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Wave Digital 2026-2

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Entrevista

Som brasileiro conquista o Canadá

Claudia Balladelli

Produtora

Founders

Regina Filippov (In Memoriam)

Teresa Baker Botelho

Editor-in-Chief

Teresa Baker Botelho

Editorial Contributors (print / online)

Alethéa Mantovani

Ana Carolina Botelho

Bárbara Muniz Vieira, LJI Reporter

Gustavo Prado

Izabel Dolhy

Rosemary Baptista

Teresa Botelho

Graphic Design

Creative Team Canada creativeteam.ca

Sales

Hamilton: Rosemary Baptista

Toronto–GTA / National: Teresa Botelho

National Distribution (copies upon request)

Via Canada Post to selected locations across Canada, including Halifax, Montreal, Ottawa, GTA, London, Hamilton, Cambridge, Winnipeg, Edmonton, Calgary, Saskatoon, Vancouver, and other selected areas.

Local Distribution (complimentary)

Delivered by independent distributors to selected locations across the Toronto–GTA region.

Publishing Frequency

Nine issues per year (Print and Digital Editions)

Published by BRZ Group Inc. 403–70 Erskine Ave Toronto, Ontario, Canada M4P 1Y2

Tel: +1 416-488-9895

Email: brazwave@yahoo.ca

ISSN (Print): 1923-1865

ISSN (Online): 1923-1873

Copyright © 2003–2026 BRZ Group Inc. All rights reserved.

Cover Price: $8 CAD

Annual Subscription: $45 CAD (Canada only)

Wave Magazine is an Ontario-based ethnocultural publication dedicated to the Portuguese and Brazilian communities in Canada, available in both print and digital formats. The publication operates under a lean organizational structure and follows a collaborative production model involving volunteer (pro bono) contributors and freelance professionals engaged according to project needs.

CONTACT US: BRAZWAVE@YAHOO.CA

Quebrando barreiras – Mulheres nas profissões técnicas e as oportunidades no Canadá

Mary Simon – 30a Governadora Geral do Canadá. Uma mulher, muitas histórias, um país

Claudia Balladelli – Produtora brasileira impulsiona mulheres e artistas marginalizados em

Perfeccionismo – Do silêncio ao eu: rompendo Padrões Herdados

O café no Canadá – Qualidade, sabor e cultura

CELEBRATING INTERNATIONAL WOMEN’S DAY

Luis Camara Secretary Treasurer

Ricardo Teixeira Recording Secretary

Jack Oliveira Business Manager

Nelson Melo President

Jaime Cortez E-Board Member

Marcello DiGiovanni Vice President

Pat Sheridan E-Board Member

Esta edição é especial. É dedicada ao Dia Internacional da Mulher, dia 8 de março.

Nossa entrevista é com a Banda Trama. Fundada em 1987, no efervescente ambiente musical de São Paulo, o grupo nasceu da união artística de Claudia Lopez e Lucio de Freitas, com a proposta de reinterpretar a música brasileira com identidade própria e sofisticação.

A matéria "Quebrando Barreiras" aborda o papel das mulheres em profissões técnicas, destacando as oportunidades crescentes no Canadá e as tendências de imigração para 2026.

Poucos conhecem a importância do cargo de Governador-Geral do Canadá. Na matéria “Mary Simon, 30ª Governadora-Geral do Canadá: Uma Mulher, Muitas Histórias, Um País”, exploramos a trajetória dessa líder e o impacto de sua atuação no cenário canadense.

Também trazemos o perfil de Claudia Balladelli, produtora cultural brasileira radicada no Canadá desde 1996, que se tornou uma referência na promoção de mulheres e artistas marginalizados em Ottawa, fortalecendo a cena cultural brasileira na cidade.

Na estreia de sua coluna na Wave, Gustavo Prado, mestre em Bioética, apresenta sua perspectiva de um novo tempo, por meio de uma abordagem sobre a mulher e os desafios do momento atual.

Também, agora temos como colunista Izabel Dolhy, psicanalista, que aborda a questão do perfeccionismo no texto "Do Silêncio ao Eu: Rompendo Padrões Herdados".

A matéria "O Café no Canadá – Qualidade, sabor e cultura” ressalta um produto popular e presente em todo o país, tanto nas grandes redes quanto nas cafeterias independentes.

Já que falamos de café, nada mais pertinente do que compartilhar uma receita de frango ao molho de café. À primeira vista, usar café em receitas salgadas pode soar excêntrico, mas essa prática é mais comum do que se imagina, em várias partes do mundo.

Feliz Dia Internacional da Mulher.

Boa leitura!

Fundadaem 1987, no efervescente ambiente musical de São Paulo, a Banda Trama nasceu da união artística de Claudia Lopez e Lucio de Freitas com a proposta de reinterpretar a música brasileira com identidade própria e sofisticação. Quase quatro décadas depois, o projeto ultrapassou fronteiras e encontrou no Canadá um novo palco para expandir a sua arte, consolidando-se como referência de musicalidade brasileira e sucesso no exterior.

Há mais de dez anos radicada em Toronto, a banda fortalece a sua presença em um dos cenários culturais mais cosmopolitas do mundo. Ao dialogar com públicos multiculturais e incorporar influências globais sem perder a essência brasileira, o grupo ampliou de forma consistente a sua projeção internacional, alcançando reconhecimento e êxito junto à crítica e ao público.

