior, também nesta são requeridas competências complexas no domínio do raciocínio, pela aplicação de conhecimentos sobre a adaptação dos seres vivos ao meio.

Para os alunos: 10.3- Tenta retirar uma lapa do substrato rochoso e tocar no opérculo (placa redonda na zona ventral do corpo mole do organismo) do caramujo. O que acontece em ambos os casos? Os alunos ao tentarem tirar uma lapa da rocha, ou não vão consegui-lo ou conseguem-no muito dificilmente, dado que a lapa está fixa na rocha. Perante esta situação, o professor deve explicar que a fixação das lapas à rocha tem a função de minimizar a perda de água, sendo portanto uma adaptação à demorada exposição ao ar e a temperaturas elevadas. De igual modo, pode recorrer-se ao burrié ou caramujo, nos quais um toque no opérculo (Figura 2.18) leva à sua retracção e à libertação do excesso de água retido no interior da concha. Pretende-se, assim, que os alunos mobilizem competências no domínio dos conhecimentos substantivo e processual.

Figura 2.18 – Evidência do opérculo de Gibbula umbilicalis.

Para os alunos: 10.4- Tendo em consideração as alterações que o caramujo sofreu quando tocaste no seu opérculo e sabendo que é através desta placa que efectuam trocas com o meio ambiente, explica de que forma este organismo se adapta à menor disponibilidade de água? Pretende-se que os alunos, ao terem verificado que um toque no opérculo do caramujo leva à sua retracção, compreendam que este organismo se adapta à menor disponibilidade de água fechando o opérculo, já que com esta placa fechada deixam de existir trocas com o meio ambiente e, deste modo, evitam as perdas de água. Caso os alunos questionem porque motivo não podem ocorrer trocas com o meio através da concha do caramujo, o professor deverá referir que isso não ocorre porque a concha é impermeável (Nybakken, 2001). Assim, nesta questão são requeridas competências nos domínios do conhecimento substantivo e do raciocínio. O professor deve chamar a atenção dos alunos para o facto das cracas também possuírem adaptações a este factor abiótico, como por exemplo, terem os cirros (membros articulados com função de apanharem o alimento na coluna de água) recolhidos – estarem fechadas (Figuras 2.19 e 2.20).

65


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

A

B

Figura 2.19 – Chthamalus sp. A – Cirros recolhidos, B – Início da distenção dos cirros.

Figura 2.20 – Chthamalus sp. Cirros distendidos.

Para os alunos: Nas poças de marés 11- Observa as poças de maré e identifica, com o auxílio do guia de identificação de organismos, os seres vivos que predominam nestes locais, indicando quer o nome científico, quer o nome vulgar (se existir). Nas poças de maré, os vários grupos de alunos podem identificar algumas das seguintes espécies: -

Actinia equina (anémona vermelha)

-

Anemonia sulcata (anémona verde comum)

-

Blennius sp. e Gobius sp. (caboz)

-

Corallina elongata (alga encrustante com talo com artículos)

-

Gibbula umbilicalis (burrié)

-

Hypselodoris villafranca (nudibrânquio)

-

Lithophyllum incrustans (alga encrustante com talo em crostas)

-

Mytilus galloprovincialis (mexilhão)

-

Padina pavonia

-

Palaemon serratus (camarão branco legítimo)

-

Paracentrotus lividus (ouriço-do-mar)

-

Sagartia spp. (anémona com tentáculos brancos pontuados com cores castanhas)

66


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 Quando os alunos observarem peixes nas poças de maré, como por exemplo cabozes, o professor pode chamar a atenção para o facto dos peixes se deslocarem na zona infralitoral quando a maré está cheia. Nesta tarefa são requeridas competências no domínio do conhecimento substantivo e processual, através da interpretação de dados expressos no guia de identificação de organismos e também através da correspondente identificação dos seres vivos das poças de maré da zona mediolitoral.

11.1- Sabias que… Os nudibrânquios (lesmas-do-mar) produzem substâncias anticancerígenas? O professor pode esclarecer os alunos que, devido ao facto de este tipo de animais não possuírem concha, estes animais desenvolveram outro tipo de defesa contra predadores que se baseia no fabrico e uso de substâncias bioactivas capazes de provocar a morte ou o afastamento de um predador. Como no caso da esponja do mar das Caraíbas da qual foi extraído o AZT, um dos químicos mais utilizado no tratamento da SIDA, o objectivo dos investigadores que estudam estes seres vivos é descobrir novos fármacos. As substâncias bioactivas produzidas pelas lesmas-do-mar revelam ter um potencial anti-cancerígeno e analgésico. Mais uma vez, através desta curiosidade científica, pretende-se que os alunos compreendam que a Ciência e a Sociedade estão inter-relacionadas (domínio do conhecimento epistemológico).

