Contra o relógio São Paulo, 02 de outubro de 2007 – Edição 517 – www.bites.com.br
Claro está pronta para o 3G, mas Anatel não concedeu a autorização para operadora lançar o serviço Manoel Fernandes BITES Futurecom
A
terceira geração da telefonia celular está dentro do modelo de negócio da operadora de telefonia celular Claro. Todos os investimentos já foram feitos e o presidente da companhia, João Cox, só espera a hora de virar a chave. O problema é a demora da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em conceder o aval necessário para a operação. Do ponto de vista legal tudo depende apenas de um carimbo em um documento que dorme em alguma gaveta de um burocrata de Brasília, já que Claro iniciará o novo serviço dentro das licenças já existentes e, por enquanto, não enxerga necessidade de adquirir novas frequências. Só que a Anatel está muito preocupada com essa estréia do 3G antes do leilão que a agência programou para vender novas freqüências para outras operadoras que não conseguiram dar o salto da Claro. “A justificativa para a demora é estranha porque alguns técnicos da agência acreditam que a arrecadação com as novas licenças será bem menor se existir alguém operando em terceira geração”, afirma um executivo com amplo conhecimento dos bastidores de Brasília. “A Anatel está esquecendo que sua função não é lucrar com venda de frequências, mas garantir a evolução do mercado brasileiro de telecomunicações.” Na Claro, a situação beira a irritação. Algo bastante compreensível para a operadora hoje controlada pelo empresário mexicano Carlos Slim. Na sua passagem pela Futurecom 2007 Cox disse a BITES que não entende o motivo para a demora que já dura alguns meses “Não entrarei no mérito da questão, mas não vejo nada que nos impeça de seguir adiante nesse assunto”, afirmou o executivo. Cox disse que fez a sua lição de casa e que quanto mais tempo esperar pela decisão da Anatel mais competitividade perderá junto aos seus clientes. “Tem muita gente reclamando que
deveria olhar para dentro do próprio negócio”, afirmou o presidente numa referência direta aos seus concorrentes. Na realidade, a disputa é bem maior do que se imagina. A terceira geração de telefonia móvel provocará uma profunda mudança no modelo de negócios das operadoras móveis. A quantidade de oportunidades que poderão se abrir diante João Cox é substancial e muito lucrativa. Um novo produto em estudo pelas empresas do setor é a expansão da banda larga móvel. Pequenos modens na forma de pendrive colocarão nas mãos dos usuários a chance de navegar em altas velocidades pela internet do seu laptop ou mesmo do computador de casa. A pressa de Cox tem uma razão estratégica. Ele sabe que quanto mais cedo entrar maior será a expansão da sua base. A Claro apresenta hoje resultados bem interessantes.A empresa saltou de uma participação de mercado de 21,64% em
2005 para os atuais 24,76%. Esse percentual garante um empate técnico com a TIM, dona de 25,71% dos celulares em operação no Brasil, e uma proximidade com a Vivo, a atual líder com 28,05%. Há quem aposte que a entrada do 3G poderá mudar esse quadro de alguma forma. Essa é a grande aposta d a Claro na busca pela hegemonia no mercado brasileiro de telefonia móvel. Por isso, o assunto Anatel não é um tema que agrade muito o presidente da Claro. Ele quer resolver a questão o mais rápido possível e dessa forma mostrar ao mercado, e também aos seus acionistas, que o 3G é mais que uma sigla. É uma grande fonte de oportunidades para quem utiliza seus serviços e de receita para os donos das operadoras.