Por Alethéa Mantovani, São Paulo
Claudia Lopez (dir.) e Lucio de Freitas (esq.) duo da Banda Trama (Foto: Facebook)

O nome “Trama” traduz a essência do grupo: entrelaçar elementos da música brasileira com influências do pop internacional, preservando as composições originais e acrescentando arranjos próprios, que resultam em uma sonoridade única.

Com sólida formação, Claudia Lopez, que é bacharel em Piano e Música, atua como produtora musical, tecladista e vocalista. Lucio de Freitas, músico desde a infância, transita entre violão, bateria e flauta transversal, além de responder pela produção executiva do grupo. A combinação de técnica, experiência e sensibilidade artística sustenta a trajetória consistente e a identidade marcante da banda.

A dupla se apresenta em eventos corporativos e sociais, bares, restaurantes e shows. Cada repertório é cuidadosamente adaptado ao contexto, reforçando o lema que guia o trabalho do grupo: “Seu evento é único! Música é tudo!”.

Em um mercado exigente e culturalmente rico, a musicalidade brasileira tem sido recebida com entusiasmo. Alguns clássicos, como “Garota de Ipanema”, frequentemente despertam sorrisos e pedidos especiais, revelando a conexão imediata que o repertório estabelece com a plateia.

Com profissionalismo, respeito ao público e constante aprimoramento, a Banda Trama consolida, no Canadá, uma trajetória marcada pela excelência. Mais do que apresentações musicais, o grupo entrega experiências que conectam culturas e reafirmam o alcance universal da música brasileira.

WAVE – A Banda Trama foi fundada em São Paulo, em 1987. Como surgiu a ideia de criá-la e quais eram os principais objetivos musicais no início da trajetória?

BANDA TRAMA – A ideia, até pela escolha do nome, surgiu pelo fato de sempre gostarmos de apresentar as músicas respeitando os elementos da composição em si. Depois, acrescentando elementos nossos aos arranjos originais, também misturando elementos criados pela interpretação de outros artistas. Isso tudo, junto, muitas vezes resulta numa roupagem diferente. Essa “trama” junta fios de diferentes texturas e cria um novo tecido.

Claudia Lopez e Lucio de Freitas
Claudia Lopez e Lucio de Freitas (Foto: Facebook)

WAVE – Há mais de dez anos atuando no Canadá, quais foram os principais desafios e aprendizados nesse mercado?

BANDA TRAMA – Desafios que todo artista, em qualquer segmento, tem pela frente quando imigra. Entender a cultura do novo país, entender a referência que o país tem do Brasil e, principalmente, ter delicadeza, profissionalismo e respeito pelos locais ou pessoas que abrem uma oportunidade para esse artista mostrar o seu trabalho.

WAVE – A banda se define como eclética. Como essa característica se manifesta nas apresentações?

BANDA TRAMA – Cada apresentação tem um contexto em si.

Na área de eventos, dependendo do local, da função, do horário, do tipo de público e do tempo solicitado pelo contratante para a apresentação, direcionamos e organizamos o repertório buscando cumprir o objetivo esperado.

Algumas vezes, surpresas acontecem mesmo com um bom planejamento. Aí entram a delicadeza e o respeito mútuo entre nós e o contratante, para ajustes possíveis.

Na área de show, montamos o roteiro numa dinâmica que represente quem somos musicalmente, misturando estilos de música brasileira com clássicos da música pop.

WAVE – Como o público canadense recebe a musicalidade e a influência brasileira da banda?

BANDA TRAMA – O público canadense, principalmente aqui em Toronto, tem influências do mundo todo. Muitos canadenses são segunda e terceira gerações de imigrantes. Isso é riquíssimo e nos beneficia muito. As pessoas literalmente abrem um sorriso quando sabem que somos brasileiros; muitas vezes começam a cantarolar "Garota De Ipanema" e pedem para tocarmos essa música na íntegra. Isso é muito lindo e gratifican-

Banda Trama, com Claudia Lopez e Lucio de Freitas, em apresentação no evento "Sip and Savour Brazil" no Amica Bayview Village, em Toronto — fevereiro de 2026 (Foto: cortesia Amica Bayview Village)

te. São respeitosos, curiosos e prestam atenção até à distribuição de acordes, aos ritmos diferentes conduzidos pelo violão, ou à valsa, numa inspiração quase clássica na flauta transversal.

WAVE – Vocês se apresentam em eventos corporativos, sociais, bares e restaurantes. Como adaptam o repertório para cada ocasião?

BANDA TRAMA – Entendendo o contexto da apresentação e, muitas vezes, visitando o local com antecedência. Até as instalações, a iluminação e se tem palco ou não, influenciam na escolha desse repertório.

WAVE – Após quase quatro décadas de história, o que mantém a Banda Trama motivada e sempre trazendo uma novidade ao público?

BANDA TRAMA – Nossa vocação, propósito e compromisso com quem somos, com o que gostamos e para quem estamos nos apresentando.

Nosso lema sempre foi: “Seu Evento é único! Música é tudo!”.

O que queremos dizer com isso? Entendemos que uma pessoa se arruma,

sai de casa e quer ter um tempo gostoso para relaxar, encontrar amigos, ou confraternizar e fazer networking. Se a música é inadequada, alta demais, baixa demais ou visivelmente descomprometida com o contexto, esse tempo, que seria gostoso, é desperdiçado por todos os envolvidos.

