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Saudações de paz, queridos amigos e amigas!
Uma palavra que se destaca em todas as esferas da vida nos tempos atuais é cansaço . Parece que mais e mais pessoas se sentem exaustas fisicamente, emocionalmente, mentalmente e profissionalmente.
E exaustão se tornou uma vibração muito presente na atmosfera. Tornou-se uma síndrome: a Síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento.
Um distúrbio emocional crônico caracterizado por exaustão extrema, estresse intenso e esgotamento físico/mental, resultante de situações desgastantes. A notícia boa é que existe tratamento.
Nesta edição, a Om line se debruça sobre esse tema. Vamos refletir sobre causas, mudanças de padrão, tratamentos e dicas para despertar dessa exaustão. Afinal, nascemos para o entusiasmo e não para a exaustão. Aproveite essa experiência literária!
Goreth Dunningham e equipe Om Line

Burnout: sintoma que denuncia a falência das instituições ou atestado de fracasso pessoal?
Tatiana Di Lucia
Lidando com o burnout por meio da meditação Raja Yoga
Ken O’Donnell
14. OM VIRTUDES
Cuidados, autoapreciação e boas interações
em uma sociedade de hiperestimulações
Paulo Sergio Barros
20. OM JOVEM
A história de um João... e o que você faz?
Augusto Zimbres
26. OM ATITUDE
“Sem mais nem menos, comecei a entrar em pânico”
Giane Gatti
42. OM COM O MUNDO
Silêncio incansável
Ramon Almeida
48. OM TRANSFORMAÇÃO
Ser, relaxar e chegar
Patrícia Cantalino
54. OM INSPIRAÇÃO
Quando o cansaço deixa de ser apenas físico
Sandra Costa
A era do cansaço
Katia Roel
62. OM COMIDA PURA
Cozinhar, comer e servir
Ana Paula Paixão
A receita para ter uma mente tranquila e sem pesos
Dadi Janki

Vídeo da palestra de Rodrigo Ambros, praticante e professor de meditação Raja Yoga desde 1984. Atua como Mental Coach, instrutor de treinamentos executivos para alta performance e consultor executivo em tecnologia. Clique no ícone acima para ver o vídeo
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Editora Goreth Dunningham
Design e diagramação
Felipe Arcoverde Revisão
Josélia Ribeiro
Site
Ricardo Skaf
Mídias sociais
Naiara Rios
Colaboração
Sandra Costa
Ilustrações: Freepik.com
* OM PRIMEIRA PALAVRA * por Ken O’Donnell
Hoje, conversei com um rapaz de 30 anos, visitante aqui em nosso centro de retiros ao sul de Deli, Índia, que declarou que estava enfrentando um burnout considerável. Ele disse que se perdeu na própria vida.
Está no meio da construção de uma casa para a família perto daqui. Enfrenta duas horas e meia do trânsito insano daqui todos os dias para chegar e voltar do trabalho. Ele trabalha com insumos da indústria de construção com horários compatíveis com a empresa-sede nos Estados Unidos. Dorme muito tarde. Além disso, trata de encontrar seu espaço




* OM PRIMEIRA PALAVRA * por Ken O’Donnell

“Ao contrário de outras tipos de meditação, o Raja Yoga não exige posturas físicas específicas ou ambientes silenciosos.
Por trabalhar no nível de consciência, pode ser praticado até mesmo no meio das atividades diárias”
como voluntário neste centro de retiros. Sua vida, como a de muitos, é vítima dos tempos complexos que estamos vivendo.
Ele revelou que tem sinais claros de burnout: cansaço constante, dificuldade de concentração e uma sensação de estar sempre “no vermelho” emocionalmente. Foi justamente por isso que ele recorreu à prática da meditação Raja Yoga, ensinada pela Brahma Kumaris, como um caminho para recuperar equilíbrio e clareza.
Ao contrário de outras tipos de meditação, o Raja Yoga não exige posturas físicas específicas ou ambientes silenciosos. Por trabalhar no nível de consciência, pode ser praticado até mesmo no meio das atividades diárias. O ponto central é lembrar quem somos: uma alma, um ser de paz, independentemente das pressões externas. Contei para o rapaz a minha experiência.
Por exemplo, em um dia de trabalho intenso, quando percebo que a mente começa a se agitar, eu paro por alguns minutos. Fecho os olhos e digo para mim mesmo: “Eu sou uma alma de paz. Minha natureza original é calma e clareza. O corpo está cansado, mas eu, a

alma, sou fonte de energia e serenidade”. Este simples exercício muda a qualidade dos meus pensamentos e me devolve foco.
Contei para ele sobre outra situação: em reuniões longas, quando sinto a mente dispersa, uso a prática de “trazer o olhar para dentro”. Em vez de reagir ao estresse externo, lembro que sou um observador consciente. Isso me ajuda a não me identificar com a pressão, mas a responder com equilíbrio.
Ainda disse para ele que precisava redefinir seus quatro desafios. Como sua casa está quase pronta, vai sobrar tempo. Se ele encarasse o trânsito não como uma perda de tempo, mas como ganho de tempo para meditar, ele chegaria ao trabalho com mais disposição para fazer mais com menos. Certamente, com tudo isso, encontraria mais espaço para o trabalho voluntário.
[1] Sente-se confortavelmente. Não é necessário fechar os olhos, mas pode ajudar.
[2] Traga à mente a lembrança: “Eu sou uma alma, um ser de paz”.

* OM PRIMEIRA PALAVRA * por Ken O’Donnell



[3] Visualize-se como um ponto de luz no centro da testa, irradiando calma.
[4] Conecte-se mentalmente com o Divino, a Fonte Suprema, o Ser Supremo de Paz — e imagine que uma luz suave desce sobre você, recarregando sua energia.
[5] Permaneça alguns minutos nesse estado, deixando que pensamentos de paz substituam a agitação.