Para os alunos: 12- Tendo em consideração os seres vivos existentes, associas as poças de maré à zona mediolitoral ou à zona infralitoral? Justifica. Através desta questão pretende-se que os alunos associem as poças de maré à zona infralitoral, uma vez que os seres vivos que encontram nas poças são diferentes dos que encontraram na zona mediolitoral, mas semelhantes aos que identificaram na zona infralitoral. O professor deve esclarecer que as poças de maré correspondem a uma excepção na zona mediolitoral, sendo um local com condições ambientais próximas das da zona infralitoral. As poças de maré são, assim, representativas em termos de biodiversidade da zona infralitoral. O professor pode ainda questionar os alunos em relação aos factores abióticos que estão sujeitos a variação nas poças de maré. Neste caso, os alunos devem compreender que esses factores abióticos são, essencialmente, três: (1) a temperatura – as variações na temperatura diária de uma poça de maré podem chegar aos 15ºC; (2) a salinidade – durante a baixa-mar, as poças de maré podem aquecer, ocorrendo a evaporação e aumentando a salinidade; e (3) concentração do oxigénio – a quantidade de oxigénio dissolvido na água do mar depende da temperatura, ou seja, quanto mais aquecer uma poça de maré, durante a baixa-mar, maior será a perda de oxigénio. Assim sendo, apesar das poças de maré poderem ser locais de refúgio dos organismos intertidais à dessecação, nem todos conseguem suportar as alterações rápidas de temperatura, salinidade e concentração de oxigénio a que estão sujeitos esses locais (Nybakken, 2001).

67


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

Para os alunos: Zona supralitoral 13- Observa a zona supralitoral e, com base no guia de identificação de organismos, identifica os seres vivos que predominam nesta zona, indicando quer o nome científico quer o nome vulgar (se existir). Na zona supralitoral, os alunos podem encontrar algumas das seguintes espécies: -

Enteromorpha intestinalis e Enteromorpha linza (algas verdes)

-

Ligia oceanica

-

Melaraphe neritoides (borrelho-pequenos caracóis pretos)

-

Siphonaria pectinata (lapa cinzenta com estrias na concha)

-

Verrucaria maura (líquen preto semelhante a alcatrão) Nesta tarefa são requeridas competências no domínio do conhecimento substantivo e processual, através da

interpretação de dados expressos no guia de identificação de organismos e também através da correspondente identificação dos seres vivos observados na zona supralitoral.

Para os alunos: 14- Tem em consideração o esquema de zonação de uma praia rochosa da Figura 2.13. Regista nesse esquema o nome científico dos organismos predominantes em cada uma das três zonas estudadas. Através desta tarefa pretende-se que os alunos visualizem que, no esquema da Figura 2.13, cada uma das três zonas delimitadas é caracterizada por determinados seres vivos e que existe uma diminuição da biodiversidade na progressão da zona infralitoral para a zona supralitoral. Tenciona-se assim desenvolver competências no domínio do conhecimento substantivo e processual, através do preenchimento e interpretação de um esquema.

Para os alunos: 15- Em qual das três zonas do intertidal existe uma maior biodiversidade? E qual apresenta menor biodiversidade? Justifica. Com esta questão, que surge na continuidade da questão anterior, pretende-se que os alunos compreendam que há uma diminuição da biodiversidade desde a zona infralitoral até à zona supralitoral, uma vez que o tempo de exposição ao ar aumenta, a exposição a temperaturas elevadas e o stress de variação de salinidade também, resultando num maior nível de stress hídrico. São, assim, requeridas competências nos domínios do conhecimento substantivo e do raciocínio.

68


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

Para os alunos: 16- De seguida, apresentam-se alguns seres vivos pertencentes ao ecossistema da zona litoral, com os quais tiveste a possibilidade de contactar. Faz um esquema que mostre as relações alimentares entre os diferentes seres vivos representados abaixo (exemplo: 3 → 1→ …).

Lapa

Caranguejo

Polvo

Alface-do-mar

Os alunos devem relembrar os conteúdos adquiridos na unidade “Ecossistemas – Fluxos de energia e ciclo de matéria” (Ministério da Educação, 2002) e, deste modo, construir a seguinte cadeia alimentar: Ulva lactuca (4) (alga verde - produtor) → Patella depressa (1) (lapa - consumidor de 1ª ordem-herbívoro) → Pachygrapsus marmoratus (3) (caranguejo decápode - consumidor de 2ª ordem) → Octopus vulgaris (2) (polvo-consumidor de 3ª ordem). Pretende-se, assim, que desenvolvam competências nos domínios do conhecimento substantivo e processual.

