Universidade Federal de Minas Gerais – Ano 25 – N° 5 – Agosto de 2021
Quem é? - p. 3
Hora da leitura - p. 6
Receita - p. 7
AGOSTO LILÁS Na edição do mês de agosto de 2021, falaremos sobre uma importante campanha que, infelizmente, não é tão conhecida pelo grande público: o Agosto Lilás. Trata-se de uma campanha anual que visa combater a violência contra a mulher. Vale a pena conferir para todos se atentarem à problemática. Também trouxemos um poema de uma poeta belo-horizontina. Quer descobrir quem é? Só conferir o boletim!
Para saber mais:
O BOLETIM DO CARRO BIBLIOTECA DA UFMG PARA SUA COMUNIDADE!
@carrobiblioteca / site: carrobib.eci.ufmg.br
EXPRESSÃO DO MÊS
Expediente Projeto Boletim Bairro a Bairro Edição: Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Projeto gráfico e diagramação Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis Coordenação e Revisão Evaldo Alves
Carro-Biblioteca Coordenação do Carro-Biblioteca Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Bibliotecário Responsável Evaldo Alves Coordenadora e Secretária do Cenex Gilma Pereira Funcionário administrativo Edson Lucide do Nascimento (motorista) Bolsistas Alan Francisco de Paula Bárbara Vitória Fernandes dos Reis
Projetos associados - coordenadores/cocoordernador Projeto Conto e Reconto Prof. Eduardo Valadares da Silva Projeto Rádio Janela Prof. Marina Cajaíba da Silva Horta Profª Maria Guiomar da Cunha Frota
"ANDAR NA LINHA" Como você está hoje? Andando na linha ou perdendo ela? "Andar na linha" significa estar elegante ou agir corretamente. O contrário disso se chama "perder a linha". O que é andar na linha para você?
3 De acordo com o Instituto Maria da Penha:
Maria da Penha
É provável que você já deve ter ouvido falar na “Lei Maria da Penha”, principalmente quando o assunto é violência contra as mulheres. Mas você conhece a história por trás dessa lei? Ela surgiu por causa dessa senhora acima, Maria da Penha Maia Fernandes. Ela nasceu no dia 1º de fevereiro de 1945 em Fortaleza/Ceará e formouse na Faculdade de Fármacia e Bioquímica da Universidade Federal do Ceará em 1966. Além disso, concluiu o seu mestrado em Parasitologia em Análises Clínicas na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo em 1977. Seus problemas começaram após casar-se em 1976 com o seu colega de universidade, o colombiano chamado Marco Antonio. Sempre muito amável e carinhoso diante de todos, nunca poderiam imaginar que Marco seria capaz de ser violento com a própria esposa. Porém, quando conseguiu estabilidade financeira no Brasil e o casal teve duas filhas, Marco Antonio começou a maltratá-la, até virar um ciclo de violência: aumento da tensão, ato de violência, arrependimento e comportamento carinhoso.
"no ano de 1983, Maria da Penha foi vítima de dupla tentativa de feminicídio por parte de Marco Antonio Heredia Viveros. Primeiro, ele deu um tiro em suas costas enquanto ela dormia. Como resultado dessa agressão, Maria da Penha ficou paraplégica devido a lesões irreversíveis na terceira e quarta vértebras torácicas, laceração na duramáter e destruição de um terço da medula à esquerda – constam-se ainda outras complicações físicas e traumas psicológicos.” Enquanto seu agressor permanecia livre e sem punição, passaram-se 19 anos e 6 meses procurando justiça. O caso de Maria da Penha surtiu repercussão internacional e, por isso, ela ganhou várias homenagens e premiações devido a sua luta e persistência. Maria da Penha continua lutando por outras mulheres por meio de uma organização não governamental chamada Instituto Maria da Penha que foi fundada em 2009. Quer saber mais sobre violência contra a mulher? O acervo do Carro Biblioteca tem um bom livro introdutório sobre o assunto para você! Confira:
tem no acervo do carro biblioteca!
O que é violência contra a mulher (2002).
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AGOSTO LILÁS Será que em briga de marido e mulher, ninguém deve meter a colher? Muitos de nós crescemos ouvindo esse ditado que, infelizmente, naturaliza um grande problema em nosso país: a violência contra a mulher. Não é incomum vermos notícias no dia a dia referentes aos vários tipos de violência contra a mulher, muitas desta chegando ao seu ápice: o feminicídio. Neste delicado momento de isolamento social, oriundo da pandemia, a questão da violência da mulher também merece atenção especial: de acordo com o Instituto Datafolha (2021), uma em cada quatro mulheres foi vítima de algum tipo de violência durante a pandemia. Além disso, em comparação à pesquisa anterior de 2019, houve um aumento no número de agressões dentro de casa de 42% para 48,8%. Urge, portanto, falar desse grave problema que assola a vida de milhares mulheres brasileiras. Diante deste cenário, durante o mês de agosto, é realizada uma importante campanha ao longo do país: o Agosto Lilás. A campanha foi criada em referência à Lei Maria da Penha (Lei Federal nº 11.340/ 2006) que visa o combate à violência contra a mulher. O Agosto Lilás tem por objetivo reforçar e divulgar a importância da Lei Maria da Penha, conscientizar a população acerca do problema da violência contra a mulher, assim co–
Ilustração: Betta Jaworski
mo divulgar serviços e redes de atendimentos especializados no amparo às vítimas de violência e mecanismos de denúncia. É necessário ressaltar que a violência contra a mulher é sempre uma violação dos direitos humanos, além de uma questão de saúde pública. De acordo com o Instituto Maria da Penha (IMP), com base na própria Lei Maria da Penha, existem cinco tipos de violência: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ainda segundo o instituto, todas elas são complexas e não ocorrem de forma isolada, podendo ocorrer tanto na esfera pública quanto privada. Segue abaixo as definições de cada um desses tipos de violência, conforme o IMP: Violência física: qualquer ação que fira a integridade ou saúde corporal da mulher.
