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Revista Ler - nº 23

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Revista do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz

Literatura

afro-latino-americana

Agosto de 2026, número 23

EXPEDIENTE

DIRETOR GERAL

Natacha Costa

DIRETOR DE GESTÃO

Marcelo Chulam

DIRETORA PEDAGÓGICA

Daniel Helene

Regina Scarpa

REVISTA LER

CONCEPÇÃO E PESQUISA

Alexandre Leite (Biblioteca Geral)

PROJETO GRÁFICO

Kiki Millan e Juliana Lopes (Casa Vera Cruz)

Revista do Sistema de Bibliotecas Vera Cruz

Agosto de 2026, número 23

Apresentação

A leitura nos permite atravessar fronteiras sem sair do lugar. Nesta edição da revista Ler, convidamos nossos/as profissionais a percorrerem caminhos da literatura afro-latino-americana, encontrando narrativas marcadas pela memória, pela ancestralidade, pela resistência e pela invenção de futuros possíveis.

Inspirada no tema da fliVera do 6º ao 9º ano de 2026 — dedicada à América Latina e, especialmente, às mulheres afro-latinas —, esta seleção reúne obras de autoras que ampliam nosso olhar sobre o continente que habitamos e sobre as múltiplas vozes que o constituem. São escritoras que transformam experiências individuais e coletivas em literatura viva, sensível e profundamente humana.

Neste número da revista Ler, conheçam uma seleção de obras de autoras afro-latino-americanas. Entre histórias, poemas, memórias e reflexões, desejamos que cada livro seja também um encontro com outras culturas e outras perspectivas.

Boa leitura!

A-Z das escritoras afro-latina-americanas

A Aidil Araújo Lima

Alcidéa Miguel de Souza

Alessandra Devulsky

Alessandra Sampaio

Aline Soares Negríndia

Ana Fátima

Ana Maria Gonçalves

Ana Paula Lisboa

Ana Paula Maia

Anielle Franco

Anita Machado

Anna Suav

Ariane Celestino Meireles

Azoilda Loretto da Trindade

BBárbara Carine

Beatriz Nascimento

Bell Puã

Benedita Lopes

Bethania Nascimento

Bianca Santana

Carla Akotirene

C

Carol Fernandes

Carolina Maria de Jesus

Cássia Valle

Cibele Tenório

Cida Bento

Cidinha da Silva

Claudia Walleska

Conceição Evaristo

Cristal Rocha

Cristiane Sobral

D

Dall Farra

Débora Garcia

Dedê Fatumma

Djamila Ribeiro

EEdileuza Penha de Souza

Edwidge Danticat

Elaine Marcelina

Eliana Alves Cruz

Eliane Marques

Elisa Lucinda

Elisama Santos

Elizandra Souza

Esmeralda do Carmo Ortiz

Esmeralda Ribeiro

FFabiana Cozza

Fátima Trinchão

Fernanda Bastos

Fernanda Rodrigues Miranda

Flávia Martins de Carvalho

Françoise Ega

Geni Guimarães

G

Giovana Xavier

Gisele Rose da Silva

HHeleine Fernandes de Souza

Heloísa Pires Lima

Hildália Fernandes

IInaldete Pinheiro De Andrade

J

Jarid Arraes

Jeovanna Vieira

Joice Berth

Joyce Ribeiro

Juliana Borges

Juliana Santos

Juliana Teixeira

Jurema Werneck

K Karina Vieira

Katia Costa-Santos

Kiusam de Oliveira

L Lavínia Rocha

Lélia Gonzalez

Letícia Carolina Pereira

do Nascimento

Lia Vieira

Lilia Guerra

Lilian Rocha

Lívia Natália

Lorrane Fortunato

Luana Carvalho

Luana Génot

Luana Rodrigues

Lubi Prates

Luciana Brito

Luciana Nabuco

Luciana Palmeira

Luciany Aparecida

Luciene Nascimento

Lucineide Ferreira dos Santos

Ludmilla Lis

Luz Ribeiro

M Madu Costa

Mãe Beata de Iemanjá

Mãe Stella de Oxóssi

Mafuane Oliveira

Mari Vieira

Maria Firmina dos Reis

Mariana Felix

Marilene Felinto

Maryse Condé

Mayra Santos-Febres

Meimei Bastos

Mel Duarte

Michelle de Assumpção

Midria da Silva Pereira

Miriam Alves

Monique Dos Anjos

Nana Martins

N

Natasha Felix

Nathallia Protazio

Negafya

Neide Almeida

Nilma Lino Gomes

Nina Rizzi

O Olívia Pilar

Patrícia Santana

Paty Wolff

Priscila Obaci R Rádi Oliveira

Raquel Almeida

Raquel Garcia

S

Roberta Estrela D’alva

Ruth Guimarães

Ryane Leão

Sandra Menezes

Simone Schwarz-Bart

Solaine Chioro

Sonia Rosa

Sueli Carneiro

T Taís Espírito Santo

Tatiana Nascimento

Taylane Cruz

Teresa Cárdenas

V Valéria Lourenço

Velia Vidal

Verenilde S. Pereira

Waldete Tristão

W

Winnie Bueno

Y Yanick Lahens

Ynaê Lopes Dos Santos

Yuliana Ortiz Ruano

Z Zainne Lima Da Silva

As sinopses das publicações a seguir fazem parte do material de divulgação das editoras.

Escritoras homenageadas

CIDINHA DA SILVA (Belo Horizonte, 1967) é uma escritora brasileira. Graduou-se em História pela Universidade Federal de Minas Gerais. Presidiu o Geledés – Instituto da Mulher Negra e fundou o Instituto Kuanza, que promove ações de educação, ações afirmativas e articulação comunitária para a população negra. Foi gestora de cultura na Fundação Cultural Palmares. Tem publicações em alemão, catalão, espanhol, francês, inglês e italiano e inicia colaborações no audiovisual. É curadora do Almanaque Exuzilhar (YouTube), conselheira da Casa Sueli Carneiro e doutora em Difusão do Conhecimento.

Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras Organizado por Cidinha da Silva, este livro busca aprofundar o debate sobre as ações afirmativas, ampliando-o para além das cotas. São apresentados programas que visam garantir o acesso, a permanência e o sucesso de negros/as na universidade, possibilitando a realização do sonho de jovens que vivenciam processos estruturais de exclusão.

A arara de muitas cores

Já pensou que chato se no mundo fosse tudo igual? Mais que chato, seria sufocante! Nessa fábula moderna, a autora traduziu o canto das araras pra nos contar como é maravilhoso viver nesse mundo cheio de cores, histórias, sabores, pessoas. O livro ensina a riqueza que são as diferenças!

SILVA, Cidinha da. A arara de muitas cores. Ilustrado por Suzane Lopes. Poços de Caldas: Leiturinha, 2023. 40 p., il.

Baú de miudezas, sol e chuva: crônicas

O livro reúne crônicas que transformam cenas comuns do cotidiano em reflexões profundas sobre afeto, ancestralidade e questões raciais. Através de um olhar lírico e crítico, Cidinha da Silva guarda nesse “baú” miudezas da vida — do sol à chuva — que revelam a complexidade das relações humanas e da cultura afro-brasileira.

O dia escuro: contos inquietantes de autoras brasileiras

Uma mulher acha um dedo na praia. Um homem em situação de rua agoniza na calçada. Uma menina tem certeza de que sua mãe foi trocada por outra. Um herdeiro escravocrata enlouquece com espíritos do passado. Essas são algumas das histórias contidas nesta coletânea. São textos que causam medo, angústia, repulsa ou assombro, e têm como único ponto comum o fato de terem sido escritos por mulheres.

Um exu em Nova York

Neste livro de contos, Cidinha da Silva apresenta uma perspectiva contemporânea e ficcional do cotidiano, sobre temas como política, crise ética, racismo religioso, perda generalizada de direitos (principalmente por parte das mulheres), negros e grupos LGBT. Cidinha parte das tensões provocadas pela percepção das religiões de matrizes africanas para desmistificar ideias negativas que são difundidas sem critérios na sociedade. Através dos personagens, traz ainda outros temas contemporâneos como, por exemplo, a nova masculinidade.

Exuzilhar: melhores crônicas de Cidinha da Silva

As africanidades, a orixalidade, as tensões e diálogos entre tradição e contemporaneidade são os motores deste Exuzilhar, verbo-neologismo que Cidinha da Silva criou em 2010, depois de intuir que o verbo “encruzilhar” poderia ser ainda mais complexo.

Kuami

Janaína, uma jovem sereia — filha de uma sereia e um baiacu — e o elefante africano Kuami se envolvem em uma aventura para libertar a mãe de Kuami, Dara, de perigosos traficantes de animais. Cidinha da Silva constrói uma trama que tange críticas ao agronegócio, à exploração irracional da natureza, a formas contemporâneas de escravidão e ao maltrato de animais, ao mesmo tempo que fala de afeto, de cuidado, de resistência, de amor em todas as suas formas.

O mar de Manu

A história do menino que pescava estrelas se passa entre três países não banhados pelo mar, regiões irmãs que tiveram povos separados pelo colonialismo: Níger, Burkina Faso e Mali. Povos islamizados abundam entre esses três países. Os Tuareg habitam o imaginário de todo mundo por ali, são povos nômades, seculares. Na vida de Manu, o personagem principal, podemos ver um pouco da cultura e das tradições dos povos da região.

A menina linda: e outras crônicas

Na longa e vitoriosa tradição da crônica no Brasil, Cidinha da Silva é autora de voz singular. Ao construir seus textos a partir de um ponto de vista essencialmente feminino, preto e periférico, Cidinha oferece ao gênero uma abordagem diferenciada, tocando em temas sociais candentes, como racismo, periferia, relações trabalhistas, africanidade, sem nunca descuidar dos aspectos estéticos.

Nossos passos vêm de longe: e outras histórias ancestrais

Este livro reúne cinco autoras que transformam memória em literatura e resistência em narrativa. As autoras criam histórias que atravessam gerações, revelando dores, afetos e a luta por pertencimento. Das mulheres negras que pavimentaram o presente com suor e coragem ao impacto silencioso do racismo estrutural, das batalhas por espaço e identidade aos laços familiares moldados por amor e dureza — cada conto desta coletânea desenterra silêncios e ilumina trajetórias que nunca deveriam ser esquecidas.

Os nove pentes d’África

Narrado pela personagem Barbinha, o livro conta a história de uma família negra através das memórias e ensinamentos de seus patriarcas, o marceneiro Vô Francisco e a lavadeira Vó Berna. O enredo centraliza-se na tradição de Vô Francisco, que entalha e presenteia cada um de seus nove netos com um pente de madeira personalizado. Cada pente é escolhido de acordo com a personalidade da criança e carrega um valor simbólico, conectando-os às suas raízes africanas e ajudando-os a construir sua identidade e autoestima.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

Pra começar: melhores crônicas de Cidinha da Silva

Este volume, destaca crônicas próximas ao universo de crianças e adolescentes e outros em que pessoas dessas faixas etárias são protagonistas. As crônicas deste volume revelam a maturidade da autora, tanto na escolha estética, quanto na forma de abordar temas difíceis, sem, com isso, cair em clichês.

Só bato em cachorro grande, do meu tamanho ou maior: 81 lições do método Sueli Carneiro

Neste livro, a autora apresenta 81 lições que testemunhou em mais de três décadas de convivência com Sueli Carneiro, filósofa reconhecida internacionalmente e fundadora do Geledés — Instituto da Mulher Negra. Cidinha da Silva sistematiza, em textos breves e afiados, o Método Sueli Carneiro, que reúne ensinamentos ouvidos diretamente de sua mestra. Cidinha nos lembra de que cada passo em direção à justiça social é fundamentado na força dos ancestrais e na potência dos encontros. Assim, mais do que um manual a ser seguido passo a passo, este livro expõe um olhar atento sobre a trajetória de uma mulher negra que luta por um mundo igualitário. Sueli Carneiro e Cidinha da Silva são duas grandes intelectuais e amigas de longa data. No centro desta obra há um amor, generoso e exigente, inspirado nos ensinamentos de Exu e Ogum, que não se encaixa em padrões e fortalece quem ama e enfrenta os conflitos com determinação.

Vamos falar de relações raciais?: crônicas para debater o antirracismo

As crônicas abordam temas cruciais relacionados ao racismo e às assimetrias raciais presentes na sociedade brasileira. Desde o “colorismo” até casos impactantes de violência racial, o livro mergulha fundo em questões que muitas vezes são evitadas ou negligenciadas. No entanto, mesmo diante da gravidade dos temas tratados, a obra apresenta uma abordagem leve e perspicaz, usando a crônica como ferramenta para explorar nuances, provocar reflexões e, ao mesmo tempo, oferecer esperança e inspiração para mudanças.

Awon Baba

TERESA CÁRDENAS (Matanzas, Cuba, 1970), é uma escritora, roteirista, atriz, bailarina e ativista social. É integrante da UNEAC (União de Escritores e Artistas de Cuba). A autora escreve romances, contos e antologias que abordam principalmente temas afrodiaspóricos como ancestralidade, negritude e preconceito racial e resistência. É um grande nome da literatura infantojuvenil na América Latina. Sua motivação para tornar-se escritora veio na infância, com a frustração de perceber a ausência de representações de personagens negras nos livros infantis. Além de Cuba, seu país natal, Cárdenas já foi traduzida para vários idiomas e publicada em vários países.

Coletânea de 12 contos que remontam o período da escravização, a partir da perspectiva de mulheres, crianças, homens e velhos escravizados, e narra como eles resistiram, com amor, raiva, humor, esperança, vitalidade e planos de liberdade a esse duro processo. Uma mistura de ficção e memória, tendo como arquétipos a oralidade, a poesia e a musicalidade ancestral africana, reescrevendo o passado, através do ponto de vista de personagens negligenciados pela história oficial.

Cachorro velho

Por toda a vida, Cachorro Velho foi escravo no engenho de açúcar do patrão. Seu corpo está velho e cansado, sua mente se perde frequentemente em recordações. Às vezes ele até imagina a própria morte, ou pelo menos o que significa estar longe, muito longe. Então, a velha escrava Beira lhe propõe ajudar Aísa, uma menina de dez anos, a fugir.

Cartas para a minha mãe

Uma menina escreve cartas para sua mãe morta. Através delas ficamos sabendo que teve que ir morar com a tia e as primas, que não gostam dela. Não se cansam de lembrar que deveria fazer um esforço para disfarçar sua cor e ficar mais parecida com uma pessoa branca. Sua avó está sempre desgostosa, com ela e com a vida em geral. Mas a autora das cartas começa lentamente a descobrir um mundo além de seus problemas familiares. À medida que faz amigos suas feridas começam a cicatrizar. A menina fica cada vez mais forte, consegue ganhar o respeito dos outros e aprende a aceitar a si mesma e aos outros.

Contos de Olófi

Seleção de contos sobre a origem do mundo e das coisas que o constituem: o homem, a mulher, a morte, o vento, o mar... os sentimentos. Trata-se de uma antologia que envolve o conto tradicional, o folclore e a literatura contemporânea, trazendo para o leitor elementos culturais importantes, universais, que vão além da religiosidade, das raças e das ideologias políticas.

Como seria a travessia de um navio saído da costa da África que, em seu interior, juntou pessoas de diferentes idades e famílias para, num mesmo suspiro, enfrentar o medo e a escuridão do mar desconhecido? Nesse percurso, Mãe Sereia os acompanhou e, a sua maneira, os acolheu amenizando assim essa injusta e dolorosa viagem.

Meu avô Tatanene

O livro narra a relação entre uma menina e seu avô, Tatanene. Por meio das conversas e lembranças do avô, a menina conhece histórias da família, costumes e acontecimentos do passado. A narrativa aborda temas como memória, convivência entre gerações e a transmissão de experiências dentro da família.

As trapalhadas de Mulo

Mulo é uma mula que não quer trabalhar como cargueiro e decide se tornar famoso para conquistar fama, festa e namoradas. Para ir em busca desse sonho, ele conta com a ajuda de sua amiga, Guinea, a galinha-d’angola. Ao longo de sua jornada cheia de trapalhadas, ele vai se deparar com vários obstáculos.

Mãe sereia

Escritoras afro-latinas

AIDIL ARAÚJO LIMA (Cachoeira, BA, 1958) é escritora, contista. Participou do Movimento Negro Unificado no Rio de Janeiro. Cursou Filosofia na Universidade Católica de Salvador, foi professora e bancária. Decide voltar para a cidade onde estão suas referências, a mística Cachoeira e dedicar-se a produção literária, escolhendo morar no campo.

Contos de axé: 18 histórias inspiradas nos arquétipos dos orixás

O livro reúne textos inéditos de 18 escritores brasileiros oriundos de diferentes regiões do país. A partir dos contos criados com base na mitologia das religiões de matriz africana, Marcelo Moutinho, organizador do livro, afirma que “a ideia é tentar iluminar uma cultura de admirável força alegórica que costuma ser ignorada no Brasil, embora seja tão definidora de nossa gênese”. A seleção dos autores varia em amplitude geográfica, além de raça, gênero, idade e estilo.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

ALCIDÉA MIGUEL DE SOUZA (Vitória, ES, 1962), residente em Santo André, no ABC paulista, tem formação superior nos cursos de Artes e Música, e Pós-Graduação em Cultura, Artes e Educação. Atriz, musicista e escritora, há vinte e cinco anos atua como professora na Educação Infantil e no Ensino Fundamental e Médio, trabalhando com as disciplinas Artes, Música e Teatro, áreas em que também ministra palestras e trabalhos de formação.

Sampa em contos e crônicas negras

Este livro expõe o cenário urbano da cidade de São Paulo, retratando o dia a dia de pessoas de diferentes faixas etárias, profissões e classes sociais, de etnia negra e afrodescendentes, com a finalidade de abordar testemunhos de discriminação racial e histórias motivacionais de superação.

ALESSANDRA DEVULSKY (Diamantino, MT) é advogada, professora e escritora. Doutora em Direito Econômico e Financeiro pela USP e mestre em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie. Atualmente reside em Montreal, onde atua como professora na Universidade do Quebec e é diretora jurídica do Instituto Luiz Gama.

Colorismo

O livro aborda desde os aspectos internos do colorismo, sua introjeção, até seu caráter estrutural, tão presente em nossa sociedade quanto o racismo. As implicações do colorismo no mundo do trabalho e na dinâmica das relações de poder também são investigadas a fundo, a fim de deixar nítido que a mestiçagem e sua origem violenta continuam repercutindo e exercendo forte papel no país.

ALESSANDRA SAMPAIO (Feira de Santana, BA, 1971) é escritora e professora. Graduada em Letras com Inglês pela UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana e pós-graduada em Estudos Literários pela mesma instituição. É professora universitária de Literatura Infantojuvenil.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série

Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

ALINE SOARES NEGRÍNDIA (Entre-Rios, BA, 1984) é escritora, Mc, poeta, contista e educadora social. Licenciada em História, reside em Aracaju, SE desde 2011, trabalha com temas ligados ao uso e abuso de substâncias psicoativas, saúde mental, identidade negra e autogestão do corpo negro feminino.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série

Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

ANA FÁTIMA (Salvador, BA, 1986) é educadora, pesquisadora, escritora, filha do Ilê Axé Iboro Odê e ativista do movimento negro. Licenciada em Letras Vernáculas, é Especialista em Docência do Ensino Superior e Mestra em Crítica Cultural pela UNEB – Universidade do Estado da Bahia. É Doutora pelo Programa de Crítica Cultural – Letras/UNEB (2020-2024) em que realiza estudos em Literatura negra.

Os dengos na moringa de Voinha

Nesse livro, o leitor passeará por lembranças cheias de afeto: o abraço do Voinho, o cafuné da mainha, as cantigas de painho, o cheiro do angu feito pela tia, a dança da irmã caçula. A guardiã dessas lembranças é a moringa de Voinha, um jarro feito de barro, que simboliza a força da ancestralidade e da memória.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

Minha escola tem quintal

Kwame está empolgado com uma descoberta: sua nova escola tem um quintal! Depois de atravessar um portal de graxas, o menino e seus colegas encontram um espaço verde cheio de hortaliças, frutas e legumes. Lá, ouvem uma história sobre como, segundo algumas pessoas mais velhas, o mundo era uma grande cabaça. As crianças também são convidadas pela professora a escolher uma árvore para plantar. Qual será que vai ser a escolha de Kwame? Seu tataravó Diambé vai dar uma ajudinha.

No sítio do vovô Dândi

O sítio do vovô é o lugar perfeito para viver novas aventuras. Plantas e animais transformam cada momento no sítio em uma experiência única, repleta de encantamento. E é nesse cenário especial que floresce o carinho e a amizade entre vovô Dândi e sua neta. Os dois passam o dia juntos: colhem mel pela manhã, seguem trilhas de formigas ao meio-dia e descansam sob as sombras das árvores à tarde. Depois, fazem máscaras com papelão e sementes e embarcam em uma divertida brincadeira de caça ao tesouro.

ANA MARIA GONÇALVES (Ibiá, MG, 1970) é a primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras. Publicitária por formação, residiu em São Paulo por treze anos até se cansar do ritmo intenso da cidade e da profissão. Em viagem à Bahia, encantou-se com a Ilha de Itaparica, onde fixou moradia por cinco anos e descobriu sua veia de ficcionista, passando a se dedicar integralmente à literatura e ao multifacetado universo cultural da diáspora africana nas Américas.

Um defeito de cor

Kehinde, africana que chegou ao Brasil escravizada, é a narradora desta obra. No livro, ela conta em detalhes a sua captura, a vida como escrava na Ilha de Itaparica, na Bahia, os seus amores, as desilusões e sofrimentos e as viagens pelo Brasil em busca de um de seus filhos e de sua religiosidade. A obra reconstrói os modos de vida dos africanos, portugueses e brasileiros no tempo da escravidão, revela como os escravos professavam, escondidos, as suas diferentes religiões, dependendo da origem de cada um, e como se organizaram para sobreviver e lutar pela liberdade no país. Os negros são protagonistas dessa saga, que mostra como Kehinde conseguiu a sua carta de alforria e, na volta para a África, tornou-se uma empresária bem-sucedida, apesar de todos os percalços e aventuras pelas quais passou.

ANA PAULA LISBOA (Rio de Janeiro, RJ) é escritora, jornalista e apresentadora que vive entre o Rio de Janeiro e Luanda em Angola. Na capital angolana, dirige os espaços culturais Aláfia e Casa Rede. As poesias e contos dela foram publicados em coleções nacionais e internacionais. Em 2014 recebeu o primeiro Prêmio Carolina de Jesus. É colunista do jornal O Globo.

Branquitude: racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

Nossos passos vêm de longe: e outras histórias ancestrais

Este livro reúne cinco autoras que transformam memória em literatura e resistência em narrativa. As autoras criam histórias que atravessam gerações, revelando dores, afetos e a luta por pertencimento. Das mulheres negras que pavimentaram o presente com suor e coragem ao impacto silencioso do racismo estrutural, das batalhas por espaço e identidade aos laços familiares moldados por amor e dureza — cada conto desta coletânea desenterra silêncios e ilumina trajetórias que nunca deveriam ser esquecidas.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

ANA PAULA MAIA (Nova Iguaçu, RJ, 1977) é escritora e roteirista. A prosa de ficção de Ana Paula Maia se concentra em questões como a violência relacionada a atividades profissionais socialmente desvalorizadas, à dimensão material da morte e ao descaso do poder público. Foi duas vezes vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura. Mora em Curitiba desde 2015.

Assim na terra como embaixo da terra

Uma colônia penal isolada — um terreno com um histórico tenebroso de assassinato e tortura de escravos —, construída para ser um modelo de detenção do qual preso nenhum fugiria, torna-se campo de extermínio. Espécie de capitão do mato/ carcereiro, Melquíades é o algoz dos presos, caçando e matando-os como animais, apenas por satisfação pessoal. Os presos, cada qual com sua história, estão sempre planejando a própria fuga, sem saber se vão acabar mortos pelos guardas ou pelo que os espera do lado de fora da Colônia. Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura/2018.

Enterre seus mortos

A profissão de removedor de animais mortos não é para qualquer um. Apenas alguém como Edgar Wilson, o herói deste romance kafkiano, poderia se prestar à tarefa de recolher das estradas as carcaças que obstruem o caminho dos veículos. Acompanhado do colega Tomás, um padre excomungado, Edgar tem seu cotidiano abalado quando encontra o corpo de uma mulher enforcada. Com uma linguagem seca, que mimetiza as estradas pelas quais o romance se desenrola, a autora faz brotar questões existenciais de difícil resolução. O resultado é uma inusitada mescla de novela policial, romance filosófico e faroeste de horror.

