36a Bienal de São Paulo
Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da Cidade de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo, Sesc – Serviço Social do Comércio e Itaú apresentam
Nem todo viandante anda estradas, há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra. Conceição Evaristo excerto de “Da calma e do silêncio” Minha alegria é saber que você é eu e que eu sou fortemente você.
A 36ª Bienal de São Paulo se abre como um encontro: mundos, histórias e ritmos convergem em polifonia. Um espaço que se ergue por essas múltiplas vozes que, em deslocamento, não buscam ser relatos de migrações ou brados de identidades e suas políticas, mas refletir sobre a noção de humanidade em uma era de desumanização em massa. A exposição, feito um estuário onde águas doces e salgadas se encontram, torna-se um lugar de negociação, de nutrição, de luta e, possivelmente, de reparação. Suas confluências criam terrenos férteis nos quais as práticas de humanidade podem assumir novos significados. Quais caminhos seguimos para praticar a humanidade? De que maneira nos permitimos sair da rota traçada, abraçar a errância, nos perder e encontrar outros mundos e a nós mesmos de novo? Ecoando a evocação da poeta afro-brasileira Conceição Evaristo de “mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra”, esta exposição emerge como limiar, passagem e morada, ao sugerir de forma metafórica caminhos e contextos que a humanidade, ocupando o papel de viajante, pode seguir ou habitar. Humanidade é uma prática. Humanidade é um verbo. Ela pode ser conjugada. Equipe conceitual da 36ª Bienal de São Paulo
Etimologicamente relacionado à palavra “húmus”, isto é, solo, o humano evocado aqui em nada coincide com aquele que toma a terra como bem material a ser cercada e tratada como posse, mas para quem ela é sinônimo de pertencimento, sustentáculo de sua própria existência sempre em comunidade. Não importa onde se esteja, portanto não restrito à sua origem ou chegada. Prática coletiva que, de quebra, é resistência aos legados coloniais e à exploração de todas as formas de vida – humanas e mais-que-humanas –, uma vez que orgânico e inorgânico são parte de um todo interligado e, portanto, interdependente. De um todo e de todos que requerem cuidado recíproco. Prática que, mais que ser vista ou lida, precisa de escuta profunda e atenta, ressoando a soberania, a emancipação e a dignidade da persistência. Motivo musical, composição em movimento enquanto aquilo que se desloca em diferentes direções, avesso ao progresso predatório. Afirmação da força da vulnerabilidade, das cosmogonias ancestrais, das visões do futuro e do detalhe atento aos gestos cotidianos. Nesse sentido, esta Bienal é partitura viva, por meio da qual o caminho entre as obras e de cada obra como caminho em si são repletos da partilha de diferentes maneiras de navegar paisagens, ao trabalhar, descansar, festejar, ritualizar. É convite para que o corpo mova-se aberto à solidariedade, a estar junto, ao reconhecimento da coexistência e da beleza como prática política e poética.
PATROCÍNIO MASTER
PATROCÍNIO
MOBILIDADE OFICIAL
TRANSPORTADORA OFICIAL
ter – sex
13h–21h30
sáb dom feriado
10h–18h30
entrada gratuita
PARCERIA ESTRATÉGICA
René Depestre excerto de “Une Conscience en fleur pour autrui”
19.8.2026-– 15.11.2026
AGÊNCIA OFICIAL
APOIO MÍDIA
APOIO
APOIO INSTITUCIONAL
No ano seguinte a cada edição da Bienal de São Paulo, realiza-se o programa de mostras itinerantes que desembarca em cidades de diferentes regiões do Brasil e do exterior. Recortes da grande exposição sediada no Pavilhão da Bienal são viabilizados por meio de parcerias com museus e instituições culturais. As itinerâncias expandem o alcance do evento, contribuindo para sua projeção nacional e internacional ao criar novas possibilidades de diálogo e aproximação com públicos cada vez mais amplos. Esta é a oitava vez que o programa é acolhido por São José do Rio Preto, sempre em sua unidade do Sesc. A primeira ocorreu em 2013, durante a segunda edição da itinerância, quando a Fundação Bienal consolidava uma iniciativa que acontecia de forma esporádica desde 1952, ano subsequente à primeira Bienal de São Paulo. Nesta renovada e já tradicional parceria, a Fundação reafirma seu propósito cultural e educacional, fortalecido ao longo de mais de setenta anos de história e, mais uma vez, ampliado pelo extenso alcance da atuação do Sesc São Paulo, parceiro cultural histórico da Bienal. A itinerância da 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática conta com obras que convidam o público a repensar a humanidade como verbo, por meio de ações concretas e vivas, além do chamado à escuta profunda, ao criar espaços onde se reconhece a coexistência múltipla e a interdependência de todos os seres. Ao proporcionar o encontro com esses trabalhos, a Fundação Bienal de São Paulo almeja contribuir para a construção de uma sociedade mais diversa e plural, estimulando e democratizando o acesso à arte contemporânea e aos debates que sempre a acompanham.
