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Wave Magazine is an ethnocultural publication based in Ontario, operating with a lean structure and no formal employees. We cultivate dynamic collaborations with professionals who contribute on a pro-bono basis or as freelancers, engaged per project.
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Hansen – Astronauta canadense sobrevoa a Lua. Um momento histórico
CN Tower – Celebrando 50 anos
Sabores do Canadá - Festivais gastronômicos de costa a costa
Lucia Rios Maia da Silva – Psicóloga brasileira pesquisa uso de plantas medicinais para a saúde mental
Minerais críticos – A aposta canadense no presente e no futuro
Caipirinha Society – Grupo leva os clássicos do rock brasileiro para sua primeira turnê pelo Canadá
Receita – Parfait vermelho e branco com morangos e mapple syrup






O n b e h a l f o f L i U N A L o c a l 5 0 6 , w e p r o u d l y c e l e b r a t e t h e s t r e n g t h ,
d i v e r s i t y , a n d r e s i l i e n c e t h a t m a k e C a n a d a a g r e a t n a t i o n .
T o d a y , w e r e c o g n i z e t h e h a r d w o r k i n g m e n a n d w o m e n w h o s e
d e d i c a t i o n h e l p s b u i l d o u r c o m m u n i t i e s a n d s h a p e o u r c o u n t r y ' s f u t u r e .
A s w e g a t h e r w i t h f a m i l y , f r i e n d s , a n d n e i g h b o u r s , l e t u s t a k e p r i d e i n
a l l t h a t w e h a v e a c c o m p l i s h e d t o g e t h e r .
W i s h i n g a l l o u r m e m b e r s a n d t h e i r f a m i l i e s a s a f e , h a p p y , a n d m e m o r a b l e C a n a d a D a y !

Por Redação Wave, Toronto
edição de verão, a capa traz um momento histórico: o astronauta canadense Jeremy Hansen, que se tornou o primeiro canadense a viajar até a órbita da Lua na missão Artemis II. Também, comemoramos os 50 anos da CN Tower, um dos maiores símbolos do Canadá.
Convidamos você a descobrir os principais festivais gastronômicos do país, que transformam cidades de costa a costa em verdadeiros destinos para amantes da boa comida.
Ciência e saúde se encontram em um estudo pioneiro da psicóloga brasileira Lúcia Rios Maia da Silva, da Universidade de Ottawa. Sua pesquisa explora a contribuição de plantas medicinais e psicodélicos na saúde mental de imigrantes.
Mostramos ainda como os minerais críticos colocam o Canadá em posição estratégica para impulsionar as tecnologias da economia verde.
Na cultura, destacamos a primeira turnê canadense do Caipirinha Society, grupo que promete emocionar o público com clássicos do rock brasileiro.
E, para entrar no clima das comemorações, encerramos a edição com uma receita rápida e refrescante de Parfait vermelho e branco com morangos e maple syrup, inspirada nas cores da bandeira canadense e nos sabores do verão.
Boa leitura!



Por Teresa Botelho, Toronto

Jeremy
Ocoronel da Força Aérea Real Canadense, natural de London, na província de Ontário, tornou-se o primeiro canadense da história a viajar até a órbita da Lua como integrante da missão Artemis II, da NASA. Mais do que isso, entrou para a história como o primeiro astronauta não
americano a ultrapassar a órbita baixa da Terra, um marco que representa um novo capítulo para a exploração espacial canadense.
Lançada em 1º de abril de 2026, a missão teve duração de dez dias. A bordo da espaçonave Orion, a tripulação realizou um sobrevoo ao redor