Toda novidade que surge de nossas inspirações vem de muita observação e muitas conversas, sempre visando ao aprimoramento na nossa música, ao estudo e à atualização de equipamento. E temos visto tudo isso cumprir esses objetivos nesse nosso caminho.

WAVE – Quais são os próximos projetos e os planos da banda no Canadá?

BANDA TRAMA– Continuar nosso caminho, divulgando nossa música e fazendo novos contatos. Falando em contatos, a Banda Trama chegou até vocês através de Dolores Gontijo, uma apaixonada pelo Brasil, pela arte e por proporcionar encontros como esse aqui, com Teresa Botelho e com você, Alethéa Mantovani, que nos entrevistou com tanta excelência. Que venham mais 20 anos de Revista Wave e Banda Trama!

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

Historicamente, profissões técnicas no Canadá — como eletricistas, carpinteiros, encanadores e soldadores — foram dominadas por homens. No entanto, nos dias de hoje, o cenário vem mudando, com mais mulheres ingressando nesses setores, desafiando estereótipos e abrindo oportunidades em áreas essenciais para o crescimento econômico do país.

A demanda por profissionais qualificados está em alta. Segundo a BuildForce Canada, o país precisará de mais de 200 mil trabalhadores nos setores de construção e manufatura na próxima década para atender à expansão industrial e às necessidades de infraestrutura. Essa escassez representa uma boa oportunidade para as mulheres prosperarem nessas profissões. Apesar disso, elas ainda são minoria. Dados do Canadian Apprenticeship Forum indicam que menos de 15% dos aprendizes em profissões técnicas são mulheres. Barreiras culturais, falta de modelos femininos e conhecimento limitado sobre possibilidades de carreira ainda são desafios. Para reduzir essa lacuna, os sindicatos (Unions) têm papel fundamental, oferecendo treinamento, mentoria e suporte para incentivar a entrada e permanência em ambientes tradicionalmente masculinos.

O LiUNA (Labourers’ International Union of North America) destaca-se nesse esforço, promovendo capacitação, certificações e oportunidades de liderança. Outros sindicatos em Ontário, como IBEW (Operating Engineers Union) e UBCJA (United Brotherhood of Carpenters and Joiners of America) também oferecem programas específicos, criando redes de apoio e ambiente mais inclusivo. As profissões técnicas oferecem salários competitivos, segurança no emprego e potencial para empreendedorismo. Eletricistas, encanadores e soldadores podem atingir rendimentos de seis dígitos após alguns anos de experiência. O setor evolui tecnologicamente, com oportunidades em construção sustentável, energias renováveis e manufatura avançada.

Governos, instituições educacionais e sindicatos colaboram em programas de formação e certificações, como Women in Trades Training (BC) e a Estratégia de Profissões Técnicas (ON), facilitando o sucesso das mulheres. O movimento é claro: o setor técnico no Canadá está se tornando mais inclusivo, oferecendo oportunidades crescentes e contribuindo para o futuro econômico do país.

Por Redação Wave, Toronto

O Canadá precisará de

mais de 200 mil trabalhadores nos setores de construção e manufatura na próxima década para atender à expansão industrial e às necessidades de infraestrutura.

—BuildForceCanada

O Canadá anunciou mudanças estratégicas em seu programa de imigração para 2026, focando em profissões essenciais para suprir a escassez de mão de obra e reforçar serviços em todo o país.

O sistema Express Entry passa a priorizar categorias específicas, selecionando candidatos em áreas de alta demanda, alinhadas às necessidades da economia canadense.

Entre as áreas mais procuradas estão saúde e serviços sociais. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e

Foto: © Dragoscondrea

educadores de infância estão em alta demanda devido ao envelhecimento da população e à necessidade de ampliar o acesso a cuidados e serviços comunitários. Recentes sorteios do Express Entry emitiram milhares de convites para essas ocupações, reforçando a prioridade do governo em preencher funções críticas.

A educação também se destaca, com demanda por professores, educadores de infância e profissionais de apoio escolar. Setores como tecnologia e STEM, incluindo desenvolvedores de software, analistas de dados e especialistas em cibersegurança continuam em alta. Também profissões técnicas e de comércio, como eletricistas, encanadores e operadores de equipamentos pesados. A áres de negócios e finanças mantém relevância, principalmente em auditoria, contabilidade e marketing.

O setor de aviação no Canadá apresenta crescente demanda por profissionais qualificados (homens e mulheres), incluindo pilotos comerciais, engenheiros de voo, mecânicos de aeronaves, inspetores de manutenção e técnicos especializados. Com a aposentadoria de profissionais experientes e a chegada de novas tecnologias — como aviões mais eficientes, sistemas de navegação avançados e soluções sustentáveis — a necessidade por mão de obra atualizada nunca foi tão alta. Governos, escolas técnicas e sindicatos têm desenvolvido programas de treinamento e certificações para preparar profissionais e reduzir a lacuna de qualificação. O setor oferece salários competitivos, estabilidade e oportunidades de crescimento, tornando-se uma prioridade clara para imigração e desenvolvimento econômi-

co. Ao alinhar a seleção de candidatos às lacunas do mercado de trabalho, o Canadá busca garantir que sua força de trabalho permaneça competitiva e preparada para os desafios futuros.