ANIELLE FRANCO (Rio de Janeiro, RJ, 1985) é professora, jornalista, escritora e ativista brasileira. Mestre em Relações Étnico-raciais (CEFET/RJ) e doutoranda em Linguística Aplicada (UFRJ). É fundadora do Instituto Marielle Franco e foi ministra da Igualdade Racial do Brasil.

Minha irmã e eu: diário, memórias e conversas sobre Marielle

Neste livro, a educadora Anielle Franco escreve sobre a saudade e as lembranças que têm de sua irmã, a vereadora Marielle Franco, que foi assassinada em 2018. A obra traz um relato sobre a falta que a irmã faz a ela e detalha a relação das duas na infância e na adolescência.

ANITA MACHADO é advogada, escritora e ativista maranhense. Diretora executiva do Instituto Da Cor ao Caso, plataforma de letramento racial e diversidade que atua em organizações públicas e privadas. Morou no Rio de Janeiro, em Londres e atualmente mora em São Luís, no Maranhão.

Firmina: Maria Firmina dos Reis

Este livro homenageia a trajetória de Maria Firmina dos Reis. Nascida no Maranhão em 1825, autodidata e professora das primeiras letras, Maria Firmina se tornou a primeira romancista do Brasil a ao lançar o livro Úrsula. De forma sensível e engajada, ela foi precursora da crítica contra a escravidão.

ANNA SUAV (Manaus, AM) é MC, poeta, cantora, compositora e produtora audiovisual e cultural. Fortalece a cena cultural de Belém (PA) desde 2017, quando criou o projeto “Slam Dandaras do Norte”, com o objetivo de ocupar o espaço predominantemente masculino do rap com mais mulheres. O projeto e suas inquietações a motivaram a dar início a sua carreira musical.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

ARIANE CELESTINO MEIRELES (Vila Velha, ES) é profissional em Dança Afro-brasileira, escritora, pesquisadora e formadora de professores na Educação das Relações Étnico-Raciais e na Educação em Direitos Humanos com ênfase nas relações de gênero e diversidade sexual. Professora de Educação Física da rede municipal de ensino de Vitória.

Princesas negras

Elas estão nas escolas, nas universidades e em diversos postos de trabalho. As princesas negras são inteligentes, lutadoras, espertas e aprendem muito com suas mães e avós. São especiais, com seus cabelos crespos e sua ancestralidade. Descubra mais sobre as princesas negras no livro de Edileuza Penha de Souza e Ariane Celestino Meireles. Quem sabe você não convive com uma, ou é uma delas?

AZOILDA LORETTO DA TRINDADE (Rio de Janeiro, RJ, 1957) foi uma influente intelectual, educadora e psicóloga brasileira, reconhecida como uma das principais referências na luta pela educação antirracista no Brasil. Seu trabalho foi fundamental para a implementação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Faleceu em 2015.

Multiculturalismo: mil e uma faces da escola

A obra, organizada por Azoilda Loretto da Trindade e Rafael dos Santos, defende uma educação antirracista baseada no multiculturalismo crítico e na valorização dos valores civilizatórios africanos para transformar o cotidiano escolar. O livro propõe caminhos teóricos e práticos para combater exclusões históricas e implementar currículos democráticos.

BÁRBARA CARINE (Salvador, BA, 1981) é escritora, palestrante, pesquisadora e professora efetiva da Universidade Federal da Bahia. É graduada em Filosofia e em Química, e tem mestrado e doutorado em Ensino de Química pela UFBA. Reconhecida por sua atuação na educação antirracista, é idealizadora e consultora pedagógica da Escola Afro-Brasileira Maria Felipa, a primeira instituição desse tipo registrada no Brasil.

Como ser um educador antirracista

Bárbara Carine discute sobre como a educação e a escola podem ser pensadas a partir de perspectivas não ocidentalizadas e, sobretudo, racializadas. A autora esmiúça conceitos ligados à luta antirracista, como pacto da branquitude, racismo estrutural, cotas raciais e educação emancipatória, para (re)pensar as ações pedagógicas e a formação e o papel dos educadores.

Descolonizando saberes: a lei 10.639/2003 no ensino de ciências

Organizada por Bárbara Carine e Katemari Rosa, física e professora da Universidade Federal da Bahia, essa obra tem o intuito de pensar as ciências e, portanto, o seu ensino a partir de outras narrativas que resgatem os saberes ancestrais africanos e afrodiaspóricos.

História preta das coisas: 50 invenções científico-tecnológicas de pessoas negras

Este livro apresenta produções científico-tecnológicas ancestrais e contemporâneas em afroperspectiva, buscando ressignificar as bases intelectuais ocidentais e pautando a primazia kemética nas bases dos conhecimentos científicos. Também traz o fundamento da filosofia Ubuntu para compreendermos outras possibilidades de ser e estar no mundo, produzindo ciência a partir de outros marcadores existenciais e metodológicos.

Querido estudante negro

Baseado em situações vivenciadas pela escritora, a obra traz uma troca de cartas entre a protagonista e um amigo, o “querido estudante negro”, que, como ela, é atravessado pelo racismo estrutural e recreativo tipicamente brasileiros. O livro acompanha a trajetória educacional dessa garota, desde a infância até a idade adulta, e todas as experiências que formaram a identidade dela, dentro e fora da sala de aula.

BEATRIZ NASCIMENTO (1942-1995) foi historiadora, escritora, roteirista e uma das mais importantes intelectuais negras do século XX no Brasil. Nasceu em Aracaju e viveu no Rio de Janeiro, onde consolidou uma trajetória de resistência, pensamento crítico e produção acadêmica voltada à valorização das culturas negras. Suas pesquisas enfocaram os quilombos como espaços de construção de identidade, liberdade e reexistência, desafiando leituras reducionistas da história do povo negro. Participou de grupos que articulavam raça e gênero, com forte presença nos movimentos de mulheres negras nos anos 1980. Foi assassinada tragicamente em 1995, mas sua vida permanece como referência ética, política e intelectual.

Uma história feita por mãos negras: relações raciais, quilombos e movimentos

Esta coletânea oferece um panorama amplo do pensamento da historiadora, professora, poeta e ativista Beatriz Nascimento, reunindo alguns de seus principais artigos, ensaios e resenhas, escritos entre os anos de 1974-94. Pensadora insurgente à frente de seu tempo, Beatriz Nascimento dedicou-se a resgatar a história do negro no Brasil.

O negro visto por ele mesmo: ensaios, entrevistas e prosa Esta coletânea reúne textos críticos, entrevistas e a prosa poética de Beatriz Nascimento. Neles, a autora tece sérias reflexões que oferecem uma imagem prismática não só da experiência íntima das pessoas negras na universidade e na cena cultural brasileira como também das representações midiáticas e historiográficas que lhes são devolvidas dia após dia por uma sociedade racista e em negação quanto ao próprio racismo.

BELL PUÃ (Recife, PE) é poeta, escritora, cantora e compositora, além de mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco. Foi vencedora do Campeonato Nacional de Poesia Falada Slam BR 2017, sendo a representante do Brasil na Poetry Slam World Cup 2018, em Paris, França.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

BENEDITA LOPES (Santo André, SP, 1957) é escritora, poeta e contista. Graduada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Fundação Santo André e Especialista em Língua Portuguesa pelo PUC-SP. Integrante do coletivo de escritoras negras Flores de Baobá.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

BETHANIA NASCIMENTO, bailarina, ativista e escritora, cresceu no Rio de Janeiro, no bairro do Botafogo. É fundadora do Instituto Beatriz Nascimento, sua mãe, e voz essencial na valorização da memória e da identidade negra. Em 2002, torna-se a primeira-bailarina do Dance Theatre of Harlem, sendo a primeira brasileira negra a alcançar o posto mais alto de uma companhia internacional.

Betha, a bailarina pretinha

Quando criança, Betha foi apoiada pela família para fazer aulas de balé, mas ao perceber que não tinha ninguém parecida com ela nas salas ou nas revistas, pensou em desistir. Com o incentivo da mãe conheceu outras pessoas como ela que também faziam balé. Betha entendeu que crianças negras também podiam realizar o sonho de dançar, fazer parte de uma companhia de dança famosa, como o Balé do Harlem, e viajar o mundo encantando as pessoas. O livro é inspirado na vida de Bethania Nascimento, primeira brasileira negra a alcançar o posto mais alto de uma companhia internacional de balé e filha da historiadora e ativista Beatriz Nascimento.

BIANCA SANTANA (São Paulo, SP, 1984) é escritora, jornalista e professora. Doutora em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes da USP, com uma tese sobre memória e escrita de mulheres negras. Com mestrado e uma intensa atividade acadêmica, Bianca já organizou uma série de coletâneas que reúnem textos que debatem a questão racial, em especial, a da mulher negra, e se firmou como uma importante voz de combate antirracista.

Apolinária

Como uma semente que vagou ao vento, Apolinária — ou Polu, para os íntimos — deixou para trás um marido que nunca amou em Tabocas do Brejo Velho, no interior da Bahia, às margens do rio São Francisco, e foi germinar em São Paulo, em 1946. Sozinha, se estabeleceu na periferia da capital paulista e criou dois filhos, trabalhando como servente e empregada doméstica. Viu sua árvore crescer e dar frutos às custas de força e perseverança. Uma jornada de descoberta de uma história particular que se confunde com a de tantas famílias brasileiras.

Arruda e guiné: resistência negra no Brasil contemporâneo

Os textos reunidos nesta coletânea foram escritos no calor dos acontecimentos e informam a respeito de diversos temas que figuraram nos noticiários brasileiros do período entre 2017 e 2022. Entre os assuntos urgentes, a crise sanitária e a gestão da pandemia de Covid-19 são tópicos que se inserem em um projeto político comprometido com a desestabilização dos valores republicanos. Já os enfrentamentos de povos tradicionais às constantes ameaças às suas terras retomam os conflitos da questão agrária e das relações raciais no Brasil. Ainda, a disputa em torno da PEC das Domésticas lança luz sobre a falta de letramento político e racial da nossa classe média.

Branquitude: diálogos sobre racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema, e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

Continuo preta: a vida de Sueli Carneiro

Sueli Carneiro é uma das principais intelectuais públicas brasileiras. Em mais de quarenta anos de ativismo, ela vem combinando escrita, academia e intelectualidade para qualificar uma luta política que enegreceu o feminismo no Brasil e, ao mesmo tempo, colocou as mulheres como protagonistas do movimento negro. Para dar conta de uma longa trajetória política, que se confunde com a própria história do Brasil pós-redemocratização, a jornalista Bianca Santana realizou dezenas de horas de entrevistas e empreendeu uma escavação documental nesta biografia que é um tributo à caminhada de Sueli Carneiro e um repositório de informação sobre a luta das mulheres negras no Brasil.

Diálogos feministas antirracistas (e nada fáceis) com as crianças

Foi das conversas francas e generosas de Bianca com os filhos que este livro nasceu. Ela trata de temas tão difíceis que, comumente, são evitados pelos pais num misto de conformismo e medo de apresentar aos filhos uma realidade tão dura, tão cedo. Mas o que vemos nestes diálogos é a possibilidade de falar sobre os espinhos de nossa sociedade sem ferir ou macular qualquer inocência.

Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar

Fernando Cássio, organizador da obra, convidou mais de vinte autores para propor um debate franco e corajoso sobre as principais ameaças à educação pública, gratuita e para todas e todos: o discurso empresarial, focado em atender seus próprios interesses; a perseguição à atividade docente e à auto-organização dos estudantes; e o conservadorismo que ameaça o caráter laico, livre e científico do ambiente escolar.

Quando me descobri negra

“Tenho 30 anos, mas sou negra há 10. Antes, era morena.” É com essa afirmação que Bianca Santana inicia uma série de relatos sobre experiências pessoais ou ouvidas no círculo de mulheres negras que organiza. Com uma escrita ágil e visceral, denuncia com lucidez — e sem as armadilhas do discurso do ódio — nosso racismo velado de cada dia, bem brasileiro, de alisamentos no cabelo, opressão policial e profissões subjugadas.

Quem limpa?

Quanta sujeira! Papéis rasgados e amassados espalhados pelo chão, roupas por todo lugar, uma pilha de louças com restos de comida há dias na pia da cozinha... Nesse país distante, os moradores não estão nem um pouco preocupados com a limpeza e a organização. Pior! Deixam tudo por conta de uma pessoa só para resolver toda essa situação... Isso soa familiar? Já ouviu falar nesse país?

Recursos educacionais abertos

Organizado por Bianca Santana, Carolina Rossini e Nelson De Luca Pretto, este livro reúne artigos e entrevistas que abordam as possibilidades trazidas pela ampliação do acesso à internet, através de diversos dispositivos, para a melhoria da educação. Enquanto alguns autores defendem a educação fora dos muros das escolas, outros relacionam a aplicação destes recursos dentro da sala de aula convencional.

CARLA AKOTIRENE (Salvador, BA, 1980) é uma militante antirracista, pesquisadora e intelectual ativista em gênero e raça, autora e colunista no tema movimento negro, racismo, feminismo negro, segurança pública e sistema de Justiça no Brasil. É doutora em Estudos Feministas pela Universidade Federal da Bahia e consultora em Políticas Públicas.

Interseccionalidade

Neste volume, Carla Akotirene discute o conceito de interseccionalidade como forma de abarcar as interseções a que está submetida uma pessoa, em especial a mulher negra. O termo define um posicionamento do feminismo negro frente às opressões da nossa sociedade cisheteropatriarcal branca, desfazendo a ideia de um feminismo global e hegemônico como diretriz única para definir as pautas de luta e resistência.

CAROL FERNANDES (Belo Horizonte, MG, 1987) é autora e ilustradora de livros infantis. Conheceu a literatura infantil durante sua graduação em Pedagogia na Faculdade de Educação da UFMG e descobriu seus próprios textos. Especializou-se em Literatura para a Infância pela A Casa Tombada e é membra do coletivo “Ilustradores São Autores”.

Chuva de jabuticabas

Um menino vira rei para seus amigos a partir do momento que ele é o único que consegue escalar um pé de jabuticaba e se prontifica em dividir as preciosas frutinhas com seus súditos. Uma memória que resgatamos através do texto de Otávio Júnior e as ilustrações de Carol Fernandes que teve como inspiração a sua majestosa jabuticabeira enraizada no seu quintal e tratada por várias gerações de sua família.

Cosmonauta

A lua, as estrelas, os planetas, os cometas e todos os astros estão pertinho do leitor neste livro. A distância não impede que o menino use a imaginação como um foguete para chegar ao lugar que mais deseja. Em órbita e sozinho, o cosmonauta é convidado a refletir sobre os segredos distantes da gravidade da Terra. Do alto, ele contempla as maravilhas e os sonhos de um amor que flutua eterno.

Dandara guerreira: em cordel

Dandara foi e continua sendo uma referência importante para nos fortalecer. Ela plantava, cuidava dos filhos, lutava por seus direitos. Liderava o Quilombo dos Palmares junto com Zumbi. Sua força e sua energia atravessam o tempo e contam histórias de resistência.

Um dia feliz

Ayana, todos os dias, saía com sua avó para fazer muitas coisas. Coisas de avó, que adorava sair para fazer de tudo um pouco. Em cada canto uma história, em cada rua uma lembrança, em cada bairro uma descoberta. Mas Ayana nunca mais se esqueceu do primeiro dia em que a felicidade fluiu como água.

Fevereiro

O livro é um convite ao percurso dos Filhos de Gandhy, um dos blocos mais importantes do carnaval brasileiro, no qual os preparativos começam bem antes do festejo. Alguns deles estão visíveis no desfile, outros ocorrem quase como segredo, todos são essenciais para a materialização do mar azul e branco que toma as ruas soteropolitanas no carnaval.

Se eu fosse uma casa

De tanto reparar nas paredes que a cercavam, uma pergunta passou a povoar, insistentemente, os pensamentos da autora Carol Fernandes confinada pela pandemia: e se eu fosse uma casa? A partir daí, outras palavras, acompanhadas de seus significados, seus sons e suas imagens, ocuparam papéis e desejos, resgataram memórias e encontraram outras moradas. Assim nasceu este livro.

Terra

Uma neta narra sua relação com a avó que, apesar de permeada pelo silêncio das palavras, é regada por ensinamentos, afeto e cuidado por meio do “não dito”. Ao cuidar da terra e plantar sementes, a avó alimenta o corpo e a alma da família. Ao transformar a terra em máscaras e arte, a avó enriquece as memórias e os conhecimentos da neta e de sua comunidade.

Terreiro enluarado

O terreiro é um quintal grande, um lá fora pra gente brincar. Isso se a mamãe deixar. Melhor quando tem Lua que alguém pendurou lá no alto após tirar ela de dentro de um coco. Essa redonda mágica, ora cresce, ora mingua e, se você correr, ela corre, se você pular, ela pula, mas se você parar, ela para.

CAROLINA MARIA DE JESUS (1914-1977) foi uma escritora, cantora, compositora e poeta brasileira. Uma das primeiras escritoras negras do Brasil, Carolina é considerada uma das mais importantes escritoras do país, de tal modo que sua obra e vida permanecem objetos de diversos estudos, tanto no Brasil quanto no exterior.

Casa de alvenaria: volume 1: Osasco

Este primeiro volume abarca os meses em que Carolina Maria de Jesus morou em Osasco (SP), em 1960, após deixar a favela do Canindé. Através deste testemunho precioso que borra as fronteiras dos gêneros literários, acompanhamos a recepção de “Quarto de despejo”, as viagens de divulgação, o contato frequente com a imprensa e os políticos, o desenvolvimento de seu projeto literário e seu desejo de ser reconhecida como escritora.

Casa de alvenaria: volume 2: Santana

Em dezembro de 1960, depois de deixar a favela do Canindé e morar brevemente em Osasco, Carolina Maria de Jesus comprou sua tão sonhada casa de alvenaria, em Santana, onde viveu antes de se mudar para um sítio em Parelheiros. Este segundo volume inclui diários que se estendem até dezembro de 1963, com conteúdo inédito ou fora de circulação há décadas. Através desses registros, acompanhamos a nova vida de Carolina, a movimentação em sua casa, as viagens e, sobretudo, a dificuldade de transpor as barreiras do racismo e da estigmatização para ser reconhecida como escritora.

Diário de Bitita

A dura luta cotidiana de uma família negra, nas primeiras décadas do século passado, narrada do ponto de vista de uma menina inteligente e interessada. A obra documenta os esforços da autora para, ainda criança, encontrar trabalho, garantir a sobrevivência material e manter a dignidade, acima de tudo. Um painel da sociedade agrária brasileira, realçado com tintas de injustiça social, preconceito e discriminação.

O escravo: romance

Neste romance escrito na década de 1950, conhecemos a verve ficcionista de Carolina Maria de Jesus. Os protagonistas dessa história são os primos Rosa e Renato, que, embora apaixonados, acabam seguindo caminhos distintos, sobretudo por pressão da família abastada do rapaz. O texto é resgatado e estabelecido diretamente do manuscrito original, conservando o projeto literário e estético da autora.

Quarto de despejo: diário de uma favelada

Um dos maiores clássicos da literatura brasileira, este livro é o diário de Carolina, uma catadora de papéis, semianalfabeta, negra, pobre e favelada. É, também, autora, personagem e narradora do livro. Ela representa a voz dos excluídos, marginalizados por questões sociais e étnicas. É um diário autobiográfico e um documento sobre a vida na favela do Canindé, em São Paulo, onde morou com os três filhos.

CÁSSIA VALLE (Salvador, BA) é escritora, poeta, contista, dramaturga, atriz e diretora, membro do Bando de Teatro Olodum. Pós-graduada em Psicopedagogia na UFBA e mestre em preservação do Patrimônio Cultural pelo IPHAN. Em 2017 recebeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte pela obra “Calu: uma menina cheia de história”, categoria melhor livro infanto-juvenil.

Calu: uma menina cheia de histórias

Calu procura uma forma de transformar o bairro em que mora em um museu a céu aberto. O livro ressalta importância de trabalhar o sentimento de pertencimento da população para o patrimônio material e imaterial.

Felipa: Maria Felipa

A obra conta a história de Maria Felipa de Oliveira, personagem lendária do movimento contra os portugueses pela independência da Bahia. Marisqueira e capoeirista habilidosa, Maria Felipa é exemplo de coragem e determinação das mulheres negras brasileiras que tanto lutaram pela liberdade.

CIBELE TENÓRIO é jornalista, pesquisadora e autora nascida em Alagoas. Mestre e doutoranda em História pela Universidade de Brasília (UnB), atua na Rádio Nacional e se dedica à pesquisa sobre o sufrágio feminino e a participação das mulheres na política brasileira. Graduada em jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), mora em Brasília desde 2013.

Almerinda Gama: a sufragista negra

Figura de destaque na luta pelos direitos femininos no país, Almerinda Gama era nordestina, negra, feminista e sufragista. Neste livro, Cibele Tenório retraça não apenas o pioneirismo político de uma mulher negra à frente de seu tempo, mas também as mil vidas dessa pianista, poeta, jornalista, escritora cuja história íntima se confunde com a história do Brasil.

CIDA BENTO (São Paulo, SP, 1952) é autora e psicóloga. Doutora em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP e cofundadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, é uma das mais relevantes intelectuais e ativistas do Movimento Negro brasileiro contemporâneo. Pesquisadora das relações entre raça, racismo e psicologia, ela se torna referência obrigatória nos estudos sobre branquitude no Brasil.

Branquitude: racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

Cidadania em preto e branco: discutindo as relações raciais

A obra informa e amplia a conscientização sobre a problemática do racismo no Brasil. Estimula o leitor à reflexão sobre si próprio, sobre os acontecimentos de seu cotidiano e sobre os fatos históricos ligados às teorias raciais.

Educação infantil, igualdade racial e diversidade: aspectos políticos, jurídicos, conceituais

Organizado por Cida Bento, este livro propõe uma perspectiva mais analítica, abrangente, reflexiva sobre a temática da primeira infância, vista pelo ângulo da diversidade racial e da responsabilidade da política educacional infantil, na sua valorização e na promoção da igualdade racial.

O pacto da branquitude

Diante de dezenas de recusas em processos seletivos, Cida Bento identificou um padrão: por mais qualificada que fosse, ela nunca era a escolhida para as vagas. Em suas pesquisas de mestrado e doutorado, a autora se dedicou a investigar esse modelo, que se repetia nas mais diversas esferas corporativas, e a desmistificar a falácia do discurso meritocrático. O que encontrou foi um acordo não verbalizado de autopreservação, que atende a interesses de determinados grupos e perpetua o poder de pessoas brancas. A esse fenômeno, Cida Bento deu o nome de “pacto narcísico da branquitude”. Neste livro, Cida Bento denuncia e questiona a universalidade da branquitude e suas consequências nocivas para qualquer alteração substantiva na hierarquia das relações sociais.

Psicologia social do racismo: estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil

O livro parte de um estudo feito pelas organizadoras, Iray Carone e Cida Bento, sobre a negritude em São Paulo, objetivando captar os efeitos psicológicos do legado do branqueamento sobre o processo de construção da identidade negra. Através dos resultados desta pesquisa, as autoras organizaram esta obra como um tributo capaz de desencadear um debate e uma reflexão conscientizadores sobre os efeitos psicológicos provocados pelo racismo na sociedade brasileira.

CLAUDIA WALLESKA (São Paulo, SP, 1980) é escritora, compositora e enfermeira sanitarista. Graduada em Enfermagem e pós-graduação em Vigilância Sanitária. É cofundadora do coletivo de escritoras negras Flores de Baobá, que busca dar visibilidade à literatura produzida por mulheres negras.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

CONCEIÇÃO EVARISTO (Belo Horizonte, MG, 1946) é uma linguista e escritora brasileira. Agora aposentada, teve uma prolífica carreira como pesquisadora-docente universitária. Os temas que aborda em suas obras têm relação com suas experiências de vida, pois aprofundam reflexões sobre discriminação racial e desigualdades de classe e de gênero. Sua escrita tem grande relevância para a formação cultural brasileira e a levou a receber o título de Personalidade Literária do Ano pelo Prêmio Jabuti, em 2019.

