


EDITORIAL
With Orlando Brito, an image was worth far more than a thousand words
The old saying, almost a cliché, that an image is worth more than a thousand words has never been truer than through the lenses of Orlando Brito. Born in Janaúba, in the state of Minas Gerais, from the 1960s it was clear that he knew how to translate Brazil’s – and even the world’s – essential moments into photographs that became references across all latitudes. As a result, he won the Abril Photography Award eleven times, thus being considered hors concours. He was also the first Brazilian to be honored, in 1979, while working for the newspaper O Globo, with the World Press Photo Prize at the Van Gogh Museum, in Amsterdam, the most prestigious award in photojournalism worldwide.
Considered by many an “icon of photojournalism”, Orlando Brito saw the world through the lens of a camera. He knew no other way. “Photography is everything to me. It is what brought me here. I cannot see anything except through a photographic, visual, aesthetic angle. So I cannot do anything that does not go through or touch upon the theme of photography”, Brito stated in an interview with Rádio Câmara, of the Brazilian Chamber of Deputies. In that interview, the photojournalist confessed that photography was “the first and perhaps one of the only passions” of his life.
Rádio Câmara’s interview makes perfect sense. After all, Brito traveled to more than 60 countries, covered World Cups and Olympic Games and photographed everyone from sports stars to ordinary people – records he compiled in six books –, but it was political photojournalism, based in BrasĂlia, that paved his career. He covered every presidential inauguration from Artur da Costa e Silva in 1967 to Jair Bolsonaro in 2019 and documented pivotal moments in Brazil’s political history, such as the closure of Congress in 1977 after the so-called “April Package” imposed by
then general-president Ernesto Geisel. He also captured one of the last – if not the very last – photographs of then congressman Ulysses Guimarães. On October 8, 1992, Brito photographed Ulysses – also known as “Mr. Direct Elections” – on the Congress’ ramp. Four days later, the parliamentarian and president of the National Constituent Assembly died in a helicopter crash in the bay of Angra dos Reis, in Rio de Janeiro. Ulysses also served as the model for one of Brito’s classic photographs, in which the congressman appears only in silhouette – art, politics and journalism in a single instant. Not by chance, the press gallery of the plenary of Brazil’s Senate will now be named “Photojournalist Orlando Brito”.
Despite living very close to the circles of power and having privileged access to them for practically his entire career, Orlando Brito always made a point of emphasizing his commitment “to the absent people”, those who do not climb ramps and often have no voice.
Orlando Brito was the great photographer of the dark period of Brazil’s dictatorship and of the hope of redemocratization – and of everything good and bad that followed. Jornal da USP honors him in this text in recognition of his important contribution to Brazilian society.
Text extracted from Jornal da USP
Published on 03/11/2022
https://jornal.usp.br/?p=497761
























































































EDITORIAL
Com Orlando Brito, a imagem valia muito mais do que mil palavras
Aquela velha máxima, quase um clichĂŞ, que afirma que uma imagem vale mais do que mil palavras nunca foi tĂŁo verdadeira pelas lentes de Orlando Brito. Mineiro de JanaĂşba, desde os anos 1960 Brito soube traduzir em fotografias momentos essenciais do Brasil e mesmo do mundo, fotos que se tornaram referĂŞncia em qualquer latitude. Tanto que, apĂłs ganhar onze vezes o PrĂŞmio Abril de Fotografia, ele passou a ser considerado hors concours. Ele tambĂ©m foi o primeiro brasileiro a ser premiado, em 1979, quando atuava no jornal O Globo, no World Press Photo Prize do Museu Van Gogh, de AmsterdĂŁ, na Holanda, o mais prestigiado prĂŞmio de fotojornalismo do mundo. Considerado por muitos como um “Ăcone do fotojornalismo”, Orlando Brito via o mundo pelas lentes de uma câmera. NĂŁo sabia fazer diferente. “A fotografia Ă© tudo para mim, Ă© o que me trouxe atĂ© aqui. Eu nĂŁo consigo enxergar nada sem ser pelo ângulo fotográfico, visual, estĂ©tico. EntĂŁo, eu nĂŁo consigo fazer nada que nĂŁo passe, que nĂŁo toque, no tema fotografia”, declarou Brito em entrevista Ă Rádio Câmara, da Câmara dos Deputados. Nessa entrevista, o fotojornalista confessou que a fotografia foi “a primeira e talvez uma das Ăşnicas paixões” de sua vida.
A entrevista Ă Rádio Câmara faz todo o sentido. Afinal, se Brito viajou por mais de 60 paĂses, cobriu Copas do Mundo, Jogos OlĂmpicos e fotografou desde astros do esporte a pessoas comuns – e que ele registrou em seis livros –, foi com o fotojornalismo polĂtico e baseado em BrasĂlia que ele soube pavimentar sua carreira. Cobriu todas as posses presidenciais desde Costa e Silva, em 1967, a Bolsonaro, em 2019, e registrou momentos limĂtrofes da histĂłria polĂtica nacional, como o fechamento do Congresso em 1977, depois do chamado “Pacote de Abril” do entĂŁo generalpresidente Ernesto Geisel. É dele tambĂ©m umas das Ăşltimas –
senĂŁo a Ăşltima – foto do entĂŁo deputado Ulysses GuimarĂŁes. Dia 8 de outubro de 1992, Brito clicou o “Senhor Diretas” na rampa do Congresso. Quatro dias depois, o parlamentar, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, morreu em um acidente de helicĂłptero na baĂa de Angra dos Reis. Ulysses tambĂ©m serviu de modelo para uma das fotos clássicas de Brito, aquela em que o deputado aparece apenas em silhueta – arte, polĂtica e jornalismo em um mesmo instantâneo. NĂŁo Ă toa, a tribuna de imprensa do Plenário do Senado Federal vai passar a se chamar “RepĂłrter Fotográfico Orlando Brito”. Mesmo passando praticamente toda sua vida profissional muito prĂłximo aos cĂrculos do poder e tendo acesso privilegiado a ele, Orlando Brito sempre fez questĂŁo de ressaltar seu compromisso “com as pessoas ausentes”, aquelas que nĂŁo sobem rampas e muitas vezes nĂŁo tĂŞm voz. Orlando Brito foi o grande fotĂłgrafo do perĂodo nebuloso da ditadura e da esperança da redemocratização – e de tudo o que de bom e ruim veio a partir daĂ. O Jornal da USP o homenageia neste texto como reconhecimento por sua importante atuação na sociedade brasileira.
Texto retirado do Jornal da USP Publicado em 11/03/2022 https://jornal.usp.br/?p=497761
Credits
Publisher: Carlo Cirenza
Editor: Carlo Cirenza
Graphic Project: Marcelo Pallotta
Designer Assistant: Katharina Pinheiro
Translation: Bruna Martins Fontes
Acknowledgements: Carolina Brito and Fernando GuimarĂŁes
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ISSN 2596-3066


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