Oportunidades profissionais no Canadá em 2026

Saúde e serviços sociais

Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e educadores de infância — Prioridade devido ao envelhecimento populacional e à demanda por serviços comunitários

• Educação

Professores, educadores de infância e profissionais de apoio escolar — Essencial para qualidade do ensino e suporte às famílias

• Tecnologia e STEM

Desenvolvedores de software, analistas de dados e especialistas em cibersegurança — Atende à demanda crescente do setor tecnológico

Profissões técnicas e de comércio

Eletricistas, encanadores, carpinteiros e operadores de equipamentos pesados — Salários competitivos e oportunidades em construção e manufatura

• Negócios e finanças

Auditores, contadores, profissionais de marketing e gestão — Demanda em setores estratégicos da economia

• Aviação

Pilotos, engenheiros de voo, mecânicos, inspetores de manutenção e técnicos especializados — Crescimento impulsionado por tráfego aéreo, transporte de cargas e novas tecnologias. Programas de treinamento e certificações apoiam a preparação de profissionais

Por Redação Wave, Toronto

Mary Simon, Governadora Geral do Canadá (à direita), em evento no parlamento, 2025, que teve como tema Elevate Women – March Forward,

(Foto: Louis Dubé, Rideau Hall)

Quando

Mary Simon tomou posse como a 30ª Governadora Geral do Canadá, em 2021, o momento se tornou histórico e simbólico — especialmente no contexto do Dia Internacional da Mulher. Simon faz parte de uma linhagem de mulheres que já vinham abrindo caminho: Jeanne Sauvé, primeira mulher Governadora Geral (1984–1990); Adrienne Clarkson, primeira pessoa de origem asiática

segurar transições de governo estáveis. Paralelamente, ela representa a nação em eventos oficiais, reconhece cidadãos por meio de honrarias e promove valores de unidade e inclusão.

De forma simples, podemos dizer que Charles III é o Rei do Canadá, o chefe de Estado formal do país. Mas, como ele não mora no Canadá e nem exerce funções diárias aqui, quem o representa no

a ocupar o cargo (1999–2005); Michaëlle Jean, primeira mulher negra e imigrante (2005–2010); e Julie Payette, astronauta e cientista (2017–2021).

A nomeação de Mary Simon pelo Rei Charles III quebrou também outras barreiras: o posto existe desde 1867 e, por mais de 150 anos, nunca havia sido ocupado por alguém de origem indígena. Pela primeira vez, uma pessoa indígena assumia o mais alto cargo viceregal do país, ampliando a representatividade em uma das funções institucionais mais importantes — e muitas vezes menos compreendidas — do sistema canadense. O cargo de Governadora Geral é constitucional e simbólico. Mary Simon não governa nem define políticas públicas; ela atua como representante da Coroa no Canadá, garantindo a continuidade institucional e o funcionamento democrático. Entre suas atribuições estão conceder o consentimento real às leis aprovadas pelo Parlamento, convocar ou dissolver sessões parlamentares e as-

país é a Governadora Geral. Mary Simon cumpre, dentro do território canadense, todas as funções oficiais e constitucionais da Coroa, sendo a ponte entre o Soberano e os cidadãos.

Simon exerce seu papel com serenidade e propósito — qualidades que refletem tanto a sua personalidade, quanto a sua formação cultural. Casada com Whit Fraser, jornalista veterano e ex-líder da Canadian Polar Commission, ela destaca frequentemente a influência das mulheres mais velhas de sua família, especialmente sua mãe e sua avó, como exemplos de força, sabedoria e perseverança. Nascida em Kangiqsualujjuaq, na região de Nunavik, Simon cresceu entre duas heranças culturais. Filha de mãe Inuk e pai inglês que trabalhava para a Hudson’s Bay Company, passou a infância profundamente conectada à terra, às tradições e ao conhecimento ancestral do Norte. Essa formação moldou sua visão de mundo e ajudou a desenvolver a sensibilida -

Mary Simon, Governadora Geral do Canadá (centro), no evento anual da Elevate International em celebração ao Dia Internacional da Mulher, em 2025 (Foto: Sgt Mathieu St-Amour, Rideau Hall)

de, características que mais tarde definiriam sua atuação pública.

“Passei minha vida tentando construir pontes entre diferentes realidades vividas”, declarou certa vez. Essa frase resume sua trajetória e explica por que sua liderança ressoa com tantas mulheres que buscam ocupar espaços historicamente restritos.

Antes de chegar ao Rideau Hall, Simon conquistou reconhecimento internacional como diplomata e defensora dos direitos indígenas. Participou de negociações decisivas, representou povos Inuit em fóruns globais e tornou-se referência em políticas para o Ártico. Sua reputação sempre esteve ligada à escuta atenta e à capacidade de gerar consenso — qualidades essenciais em lideranças transformadoras.

Ao longo de sua trajetória pública, Mary Simon também tem defendido de forma consistente a importância da saúde mental e do bem-estar emocional, incentivando conversas abertas sobre o tema. Em mensagens oficiais e iniciativas

nacionais, ela lembra que cuidar da mente deve ser tão prioritário quanto cuidar do corpo — postura que reforça sua imagem como líder próxima das pessoas, mostrando que empatia e autoridade caminham lado a lado.

Celebrar Mary Simon no Dia Internacional da Mulher é reconhecer mais do que sua trajetória individual. É valorizar o significado coletivo de sua presença em um cargo historicamente ocupado por homens e distante das realidades indígenas. Sua história simboliza progresso, mas também responsabilidade: abrir caminhos para que outras mulheres — de todas as origens — possam ocupar espaços de decisão.