Em essência, o burnout me ensinou que não basta apenas descansar o corpo; é preciso também descansar a mente. A meditação Raja Yoga oferece esse descanso profundo, lembrando-me da minha identidade espiritual e reconectando-me com uma fonte inesgotável de energia. Hoje, quando sinto os sinais de exaustão, já sei que tenho uma ferramenta prática e acessível para recuperar o equilíbrio. Ken O’Donnell é praticante de meditação Raja Yoga desde 1975. É autor de 18 livros sobre desenvolvimento pessoal e de organizações. Atua profissionalmente como consultor internacional nas áreas de planejamento e gestão. É o atual coordenador da Brahma Kumaris para a América do Sul
* OM VIRTUDES * por Paulo Sergio Barros

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Por que nos sentimos tão cansados se temos tantos recursos de lazer e autocuidado à disposição? Por que a exaustão mental aparece com tanta frequência, mesmo quando não trabalhamos muito física ou intelectualmente?
Profissionais do campo da psicologia destacam que a exaustão emocional é a primeira etapa e o fator central para a síndrome de burnout. Ela pode estar relacionada a condições de trabalho estressantes, quando, por exemplo, o indivíduo se sente
* OM VIRTUDES * por Paulo Sergio Barros
demasiadamente exigido e reduzido nos seus recursos emocional, causando-lhe sentimentos de desgaste físico e emocionais. Pode também está relacionada às incertezas do porvir em um mundo marcado por tensões políticas, sociais, econômicas e bélicas. Outro fator a considerar é a ecoansiedade, ou seja, o medo crônico que pessoas têm de catástrofes ambientais e um sentimento de angústia em relação ao futuro do planeta devido às mudanças climáticas.
Outro condicionante são as infinitas e atrativas interações por meio das redes sociais. Elas são responsáveis pelo aumento de ansiedade e depressão, afetam a cognição e o sono e causam baixa autoestima, devido à sobrecarga de informações, comparação constante com vidas idealizadas e pressão por hiperconectividade, gerando


o chamado cansaço digital.
Esse estado constante de tensões e ansiedades pode evoluir para um quadro de exaustão física e mental, caracterizado por esgotamento, fadiga, insônia e falta de energia, mesmo após o descanso. A estafa emocional é, essencialmente, uma resposta às demandas, às pressões que os indivíduos enfrentam cotidianamente, como: sobrecarga de trabalho, contatos interpessoais, conflitos, altos níveis de expectativas em relação a si próprios, a sua produção/criação e à organização, além de críticas, ambientes insalubres e outros.
Provavelmente, todos nós somos afetados por algum desses fatores, mesmo que sutilmente. É saudável identificá-los e, antes que cheguem a um estágio extremo, procurar superá-los ou atenuá-los com autoajuda e procurando cuidados psicomédicos.
* OM VIRTUDES * por Paulo Sergio Barros

Como a espiritualidade pode, paralelamente, ajudar?
A meditação, se praticada com regularidade, é uma das práticas capazes de nos fazer enxergar as causas de muitos dos nossos estresses, assim como de influenciar nossos pensamentos, sentimentos e interações, de maneira que possamos ter uma vida mais equilibrada emocionalmente.
Adicionalmente, é importante darmos atenção a atividades e comportamentos simples e necessários em nossa vida.
DESACELERAR: enquanto nos alimentamos, falamos, caminhamos, dirigimos... Muitas vezes, o mundo nos pede uma pressa que não queremos nem precisamos.
APRECIAR MAIS OS AMIGOS: amizades proporcionam escuta, aceitação, confiança, bons momentos com risadas, confidências, cafés, sorvetes e memórias.
EM ALGO QUE FAZ: cozinhe em paz, trabalhe com empatia e cooperação, respeite as diferenças enquanto interage, use a criatividade ao escrever, pintar, desenhar, fazer artesanato, cozinhar. Nós e as pessoas envolvidas teremos benefícios.
APRECIE A NATUREZA: caminhe por uma trilha, uma praça, cuide do jardim, de uma planta em um jarro. Natureza é simples, relaxante e nos proporciona felicidade.
são excelentes para a saúde mental e física.
VIAJE: uma viagem longa, média ou curta nos faz bem. Mesmo um curto
passeio para visitar um amigo, um familiar, é salutar para nossa vida, pois aprendemos, compartilhamos virtudes, culturas, experiências.
SEJA SELETIVO: observe, sinta a energia e a utilidade dos espaços, pessoas e informações. Tudo nos influencia. Escolha o que for positivo e que lhe fará bem.
MEDITE: como dito acima, a meditação influencia positivamente os pensamentos, sentimentos e interações, de maneira que possamos ter uma vida mais equilibrada. Pratique-a diariamente, ainda que por um tempo curto. Os benefícios são muitos para a mente e o corpo.

Paulo Barros é educador, escritor e professor da Brahma Kumaris em Fortaleza-CE
* OM JOVEM * por Augusto Zimbres


João é um estudante universitário. Depois de dois anos de intensa dedicação ao estudo para conseguir passar no vestibular de uma das universidades públicas do seu local, ingressou ansioso por direcionar a sua busca por trabalho em alguma área da faculdade que ele cursa. Mas o início do seu estudo de nível superior o frustrou por lhe parecer muito genérico, não lhe dando elementos para decidir a área na qual deve focar o seu

currículo, de modo que tenha um perfil adequado para atrair a atenção dos recrutadores de RH.
À medida que vê descrições de vagas para estágio, percebe que as longas horas de estudo no campus,


somadas aos trabalhos que leva para casa e à preparação necessária para as provas, não são suficientes para ser bem-sucedido num mercado ultracompetitivo, que exige uma especialização além do currículo básico da sua faculdade. Começa, então, a buscar por cursos extras, tanto em disciplinas eletivas na própria universidade quanto em outros que lhe dão conhecimento sobre ferramentas de trabalho exigidas pelas empresas.

* OM JOVEM * por Augusto Zimbres
Consegue um estágio e quer mostrar serviço, pois, quem sabe, não tenha possibilidade de contratação ali. Em certos períodos do semestre, precisa superar o cansaço para ficar até tarde fazendo trabalho de casa ou estudando para


uma prova, pois suas manhãs são ocupadas com aulas, suas tardes com o estágio e, no fim de semana, coloca em dia as obrigações estudantis.
Quando diz aos pais que está cansado por essa rotina tão intensa, eles lhe dizem: “Na minha época, eu fazia mil coisas em uma hora”. Quando diz aos professores que está estagiando e que já tem muitas demandas de outras matérias,

eles lhe dizem: “Sua prioridade é o estudo”. Se sente desconfortável de pedir para ser liberado do trabalho, pois acha que seu monitor de estágio vai considerá-lo pouco comprometido, o que reduziria suas chances de uma futura contratação.