da Lua antes de retornar em segurança à Terra. Foi a primeira missão tripulada ao redor do nosso satélite natural desde o fim do programa Apollo, exclusivo da NASA, há mais de cinco décadas.
Para o Canadá, a participação na Artemis II representou a confirmação de que a ciência, a tecnologia e a capacidade de colaboração do país continuam desempenhando um papel fundamental na construção do futuro cósmico da humanidade. A contribuição canadense ao programa internacional Artemis — incluindo tecnologias avançadas de robótica e o desenvolvimento do futuro Canadarm3, que será utilizado na estação lunar Gateway — garantiu ao país um lugar nessa missão histórica.
Pouco depois de retornar à Terra, Jeremy Hansen compartilhou suas impressões em entrevistas concedidas no Johnson Space Center, da NASA, em Houston. Hansen destacou que
a conquista não era apenas pessoal, mas resultado do trabalho de gerações de canadenses que ajudaram a construir o programa espacial do país. Cientistas, engenheiros, professores e visionários receberam dele o reconhecimento por terem tornado essa missão possível.
Em suas declarações, Hansen evitou colocar o foco em si mesmo. Preferiu destacar a importância do trabalho em equipe e da cooperação internacional.
Ao contemplar a Terra a centenas de milhares de quilômetros de distância, o astronauta afirmou ter sentido ainda mais esperança no futuro da humanidade. Explicou que a viagem reforçou sua convicção sobre a importância de um trabalho integrado e conjunto. Suas palavras ganham um significado especial em um mundo marcado por tensões políticas e barreiras nacionais. A Artemis II monstrou o que a ciência e a colaboração
internacional podem alcançar em torno de um objetivo comum.
Além de completar uma volta ao redor da Lua, a tripulação da Artemis II estabeleceu um novo recorde de distância. Durante a missão, Jeremy Hansen e seus companheiros viajaram mais de 406 mil quilômetros, superando a marca anteriormente registrada pelos astronautas da missão Apollo 13. Dessa posição privilegiada, contemplaram o nascer da Terra sobre o horizonte lunar, a superfície da Lua e a imensidão do espaço profundo — uma experiência vivida por pouquíssimas pessoas em toda a história.
Em determinado momento da viagem, Hansen descreveu a vista como "simplesmente inacreditável", incentivando as futuras gerações a continuarem expandindo os limites da exploração espacial.
Para jovens canadenses que sonham em seguir esse caminho, a Agência Espacial Canadense procura profissionais com sólida formação em áreas como: ciências, engenharia, medicina, matemática, tecnologia, aviação e pesquisa científica.
Além da formação acadêmica, há outras características de destaque. Um excelente preparo físico, capacidade de trabalhar em equipe, liderança, raciocínio rápido, habilidade para resolver problemas e resiliência são considerados essenciais.
A trajetória de Jeremy Hansen começou muito antes da missão Artemis II. Depois de concluir sua graduação em Ciências Espaciais no Royal Military College of Canada, ele tornou-se piloto de caça da Força Aérea Real Canadense. Em 2009, foi selecionado pela Agência Espacial Canadense (CSA) entre milhares de candidatos. Durante mais de uma década, participou de um intenso programa de treinamento, apoiou operações da Estação Espacial Internacional (ISS), ajudou a desenvolver programas de treinamento para astronautas e preparou-se para futuras missões espaciais.
A história de Jeremy Hansen deixa uma importante lição: astronautas não nascem extraordinários. Eles se tornam extraordinários por meio de anos de estudo, disciplina, curiosidade e perseverança.

Para saber mais sobre o programa espacial do Canadá, visite o portal oficial da Agência Espacial Canadense (CSA ou ASC). A agência coordena todos os programas civis relacionados ao espaço e avança no conhecimento espacial por meio da ciência e robótica. Siga o link: https://www.asc-csa.gc.ca/eng/