Em um mundo que ainda busca equilíbrio entre igualdade e oportunidade, Mary Simon representa uma verdade simples e poderosa: liderança não é definida apenas por títulos, mas pela capacidade de unir pessoas, honrar identidades e transformar experiências em pontes para o futuro.

Radicada

no Canadá desde 1996, Claudia Balladelli tornou-se um dos nomes mais atuantes na produção cultural brasileira em Ottawa. Chegou ao país motivada pelo desejo de morar fora, aprender inglês e conhecer novas culturas — e, sem planejar, encontrou na cena musical local o espaço que transformaria sua trajetória.

Desde 2021, Claudia lidera o Empowering Women in the Music Industry (EWIMI), uma iniciativa anual criada para oferecer um espaço seguro e profissional para mulheres e pessoas de gêneros diversos. Segundo ela, a motivação veio das “barreiras estruturais” enfrentadas por essas profissionais.

“Ao longo dos anos, percebemos barreiras estruturais, como falta de representação, oportunidades desiguais, assédio, insegurança em ambientes de trabalho e ausência de redes de apoio. Criar um espaço exclusivamente feminino e de gêneros diversos foi a forma que nós da Axé WorldFest encontramos de garantir um ambiente onde as participantes pudessem dialogar livremente, compartilhar vivências, criar conexões significativas e construir soluções juntas.”

O evento, que combina festival, conferência e formação, tem curadoria coletiva feita pela equipe da Axé WorldFest e parceiras como Women in Music Canada, National Arts Centre, Lula Music & Arts e programadoras nacionais e internacionais.

A Axé WorldFest surgiu em 2018 e foi formalizada em 2019, diante do “buraco” que Claudia e a equipe enxergavam na indústria musical local. A ideia inicial era atender artistas internacionais

Claudia Balladelli (Foto: arquivo pessoal)

em turnês que passavam por Montreal e Toronto, mas não encontravam espaço em Ottawa — seja por limitações de palco, seja por cachês incompatíveis.

Saravá!

Mente inquieta, Claudia co-fundou a Saravah, por demanda da própria comunidade brasileira. Com a chegada da irmã Malu Anastácio ao Canadá, em 2020, e seu engajamento com imigrantes recém-chegados, Claudia se uniu a ela e a Silvia Saraiva para criar uma iniciativa voltada a artistas brasileiros com identidades interseccionais — pessoas negras e racializadas, recém-imigrantes, jovens artistas e pessoas 2SLGBTQI+.

A missão é clara: apoiar quem enfrenta barreiras para subir aos palcos profissionais da capital canadense e criar ambientes seguros e representativos tanto para artistas, quanto para o público. Nos eventos, brasileiros recém-chegados ao Canadá ganham ingressos gratuitos.

“A iniciativa de oferecer ingressos gratuitos nasceu da missão central da Saravah: criar espaços culturais onde brasileiras e brasileiros possam se sentir vistos, acolhidos e conectados. Como todas nós somos imigrantes, sabemos que chegar a um novo país pode ser desafiador: isolamento, choque cultural, dificuldades financeiras e a falta de uma rede social são experiências comuns para muitos imigrantes. Por isso, entendemos que a cultura pode ser uma ponte poderosa para a sensação de pertencimento”, analisa Claudia.

Os relatos recebidos após os eventos confirmam o impacto da Saravah: pessoas que fizeram suas primeiras amizades no Canadá, que encontraram oportunidades de trabalho e que reviveram tradições brasileiras de maneira emocional.

“Criar esses ambientes de acolhimento e de orgulho pelas artes, música e nosso patrimônio cultural é fundamental. Isso porque fortalece a autoes-

Claudia Balladelli com Silvia Saraiva e Malu Anastácio. As brasileiras por trás do Saravah (Foto: arquivo pessoal)

tima e identidade cultural dos newcomers, combate a solidão e o isolamento comuns no processo de imigração. Também, gera redes de apoio real entre brasileiros, fomenta uma comunidade mais unida, diversa e ativa em Ottawa e promove integração social através da arte, música e cultura. Acreditamos que cultura é cuidado e quando acolhemos newcomers nos eventos da Saravah, estamos dizendo que eles fazem parte daqui — que há um espaço para eles, suas histórias e suas raízes”, afirma Claudia. No festival brasileiro de junho deste ano, os vendedores de comida esgotaram logo seus produtos, diante de um público muito maior que o previsto — um indicativo de como o evento se tornou ponto de encontro da comunidade.

Trajetória

Depois de estudar inglês no Algonquin College no final dos anos 90, Claudia apostou na área de viagem e turismo, mas logo percebeu que não era o caminho. Trabalhou em agência de viagens, em loja no centro e como guia turística para brasileiros. Nas horas vagas, frequentava o Mercury Lounge, onde, segundo ela, se divertia com a programação variada e a música ao vivo. Foi ali que tudo mudou: chamada às pressas para ajudar na porta em pleno Canada Day, acabou contratada e, em pouco tempo, assumiu funções de hostess, chapelaria, bar e, por fim, a gerência geral.

A experiência abriu portas para uma carreira que já soma mais de duas décadas na indústria musical. De volta ao Canadá após morar na Austrália e viver uma gravi-

dez inesperada, Claudia retornou ao Mercury Lounge como programadora musical, trabalhando de casa enquanto cuidava do flho recém-nascido, Gabriel. Ali ajudou a construir uma programação de quarta a domingo, incluindo noites 2SLGBTQ+, música eletrônica, world music e DJs internacionais. Ao longo dos anos, também produziu shows de artistas brasileiros como Bebel Gilberto, Céu, Rael, Bixiga 70, Da Lata, Drumagick, Florquestra Brasil, entre muitos outros.