5 Violência psicológica: qualquer ação que afete a saúde mental da mulher, podendo gerar impacto emocional ou prejudicar a autoestima; atrapalhar o pleno desenvolvimento da mulher; ou até degradar e controlar seus comportamentos e decisões. Violência sexual: qualquer atitude que induza a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não consentida, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso de força. Violência patrimonial: qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Violência moral: qualquer ato que se caracterize como calúnia, difamação ou injúria.
Canais de denúncia Disque Ligue
100 180
(61) 996565008
Denúncia via
Canal
Mensagem via
Telegram
Aplicativo
"Direitoshu manosbrasil bot" Direitos Humanos Brasil
Não perca tempo, em caso de necessidade, denuncie!
Ciclo da violência Segundo a psicóloga estadunidense Lenore Walker, apesar de suas várias facetas, a violência contra a mulher comumente repete um ciclo. São três fases que compõem essa violência: aumento da tensão, ato de violência e arrependimento e comportamento carinhoso. Na primeira, o agressor demonstra-se tenso e irritado por coisas banais, podendo ter ataques de raivas. Aqui, a vítima tenta amenizar a situação, embora comece a sofrer, e tente negar o fato. Na segunda, a violência é consumada propriamente, podendo ser qualquer uma das citadas anteriormente. Muitas vezes a mulher sofre uma espécie de "paralisia", não reagindo, e sofre psicologicamente. Contudo, é possível que ela também tome decisões, procurando ajuda e se afastar do agressor. Por fim, na terceira fase há uma espécie de "arrependimento" por parte do agressor, que passa a agir de forma mais carinhosa alegando uma regeneração. São vários os motivos que podem fazer a mulher continuar a relação, mesmo com o caso de agressão, como uma pressão em relação à sociedade; fato é que pode haver uma melhora na relação a princípio, porém muitas vezes após esse momento volta-se para a primeira fase do ciclo. Dito isso, é preciso quebrar esse ciclo e salvar essas mulheres. A sociedade em geral deve estar engajada nessa luta, pois essa violência surge de nossa cultura patriarcal e machista que desumaniza as mulheres. A violência contra a mulher, como exposto, demonstra-se de diversas formas, podendo chegar ao grave feminicídio. Então, temos sim que "meter a colher" em caso de brigas de marido e mulher que estão indo além e demonstrando-se tóxicas e violentas. Denuncie!
HORA DA LEITURA
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Vozes-mulheres Conceição Evaristo A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio. ecoou lamentos de uma infância perdida. A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias debaixo das trouxas roupagens sujas dos brancos pelo caminho empoeirado rumo à favela.
A voz de minha filha recolhe todas as nossas vozes recolhe em si as vozes mudas caladas engasgadas nas gargantas. A voz de minha filha recolhe em si a fala e o ato. O ontem – o hoje – o agora. Na voz de minha filha se fará ouvir a ressonância o eco da vida-liberdade.
A minha voz ainda ecoa versos perplexos com rimas de sangue e fome. O poema do mês é da poeta belo-horizontina Conceição Evaristo, nascida em 1946. A autora foi para o Rio de Janeiro na década de 70, onde fez vida acadêmica e tornou-se doutora com a tese Poemas malungos, cânticos irmãos (2011) na UFF. Evaristo publicou diversos romances, poesias e contos, tendo a questão afrobrasileira como um tema constante em sua obra. Conceição Evaristo
CHARGE DO MÊS
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RECEITA DO MÊS
A receita do mês é um clássico da culinária mineira, porém em uma versão reduzida e adaptada para aqueles dias em que estamos com um pouco de preguicinha na cozinha. Pão de queijo de 3 ingredientes INGREDIENTES 220 g de Polvilho doce ou azedo (2 xícaras)* 200 g de Requeijão de bisnaga** 100 g de queijo parmesão ralado***
*Pode substituir por tapioca ** Ou creme de leite ***Ou queijo de sua preferência
MODO DE PREPARO 1. Coloque em uma tigela o polvilho, o requeijão e o queijo parmesão. 2. Misture tudo muito bem até ficar uma massa macia e desgrudando das mãos. 3. Faça bolinhas e coloque em uma forma untada com manteiga ou óleo. 4. Leve ao forno preaquecido a 200°C por cerca de 20 minutos, ou até dourarem.
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REFERÊNCIAS
Agosto Lilás: Disponível em: <https://www.naosecale.ms.gov.br/agosto-lilas/>.
Poema "Vozes-mulheres": Disponível <http://www.letras.ufmg.br/literafro/>.
Charge: Disponível em: <https://arteemanhasdalingua.blogspot.com/2021/0 7/atividade-sobre-o-tema-nao-seja omisso.html>.
Receita Pão de queijo de 3 ingredientes. Disponível em: <hhttps://cooknenjoy.com/pao-de-queijo-3ingredientes/>.
Expressões idiomáticas: Disponível em: <https://www.soportugues.com.br/secoes/expressoe sIdiomaticas/>.
Uma em cada quatro mulheres foi vítima de algum tipo de violência na pandemia no Brasil, aponta pesquisa: <https://g1.globo.com/sp/saopaulo/noticia/2021/06/07/1-em-cada-4-mulheresfoi-vitima-de-algum-tipo-de-violencia-na-pandemiano-brasil-diz-datafolha.ghtml/>.
Instituto Maria da Penha: Disponível <https://www.institutomariadapenha.org.br/>.
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