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Boletim Bairro a Bairro - ano 25, nº 7, out. 2021

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Universidade Federal de Minas Gerais – Ano 25 – N° 7 – Outubro de 2021

Quem é?- p. 3

Hora da leitura - p. 6

Receita - p. 7

SAMBA Na edição do mês de outubro de 2021, trazemos informações sobre um dos maiores gêneros musicais brasileiros: o samba. Contamos como foi o surgimento do gênero, seus percalços e os atravessamentos, devido às questões de raça e classe, que o samba sofreu em sua gênese. Além disso, trazemos uma receitinha ótima para um café da tarde que pode ser uma boa pedida para comer durante a leitura do boletim! O BOLETIM DO CARRO BIBLIOTECA DA UFMG PARA SUA COMUNIDADE!

Para saber mais:

Instagram: @carrobiblioteca / site: carrobib.eci.ufmg.br


Expediente Projeto Boletim Bairro a Bairro

EXPRESSÃO DO MÊS

Edição: Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Projeto gráfico e diagramação Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Coordenação e Revisão Evaldo Alves

Carro-Biblioteca Coordenação do Carro-Biblioteca Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Bibliotecário Responsável Evaldo Alves Coordenadora e Secretária do Cenex Gilma Pereira Funcionário administrativo Edson Lucide do Nascimento (motorista) Bolsistas Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis

Projetos associados - coordenadores/cocoordernador Projeto Conto e Reconto Prof. Eduardo Valadares da Silva Projeto Rádio Janela Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Profª Maria Guiomar da Cunha Frota

"ARROZ DE FESTA" Após decretado o distanciamento social no Brasil, o sujeito "arroz de festa" teve que se conter em ficar em casa e aparecer somente nas festinhas virtuais. É possível que a expressão "arroz de festa" tenha se originado devido ao costume de fazer arroz-doce sempre nas festas portuguesas a partir do século XVI. Portanto, a pessoa arroz de festa aparece em todos os eventos, o que vai voltar a ser fato indiscutível na vida de muitos brasileiros após a vacinação em massa da população. Saudades de ser arroz de festa, né?


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"O prisioneiro do mundo" (1994)

Nelson Sargento Nelson Mattos, conhecido como Nelson Sargento (apelido que ganhou ao alcançar a patente por ter servido no Exército Brasileiro de 1945 a 1949), nasceu em 25 de julho de 1924, no Rio de Janeiro, e faleceu nesse ano, aos 96 anos de idade, no dia 27 de maio de 2021, após anemia e diagnóstico positivo de Covid-19. Foi compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor brasileiro. Casou-se com a produtora Evonete Belisário e foi pai de 11 filhos (sete naturais e quatro de criação) Sargento vem de origem humilde, é filho de Rosa Maria da Conceição (cozinheira, lavadeira e empregada doméstica) e Olympio José de Matos (cozinheiro-chefe). Morou no Morro do Salgueiro aos nove anos de idade, com mais 17 irmãos, onde desfilava na Escola de Samba Azul e Branco. Isso foi após a separação da mãe com o primeiro marido e após se unir a Arthur Pequeno. Aos 10 anos de idade, Nelson Mattos viu nascer o “Acadêmicos do Salgueiro”, uma união das escolas “Unidos do Salgueiro” e “Depois eu Digo”. Aos 12 anos, mudou-se para o Morro da Mangueira e foi adotado por Alfredo Lourenço, um pintor e letrista português que compunha belíssimas canções. Aprendeu a tocar violão com Aluísio Dias, Cartola, Nelson Cavaquinho e Geraldo Pereira. Tornou-se pintor de paredes aos 17 anos, seguindo os passos de Alfredo Português. Também por influência deste, Sargento passou a integrar a ala de compositores da Mangueira em 1942.

Na década de 1960, foi integrante dos conjuntos A voz do Morro e Os Cinco Crioulos. Apesar disso, somente aos 55 anos, em 1979, que o compositor gravou seu primeiro álbum solo. Lançou o livro de poemas “Prisioneiro do mundo” em 1994 e expôs seus quadros no Museu do Folclore em 1995 (mas também expôs suas telas em outros momentos de sua vida). Foi homenageado por Moacyr Luz e Aldir Blanc que compuseram “Flores em Vida” e foi enredo de escola de samba em 2012 e 2015. Ao longo da sua vida, o sambista compôs mais de 400 composições, dentre as principais, que estão disponíveis em todas as plataformas digitais, listei abaixo. Essa foi uma singela homenagem a Nelson Sargento e esperamos que o leitor escute e desfrute as composições do sambista. Agoniza, mas não morre Falso amor sincero Nas asas da canção Cântico à Natureza Idioma Esquisito