As perguntas e respostas apresentadas a seguir são baseadas em entrevistas concedidas por Jeremy Hansen à Agência Espacial Canadense (CSA), à NASA e à mídia canadense antes, durante e depois da missão Artemis II.
1. Jeremy, como foi se tornar o primeiro canadense a viajar ao redor da Lua?
Jeremy Hansen: Foi uma honra incrível. Eu não estava representando apenas a mim mesmo, mas o Canadá e todas as pessoas que ajudaram a construir o programa espacial do nosso país. Senti muito orgulho em saber que os canadenses faziam parte de uma missão tão importante.
Wave: Hansen costuma dizer que essa conquista pertence a todos os canadenses. A experiência do Canadá em robótica e tecnologia espacial foi fundamental para garantir ao país um lugar na histórica missão Artemis II.
2. Qual foi a coisa mais incrível que você viu no espaço?
Jeremy Hansen: Olhar para a Terra de tão longe foi inesquecível. Nosso planeta parecia lindo, tranquilo e muito pequeno. Isso me fez perceber que todos nós compartilhamos o mesmo lar.
Wave: Muitos astronautas descrevem essa experiência como o "efeito visão geral" (overview effect) — quando se vê a Terra sem fronteiras e se compreende o quanto toda a humanidade está conectada.
3. Você sentiu medo?
Jeremy Hansen: Toda missão espacial envolve riscos. O mais importante é
estar muito bem preparado. Treinamos durante anos para que, se algo inesperado acontecesse, soubéssemos exatamente como agir.
Wave: Hansen treinou e se capacitou por mais de 15 anos antes de finalmente viajar ao espaço.
4. O que um astronauta faz antes de uma missão?
Jeremy Hansen: Passamos anos aprendendo. Estudamos os sistemas da nave espacial, treinamos procedimentos de emergência, fazemos exercícios em piscinas que simulam a ausência de gravidade, pilotamos aeronaves, praticamos atividades físicas quase todos os dias e aprendemos a trabalhar em equipe.
Wave: Tornar-se astronauta não depende apenas de inteligência. Também é preciso saber resolver problemas, manter a calma e confiar nos colegas.
5. É preciso ser piloto para se tornar astronauta?
Jeremy Hansen: Não. Os astronautas vêm de diferentes profissões. Alguns são engenheiros, médicos, cientistas ou pesquisadores. O mais importante é ter curiosidade, saber trabalhar em equipe e nunca parar de aprender.
Wave: Hansen foi piloto de caça antes de se tornar astronauta, mas muitos astronautas nunca pilotaram aeronaves militares.
6. Que conselho você daria para as crianças que sonham em viajar para o espaço?
Jeremy Hansen: Nunca deixem de ser curiosos. Façam perguntas. Aprendam o máximo que puderem. Não tenham medo de matérias difíceis, como matemática e ciências. Elas abrem portas para oportunidades incríveis.
Wave: Hansen visita escolas, apostando nos estudantes que construirão as missões do futuro.


7. O que mais surpreendeu você ao viajar ao redor da Lua?
Jeremy Hansen: Nenhuma fotografia consegue preparar você para vê-la com os próprios olhos. A Lua é simplesmente deslumbrante, e enxergar a Lua e a Terra ao mesmo tempo foi uma experiência que jamais esquecerei.
Wave: A Artemis II tornou-se a primeira missão tripulada a viajar ao redor da Lua em mais de 50 anos.
8. O que vem pela frente para o Canadá na exploração espacial?
Jeremy Hansen: Isso é apenas o começo. O Canadá continuará contribuindo para as futuras missões lunares com novas tecnologias, como o Canadarm3. E os jovens de hoje podem se tornar os astronautas, engenheiros, cientistas e inventores de amanhã.
Wave: O próximo grande salto do Canadá no espaço pode começar com um jovem estudante que está lendo esta revista neste momento.

Fonte: https://www.asc-csa.gc.ca/eng/



Por Redação Wave, Toronto
símbolos representam o Canadá de forma tão imediata quanto a CN Tower. Este ano, 2026, a torre celebra seu 50º aniversário, marcando meio século como um dos monumentos mais reconhecidos do mundo e uma das principais atrações turísticas do país.
A história da CN Tower começou no início da década de 1970. O rápido crescimento de Toronto trouxe consigo um desafio inesperado: os novos arranha-céus estavam interferindo na transmissão dos sinais de rádio e televisão. A então estatal ferroviária Canadian National Railway (CN) decidiu construir uma torre de comunicações alta o suficiente para resolver esse problema. O projeto, porém, rapidamente ganhou uma dimensão muito maior: criar um marco arquitetônico que representasse o futuro do Canadá.
Em 26 de junho de 1976 a torre foi inaugurada e, 50 anos depois, ainda se mantém como um ícone do Canadá e do mundo.

Inaugurada em 1976, a CN Tower é um ícone não só de Toronto, mas de todo o Canadá
(Foto: Msghita | Dreamstime.com)

As obras começaram em 6 de fevereiro de 1973. Durante pouco mais de três anos, milhares de trabalhadores participaram da construção, usando técnicas avanças para a época. A inauguração oficial aconteceu em 26 de junho de 1976.
Durante mais de três décadas, a CN Tower ostentou o título de estrutura independente mais alta do mundo, posição que manteve até 2007, quando foi superada pelo arranha-céu Burj Khalifa, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Mesmo após perder esse recorde, ela continua entre as torres mais altas do planeta e permanece como uma das estruturas mais emblemáticas da América do Norte.
Erguendo-se a mais de 500 metros de altura, no coração de Toronto, a CN Tower continua sendo um símbolo da engenharia canadense, da inovação tecnológica e do crescimento da maior cidade do país. Ao longo de cinco décadas, milhões de visitantes subiram até seus observatórios para admirar a vista panorâmica da região da Grande Toronto e do Lago Ontário.
• Possui 553,3 metros de altura.
• Foram utilizados aproximadamente 40 mil metros cúbicos de concreto em sua construção.
• Seu elevador alcança cerca de 22 km/h, levando os visitantes ao observatório principal em menos de um minuto.