Para os alunos: 17- Para além dos seres vivos que encontraste neste ecossistema marinho entre-marés, também podes ter acesso a informação sobre os organismos que aqui existiram no passado. Na unidade “A Terra conta a sua história”, no 7º ano de escolaridade, aprendeste que os organismos vivos que existiram na Terra em épocas passadas podem ser preservados sob a forma de fósseis. Localiza os fósseis existentes na plataforma rochosa do supralitoral. Que tipo de animal marinho ficou fossilizado? Através desta questão pretende-se que os alunos recordem o que aprenderam no 7º ano de escolaridade na temática “A Terra conta a sua História” (Ministério da Educação, 2002) e, deste modo, identifiquem na plataforma rochosa do supralitoral os fósseis de ostras. Os alunos podem referir diversos animais, tais como, bivalves, amêijoas, mas no final, devem perceber que o que observam corresponde a fósseis de conchas de ostras. São, assim, requeridas competências no domínio do conhecimento substantivo.

69


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 O professor pode ainda pedir aos alunos que identifiquem o tipo de rocha onde os fósseis se encontram, aplicando os conhecimentos adquiridos no 7º ano de escolaridade na unidade “Dinâmica externa da Terra” (Ministério da Educação, 2002) – rocha sedimentar denominada calcário. Para além disso, o professor pode também chamar a atenção dos alunos para outros aspectos geológicos que estão presentes na praia das Avencas e, normalmente, em qualquer praia rochosa: a falésia evidenciado estratos e calhaus rolados, diferentes tipos de rochas, a acção da erosão e a intrusão de um filão basáltico num encaixante sedimentar.

Para os alunos: 18- O equilíbrio dos ecossistemas pode ser comprometido por inúmeras catástrofes, as quais podem ocorrer naturalmente ou devido à intervenção humana. A poluição das águas constitui um exemplo de uma catástrofe de origem antropogénica e pode ser provocada por poluentes químicos, como o petróleo. Frequentemente podem observar-se petroleiros a passarem junto à costa que muitas vezes, infelizmente, não têm as características exigidas para um transporte seguro. Lê com atenção o seguinte excerto de um artigo publicado a 20-11-2002 na Siconline sobre uma das mais recentes marés negras provocada pelo petroleiro Prestige: Acidentes com petroleiros são grandes responsáveis pela morte do planeta Todos os anos mais de três mil milhões de litros de crude são derramados nos oceanos, seja por conta dos acidentes com petroleiros, pelas acções de manutenção, pela exploração em alto mar, entre outras fontes de poluição. Exxon Valdez e Erika são os nomes de tragédias recentes, a que se soma agora a do "Prestige". Os acidentes como o que atingiu a costa da Galiza têm efeitos devastadores na biodiversidade e no ciclo da vida no planeta. Os recifes, as áreas húmidas, as zonas de trocas de marés, as praias são alguns dos ecossistemas mais afectados pelas marés negras, com a morte de espécies de fauna e flora. No caso do "Prestige", o acidente ocorreu na chamada Zona Húmida de Importância Internacional, segundo a Convenção de Ramsar. Este tratado especifica formas de cooperação internacional para a conservação destas zonas, consideradas raras e muito significativas para conservar a diversidade biológica.

18.1- Com base na informação fornecida no artigo, refere qual a pior consequência dos acidentes com petroleiros. Os alunos devem referir que a pior consequência dos acidentes com petroleiros consiste no impacto ambiental, levando à destruição de fauna e flora. Pretende-se, assim, que os alunos desenvolvam competências no domínio do conhecimento substantivo, do raciocínio e da comunicação, através da interpretação do artigo apresentado e da selecção de informação, distinguindo o essencial e o acessório.