Tela de Nelson Sargento


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O SAMBA Gênero tido como um dos maiores representantes da identidade nacional brasileira, o samba vem encantando gerações de ouvintes e artistas há décadas. É possível ver a influência do samba em inúmeros artistas brasileiros, que vão desde de João Gilberto a Marisa Monte, passando por Jorge Ben aos Racionais MC's – estes que inclusive ouviam "aquela do Jorge Ben" –, e hoje em dia em um grupo vanguardista como o Metá Metá. O sucesso do samba não se restringe só ao Brasil, o gênero é reconhecido internacionalmente. Podemos ver isso, por exemplo, a partir da personagem "Zé Carioca" da Disney a qual segue o arquétipo do malandro, algo bastante comum no mundo do samba dos morros cariocas; e com certeza o sucesso de Carmem Miranda nos Estados Unidos ajudou a popularizar – e talvez até mesmo deixar caricato esse traço de brasilidade, porém essa é uma outra conversa – o gênero no exterior. Apesar do samba atualmente ser mais valorizado, isso não é algo que sempre ocorreu e claramente por um fator: o racial. Como surgiu o samba? De acordo com Sérgio Cabral, o termo "samba" foi registrado pela primeira vez em 1842, em uma revista pernambucana. Porém, seus antecedentes podem ser vistos em gêneros e manifestações musicais oriundas de escravizados africanos, como o lundu, o coco e o fandango. O samba como conhecemos hoje, originou-se, sobretudo, na Bahia, no século XIX. É o famoso samba de roda

Tia Ciata

que foi posteriormente levado ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil, junto com sambistas e apreciadores que buscavam uma vida melhor na capital. As conhecidas "tias baianas" têm um papel importante na disseminação do samba no Rio de Janeiro. Nos terreiros dessas tias, em meio a celebrações, influenciadas também pelo candomblé, aquele samba de roda, aos poucos foi se transformando no samba urbano carioca. Em 1917 foi lançado o primeiro samba que se tem registro em forma de gravação: "Pelo Telefone". A autoria deste samba é polêmica – direitos autorais ainda não era algo bastante discutido à época –, porém foi para a história como composição de Donga e Mauro de Almeida. No entanto, o que vale ressaltar nesse caso, é que esse samba foi concebido em um terreiro de uma famosa tia baiana, a Tia Ciata. Características do samba Dito isso, podemos falar sobre algumas características formais do samba. Por ser um


5 gênero bastante rico, com diversos subgêneros e manifestações, podemos salientar algumas. Seu principal elemento rítmico é a síncope. Esta é uma divisão comum dos ritmos africanos, inclusive. A depender do tipo de samba que se trata, há também influência europeia, como no samba-choro. Os instrumentos mais típicos do gênero são o surdo, o tamborim, o violão, a cuíca, o ganzá, o cavaquinho, entre outros. Em termos líricos, o samba oferece um universo de possibilidades. Podem tratar de temas banais do cotidiano, religiosidade, desilusões amorosas, questões sociais, celebrações, chegando até em momentos melancólicos e existenciais como nos sambas de Nelson Cavaquinho e Cartola.

do carnaval como festa popular nacional, entrando aqui os famosos samba-enredo; e o próprio Vargas, que tornou a utilizar o gênero como meio de criação e idealização de uma identidade brasileira. Todavia, isso não significou o fim dos problemas. Essa identidade brasileira que tentavam criar, também corroborava para um "embranquecimento" do gênero. Apesar do samba ganhar espaços nas rádios, grande parte dos intérpretes que faziam sucesso eram brancos. Havia ainda compositores sambistas que não eram sequer creditados nesses materiais. Não é à toa que grande parte dos sambistas "clássicos", como os já citados Cartola, Nelson, mas também Candeia, Elton Medeiros e outros, só conseguiram lançar discos autorais muito tempo depois – a maioria nos anos 70, já na velhice dos sambistas. Samba, agoniza mas não morre

Os poetas sambistas Cartola e Nelson Cavaquinho

A questão do samba, raça e o Estado Como dito anteriormente, hoje em dia o samba é inegavelmente louvado como um traço de brasilidade e é um dos pilares da identidade cultural de nosso país. Contudo, nem sempre foi assim. Por se tratar principalmente de um gênero musical oriundo da cultura afro-brasileira, o samba por muito tempo foi malvisto pelo Estado e a elite. Era tanto que, em inícios do século XX, quem fosse pego sambando – cantando, batucando ou dançando – poderia ser preso. Cartola mesmo dizia que em sua juventude, se fosse pego com um violão, corria risco de prisão. Foi por volta da Era Vargas que esse panorama mudou. Isso por alguns motivos: o advento da indústria fonográfica, o que possibilitou a divulgação do samba nas rádios; a popularização

Com as palavras de Nelson Sargento, que infelizmente faleceu recentemente devido à Covid-19, finalizamos o texto sobre um gênero que, com todos seus percalços, consolidou-se como um importante expressão cultural dos afrobrasileiros e acabou atingindo todo país e até o mundo. Agora, fazemos um convite: propomos algumas recomendações de discos clássicos de sambistas que podem ser porta de entrada para o gênero. Todos são encontrados nas plataformas digitais! Cartola (1976), Cartola; De pé no chão, Beth Carvalho; Esperança, Clara Nunes; Gente da Antiga, Pixinguinha, Clementina de Jesus & João da Baiana Memórias Cantando, Paulinho da Viola; Quatro Grandes do Samba, Nelson Cavaquinho, Candeia, Guilherme de Brito & Elton Medeiros Sambista Perfeito, Arlindo Cruz Sorriso de Criança, Dona Ivone Lara;