• Recebe aproximadamente 2 milhões de visitantes por ano.
• É iluminada todas as noites por um moderno sistema de luzes LED com milhões de combinações de cores.
• Além da função turística, a torre continua desempenhando um papel essencial na transmissão de sinais de televisão, rádio e telecomunicações para milhões de pessoas na região.
• Em 1995, a American Society of Civil Engineers reconheceu a CN Tower como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno da Engenharia, ao lado de obras como o Canal do Panamá e a Ponte Golden Gate. O reconhecimento destacou não apenas sua altura impressionante, mas também as técnicas inovadoras utilizadas durante sua construção.
EdgeWalk – É considerada uma das experiências urbanas mais radicais do planeta: preso por cabos de segurança, caminha-se pela parte externa da torre, a 356 metros de altura.
Main Observation Level – Oferece uma vista panorâmica de 360 graus.
Glass Floor – Os visitantes caminham sobre um piso transparente de vidro a mais de 340 metros de altura.
SkyPod – É um dos observatórios mais altos do mundo, com visibilidade de até 160 quilômetros em dias claros.
360 Restaurant – É um restaurate giratório que completa uma volta a cada 72 minutos. Ideal para apreciar Toronto em diferentes ângulos.


nadá é conhecido por sua diversidade cultural, e poucas experiências traduzem isso tão bem quanto seus festivais gastronômicos. De costa a costa, várias cidades promovem semanas especiais em que restaurantes oferecem menus completos com preços promocionais fixos. Essas iniciativas incentivam moradores e turistas a descobrir novos sabores, conhecer chefs renomados e explorar diferentes bairros locais.
Embora cada festival tenha sua própria identidade em cada parte do país, todos compartilham o mesmo objetivo: tornar a alta gastronomia
mais acessível ao público e incentivar a descoberta de novos restaurantes. Para os visitantes, é uma excelente oportunidade de experimentar menus elaborados por uma fração do preço habitual. Para os restaurantes, é uma vitrine para conquistar novos clientes.
Cada cidade revela sua personalidade por meio da culinária, dos ingredientes regionais e das influências culturais trazidas por comunidades de todas as partes do mundo. Afinal, no Canadá, conhecer um destino também significa sentar-se à mesa e provar sua história.



Summerlicious
Em Toronto, o destaque é o Summerlicious, realizado todos os anos durante o verão. Em 2026, mais de 240 restaurantes participam do festival, representando cozinhas de mais de 20 países, do Brasil ao Japão, de Portugal ao Egito. O sucesso é tão grande que a cidade também promove o Winterlicious, edição realizada durante o inverno canadense.
Neste ano, a culinária brasileira está representada pela churrascaria Copacabana, localizada no endereço 150 Eglinton Ave. (perto da Yonge). Esse é um dos poucos lugares onde é oferecido o sistema de rodízio de carnes na cidade. E para quem quer saborear a sofisticação da culinária portuguesa, vale a pena uma visita ao tradicional restaurante Chiado, localizado na 864 College St. — Explore a lista de todos os participantes do Summerlicious em: toronto.ca/explore-enjoy/festivals-events/summerlicious