Ele acessa o Instagram para relaxar e passa o dedo pelo feed, vendo uma série de “momentos perfeitos” de amigos e colegas. Pensa, então, que sua vida não é tão feliz, pois não tem tempo para tais momentos, nem sente que todo seu esforço é reconhecido por pais, colegas de trabalho e professores.

* OM JOVEM * por Augusto Zimbres
Você deve conhecer algum João, ou alguma Maria, como esse da história, não é? E o que você faz? Você pergunta como ele (ou ela) está e mantém uma atenção no que esse jovem manifesta como reação a esse quadro complexo?


Talvez esse jovem ache que terapia seja um sinal de fraqueza, então pode ser que você tenha uma chance de lhe provar que não. Talvez esse jovem ainda não tenha despertado para a sua verdadeira espiritualidade, então pode ser que você tenha uma chance de lhe dizer que não é preciso ser religioso para ser espiritual.
Talvez ele nutra crenças comuns, porém falsas, como



Mas, sim, no que ele produz em prol da sua autotransformação, única contribuição verdadeira que ele pode dar por um mundo melhor, única “expectativa” que Deus tem por ele e única forma de receber likes genuínos de um mundo cansado desse círculo vicioso no qual uma imensa parcela de sua população está perdida.
Ou será que você – sim, você! – se identifica com esse João de acordo com a sua história atual? Será que você também não se vê num círculo vicioso semelhante ao descrito neste artigo? O que você pode dizer para si, então? E o que você faz?

Saúde Plena no YouTube. Lidera o movimento jovem da Brahma Kumaris para a América Latina com muito ânimo e entusiasmo * essas, que lhe impedem de encontrar a solução. Então, pode ser que você tenha uma chance de lhe trazer uma luz, de abrir portas para que esse jovem encontre dentro de si as respostas, na consciência de que o seu verdadeiro valor não está nem na produtividade que esperam dele, nem no cumprimento das expectativas dos mais velhos, nem na quantidade de likes de um post seu numa rede social.
Augusto Zimbres é apresentador do canal Inspira



A síndrome de burnout passou a integrar a lista de doenças ocupacionais da Organização Mundial da Saúde em janeiro deste ano. Segundo o Ministério da Previdência Social no Brasil, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais atingiram, em 2025, o maior patamar da série recente –superando até mesmo o recorde de 2024. Foram mais de 546.254 afastamentos, o que representa um aumento de 15% em relação ao ano anterior (fonte: G1).
Os sintomas de burnout impactam a saúde física, emocional e social. Na lista, está a sensação persistente de esgotamento e falta de energia, dificuldade de concentração, irritabilidade e ansiedade. Além de alterações no sono, como insônia ou sonolência excessiva, dores de cabeça frequentes, tensão muscular e problemas gastrointestinais. O desinteresse pelas atividades laborais e a perda de motivação também são comuns. Em casos mais graves, o burnout pode levar à depressão, isolamento social e pensamentos suicidas (fonte: Fiocruz)
Nádia de Castro começou a emagrecer, mesmo comendo normalmente, e passou a ter confusão mental e muito cansaço. Ela é coordenadora da Brahma Kumaris em Campinas (SP) e trabalha como especialista em resiliência, constelação sistêmica e radiestesista. Nádia foi diagnosticada com a síndrome em 2024 e conversou com a revista Om Line sobre a sua jornada de cuidados e a busca por equilíbrio.
* OM ATITUDE * por Giane Gatti
OL: Quais foram os primeiros sintomas que você teve?
NC: Emagreci muito, tinha confusão mental, ficava sem memória, além de cansaço e uma sensação grande de depressão, mas não era. Eu faço tratamento contínuo com fitoterapia chinesa e acupuntura, e a terapeuta começou a desconfiar que pudesse ser câncer. Eu não conseguia andar direito, falar direito, sabe, parecia que estava empurrando o corpo e comecei a ter uma aflição tão grande por causa do meu trabalho profissional
e o que faço na Brahma Kumaris. Resolvi largar tudo, pois eu estava no modo sobrevivência. Todos a minha volta perceberam a fragilidade em que eu estava, sem ser a Nádia que tem uma energia de motivação, de fazer a coisa acontecer.
OL: O que foi mais difícil?
NC: Sem mais nem menos, comecei a entrar em pânico. Todos nós temos nossos desequilíbrios, mas era algo a mais. Eu ficava com medo de entrar em pânico,
“Resolvi largar tudo, pois eu estava no modo sobrevivência. Todos a minha volta perceberam a fragilidade em que eu estava, sem ser a Nádia que tem uma energia de motivação, de fazer a coisa acontecer”
Nádia de Castro



* OM ATITUDE * por Giane Gatti
eu olhava para o pânico, e foi aí que a meditação me ajudou, porque eu observava a Nádia em um processo de entrar no buraco, como se eu estivesse na rua, entrando naquele bueiro da rua. Vinham esses pensamentos, e eu olhava para eles e dizia: “Eu não vou entrar no buraco. Eu vou conseguir sair dessa. Isso não é a Nádia, eu não me dou permissão de pânico”. Eu agora vejo a dor quando as pessoas dizem “Eu estou em pânico", pois sou terapeuta, e eu tinha uma consciência (com a meditação), e é desesperador você ver que a pessoa está entrando nesse buraco e ela não ter recurso para sair, não ter esse olhar de observar-se, de perceber que não é ela, é a psique dela que está em desequilíbrio, pois ela, como alma, é equilibrada. Tenho 36 anos de meditação e é um baita recurso. Não precisei tomar remédio, não que eu seja contra.
OL: Que tipo de ajuda você buscou?
NC: Procurei uma médica de saúde integrativa e vi que baixou tudo: a B12, a vitamina D, parecia que a energia tinha comido a minha saúde. Eu tive muito apoio e sinto que a gente não deve recusar. Apoio da minha filha, da família, da convivência com os amigos espirituais... Nós não podemos evitar o apoio, porque, às vezes, a pessoa não quer demonstrar nem para si mesmo que está doente.
OL: Como foi o seu tratamento?
NC: Tem várias orientações: fazer ginástica ou academia, caminhadas, ver mais a natureza, trabalhar a respiração. E tentei me alimentar de forma mais regular, com uma boa alimentação, pois, quando você fica assim, não tem fome. Aceitar apoio do seu líder espiritual e não perder a fé, a força espiritual dessa