70


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010

Para os alunos: 18.2- Tem em atenção o seguinte problema: “Porque razão os acidentes com petroleiros provocam a destruição da fauna e da flora?”. Formula algumas hipóteses que possam responder ao problema colocado. Apresentam-se algumas sugestões de hipóteses: os acidentes com petroleiros provocam a destruição da fauna e da flora porque o petróleo é tóxico e provoca o envenenamento e asfixia dos organismos, provoca a perda da impermeabilidade de penas e pêlos de animais levando a que estes morram de frio, diminui a luminosidade provocando a morte das plantas, e, ao provocar a morte de alguns organismos, provoca também a morte dos que se alimentam deles – consequência em cascata. O professor pode realçar que a extinção de uma espécie pode afectar directa ou indirectamente toda a comunidade. Nesta questão são requeridas competências complexas no domínio do raciocínio, através da formulação de hipóteses. Para além disso, este conjunto de questões sobre a maré negra provocada pelo petroleiro Prestige permite uma introdução à temática “Perturbações no equilíbrio dos ecossistemas” (Ministério da Educação, 2002). Depois, na aula posterior, o professor poderá levar os alunos a realizarem actividades experimentais com o objectivo de apoiarem ou refutarem as hipóteses colocadas como resposta a esta questão. Esteves, Cardoso, Meia-Onça e Morais (2005) apresentam seis actividades experimentais que podem ser realizadas na aula posterior a esta visita de estudo, sendo testados os seguintes aspectos: os efeitos do petróleo na luminosidade e no nível de oxigénio na água do mar; a morte das aves marinhas pela impossibilidade de isolamento das suas penas; os efeitos do petróleo na areia; o modo de dispersão do petróleo; o efeito da temperatura na dispersão do petróleo; e as soluções de combate a este tipo de desastre ambiental. Caso não haja a possibilidade de se realizarem estas actividades experimentais, devido, por exemplo, a condicionalismos temporais, o professor deverá indicar quais as hipóteses colocadas pelos alunos que são apoiadas e quais as que são refutadas e deverá também apresentar as justificações para essa decisão. No final, pretendese que os alunos compreendam que “os acidentes com petroleiros provocam a destruição da fauna e da flora porque o petróleo provoca o envenenamento e asfixia dos organismos, reduz a sua mobilidade, provoca a perda da impermeabilidade de penas e pêlos de animais levando a que estes morram de frio, diminui a luminosidade provocando a morte das plantas, diminui o oxigénio provocando a morte dos animais, e consequentemente, pode afectar toda a teia trófica” (Esteves et al., 2005, p.38).

Para os alunos: 19- Do mesmo modo que os desastres com petroleiros podem provocar perturbações no equilíbrio dos ecossistemas, também a sobrexploração dos recursos pode provocar perturbações nos ecossistemas. Tem em consideração os seguintes estudos efectuados na Praia das Avencas pelo biólogo Carlos Almaça da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (1967, 1980):

1967- as espécies recolhidas com mais frequência eram o ouriço-do-mar, polvo, mexilhões, camarões, caranguejos, navalheiras, sapateiras, santolas e algas. Essas colheitas contribuíram para a alteração e degradação da biodiversidade.

71


O papel das visitas de estudo no ensino das ciências – O ambiente marinho entre-marés Ferreira & Silva, 2010 1980- ocorreu uma degradação considerável das espécies que até aí existiam e a extinção de algumas. Por exemplo, a sapateira e a santola deixaram de ser observadas ou colhidas.

Quais as medidas adoptadas actualmente pela Capitania do Porto de Cascais, de modo a que haja uma recuperação da biodiversidade da Praia das Avencas? (Observa o edital da capitania à saída da praia.) Ao observarem o edital da capitania à saída da praia (Figuras 2.21 e 2.22), os alunos devem verificar que foi proibida a apanha de organismos na praia das Avencas, excepto para fins científicos. Através desta questão, pretende-se que os alunos contactem com um problema local de perturbação ao equilíbrio dos ecossistemas devido à intervenção humana. Para além disso, pretende-se também que os alunos reconheçam o homem como um factor biótico que, por um lado, está na origem da perturbação do equilíbrio dos ecossistemas e, por outro, actua no combate à perturbação do equilíbrio dos ecossistemas.

Figura 2.22 Figura 2.21 O professor pode chamar a atenção dos alunos para o facto dos estudos efectuados pelo Professor Carlos Almaça terem contribuído para o conhecimento da diminuição da biodiversidade da praia das Avencas, devido à recolha em grande quantidade dos recursos marinhos. Deste modo, os alunos são alertados para a importância dos cientistas publicarem os resultados das suas investigações. No final desta actividade prática, o professor, ou o grupo de alunos responsável por essa tarefa, deve recolher o guião de cada aluno, de modo a efectuar a sua avaliação. Assim, e para que a aula posterior possa ir de encontro às necessidades de todos os alunos, poderá verificar quais foram as questões onde os diferentes grupos apresentaram maiores dificuldades.

72


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Visita de estudo em ambiente marinho entre-marés by Casa Ciências - Issuu