Dine Out Vancouver
Além dos tradicionais menus com preço fixo, o maior festival gastronômico do país oferece cardápio variado e degustações de vinhos. Oficinas culinárias e experiências com chefs transformam a cidade em um verdadeiro destino para amantes da boa mesa. Mais em: dineoutvancouver.com
Dine Around & Stay in Town
O evento culinário local Dine Around & Stay in Town combina gastronomia e turismo. Muitos hotéis oferecem pacotes especiais que incluem hospedagem e refeições, incentivando os visitantes a explorar a cidade durante o inverno. Mais em: tourismvictoria.com/eat-drink/ dine-around
The Big Taste
Nas pradarias canadenses, a cidade de Calgary realiza o YYC EXP – The Big Taste, um festival que destaca ingredientes produzidos em Alberta. Além disso, valoriza produtores locais e promove cervejarias artesanais. Mais em: tasteofcalgary.com
Já na costa atlântica, Halifax promove o Dine Around, que celebra a culinária marítima da Nova Escócia. Frutos do mar frescos, lagostas, ostras e peixes locais dividem espaço com restaurantes internacionais que refletem a crescente diversidade cultural da região. Mais em: downtownhalifax.ca/dinearound
O Londonlicious é um festival gastronômico que valoriza estabelecimentos que apoiam agricultores, produtores e cultivadores locais. O evento incentiva o consumo de alimentos produzidos na província. Mais em: londonlicious.ca


A cidade oferece menus especiais em restaurantes independentes durante o verão, atraindo moradores e visitantes, unindo boa comida e hospitalidade. Mas é no período do inverno que o festival realmente ganha força. Mais em: kingstonfoodtours.ca/



Por Bárbara Muniz, LJI Reporter, Ottawa

Apsicóloga brasileira Lúcia Rios
Maia da Silva encontrou no Canadá um objeto de pesquisa que mudou sua prática clínica. Doutoranda em Psicologia Experimental na Universidade de Ottawa, Lúcia desenvolve uma investigação sobre como o uso de psicodélicos pode contribuir para uma inserção social positiva na vida de imigrantes. Seu trabalho é principalmente sobre o uso de plantas medicinais, como o rapé, e psicodélicos, como a psilocibina.
Lúcia, porém, prefere usar o termo “plantas mestres” em vez de psicodélicos.
“Psicodélico quer dizer ‘mente revelada’, um termo muito usado dentro do campo de pesquisa da psicologia e que traz essa ideia de que existem conteúdos reprimidos no nosso inconsciente que demandam tempo de escuta e elaboração da sua própria fala e subjetividade dentro de um espaço de acolhimento. Psicodélico, porém, não é o meu termo preferido porque eu me aproximei dessas plantas por uma perspectiva indígena e, em outros campos do saber, elas são chamadas de plantas mestres, de plantas de poder e plantas sagradas.”
Lúcia explica que a forma como a psicologia se institui no campo científico é mais focada no humano. “Isso foge à ideia de pesquisa que eu proponho", diz ela. Sua pesquisa está mais interessada no encontro e diálogo com outras entidades por meio das plantas. “Para mim, este encontro é uma forma de diálogo e de conseguir se vulnerabilizar para perceber coisas nesse ambiente, nessa troca. É quase uma cartografia de vidas”, descreve.
“Como as pessoas se reconstroem social, profissional e afetivamente enquanto se abrem para esses encontros com a natureza?” Lúcia questiona.
Segundo a pesquisadora, a psiquiatria e a medicina tradicionais se apropriam de plantas indígenas para tratar sintomas, mas a cura vem de um lugar diferente.
“A cura vem da forma como a gente se relaciona com tudo ao redor, não é uma lógica de domínio da planta, de apropriação de uso, mas uma lógica de troca, sem ser hierárquica.”
Mais recentemente, Lúcia lançou sua prática clínica voltada para imigrantes ao redor do mundo. Através do

site Lines of Becoming, ela oferece atendimentos para quem vive o desafio de reconstruir identidade, pertencer a novos territórios e, eventualmente, explorar a relação com plantas sagradas.
“Quando você deixa suas raízes e cruza fronteiras, algo em você já se abre ao encontro. Eu acredito que somos seres políticos, que somos atravessados por várias dinâmicas, várias forças de onde a gente vem. Mas acredito também que somos seres em movimento, seres muito potentes e quanto mais a gente se abre ao encontro, quanto mais alegre o nosso corpo, mais potente é o nosso corpo, mais potente é a nossa vida, a nossa subjetividade.”
A pesquisa de Lúcia é sobre o uso de “plantas mestras”; ela prefere usar o termo indígena que salienta sua percepção dessas plantas como instrumento de cura.
Quando desembarcou em Winnipeg, em fevereiro de 2019, Lúcia não buscava apenas segurança. Carregava o peso de um país dividido, onde sua atuação profissional — e sua vida como mulher lésbica e militante de esquerda — haviam se tornado, segundo ela, “social e afetivamente insustentáveis”, depois da eleição de Jair Bolsonaro. “A gente decidiu sair pela nossa segurança”, resume.
Winnipeg, cidade marcada por uma história de comércio de peles, isolamento geográfico e forte presença indígena foi a escolha da psicóloga.
“É uma terra muito forte. Uma terra de muito sangue derramado nas lutas dos povos originários”, diz.