Becos da memória

Romance memorialista que nos conta várias histórias de personagens verossímeis, moradores de uma favela que está para acabar. Nesse cenário conhecemos histórias como a de Vó Rita, parteira e mulher respeitada por sua sabedoria e experiência, que agora cuida da misteriosa personagem Outra, que não recebe nome, mas é muito citada na narrativa da menina Maria Nova, curiosa adolescente negra que adora ouvir histórias e expressar sua curiosidade. A autora traduz, a partir de seus muitos personagens, a complexidade humana e os sentimentos profundos dos que enfrentam cotidianamente o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria; dos que a cada dia têm a vida por um fio.

Canção para ninar menino grande

Este romance traz o primeiro protagonista masculino de Conceição Evaristo. Fio Jasmim é um ferroviário negro que coleciona mulheres por onde passa, categorizandoas de acordo com a sua vontade. Há, porém, um pequeno twist. A figura de Jasmim se desenha pela lembrança de suas amadas. E se a princípio pode parecer que a masculinidade está no centro da história, logo se vê que é o contrário. O que faz Jasmim existir como personagem é justamente o olhar que essas mulheres têm sobre ele. Na figura do personagem Fio Jasmim, Conceição discute as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras.

Contos do mar sem fim: antologia Angola/Brasil/Guiné-Bissau

Cinco autores de Angola, quatro de Guiné-Bissau e sete escritores do Brasil, entre eles

Conceição Evaristo, estão reunidos na coletânea. O título remete aos célebres versos de Fernando Pessoa: “O mar sem fim é português”. Nas entrelinhas, o convite para deixar a mente percorrer as imagens que fazem parte do cotidiano dos três povos...

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

Histórias de leves enganos e parecenças

Conceição Evaristo nos oferece um livro com doze contos e uma novela. Do primeiro ao último conto e a novela “Sabela”, que encerra o livro, vamos encontrar, no âmbito dos enunciados, diálogos intratextuais com a obra da autora e intertextuais com mitos e outros textos da cultura brasileira, em uma escrita marcada pela oralidade, dedicada a produzir ficção e reflexão sobre a comunidade afro-brasileira, suas memórias e histórias.

Insubmissas lágrimas de mulheres

Esta antologia é composta de 13 contos, cujas histórias têm como protagonistas mulheres negras. De dentro da cena, vozes-mulheres explicitam suas dores, anseios, temores, mas, antes de tudo revelam a imensa capacidade de se retirarem do lugar do sofrimento e inventarem modos de resistência. Uma íntima fusão entre as personagens — a voz ficcional de quem apresenta essas personagens e a autora — marca o processo criativo dos textos e afirma o projeto literário de Conceição Evaristo, o de traçar uma escrevivência.

Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade

Com pioneirismo e inovação científica, Conceição Evaristo produziu, nos anos 1990, sua dissertação de mestrado sobre literatura negra, falando de si e de nós num ambiente que ainda não dava a devida importância à autoria negra, ou nem mesmo reconhecia essas produções como literatura. Neste livro, a autora nutre o nascente conceito de escrevivência, ao analisar poemas dos principais autores negros dos séculos 19 e 20, com destaque para a poesia publicada pela Cadernos Negros.

Nossos passos vêm de longe: e outras histórias ancestrais

Este livro reúne cinco autoras que transformam memória em literatura e resistência em narrativa. As autoras criam histórias que atravessam gerações, revelando dores, afetos e a luta por pertencimento. Das mulheres negras que pavimentaram o presente com suor e coragem ao impacto silencioso do racismo estrutural, das batalhas por espaço e identidade aos laços familiares moldados por amor e dureza — cada conto desta coletânea desenterra silêncios e ilumina trajetórias que nunca deveriam ser esquecidas.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

Olhos d’água

Nos quinze contos que enfeixam ser livro a temática está relacionada às agruras diárias pelas quais passam os afro-brasileiros numa sociedade excludente como a nossa. Nessas narrativas, ainda que existam alguns protagonistas masculinos, a ênfase centra-se em personagens femininas. Estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres — todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

Ponciá Vicêncio

A história de Ponciá Vicêncio descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisando seus afetos e desafetos e seu envolvimento com a família e os amigos. Discute a questão da identidade de Ponciá, centrada na herança identitária do avô e estabelece um diálogo entre o passado e o presente, entre a lembrança e a vivência, entre o real e o imaginado.

CRISTAL ROCHA (Porto Alegre, RS, 2002) é rapper, compositora e poeta. Em 2017, se apresentou no Sopapo Poético, tradicional sarau voltado para as pessoas e a cultura negra de Porto Alegre, e mais uma vez mostrou toda a potência dos seus versos que abordam o combate ao racismo, o feminismo negro, a experiência de ser uma pessoa negra no sul do país, mas, sobretudo, toda a força e beleza das pessoas, da cultura e da arte produzida pelas pessoas negras.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta

Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

CRISTIANE SOBRAL (Rio de Janeiro, RJ,1974) é atriz, professora, escritora, poeta e dramaturga. Mestre em Teatro pela UnB, multiartista e performer, percorreu, como palestrante e oficineira, diversas cidades e países como Angola, Colômbia, Guiné Bissau, Equador, África do Sul e os Estados Unidos, onde fez tour por 9 universidades, inclusive Harvard. Vive em Brasília.

Amar antes que amanheça

Os quinze contos deste volume criam um painel sobre os diversos tipos de amor. Cristiane Sobral apresenta personagens que encaram situações em que a urgência de amar (antes que amanheça) é uma necessidade para a vida.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

DALL FARRA (Duque de Caxias, RJ) é poeta, rapper, slammer e formada em Geografia pela UFRJ. Estrelou no curta Mc Jess pelo qual recebeu o prêmio de “melhor atuação” do Festival Mix Brasil, o maior festival LGBTQI+ da América Latina. Foi uma das poetas convidadas para realizar a primeira batalha de Slam no Rock in Rio em 2019.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta

Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

DÉBORA GARCIA (São Paulo, SP, 1983) é poeta, cantora, atriz, gestora cultural com vasta experiência nas áreas do livro e da literatura. Assistente social formada pela UNESP, atua no sistema judiciário atendendo mulheres vítimas de violência. É idealizadora, produtora e artista da coletiva Sarau das Pretas, sarau artísticoliterário protagonizado por mulheres negras.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

DEDÊ FATUMMA é uma escritora, poeta e percussionista baiana, natural de Salvador. Mestre em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia, também atua como assistente social em Salvador, focando na população LGBTQIAPN+ e nas discriminações que enfrentam no cotidiano.

Lesbiandade

Dedê Fatumma, mulher negra e lésbica, expõe neste livro, a construção de sua identidade e os caminhos percorridos para o entendimento das violências que acometem mulheres lésbicas, bissexuais e dissidentes de gênero. A partir da referenciação de intelectuais negras, mulheres latino-americanas e racializadas, evidencia as desigualdades intersectadas nas relações sociais de gênero, classe, raça e sexualidade, frente ao sistema de poder. Sua pesquisa marca a insurgência teórica contra a hegemonia branca e rompe com padrões de colonização de corpos ao evidenciar outras maneiras de amor entre mulheres.

DJAMILA RIBEIRO (Santos, SP, 1980) é filósofa, escritora e professora. Graduada em Filosofia e mestra em Filosofia Política pela UNIFESP. É colunista semanal na Folha de S. Paulo e editora de livros. Professora universitária na PUC-SP e New York University, atualmente está no MIT. Coordena a iniciativa Feminismos Plurais e já recebeu dezenas de prêmios nacionais e internacionais na sua carreira.

Cartas para minha avó

A filósofa Djamila Ribeiro revisita sua infância e adolescência para discutir temas como ancestralidade negra e os desafios de criar filhos numa sociedade racista. O relato se dá na forma de cartas a sua saudosa avó Antônia. A cumplicidade que sempre houve entre avó e neta é o que permite que a autora rememore episódios difíceis, como a perda do pai e da mãe, as agressões que sofreu como mulher negra no Brasil e os desafios para integrar a vida acadêmica. Djamila também fala de relacionamentos amorosos e experiências profissionais, das músicas, das leituras e das amizades que a acompanharam em sua construção pessoal — e da percepção paulatina de que a memória das lutas e das conquistas das pessoas negras que vieram antes de nós é a força que nos permite seguir adiante.

Lugar de fala

Com o objetivo de desmistificar o conceito de lugar de fala, Djamila Ribeiro contextualiza o indivíduo tido como universal numa sociedade cisheteropatriarcal eurocentrada, para que seja possível identificarmos as diversas vivências específicas e, assim, diferenciar os discursos de acordo com a posição social de onde se fala.

O que é lugar de fala?

Fazendo o questionamento de quem tem direito à voz numa sociedade que tem como norma a branquitude, masculinidade e heterossexualidade, o conceito de lugar de fala se faz importante para desestabilizar as normas vigentes e trazer a importância de se pensar no rompimento de uma voz única com o objetivo de propiciar uma multiplicidade de vozes. Partindo de obras de feministas negras como Patricia Hill Collins, Grada Kilomba, Lélia Gonzalez, Luiza Bairros, Sueli Carneiro, o livro aborda, pela perspectiva do feminismo negro, a urgência pela quebra dos silêncios instituídos explicando didaticamente o que é conceito ao mesmo tempo em que traz ao conhecimento do público produções intelectuais de mulheres negras ao longo da história.

Pequeno manual antirracista

Dez lições breves para entender as origens do racismo e como combatê-lo. Em dez capítulos curtos, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas. Reconhecer as raízes e o impacto do racismo pode ser paralisante. Afinal, como enfrentar um monstro desse tamanho? Djamila Ribeiro argumenta que a prática antirracista é urgente e se dá nas atitudes mais cotidianas.

Uma nova história feita de histórias: personalidades negras invisibilizadas da história do Brasil

Organizado por Djamila Ribeiro, Lizandra Magon de Almeida e Maurício Rocha, o livro resgata personalidades negras que merecem ser reconhecidas por suas contribuições à História. Os textos apresentam escravizados, recém-libertos, líderes espirituais, políticos, educadores, artistas de diversos campos, mulheres que estudaram e empreenderam a despeito de todos os preconceitos de gênero e de raça. Em suma, pessoas que viveram em suas épocas e marcaram a nossa História.

Quem tem medo do feminismo negro?

O livro reúne um longo ensaio autobiográfico e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista Carta Capital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Também aborda temas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro nos Estados Unidos e no Brasil, além de discutir a obra de autoras de referência para o feminismo, como Simone de Beauvoir.

EDILEUZA PENHA DE SOUZA (Cachoeiro de Itapemirim, ES, 1964) é professora, escritora e cineasta. É idealizadora e organizadora da Mostra Competitiva de Cinema Negro – Adelia Sampaio. Tem experiência em ensino, pesquisa, curadoria e consultoria nas áreas de educação das relações étnico-raciais, educação quilombola, cinema negro e cineastas negras no Brasil. Seus filmes ganharam vários prêmios.

Princesas negras

Elas estão nas escolas, nas universidades e em diversos postos de trabalho. As princesas negras são inteligentes, lutadoras, espertas e aprendem muito com suas mães e avós. São especiais, com seus cabelos crespos e sua ancestralidade. Descubra mais sobre as princesas negras no livro de Edileuza Penha de Souza e Ariane Celestino Meireles. Quem sabe você não convive com uma, ou é uma delas?

EDWIDGE DANTICAT (Porto Príncipe, Haiti, 1969) é uma escritora haitiano-americana. Quando tinha quatro anos de idade, seus pais mudaram-se para os Estados Unidos, Edwidge e seu irmão ficaram no Haiti aos cuidados de uma tia e um tio. Depois de muito tempo, ela conseguiu ir para os EUA quando já tinha 12 anos. Recebeu prêmios como o National Book Critics Circle Award e o American Book Award.

Clara da Luz do Mar

No dia do aniversário de sete anos de Claire Limyè Lanmè, seu pai, um pescador viúvo, decide entregá-la para Gaëlle, a vendedora de tecidos da pequena Ville Rose, no Haiti, para que ela dê à menina uma vida melhor. Pouco a pouco, somos apresentados a outros moradores do vilarejo e um mundo de lembranças dolorosas e de segredos que deveriam permanecer enterrados vem à tona.

O rouxinol da mamãe: uma história de imigração e separação

Quando a mãe de Saya é mandada para um centro de detenção de imigrantes, a menina encontra conforto ao ouvir a saudação afetuosa de sua mãe na secretária eletrônica. Para diminuir a distância entre elas, a mamãe começa a enviar para Saya fitas cassetes com histórias de ninar inspiradas no folclore haitiano. Motivada pelas histórias de sua mãe e pelas tentativas de seu pai de reunir a família, Saya escreve sua própria história — que poderá trazer sua mãe de volta para casa para sempre.

ELAINE MARCELINA (Rio de Janeiro, RJ, 1974) é escritora, professora, pesquisadora, roteirista e fundadora do projeto Centro Cultural Kasa da Marcelina. Mestre em História Social pela Universidade Salgado de Oliveira. Atualmente, é doutoranda em Educação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro e integra o grupo de pesquisa Kekere, da mesma instituição.

Beata: a menina das águas

Este livro conta a história de uma menina e sua conexão com a natureza como força de sua vocação espiritual. O livro é uma homenagem a Mãe Beata de Iemanjá. Beatriz Moreira Costa é conhecida como Mãe Beata de Iemanjá. Nasceu em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira (BA). Foi ativista pelos direitos humanos, em especial os direitos das mulheres negras.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

ELIANA ALVES CRUZ (Rio de Janeiro, RJ, 1966) é uma jornalista e escritora. Suas obras focam principalmente em ficção e contos, com ênfase em perspectivas afro-brasileiras. Com “A vestida”, venceu na categoria Contos o Prêmio Jabuti de 2022. Atua como chefe do Departamento de Imprensa da Confederação Brasileira de Esportes Aquáticos, sendo também vice-presidente do Comitê de Mídia da Federação Internacional de Natação – FINA.

Água de barrela

As muitas mulheres negras presentes neste romance encontram no lavar, passar, enxaguar e quarar das roupas das patroas e sinhás brancas um modo de sobrevivência em quase trezentos anos de história, desde o Brasil na época da colônia até o início do século XX. A narrativa inicia-se com a comemoração do aniversário de umas das personagens após viver um século de muitas lutas, perdas, alegrias, tristezas e principalmente resiliência. Damiana, personagem central, cansada das batalhas constante e ininterruptamente travadas pela liberdade, se vê rodeada por sua família e se recorda dos tempos de lavadeira.

A copa frondosa da árvore

Memórias e ancestralidades negras e indígenas. Estes são os pilares em que se ancora a narradora ao relatar momentos marcantes da sua infância, como o encantamento com o seu cabelo blackpower, que faz lembrar a copa frondosa de uma árvore. A avó, de mãos habilidosas e amante das artes, entrança os fios crespos da neta ao prazer e à liberdade de ser criança. Eliana Alves Cruz integra elementos da estética negra e sensibilidades artísticas ao cotidiano ficcional infantojuvenil.

O crime do Cais do Valongo

Um corpo amanhece em um beco, envolto em uma manta e com pequenas partes cortadas. Fruto de pesquisa histórica cuidadosa, que inclui reprodução de notícias e classificados de jornais de época, a obra é um romance histórico-policial que começa em Moçambique e vem parar no Rio de Janeiro, mais exatamente no Cais do Valongo. O local foi porta de entrada de 500 mil a um milhão de escravizados de 1811 a 1831. A história acontece no início do século 19 e é contada por dois narradores — Muana e Nuno — que conviveram com a vítima: o comerciante Bernardo Vianna.

O dia escuro: contos inquietantes de autoras brasileiras

Uma mulher acha um dedo na praia. Um homem em situação de rua agoniza na calçada. Uma menina tem certeza de que sua mãe foi trocada por outra. Um herdeiro escravocrata enlouquece com espíritos do passado. Essas são algumas das histórias contidas nesta coletânea para levar o debate sobre terror latino-americano a um novo patamar. São textos que causam medo, angústia, repulsa ou assombro, e têm como único ponto comum o fato de terem sido escritos por mulheres.

Meridiana

Narrativa sobre o processo de ascensão social de uma família negra. Cada personagem — a mãe, o pai, os filhos e a filha — conta a própria história em primeira pessoa. São testemunhos de uma travessia que nunca é igual para ninguém. Ao explorar a pluralidade de vozes, a autora alcança a complexidade que dá ao processo sua fisionomia particular.

Nada digo de ti, que em ti não veja

Uma cidade com milícia, racismo, fake news, delação premiada, conservadorismo, fanatismo religioso e ruas sujas. Parece 2020, mas esse é o Rio de Janeiro de 1732, ano no qual está ambientado este romance histórico. Entre as temáticas, salta aos olhos a transexualidade, raras vezes presente em uma trama de época, e as fake news tão em voga, através de cartas anônimas que ameaçam revelar alguns dos segredos mais bem guardados dos integrantes das duas famílias ricas que se cruzam no texto.

Nossos passos vêm de longe: e outras histórias ancestrais

Este livro reúne cinco autoras que transformam memória em literatura e resistência em narrativa. As autoras criam histórias que atravessam gerações, revelando dores, afetos e a luta por pertencimento. Das mulheres negras que pavimentaram o presente com suor e coragem ao impacto silencioso do racismo estrutural, das batalhas por espaço e identidade aos laços familiares moldados por amor e dureza — cada conto desta coletânea desenterra silêncios e ilumina trajetórias que nunca deveriam ser esquecidas.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

Solitária

O livro conta a história de duas mulheres negras, Mabel e Eunice, mãe e filha, que moram no trabalho, um condomínio de luxo desses encontrados em qualquer grande cidade brasileira. Eunice, a mãe, é testemunha-chave de um crime chocante ocorrido na casa dos patrões. Mabel, a filha, constrói o caminho que leva não apenas à elucidação deste crime, mas a uma mudança radical na vida das pessoas que cercam as protagonistas.

A vestida

Crítica social, referências a ancestralidade africana, pesquisa história, ironia, insurgência poética e um cuidado com o enriquecimento humano dos seus personagens marcam a prosa dessa escritora carioca. Os seus personagens não estão soltos nos vãos da história, nos espaços invisíveis aos quais as vivências negras quase sempre foram relegadas, muito ao contrário, eles estão intimamente comprometidos com a vida e o tempo, iniciados em terreno ficcional bem elaborado. Não é diferente com este primeiro livro de contos de Eliana Alves Cruz.

ELIANE MARQUES (Sant’Ana do Livramento, RS, 1970), escritora, poeta, tradutora e psicanalista, é mestre em Direito Público e graduada em Pedagogia e Direito. Coordena a editora Escola de Poesia Amefricana, que visa à tradução e à publicação de livros de mulheres poetas amefricanas no Brasil. É filiada à Àpres Coup Psicanálise e Poesia, onde coordena e ministra seminários de formação em psicanálise.

Louças de família

O que resta depois da morte de alguém? E se esse alguém for uma mulher negra? Esta história começa com a morte de tia Eluma, empregada doméstica na cidade com nome de Ana, na fronteira entre Brasil e Uruguai. Quem responde por essa morte? Quem pagará o velório dessa mulher que se cria no batuque e morre na Igreja Universal do Reino de Deus? O que a narradora herda da tia e o que abandona? Tendo a vida (e a morte) de tia Eluma como ponto de partida, a narradora puxa o fio que se estende à sua primeira ancestral conhecida da linha materna, passando por outras parentes suas que, para chegarem até aqui, limparam os pés nas pedras dos arroios lavando a roupa suja dos brancos.

ELISA LUCINDA (Cariacica, ES, 1958) é uma atriz, poeta, escritora e cantora. Formada em Jornalismo, iniciou como repórter antes de consagrar-se nas artes cênicas no Rio de Janeiro. Poeta premiada e autora reconhecida, fundou a Casa Poema, promovendo a arte como ferramenta de transformação social. Popularizou a poesia pela maneira coloquial de escrevê-la e declamá-la.

Lili, a rainha das escolhas

Uma menina que assusta e confunde, mas é sempre muito importante. Há até quem ache que ela é quem nos faz o que somos. Para entendê-la, é só observar o que ela diz!

A menina transparente

Uma menina que mora na música, no mar, na comida da panela, nas flores e no coração dos apaixonados. Mas, às vezes, ela aparece tão de mansinho que tem gente que nem percebe e a deixa de lado. Qual o nome dela?

O menino inesperado

O menino inesperado é um prenúncio de perigo, cuja presença pode fazer tremer. Mas andar longe dele é perigo ainda maior. Quem será?

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

O órfão famoso

Um menino solitário, pouco amado, mas do qual ninguém consegue se livrar. Um pequeno órfão que nos ensina muitas coisas. A charada a decifrar na leitura desta história é justamente qual o nome do menino. Mas é só seguir as pistas!

Palavras de encantamento: poesias

Nesta antologia poética brasileira que reúne versos de diversos autores, a poesia nasce de um olhar especial que o poeta divide com seus leitores através do poema e cada poema inventa um mundo, onde o leitor entra pela mão do poeta.

Parem de falar mal da rotina

A obra traz a adaptação para livro do espetáculo de mesmo nome. Na obra, Elisa faz uma ode ao cotidiano e às coisas simples da vida. A ideia principal é mostrar aos leitores que são eles que criam suas limitações diárias e que já que a rotina não vai desaparecer devemos encará-la de frente e reinventá-la.

ELISAMA SANTOS (Feira de Santana, BA, 1985) é escritora, psicanalista e apresentadora de TV que atua na área de relacionamentos familiares, especialmente a educação infantil. Escreve e palestra sobre educação parental e sobre a construção de relacionamentos mais saudáveis e harmoniosos, por meio da comunicação não violenta.

Ensaios de despedida

Nestas páginas, conhecemos a advogada Cristina, que, após vinte anos de casamento, começa a escrever sobre seu cotidiano, registrando seu dia a dia e seus pensamentos mais secretos para que a filha entenda os motivos que a fizeram deixar o lar. Ao narrar sua complexa e inimaginável vida íntima, Cristina não só relata as décadas que passou anulando a si mesma em prol de uma fantasia de família como também reescreve a história de linhagens de mulheres.

ELIZANDRA SOUZA (São Paulo, SP, 1983) é escritora, poeta, editora, jornalista e técnica em Comunicação Visual. Nasceu na periferia de São Paulo e passou a infância em Nova Soure (BA). É ativista cultural, com ênfase na difusão do jornalismo cultural da periferia e da Literatura Negra Feminina. Integrante do Sarau das Pretas desde 2016.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

Filha do fogo: 12 contos de amor e cura

Este livro de contos oferta aos leitores uma incursão por histórias de força incomum, protagonizadas em sua maioria por vozes femininas negras, como a autora. Mulheres que manifestam os desafios, as decepções e as conquistas que permeiam o percurso daquelas que afrontam os códigos consolidados na sociedade atual. Uma sociedade ainda tão hierarquizada e que permanece se recusando a enxergar a viabilidade de modos de viver mais libertários, igualitários e humanos nas relações cotidianas.

As meninas maluquinhas

Histórias de oito escritoras muito maluquinhas, reunidas em um só livro! Uma homenagem ao Ziraldo, cuja obra, assim como aconteceu com os meninos, inspirou meninas de várias gerações a serem tudo o que bem entenderem: princesas, fadas, bruxas, sonhadoras, maluquinhas, caubóis, campeãs de ioiô.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

ESMERALDA DO CARMO ORTIZ (São Paulo, SP, 1979) é escritora, jornalista e cantora brasileira que se tornou um símbolo de resiliência após viver dez anos em situação de rua em São Paulo. Atualmente, ela utiliza sua voz no jornalismo, na música e em palestras para atuar como uma importante ativista social e defensora dos direitos humanos.

O diário da rua

Como vive uma criança de rua? É possível ter sonhos e brincar, vivendo em um cotidiano de abandono e violência? Autora e personagem deste diário, Esmeranda relata como, contando com alguma ajuda e um imenso amor à vida, conseguiu sobreviver.

Esmeralda, por que não dancei

O livro é o depoimento de quem esteve nas ruas desde os oito anos, convivendo com a violência, as drogas e a indiferença. E mais ainda — é o roteiro de seu renascimento, da construção da sua autoestima, da recuperação da dignidade de um ser humano.

ESMERALDA RIBEIRO (São Paulo, SP, 1958) é jornalista, escritora e ativista. Integrante do coletivo Flores de Baobá e coordenadora do coletivo Quilombhoje, um grupo literário afro-brasileiro fundado com os objetivos de incentivar a leitura, difundir informações e conhecimentos sobre a literatura e a cultura negra, e discutir sobre as experiências literárias afro-brasileiras.

