Universidade Federal de Minas Gerais – Ano 25 – N° 6 – Setembro de 2021
SAEL- p. 3 e 4
Hora da leitura - p. 6
Receita - p. 7
SETEMBRO AMARELO Na edição do mês de setembro de 2021, trouxemos um pouco do histórico da campanha Setembro Amarelo. Posteriormente, você também ficará informado sobre prevenção do suicídio. Ademais, trouxemos um relato de uma estudante e bolsista do Boletim Bairro a Bairro para incrementar a discussão sobre saúde mental na vida acadêmica e compartilhar a experiência que teve com o SAEL (Serviço de Atenção ao Estudante de Letras) da UFMG. O BOLETIM DO CARRO BIBLIOTECA DA UFMG PARA SUA COMUNIDADE!
Para saber mais:
Instagram: @carrobiblioteca / site: carrobib.eci.ufmg.br
Expediente Projeto Boletim Bairro a Bairro
EXPRESSÃO DO MÊS
Edição: Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Projeto gráfico e diagramação Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Coordenação e Revisão Evaldo Alves
Carro-Biblioteca Coordenação do Carro-Biblioteca Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Bibliotecário Responsável Evaldo Alves Coordenadora e Secretária do Cenex Gilma Pereira Funcionário administrativo Edson Lucide do Nascimento (motorista) Bolsistas Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis
Projetos associados - coordenadores/cocoordernador Projeto Conto e Reconto Prof. Eduardo Valadares da Silva Projeto Rádio Janela Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Profª Maria Guiomar da Cunha Frota
"RAPADURA É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO!" Essa metáfora da rapadura, muito conhecida por nós mineiros, mostra que tudo tem o lado bom e ruim. Lembre-se que em algum momento da vida as coisas poderão parecer difíceis e duras como uma rapadura! Mas que, mesmo assim, a doçura sempre estará lá. Nunca deixe de lutar pelo sabor em sua vida!
Produtividade e ansiedade:
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relato de uma estudante de letras da UFMG Penso que com o advento da pandemia e Bárbara Vee com a suspensão das atividades na UFMG, muitos Poeta, criadora do projeto Poesia de Status, alunos sofreram e ainda sofrem sob formas diferentes estudante e bolsista do Boletim Bairro a Bairro devido à quebra abrupta da rotina. No meu caso, no ensino remoto emergencial, percebi que finalmente teria mais tempo para ler e me dedicar à faculdade de letras, como eu gostaria. E isso, era relativamente bom comparado ao passado recente. Antes da pandemia, tinha que pegar dois ônibus para chegar na UFMG, o que, de manhã, poderia dar em torno de 1 hora e meia de viagem. Na volta, se eu me atrasasse 10 minutos para pegar o move metropolitano, gastava-me mais tempo. Um dos pontos que mais me incomodava nessa viagem era o fato de eu nunca conseguir ler dentro do ônibus porque sempre sentia-me tonta. Admirava e me comparava com aqueles que conseguiam ler sem parar, até dentro do transporte público, sentado ou em pé. De vez em quando me aventurava nesse hábito, mas não durava nem 15 minutos. Com isso, antes da pandemia, minha luta por produtividade era diária. Apesar de sempre obter boas notas, pois eu conseguia aprender anotando as informações importantes que o professor ou professora dizia, eu sempre me sentia deslocada do mundo acadêmico e insuficiente. Sempre senti que deveria ler mais. Me esforçava, mas não dava certo. As leituras acumulavam e não lia nem a metade das leituras requeridas. E quando, eventualmente, em alguma matéria conseguia ler a maioria dos textos, sempre tinha a impressão de que não fazia o bastante, de que seria perfeito se eu conseguisse ler todos os textos complementares, além da bibliografia obrigatória. Acontece que “graças” à pandemia eu finalmente pude ficar em casa, descansada e sem a necessidade de encarar a pressão e o julgamento invisível dos colegas - que sentia. Eu me senti aliviada e finalmente expandi alguns projetos nas redes sociais. Consegui dar aulas de redação do