Há diferentes situações que ensejam deslocamentos, dentre elas as buscas materiais para se atender as necessidades mais básicas do ser humano, como segurança ou alimentação, até as transferências de emoções ou desejos, como um conceito psicanalítico. O ato de se deslocar, seja factual ou simbólico, prático ou teórico, porta em si uma série de elementos que podem tornar a movimentação mais complexa do que aparenta. Considerando o deslocamento de olhar, a 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática tem como proposta convidar os públicos a repensar a humanidade em um mundo que exige reimaginar as relações, as assimetrias e a escuta como bases de convivência, se organizando pela metáfora do estuário – espaço em que diferentes correntes de água se encontram e coexistem. Com curadoria geral de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, cocuradoria de Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, dos cocuradores adjuntos Leonardo Matsuhei e André Pìtol e cocuradoria at large de Keyna Eleison, além da consultoria de comunicação e estratégia de Henriette Gallus, a mostra se inspira no poema “Da calma e do silêncio”, da escritora Conceição Evaristo. Em longeva parceria institucional entre Fundação Bienal de São Paulo e Sesc São Paulo, a itinerância da 36ª Bienal exibe, no Sesc Rio Preto, obras dos artistas Akinbode Akinbiyi, Andrew Roberts, Ernest Cole, Helena Uambembe, Josèfa Ntjam, Ming Smith, Sharon Hayes e a irmandade Vilanismo, além de oferecer programação educativa para diferentes públicos. Assim, o Sesc São Paulo reafirma seu compromisso em proporcionar ações que contribuam para a formação de repertórios contemporâneos variados, propiciando espaços de encontro, escuta e reflexão crítica.
Andrea Pinheiro Presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Luiz Deoclecio Massaro Galina Diretor Regional do Sesc São Paulo
REALIZAÇÃO
itinerância Sesc Rio Preto
Com o propósito de ampliar o acesso de diferentes públicos aos seus conteúdos, a Fundação Bienal realiza o programa de mostras itinerantes. Essas exposições levam recortes das edições da Bienal de São Paulo para diversas cidades do Brasil e do mundo nos anos seguintes ao grande evento de arte contemporânea na capital paulista. Desde o início do programa, em 2011, a parceria entre o Sesc São Paulo e a Fundação Bienal alinha-se à vocação das instituições que, há mais de setenta anos, democratizam o acesso à arte e suas diversas formas de expressão através da difusão e fomento de ações culturais e educativas.
Sesc Rio Preto Av. Francisco das C. Oliveira, 1333 São José do Rio Preto - SP
36ª Bienal de São Paulo Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
Visitação 19 agosto – 15 novembro, 2026 ter – sex 13h – 21h30 sáb · dom · feriados 10h – 18h30 entrada gratuita
Equipe conceitual Curador geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung Cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza Cocuradora at large Keyna Eleison Consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus Cocuradores adjuntos André Pitol, Leonardo Matsuhei
O título da 36ª Bienal de São Paulo, “Nem todo viandante anda estradas”, é formado por versos da escritora Conceição Evaristo
Itinerância Sesc Rio Preto Curadoria Thiago de Paula Souza
@bienalsaopaulo @sescsp
Akinbode Akinbiyi Andrew Roberts Ernest Cole Helena Uambembe Josèfa Ntjam Ming Smith Sharon Hayes Vilanismo
Sobre os artistas
Andrew
Oxford, 1946. Vive em Berlim
Pomfret, 1994
desenvolve uma prática que atravessa o gameplay, o roleplay e a criação de mundos, elaborando narrativas multiplataforma que se materializam por meio de animações digitais, objetos e poesia. Seu trabalho já foi apresentado em instituições como o Museo Jumex (Cidade do México), o Whitney Museum of American Art (Nova York) e o Museum of Contemporary Art San Diego.
Ernest Cole
foi fotógrafo e autor de um extenso registro das condições de vida sob o apartheid. Atuando de forma clandestina na década de 1960, produziu imagens que compõem o livro House of Bondage, publicado no exterior e banido em seu país. Exilou-se em 1966, e fotografou para instituições como a Ford Foundation e a revista Life. Sua obra foi redescoberta nas últimas décadas, com exposições em instituições como The Photographers’ Gallery (Londres) e Foam (Amsterdã), e hoje integra acervos como os do Museum of Modern Art (Nova York), Art Institute of Chicago e Tate Modern (Londres).