Contos do mar sem fim: antologia Angola/Brasil/Guiné-Bissau

Cinco autores de Angola, quatro de Guiné-Bissau e sete escritores do Brasil estão reunidos nesta coletânea. Os 16 contos selecionados têm em comum o idioma e suas particularidades em cada nação no qual é falado, sem falar no intercâmbio de experiências entre os países.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

FABIANA COZZA (São Paulo, SP, 1976) é cantora, escritora, pesquisadora e intérprete brasileira. É formada em Canto Popular, Teoria Musical e Prática de Conjunto pela Universidade Livre de Música Tom Jobim (atual Emesp) e em Jornalismo pela PUC-SP, além de ser mestre em Fonoaudiologia pela PUC-SP.

Contos de axé: 18 histórias inspiradas nos arquétipos dos orixás

O livro reúne textos inéditos de 18 escritores brasileiros oriundos de diferentes regiões do país. A partir dos contos criados com base na mitologia das religiões de matriz africana, Marcelo Moutinho, organizador do livro, afirma que “a ideia é tentar iluminar uma cultura de admirável força alegórica que costuma ser ignorada no Brasil, embora seja tão definidora de nossa gênese”. A seleção dos autores varia em amplitude geográfica, além de raça, gênero, idade e estilo.

FÁTIMA TRINCHÃO (Euclides da Cunha, BA) é poeta e contista. É licenciada em Letras Vernáculas com Francês pela Universidade Católica de Salvador e professora do Ensino Médio da rede estadual de ensino. Suas obras focam em questões sociais, históricas e psicológicas relacionadas aos afrodescendentes.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

FERNANDA BASTOS (Porto Alegre, RS, 1988) é jornalista, tradutora e autora. Fundou a editora Figura de Linguagem, em Porto Alegre, casa editorial focada em literatura negra. Foi curadora da Flip (2022-2023), é fellow da Fundação Van Leer e doutoranda na ECA-USP.

Os árbitros, as botas, as melancias e os postes

A autora reúne pela primeira vez textos publicados nos jornais Gaúcha, ZH e Correio do Povo, em portais como Literatura RS — do qual é colunista — e em publicações especializadas como a revista da TAG Livros. Este livro é um reflexo do pensamento e das referências da poeta, como Alice Walker, June Jordan, Djamila Ribeiro e Aline Daka.

Dessa cor

Coletânea de poemas que marca a estreia de Fernanda Bastos na literatura. A obra explora a subjetividade da mulher negra no Sul do Brasil, costurando memórias pessoais, ancestralidade e resistência política. Através de versos líricos e afiados, a autora investiga como a cor da pele molda o olhar sobre o mundo e as relações de afeto e exclusão.

Selfie-purpurina

Conjunto de poemas curtos alinhavados por uma gramática de quem vive o carnaval, não na composição do samba-enredo ou no desenho dos figurinos, mas na imensidão dos dias de espera e preparação do exército de corpos que sonham a folia. Ela alinhava fragmentos de vivências e memórias, passa ao largo da convencional exuberância da escola de samba, para iluminar, em meio ao transe do exército de passistas, a voz sábia do avô, a ancestralidade e a presença negra na maior festa popular do planeta.

FERNANDA RODRIGUES MIRANDA é autora e professora de Teoria da Literatura na Universidade Federal da Bahia, onde integra o NETINDIAFRO – Núcleo de Estudos Trans/Interdisciplinares Indígenas, Africanos e Afrodiaspóricos. Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo. Possui Bacharelado e mestrado em Letras também pela USP.

Silêncios prescritos: estudos de romances de autoras negras brasileiras (1859-2006)

O livro é um estudo de romances de autoras negras brasileiras (1859-2006) que fala de memórias, resistências e existências recriadas. É um trabalho a ser lido a partir de várias perspectivas, por exemplo: a perspectiva da insurgência das escritoras; a agência das pessoas negras nos mais adversos contextos; modos como mulheres negras interpretam e interpretaram histórias do país; a insistência da sociedade brasileira em manter as bases escravagistas e racistas de violência e crueldade em que tem sido gestada.

FLÁVIA MARTINS DE CARVALHO (Nova Iguaçu, RJ, 1974) é juíza, escritora e pesquisadora. Doutorado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Faculdade de Direito da USP, é juíza de Direito no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e atua como juíza-auxiliar e juíza-ouvidora no Supremo Tribunal Federal (STF). Como escritora, suas obras exploram a interseção entre o Direito, a literatura e a vivência pessoal, muitas vezes sob a perspectiva da “escrevivência”.

Gonzalez: Lélia Gonzalez

A obra homenageia a trajetória de Lélia Gonzalez, importante intelectual que muito contribuiu para o movimento negro no Brasil. Formada em História e Filosofia, pósgraduada em Comunicação e Antropologia, e estudiosa de Sociologia e Psicanálise, Lélia reúne em sua trajetória reflexões críticas sobre questões raciais, com destaque para os desafios enfrentados pelas mulheres negras.

Meninas sonhadoras, mulheres cientistas: linguagens e ciências humanas

Box com duas obras de Flávia Martins de Carvalho. Por meio de poesias, a autora homenageia, celebra e canta a vida de 20 mulheres com histórias inspiradoras, de sucesso e de superação. Assim como Flávia, a maioria das mulheres elencadas é negra e brasileira, mas também há destaque para mulheres indígenas, brancas e estrangeiras. Elas atuam em diversas áreas, mas todas unem suas atividades profissionais com ações afirmativas e sociais.

Meninas sonhadoras, mulheres cientistas: matemática e ciências da natureza

Box com duas obras de Flávia Martins de Carvalho. Por meio de poesias, a autora homenageia, celebra e canta a vida de 20 mulheres com histórias inspiradoras, de sucesso e de superação. Assim como Flávia, a maioria das mulheres elencadas é negra e brasileira, mas também há destaque para mulheres indígenas, brancas e estrangeiras. Elas atuam em diversas áreas, mas todas unem suas atividades profissionais com ações afirmativas e sociais.

Michelle: Michelle Obama

A obra conta a história de Michelle Obama, uma das mulheres mais influentes do mundo. Graduada em Direito pela Universidade Princeton e, depois, pela Harvard Law School, foi primeira-dama dos Estados Unidos durante a presidência de Barack Obama. Michelle se dedica à luta contra o racismo, à derrubada do preconceito sexista para que mulheres possam ocupar posições de liderança e à geração de oportunidades para que meninas adolescentes possam estudar.

FRANÇOISE EGA (1920-1976) foi uma escritora e ativista social francesa, nascida na Martinica. Dedicouse em vida a lutar pelos direitos da comunidade negra e dos migrantes caribenhos na França. Seus livros trabalhavam com temas como exploração, nacionalismo, alienação, racismo e machismo. Foi reconhecida como uma importante voz feminina das Antilhas francesas entre o final da Segunda Guerra Mundial e o fim da colonização francesa.

Cartas a uma negra: narrativa antilhana

Françoise Ega trabalhava em casas de família em Marselha, na França. Um de seus pequenos prazeres era ler a revista Paris Match, na qual deparou com um texto sobre Carolina Maria de Jesus e seu “Quarto de despejo”. Identificou-se prontamente. E passou a escrever “cartas” — jamais entregues — à autora brasileira. Nelas, relatava seu cotidiano de trabalho e exploração na França, as dificuldades, a injustiça nas relações sociais, a posição subalterna (e muitas vezes humilhante) a que eram relegadas tantas mulheres como ela, de pele negra e originárias de uma colônia francesa no Caribe.

O tempo da infância

Romance de formação sob o olhar de uma criança, que traça a imagem de uma vida camponesa e modesta em Morne-Rouge, na Martinica dos anos 1920. A trajetória dessa garota humilde e negra reconta sua vida numa comunidade rural antilhana nas primeiras décadas do século XX. Junto com sua descoberta do mundo físico, palpável, descortina-se também a dolorosa consciência do que é viver sob o jugo de uma metrópole (a França) sendo mulher, pobre, negra e descendente de escravizados.

GENI GUIMARÃES (São Manoel, SP, 1947) é professora, poeta e escritora. Iniciou a carreira literária publicando poemas em jornais da cidade de Barra Bonita, no interior paulista. Na década de 1980, aproximou-se do Movimento negro e suas obras passaram a refletir a preocupação com a cultura afrobrasileira. Escreveu contos para a revista Cadernos Negros e com a novela “A cor da ternura” recebeu o Prêmio Jabuti.

Balé das emoções

Neste livro de poemas, a autora nos brinda com seu verbo em ação, com sua poética sobre amor, infância, sofrimento, desejo, inocência, medo, entrega, utopia. Geni nos brinda com uma voz poética que se descortina diante de nós e nos coloca em contato com os sentimentos que pulsam em cada um(a) de nós, desnudando-nos.

A cor da ternura

Geni é a penúltima de uma família de oito irmãos. Negra e pobre, logo se dá conta do peso da cor e da condição social, e aprende a conviver com ofensas e xingamentos. Ela aprende muito com sua Vó Rosária, que lhe conta as histórias do tempo da escravidão e da Princesa Isabel. Depois de muito estudo, Geni se torna professora e pode transmitir suas histórias de tolerância e respeito.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

O pênalti

Esta narrativa conta a história dos irmãos Kamau e Kaiodê, que, apaixonados por futebol, vivem uma situação que os coloca em posições opostas. Neste livro, a autora faz uso de suas habilidades literárias para abordar o que há de mais sensível e tenro nas relações humanas, e, ao representar a família de Kamau e Kaiodê, demostra que é a ternura, o cuidado, o companheirismo e o amor que ditam as atitudes dos personagens, nos oferendo um retrato de uma família negra que se ama e se cuida.

Poemas do regresso

Nesta coletânea, os sessenta e dois poemas que compõem o livro demostram que o senso poético de Geni é uma possibilidade de encontro com a subjetividade de uma escritora que regressa para a literatura nos contando vivências emocionais e visões de mundo, uma narradora poética, comprometida com suas intenções artísticas.

GIOVANA XAVIER (Rio de Janeiro, RJ, 1979) é historiadora, professora e escritora. Formada em História, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado, por UFRJ, UFF, Unicamp e New York University. Professora da Faculdade de Educação da UFRJ, dedica-se a pesquisas sobre história intelectual de mulheres negras, gênero e raça.

Ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas

Esta obra reúne textos de dez pesquisadores que buscam compreender a formação de nossa sociedade como uma construção plural, na qual todas as matrizes culturais e étnico-raciais foram e são igualmente importantes, ao mesmo tempo em que o entendimento das diversas culturas originadas de processos históricos, é fundamental para o ensino de História em nosso país.

História social da beleza negra

Neste livro, a historiadora e teórica do feminismo negro Giovana Xavier explora o surgimento de uma indústria cosmética voltada para a mulher negra nos Estados Unidos na virada do século XIX ao XX. É uma época infame, de segregação racial, da usurpação do direito ao voto da população negra, dos linchamentos. Nesse contexto, proliferam produtos para clareamento da pele, para alisar cabelo, para ter “boa compleição” ou “melhorar a aparência”.

Mulheres negras no Brasil escravista e do pós-emancipação

Como foi a participação das mulheres cativas na organização da sociedade escravista e nas primeiras décadas do pós-emancipação? Como elaboraram sociabilidades? Com esta coletânea de ensaios, que esmiúçam fontes diversas e privilegiam as biografias, temos um quadro amplo das experiências das mulheres negras — primeiras agentes da emancipação da comunidade de africanos e de seus descendentes na diáspora.

GISELE ROSE DA SILVA é filósofa, escritora e pesquisadora, reconhecida por seu trabalho acadêmico e literário focado em relações étnico-raciais e pedagogia antirracista. É Mestra em Relações Étnico-Raciais pelo CEFET/RJ e especialista em Gestão Escolar.

Azoilda Loretto da Trindade: o baobá dos valores civilizatórios afro-brasileiros

Biografia filosófica da intelectual negra Azoilda Loretto da Trindade discutindo variados aspectos de sua trajetória. Para realizar a pesquisa, refletiu-se sobre as condições de sua relativa invisibilidade como membro efetivo da história do movimento negro, ressaltando e enfatizando seu legado e sua importância para a luta antirracista.

HELEINE FERNANDES DE SOUZA nasceu e foi criada no Rio de Janeiro, na favela da Rocinha, onde ainda mora a sua família. É poeta, ensaísta, performer e pesquisadora de Poesia Contemporânea Negra-Brasileira. Realizou performances comissionadas pelo Museu Bispo do Rosário, pelo Galpão Bela Maré e pelo MAMRIO. É professora e doutora em Teoria Literária pela UFRJ.

A poesia negra-feminina de Conceição Evaristo, Lívia Natália e Tatiana Nascimento

A autora mergulha nas escrevivências poéticas das três poetas afro-brasileiras para fazer emergir reflexões sobre o labor estético como pulsão de vida, resistência e permanência de mulheres negras. Para tal tarefa, Heleine Fernandes apresenta um panorama que localiza a produção feminina e negra na literatura, evidenciando o quanto essa arte — que se quer canônica — reproduz o ethos ocidental calcado na lógica patriarcal, colonizadora e supremacista branca.

HELOÍSA PIRES LIMA (Porto Alegre, RS, 1955) é antropóloga, escritora e educadora. Possui graduação em Ciências Sociais, mestrado em Antropologia e doutorado em Antropologia Social pela USP. Publicou diversos livros sobre a temática étnico-racial, tratando especificamente da questão africana. Desde 1995, é autora de livros infantojuvenis dedicados à representação de personagens negros.

Capulana: um pano estampado de histórias

Dandara, uma menina que mora em São Paulo, recebe um presente de seu amigo Tulany, de Moçambique. É uma capulana! Na terra do garoto, o uso desse tecido é tradição. Ele serve para muitas coisas: cobrir o corpo ou a cabeça, enfeitar, carregar bebê nas costas, presentear alguém em ocasiões especiais... A amizade entre as duas crianças resgata uma bela tradição africana, ainda viva entre os povos de Moçambique.

O catavento

Neste livro, a autora nos brinda com uma narrativa que começa brincando com as palavras, mas logo se torna uma história-sonho. Inicialmente, acreditamos que a narrativa é do vento, que leva tudo o que deseja. No entanto, ao longo da história, percebemos que sempre há alguém pronto para revirar a história, construindo seus próprios cataventos, lutas e resistências poéticas.

O espelho dourado

A história deste livro passa-se por volta do ano 700 d.C. no reino medieval de Gana, território localizado na curva do rio Niger, e remete à crença achanti de que os mortos habitam um mundo que é a imagem espelhada do mundo dos vivos. Os dois mundos encontram-se nos sonhos. Desse cenário surge Nyame, divindade cujo corpo de fogo provocou o nascimento do universo e que lembra o período de abundância da etnia achanti.

Giraflor e outros jequitinhonhas

Neste livro, a escritora Heloisa Pires Lima inspirou-se em dez telas de Gildásio Jardim para criar dez contos. A arte de Gildásio está enraizada na realidade do Vale do Jequitinhonha, onde vive, mas dialoga com a memória afetiva de pessoas em qualquer parte do planeta. Suas telas usam tecidos coloridos como a chita para destacar personagens e cenas da cultura popular brasileira.

Histórias da Preta

O livro fala de um povo que veio para o Brasil à força. Homens, mulheres e crianças escravizadas, distantes de suas terras, foram obrigadas a exercer todo tipo de trabalho. Perderam toda a liberdade, sofreram muito. No entanto, sobreviveram à escravidão e acabaram fazendo do Brasil sua segunda casa. Como é ser negro neste país? Faz diferença ou tanto faz? Reunindo informação histórica, reflexão intelectual, estímulos ao exercício da cidadania e historinhas propriamente ditas (tiradas da mitologia africana, por exemplo), a autora fala sobre a população negra no Brasil.

Lendas da África moderna

Contos e recontos de lendas da África atual permitem viajar e conhecer a língua dos griôs, menestréis contadores de histórias, do Mali; a visionária menina Kikuiu, que ajudou a salvar o Quênia das fendas que se abriam no chão e tragavam tudo; a lenda viva da África do Sul, Madiba, que procurava resolver todos os conflitos pelo caminho da paz; e o brinco de ouro, de Gana, uma joia de poder extraordinário de uma antiga princesa. Coautoria com Rosa Maria Tavares Andrade.

Livro tem língua?

Livro escrito com o encontro de Aliã Wamiri Guajajara e Heloisa Pires Lima, que trouxeram as palavras vivas e vividas por duas meninas, uma da aldeia e outra do quilombo. Mas que palavras são essas? O livro em si mesmo é um território e as imagens materializam uma poética e dá corpo aos textos, dá movimento às palavras, inventa formas de a natureza estar presente e de colocar as meninas ali, frente a frente.

A mbira da beira do Rio Zambeze: canções do povo xona inspiram crianças Brasileiras

O Zambeze é um rio do Zimbábue, um país africano cujo nome significa “morada das pedras”, Lá vive Chaka, um menino do povo Xona que gosta de tocar mbira, um instrumento que soa como as águas do rio e que agrada os vadzimu, espíritos protetores de seu povo. Com este livro, organizado por Heloísa Pires Lima, os leitores vão conhecer a história da mbira.

O pescador de histórias

Um pescador navega entre os rios Níger, Orange, Nilo e o Lago Nakuru, viajando pelos quatro cantos da África. E, navegando, vai colhendo histórias, descobrindo etnias, encontrando personagens da narrativa oral local e escutando provérbios. Infinitos detalhes de um modo de ver a vida, e segue percebendo a cultura, os costumes e as crenças das diferentes regiões cortadas pelos rios.

Quilombolando

Bate palma, enlaça o braço e gira, gira! É hora de mergulhar como as nhonhas do Jequitinhonha. Brincando, a leitura oferece ao imaginário infantil o repertório de uma singular região brasileira e pode explorar o tema dos quilombos como uma riqueza cultural para novas gerações.

O rei que assobiava

Esta é a história de um rei e seu cavalinho. Nas andanças, entre o Sol e a Lua, braços bailam, dedos estralam, peito batuca, boca imita sons, nariz puxa e solta o ar, olho pisca suave. E quem quer com o rei brincar? É só fazer bico e começar a assobiar.

A semente que veio da África

Considerada na África “a árvore da palavra”, a adansônia existe em todo o continente. Partindo da imagem desta árvore como símbolo de união entre os povos, Heloisa Pires juntou-se aos artistas africanos, Georges Gneka e Mário Lemos, para criar este livro. Com ele, as crianças brasileiras vão conhecer algumas histórias e jogos inventados com as sementes de adansônia, estreitando ainda mais o abraço entre nossos continentes.

Toques do griô

O livro aborda, em vinte e um capítulos, uma das mais importantes figuras de grande parte das culturas das Áfricas: o griô. Apresentado em muitos livros para crianças e jovens e conhecido por grande parte dos brasileiros apenas como um contador de histórias, o griô é uma espécie de guardião da memória das comunidades de ascendência africana.

HILDÁLIA FERNANDES (Salvador, BA) é escritora, pesquisadora e educadora. Doutora em Literatura e Cultura pelo UFBA, em estágio pós-doutoral em Crítica Cultural pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB e mestre em Educação e Contemporaneidade pela UNEB. Pesquisa sobre Literatura de Mulheres negras em diáspora.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

INALDETE PINHEIRO DE ANDRADE (Parnamirim, RN, 1946) é escritora, contadora de histórias e pesquisadora de maracatu. Graduada em Enfermagem e mestre em Serviço Social, é uma das fundadoras do Movimento Negro do Recife e atua no Movimento Feminista desde 1979. Desenvolve programas de capacitação em escolas para fortalecer a cultura afro-brasileira.

Uma aventura do velho Baobá

Quando um velho baobá nativo das savanas da África decide atravessar o oceano Atlântico para encontrar seus parentes em terras brasileiras, somos convidados a acompanhar seu deslocamento numa jornada tecida de encontros e momentos de grande emoção. Entre relatos de luta pela sobrevivência e descaso, mas também de muita solidariedade e perseverança, Velho Baobá deixará uma mensagem de ânimo e esperança durante seu percurso, alegrando-se especialmente com os frutos das novas gerações, destinadas a se transformarem no maior tronco do mundo.

JARID ARRAES (Juazeiro do Norte, CE, 1991) é escritora, cordelista, poeta e autora do premiado “Redemoinho em dia quente“, vencedor do Prêmio Biblioteca Nacional, do APCA de Literatura na Categoria Contos e finalista do Prêmio Jabuti. Atualmente vive em São Paulo (SP), onde criou o Clube da Escrita Para Mulheres e tem mais de 70 títulos publicados em literatura de cordel.

Caminho para o grito

Neste volume, a autora rompe o silêncio e dedica sua voz poética a um tema doloroso: o abuso sexual, a pedofilia e suas marcas profundas. Dividido em três partes que acompanham o amadurecimento — da infância vulnerável à maturidade reflexiva —, a obra traça um percurso íntimo de elaboração do trauma, no qual cada verso é um passo rumo à libertação.

Cordéis para crianças incríveis

Este livro traz histórias de quatro meninas que, apesar de parecerem muito diferentes, têm muito em comum.

Corpo desfeito

Em uma cidade do interior do Ceará, uma família vive uma sequência de abusos: avó, mãe e neta estão presas em uma teia complexa e violenta de abuso e negligência. Ao retratar o cotidiano de Amanda, jovem de doze anos que mora sozinha com a avó desde a morte da mãe e do avô, Jarid Arraes cria uma narrativa sobre os traumas vivenciados e passados adiante. Amanda vai enfrentar desafios cruéis e dolorosos pelas mãos daquela que devia ser seu porto seguro, mas é também lá que a menina descobrirá o poder do primeiro amor e a força necessária para superar qualquer obstáculo.

O dia escuro: contos inquietantes de autoras Brasileiras

Uma mulher acha um dedo na praia. Um homem em situação de rua agoniza na calçada. Uma menina tem certeza de que sua mãe foi trocada por outra. Um herdeiro escravocrata enlouquece com espíritos do passado. Essas são algumas das inquietantes histórias contidas nesta coletânea, são textos que causam medo, angústia, repulsa ou assombro, e têm como único ponto comum o fato de terem sido escritos por mulheres.

Heroínas negras brasileiras: em 15 cordéis

Nos últimos cinco anos, a autora Jarid Arraes tem se dedicado a desvendar a história das mulheres negras que fizeram a história do Brasil. Neste livro, estão reunidas 15 dessas histórias, que ganharam uma nova versão da autora. Conheça a história de Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba.

As lendas de Dandara

Na sociedade do período do açúcar, a casa-grande era a residência do senhor de engenho. Seu conforto contrastava de modo gritante com a miséria e as péssimas condições de higiene das senzalas, onde moravam os escravos. O tratamento dado a eles era cruel, envolvendo castigos sangrentos, ataques sexuais e dolorosas explorações físicas e mentais. E que podiam ser vendidos, trocados, emprestados ou doados, como qualquer outro animal na posse do senhor branco. É contra essa estrutura odiosa que se ergue Dandara dos Palmares, guerreira e companheira de Zumbi, que luta à frente das formações de palmarinos dispostos a reconquistar a liberdade de a dignidade para si e para seus irmãos escravizados.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

Redemoinho em dia quente

Uma senhora católica encontra uma sacola com pílulas suspeitas e decide experimentá-las, entrando em um delírio que a leva até o padre Cícero; uma lavadeira tenta entender os desejos da filha e acaba dando início a uma série de acontecimentos perturbadores, uma mototaxista tenta começar um novo trabalho e enfrenta as barreiras de gênero. Focando as mulheres da região do Cariri, no Ceará, os contos de Jarid desafiam classificações e misturam realismo, fantasia, crítica social e uma capacidade ímpar de identificar e narrar o cotidiano público e privado das mulheres.

JEOVANNA VIEIRA (Vila Velha, ES, 1985) é formada em Jornalismo com especialização em Jornalismo Cultural pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Especializou-se também em processos de criação e mediação de livros para a infância na Casa Tombada. Lançou, de forma independente, o romance “Virgínia mordida”, que chegou à finalista do Prêmio Kindle de Literatura.

Virgínia mordida

Virgínia é uma carioca convicta radicada em São Paulo, que trabalha como advogada de dia e desfruta da cidade à noite. Certa vez, no Aparelha Luzia, encontra Henrí, um ator argentino que ela conhecia de vista, com quem tem uma conexão imediata. Mas é apenas questão de tempo até que aquele relacionamento tão intenso ganhe contornos nocivos, acentuados por diferenças culturais, de gênero e de raça.

JOICE BERTH (São Paulo, SP, 1976) formou-se em arquitetura e urbanismo, é escritora e feminista, curadora e psicanalista. Cria conteúdo para as redes sociais e plataformas como a Revista “Elle Brasil” e o “Portal Terra”, sobre temas de conscientização de questões sociais, desigualdades e saúde mental.