Ali, dois anos após a chegada, Lúcia enfrentaria o divórcio e o duro isolamento imposto pela pandemia. O medo de perder a família no Brasil, devastado pelo vírus, atravessou sua saúde mental. Mas foi nesse período que ela começou a se aproximar das cosmologias indígenas de Manitoba, especialmente da relação profundamente espiritual com o território.
“Para a ontologia indígena, a natureza é parte da identidade. As plantas são seres com os quais você dialoga, e não objetos de apropriação”, explica. Essa aproximação abriria o caminho para o encontro que mudaria sua trajetória acadêmica e clínica.
Antes de emigrar, Lúcia já havia atendido pacientes que faziam uso ritualístico da ayahuasca no Brasil, em contextos variados — de práticas sincréticas a rituais xamânicos. Mas nunca havia tido sua própria experiência.
No Canadá, diante da conexão com as comunidades indígenas locais, ela finalmente se permitiu experimentar “as plantas mestres”: não em laboratórios nem em ambientes clínicos controlados, mas na natureza, com amigos e com respeito às ontologias indígenas.
“Foi uma experiência de diálogo, de vulnerabilidade. Eu prefiro esse encontro naturalista a um set clínico. Mas respeito quem precisa de um ambiente mais controlado. Cada um sabe da própria dor”, afirma.
O interesse acadêmico por psicodélicos tem crescido em todo o mundo. No Canadá, pesquisas com ketamina para depressão resistente, psilocibina para ansiedade severa, iboga para dependência química e MDMA para estresse pós-traumático, especialmente em veteranos militares, avançam em instituições de ponta. Mas Lúcia vê limites importantes nessa abordagem biomédica.
“A psiquiatria extrai moléculas e transforma a planta em remédio para tapear sintomas. É uma apropriação de saber ancestral”, critica. “O sofrimento,
se tratado só no sintoma, vai encontrar outra forma de aparecer.”
Na Universidade de Ottawa, Lúcia também integra um grupo de estudos e práticas com rapé, medicina indígena baseada no tabaco e usada em rituais de diversas etnias brasileiras e latino-americanas.
O grupo nasceu dentro de um curso de etnobotânica e rapidamente se expandiu como espaço de construção comunitária e interconexão espiritual.
Seu objetivo ali é simples e profundo: criar um ambiente seguro, diverso e não apropriatório para compartilhar saberes e experiências.
Para Lúcia, o debate sobre psicodélicos ultrapassa o laboratório, o consultório e as fronteiras nacionais. Ela defende que a política global de drogas se torne mais flexível e humana — permitindo usos conscientes, comunitários e preparados dessas medicinas.
“É muito audacioso o ser humano achar que pode criminalizar uma planta”, afirma. “Esquecemos que é uma relação. Quando controlamos demais a natureza, adoecemos juntos.” —Lúcia Rios
Entre territórios, tradições ancestrais e ciência, Lúcia segue construindo — e permitindo — encontros. Porque, para ela, a potência da vida está justamente nisso: na abertura para o que ainda podemos nos tornar.

Este texto foi adaptado do original publicado pela Wave no frequencynews.ca

O Canadá é um dos países mais bem posicionados para fornecer minerais críticos à economia verde. O país possui extensas reservas de potássio, níquel, cobalto, grafite, lítio, cobre e terras raras.
Por Ana Botelho, Toronto



