Universidade Federal de Minas Gerais – Ano 25 – N°3 – Junho de 2021
Quem é? - p. 3
Hora da leitura - p. 6
Receita - p. 7
LUTA CONTRA A SECA Na edição de junho de 2021, trataremos de um problema socioambiental que atinge todo o planeta: a desertificação e a seca. Como ela surge, seus eventuais problemas e possíveis soluções, são questões abordadas na pauta do mês. Como receita trazemos um clássico de festas junina, facílimo de se fazer!
Para saber mais:
O BOLETIM DO CARRO BIBLIOTECA DA UFMG PARA SUA COMUNIDADE!
@carrobiblioteca / site: carrobib.eci.ufmg.br
Expediente
EXPRESSÃO DO MÊS
Projeto Boletim Bairro a Bairro Edição: Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Projeto gráfico e diagramação Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Coordenação e Revisão Evaldo Alves
Carro-Biblioteca Coordenação do Carro-Biblioteca Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Bibliotecário Responsável Evaldo Alves Coordenadora e Secretária do Cenex Gilma Pereira Funcionário administrativo Edson Lucide do Nascimento (motorista) Bolsistas Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis
Projetos associados - coordenadores/cocoordernador Projeto Conto e Reconto Prof. Eduardo Valadares da Silva Projeto Rádio Janela Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Profª Maria Guiomar da Cunha Frota
Caravaggio, A dúvida de Tomé (1599)
METER O DEDO NA FERIDA Ao contrário da expressão idiomática do boletim passado, não estamos procurando problemas que não existem, mas sim queremos colocar o dedo na ferida em problemas sérios. Portanto, deve-se insistir na discussão sobre a luta contra a desertificação e a seca no Brasil até que esse fato não seja mais uma ferida para nosso país.
3 Carlos Walter Porto-Gonçalves é um geógrafo brasileiro e autor de livros sobre geografia social. Possui graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1972), mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985) e doutorado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1998). É professor titular da Universidade Federal Fluminense e Coordenador do LEMTO Laboratório de Estudos de Movimentos Sociais e Territorialidades. Atua principalmente nos seguintes temas: Geografia dos Conflitos Sociais, Geografia e Movimentos Sociais, Justiça Territorial e Ecologia Política. Porto-Gonçalves foi presidente da Associação dos Geógrafos Brasileiros de 1998 até 2000. Em 2008 ganhou o Prêmio Casa de las Américas (Cuba) por seu livro ''A Globalização da Natureza e a Natureza da Globalização.
Esse livro tem no acervo do carro biblioteca!
Os (des)caminhos ambiente.
do
meio
Nesse ensaio, a primeira proposta do autor é fazer uma contextualização das condições históricoculturais das quais emerge o movimento ecológico no mundo e no Brasil. Em segundo lugar, estabelece um diálogo com diversos movimentos sociais para mostrar e localizar nossas semelhanças e diferenças. Trabalha também o conceito de natureza na sociedade ocidental, sempre relacionando com cada povo/cultura.
Os (des)caminhos do meio ambiente. (1989).
"O homem é a natureza que toma consciência de si própria e esta é uma descoberta verdadeiramente revolucionária numa sociedade que disso se esqueceu ao se colocar o projeto de dominação da natureza" (Porto-Gonçalves)
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Luta contra a Desertificação e a Seca O uso desenfreado da terra de forma inconsequente por parte do ser humano, a degradação do solo, mudanças climáticas, erosão, dentre outras adversidades e atividades humanas, contribui para o problema global da desertificação. De acordo com a UNESCO, esta atinge cerca de 165 países do planeta. Ainda segundo a instituição, esse quadro é alarmante, visto que impacta fortemente o meio ambiente, provando ser uma ameaça para o futuro da humanidade e a paz mundial. Em virtude da urgência do problema, a Organização das Nações Unidas, a ONU, instituiu o dia 17 de junho como o Dia Mundial da Luta contra a Desertificação e a Seca. A data visa promover a conscientização da população e colocar em evidência esse problema socioambiental. Do que se trata, então, a desertificação? Como ela ocorre? Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, ela "se deve à vulnerabilidade dos ecossistemas de zonas secas, que cobrem um terço da superfície do Planeta, à superexloração e ao uso inadequado da terra. A pobreza, a instabilidade política, o desflorestamento, o sobrepastoreio e as más práticas de manejo afetam negativamente a produtividade do solo". Não se trata, portanto, da mesma coisa que um deserto, mas sim de uma área ambiental que, por diversos fatores, acaba
Pintura exposta durante a 13ª Conferência das Partes na Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
tornando-se improdutiva e perde sua capacidade de se recuperar. Apesar de aspectos propriamente ambientais contribuírem para a ocorrência do fenômeno, a atividade humana costuma ser seu maior agente. Com a desertificação, o fenômeno da seca se agrava e afeta a população que outrora vivia na área desertificada — gerando um grave impacto social. Para se ter uma ideia, por volta da década de 1970, era noticiado o deslocamento de milhares de refugiados africanos, oriundos da região do Sahel, devido à seca, escassez de recursos naturais, tais como água e solo, a pobreza, fome, dentre outros. O problema da desertificação e a
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O desmatamento é um dos principais causadores da desertificação na caatinga.