Empoderamento

Uma discussão sobre a Teoria do Empoderamento, a partir de diversas matrizes teóricas que hoje se dedicam ao tema. São pensadores que entendem empoderamento como aliança entre conscientizar-se criticamente e transformar na prática, algo contestador e revolucionário na sua essência. Muito mais do que a tradução literal de um termo estrangeiro, é uma prática cotidiana para a igualdade.

JOYCE RIBEIRO (São Paulo, SP, 1979) é jornalista e escritora, com pós-graduação em Jornalismo Econômico e Político na PUC-SP. Foi produtora, editora, repórter e atuou como âncora em grandes produções jornalísticas na TV. Ativista, participa de movimentos de luta contra o racismo, pelo direito das mulheres, das meninas e de apoio à educação.

Chica da Silva: romance de uma vida

Romance histórico que fala de lutas, preconceitos que estruturaram sociedades, de separações, boatos e injustiças, mas também mergulha na força transformadora do amor. A trajetória de Chica da Silva, a escrava mineira que encantou o rico contratador de diamantes e desembargador João Fernandes de Oliveira, no século XVIII, ganha da autora uma pesquisa meticulosa.

JULIANA BORGES (São Paulo, SP, 1982) é escritora e pesquisadora em Antropologia na FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), onde estuda política criminal e relações raciais. Cofundadora da Articulação Interamericana de Mulheres Negras na Justiça Criminal – Núcleo Brasil. Consultora do Núcleo de Enfrentamento, monitoramento e memória de combate à violência da OAB-SP e conselheira da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas.

Encarceramento em massa

Neste livro, a pesquisadora e escritora Juliana Borges descreve o problema a partir do ponto de vista histórico, associando-o diretamente ao racismo. De acordo com ela, há uma ligação entre as prisões em massa da população negra no Brasil e o antigo sistema escravocrata.

JULIANA SANTOS (São Paulo, SP) é escritora, historiadora e pedagoga amante da educação. Atualmente, tem se empenhado em um projeto com mulheres em vulnerabilidade social, o projeto PRA ELAS, grupo de mulheres querendo melhorar a vida de outras mulheres em SP.

Lições que aprendi com a minha mãe

A narrativa deste livro acompanha a jornada pessoal da protagonista ao perceber que sua mãe já não estava bem e ter que enfrentar sua partida precoce, mesmo ainda sendo tão jovem. Ao mesmo tempo em que comove e faz refletir sobre os desafios da vida, passa uma mensagem de esperança sobre a capacidade humana de superar as adversidades com amor e apoio dos entes queridos.

JULIANA TEIXEIRA (São João del-Rei, MG) é escritora, professora e pesquisadora na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Doutora em Administração, atua como docente na UFES, onde lidera pesquisas sobre estudos organizacionais interseccionais.

Trabalho doméstico

A partir de uma pesquisa bibliográfica aprofundada e de entrevistas e relatos de mulheres de diferentes idades e origens que exercem a profissão de trabalhadoras domésticas, este volume traça um painel histórico e social do trabalho doméstico no Brasil.

JUREMA WERNECK (Rio de Janeiro, RJ ,1961) é escritora, ativista feminista, médica, pesquisadora, comunicóloga e cofundadora da organização não governamental Criola. É também Diretora-Executiva da Anistia Internacional no Brasil e faz parte do quadro da direção do Global Fund for Women.

Branquitude: racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema, e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

KARINA VIEIRA (Rio de Janeiro, RJ) é comunicadora social, ativista, roteirista e escritora. Cocriadora do podcast Afetos. É uma voz ativa no incentivo à leitura de autores negros para fortalecer o pertencimento e descolonizar o olhar literário.

Cartografia dos afetos: uma conversa sobre vivências, descobertas e os caminhos do autoamor

Inseguranças, família, auto ódio, amor, relações interraciais, terapia, saúde mental… Desde 2019, Gabi Oliveira e Karina Vieira vêm tratando desses e de outros temas do campo das emoções no podcast Afetos. Agora, as autoras se aprofundam em alguns dos tópicos mais tocantes e fundamentais de que já falaram para criar, neste livro, um verdadeiro mapa de sentimentos, vivências e reflexões.

KATIA COSTA-SANTOS é escritora, pesquisadora e professora. Doutora em Letras pela Universidade da Geórgia/EUA, pós-doutorado em Estudos Culturais pelo PACC/UFRJ, com especialização em Estudos de Culturas e Literaturas da Diáspora Negra. É pesquisadora de Cultura Popular Brasileira, com foco na vida cultural privada dos negros no universo do samba carioca.

Ivone Lara: a dona da melodia

Enfermeira, dona de casa, assistente social, cantora e compositora, Dona Ivone se deslocou entre todos esses papeis durante sua vida. A narrativa deste livro está centrada em sua carreira, sua trajetória artística e em fatos e aspectos que a constituem como a artista que ela é. O samba é o principal anfitrião desta caminhada.

KIUSAM DE OLIVEIRA (Santo André, SP, 1965) é vereadora, educadora e escritora. Atua como formadora de profissionais nas temáticas de educação, relações étnico-raciais e de gênero, com foco em uma educação antirracista. Venceu diversas premiações, entre elas o Prêmio ProAC Cultura Negra pela obra “O mundo no black power de Tayó” considerado pela ONU um dos dez livros mais importantes do mundo na categoria Direitos Humanos.

Akili está feliz

Neste livro para crianças bem pequenas, Kiusam de Oliveira e Rodrigo Andrade nos apresentam o adorável Akili. Ele está conhecendo o mundo à sua volta e aprendendo a reconhecer os próprios sentimentos. Akili se sente feliz, e os pequenos leitores vão poder descobrir com ele um pouco mais sobre suas emoções.

O black power de Akin

A tristeza invadiu o coração de Akin, jovem negro de 12 anos, que cobre a cabeça com um boné ao ir para a escola. Ao seu avô, Dito Pereira, ele não conta que tem vergonha do seu cabelo, motivo de chacota dos colegas. Antes que Akin tome uma atitude brusca, o sábio avô, com a força das histórias da ancestralidade, leva o neto a recuperar a autoestima. Agora confiante, Akin ergue seu cabelo black power e se sente um príncipe.

Com qual penteado eu vou?

A festa de 100 anos do Seu Benedito vai animar toda a família, afinal, agora ele é um centenário. Para homenagear seu bisavô nessa data tão importante, suas bisnetas e seus bisnetos irão escolher penteados lindos para participarem da comemoração. E cada uma e cada um irá presentear seu bisa com a virtude mais poderosa que tem. Com qual virtude você presentearia alguém tão especial?

A coragem de Danso

Danso é um bebê confiante que não tem medo de experimentar coisas novas. Sua mãe percebe que ele está crescendo e, como um passarinho, pensa em sair do ninho. Danso, muito esperto, decide mostrar o que já aprendeu a fazer: colocar e tirar a roupa, jogar capoeira, andar de triciclo... Ele sabe que, quando quiser e precisar, tem a proteção e o carinho da mãe.

Inesquecíveis

O livro é um poema em prosa que celebra a ancestralidade e o afrofuturismo, apresentando um futuro utópico onde pessoas negras podem viver em sua plenitude, livres do racismo. A autora exalta figuras fundamentais da história e da sua vida pessoal que deixaram legados de luta, sonho e resistência.

Kayodê em quadrinhos

Kayodê, o melhor amigo de Tayó, é cercado de pessoas que o amam e reconhecem sua beleza e inteligência, porém, infelizmente, convive com situações não tão legais. Mas ele nunca está sozinho. Seja para brincar ou encarar algum problema, Kayodê conta sempre com a companhia de sua melhor amiga: Tayó.

Linebeiju: literatura negro-brasileira do encantamento infantil e juvenil

A obra, organizada por Kiusam de Oliveira, reúne contos ficcionais para leitoras e leitores infantojuvenis, elaborados na perspectiva da Literatura Negro-Brasileira do Encantamento Infantil e Juvenil.

Mãos

Orion é um menino muito amado pelos pais Paulo e Pedro. As mãos deles o encheram de carinho desde o primeiro abraço em um orfanato. Um dia, a professora de Orion sugeriu aos alunos que fizessem um trabalho escolar, e ele, animado, escolheu as mãos para tema de sua pesquisa. Porém, antes da apresentação, o menino foi surpreendido por comentários maldosos sobre sua família. Foi nesse momento que ele precisou encontrar, dentro de si, todo o amor e afeto recebido pelas mãos de seus pais e pela professora para construir sua confiança, autoestima e superar o preconceito.

O mar que banha a ilha de Goré

Neste livro, o leitor fará o caminho inverso das viagens empreendidas pelos africanos escravizados a partir do século XVI. Pelas mãos de Kika, ele conhecerá uma terra rica e cheia de histórias, e poderá encontrar o caminho para compreender a história afro-brasileira e ajudar a delicadamente incluir o negro e sua trajetória traumática no imaginário da formação da cultura brasileira.

O mundo no black power de Tayó

Tayó é uma menina negra que tem orgulho do cabelo crespo com penteado black power, enfeitando-o das mais diversas formas. A autora apresenta uma personagem cheia de autoestima, capaz de enfrentar as agressões dos colegas de classe. Com essa narrativa, a autora transforma o enorme cabelo crespo de Tayó numa metáfora para a riqueza cultural de um povo e para a riqueza da imaginação de uma menina sadia.

Omo-oba: histórias de princesas e príncipes

Nesta coletânea, são recontados mitos iorubás de princesas e príncipes africanos — conhecidos, no Brasil, como orixás. As histórias deste livro narram aventuras, dramas e peripécias de princesas e príncipes africanos. Cada uma a seu modo, essas personagens enfrentam guerras, desvendam mistérios, fazem autodescobertas e amadurecem em contos narrados por Kiusam de Oliveira.

Pequeno manual de meditação: para crianças que querem se conectar com o mundo

A autora ensina as crianças, por meio de versos rimados, a mergulhar no seu eu interior, encontrar o ritmo da respiração, sentir o coração, a vibração do sagrado, a ter paciência e concentração, pelos caminhos das cores, pelo toque da natureza, pela dimensão do universo, em agradecimento à vida pelos caminhos da ancestralidade africana.

Solfejos de Fayola

Fayola é uma bebê muito esperta. Ela produz com a boca sons de instrumentos musicais tradicionais da cultura africana, que os adultos têm que imitar e cujos nomes têm que adivinhar. Com rimas divertidas, os adultos entram na brincadeira. Será que conseguirão acertar os desafios musicais de Fayola?

Tayó em quadrinhos

Tayó é uma menina animada, criativa e que adora brincar e aprender. Ao lado de seu amigo Kayodê, ela vai nos apresentar parte de seu mundo e de suas reflexões em tirinhas coloridas. Com ajuda de Tayó, os leitores vão conhecer conceitos como racismo, ancestralidade e machismo e descobrir como questionar atitudes que não são legais. Afinal, ela é uma menina empoderada e uma cidadã engajada, pronta para mostrar como as crianças podem fazer a diferença!

LAVÍNIA ROCHA (Belo Horizonte, MG, 1997) é escritora, palestrante, professora, influenciadora e criadora da Pedagogia do Entusiasmo. Pós-graduada em Ensino de História e licenciada em História pela UFMG. Em 2025, recebeu do Ministério da Educação a comenda da Ordem Nacional do Mérito Educativo, pelo trabalho com a luta antirracista em sala de aula e na literatura.

Flores ao mar

Neste livro, Lavínia Rocha, Lorrane Fortunato, Olívia Pilar e Solaine Chioro apresentam as irmãs Rios em um cruzeiro de Réveillon. A viagem permite que quatro jovens negras vivenciem aventuras reveladoras e emocionantes. Que tal descobrir como essas experiências em mar aberto mudaram a vida das nossas personagens?

O mistério da sala secreta

Júlia e Gabriel estão no 7º ano e são amigos desde muito pequenos, quando formaram a dupla de espiões Juliel. Agora, a dupla tem que voltar à ativa para encontrar um jeito de desvendar um grande mistério, antes que a prefeitura feche a Escola Municipal Maria Quitéria de Jesus, onde estudam. Em meio a planos e feiras de História, Júlia e Gabriel descobrem a lenda da Sala Secreta, e que ela pode não ser pura invenção dos alunos. Quem já viu o que há por trás da porta vermelha? E mais: o que Maria Quitéria, a heroína da Independência, tem a ver com a lenda?

LÉLIA GONZALEZ (1935-1994) foi uma intelectual, autora, ativista, professora, filósofa e antropóloga brasileira. É uma referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe no Brasil, América Latina e pelo mundo, sendo considerada uma das principais autoras do feminismo negro no país. Cofundadora do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras do Rio de Janeiro (IPCN-RJ) e do Movimento Negro Unificado (MNU).

Festas populares no Brasil

A obra apresenta registros fotográficos de festas populares do Brasil de norte a sul com textos informativos que apresentam as marcas da herança africana na cultura brasileira, a integração entre o profano e o sagrado e a reinvenção das tradições religiosas na formação do imaginário cultural brasileiro.

Lugar de negro

Publicado originalmente em 1982, este livro reúne três textos de duas grandes referências nos estudos das relações entre desigualdade e raça — Lélia Gonzalez e Carlos Hasenbalg —, sintetizando pontos centrais da questão racial brasileira e contribuindo para fortalecer uma luta fundamental do movimento negro naquela época: descontruir o mito da democracia racial, incitado durante a ditadura.

Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos

Reunião em um só volume de um panorama amplo da obra da pensadora. São textos produzidos durante um período efervescente que compreende quase duas décadas de história — de 1979 a 1994 — e que marca os anseios democráticos do Brasil e de outros países da América Latina e do Caribe. Além dos ensaios já consagrados, fazem parte desse legado artigos de Lélia que saíram na imprensa, entrevistas antológicas, traduções inéditas e escritos dispersos. O livro traz ainda uma introdução crítica e cronologia de vida e obra da autora.

LETÍCIA CAROLINA PEREIRA DO NASCIMENTO é autora, pedagoga e professora acadêmica brasileira, pesquisadora da área de Gênero e Educação. Ela foi a primeira mulher travesti a ocupar uma cátedra em uma universidade pública piauiense, a Universidade Federal do Piauí. É ativista social atuando junto a coordenação executiva nacional do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (FONATRANS).

Transfeminismo

A autora, neste livro, traz ao público geral explicações necessárias sobre os conceitos de gênero, transgeneridade, mulheridade, feminilidade e feminismo. Mostra como cada vez mais é necessário que as pessoas estejam abertas às diversas existências que não necessariamente se encaixam na organização binária e cisgênera do mundo. Um primeiro passo nesse sentido é conhecer as experiências de quem faz parte desses grupos e esse livro, escrito por uma mulher travesti, negra e gorda, que está presente nos meios acadêmicos e é inspiração para outras mulheres transexuais e travestis, apresenta essas vivências, traz conceituações históricas e situa o transfeminismo dentro dos demais feminismos existentes.

LIA VIEIRA (Rio de Janeiro, RJ, 1958) é escritora, pesquisadora e artista plástica. Graduada em Economia, Turismo e Letras e doutora em Educação pela Universidade de La Habana (Cuba) junto à Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro. Dirigente da Associação de Pesquisa da Cultura Afro-brasileira e militante do Movimento Negro e do Movimento de Mulheres.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

LILIA GUERRA (São Paulo, SP, 1976) é escritora, nascida e criada na periferia de São Paulo. Em 2023, foi contemplada com o Prêmio Carolina Maria de Jesus pelo livro de contos “Cavaco do ofício”, ainda inédito. Além de escritora, também é auxiliar de enfermagem, atuando no Sistema Único de Saúde (SUS), e trabalha na promoção de ações de incentivo à leitura e à escrita, sobretudo nas periferias da cidade de São Paulo.

O céu para os bastardos

A história de uma trabalhadora doméstica brasileira que, vivendo na periferia, ocupa o centro da vida social graças à sua sensibilidade, simpatia e humanidade. É um romance sobre o sentido da emoção e da inteligência na realidade mais cotidiana. Num tom de crônica sobre a periferia, trazendo muito mais do que as questões graves que assolam esse espaço social, dando lugar para a delicadeza e o registro cômico, Lilia Guerra constrói aqui um riquíssimo painel da vida brasileira.

Perifobia: histórias

A autora conta que criou o neologismo que dá título a este livro depois de perceber o quanto a periferia pode causar repulsa. Os personagens deste conjunto de histórias, partilham desse conhecimento de que habitam zonas negligenciadas das grandes cidades. Mas se a distância da quebrada impõe novas formas de lidar com a precariedade, as mulheres, homens e crianças deste livro transcendem toda e qualquer limitação que porventura tente aniquilá-los. Há dureza, sim. Mas também espaço para o sorriso e a sabedoria ancestral.

LILIAN ROCHA (Porto Alegre, RS, 1966) é farmacêutica-bioquímica, musicista, poeta e escritora. Possui formação acadêmica na área de Farmácia e Bioquímica pela UFRGS, com especialização em Homeopatia na ABH. É conselheira da Associação Negra de Cultura (ANdC) e integrante da Sociedade Partenon Literário e da International Writers and Artist Association (IWA)

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

LÍVIA NATÁLIA (Salvador, BA, 1979) é poeta, professora universitária e pesquisadora. Mestre e doutora em Teoria e Crítica da Literatura e da Cultura pela Universidade Federal da Bahia, onde também leciona Teoria da Literatura, se dedica a pesquisas acadêmicas em torno da literatura escrita por mulheres negras no Brasil e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, com foco nos temas de gênero, raça e sexualidade.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

LÍVIA SANT’ANNA VAZ (Salvador, BA) é escritora e jurista que atua como promotora de Justiça. Ela é coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação do Ministério Público do Estado da Bahia. Em 2020 foi eleita uma das 100 pessoas de descendência africana mais influentes do mundo (MIPAD), na categoria “Mentes Jurídicas”.

Cotas raciais

A obra apresenta um estudo das cotas raciais no Brasil e do seu impacto no ensino superior e nos concursos públicos ao longo dos dez anos da legislação. Rememora o histórico de restrições impostas a pessoas negras no acesso à educação formal e promove a compreensão histórica do racismo e da resistência jurídica de reconhecê-lo como um dos elementos que estrutura as desigualdades brasileiras.

LORRANE FORTUNATO é escritora e revisora. Cocriadora do portal Resistência Afroliterária, atua como editora da Revista Afroliterária, que tem como objetivo promover literatura e a cultura feita por pessoas negras. Carioca, vive em São Paulo.

Flores ao mar

Neste livro, Lavínia Rocha, Lorrane Fortunato, Olívia Pilar e Solaine Chioro apresentam as irmãs Rios em um cruzeiro de Réveillon. A viagem permite que quatro jovens negras vivenciem aventuras reveladoras e emocionantes. Que tal descobrir como essas experiências em mar aberto mudaram a vida das nossas personagens?

LUANA CARVALHO nasceu em Porto Alegre, RS, e vive no Rio de Janeiro. Criada na casa dos avós e com a mãe, sua escrita é cheia de afeto, o que reflete sua criação. É criadora de conteúdo, podcaster e escritora. Compartilha sua vivência como uma mulher negra que não tem medo de sentir o que sente porque acredita que não ter medo dos próprios sentimentos é um ato de coragem.

O amor não mora na urgência do outro

De quantas amarras precisamos nos libertar para admitir em alto e bom som aquilo que vivemos dentro da gente? Sem desculpas, pudor ou arrependimentos? Luana

Carvalho diz que é principalmente na escrita o lugar em que ela consegue encontrar um escape para a intensidade dos seus sentimentos. Neste livro, a autora compartilha textos sobre dores, amores, ancestralidade e afetos, entendendo que sentir é um direito e que, muitas vezes, somente é preciso desaguar.

LUANA GÉNOT (Rio de Janeiro, RJ, 1989) é escritora, conselheira de empresas e apresentadora. Formada em Publicidade pela PUC-Rio, com pós-graduação em Marketing e Comunicação pelo IED-Rio e mestre em Relações Étnico-Raciais pelo CEFET-RJ. Fundadora e a diretora-executiva do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), que apoia empresas e organizações a desenvolverem ações afirmativas para inclusão de negros e indígenas.

Guerreiras do sim: somos iguais ou diferentes?

Lara e sua mãe têm um segredo. Quando se deparam com uma pergunta desafiadora, vestem seus colares especiais e tornam-se Guerreiras do sim. Lara ouviu de alguém na escola que todo mundo é igual, mas essa afirmação tão simples não soa bem para a menina. Juntas, mãe e filha bolam um plano e saem à procura de respostas para a pergunta: somos todos iguais ou diferentes?

Mais forte: entre lutas e conquistas

Neste livro, Luana Génot relata suas vivências e opiniões sobre os mais variados temas — autoestima, beleza, ancestralidade, maternidade, empreendedorismo. Ao longo da narrativa, percebemos como a questão racial foi se tornando o filtro pelo qual Luana passou a enxergar o Brasil e o mundo. Assim, percorrendo lembranças dos tempos de menina até a idade adulta, a autora fala de suas origens, de racismo estrutural e do impacto da religião em sua formação.

LUANA RODRIGUES (São João de Meriti, RJ) é escritora e mestra em Letras pela UFRJ, professora das redes pública e privada da cidade do Rio de Janeiro, pesquisadora de literatura infantil afrorreferenciada e percussionista do grupo Moça Prosa, formado apenas por mulheres.

Mar de Marielle

Com esse nome tão grande que lhe rendeu um apelido ainda maior, Mar ainda não tinha feito aquela pergunta que sua mãe e seu pai tanto esperavam: porque meu nome é Marielle? A curiosidade pela escolha e origem do nome que recebemos quando nascemos aparece cedo ou tarde em todas as famílias. É com a história da escolha do nome da protagonista que a autora apresenta Marielle Franco às leitoras e aos leitores neste livro.

LUBI PRATES (São Paulo, SP, 1986) é escritora, poeta, editora, curadora de Literatura, tradutora e fotógrafa. É doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP) e dedica-se às ações que combatem a invisibilidade de mulheres e pessoas negras.

Até aqui

O livro da poeta paulista Lubi Prates, dona de uma das vozes líricas mais potentes da cena literária nacional, explora a construção da identidade e o percurso de vida da autora através de uma perspectiva negra e feminina. Nas palavras da prefaciadora, a professora Heleine Fernandes, “O percurso de escrita da poeta Lubi Prates constrói a possibilidade de unir amor e negritude em um mesmo verso”.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

LUCIANA BRITO é escritora e historiadora, doutora em História pela USP e especialista nos Estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA. É professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, escreve colunas para o Nexo Jornal e participa ativamente de debates sobre racismo estrutural e políticas de reparação.

Branquitude: racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema, e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

Dicionário da escravidão e liberdade: 50 textos críticos

Para comemorar criticamente os 130 anos da abolição da escravidão, cinquenta textos dos maiores especialistas no tema. Um panorama abrangente de como a escravidão se enraizou perversamente em nosso cotidiano.

LUCIANA NABUCO (Rio Branco, AC) é jornalista, tradutora, escritora, artista plástica e cineasta. Formada em Comunicação Social pela Faculdade da Cidade do Rio de Janeiro e especialista em Literatura para Crianças e Jovens. Sua trajetória é marcada pela pesquisa e divulgação da cultura afro-indígena, temática que permeia sua produção literária e artística.

Nossos passos vêm de longe: e outras histórias ancestrais.

Este livro reúne cinco autoras que transformam memória em literatura e resistência em narrativa. As autoras criam histórias que atravessam gerações, revelando dores, afetos e a luta por pertencimento. Das mulheres negras que pavimentaram o presente com suor e coragem ao impacto silencioso do racismo estrutural, das batalhas por espaço e identidade aos laços familiares moldados por amor e dureza — cada conto desta coletânea desenterra silêncios e ilumina trajetórias que nunca deveriam ser esquecidas.

Nuang: caminhos da liberdade

Escrito por Janine Rodrigues, com as ilustrações de Luciana Nabuco, é um livro infantil antirracista que trata de autoconfiança, coragem e persistência. Este livro conta a história de um povo em uma jornada por liberdade.

Orikis

Escrito por Luiz Antônio Simas e ilustrado por Luciana Nabuco, este livro é uma coletânea de sete pequenos contos de narrativas mitológicas. Entrar em contato com a mitologia africana é se conectar com um passado remoto e adquirir uma nova concepção dos mitos de criação e organização do mundo.