Créditos das imagens © Natt Fejfar / Fundação Bienal de São Paulo © Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo
Roberts Tijuana, 1995. Vive na Cidade do México
Akinbode Akinbiyi é um fotógrafo e artista itinerante que percorre espaços urbanos com atenção ao cotidiano e suas camadas mais sutis. Inspirado pela inversão do título da autobiografia I Wonder as I Wander, de Langston Hughes – poeta, romancista, dramaturgo e ativista social –, adota a ideia de “vagar para se maravilhar” como princípio de sua prática. Seus percursos tornam-se formas de escuta e contemplação, buscando compreender o mundo por meio da imagem. Suas fotografias evocam lamentos visuais e ressonâncias intuitivas de um tempo por vir. Participou da FotoFest Biennial (Houston, 2020), da documenta 14 (Kassel, 2017) e da exposição Creative Africa (Philadelphia Museum of Art, 2016), entre outras.
Helena Uambembe
é artista de ascendência angolana. A trajetória de sua família, que inclui a fuga da guerra civil em Angola e a participação de seu pai no 32º Batalhão da Força de Defesa Sul-Africana, é central em sua obra. Formou-se pela Tshwane University of Technology, em Pretória. Venceu o David Koloane Award e realizou uma residência no Bag Factory Artists’ Studios, em Joanesburgo, além de ter recebido o Baloise Art Prize e a bolsa de artes visuais do DAAD, em Berlim.
Josèfa Ntjam Eersterust, 1940 – Nova York, 1990
Detroit. Vive em Nova York
Sharon Hayes
Ming Smith
fotografa desde a infância, criando imagens que exploram movimento, luz, ritmo e sombra. Após se formar na Howard University, nos anos 1970, integrou a comunidade de artistas negros do Harlem. Foi a primeira fotógrafa negra a ter uma obra adquirida pelo MoMA, em Nova York. Conhecida por sua fotografia de rua em preto e branco e retratos de figuras centrais da cultura negra, adota processos meticulosos que incluem técnicas na câmera e na pós-produção, como baixas velocidades do obturador, colagens e pintura manual sobre impressões. Sua obra integra acervos do Museum of Modern Art (MoMA) e do Brooklyn Museum (Nova York), do African American Museum (Filadélfia) e do Detroit Institute of Arts (Detroit).
Baltimore, 1970. Vive na Filadélfia
Metz, 1992. Vive em SaintÉtienne é artista, performer e escritora. Sua prática cruza escultura, fotomontagem, filme e som, compondo narrativas especulativas que entrelaçam mitologia africana, ciência, espiritualidade ancestral e ficção científica. A partir de imagens, textos e arquivos, questiona discursos hegemônicos sobre identidade, origem e poder. Participou da 60ª Bienal de Veneza com a individual swell of spæ(c)ies, e da 15ª Bienal de Gwangju. Exibiu em instituições como Centre Pompidou, Fotografiska (Nova York), Palais de Tokyo (Paris) e Barbican Art Gallery (Londres). Suas obras integram coleções como Fondation Louis Vuitton, Centre national des arts plastiques (Paris), e Musée d’art moderne et contemporain de Saint-Étienne, entre outras.
utiliza vídeo, performance, som e escultura pública para expor interseções entre história, discurso e resistência social, desconstruindo narrativas históricas e reativando caminhos para compreensões alternativas do presente. Sua prática investiga as gramáticas linguísticas, afetivas e sonoras que moldam processos de dissidência. Realizou exposições no New Museum e Whitney Museum of American Art (Nova York), Contemporary Art Gallery (Vancouver), e San Francisco Museum of Modern Art, e participou da 55ª Bienal de Veneza.
Vilanismo é um coletivo de doze homens negros que atua na criação de espaços de resistência e afirmação no circuito artístico. Valorizam os conhecimentos ancestrais, experiências afro-indígenas e a construção coletiva, priorizando a autonomia e a criação de práticas sustentáveis. Em suas ações, rejeitam estereótipos e fetiches históricos impostos a corpos negros, subvertendo expectativas normativas e celebrando a abundância cultural. O grupo participou de eventos como o Baile do Vilanismo (Edifício Misericórdia, São Paulo) e a conversa-performance “Masculinidades Negras” (Instituto Moreira Salles, São Paulo). Atualmente, é composto por Diego Crux, Ramo, Renan Teles, Carinhoso, Guto Oca, Rodrigo Zaim, Rafa Black, Robson Marques, Denis Moreira e Daniel Ramos. fundado em 2021, São Paulo