* OM ATITUDE * por Giane Gatti
conexão com Deus, esse recurso de tanto tempo meditando. Perceber que você é mais forte do que a sua mente, que você não é ela, e que o seu intelecto tem poder sobre ela.
OL: Quanto tempo durou o tratamento?
OL: O que você diria para quem está passando pela síndrome de burnout agora?
NC: A primeira coisa é não ter esse sentimento: “Nossa! Estou com isso!”. Não colocar isso como uma
NC: Você tem de se respeitar. Nada de imediatismo. Eu me dei esse tempo, algo que eu não me dava. Comecei a fazer as coisas com calma. Passei a viver aquilo que estava no hoje e não trazendo nada do amanhã nem arrependimento de ontem. Naturalmente, não veio mais pânico, pois eu não o deixava vir. Eu não olhei aquilo como uma doença grave, e isso me ajudou muito. O foco era me cuidar e saber que eu ia ficar bem.
“Naturalmente, não veio mais pânico, pois eu não o deixava vir. Eu não olhei aquilo como uma doença grave, e isso me ajudou muito.
O foco era me cuidar e saber que eu ia ficar bem”
desgraça, é simplesmente uma síndrome, e você não deve entrar em pânico, mas deve colocar para o seu líder, para quem trabalha, e não ter medo de ser tachada como fraca, porque muitas pessoas não falam, ainda mais quando tem muita concorrência, elas são tachadas como incapazes. Se cuide, comece a olhar como está o equilíbrio da sua vida, porque eu não estava muito equilibrada. Eu fazia muita coisa, então manter esse autorrespeito de saber o que pode e o

que não pode. Você é uma pessoa digna, capaz, e que merece ter os seus limites e se colocar limites. Como estou passando pela minha vida? Se estou me vendo e podendo servir com as minhas especialidades e habilidades, fazendo uma troca de recursos financeiros, então estou vivendo a minha vida com dignidade. A gente não precisa querer se afirmar naquilo que a gente faz, mas naquilo que a gente é, e aquilo que eu sou tem que ser saudável, equilibrado e feliz.
Giane Gatti é jornalista e palestrante sobre sustentabilidade, e lançou o livro Mude ou mude-separaMarte–Umempurrãozinho paraumavidacomhábitosmaissustentáveis. É aluna da Brahma Kumaris desde 2010 e voluntária da Iniciativa ambiental e da campanha Escolha a calma *
* MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia

sintoma que denuncia a falência das instituições ou atestado de fracasso pessoal?
Abril de 2024. Lá estava eu com meu jaleco branco, crachá de psicóloga da atenção primária do SUS, caminhando rua afora para mais um dia de visitas domiciliares. Essa era uma tarefa que eu gostava de fazer, se não fosse aquela sensação de que minhas forças mal permitiam que eu desse o próximo passo. Independentemente do trabalho externo, mesmo quando estava em atendimento no conforto do consultório, eu sentia como se meu coração fizesse pausas. Ele parecia descansar à minha revelia, como se dissesse: “basta, já acelerei demais!”. Além dos sintomas físicos — entre eles uma perda severa de peso sem dieta ou jejum —, os sinais de cansaço mental e queda de humor eram também evidentes.
* MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
O que eu vivia ali não era um caso isolado, mas o reflexo de um fenômeno que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou oficialmente, na CID-11, como um "fenômeno ocupacional". O burnout não é uma condição médica de nascença, mas uma síndrome resultante de um estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso.
Entretanto, mesmo que todos os meus sintomas emitissem seu grito de alerta, compreendi que não é o coração, nem a mente e nenhum outro tipo de recurso pessoal que, isoladamente, conseguiria vencer as exigências de uma sociedade adoecida, composta por processos existenciais adoecidos, como a que vivemos atualmente.
A respeito disso, percebe-se que há uma tendência cruel em culpabilizar indivíduos por questões que exigem ação coletiva. Vivemos no que o filósofo Byung-Chul Han chama de "Sociedade do Cansaço". Passamos de uma sociedade disciplinar (onde alguém nos obrigava a fazer algo) para uma sociedade de desempenho, na qual nós mesmos nos exploramos sob a ilusão de liberdade e realização pessoal.
Todavia, embora cada sujeito necessite, individualmente, cumprir com seus deveres de autorrespon-

“O
burnout não é uma condição médica de nascença, mas uma síndrome resultante de um estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”
MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
sabilidade, culpabilizar o indivíduo é uma estratégia perversa — eu diria até demoníaca — de manter a sociedade como está: profundamente degradada.
Inclusive, Zygmunt Bauman — renomado sociólogo e professor polonês, frequentemente considerado também filósofo por suas profundas análises teóricas — já nos alertava de que somos compelidos a buscar “soluções biográficas para contradições sistêmicas”. Ou seja, tentamos resolver sozinhos, com nossos corpos e mentes, problemas que são criados pelas estruturas econômicas, sociais e até mesmo espirituais contemporâneas.
Em outras palavras, culpabilizar o indivíduo e desqualificá-lo moralmente por estar adoecido em uma sociedade que demanda altos níveis — às vezes, níveis sobre-humanos — de desempenho é a estratégia perfeita para isentar as instituições de suas responsabilidades. Cria-se, portanto, a falácia de que, se você adoeceu, é porque não teve mérito, resiliência ou fé suficientes.
Complementarmente, o autor Michael Sandel, em seu livro A tirania do mérito, aponta como essa lógica gera a arrogância nos vencedores e a humilhação nos que ficam para trás, ignorando que o sucesso ou o fracasso dependem de inúmeros fatores externos que fogem ao nosso controle.