Enem e empreender um pequeno negócio de acompanhamento escolar para crianças que necessitam no meu bairro. Apesar de todas essas conquistas, aquele sentimento de inutilidade e a dificuldade de leitura ainda existia. A ansiedade fazia com que meu coração acelerasse e a leitura freasse bruscamente, interrompendo toda fluidez e magia que qualquer leitura poderia proporcionar - às vezes acontecia com textos literários também. Foi quando o fato de ter que conviver com o "tempo de sobra", mas não conseguir ler fluentemente se tornou insuportável, que procurei o SAEL (Serviço de Atenção ao Estudante de Letras). Apesar de usar antidepressivos para controlar a ansiedade há um pouco mais de 2 anos, eu estava sem acompanhamento psicológico e sem um amigo para conversar, devido ao distanciamento social. Por isso, mandei um e-mail ao sael@letras.ufmg.br informando a minha situação e como a ansiedade estava atrapalhando os meus estudos. A triagem dos estudantes é bem simples. Aqueles que estiverem com dificuldades administrativas e com problemas burocráticos do curso são encaminhados para professores voluntários. E aqueles que, assim como eu, tiverem algum impedimento mais profundo podem ser atendidos por profissionais especializados em saúde mental. Com a psicanalista Maralice pude criar uma camada de confiança em mim. É claro que, talvez, daqui algum tempo, essa camada precise de reparos, mas o contato com ela me permitiu continuar o semestre e finalizá-lo com mais leveza e autocuidado. Nas nossas conversas, percebi que consigo resolver meus problemas com criatividade e que nem sempre as estratégias de leitura ou para acalmar a minha mente serão as mesmas. Percebi que o meu ponto forte é ser criativa. Percebi que tinha um ponto forte, apesar de toda negatividade e pessimismo que carregava.
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Fundado em 2017 na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, o SAEL (Serviço de Atenção ao Estudante de Letras) trabalha na prevenção de sofrimento mental, orientação e acolhimento inicial ao estudante da Graduação e Pós-Graduação do curso de Letras.O SAEL é formado por um grupo de professores voluntários da área de Letras e Ciências Humanas, envolvidos em uma proposta de um trabalho interdisciplinar a fim de diminuir os impactos e os problemas de saúde mental ou emocional desencadeados na vida acadêmica. (SAEL, 2021)
Coordenação: Profª. Dra. Maralice de Souza Neves Membros da equipe: Profª. Dra. Maralice de Souza Neves, Profª. Dra. Maria Antonieta Amarante de Mendonça Cohen, Prof. Dr. Lorenzo Teixeira Vitral e Prof. Dr. Ricardo Augusto de Souza . Secretaria: Josie Helen Martins de Deus e Fabíola Vaz de Lima
E-mail: sael@letras.ufmg.br Telefone: (31) 3409-7475 (indisponível durante a pandemia de covid19)
OBS: O atendimento do SAEL está disponível gratuitamente para todos estudantes de Letras que não são beneficiados pela FUMP (que já possui atendimento psicológico para esse público). Confira se seu curso também oferece acolhimento psicológico.
SETEMBRO AMARELO Caso você esteja nas redes sociais durante o mês de setembro, é bem provável que tenha se deparado com uma campanha que vem ganhando forças ao longo dos últimos anos: o Setembro Amarelo. Trata-se de uma importante campanha que, no Brasil, desde 2014 vem sendo organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM), visando alertar, conscientizar e prevenir as pessoas em relação ao suicídio. Estima-se que em nosso país cerca de 13 mil pessoas realizam suicídios por ano – número que chega até a 1 milhão mundialmente. São números alarmantes, que evidenciam a relevância da campanha. Em geral, a maior parte desses suicídios (96,8%) estão relacionados a transtornos mentais, como a depressão, transtorno bipolar, etc, que podem ser tratados. Assim, o debate sobre saúde mental e a desestigmação em relação a esse assunto é de suma importância para avançarmos com a campanha.