Fotos: (esq.) CPU ©Freedomimage; (centro) turbina eólica em Quebec ©Meunierd; (direita) painéis solares na Colúmbia Britânica ©Petr Svec
Nosúltimos anos, a expressão “minerais críticos” ganhou presença em toda parte. Virou assunto obrigatório em relatórios oficiais e debates acadêmicos, na mídia internacional e em conversas sobre o futuro da energia e da tecnologia. Mas afinal, o que são esses minerais e por que eles têm tanto peso hoje?
Minerais críticos são aqueles indispensáveis para a economia e para a segurança, mas cuja oferta pode ser incerta ou depender de poucos países fornecedores — como a China, o maior
produtor mundial. É justamente por isso que recebem essa classificação. Oficialmente, o Ministério de Recursos Naturais (Natural Resources Canada) lista 34 minerais e metais considerados críticos. Entre eles estão o lítio, o cobre, o níquel e o grafite, todos fundamentais para a transição energética e para a economia digital.
Esses minerais são vistos como peças estratégicas da economia mundial. São eles que sustentam a redução da dependência do petróleo pelo uso de fontes mais limpas e renováveis.

Na chamada transição energética, os minerais críticos são fundamentais em baterias de veículos elétricos e painéis solares, por exemplo. Também garantem os data centers e sistemas de inteligência artificial do mundo digital e são vitais para defesa e segurança, presentes em satélites, radares e sistemas de comunicação.
Entre os minerais críticos, um grupo merece destaque especial: as terras raras. Nem terras, nem raras, esses 17 elementos químicos dispersos na natureza são considerados centrais na agenda canadense por desempenharem papel decisivo em tecnologias de ponta. Estão presentes em turbinas eólicas, radares, motores de veículos elétricos e dispositivos médicos, entre outros.
Mas o principal desafio atual está na concentração da produção e do processamento das terras raras pela China, que responde por mais de 60% do mercado mundial. Isso significa que boa parte das economias avançadas, incluindo Canadá, Estados Unidos e União Europeia, ainda dependem de
um único fornecedor para garantir o funcionamento de setores estratégicos. Essa dependência gera vulnerabilidade já que qualquer instabilidade política ou decisão comercial de Pequim pode impactar diretamente cadeias globais de energia, tecnologia e defesa.
O Canadá tem reservas significativas de minerais críticos e está entre os maiores produtores de níquel no mundo. Em 2022, o Ministério de Recursos Naturais lançou o documento Critical Minerals Strategy, destinando cerca de 3,8 bilhões de dólares canadenses para ampliar a exploração, o processamento e a inovação nesse setor. A ideia não é apenas extrair, mas também refinar e agregar valor à cadeia completa, diminuindo a dependência de importações e reforçando a segurança mineral nacional.
De olho no futuro, o Canadá quer transformar toda essa riqueza em uma economia mais integrada e estratégica.
Nesse novo mapa do poder mundial, os minerais deixaram de ser apenas “assunto da mineração” e passaram a ocupar o centro do desenvolvimento em tecnologia, energia e defesa.
Nesse sentido, o país precisa não só dominar as etapas de produção —como o refino e a conversão química—, mas também, formar profissionais especializados e incentivar parcerias entre governo, indústria e universidades. A meta é sustentar setores-chave como o automotivo, o tecnológico, o energético e o de defesa, sempre com foco em inovação e mão de obra qualificada em prol de uma mineração limpa —valorizada tanto pelos governos quanto pela população.
Dados do Statistics Canada de 2023 ajudam a dimensionar a relevância econômica do setor. A produção de minerais críticos representou cerca de 1% da economia nacional, empregando quase 55 mil pessoas. Em termos da distribuição nas províncias, Québec concentra reservas de lítio e projetos de terras raras e Ontário é forte em níquel e grafite. Saskatchewan lidera no potássio e a Colúmbia Britânica tem grandes operações de cobre. Essas regiões formam a espinha dorsal da estratégia canadense para garantir suprimento confiável e diversificado.
No campo ambiental, o Canadá busca reduzir custos com inovação e práticas sustentáveis, oferecendo incentivos fiscais e financiamento para projetos de mineração limpa. A ideia é atrair investidores e garantir que o país seja visto como fornecedor confiável e com capacidade de resposta a crises globais. Nesse cenário, o Canadá se posiciona como ator central, capaz de coordenar políticas e garantir estabilidade, ao mesmo tempo em que transforma seus recursos naturais em vantagem estratégica.
Os minerais críticos — incluindo as terras raras, com seu peso decisivo na indústria de defesa e nas tecnologias digitais — são peças fundamentais de um tabuleiro que define o futuro da energia e da tecnologia. Atento a isso, o Canadá já atua para estar entre os protagonistas dessa nova era, usando suas reservas e sua capacidade de inovação para ocupar um lugar de destaque no mapa do poder mundial.