seca colaboram para uma maior escassez de água potável. De acordo com a UNESCO, cerca de dois bilhões de pessoas não têm acesso à água potável — e ainda estima-se que até 2050 esse número deve chegar até três bilhões de pessoas. Conforme a Secretaria da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação, cerca de 135 milhões de pessoas devem migrar em todo o planeta até 2030, justamente devido à deterioração das terras. Além do próprio problema ambiental, tais migrações e privações acabam também por gerar conflitos e instabilidades — sendo então uma "pedra no meio do caminho" para a tão sonhada paz mundial. A desertificação é também um problema que assola o Brasil. Segundo o Laboratório de Análise de Imagens e Satélites (Lapis), 16% do território nacional enfrenta o processo de desertificação. São 1488 municípios brasileiros, 31,7 milhões de habitantes (17% da população) e 85% das pessoas pobres do Brasil que sofrem com o problema. A área na qual a problemática se demonstra mais evidente é o semiárido brasileiro, a caatinga, da qual 12,85% de sua área sofre com o processo de desertificação. O principal "algoz" da caatinga, diz o coordenador do Lapis, é o desflorestamento. Infelizmente, ainda segundo ele, não há números
muito precisos referentes ao desflorestamento nestas áreas, o que dificulta a implementação de políticas públicas em relação à problemática. Para diminuir as consequências desse grande problema socioambiental, é preciso diminuir os impactos da ação humana nas áreas de risco, além de mantê-las preservadas em territórios protegidos. Além disso, faz-se necessária a conscientização das populações locais no que tange o desmatamento e suas eventuais consequências para o meio ambiente. A realização de queimadas, seja para pasto, a retirada de madeira para lenha e afins, contribuem para o desenvolvimento da desertificação e eventual seca. O problema só será contornado com a ação de diversos setores da população, como as populações locais, os cientistas, autoridades públicas, a iniciativa privada, etc. Conforme bem dito pela UNESCO, "trabalhar em conjunto é fundamental. Nenhum progresso pode ser alcançado no combate à desertificação e à seca sem envolver todos os atores".
HORA DA LEITURA
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Morte e vida severina João Cabral de Melo Neto O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI — O meu nome é Severino, não tenho outro de pia. Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de Maria; como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias. Mas isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa de um coronel que se chamou Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta sesmaria. Como então dizer quem fala ora a Vossas Senhorias? Vejamos: é o Severino da Maria do Zacarias, lá da serra da Costela, limites da Paraíba. Mas isso ainda diz pouco: se ao menos mais cinco havia com nome de Severino filhos de tantas Marias mulheres de outros tantos, já finados, Zacarias, vivendo na mesma serra magra e ossuda em que eu vivia. Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra, no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas, e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia (de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida). Somos muitos Severinos iguais em tudo e na sina: a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima, a de tentar despertar terra sempre mais extinta, a de querer arrancar algum roçado da cinza. Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias e melhor possam seguir a história de minha vida, passo a ser o Severino que em vossa presença emigra.
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Gostou do poema? Trata-se do trecho inicial do célebre Morte e Vida Severina, de João de Cabral de Melo Neto. A obra trata do percurso de um retirante sertanejo em busca de uma vida melhor na capital — algo comum até hoje. João foi um autor pernambucano que nasceu em 1920 e foi membro da Academia Brasileira de Letras. É um dos poetas brasileiros mais consagrados do século XX.
João Cabral de Melo Neto CHARGE DO MÊS
RECEITA DO MÊS
Saudades de uma festa junina, não é mesmo? Para MODO DE PREPARO relembrar essa data tão querida pelos brasileiros — sobretudo os mineiros! — trazemos a vocês a 1. Abra o leite condensado e reserve. receita de um doce clássico junino: o pé de moça. 2. Coloque em uma panela o amendoim, o açúcar Fácil, prático e gostoso. Tudo que precisamos e a margarina. nesses momentos. Então, mãos na massa! 3. Vá mexendo com uma colher de pau, sem parar para não queimar. Pé de moça 4. Quando os ingredientes derreterem por igual e virar uma espécie de caramelo, jogue o leite Tempo de preparo: Até 1h condensado mexendo rapidamente. Continue mexendo até desgrudar do fundo da panela. INGREDIENTES 5. Quando atingir o ponto, despeje em uma forma 500g de amendoim (torrado e sem a pele) untada com margarina. 2 xícaras (chá) de açúcar refinado 6. Corte em quadradinhos antes de esfriar e 2 colheres (sopa) de margarina sem sal depois sirva! 1 lata de leite condensado
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REFERÊNCIAS
Charge: Disponível em: <https://culturaesaude.wordpress.com/2020/04/13/t irinhas-da-mafalda-sobre-o-meio-ambiente/>.
Receita de Pé de moça. Disponível em: <https://www.tudogostoso.com.br/receita/89670-pede-moca.html>.
Desertificação atinge 13% do semiárido brasileiro e ameaça conservação da caatinga: Disponível em: <https://g1.globo.com/natureza/desafionatureza/noticia/2019/08/20/desertificacao-atinge13percent-do-semiarido-brasileiro-e-ameacaconservacao-da-caatinga.ghtml>.
Seca e desertificação: lições das políticas no Brasil. Disponível em: <https://www.fundaj.gov.br/index.php/documentario s-e-estudos-sobre-as-secas/10431-seca-edesertificacao-licoes-das-politicas-no-brasil>.
Expressões idiomáticas: Disponível em: <https://comunidade.rockcontent.com/expressoesidiomaticas/>. Morte e vida severina: Disponível em: <http://www.nilc.icmc.usp.br/nilc/literatura/morteevi daseverina.htm>.
Vamos desenvolver juntos o futuro - Dia Mundial de Luta contra a Desertificação e a Seca: Disponível em: <http://www.unesco.org/new/pt/rio-20/singleview/news/let_us_grow_the_future_together_world_d ay_to_combat_desert/>.