MATÉRIA DE CAPA * por Tatiana Di Lucia
O cenário jurídico atual começa a reconhecer essa realidade. A omissão das empresas e instituições em prevenir riscos psicossociais, como metas abusivas, más condições de trabalho, ambiente de trabalho ameaçador e jornadas extenuantes, tem levado à responsabilização dos empregadores. O burnout é, juridicamente, uma doença ocupacional equiparada ao acidente de trabalho quando o nexo causal é comprovado. Isso reforça que o ambiente, e não apenas a pessoa, é o vetor da doença.
Conclui-se, portanto, que o burnout é uma doença endêmica, um conjunto de sintomas que denunciam que é hora de assumirmos compromissos coletivos e não apenas individuais. Afinal, a beleza da humanidade só poderá ser verdadeiramente reconhecida quando dermos a prova derradeira da equação que gera vida e prosperidade: autorresponsabilidade + responsabilidade coletiva. *

[1] ACCORDA ATIVOS JUDICIAIS. A Síndrome de Burnout: Implicações e o Tema 125 do TST. 2025. Disponível em: https://accorda.com. br/a-sindrome-de-burnout-implicacoes-e-o-tema-125-do-tst/. Acesso em: 13 fev. 2026.
[2] ALMEIDA, Orlando José de; OLIVEIRA, Rafael Euripedes Urquiza de. A Síndrome de Burnout e o Nexo Causal ou Concausal. Homero Costa Advogados. Disponível em: https://homerocosta.adv.br/a-sindrome-de-burnout-e-o-nexo-causal-ou-concausal/. Acesso em: 13 fev. 2026.
[3] BAUMAN, Zygmunt. A sociedade individualizada. Tradução de José Gradel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001. Disponível em: https:// www.ispsn.org/bauman-sociedade-individualizada.pdf. Acesso em: 13 fev. 2026.
[4 CALDAS, Mirian Aparecida. O Burnout como doença ocupacional e a omissão empresarial: análise à luz da Convenção 190 da OIT. Revista Esmat, Palmas, ano 17, n. 31, p. 199-222, jan./ jun. 2025. Disponível em: https://revista.esmat. tjto.jus.br/esmat/article/view/583. Acesso em: 13 fev. 2026.
[5] COSTA, Jeison Martins. Resenha crítica do livro: “A Tirania do Mérito: O que aconteceu com o bem comum?” de Michael Sandel. Labuta, v. 1, n. 2, jul./dez. 2024. ISSN 2966-0394. Disponível em: https://revista.trt1.jus.br/labuta/article/ view/75. Acesso em: 13 fev. 2026.
[6] HAN, Byung-Chul. The Burnout Society. Stanford: Stanford University Press, 2015. Disponível em: https://www.sup.org/books/title/?id=26646. Acesso em: 13 fev. 2026.
[7] REVISTA ÂMBITO JURÍDICO. Burnout e estabilidade acidentária de 12 meses. 2026. Disponível em: https://ambitojuridico.com.br/noticias/ burnout-e-estabilidade-acidentaria-de-12-meses/. Acesso em: 13 fev. 2026.
[8] SANDEL, Michael. A tirania do mérito: o que aconteceu com o bem comum? Tradução de Bhuvi Libanio. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021.
[9] TEIXEIRA, Fernanda da Rocha; FONSECA, Simone Dias Souza Doscher da. Burnout: estresse extremo no trabalho. Uma análise psicológica e jurídica. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, Belo Horizonte, v. 68, n. 106, p. 277-299, jul./dez. 2022. Disponível em: https:// as1.trt3.jus.br/bd-trt3/handle/11103/67890. Acesso em: 13 fev. 2026.
[10] VOLTAS, Tainá. A filosofia de Byung-Chul Han: a sociedade do cansaço e a crítica ao neoliberalismo. Casa do Saber, 2024. Disponível em: https://casadosaber.com.br/artigos/filosofia-byung-chul-han-sociedade-cansaco. Acesso em: 13 fev. 2026.

Tatiana Di Lucia (CRP 04/33151) é psicóloga, psicodramatista, consultora em saúde mental organizacional e inteligência artificial. Voluntária na ONG Brahma Kumaris
* OM COM O MUNDO * por Ramon Almeida



Pela observação, mesmo distante, do instável nível de bem-estar das pessoas na sociedade atual, é possível perceber o impacto do cotidiano inquieto que experimentam, na ânsia de prestígio individual, consumo supérfluo, gratificação imediata etc. Contribui para isso, por exemplo, a enorme quantidade e intensidade de informações disponibilizadas a todos, alimentando naqueles que as consumem o desejo impulsivo de se manter “superficialmente atualizado” e gerar um efêmero júbilo particular e ou uma aparente superioridade no âmbito coletivo. Entretanto, aquilo que é temporário e ilusório gera insatisfatoriedade e sofrimento em níveis crescentes, que levam à exaustão.
Tanto no plano pessoal, como na esfera profissional e social, grande parte da humanidade se deixa conviver com demandas exageradas e pressões constantes em ambientes de intensa competitividade, que faz emergir excessivas responsabilidades, cria situações cada vez mais desgastantes e impõe esforços implacáveis e perversos para


* OM COM O MUNDO * por Ramon Almeida
evitar decepções e frustrações. Esse contexto provoca no ser humano sintomas frequentes de cansaço, irritação, ansiedade, indolência e desmotivação. Tais noviços comportamentos são indicados pela ciência como indícios de uma doença crônica denominada “Síndrome de Burnout”, um distúrbio emocional que afeta a sociedade contemporânea e compromete a autoestima e o autorrespeito, tão relevantes numa vida digna e soberana.
Como ocorre nos processos de transmutação, perceber e aceitar os efeitos e consequências de uma situação indesejada representa o primeiro passo para o encontro das causas e fundamentos que, uma vez superados, viabilizam o novo padrão admissível. Realizar atividades requer clareza de propósito para identificar o que é realmente importante e saber “para que eu quero aquilo que eu quero”, um “norte” a alcançar, mesmo que na caminhada ocorram breves e naturais ajustes de percurso. Poderá haver uma reflexão sobre o que representaria melhor o conceito de riqueza e sucesso: uma vida



com mais virtudes e menos necessidades ou a luta por excesso de bens e propriedades. Ponderações sobre o sentido da vida tornam o itinerário especial e apreciativo, numa visão menos egoísta e mais abrangente.
Correção de rumo requer mudança de prioridade, percepção de limites e construção de novos suportes, alicerçados na leveza e bem-estar mais estável, numa jornada criativa - sem pressa e sem pausa -, onde o amoroso desapego aos hábitos antigos e a prática regular da introspecção servem de inspiração e surpreendem. Será percebida a importância de manter um maior controle e orientação mental para abrandar os desejos precedentes e ansiedades prescindíveis, que jazem no subconsciente e que merecerão melhor qualidade, com desinteresse ilimitado e renúncia ao modelo mental anterior. Novas habilidades e comportamentos serão manifestados por meio de pensamentos, palavras e ações sublimes, que, gradativamente, criarão um suporte para o novo estilo de vida a ser alcançado.