Planos e legado

Para os próximos anos, Claudia quer consolidar a Saravah como referência nacional em cultura brasileira, no Canadá. Entre os planos estão expandir o Saravah Brazilian Festival, fortalecer colaborações com organizações culturais do Brasil, do Canadá e da América Latina e criar iniciativas de memória e documentação artística.

O legado que deseja deixar é o do pertencimento: “Que brasileiras e brasileiros que chegam ao Canadá sintam que existe um lugar para eles”. Para a cena musical, ela espera mais visibilidade, oportunidades e circulação de artistas brasileiros, abrindo portas e construindo pontes entre países.

Nestemomento circunstancial para a humanidade, a mulher aparece como a esperança para alcançar um mundo mais compassivo. Certamente, a perspectiva feminina ainda não alcançou o poder mundial, mas ao menos já começa a dominar o mercado laboral. Tomara que não nos autodestruamos antes de chegar ao período em que a mulher dirija os rumos do mundo. É necessário seguir, pois estamos perto.

Tudo tem ciclos, e, desta vez parece que a humanidade patriarcal quer acabar logo com a vida na Terra. Se não é com a poluição da natureza, tenta mais uma vez com armas de destruição massiva, para ver se, por fim, consegue dar um jeito neste planeta (que é o único que temos). Pode ser que a mulher não seja muito diferente do homem, mas é necessário fazer algo para poder ter paz na Terra. Mas qual é o caminho que a mulher fez até aqui?

Gustavo Prado, Toronto*
Imagem ilustrativa (@ © Artem Varnitsin | Dreamstime.com

O Caminho da Educação

Desde os tempos em que não era comum que uma mulher fosse à escola, até o momento presente no qual ela tem amplo acesso à educação (em sociedades desenvolvidas), foi um longo caminho. Em muitos países, já há mais mulheres do que homens no ensino superior, e parece ser uma tendência. Isso está relacionado à maior participação na política e, inclusive, à maior presença em áreas tradicionalmente masculinas. Com maior escolaridade e qualificação profissional, a mulher pode mostrar outros atributos intrínsecos de sua feminilidade que passavam despercebidos para o senso comum. Com maior visibilidade da mulher na ciência, na arte e nos esportes, ela pode reivindicar políticas públicas que protejam setores mais vulneráveis. E podem haver ações contra a violência de gênero e outros tipos de injustiça que a mulher sofre.

O Caminho do Trabalho

Assim como cresceu a participação da mulher na educação, por consequência cresce também sua participação no mercado de trabalho. E ela começa a aparecer em setores diversos, surpreendentemente também em setores competitivos, como tecnologia e liderança corporativa, além de outros segmentos onde tradicionalmente é requerida. Isso está relacionado a outro dado importantíssimo: a redução da pobreza extrema entre mulheres.

Mesmo com esses avanços, continua existindo uma diferença salarial retrógrada, como se fosse possível avaliar o potencial produtivo de uma pessoa por seu gênero. De qualquer modo, a conquista de um trabalho por uma mulher, ou por qualquer pessoa, significa mais que dignidade: significa autonomia econômica. Mas não é por isso, nem por nenhuma razão, que se deve sobrecarregar uma mulher.

Mudança cultural que a mulher traz

Podem se apontar transformações culturais e sociais que ampliam liberdade e autonomia, mas ainda se deve lutar por melhores condições de emprego e redução de desigualdades. Está comprovado que as mulheres ajudam a criar ambientes mais inclusivos e, em muitos sentidos, mais eficientes. Assim, quando o aporte da mulher é respeitado, o mundo deve ser, de alguma maneira, melhor. Assim como a perspectiva masculina deu forma ao mundo, em todos os seus aspectos, assim também, com a ascensão da mulher, o mundo deve mudar de uma maneira muito profunda.

(*) Gustavo Prado é mestre em Bioética pelo Centro Universitário São Camilo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética, Filosofia Moderna e Filosofia da América Latina.

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Como

mulheres, somos, desde muito jovens, sobrecarregadas por uma pressão imensa e expectativas sem sentido, que se agarram a nós antes mesmo de entendermos o que elas exigem de nós. Em muitas culturas — e digo isso como mulher brasileira que viveu isso profundamente — somos ensinadas a nos tornar invisíveis para que os outros possam se sentir vistos. Espera-se que cedamos aos homens não apenas em nossos relacionamentos, mas nas próprias comunidades que nos criam. Ser mulher se torna um exercício de resistência, no qual precisamos pensar incansavelmente em como nos mover pelo mundo com graça, enquanto somos constantemente informadas sobre quem devemos ser, como devemos nos comportar e quais partes de nós precisam ser silenciadas.