Fita amarela: símbolo do Setembro Amarelo
Origem da campanha Como dito, a campanha no Brasil teve início em 2014, mas ela tem sua origem na década de 1990 nos Estados Unidos. Mike Emme foi um jovem estadunidense e era conhecido por sua personalidade carinhosa e seu interesse e habilidades em mecânica.
5 Mike possuía um Mustang 68 o qual restaurou e pintou com a cor amarela. Contudo, com 17 anos, o jovem suicidou em 1994 – nenhum de seus familiares e amigos notaram sinais que ele deixava que poderiam ter salvado sua vida.
Especialistas também salientam algumas formas de abordagem para auxiliar pessoas com ideações suicidas. Segundo Mauricio Hoffman, do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM, há três passos que podem ser seguidos para ajudar:
No funeral de Mike, seus amigos fizeram uma cesta com cartões e fitas amarelas com a seguinte mensagem: "Se precisar, peça ajuda". Essa ação rapidamente se espalhou pelo país e diversos jovens passaram a utilizar a fita amarela para sinalizar a necessidade de ajuda. Dessa maneira que foi escolhido o símbolo da fita amarela para a campanha – a cor amarela em referência ao carro de Mike e consequente homenagem a ele.
1. Questionar se a pessoa tem pensamentos suicidas e outros relacionados à morte; 2. Reconhecer o sofrimento do outro e dizer que compreende, ou seja, demonstrar empatia; 3. Por fim, incentivar a pessoa a fazer terapia e procurar tratamento, sempre evidenciando que há sim solução e possibilidade de amenizar o sofrimento.
Prevenção ao suicídio e como procurar ajuda
É essencial ressaltar que não há nenhum problema em realizar terapia ou atendimento psiquiátrico, a saúde mental também é tão séria e importante quanto a saúde fisiológica – ambas devem estar funcionando bem para o nosso bem-estar. Se vermos alguém debochando ou estigmatizando esse tipo de assunto, é sempre bom esclarecer para combater esse preconceito. Por fim, sempre que necessário, procure ajuda e ajude quem está precisando. Dessa maneira, caminharemos para uma sociedade em que a saúde mental é cada vez mais valorizada!
Muitas vezes, a pessoa que está sofrendo e idealizando o suicídio deixa "mensagens" acerca do problema. Há alguns sinais de alerta que os especialistas dizem para ficarmos atentos. Podem ser eles: visão negativa sobre a vida e o futuro, isolamento, preocupação com a morte, explicitação de ideias e/ou intenções suicidas, agir como se despedisse das coisas, entre outros. Comentários soltos como "queria nunca mais acordar", "vontade de sumir" e outros do tipo, também podem servir de alerta para quem convive com quem está sofrendo. Nesses momentos é essencial agir com empatia.
Procure ajuda Ligue para o Centro de Valorização da
Vida (CVV). Disque
188.
O CVV também atende através de chat e e-mail. Basta acessar o site para mais informações: https://www.cvv.org.br/
O site oficial da campanha do Setembro Amarelo também oferece um canal com contatos de psiquiatras especializados no assunto. Basta acessar o link: https://www.setembroamarelo.com/
HORA DA LEITURA
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Mal Secreto Jards Macalé / Waly Salomão Não choro Meu segredo é que sou rapaz esforçado Fico parado, calado, quieto Não corro, não choro, não converso Massacro meu medo Mascaro minha dor Já sei sofrer Não preciso de gente que me oriente Se você me pergunta: "Como vai?" Respondo sempre igual: "Tudo legal" Mas quando você vai embora Movo meu rosto do espelho Minha alma chora Vejo o Rio de Janeiro Vejo o Rio de Janeiro
Comovo, não salvo, não mudo Meu sujo olho vermelho Não fico parado, não fico calado, não fico quieto Corro, choro, converso E tudo mais jogo num verso Intitulado Mal Secreto E tudo mais jogo num verso Intitulado Mal Secreto E tudo mais
Gostou da letra? Trata-se de uma música composta por Jards Macalé e Waly Salomão, primeiramente gravada por Gal Costa em 1971 em seu antológico show da contracultura da época: Fa-tal: Gal a Todo Vapor. A música pode ter várias interpretações, como a do sofrimento interno da juventude na época da ditadura, em meio àquela opressão, ou sobre o próprio sofrimento interno de um sujeito.