* OM COM O MUNDO * por Ramon Almeida *
Na vida espiritual, há muito a ser feito todos os dias, mas a capacidade de pensar menos e pensar melhor cria a habilidade de identificar o que é essencial na cesta de coisas importantes. Dá para fazer tudo e manter estável o espaço de serenidade. A chave está na apreciação do silêncio. É confortável parar um instante para respirar ar fresco ou tomar um copo d’água. Do mesmo modo, as pausas silenciosas ao longo do dia preservam o repouso mental e estimulam o poder do discernimento e da precisão para fazer certo na primeira tentativa, mantendo elevado o nosso nível de energia. Silêncio é como um retiro que conduz a si e a todos na direção das qualidades curativas da quietude. O silêncio revela a maravilha da nossa natureza original e nos credencia para uma real conexão com Deus, que é o Oceano de Paz, Amor, Felicidade e Pureza. O silêncio é incansável e nos aproxima de Deus. Om shanti!


“O silêncio revela
a maravilha da nossa natureza original e nos credencia para uma real conexão com Deus, que é o Oceano de Paz, Amor, Felicidade e Pureza”



Ramon Almeida é engenheiro e voluntário do Centro de Meditação Raja Yoga Brahma Kumaris

E então nos encontramos exaustos?
Bem... já nem conseguimos estar uns com os outros de forma casual, incondicional. Já nem conseguimos abrir mão de preferências pessoais em nome de um propósito maior... coisas que a exaustão faz!
Exaustos para achar um real significado no que quer que seja. De tão exaustos, estamos genuinamente apáticos, mas sorrimos nas fotos, incapazes de reconhecer nossa exaustão.
Mas a alma humana tem tanta energia! Por que exaustos?
Exaustos de não podermos criar a própria história com liberdade, sem medo de sermos nós mesmos - e errar. Exaustos por estarmos presos nas redes que criamos um dia.
De pensar demais. De alvejar o extraordinário, de desejar o magnífico, querer impactar e deixar legado e de não conseguir, não conseguir...
Exaustos: de buscar ser especial para algum coração, de querer ser visto, de correr atrás da fama, do brilho, do palco, “da grana...”
Estamos num único planeta, dividindo esse sagrado globo flutuante com os cinco elementos, com pássaros, flores e oceanos – a exaustão também vem porque nos desconectamos dessa verdade tão especial.
Exaustos porque perdemos a capacidade de ver a beleza atrás da feiura, o brilho oculto na escuridão, o sorriso atrás da história de uma feição séria demais, perdemos a sutileza, enganados pela densidade do palpável.

Patrícia Cantalino
Mas, mais que tudo (talvez só o inconsciente veja): estamos mesmo exaustos é de mostrarmos nosso lado sombra, de sermos “a turma do mal”: competitivos, desleais, infelizes... Estamos mesmo exaustos é de fingir, de parar de acreditar. Exaustos de, nas redes, dramatizar, plagiar a vida, trapacear a magnitude dela – não... ela não cabe nos telões, telinhas ou em qualquer tela... nossa história real sempre foi mais bela!
Então, que tal recarregar?
Fazermos da vida um laboratório onde usamos o (suficiente) que já sabemos?
Ficarmos um pouco quietos, dentro; o cansaço vem de buscar fora, e correr, correr e correr...
É chegada a hora de buscar o brilho da alma, de se conectar com o divino, a Fonte inesgotável de energia - e tão virtuosa!
Vamos diluir o “burnout” crônico, guiando a mente para que se deite em espaços sem significados, prazos e nomes. Onde possa entregar, numa conversa simples, de coração a coração, todos os seus desejos supérfluos (aparentemente verdadeiros), seus medos e preocupações.
É tempo de tirar as máscaras, despir a fantasia, olhar para dentro (o nosso e o dos outros) e nos reapresentarmos, porque tropeçamos, de novo e de novo. Tropeçamos, mas tá na hora de levantar! Brilharmos novamente, sermos surpreendidos por nossa verdade, é ela que causa impacto - na atmosfera. O verdadeiro palco sempre foi interno e o brilho sempre foi o da alma.
Tá na hora de nos juntarmos à melodia da natureza, de também nos sentirmos Sol e Lua.
Tá na hora de integrar. Diluir o mal-entendido, encontrar um

por Patrícia Cantalino
jeito de perdoar, de seguir em frente com a força que o sofrimento dá. Tá na hora de passar “merthiolate” e voltar para o jogo porque ele (a vida) é mais importante que tudo – e, afinal, todo machucado sara um dia...
Exaustos estamos todos, de fazer de conta que a vida é boa, tá na hora de senti-la (boa)...
Precisaremos viver “off the grid”? Deixar todo o sistema? Nem 8 nem 80... O que tem que mudar é a consciência, sempre foi dentro, dentro, dentro...
E quem pode dar essa guinada?
Quem se sente tocado, aceita o desafio da autotransformação, entende a “gameficação” (da vida), curte o autoconhecimento, compartilha (e é empático) o sofrimento do mundo, toca o sininho - para si mesmo, sem plateia, sem views.
Exige força, solitude, curiosidade e paciência, exige escuta sutil - a da nossa essência –, aquela que grita, a seu modo, há tanto tempo, para nos trazer de volta, para nos ver renovados e esbanjando energia vital. Ela sabe que trabalhamos duro, nascimentos após nascimentos, e hoje, estamos exaustos, você está exausto - e seu eu sábio entende muito bem o porquê...
E, então, relaxarmos seguindo o fluxo - porque quem se sabe não se cansa mais, já chegou, mesmo antes de estar lá.