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Por Redação Wave, Toronto

O grupo Caipirinha Society, "power trio" formado em Portugal, faz tour no Canadá em agosto de 2026. Mais em: caipirinhasociety.net (Foto: divulgação)
Paramilhares de brasileiros que vivem no exterior, basta ouvir os primeiros acordes de uma música das bandas Legião Urbana, Paralamas do Sucesso ou Titãs para viajar no tempo. É justamente essa conexão afetiva que o grupo Caipirinha Society promete levar ao público canadense durante sua primeira turnê pelo país, em agosto de 2026.
Depois de conquistar comunidades brasileiras em diversos países europeus, o trio brasileiro radicado em Lisboa desembarca no Canadá para três apresentações: Montreal, Toronto e Ottawa. A expectativa é reunir brasileiros de diferentes gerações em um espetáculo de aproximadamente duas horas dedicado aos maiores sucessos do rock e pop rock nacional.
O Caipirinha Society nasceu da amizade de infância entre Pablo Romeu (voz e guitarra), Gabriel Carvalho (baixo e backing vocals) e Pedrinho Ribeiro (bateria e percussão).
Naturais de Recife, os três se mudaram para Lisboa há cerca de oito anos. Foi vivendo em Portugal que perceberam uma lacuna nos palcos europeus: havia muitos artistas brasileiros, mas poucos projetos dedicados ao repertório do rock brasileiro que marcou as décadas de 1970 até os anos 2000. A ideia evoluiu para um "power trio", cuja proposta vai além de tocar clássicos.
Cada música recebe novos arranjos, preservando a essência das composições, mas acrescentando a energia característica de uma formação enxuta de guitarra, baixo e bateria.
Nos primeiros anos, o Caipirinha Society concentrou suas apresentações principalmente em Lisboa e Porto. Nos últimos meses, porém, o projeto ganhou dimensão, realizando shows em cidades como Madrid, Bar-
celona, Paris, Lyon, Bruxelas, Berlim, Luxemburgo, Dublin e Londres.
O grupo também vem ampliando sua presença nas redes sociais, reunindo cerca de 26 mil seguidores e acumulando centenas de milhares de visualizações mensais em seus vídeos.
Um diferencial apontado pela banda é que esse crescimento ocorreu principalmente por meio das apresentações ao vivo e da recomendação espontânea do público, e não apenas pelas plataformas digitais.
A estreia no Canadá representa um novo passo na internacionalização do projeto. O país abriga uma das comunidades brasileiras mais vibrantes fora do Brasil, especialmente nas regiões de Toronto, Montreal e Ottawa, cidades escolhidas para esta primeira mini-turnê.
Para muitos imigrantes, ouvir essas músicas significa revisitar momentos da adolescência, da universidade, dos primeiros shows e das viagens de carro embaladas pelos grandes clássicos do rock nacional.
É justamente essa combinação de memória, energia e celebração que o Caipirinha Society pretende oferecer ao público canadense.

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Para informações e ingressos: https:// caipirinhasociety.net


Vermelho e branco com morangos e mapple syrup
Por Redação Wave, Toronto
Para esta edição, celebrando o Canada Day, compartilhamos uma receita colorida, sazonal e fácil de preparar, usando ingredientes locais típicos do verão. As cores da bandeira do Canadá inspiram esta sobremesa leve, perfeita para um piquenique, churrasco ou encontro em família no dia 1º de julho. Use frutas da estação compradas em fazendas locais ("pick-your-own") para aproveitar o melhor do calor da estação. Mirtilos e framboesas também combinam perfeitamente com a receita.
(4 porções)
• 2 xícaras de iogurte grego natural ou de baunilha
• 2 xícaras de morangos picados
• 1 xícara de framboesas
• 1 xícara de granola
• 3 colheres (sopa) de maple syrup
• Folhas de hortelã para decorar (opcional)
1. Misture o maple syrup ao iogurte.
2. Em taças transparentes, faça camadas de granola, iogurte e frutas.
3. Repita as camadas até completar a taça.
4. Decore com um morango inteiro e uma folha de hortelã.
5. Deixe por 2 horas na geladeira e sirva ainda gelado.







Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus, o povo que ele escolheu para lhe pertencer!