LUCIANA PALMEIRA (Salvador, BA) é escritora, museóloga, historiadora, mestre em Educação e coautora do programa Patrimônio Cidadão. Servidora pública do Instituto Brasileiro de Museus, atualmente é coordenadora de Acervo Museológico do Departamento de Processos Museais. É ganhadora do Prêmio APCA 2017 na categoria Literatura Infantojuvenil.

Calu: uma menina cheia de histórias

Calu procura uma forma de transformar o bairro em que mora em um museu a céu aberto. O livro ressalta importância de trabalhar o sentimento de pertencimento da população para o patrimônio material e imaterial.

Felipa: Maria Felipa

A obra conta a história de Maria Felipa de Oliveira, personagem lendária do movimento contra os portugueses pela independência da Bahia. Marisqueira e capoeirista habilidosa, Maria Felipa é exemplo de coragem e determinação das mulheres negras brasileiras que tanto lutaram pela liberdade.

LUCIANY APARECIDA (Jaguaquara, BA, 1982) é escritora, pesquisadora e professora. É doutora em Letras, com pesquisas nas áreas de nação, imigração, memória e identidades e professora de pós-graduação em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP. Com o livro “Mata Doce”, foi finalista do Prêmio Jabuti 2024, e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2024, na categoria Melhor Romance do Ano.

Mata doce

Maria Teresa vive com suas mães num casarão antigo, cheio de histórias de seus antepassados, de frente para um lajedo de pedra. Pelo peitoril, corre um roseiral, apenas com rosas brancas, e, no caminho diante da casa, passam personagens memoráveis: Mané da Gaita, músico e vendedor de doce, e sua cadela Chula; Lai, ex-prostituta e sua madrinha; os gêmeos Cícero e Antônio, filhos do dono da venda e Zezito, único filho homem de Luzia, e por quem Maria Teresa se apaixona e planeja se casar. Ao experimentar o vestido de noiva num sábado de festa, um dia antes do casamento, uma tragédia envolvendo um fazendeiro violento e arbitrário atinge Maria Teresa e muda sua vida para sempre.

LUCIENE NASCIMENTO (Quatis, RJ, 1995) é poeta e escritora, e seus vídeos de pedagopoesia somam mais de três milhões de visualizações na internet. Advogada e maquiadora profissional, realiza palestras sobre identidade, estética e autoestima da mulher negra. Atualmente é vice-presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB- Barra Mansa-RJ.

Tudo nela é de se amar: a pele que habito e outros poemas sobre a jornada da mulher negra

A obra, que se originou de um poema homônimo que viralizou na internet, aborda temas centrais como a identidade, a estética e a autoestima da mulher negra. O livro mistura poemas com textos reflexivos que buscam desconstruir narrativas de subserviência e empoderar através do autoamor.

LUCINEIDE FERREIRA DOS SANTOS é escritora, historiadora e educadora. Formada em História pela USP e em Pedagogia pela Universidade Nove de Julho, possui especializações em Arte Educação e História pela Unicamp. É ativista e militante da Educação antirracista.

Niara: uma menina de grandes propósitos

Escrita por Lucineide Ferreira dos Santos e Tania Trajano da Silva, com ilustrações de Karine Leão, todas professoras da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo, a obra busca contar a história de Niara, uma menina inteligente que deseja aprender mais sobre a cultura de seus antepassados em uma jornada repleta de descobertas e reflexões.

LUDMILLA LIS é escritora, pesquisadora, professora e ativista social. Mestre em Relações Étnico-Raciais pelo CEFET/RJ, e é licenciada em Letras com ênfase em Literatura Brasileira pela Universidade Veiga de Almeida. Também se dedica ao fomento da literatura afrodescendente, afrodiaspórica e negra.

Vozes de mulheres negras

Este livro nasce do desejo de debater e refletir a experiência de ser mulher negra na sociedade brasileira. Realiza um levantamento das discussões sobre raça e racismo como construções sociais estruturais das sociedades mundiais; monta um panorama das ações e insurgências das mulheres negras contra a opressão do Estado, investiga a branquidade como fenômeno de amputação das subjetividades afrodiaspóricas; e aponta os processos traumáticos vividos e imputados às mulheres racializadas no cenário brasileiros.

LUZ RIBEIRO (São Paulo, SP, 1988) é poeta, produtora cultural e pedagoga. Para lidar com o racismo e a exclusão, começou a escrever versos sobre seu cotidiano, em papéis que depois queimava. Em 2011, começou a frequentar saraus na periferia da cidade, entre eles o Cooperifa e a participar de slams. Venceu o Slam BR de 2016, sendo a primeira mulher campeã da competição.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta

Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

MADU COSTA (Belo Horizonte, MG 1953) é arte educadora, escritora, cordelista, contadora de histórias, compositora e cantora. Diplomou-se em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais e concluiu pós-graduação em Arte Educação pela PUC-Minas. Madu acredita que, por meio da leitura, pode-se mudar o mundo, por isso ela continua lendo e escrevendo em prosa e versos.

Dandara guerreira: em cordel

Dandara foi e continua sendo uma referência importante para nos fortalecer. Ela plantava, cuidava dos filhos, lutava por seus direitos. Liderava o Quilombo dos Palmares junto com Zumbi. Sua força e sua energia atravessam o tempo e contam histórias de resistência. Dandara Guerreira é como uma enorme árvore que acolhe, alimenta e suporta a chuva e o vento.

A janta da anta

A anta fez uma janta! Mais que depressa, todos os animais da floresta apareceram por lá. Foi um danado de um banquete! Além de ter uma sonoridade divertida, perfeito para mediação, o livro nasceu como um convite a conhecermos mais sobre a fauna brasileira e espécies em extinção.

Zumbi dos Palmares: em cordel

Nesta obra, Madu Costa utiliza a rima e o ritmo da literatura de cordel para narrar a trajetória de Zumbi, o maior líder do Quilombo dos Palmares. O livro reconta desde sua infância e o contato com a cultura europeia até seu retorno às raízes para liderar a resistência contra a escravidão, celebrando sua força como símbolo eterno da liberdade e da consciência negra no Brasil.

MÃE BEATA DE IEMANJÁ (1931-2017), nome pelo qual foi conhecida Beatriz Moreira Costa, nasceu em Salvador, BA, radicando-se em Nova Iguaçu, RJ. Foi uma mãe-de-santo, escritora e artesã que desenvolveu trabalhos relacionados à defesa e preservação do meio ambiente, aos direitos humanos, à educação, saúde, combate ao sexismo e ao racismo. Contadora de histórias, publicou livros para preservar esta memória coletiva.

Caroço de dendê: a sabedoria dos terreiros

Mãe Beata reúne em livro os seus “contos de senzala”, histórias que ela ouviu um dia, não se sabe onde, transcorridas em um tempo que não se pode precisar quando...

Parte do legado cultural africano em terras brasileiras, os seus contos constituem um conjunto heterogêneo e harmonioso de histórias criadas, recolhidas ou reinventadas por ela. Elas soam como se narradas por uma preta-velha, porque reavivam a memória das culturas dos antepassados. Os contos deste livro são parte intrínseca da tradição oral afro-brasileira, ainda tão pouco documentada como literatura escrita, apesar de tão presente na imaginação de tanta gente.

MÃE STELLA DE OXÓSSI (1925-2018), nome pelo qual foi conhecida Maria Stella de Azevedo dos Santos, nasceu em Salvador e se formou pela Escola de Enfermagem e Saúde Pública, exercendo a profissão por mais de 30 anos. Ialorixá do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, foi autora de diversos livros. Em 2013, foi eleita, por unanimidade, para a Academia de Letras da Bahia.

A Ialorixá e o pajé

O livro é um relato verdadeiro sobre belas lembranças que Mãe Stella de Oxóssi viveu quando era uma jovem enfermeira. A história narra um encontro de Mãe Stella com um pajé, e a troca de conhecimentos sobre plantas, ervas medicinais, raízes, sementes, folhas e rituais entre uma pessoa nascida na cultura afro-brasileira e outra na cultura indígena.

MAFUANE OLIVEIRA (São Paulo, SP, 1984) é escritora, atriz, contadora de histórias e educadora. Graduada em Pedagogia e Mestre em Artes Cênicas pelo Instituto de Artes da UNESP, tem dedicado suas pesquisas aos temas da memória negra, performance, oralituras afrobrasileiras, literatura infanto-juvenil e culturas da infância, e é idealizadora da Cia Chaveiroeiro, um projeto de narração de histórias e formação de professores.

Cinderela do rio

Um dos mais conhecidos contos de fadas surge em versão e cenário brasileiros. Mariazinha, menina como tantas crianças brasileiras, é a nossa Cinderela, separada de sua mãe e forçada a realizar trabalhos domésticos desde cedo. Aliando aspectos que reconhecemos nos contextos sociais brasileiros à atmosfera de encantamento, este livro apresenta diferentes camadas de leitura.

Mesma nova história

O que pode florescer da convivência entre uma velhinha que está perdendo a memória e um menino que só pensa em jogos eletrônicos? A história nasceu a partir da colaboração de três autores que se experimentaram em diferentes linguagens. O texto escrito por Everson ganhou voz na narração de Mafuane, e depois uma narrativa visual composta por João Paulo Vaz. Assim, como é parte do caminho das histórias orais, a narração foi se modificando, perdendo uma parte aqui, ganhando outra ali, até fixar-se nessa edição escrita.

MARI VIEIRA (Vale do Jequitinhonha, MG) é escritora, poeta e professora com mestrado em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP. Cofundadora do coletivo de escritoras negras Flores de Baobá. Organiza eventos literários, como a histórica foto de escritoras negras no Bixiga em 2022, que reforçou a visibilidade de mulheres pretas na literatura.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa.

A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

MARIA FIRMINA DOS REIS (1822-1917) foi uma professora, compositora e escritora nascida no Maranhão, considerada a primeira romancista negra da América Latina. Publicou em 1859 o livro “Úrsula”, considerado o primeiro romance abolicionista do Brasil. Foi muito ativa na comunidade intelectual maranhense: trabalhou na imprensa local, publicou livros, participou de várias antologias, foi musicista e abolicionista.

Contos do mar sem fim: antologia Angola/Brasil/Guiné-Bissau

Cinco autores de Angola, quatro de Guiné-Bissau e sete escritores do Brasil, entre eles Maria Firmina dos Reis, estão reunidos nesta coletânea. O título remete aos célebres versos de Fernando Pessoa: “O mar sem fim é português”. os contos selecionados têm em comum o idioma e suas particularidades em cada nação no qual é falado.

A escrava: antologia de prosa e versos

Este volume consiste em uma seleção de textos em prosa e poemas de Maria Firmina dos Reis. Estão presentes o conto “A escrava”, de 1887, a novela “Gupeva”, de 1861, e 32 poemas, incluindo o famoso “Hino à liberdade dos escravos”, originalmente escrito para ser cantado e acompanhado por instrumentos musicais.

A escrava e outros textos

Com traços do Romantismo, Maria Firmina dos Reis apresentou em sua obra críticas à sociedade escravocrata, deu voz a personagens escravizados, expondo os maustratos e as condições na quais viviam e fez reflexões sobre a vida e as relações sociais. Essa obra é a reunião de contos de temática abolicionista e indianista, charadas e outros textos literários da escritora.

Úrsula

Tancredo e Úrsula são jovens, puros e altruístas. Com a vida marcada por perdas e decepções familiares, eles se apaixonam tão logo o destino os aproxima, mas se deparam com um empecilho para concretizar seu amor. Combinando esse enredo ultrarromântico com uma abordagem crítica à escravidão, Maria Firmina dos Reis compõe este que foi um dos primeiros romances brasileiros de autoria feminina, em 1859. Por dar voz e ação a personagens escravizados, é vista como a obra inaugural da literatura afro-brasileira. Retrata homens autoritários e cruéis, mostrando atos inimagináveis de mando patriarcal e senhorial em um sistema que não lhes impõe limites.

MARIANA FELIX (São Paulo, SP, 1984) é slammer, escritora, feminista, militante de causas sociais. Ministra a Oficina Cicatrizes, de produção textual e performance, voltado ao público feminino plural. É uma poeta formadora do projeto Slam Interescolar, que leva os slams a mais de 100 escolas de São Paulo, é uma das organizadoras e idealizadoras do projeto Copa das Favelas, que fomenta 20 slams de São Paulo.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

MARILENE FELINTO (Recife, PE, 1957) é jornalista e escritora. Nascida em Pernambuco, mudou-se para São Paulo com sua família e graduou-se em Letras pela FFLCH da USP. É tradutora, romancista e cronista. Foi escritora convidada da Universidade da Califórnia, Berkeley (Estados Unidos), da Haus der Kulturen der Welt (Alemanha), do Ministério da Cultura da França, da Universidade de Utrecht (Holanda) e da Universidade de Coimbra (Portugal). Seu primeiro romance, “As mulheres de Tijucopapo”, lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Autor Revelação.

Corsária

História de uma mulher que abandona um amor e uma vida confortável em Houston e retorna para o interior do Nordeste brasileiro a fim de encontrar a reparação moral e financeira a que sua família tem direito. Convencida de que tanto sua mãe quanto seu pai foram explorados durante a infância e a juventude, a protagonista se lança em pesquisas de arquivos, testes de hereditariedade e histórias familiares contadas pela metade para vingar a pobreza, o racismo e os anos de trabalho mal remunerado e sem segurança. Para tanto, é obrigada a enfrentar interesses escusos em uma região marcada por opressão contra os trabalhadores e violência pela terra.

Mulher feita: e outros contos

Nesta volta da autora ao conto, as confluências e separações acontecem ao acaso, de forma leve, mas impactante. O leitor que mergulhar nesse microcosmo sairá dele com a sensação de que se encontrou com um amigo, com a infância, ou a própria velhice. Este livro é uma reunião desse tipo de acontecimento, com personagens majoritariamente femininas que nos permitem refletir sobre a inconstância dos dias.

As mulheres de Tijucopapo

Por meio de um fluxo de consciência polifônico, o livro narra o percurso de Rísia em busca das origens — das origens de sua família, mas também das origens de seu país, de sua pobreza, de sua contorcida feminilidade. Sua mãe nasceu em Tijucopapo, localidade fictícia de mulheres guerreiras inspirada na comunidade histórica de Tejucupapo, que protagonizou, no século XVII, um levante feminino (feminista) contra os colonizadores europeus. Pela perspectiva da narradora, sua mãe não conserva qualquer vestígio da bravura das guerreiras das quais descende. É esse mistério que instiga e enfurece Rísia: ao longo do romance, ela interroga a mãe, acusa o pai, maldiz os irmãos e se revolta contra uma São Paulo que lhe virara as costas mesmo antes de ela ter nascido. Com a energia demolidora do inconformismo, Rísia procura, nas memórias de infância e nas palavras daqueles que encontra ou reencontra pelo caminho, a centelha capaz de transformar toda a raiva de uma vida numa batalha sem precedentes.

MARYSE CONDÉ (1934-2024) foi uma reconhecida escritora guadalupense, francófona, feminista e ativista, difusora da história e a cultura africana no Caraíbas. Destacou-se por sua vasta produtividade como autora e por sua versatilidade para escrever ficção histórica, contos, novelas, ensaios, poemas e outros gêneros.

O coração que chora e que ri: contos verdadeiros da minha infância Neste livro de Maryse Condé, as memórias de infância são também a narrativa de sua formação. Na Guadalupe dos anos 1940 e 1950, em um ambiente burguês, deve-se evitar falar a língua local, o créole. As convenções sociais se impõem sobre os sentimentos: não se chora diante do cadáver de um ente querido; não se comenta um divórcio na família. No contexto doméstico, cercado por mentiras, com uma mãe extremamente severa — com os outros e consigo mesma — e um pai reservado, a pequena Maryse segue o caminho da rebelião. A sua fuga para um mundo imaginário, a sede por conhecimento e por autonomia a guiam para o destino de escritora.

Eu, Tituba: bruxa negra de Salem (romance).

Tituba, mulher negra, nascida em Barbados, no século XVII, renasce, três séculos depois. Torna-se outra vez real, pelas mãos da escritora Maryse Condé. Filha de uma mulher negra escravizada, Tituba viveu cedo o terror de ver a mãe assassinada por se defender do estupro de um homem branco e de saber que o pai se matou por causa do mesmo homem branco. Cresceu sob os cuidados de uma mulher que tinha o poder da cura e que a iniciou nos mistérios. Adulta, apaixonou-se por John Indien e abdicou, por ele, da própria liberdade. Uma das primeiras mulheres julgadas por praticar bruxaria nos tribunais de Salem, em 1692, Tituba fora escravizada e levada para a Nova Inglaterra pelo pastor Samuel Parris, que a denunciou. Mesmo protegida pelos espíritos, não pôde escapar das mentiras e acusações da histeria puritana daquela época.

O evangelho do novo mundo

Na noite de Páscoa, um recém-nascido, batizado de Pascal, é deixado no jardim dos Ballandra, um casal apaixonado que cultiva as flores mais bonitas do mundo. De onde vem o bebê? Há o boato de que é filho de um deus. E o que se deve fazer se for realmente filho de um deus? Quando cresce, Pascal parte em busca de suas origens, para compreender o sentido de sua missão na Terra, e acaba por revelar a natureza dos seres humanos e o lugar dos deuses.

O fabuloso e triste destino de Ivan e Ivana

Ivan e Ivana são irmãos gêmeos tão parecidos, que um olhar desavisado é capaz de confundi-los. Quando nasceram, em um vilarejo pobre em Guadalupe, trouxeram alegrias infinitas à sua mãe, Simone. Inseparáveis, eles desfrutam das delícias do mundo nos primeiros anos de vida. O tempo, porém, deixou marcas muito diferentes em cada um. Ivana logo se revela doce e servil. Ivan, por outro lado, se revolta com a condição em que vê a si e aos seus — a miséria e o racismo lhe ferem fundo, e ele não consegue compreender por que o mundo é assim. Apesar da distância que se cria entre eles, o amor dos irmãos é tão forte que assusta e o destino dos dois é desenhado entre o fatal e o arbitrário.

MAYRA SANTOS-FEBRES (Carolina, Porto Rico, 1966) é poeta, romancista, professora de literatura, ensaísta e crítica literária. Cursou Literatura na Universidade de Porto Rico e tem duas pós-graduações pela Universidade Cornell, nos EUA. Foi professora visitante em várias universidades da Europa, da América Latina e dos EUA e é pesquisadora do Centro de Pesquisa em Estudos Afrodescendentes e Raciais da Universidade de Porto Rico. Seu trabalho foca principalmente nos temas da identidade da diáspora africana, sexualidade feminina, o erótico, fluidez de gênero, desejo e poder.

Fé disfarçada

Entre lascívia, depravação e violência, este romance mergulha em relatos de mulheres negras escravizadas para dar voz aos horrores a que eram submetidas nas mãos de seus senhores, bem como à ascensão social conquistada por algumas através do casamento ou nascimento de filhos mestiços. Um romance de valor histórico e crítico para a reflexão sobre as relações raciais que constituíram as Américas.

MEIMEI BASTOS (Ceilândia, DF, 1991) é poeta, atriz e arte-educadora. Graduada em Artes Cênicas e mestranda em Culturas e Saberes, pela Universidade de Brasília. Atua em diversos movimentos sociais, promovendo saraus, slams, oficinas, debates, cineclubes e rodas de conversa, especialmente direcionados à população negra e periférica.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta

Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

MEL DUARTE (São Paulo, SP, 1988) é escritora, poeta, slammer e produtora cultural. Atua com literatura desde 2006. Integrou os coletivos “Poetas ambulantes” e “Slam das Minas SP”, um slam voltado para o gênero feminino. Comunicadora e revolucionária do cotidiano que acredita nas palavras como ferramenta de transformação social.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta

Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

MICHELLE DE ASSUMPÇÃO (Recife, PE) é jornalista, escritora e produtora cultural. Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco atua como gestora cultural e realiza projetos de destaque como o Recife Frevo Festival.

Lia de Itamaracá: nas rodas da cultura popular Este livro traça a biografia da mulher que, antes de se tornar a cirandeira mais famosa do Brasil, presenciou a apresentação de muitos fandangos e pastoris na ilha de Itamaracá. Por volta dos 12 anos de idade descobriu que “levava jeito” para a cantoria. A voz firme, forte e afinada lhe direcionou para o único caminho que já almejou na vida e que lhe traz felicidade: ser uma artista, ser cantora.

MIDRIA DA SILVA PEREIRA nasceu no extremo leste de São Paulo. Estudou Ciências Sociais na USP e é uma des organizadores do USPerifa, que leva a cultura dos slams, da disputa de poesia falada, para dentro da cidade universitária. Atua como coordenadore da área de Juventudes na ONG Ashoka Brasil, focando em estratégias de engajamento e transformação social.

Cartas de amor para mulheres negras

Os poemas reunidos neste livro buscam o afeto como paradigma para romper com as imagens de sofrimento e dor comumente associadas às vivências de mulheres negras. A obra evidencia questões de cura e identidade pelo reconhecimento de subjetividades e da humanização a partir de referências ancestrais.

A menina que nasceu sem cor (infantil)

Que cor tem uma menina filha de um pai negro como o céu estrelado de uma noite de verão e de uma mãe branca como a lua cheia? Midria não sabia, por isso sempre se sentiu uma menina sem cor. Pesquisando suas origens, porém, ela percorreu um longo caminho para enfim entender quem é. Este livro, adptado para o público infantil, foi escrito para registrar os caminhos que fizeram a menina se entender como negra e reivindicar a potência de suas raízes, de seu cabelo, de seu povo.

A menina que nasceu sem cor

Obra poética baseada na trajetória pessoal da autora, explorando a identidade de uma menina negra filha de pai negro e mãe branca em um Brasil colorista. O livro aborda o processo de se entender negra, superando o apagamento da cor e a negação dos traços, celebrando a ancestralidade.

MIRIAM ALVES (São Paulo, SP, 1952) é escritora, assistente social, professora, ativista e poeta brasileira. A base de seus trabalhos se deu através do viés da ancestralidade que demonstra através das suas narrativas orais e escritas. Presença constante na cena literária afro-brasileira, vem tendo seus trabalhos estudados por diversos pesquisadores e objeto de artigos, teses e dissertações em universidades brasileiras e estrangeiras.

Contos de axé: 18 histórias inspiradas nos arquétipos dos orixás

O livro reúne textos inéditos de 18 escritores brasileiros oriundos de diferentes regiões do país. A partir dos contos criados com base na mitologia das religiões de matriz africana, Marcelo Moutinho, organizador do livro, afirma que “a ideia é tentar iluminar uma cultura de admirável força alegórica que costuma ser ignorada no Brasil, embora seja tão definidora de nossa gênese”. A seleção dos autores varia em amplitude geográfica, além de raça, gênero, idade e estilo.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

MONIQUE DOS ANJOS (São Paulo, SP, 1981) é jornalista, escritora e mestre em Divulgação Científica e Cultural pela Unicamp. Nasceu na periferia de São Paulo e hoje vive no interior paulista. Realiza palestras e oficinas de educação antirracista em escolas da região de Campinas.

Nós entre três: você vai desejar estar na pele destas mulheres… caso não seja uma

Coletânea com 14 contos de literatura erótica decolonial que coloca o prazer de mulheres negras no centro da narrativa. A autora trata o corpo como território político, abordando desejo, maternidade, insegurança, vaidade e ambiguidade. Os contos não se restringem à cena sexual, mas constroem subjetividades negras complexas, adultas e inteiras, longe da exotização ou moralismo.

NANA MARTINS é professora, pintora, escritora e multiartista. Mestra em Literatura pela UFSC. Ministra oficinas sobre a questão racial, escrita criativa, feminismo negro, literatura de autoria negra e africana. É membra fundadora do Sarau Vozes Negras, um coletivo de práticas poético-pedagógicas que promove a literatura negra através de performances e intervenções artísticas.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série

Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

NATASHA FELIX (Santos, SP, 1996) é escritora, educadora, redatora, poeta e performer. Atualmente reside em São Paulo, onde estuda Letras com especialização em Espanhol na Universidade de São Paulo. Dentre os projetos de leitura performática, participou do Instrumental Poesia com a banda de groove Black Mantra, do Black Poetry e dos Trovadores do Miocárdio.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

NATHALLIA PROTAZIO é escritora, cronista e farmacêutica, natural de Pernambuco. É mestra em Psicologia

Social pela UFRGS e coordena o Coletivo de Escritores Negros (CEN). Atualmente vive em Porto Alegre, RS, local que frequentemente serve de cenário para suas crônicas e onde ela participa ativamente da cena cultural e literária.