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HORA DA LEITURA Trem das Onze Adoniran Barbosa Cifra: Simplificada (violão e guitarra)

RECOMENDAÇÃO DE DIEGO BARBOSA professor, produtor musical e empresário da Monos- Instituto Musical. (@violonistadiego)

Tom: Am Dm E7 Am F Quaz, Quaz, Quaz Quaz Quaz Quaz, Pascarigudum E7 Am E7 Pascarigudum, Pascarigudum Am Não posso ficar Nem mais um minuto com você Sinto muito amor E7 Mas não pode ser Dm E Am Moro em Jaçanã F Se eu perder esse trem E7 Que sai agora às onze horas Dm E7 Am Só amanhã de manhã A7 Além disso mulher Dm Tem outra coisa B7 Minha mãe não dorme E7 Enquanto eu não chegar Dm E7 Am Sou filho único F E7 Am Tenho minha casa pra olhar Dm E Am F Faz, faz, faz faz faz faz, faz carinho dum E7 Am Faz carinho dum, faz carim dum Faz dum dum Não posso ficar


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“Trem das Onze” é uma composição de Adoniran Barbosa (1910-1982) lançada em 1964 e popularizada pelo grupo Demônios da Garoa. A canção descreve uma realidade vivida na época pelas camadas mais pobres da região urbana de São Paulo, onde o principal meio de transporte era ferroviário, devido este ser o mais barato. Assim, a música denuncia como a precariedade de um sistema de transporte pode influenciar nas relações amorosas, já que se perdesse o trem, “só amanhã de manhã” para encontrar a amada novamente. CHARGE DO MÊS

RECEITA DO MÊS

A receita do mês é uma ótima pedida para tomar com aquele cafezinho ou chá, tanto de manhã ou à tarde! Biscoito de fubá com coco INGREDIENTES 1 xícara (de chá) de fubá mimoso 1 xícara (de chá) de amido de milho 1/2 xícara (de chá) de açúcar 1/2 xícara (de chá) de coco ralado 100 g de manteiga 1 ovo (temperatura ambiente)


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MODO DE PREPARO 1.Preaquecer o forno em 200°C, unte uma assadeira grande e forre com papel manteiga. 2. Em um recipiente grande, coloque o fubá, o amido, o açúcar e o coco ralado, faça uma cava no centro (como se fosse um vulcãozinho e adicione o ovo batido e a manteiga). 3. Comece a misturar e beliscar com a ponta dos dedos a manteiga com a farinha. Ficará com um aspecto areia de praia, continue sovando até que a massa encorpe e fique lisa. 4. Faça bolinhas de tamanhos iguais com a massa e posicione lado a lado na assadeira (deixando uns 2 cm de espaço entre elas). 5. Antes de levar ao forno, amasse cada bolinha com as costas de um garfo para achatar as bolinhas de massa. 6. Leve ao forno por aproximadamente 20 minutos ou até que comece a dourar. 7. Retire do forno e aguarde esfriar antes de tirar seus biscoitos da assadeira, para não quebrar. 8. Depois de frio transfira para um pote hermético e conserve por até 30 dias.

REFERÊNCIAS

Arroz de festa e sua origem: < https://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/comosurgiu-a-expressao-arroz-de-festa/>.

O samba: Disponível em: <http://www.paulinhodaviola.com.br/portugues/a_m usica/a_musica.asp>.

Biografia de Nelson https://dicionariompb.com.br/nelsonsargento/biografia>.

Samba: <https://brasilescola.uol.com.br/cultura/samba.htm>.

Sargento:

Cifra "Trem das Onze", de Adorinan Barbosa: <https://www.cifraclub.com.br/adoniranbarbosa/trem-das-onze/completa.html>. Charge: Disponível em: <https://www.otempo.com.br/charges/charge-otempo-02-06-2020-1.2344711>. Exposição de telas de Nelson Sargento: <https://extra.globo.com/tv-e-lazer/veja-fotos-dosquadros-pintados-por-nelson-sargento25035795.html>.

Samba: 100 anos: Disponível em: <https://www.youtube.co/watch?v=pUeiTUB_EEA>. Receita Biscoito de fubá com coco : Disponível em: <https://www.acasaencantada.com.br/receita/biscoit os-de-fuba-com-coco-para-o-cha-da-tarde/>. Trem das Onze: no Jornal da <https://jornal.usp.br/ciencias/cienciashumanas/como-o-trem-das-onze-impactouexpansao-metropolitana-de-sao-paulo/>.

USP:


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Boletim Bairro a Bairro - ano 25, nº 7, out. 2021 by Boletim Bairro a Bairro - Issuu