Patrícia Cantalino é professora de meditação na Brahma Kumaris desde 1998. Atua como assistente da coordenação da BK na região Nordeste *
* por Sandra Costa

O burnout é muitas vezes descrito como exaustão extrema, mas esta definição não alcança toda a sua profundidade. Ele não se manifesta apenas como fadiga do corpo ou sobrecarga da mente; trata-se de um esgotamento mais amplo, que atinge o sentido do viver. A pessoa acorda cansada mesmo após dormir, perde o entusiasmo pelo que antes tinha valor e sente-se distante de si. Há produtividade, há movimento, mas falta presença interior. Nesse
estado, a exaustão deixa de ser um sintoma isolado e passa a ser um sinal de algo mais profundo que pede atenção.
Na sociedade atual, o ritmo acelerado tornou-se normalidade. O fazer constante é valorizado, enquanto o ser é frequentemente esquecido. Muitos aprendem desde cedo a medir seu valor pelo desempenho, pelos resultados e pela aprovação externa. Aos poucos, a mente se condiciona a viver voltada para fora, reagindo

a demandas, comparações e expectativas. O silêncio interior passa a causar desconforto, e o descanso verdadeiro é confundido com simples interrupção das atividades. Nesse cenário, o burnout surge como um alerta: a consciência está operando além de seus limites naturais.
Sob uma perspectiva espiritual, esse estado de esgotamento pode ser compreendido como um afastamento da identidade essencial da alma. Quando a pessoa
se percebe apenas como corpo, função ou papel social, perde o contato com suas qualidades inatas de paz, estabilidade e clareza. A alma, privada dessa conexão, experimenta um cansaço que nenhum repouso físico consegue curar. O corpo continua, mas a energia interior se esvai.
A visão apresentada pela Brahma Kumaris oferece um caminho de retorno ao centro. A prática da meditação Raja Yoga convida a mente a recolher-se, a desligar-se


* OM INSPIRAÇÃO * por Sandra Costa

por alguns instantes do ruído externo e a reconhecer-se como consciência espiritual. Nesse espaço de silêncio, a pessoa não precisa produzir, corresponder ou provar nada. Basta estar. É nesse estado que a alma começa a revitalizar-se, recuperando uma sensação de sentido e equilíbrio que não depende das circunstâncias.
O enfrentamento do burnout, portanto, não se limita a ajustes na agenda ou técnicas de “O enfrentamento do burnout, portanto, não se limita a ajustes na agenda ou técnicas de relaxamento. Ele pede uma mudança de consciência. Ao reconectar-se com a própria essência, a pessoa aprende a agir sem se esgotar, a servir sem se perder e a trabalhar sem se identificar excessivamente com os resultados”
relaxamento. Ele pede uma mudança de consciência. Ao reconectar-se com a própria essência, a pessoa aprende a agir sem se esgotar, a servir sem se perder e a trabalhar sem se identificar excessivamente com os resultados. O fazer passa a fluir a partir do ser, e não o contrário.
Assim, a exaustão deixa de ser apenas um problema a ser combatido e transforma-se em um ponto de virada. Um convite ao despertar interior, à redefinição

de valores e à lembrança de que a fonte verdadeira de energia não está no esforço contínuo, mas na conexão consciente com aquilo que somos em essência.
Se você é um tradutor, uma artesã, um leitor etc., uma boa dica para prevenir a exaustão é dividir o tempo disponível em turnos de 1 hora de atividade com pausas de 10 minutos após. Nesses 10 *
Sandra Costa é uma tradutora gaúcha porto-alegrense, membro da Brahma Kumaris há 43 anos minutos, alongue-se, caminhe ou beba água etc. A nossa musculatura e cérebro precisam de descanso. Geralmente, os nossos períodos de foco de atenção são de 30 minutos a 1 hora. Respeite o seu ritmo fazendo sempre um período de atenção concentrada com outro de distensão.


Quando pensamos em cansaço, qual seria a associação imediata?
Acúmulo de funções, muitos afazeres, muitos desafios ou períodos de ter que lidar com muitos assuntos desagradáveis. Analisando de forma superficial, esses são os motivos de tanto desgaste de energia na atual conjuntura. Se nos dispomos a ver isso de forma um pouco mais profunda e numa perspectiva espiritual, podemos encontrar a real semente do cansaço.
A permanente busca de prazer originado pelos sentidos físicos nos fez perder energia e acumular compromissos, posses e a necessidade de mais e mais coisas ou reconhecimento. Quando a fraqueza assola o “ser”, a busca por prazer vindo do externo aumenta. Então, passamos a acreditar que a felicidade está na música que ouvimos, na comida que consumimos, nas companhias que mantemos e assim por diante. Isso fez dispersar nossa percepção de onde realmente vem a sensação de preenchimento interior.
A capacidade de acessar a melhor disposição, os melhores pensamentos, a melhor interpretação das cenas, ajuda-nos a
* OM DICA DE LEITURA * por Katia Roel
manter a energia interior em alta. Se reavemos essa chave, haverá menos tendência ao cansaço e burnout. Menos cansaço implica nesses dois aspectos:
Não disperdiçar energia com assuntos trivias, ou seja, guardar energia para momentos de real necessidade. Menos fantasias, menos julgamentos, menos repetitividade, menos comparações. Mais paz, mais coragem, mais responsabilidade, mais amor;
REGULARMENTE
Se nos enfraquecemos, temos que exercitar a reposição de energia. A percepção enfraquecida de si torna o ser subserviente a situações, pessoas e vícios. Logo, o primeiro passo para repor as energias seria a compreensão do próprio valor. Autoconhecimento. Redescobrir sua missão, seu propósito e seus valores. O segundo passo é associar-se a uma Fonte que nos ajude a cultivar esse processo de autodescoberta, Deus, a energia incansável, constante e benevolente incessantemente.