E, ainda assim, de alguma forma, ser irmã, filha ou mãe não é considerado suficiente. Somos sempre lembradas de que temos que performar, adaptar-nos e nos desdobrar para corresponder a expectativas que nunca foram escritas com nossas vozes em mente. No entanto, apesar da pressão — ou talvez por causa dela — as mulheres aprendem a crescer mesmo nas

Dolhy (Foto: arquivo pessoal)

frestas. Aprendemos a reivindicar o espaço que nos foi negado e a nos erguer mais altas, mesmo quando o mundo tenta nos dobrar ao meio. Para inúmeras meninas e mulheres, o custo é real, mas a resiliência que vem com isso também é. Como essa pressão aparece? Alguém pode perguntar. Muitas vezes, ela surge nas maneiras como começamos a nos perder, buscando mecanismos de enfrentamento que prometem alívio, mas que lentamente corroem nosso senso de identidade. Para muitas, isso se manifesta em

Por Izabel Dolhy, Toronto*
Izabel

forma de ansiedade ou depressão. E, para fins deste texto, vou focar em uma estratégia de enfrentamento que se esconde à vista de todos: o perfeccionismo. Esse perfeccionismo é a máscara que aprendemos a usar — às vezes polida, controlada, incansavelmente esforçada — mas que, em outras vezes, drena silenciosamente nossas vidas.

O perfeccionismo muitas vezes chega silencioso, disfarçado de força, disciplina ou ambição. Para muitas mulheres, ele começa como uma forma de se sentir segura em um mundo que nos examina o tempo todo. Quando as expectativas se acumulam mais rápido do que conseguimos respirar, o perfeccionismo se torna o escudo que aprendemos a segurar, como uma forma de manter o controle quando tudo ao redor parece incontrolável. Mas, por trás dessa superfície polida, o perfeccionismo raramente é sobre excelência. É sobre medo. Medo de decepcionar, de ser julgada, de não ser suficiente em um mundo que já decidiu o que “ser suficiente” significa para nós.

O perfeccionismo não existe isolado. Ele cresce nas sombras da ansiedade, do medo e da crença silenciosa de que nosso valor precisa ser conquistado. Com o tempo, esse monitoramento constante de nós mesmas cobra um preço na nossa saúde mental. Muitas mulheres começam a sentir um cansaço que parece vir dos ossos, uma sensação de nunca poder descansar ou uma preocupação persistente de que um único erro pode desfazer tudo o que construíram. Essas experiências são comuns e humanas. São sinais do quanto tentamos sobreviver em ambientes que exigiam mais do que podíamos dar.

Entender essa conexão não é sobre culpar a nós mesmas. É sobre reconhecer o terreno emocional que temos percorrido por anos. No entanto, é só no momento em que passamos a ver o perfeccionismo como um mecanismo de defesa, e não como uma falha pessoal, que abrimos a porta para a compaixão. E a compaixão é, muitas vezes, o primeiro passo para a cura.

É assim que o perfeccionismo aparece: nem sempre em colapsos barulhentos, mas nas maneiras silenciosas pelas quais nos abandonamos. Nas noites sem dormir, revivendo conversas. Na autocrítica incessante que se torna a trilha sonora dos nossos dias. Na crença de que, se fizermos tudo certo, ou perfeitamente, talvez finalmente conquistemos a aceitação que nos foi negada.

Esses passos não são soluções rápidas. São movimentos gentis que ajudam as mulheres a passar da autocobrança para a autopermissão.

Nomear o padrão: Muitas mulheres passam anos acreditando que o perfeccionismo é simplesmente “quem elas são”. Mas nomeá-lo como uma resposta à pressão cria espaço entre o eu e o comportamento. É nesse espaço que a mudança começa.

Desafiar a crítica interna: O perfeccionismo prospera na autocrítica severa. Questionar essa voz, mesmo que um pouco, pode suavizar seu poder. Perguntas como “Essa expectativa é realista?” ou “Eu falaria assim com alguém que amo?” podem interromper padrões antigos.

Permitir imperfeições em pequenas doses: A cura raramente começa com grandes gestos. Ela começa quando permitimos que algo seja “bom o suficiente”, mesmo que apenas uma vez. Esses pequenos atos de permissão se acumulam, ensinando lentamente ao sistema nervoso que a segurança não depende de desempenho impecável.

Reconectar-se com valores: O perfeccionismo nos puxa para o que os outros esperam. Reconectar-se com o que valorizamos nos ajuda a reconstruir uma vida que se pareça mais com a nossa.

Buscar apoio: Seja em relacionamentos de confiança ou em orientação profissional, o apoio pode ajudar mulheres a entender as raízes do perfeccionismo e a desenvolver formas mais saudáveis de lidar com ele. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza; é um ato de retomada da própria vida.

(*) Izabel Dolhy é psicoterapeuta com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Realiza atendimentos on-line por meio de sua clínica, Inner Clarity Wellness. Contato: info@innerclaritywellness.ca

Feliz Dia da Mulher!

NoCanadá, o café representa, hoje, muito mais que uma bebida. O que antes era visto como um alimento rico em energia, servido sem cerimônia em grandes jarras como apoio ao trabalho e ao frio, ganhou sofisticação. E na linha do desenvolvimento sustentável, passou a fazer parte do consumo consciente.

Nas últimas décadas, o café ganhou novos contornos no mundo, sendo oferecido também como uma experiência de sabores. No Canadá, a bebida está presente em todo o país, tanto nas grandes redes, como nas cafeterias independentes.

Embora haja grande demanda, vale lembrar que o Canadá, um país frio, não produz café. O produto é importado em grão verde, torrado ou já empacotado, de uma variedade de países tropicais, como Vietnã, Etiópia, Costa Rica, Colômbia e Brasil, entre outros. Em 2023, segundo a Statistics Canada, as torrefadoras canadenses receberam café verde principalmente da Colômbia (26,9%), do Brasil (19,4%), de Honduras (16,8%) e da Guatemala (11,2%).