A faxineira mais bem paga do Bom Fim

Em seu terceiro livro da carreira, a escritora nos traz crônicas movidas pela ideia de que todo trabalhador está limpando a barra de alguém. O livro nos faz mergulhar na subjetividade da Porto Alegre proletária com o tom crítico e bem-humorado que já é sua marca.

NEGAFYA (Salvador, BA) é poeta, MC, produtora cultural, artivista e empreendedora. Graduada em Enfermagem e capoeirista. Integra o grupo de poesia Resistência Poética e atua ativamente na cena falada. É idealizadora e produtora do Slam das Minas-BA.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

NEIDE ALMEIDA é escritora, poeta, educadora e gestora cultural. Socióloga, mestre em Linguística Aplicada e Especialista em Gestão Cultural Contemporânea. Atua como docente, pesquisadora e consultora na área de leitura, literatura, direitos humanos e relações étnico raciais. Coordenou o Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil.

De cabeça feita

Dandara não gosta de pentear os cabelos. Até que, certo dia, pede à mãe, Zali, que faça um penteado diferente. Então, juntas, elas descobrem fotos de mulheres da família e seus diferentes penteados. As duas se dão conta que existem inúmeras formas de cuidar dos cabelos e que esses momentos podem ser um ritual de inspiração e conhecimento.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

NILMA LINO GOMES (Belo Horizonte, MG, 1961) é pedagoga, gestora, escritora e intelectual. Foi a primeira mulher negra do Brasil a comandar uma universidade pública federal. Suas publicações incluem desde livros e artigos resultados de pesquisas de campo e voltados para o público universitário até narrativas de ficção destinadas para crianças e jovens.

Betina

A lição do penteado, Betina aprendeu da amorosa avó e a avó aprendeu com a mãe dela que aprendeu com outra mãe que tinha aprendido com uma tia. Só que Betina foi além e espalhou a lição para filhas e filhos, mães e avós que não eram os dela. Ela abriu um salão de beleza diferente e ficou conhecida em vários lugares do país.

Infâncias negras: vivências e lutas por uma vida justa

As pesquisas e práticas pedagógicas abordadas neste livro, organizado por Nilma Lino Gomes e Marlene de Araújo, revelam o desafio e a urgência teórica e política de construirmos práticas pedagógicas e metodologias que possibilitem às crianças — em especial as pobres, as negras, as quilombolas, as indígenas e as do campo — falarem de si, sobre a sua relação com o outro e sejam protagonistas das suas próprias vidas.

O menino coração de tambor

Era uma vez um professor de dança afro-brasileira, bailarino e coreógrafo. Evandro Passos é seu nome e sua arte já se revelava quando ele ainda estava na barriga de D. Conceição. A autora nos presenteia com o nascimento de “O menino coração de tambor”, cujo coração compassava as notas musicais dos ritmos que ele ouvia.

O negro no Brasil de hoje

Para entender “nossa” história e “nossa” identidade é preciso começar pelo estudo de todas as suas matrizes culturais. Neste livro, Nilma Lino Gomes e Kabengele Munanga contam um pouco da história esquecida dos povos africanos que ajudaram a construir o país em que vivemos, um país que pertence a todos os brasileiros sem nenhuma distinção.

Um olhar além das fronteiras: educação e relações raciais

O diálogo além das fronteiras realizado neste livro organizado por Nilma Lino Gomes, está alicerçado em um dos ensinamentos de Paulo Freire: de que uma das nossas brigas como seres humanos deva ser dada no sentido de diminuir as razões objetivas para a desesperança que nos imobiliza. Nesse sentido, a recusa ao fatalismo cínico e imobilizante pregado pelo contexto neoliberal, pela globalização capitalista, pela desigualdade social e racial deve se pautar em uma postura epistemológica e política criticamente esperançosa.

Para entender o negro no Brasil de hoje: história, realidades, problemas e caminhos

Qual a importância de estudar a história do negro e seus descendentes mestiços no Brasil de hoje? Este volume, escrito por Nilma Lino Gomes e Kabengele Munanga, privilegia o negro, sua história, sua realidade, seus problemas e os caminhos possíveis para esse segmento.

Saberes das lutas do Movimento Negro Educador

A construção deste livro, organizado por Nilma Lino Gomes, se deu em uma encruzilhada de vidas e trajetórias. Os diálogos são marcados pelos olhares, experiências, lugares de fala, militância, trajetória pessoal e acadêmica, vivências duras de preconceitos, racismo, sexismos, LGBTQIA+fobia e machismos, como também pelas lutas, conquistas e vitórias. As políticas de ações afirmativas e as transformações por elas geradas no meio acadêmico, na gestão, na inserção de sujeitos pertencentes aos coletivos sociais diversos e tratados como desiguais em nossa sociedade permearam as análises, pois são parte da experiência de todos.

NINA RIZZI (Campinas, SP, 1983) é historiadora, editora, poeta, professora e tradutora. Formada em História pela UNESP e mestrado em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará/ UFC. Desenvolveu diversas pesquisas junto ao MST — Movimento dos Sem Terra — nas áreas de História, Cultura e Educação. Atualmente reside em Fortaleza.

Elza: a voz do milênio

Do planeta Fome ao estrelato, Elza Soares é uma das personalidades mais importantes das artes e da música universais. A cantora de voz única deixou um legado de mais de seis décadas de canções interpretadas com a alma e a história de uma mulher negra e brasileira. Esta é uma biografia para crianças e adultos de hoje e de amanhã.

A melhor mãe do mundo

Nesta narrativa acompanhamos uma criança que nos apresenta à sua mãe. Ela joga bola, ajuda na lição de casa e está sempre pronta para ajudar quem precisa. Essa mãe pode até não estar por perto, mas se faz presente da melhor forma possível: com o amor que preenche cada detalhe dessa relação.

Nossos poemas conjuram e gritam

A publicação reúne sete poetas com grande destaque na literatura brasileira contemporânea. Como diz a organizadora, Lubi Prates, na apresentação da antologia: “Uma celebração é sempre coletiva: precisamos segurar nossas mãos, e, assim, dançamos e cantamos, mas também, planejamos nossa liberdade através da poesia”.

OLÍVIA PILAR (Belo Horizonte, MG, 1991) é escritora, mestra e doutora em Comunicação Social pela UFMG. Busca trazer representatividade para suas histórias, que têm protagonistas negras e garotas que gostam de garotas. Publicou diversos contos independentes e em coletâneas.

De repente adolescente: antologia de contos

A chegada da adolescência vem sempre acompanhada de momentos que podem marcar nossas vidas para sempre. Afinal, é nessa época que começamos a pensar em quem somos e o que queremos para o futuro. Nesta antologia, Camila Fremder, Clara Alves, Iris Figueiredo, Jim Anotsu, Julie Dorrico, Keka Reis, Luly Trigo, Olívia Pilar, Socorro Acioli e Vitor Martins narram as experiências típicas do início da adolescência.

Flores ao mar

Neste livro, Lavínia Rocha, Lorrane Fortunato, Olívia Pilar e Solaine Chioro apresentam as irmãs Rios em um cruzeiro de Réveillon. A viagem permite que quatro jovens negras vivenciem aventuras reveladoras e emocionantes. Que tal descobrir como essas experiências em mar aberto mudaram a vida das nossas personagens?

PATRÍCIA SANTANA nascida e criada em Belo Horizonte é escritora além de professora da Rede Municipal de Ensino da cidade. Graduada em História pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Educação pela mesma universidade, integra o Núcleo de Relações Étnico-Raciais e de Gênero da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte.

Um dia feliz

Ayana, todos os dias, saía com sua avó para fazer muitas coisas. Coisas de avó, que adorava sair para fazer de tudo um pouco. Em cada canto uma história, em cada rua uma lembrança, em cada bairro uma descoberta. Mas Ayana nunca mais se esqueceu do primeiro dia em que a felicidade fluiu como água.

PATY WOLFF (Cacoal, RO, 1989) é artista visual, atriz, escritora e geógrafa. Formada em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso, onde também concluiu o mestrado. Como artista visual, participou de diversos eventos e exposições coletivas ao longo de sua carreira, sendo reconhecida também pelo uso criativo de papelão em suas ilustrações e recortes/colagens. Vive e trabalha atualmente em Cuiabá (MT).

Azul Haiti

“Minha mãe conta um mar de histórias sobre sua família no Haiti, país onde ela cresceu e nasceu.” É com essa frase a autora começa o livro, resgatando uma dessas histórias para falar com as infâncias sobre a imigração haitiana para o Brasil, motivada por desastres climáticos e más condições socioeconômicas. Uma história sobre a imigração haitiana contada a partir das memórias de uma mãe sob o olhar esperançoso de uma criança.

Como pássaros no céu de Aruanda

Contos e microcontos sobre memórias de uma Luanda que ficou distante, imagens turvas na mente de nossos ancestrais como um sonho outrora vivido depois do Atlântico. Um livro sobre dores atravessadas por revoltas, quilombos, lutas e pela resistência cotidiana das personagens que anseiam voarem livres como pássaros no céu de Aruanda.

Depois do Atlântico

A autora narra a travessia de um pedaço de pano ancestral, a Samakaka, das mãos de uma garota angolana até ser encontrada por uma menina brasileira. Pelo trajeto, imagina tudo aquilo que há “depois do Atlântico”.

Jamila através da máscara

Essa história é um convite aos leitores para uma viagem pelo continente africano. Enquanto folheia um livro em um sebo, Jamila ouve alguns batuques e, em seguida, uma voz que diz: “Karingana ua Karingana”. Ao repetir a palavra “Karingana”, a menina é transportada para o… Antigo Egito! Esse é só o começo da jornada de Jamila, que também conhecerá povos de diferentes épocas.

Minha escola tem quintal

Kwame está empolgado com uma descoberta: sua nova escola tem um quintal! Depois de atravessar um portal de graxas, o menino e seus colegas encontram um espaço verde cheio de hortaliças, frutas e legumes. Lá, ouvem uma história sobre como, segundo algumas pessoas mais velhas, o mundo era uma grande cabaça. As crianças também são convidadas pela professora a escolher uma árvore para plantar.

Nísia

O plano de deixar a pequena cidade do Rio Grande do Norte para tentar a vida em São Paulo é afetado por um acontecimento inesperado. Agora, Nísia vai ter de encarar uma das mudanças mais significativas de sua vida ao mesmo tempo em que se adapta à enorme cidade. Como se não bastasse, a menina não é bem recebida na nova escola. O motivo pelo qual as crianças caçoam dela faz com que ela passe a se enxergar de um jeito diferente. Ou melhor: se ouvir de um jeito diferente. O que acontece quando a vida faz a gente perder o chão e, junto, as próprias palavras?

Thehcitura

Este livro é sobre as tramas de uma história real, contada sob a forma de poesia, sobre a expansão da fronteira Oeste de Mato Grosso em uma época não tão distante. Os acontecimentos geo-históricos que atravessam o território do povo Nambiquara do Cerrado, narrados nesta história, aconteceram nas décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970, mas geram consequências até hoje.

PRISCILA OBACI é multiartista, educadora e escritora. Desenvolve por meio da literatura, das artes do corpo e da voz atividades que proporcionam o cuidado e atividades para mães, bebês e crianças na primeira infância. Co-fundora do Instituto Umoja, que realiza criações cênicas híbridas (teatro/dança/música) com base na pesquisa das culturas de matrizes africanas.

Euá: mãe das águas nascentes

Composta por um box com sete volumes, a coleção apresenta para as crianças e famílias as Iyabas, divindades femininas da mitologia iorubá. A coleção traz poesias sobre Nanã, Iemanjá, Oxum, Oiá, Obá, Euá e Oxumarê. Divindades cultuadas nas religiões de matriz africanas, em especial, no candomblé ketu e nagô e que falam das águas, da criação, da geração da vida e dos ciclos.

Iemanjá: mãe cujo filhos são peixes

Composta por um box com sete volumes, a coleção apresenta para as crianças e famílias as Iyabas, divindades femininas da mitologia iorubá. A coleção traz poesias sobre Nanã, Iemanjá, Oxum, Oiá, Obá, Euá e Oxumarê. Divindades cultuadas nas religiões de matriz africanas, em especial, no candomblé ketu e nagô e que falam das águas, da criação, da geração da vida e dos ciclos.

Nanã: mãe raiz do mundo

Composta por um box com sete volumes, a coleção apresenta para as crianças e famílias as Iyabas, divindades femininas da mitologia iorubá. A coleção traz poesias sobre Nanã, Iemanjá, Oxum, Oiá, Obá, Euá e Oxumarê. Divindades cultuadas nas religiões de matriz africanas, em especial, no candomblé ketu e nagô e que falam das águas, da criação, da geração da vida e dos ciclos.

Obá: mãe das águas revoltas

Composta por um box com sete volumes, a coleção apresenta para as crianças e famílias as Iyabas, divindades femininas da mitologia iorubá. A coleção traz poesias sobre Nanã, Iemanjá, Oxum, Oiá, Obá, Euá e Oxumarê. Divindades cultuadas nas religiões de matriz africanas, em especial, no candomblé ketu e nagô e que falam das águas, da criação, da geração da vida e dos ciclos.

Oxum: mãe das águas doces

Composta por um box com sete volumes, a coleção apresenta para as crianças e famílias as Iyabas, divindades femininas da mitologia iorubá. A coleção traz poesias sobre Nanã, Iemanjá, Oxum, Oiá, Obá, Euá e Oxumarê. Divindades cultuadas nas religiões de matriz africanas, em especial, no candomblé ketu e nagô e que falam das águas, da criação, da geração da vida e dos ciclos.

Oxumaré: pai da chuva e do arco-íris

Composta por um box com sete volumes, a coleção apresenta para as crianças e famílias as Iyabas, divindades femininas da mitologia iorubá. A coleção traz poesias sobre Nanã, Iemanjá, Oxum, Oiá, Obá, Euá e Oxumarê. Divindades cultuadas nas religiões de matriz africanas, em especial, no candomblé ketu e nagô e que falam das águas, da criação, da geração da vida e dos ciclos.

Oyá: mãe das tempestades e dos ventos

Composta por um box com sete volumes, a coleção apresenta para as crianças e famílias as Iyabas, divindades femininas da mitologia iorubá. A coleção traz poesias sobre Nanã, Iemanjá, Oxum, Oiá, Obá, Euá e Oxumarê. Divindades cultuadas nas religiões de matriz africanas, em especial, no candomblé ketu e nagô e que falam das águas, da criação, da geração da vida e dos ciclos.

RÁDI OLIVEIRA (Santo Amaro da Purificação, BA) é cantora, poeta, escritora e educadora. Professora da rede pública de educação infantil e idealizadora do projeto Canto de Poetas, sua trajetória é focada no fortalecimento da identidade negra e na valorização da ancestralidade por meio da literatura e da música.

Terreiro enluarado

O terreiro é um quintal grande, um lá fora pra gente brincar. Isso se a mamãe deixar. Melhor quando tem Lua que alguém pendurou lá no alto após tirar ela de dentro de um coco. Essa redonda mágica, ora cresce, ora mingua e, se você correr, ela corre, se você pular, ela pula, mas se você parar, ela para.

RAQUEL ALMEIDA (São Paulo, SP) é poeta, escritora, arte-educadora e produtora cultural. Filha de imigrantes nordestinos, criou-se no bairro de Pirituba, na favela de Santa Terezinha. Estudou música na Faculdade Carlos Gomes e é cofundadora do coletivo literário Elo da Corrente.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

RAQUEL GARCIA (São Paulo, SP) é professora, ativista cultural e poeta. Graduada em História, foi membro do Quilombhoje e tem participações em diversos volumes da série Cadernos Negros. É integrante do Sarau das Pretas, um coletivo de mulheres negras que utiliza a literatura, a música e a performance para discutir questões de gênero e raça.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa. A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

ROBERTA ESTRELA D’ALVA (Diadema, SP, 1978) é atriz-MC, diretora, pesquisadora, apresentadora, poeta e membro fundadora do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, primeira companhia brasileira de Teatro Hip Hop. Foi percursora dos poetry slams no Brasil. Formou-se em Artes Cênicas pela USP e fez mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

RUTH GUIMARÃES (1920-2014), nascida em Cachoeira Paulista, SP, além de poeta, romancista, contista, cronista, jornalista e teatróloga, notabilizou-se como tradutora e pesquisadora da literatura oral no Brasil.

Lecionou Língua Portuguesa por mais de 30 anos em escolas da rede pública de São Paulo. Foi a primeira escritora brasileira negra que conseguiu projetar-se nacionalmente desde o lançamento do seu primeiro livro, o romance “Água funda”, em 1946.

Água funda: romance

Romance de estreia de Ruth Guimarães que fez aqui uma reconstituição etnográfica da linguagem caipira. Entrelaçando diferentes tempos e personagens, inseridos no universo de uma comunidade rural na Serra da Mantiqueira, a autora construiu uma prosa ágil e fluida, permeada de ditos populares e causos marcados pela superstição e pelo fatalismo. É o caso das histórias de Sinhá Carolina, dona da Fazenda Nossa Senhora dos Olhos d’Água, e do casal Joca e Curiango, trabalhadores locais, num arco temporal que vai da época da escravidão até os anos 1930.

Contos de encantamento

Coletânea organizada pelos filhos da autora a partir de escritos inacabados. O livro resulta das pesquisas sobre os saberes populares a respeito de magias, ritos e outros procedimentos ocultos ou vistos como extraordinários. Dedicada ao universo caipira dos interiores de São Paulo e Minas Gerais, a contista garimpou suas histórias nas falas dos moradores dessas regiões. Retratando princesas, animais, “papudos” e várias figuras míticas, a coletânea reúne quinze contos que mesclam desejo, sonho, realidade e mistério.

Contos índios

Toda as histórias deste livro foram extraídas apenas de registros orais. Os contos resultaram de pesquisa de campo, no Médio Vale do Paraíba do Sul tendo como centro e pião a cidade de Cachoeira Paulista, SP. E, dali, feitas coletas nas cidades vizinhas também, e no litoral. É, claro, vieram também de informantes de outros estados, com predominância de mineiros, donos de parte do Vale. A autora aproveitou cada reconto quando lhe foram apresentadas duas ou mais variantes, pois isso confirmava a sua aceitação, verdade e importância. Logo, tratou de escolher a variante mais elaborada, e com mais pormenores. Nada foi acrescentado, nada foi tirado, dos motivos básicos, da sequência, da filosofia. O que era moralizante continuou moralizante; todas as histórias permaneceram completamente isso mesmo que está aí.

Contos negros

Coletânea de histórias curtas coletadas pela autora com foco em narrativas comuns às comunidades negras de nosso país. O livro é fruto de um extenso trabalho de pesquisa e curadoria realizados por Ruth Guimarães, ambos advindos da necessidade de pontuar a presença das tradições e narrativas que permeavam o imaginário das comunidades negras em nosso país. A autora se deparou com rico manancial original ao mesmo tempo que encontrou a influência e contágio da perspectiva dos povos afro por parte dos escravocratas europeus, resultando assim em narrativas que já tinham uma versão prévia e que passaram por algum tipo de adaptação e/ou reconstrução para algo similar, mas ainda assim com novas intenções.

Marinheira no mundo: crônicas

As crônicas reunidas neste livro nos trazem o Brasil visto, escrito, vivido por uma mulher que pertence a si mesma e aos seus filhos, que não recusa suas raízes e que faz da literatura a sua própria potência. Ruth nos apresenta um país com rostos, nomes, cores, línguas, preces e dilemas. Ruth escreve o que vê, o que sente, o que pesquisa, o que vive. O Brasil de uma mulher negra, pobre, professora, escritora, caipira.

RYANE LEÃO (Cuiabá, MT, 1989) é poeta e professora cuiabana que vive em São Paulo. Publica seus escritos no Instagram há mais de 10 anos e recita seus poemas nos saraus e slams do Brasil. Seu trabalho é pautado na resistência das mulheres e focado na luta e no fortalecimento pela arte e pela educação.

A gente se vê na parada

Em seis contos, os autores Abdi Nazemian, Ariel F. Hitz, Arquelana, Mariana Chazanas, Pedro Rhuas e Ryane Leão apresentam histórias que celebram as inúmeras formas de amor e os múltiplos encontros da comunidade queer durante a maior Parada do Orgulho LGBTQIAP+ do mundo.

Ninguém pode parar uma mulher ventania

Livro de poesia urbana que celebra a força, a autodescoberta e a resiliência feminina, explorando a “bagunça bonita da vida” através de poemas que falam de sonhos, desejos, cicatrizes, vulnerabilidade e o poder de se emocionar e se transformar, convidando a mulher a abraçar sua história e viver com intensidade.

Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta

Essa antologia reúne poesias de 15 mulheres slammers de todas as regiões do Brasil. Os chamados poetry slams chegaram ao Brasil pelas mãos de Roberta Estrela D’Alva, em 2008, e são batalhas de poesia falada com temática livre que tem como destaque temas como racismo, machismo e desigualdade social.

SANDRA MENEZES é carioca de Vaz Lobo, formada e pós-graduada em Comunicação Social. Além de jornalista e escritora, conhecida por seu trabalho literário afrofuturista, sua carreira marca presença na dramaturgia e na representação, bem como na música. Estreou como romancista com o livro “O céu entre mundos”, vencedor do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2022.

O céu entre mundos

Em 2273, a engenheira Karima deixa o planeta Wangari — colonizado por africanos séculos antes — para retornar à Terra como uma refugiada interplanetária. Nessa diáspora reversa, ela enfrenta o choque entre sua tecnologia avançada e a decadência do planeta de origem, unindo ficção científica e ancestralidade em uma jornada de autodescoberta. A obra é um marco na literatura contemporânea brasileira como um romance afrofuturista.

SIMONE RICCO é escritora, educadora e articuladora cultural. Graduada em Letras e mestre em Letras/ Literaturas Africanas na Universidade Federal Fluminense (UFF). Atua como professora de Língua Portuguesa na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e é articuladora do Observatório de práticas e estudos de inclusão e relações étnico-raciais e equidade na Zona Oeste /RJ.

Olhos de azeviche 2: dez escritoras negras brasileiras em vinte contos

Esta antologia literária reúne contos que exploram a identidade, a ancestralidade e as vivências das mulheres negras no Brasil.

SIMONE SCHWARZ-BART (Guadalupe, 1938) é uma romancista e dramaturga franco-guadalupense cuja escrita engajada é fortemente ancorada nos costumes caribenhos. Condecorada como Dama das Artes e das Letras pelo governo francês e vencedora do Prix Carbet de la Caraïbe et du Tout-Monde é profundamente comprometida com questões políticas e com os problemas enfrentados por pessoas, especialmente mulheres negras.

Chuva e vento sobre Télumée Milagre

Publicado em 1972, este livro é considerado uma das obras-primas da literatura caribenha. A protagonista do romance, Télumée Loungador, é uma mulher negra determinada, que narra a história de quatro gerações de mulheres fortes e corajosas, que sobrevivem a uma série interminável de adversidades. Como ensina a avó da protagonista, “atrás de uma dor há outra dor, a miséria é uma onda sem fim, mas o cavalo não deve te conduzir, é você que deve conduzir o cavalo”.

SOLAINE CHIORO (Santos, SP) é escritora, tradutora e revisora. Formou em Letras — Português/Latim pela Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (UNESP). Participa de dois podcasts sobre entretenimento, o “Pode Entrar” e o “Duas Limonadas”, além do “Românticast”.

Flores ao mar

Neste livro, Lavínia Rocha, Lorrane Fortunato, Olívia Pilar e Solaine Chioro apresentam as irmãs Rios em um cruzeiro de Réveillon. A viagem permite que quatro jovens negras vivenciem aventuras reveladoras e emocionantes. Que tal descobrir como essas experiências em mar aberto mudaram a vida das nossas personagens?

Reticências

Davi e Joana se conheceram online e, desde que se falaram pela primeira vez, não conseguiram mais parar. O único problema é que eles não sabem a verdadeira identidade um do outro. Para Davi, Joana é a ilustradora com quem entrou em contato para um trabalho. Para Joana, Davi é aquele que mandou mensagem convidando-a para uma campanha de Dia da Consciência Negra. Tudo o que sabem um sobre o outro é que se gostam e estabeleceram uma conexão real, possível apenas porque o anonimato da internet permitiu que não tivessem medo de se abrir. O que eles não sabem, no entanto, é que estão muito mais próximos do que imaginam...