Esse é o valor do trabalho interno – é realmente incrível descobrir que tudo que buscamos está em nós! E, ao nos afastar de nós, perdemos acesso. Ao nos aproximar de nós, ganhamos o acesso ao melhor estado de disposição e energia. A Fonte Divina nos sustenta nesse processo.
Certamente que um ser com mais diposição e clareza articula a vida de forma inteligente, corajosa, responsável e, assim, consegue atingir mais resultados, com menos gasto de energia. Mais clareza, menos esforço e mais resultados. Autogerenciamento reflete o bom gerenciamento da vida num todo.
Ken O’Donnell, em seu livro A experiência com Deus ilustra de forma interessante, como podemos alcançar mais com menos gasto de energia, através de cultivarmos vários relacionamentos e experiências com Deus. Essa é a indicação especial desta edição. Se já leu, releia, se não leu, leia! Merecemos uma jornada leve e produtiva! Merecemos mais proximidade com a Fonte de energia! Sigamos assim! *
* OM COMIDA PURA * por Ana Paula Paixão

A exaustão que sentimos hoje não é apenas física; ela nasce do excesso “de fazer” e da desconexão com o nosso ser essencial. Quando esquecemos que somos seres espirituais, passamos a viver no automático, acumulando tarefas e pensamentos.
O despertar começa ao trazer consciência para ações simples, como cozinhar, comer e servir.
Cozinhar pode se tornar uma meditação em ação. Ao entrar na cozinha, com alguns minutos de silêncio e lembrança de Deus, conectamo-nos à Fonte de paz e pureza. Pensamentos elevados enquanto preparamos os
alimentos transformam a qualidade da nossa energia e influenciam o ambiente. A mente desacelera, o coração se aquieta e o cansaço começa a se dissolver.
Comer com presença também é essencial. Uma breve pausa antes da refeição, em gratidão, ajuda o corpo a relaxar e a mente a reduzir o excesso de pensamentos.
Servir, por sua vez, amplia o coração. Ao oferecer alimento com amor e boas intenções, compartilhamos paz. Assim, a cozinha se torna espaço sagrado, e cada refeição, um momento de renovação espiritual e de suave despertar da exaustão. *
• 1 xícara de lentilha • 1 maço de espinafre fresco • 1 colher (chá) de cúrcuma • 1 colher (chá) de gengibre ralado • ½ xícara de coentro picado • 200 ml de leite de coco • 1 colher (chá) de sal
Deixe a lentilha de molho por, pelo menos, 12 horas. Descarte a água do remolho, coloque-a em uma panela, cubra com água fresca e cozinhe com sal até ficar macia. Em seguida, acrescente a cúrcuma, o gengibre, o coentro e o leite de coco, deixando por alguns minutos para incorporar bem os sabores. Finalize com o espinafre e cozinhe apenas até ele murchar, preservando sua cor, textura e nutrientes. Antes de servir, faça um minuto de silêncio, enviando pensamentos de paz. A energia com que preparamos o alimento também nutre a alma.



Ana Paula Paixão pratica meditação
Raja Yoga há mais de 15 anos. É designer, culinarista e encantada com a natureza
* OM ÚLTIMA PALAVRA * por Dadi Janki














































Muito amor no coração por todos e nenhum apego por ninguém.
Tentar não prejudicar pessoa alguma minimamente e eliminar da mente qualquer pensamento negativo, fazendo dessa prática um exercício diário.
Ter a certeza de que não estamos aqui à toa, mas para cumprir o destino da autotransformação. Estamos em uma jornada, somos caminhantes, sem dependências ou estabilidades. Quem não percebe isso se torna escravo do desnecessário e polui a mente.
Deveríamos viver uma vida mais simples. As pessoas, atualmente, vivem com muita demanda de consumo, uma hora desejam isso, outra hora desejam aquilo e, assim, todos acabam tendo muitas demandas e expectativas.
Ter uma vida simples significa ter uma vida real. Algumas pessoas pensam que a necessidade da vida é possuir coisas, objetos, mas, na





















* OM ÚLTIMA PALAVRA * por Dadi Janki
verdade, o que realmente importa é possuir valores espirituais. Desta forma, a espiritualidade se desenvolve mais facilmente. E espiritualidade significa cada pessoa usar seu tempo, seu dinheiro, sua energia no caminho do bem.
O ser humano deve investir na qualidade de seus pensamentos, ser capaz de ter um relacionamento com o Supremo e, por fim, entender os movimentos de calma e ação. Assim, todos nós poderemos usufruir da paz verdadeira.



















"O ser humano deve investir na qualidade de seus pensamentos, ser capaz de ter um relacionamento com o Supremo e, por fim, entender os movimentos de calma e ação"
As demandas externas atualmente são muito intensas e isso acaba prejudicando a qualidade dos relacionamentos em geral. No final das contas, o ser humano complica muito sua vida em virtude dessas demandas e acaba esquecendo-se de tomar conta de si, e a consequência disso é exaustão e dificuldades nos relacionamentos.
Com uma vida simples, o indivíduo é capaz de dar mais atenção aos outros, cooperar com os outros, tornando-se alguém que possui um coração generoso.






Um dos segredos de uma vida plena e de paz é buscar caminhos diferentes, os quais não façam os seres humanos perderem tempo e energia, e também livrar-se das negatividades do mundo. Portanto, devemos focar somente em coisas boas, de valor, com significado para nossa essência, e eliminar os maus hábitos. E tudo isso se inicia com a transformação interior, autoconhe cimento e o entendimento de que é por meio da espiritualidade que se pode alcançar uma vida plena.
Todos que, por meio da observação contínua de si e da prática da meditação, experienciam um relacionamento autêntico com Deus podem tornar-se as estrelas brilhantes que iluminam o mundo. Se todos seguirem assim, poderemos criar o paraíso aqui na Terra. Mas, primeiro, teremos de criar o paraíso em nossa mente. Porque tudo o que acontece neste mundo começa antes no coração dos homens.






Dadi Janki, yogini indiana, líder espiritual da Brahma Kumaris, foi considerada pelo Instituto de Pesquisa Médica do Texas como a mente mais estável do mundo. Deixou o corpo físico e ascendeu ao mundo espiritual em março de 2020


* MEDITA BK *


Vídeo “Experimente força e supere os desafios”, do canal no YouTube, da Brahma Kumaris Brasil. Clique no ícone acima para ver o vídeo

Peso, letargia e exaustão são sinais de que a alma se perdeu - de que me desconectei do meu poder e propósito interior.
Quando isso acontece, conscientemente afasto meus pensamentos do mundo, estabilizo-me no silêncio e dirijo os pensamentos ao alto, buscando força em Um.
Revigorado e renovado, sei para onde estou indo e o que devo fazer.
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