Jards Macalé e Waly Salomão
CHARGE DO MÊS
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RECEITA DO MÊS A receita do mês é uma deliciosa sobremesa
irresistível para qualquer um. Só de escrever ela 3. Escolha uma tigela de vidro (ou de inox) que para vocês nos deu água na boca! Mãos na massa! encaixe sobre uma panela para fazer um banhomaria. Pique o chocolate meio amargo. Transfira Brownie para a tigela e junte a manteiga. INGREDIENTES 4. Coloque dois dedos de água na panela e leve ao Ingredientes fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo e encaixe a 200 g de manteiga tigela com o chocolate e a manteiga sobre a panela. 170 g de chocolate meio amargo O segredo é não deixar a água encostar no fundo da 3 ovos tigela e tomar cuidado para que o encaixe dos 1 ½ xícara (chá) de açúcar recipientes seja perfeito, evitando o vazamento do 2 xícaras (chá) de farinha de trigo vapor. Quando o chocolate começar a derreter, 3 colheres (chá) de fermento em pó misture bem com a manteiga. Assim que a mistura 170 g de chocolate branco ficar lisa, retire do banho-maria. 5. Coloque dois dedos de água na panela e leve ao MODO DE PREPARO fogo alto. Quando ferver, abaixe o fogo e encaixe a 1. Preaqueça o forno a 180°C. Unte uma assadeira tigela com o chocolate e a manteiga sobre a panela. retangular média com manteiga e polvilhe com O segredo é não deixar a água encostar no fundo da farinha de trigo. tigela e tomar cuidado para que o encaixe dos 2. Passe a farinha e o fermento em pó pela peneira recipientes seja perfeito, evitando o vazamento do para uma tigela. Pique grosso o chocolate vapor. Quando o chocolate começar a derreter, branco e misture com a farinha e o fermento. misture bem com a manteiga. Assim que a mistura Reserve. ficar lisa, retire do banho-maria.
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6. Numa batedeira, junte o açúcar e os ovos. Bata em velocidade alta por cerca de 3 minutos ou até que a mistura fique esbranquiçada. Desligue a batedeira e, aos poucos, misture com uma espátula o chocolate derretido. (Como o chocolate ainda estará quente, se colocado de uma vez, poderá cozinhar os ovos.)
7. Na tigela com a massa de chocolate, adicione aos poucos a mistura de farinha com o chocolate branco, mexendo delicadamente. Transfira a massa para a assadeira untada. 8. Leve ao forno preaquecido para assar por cerca de 20 minutos. A massa ainda deve estar úmida quando sair do forno (com a aparência de um bolo ligeiramente cru).
REFERÊNCIAS
Charge: Disponível em: <https://vejario.abril.com.br/blog/lucianabrafman/mafalda-patagonia-consumo-consciente/>. Expressões idiomáticas: Disponível em: <https://www.pravaler.com.br/proverbios-150ditados-populares-mais-conhecidos-no-brasil/>. Letra de Mal Secreto: Disponível em: <https://genius.com/Gal-costa-mal-secreto-lyrics>. Origem do Setembro Amarelo: Disponível em: <https://gntech.med.br/blog/post/origem-setembroamarelo-prevencao-suicidio>.
SAEL (Serviço de Atenção ao Estudante de Letras): <http://www.letras.ufmg.br/sael/>. Setembro Amarelo: Disponível <https://www.setembroamarelo.com/>.
em:
Setembro amarelo: solidão na pandemia: Disponível em: <https://www.ufsm.br/midias/arco/setembroamarelo-solidao-pandemia/>. Receita Brownie: Disponível em: <https://www.panelinha.com.br/receita/Brownie>.