SONIA ROSA (Rio de Janeiro, RJ, 1959) é escritora, mestre em relações étnico-raciais, professora, contadora de histórias e consultora de letramento racial em escolas do Rio de Janeiro. Tem mais de cinquenta títulos publicados. Dedica-se especialmente à literatura negro-afetiva para crianças e jovens, conceito criado pela autora para nomear sua produção literária, na qual os leitores brasileiros vão encontrar muito amor e muita representatividade negra em protagonismo.

Amores de artistas

Maneco, Dunga e Nando, amigos inseparáveis da escola, cantam, pintam, e fazem poesia pelas ruas do bairro onde moram, e assim seguem vida afora, partilhando saberes, amores, desencontros, tristezas e alegrias. Uma história sobre os afetos e as amizades da infância temperada com amor, poesia e arte.

Antônia quer dormir

O livro fala sobre o cotidiano de uma pequena menina, suas brincadeiras diárias e a rotina da mãe para colocá-la para dormir. A obra descreve em linguagem simples a dinâmica da hora de ir pra cama.

Antônia quer passear

Descreve um dia na vida de uma pequena menina: um domingo de sol, quando a mãe a leva para passear no parque, onde a menina entra em contato com arbustos e árvores, aves diversas, peixes, tartarugas, borboletas, libélulas, caracóis e até um mico. A obra descreve em linguagem simples cenas desse dia de diversão.

A Bela Adormecida do samba

Esta é uma história de amor e encantamento, uma adaptação do clássico infantil a Bela Adormecida. Contudo, este reconto tem suas singularidades: destaca o carnaval, a tradição das escolas do subúrbio nos desfiles e a festa nos barracões do samba. Dá vivas a passistas e percussionistas, mestres-salas e porta-bandeiras. Celebra a beleza, a alegria, a emoção, a ancestralidade, o amor, a criatividade, o encontro e a união.

Capoeira

O livro traz todo o encanto da capoeira, luta gingada que surgiu no Brasil, a partir dos negros bantos de Angola, que vieram para o Brasil como escravos — uma forma de defesa nas lutas contra a escravidão. Os escravos das fazendas iam para as capoeiras (capinzais) dançar e lutar. Por isso a luta ficou com esse nome.

Chama o Sol, Matias!

Matias é um pequeno garoto que, frente a uma situação de adversidade, clama pelo Sol. Símbolo de esperança e felicidade, o astro-rei, ao iluminar o universo, acende também o mundo da criança.

Dona Brígida

A história da doce Dona Brígida protagoniza o amor e a fé de uma rezadeira em ação. Um encontro de afeto e de esperança. Uma cura mágica baseada no respeito à sabedoria dos mais velhos. A narrativa, em primeira pessoa, contada por uma menina que ficou doente do pé, mas não da cabeça, nos ensina que entre o céu e a terra existe muita coisa que não compreendemos… como a força das palavras e o poder do amor.

O Dragão do Mar

Franscisco José do Nascimento, ou Chico da Matilde, ficou mais conhecido como “O Dragão do Mar” por sua atuação na greve dos jangadeiros, em 1881, evento que virou um marco na História do Brasil, pois a partir dele se deu a abolição da escravidão no estado do Ceará, em 1884. Antes mesmo da abolição no Brasil, assinada pela Princesa Isabel, em 1888.

É o tambor de crioula!

Embalados pelo ritmo da batida dos tambores e hipnotizados pelas cores em movimento das saias das dançadeiras, todos cantam, todos giram, todos celebram. Genuinamente maranhense e declarado como patrimônio cultural brasileiro em 2007, o Tambor de Crioula é referência de identidade e de resistência dos valores culturais afro-brasileiros.

Enquanto o almoço não fica pronto

O livro descreve uma manhã qualquer, que poderia ser na casa de qualquer um de nós — uma casa brasileira, com feijão na panela, samambaia na parede, vira-latas fazendo festa. A casa de uma família negra.

Feijoada

Sonia Rosa conta como uma iguaria originalmente trazida pelos portugueses — feijão com miúdos de porco — foi adotada pelos escravos, que a ela adicionaram outros sabores: feijão-mulatinho e preto do Brasil, arroz, couve, farofa, laranjas... E assim nasceu o cartão de visitas da cozinha brasileira.

Infâncias e leituras: presenças negras e indígenas na literatura infantil Nesta publicação, as autoras e os autores abordam o tema a partir de suas vivências e pesquisas. Há conceitos, dados, perguntas, respostas, depoimentos, indicações bibliográficas que podem interessar os(as) que ocupam variadas posições na cadeia criativa, produtora, distribuidora e mediadora do livro.

Jongo

O livro conta a história do jongo, música e dança criadas pelos escravos nos terreiros das fazendas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e precursoras do nosso conhecido samba.

Literatura infantil afrocentrada e letramento racial: uma narrativa autobiográfica

Fruto da dissertação de mestrado de Sonia Rosa, o livro entrelaça de forma autobiográfica as escrevivências da autora com os estudos antirracistas, em diálogo com a literatura infantil afro-brasileira. Sonia Rosa enfatiza a importância da criação da Lei n.º 10.639/2003 para a construção de uma pedagogia antirracista dentro e fora dos espaços escolares e aprofunda o estudo de conceitos como letramento racial, identidades negras, educação e racismo.

Maracatu

O maracatu é uma festa criada pelos negros escravos bantos, que vieram do Congo. Eles elegiam um casal de líderes — um rei e uma rainha — e encenavam uma visita aos portugueses, com vestimentas luxuosas, dançando e tocando tambores. Aqui, essa festa é contada em versos.

O menino de olhar apertadinho que enxergava longe...

Conheça a história das aventuras, brincadeiras, alegrias e sofrimentos de Murilo, um garoto que não via a hora de virar gente grande. Um menino forte, que sabia o que queria e correu atrás do próprio sonho.

O menino Nito: então, homem chora ou não?

Nito abria um berreiro por tudo e ninguém aguentava mais tanta choradeira. Um dia seu pai o chamou num canto e veio com aquele discurso: “Você é um rapazinho, já está na hora de parar de chorar à toa. E tem mais: homem que é homem não chora.” Essas palavras martelaram na cabeça do Nito...

Meu nome é Raquel Trindade, mas pode me chamar de Rainha Kambinda

Essa é a história de uma verdadeira heroína negra. Ativista cultural, artista plástica, dançarina, coreógrafa e ensaísta, fundou em 1975 o Teatro Popular Solano Trindade, em Embu das Artes, tornando-se expoente na preservação e na promoção da cultura negra e popular. Protagonista também na fundação do Maracatu Nação Kambinda, se tornou conhecida como Rainha Kambinda, a principal referência nessa corte de estrutura matriarcal, originalmente popularizada por grupos que percorriam em desfile as ruas do Recife, lugar onde nasceu. A partir de suas memórias, somos convidados a também participar desse movimento, conhecendo em detalhes sua trajetória de luta incansável pela representatividade negra em todos os setores da sociedade brasileira.

Quando a escrava Esperança Garcia escreveu uma carta

No ano de 1770, a escrava negra piauiense Esperança Garcia escreveu, senão a primeira, uma das mais antigas cartas de denúncia de maus-tratos contra escravos no Brasil. Alfabetizada por jesuítas, Esperança Garcia entregou a carta ao governador da Província do Piauí. Nela relatava a violência sofrida por parte do feitor da fazenda para onde foi levada para trabalhar como cozinheira. Pedia ainda, na mesma carta, que ela fosse devolvida à sua fazenda de origem (Algodões) e que sua filha fosse batizada.

O tabuleiro da baiana

Este livro traz para o universo infantil a graça e o encanto desse personagem tão típico do cenário brasileiro: a vendedoras de quitutes que ficaram conhecidas em todo o país como “baianas”. As roupas, o tabuleiro e os pratos típicos da culinária baiana são sua “marca registrada”.

Os tesouros de Monifa

O livro fala do encontro de uma brasileirinha afrodescendente com sua tataravó, Monifa, que chegou aqui de lá do outro lado do oceano, em um navio negreiro. Mesmo escrava, aprendeu a escrever e, por meio das letras que aprendeu, deixou “para os meus filhos e os filhos dos meus filhos!” o maior de todos os tesouros que alguém pode herdar. Passado de geração em geração, chega o dia desse tesouro ir para as mãos da garotinha, que se encanta e emociona muito ao receber tamanha preciosidade e, com ela, descobrir a vida da sua tataravó e as suas próprias raízes.

Zum zum Zumbiiiiiii: história de Zumbi dos Palmares para crianças É feriado! Mas por que hoje é um dia tão importante? Ora, porque hoje é dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, dia de Zumbi dos Palmares. Você sabe quem foi esse herói que lutou contra a escravidão no Brasil?

SUELI CARNEIRO (São Paulo, SP, 1950) é filósofa, escritora e ativista antirracista do Movimento Social Negro brasileiro. Cursou Filosofia na USP e doutorado na Faculdade de Educação da mesma universidade. É a fundadora e atual diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e considerada uma das principais autoras do feminismo negro no Brasil. Foi a primeira mulher negra a receber o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Brasília.

Branquitude: racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

Dispositivo de racialidade: a construção do outro como não ser como fundamento do ser

Neste que é um dos livros de filosofia política mais relevantes escritos no Brasil, Sueli Carneiro oferece uma interpretação contundente do racismo e uma defesa de seu enfrentamento sempre pelo coletivo, onde o cuidado de si e o cuidado do outro se fundem na busca da emancipação. Nele, a autora aplica os conceitos de dispositivo e de biopoder de Michel Foucault ao domínio das relações raciais, forjando o que chama de dispositivo de racialidade ― que produz uma dualidade entre positivo e negativo, tendo na cor da pele o fator de identificação do normal, representado pela brancura.

TAÍS ESPÍRITO SANTO (Rio de Janeiro, RJ) é escritora, assessora literária, gestora cultural, professora de escrita criativa e roteirista. Coordenadora do Instituto Casa Poema e fundadora da Òrun Aiyê Produções. Sua obra é profundamente marcada pelos temas de ancestralidade, afeto e memória, com foco especial na representatividade de famílias negras na literatura infantil.

Olhos de azeviche: dez escritoras negras que estão renovando a literatura brasileira

As escritoras que estão neste livro renovam a literatura brasileira graças às formas criativas e independentes por meio das quais criam e promovem suas obras e, especialmente, porque o olhar azeviche destas autoras para o mundo, expresso na literatura negro-brasileira que produzem, traz um ponto de vista, uma perspectiva, um sentimento e uma inteligência que merecem ser mais disseminados e respeitados.

TATIANA NASCIMENTO (Brasília, DF, 1981) é escritora, tradutora, cantora, poeta, slammer, cantora e compositora. É idealizadora e cofundadora da Padê Editorial e do primeiro slam das minas no Brasil, em Brasília. Escreve, investiga e publica livros de autoras negras e e/ou LBTs — lésbicas, travestis, trans e bissexuais. Se identifica com o gênero não binário.

Um ebó di boca y otros [silêncios]

Coletânea de poemas que utiliza a metáfora do ebó (oferenda) para transformar a palavra e a voz em ferramentas de cura e resgate da ancestralidade negra. Através de uma linguagem que desafia normas gramaticais e explora dissidências de gênero e sexualidade, Tatiana investiga o silêncio não apenas como apagamento histórico, mas como um espaço de escuta profunda e resistência identitária.

Quando mamãe fica triste

Livro sobre a escuta e o acolhimento da tristeza no cotidiano da maternidade. Numa conversa delicada entre mãe e filha, a autora transforma o silêncio em afeto e a dor em palavra, reconhecendo a importância de nomear os sentimentos — mesmo os difíceis. Um convite para crianças e adultos compartilharem emoções, com calma e presença.

TAYLANE CRUZ é sergipana, natural de Capela e atualmente reside em Aracaju. Jornalista formada pela Universidade Federal de Sergipe e escritora, já colaborou para diversas antologias pelo país e possui contos publicados em revistas de circulação nacional. Atua ainda como palestrante e ministra oficinas de escrita criativa, além de integrar a Academia de Letras de Aracaju.

Menina de fogo

Na passagem da infância para a adolescência, como lidar com novas paixões, experiências e sentimentos? Vivaz e inteligente, Maria segue acompanhada de seus avós e seus amigos nas aventuras do dia a dia, passando por situações como a primeira menstruação, o desabrochar da sexualidade, novas amizades, o enfrentamento do assédio, o contato com o racismo e a morte de pessoas queridas. Em seu diário, ao longo de um ano, são compartilhados os pensamentos dessa menina de fogo, que sempre tem uma lição a ser descoberta.

THULA PIRES (Rio de Janeiro, RJ) é professora, autora e uma renomada jurista. Doutora e mestra em Direito Constitucional e Teoria do Estado na PUC-Rio. Atualmente é professora nos cursos de Graduação e Pósgraduação do Departamento de Direito da PUC-Rio. Atua principalmente nos seguintes temas: pensamento afrodiaspórico, racismo, mulheres negras, decolonialidade, teoria crítica da raça, direitos humanos e teoria do reconhecimento.

Branquitude: diálogos sobre racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema, e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

VALÉRIA LOURENÇO (Xerém, RJ) é poeta, escritora e pesquisadora. Doutoranda em Literatura Comparada pela Universidade Federal do Ceará. Participa da Rede de Mulheres Negras do Ceará e do coletivo de escritoras Brota, grupo independente de escritoras e artistas do Ceará, focado na produção literária, mediação de leitura e artes.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa.

A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

VELIA VIDAL (Bahía Solano, Colômbia, 1982) é escritora, ativista cultural, promotora de leitura e gestora cultural. Cursou Ciências da Comunicação Social na Universidade de Antioquia, especializando-se em Gestão Social na Escola Superior de Administração. Diretora da corporação cultural e educacional Motete e criadora do Festival de Leitura e Escrita de Chocó.

Águas de estuário

O livro reúne cartas da escritora afro-colombiana com um amigo. Ao longo das cartas, ela apresenta sua cidade natal, Bahía Solano, na Colômbia, compartilha como foi seu retorno ao Chocó, no litoral do Pacífico e sua dedicação à promoção da leitura e gestão cultural em sua comunidade. Da mesma forma, a troca de cartas evidencia o mapa do Chocó desigual, em que a palavra e a literatura trazem outras possibilidades de enxergar o mundo.

VERENILDE S. PEREIRA (Manaus, AM, 1956) é escritora e jornalista, filha de mãe negra e pai da etnia Satarê Mawê. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas e doutora em Comunicação pela UnB. Atuou como repórter especializada em questões ligadas às lutas dos povos indígenas nos principais jornais de Manaus e Belém. Como militante, atuou em diversos movimentos de resistência indígena. Lecionou nos confins da Amazônia, em Manaus e em Brasília, cidade para a qual se mudou nos anos 1990 e onde vive até hoje.

Um rio sem fim

História do (mau) encontro entre a Igreja Católica e populações indígenas amazônicas. Maria Assunção e Rosa Maria, meninas indígenas educadas numa missão religiosa, são levadas por missionárias para trabalhar na casa de famílias ricas de Manaus, e de lá precisam traçar seus caminhos para a liberdade.

WALDETE TRISTÃO é escritora, educadora e ativista. doutora em Educação pela Faculdade de Educação da USP, mestra em Educação pela PUC-SP e graduada em Letras e Pedagogia. Professora, autora e roteirista, também é integrante do coletivo de mulheres Ilú Obá De Min.

Conhecendo os Orixás: de Exu a Oxalá

Neste livro as crianças aprenderão de maneira divertida quem são os Orixás das religiões afro-brasileiras, quais seus principais costumes e suas características.

Do órun ao àiyé: a criação do mundo

São muitas as crenças e teorias sobre de onde viemos e como tudo começou. Mas pouco se fala da criação do mundo sob o ponto de vista das diferentes tradições africanas. O que você encontrará neste livro é uma versão da criação do mundo segundo os iorubás.

Mulheres e desigualdades de gênero

Das histórias e nuanças regionais da cultura e das relações sociais no Brasil à presença feminina em centros rurais e urbanos — passando pelas memórias, lutas, sofrimentos e conquistas de mulheres negras, parteiras e educadoras —, esta obra, organizado por Marília Pinto de Carvalho e Regina Pahim Pinto, mostra diversos nichos de estudo que vêm sendo explorados e amplia ao leitor o acesso a essas pesquisas.

O quintal das irmãs

No quintal, a diversão não tinha hora para acabar. Para as irmãs, a fantasia e a curiosidade tomavam conta do lugar, que se tornava pequeno se comparado ao que a imaginação delas podia alcançar. Ali, um mundo fantástico se revelava na intimidade, no dia a dia, na simplicidade e na grandiosidade das infâncias. No quintal das irmãs, as memórias foram costuradas e os afetos floresceram. E ainda florescem!

WINNIE BUENO (Porto Alegre, RS, 1988) é escritora, pesquisadora e ativista antirracista. Mestre em Direito pela Unisinos/RS e doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da UFRGS. Atua como consultora e pesquisadora nas áreas de combate ao racismo, diversidade de gênero e justiça social.

Branquitude: diálogos sobre racismo e antirracismo

As conversas aqui presentes são resultado do encontro de alguns dos principais pesquisadores, estudiosos e expoentes do pensamento sobre o tema, e foram promovidas pelo Instituto Ibirapitanga. São debates voltados ao aprofundamento das noções em torno da branquitude como ideologia que organiza hierarquicamente as pessoas a partir da raça, atribuindo às pessoas negras um lugar subalternizado na estrutura social.

Saberes das lutas do Movimento Negro Educador

A construção deste livro se deu em uma encruzilhada de vidas e trajetórias. Os diálogos são marcados pelos olhares, experiências, lugares de fala, militância, trajetória pessoal e acadêmica, vivências duras de preconceitos, racismo, sexismos, LGBTQIA+fobia e machismos, como também pelas lutas, conquistas e vitórias.

As políticas de ações afirmativas e as transformações por elas geradas no meio acadêmico, na gestão, na inserção de sujeitos pertencentes aos coletivos sociais diversos e tratados como desiguais em nossa sociedade permearam as análises, pois são parte da experiência de todos.

YANICK LAHENS (Porto Príncipe, Haiti, 1953) é escritora haitiana. Após um período de estudos em Paris, onde cursou o ensino médio e graduou-se em Literatura Comparada na Sorbonne, ela retorna ao Haiti para lecionar na universidade pública. Criou o projeto Rota da Escravidão, que, por meio de atividades artísticas e científicas, tratou dos legados locais de escravização e, no mesmo, ano ajudou a fundar a Associação dos Escritores Haitianos, instituição engajada, entre outras coisas, na luta contra o analfabetismo.

Banho de lua

Os Lafleur sempre viveram em Baía Azul, um vilarejo de pescadores no Haiti. Há décadas convivem em ressentimento com os Mésidor, que, ao longo dos anos, se apropriaram de todas as terras férteis da região, reduzindo os camponeses à indigência. A partir de um encontro improvável e atração recíproca entre dois membros dessas famílias rivais, a autora constrói uma saga ao mesmo tempo familiar e nacional. Baía Azul torna-se, assim, o palco onde se condensa a história política do Haiti: fratrias dilaceradas, devastação sem limites, arbitrariedades de poder.

A cor do amanhecer

Angélique levanta-se primeiro todas as manhãs, na casinha nos arredores de Porto Príncipe, Haiti, que divide com a mãe, a irmã Joyeuse e o irmão mais novo Fignolé. Numa madrugada cinzenta de fevereiro, a preocupação a domina: Fignolé não voltou e durante toda a noite os tiros não pararam de ressoar ao longe. Ao longo do dia e de sua busca, Angélique e Joyeuse desenham uma geografia apocalíptica da cidade. Fignolé, militante decepcionado do Partido dos Indigentes, perdeu-se nas reviravoltas de uma luta impossível, nos perigos da desordem absoluta. A autora, ao retratar o destino de uma família comum, constrói a alegoria de um país onde a monstruosidade gostaria de ser lei.

YNAÊ LOPES DOS SANTOS (São Paulo, SP, 1982) é historiadora, escritora, curadora, colunista e professora. Suas principais áreas de atuação incluem a história da escravidão nas Américas, as relações étnico-raciais e o ensino de história da África e da população negra no Brasil. Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo, é professora na Universidade Federal Fluminense.

Além da senzala: arranjos escravos de moradia no Rio de Janeiro (18081850)

A escravidão nas cidades brasileiras é objeto crescente da historiografia do país. O Rio de Janeiro, em particular, foi bastante estudado pelos historiadores nas últimas décadas. Os temas tratados são muitos — o trabalho escravo, os grupos étnicos, a capoeira, a religião, os divertimentos, as fugas, a repressão policial, as alforrias e os libertos, entre outros. Uma das tarefas cumpridas por Ynaê Lopes neste livro é fazer um balanço desses estudos, mas o faz em busca de pistas para o seu assunto, a moradia escrava.

História da África e do Brasil afrodescendente

A história da África é muito maior do que aquilo que foi ensinado por anos. Este livro pretende explorar algumas dessas histórias, dando especial atenção para as sociedades africanas que estiveram diretamente relacionadas à história brasileira. E por que essa escolha? Porque o Brasil é um país cuja história foi construída por milhares de africanos e seus descendentes, que durante muito tempo tiveram suas vidas e trajetórias pouco contadas ou totalmente silenciadas. Porque conhecer um pouco melhor o continente africano é uma forma de entendermos melhor o mundo e a nós mesmos.

Pequenas Áfricas: o Rio que o samba inventou

O catálogo traz fotografias de documentos, matérias de jornais, fotografias de artistas presentes na exposição do IMS, que reconstitui a cena cultural carioca no começo do século 20, quando comunidades de afrodescendentes criaram o samba urbano, além de ensaios dos quatro curadores: Angélica Ferrarez, Luiz Antonio Simas, Vinícius Natal e Ynaê Lopes dos Santos.

Racismo brasileiro: uma história da formação do país

Durante muito tempo fez parte da mitologia nacional a ideia de que o Brasil, forjado a partir de um caldeirão multicultural, não era racista. Mais recentemente, uma série de intelectuais — grande parte deles negros e egressos dos movimentos sociais — nos ensinou o quão risível (e perversa) é essa ideia. Tendo como alguns de seus personagens figuras tão díspares entre si como Luiz Gama, Monteiro Lobato, Getúlio Vargas e chegando até Marielle Franco, este é um livro para uma compreensão mais profunda da nossa formação.

YULIANA ORTIZ RUANO (Esmeraldas, Equador, 1992) é escritora e poeta, formada em Letras com especialização em Artes e Escrita pela Universidad de las Artes do Equador e DJ de música afro do Pacífico. “Febre de Carnaval”, seu primeiro romance, recebeu o prêmio IESS Primo Romanzo (Itália) e o Joaquín Gallegos Lara, concedido pela municipalidade de Quito, como melhor romance do ano. Sua obra caracterizase pela exploração de temas como identidade, gênero, migração, memória e as experiências de pessoas afrodescendentes na América Latina.

Febre de carnaval

Na província de Esmeraldas, coração da cultura negra do Equador, a pequena Ainhoa é forçada a amadurecer rapidamente, cercada por segredos familiares e pela violência que permeia a sua casa e a comunidade local. O carnaval é o pano de fundo da narrativa que mergulha no universo exuberante e sensível de Ainhoa, cujo corpo de menina reverbera as histórias do clã de mulheres que a criaram — irmãs, mães e avós, que compartilham com ela suas dores, seus medos e seus desejos. A autora constrói, a partir da vida de sua jovem protagonista, um retrato das tradições afrodescendentes, da brutalidade patriarcal e das complexidades sociais de uma parte esquecida das Américas.

ZAINNE LIMA DA SILVA (Taboão da Serra, SP, 1994) é arte-educadora literária, escritora, poeta, revisora, pesquisadora de estudos raciais e professora no ensino básico. Bacharela e licencianda em Letras pela FFLCHUSP. Sua obra trabalha com diversos temas, como a figura feminina, amor, solidão e principalmente questões relacionadas ao ser negro.

Escritoras de Cadernos Negros: contos e poemas afro-brasileiros

Este livro é uma antologia organizada por Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa.

A obra reúne contos e poemas de várias escritoras que contribuem para a série

Cadernos Negros. A obra foca na produção literária de mulheres negras, fortalecendo a literatura afro-brasileira.

AGRADECIMENTOS PELAS DOAÇÕES

André Reinach

Claudia Cavalcanti

Daniel Helene

Dora Cavalcanti Ehrlich (ex-aluna)

Guilherme Silveira (pai de aluno)

Josca Baroukh

Katia Santos Frazão

Mário Zanca Neto

Editora Cultura

Editora Fósforo

Editora Nova Alexandria

Editora Tabla

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