Por Redação Wave, Toronto
Imagem ilustrativa (Coffee © Viktoria Nikulina | Dreamstime.com)

O cenário em 2025-2026

Nos últimos anos, o mercado canadense no setor do café vem crescendo, colocando o país entre os maiores consumidores do mundo. Em 2025, porém, dois fatores significativos interferiram nesse cenário, gerando escassez e alta de preços para os importadores.

No campo ambiental, as secas e o calor excessivo nos países produtores prejudicaram a produção de café. No âmbito econômico, as altas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos a diferentes países geraram instabilidade. Essas duas condições resultaram em um aumento significativo no preço do café, sentido diretamente no bolso dos canadenses.

Os impactos climáticos e econômicos no mercado canadense podem ser observados a partir do Brasil, país de grande importância no abastecimento de café no Canadá. Segundo o relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), em janeiro de 2026, cerca de 2,5 milhões de sacas foram exportadas para o mercado canadense, representando um volume 30% menor em relação a 2025.

O cenário para 2026-2027

A boa notícia é que, segundo relatório citado pela Reuters sobre dados do banco Rabobank, as projeções indicam uma produção recorde para a safra 2026/27, embora a recomposição dos estoques ainda seja lenta. Além disso, o anúncio dos Estados Unidos sobre redução das taxas de exportação aplicadas mundialmente traz certo alívio.

Para o consumidor canadense, não basta que seja café; é preciso que tenha qualidade. Por isso, o café brasileiro é parte do "mix" das grandes redes, como a Tim Hortons, e também está presente em cafeterias independentes. O avanço do Brasil na linha de cafés sustentáveis e com selos de certificação atende à demanda atual dos consumidores canadenses por produtos certificados. Os grãos com selos orgânicos e de comércio justo (fair trade) tornaram-se

Colheita mecanizada de café em fazenda industrial no Brasil. Imagem ilustrativa (© Alf Ribeiro | Dreamstime.com)

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uma referência importante para países produtores e consumidores. Eles refletem o respeito aos solos, às águas e à biodiversidade, bem como às condições justas de trabalho para mulheres e famílias rurais que cultivam o café. Essa exigência por sustentabilidade — ecológica, social e econômica — integra as demandas do mercado canadense e reforça o compromisso ético dos canadenses.

70% dos adultos continuaram a consumir pelo menos uma xícara por dia. Assim, pedir um double-double — café com duas doses de creme e duas de açúcar — em uma loja da Tim Hortons continua sendo um hábito presente no cotidiano dos canadenses. Ao lado dessas grandes redes, o Canadá abriga também estabelecimentos que oferecem cafés de diferentes origens e perfis, como restaurantes, padarias e cafeterias especializadas. Entre grãos de origem etíope, vietnamita, colombiana ou brasileira, as experiências se tornam únicas.

A relação dos canadenses com o café é intensa, e nem mesmo o aumento dos preços em 2025 os privou de um bom brew coffee, latte ou cappuccino. Um estudo da Canadian Coffee Association revelou que, naquele ano, cerca de

A diversidade de ambientes acolhedores demonstra que o café, ao gosto canadense, é mais do que uma bebida. É também uma forma de aproximar pessoas, fortalecer vínculos, conhecer outras culturas e experimentar novos sabores. E, se o café é tudo isso — e de fato é —, vale o dito brasileiro de que “a hora boa para um café é sempre agora!”

Imagem ilustrativa (Foto: Tyler Olson)

Àprimeira vista, usar café em receitas salgadas pode soar excêntrico. No Brasil, onde o grão é quase um símbolo nacional, ele reina absoluto na xícara — forte, coado, espresso — e raramente ultrapassa a fronteira das sobremesas. No Canadá, apesar da forte cultura de consumo diário e das redes onipresentes, o café também costuma ser associado a bebidas reconfortantes, mas não a molhos ou pratos principais.

Em outras partes do mundo, essa prática é mais comum do que se imagina. No México, o café aparece em versões de mole que combinam especiarias, café e chocolate. Nos Estados Unidos, é frequente em rubs e marinadas para churrasco. Em países da Escandinávia, como Suécia e Dinamarca, ele pode integrar molhos para carnes de caça. Já na Etiópia, berço do café, o grão tem presença cultural profunda e inspira usos culinários variados.

A receita de frango com café que compartilhamos aqui, publicada no villacafe.com, segue uma proposta prática e criativa: combina suavidade e intensidade, tradição e ousadia — convidando você a descobrir o café para além da xícara.

• 1 peito de frango

• 150 mL de café forte

• 50 mL de vinho branco

• 200 mL de nata

• 2 dentes de alho picados

• 1 colher de manteiga

• 1 folha de louro

• sal e pimenta-do-reino a gosto

1. Corte o frango em pedaços pequenos (cubinhos) e tempere com sal

2. Derreta a manteiga em uma panela e doure o frango

3. Acrescente o alho e a folha de louro

4. Deixe fritar bem, retire o frango refogado da panela e reserve

5. Acrescente o vinho e o café na mesma panela

6. Deixe evaporar e adicione a nata

7. Cozinhe por 1 minuto

8. Desligue o fogo e coloque o frango no molho da panela

9. Mexa bem e sirva

Por Redação Wave
Imagem ilustrativa (AI chat GTP)

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