www. jornalmartimpescador.com.br JANEIRO/FEVEREIRO 2018 • Número 151 • Ano XIV • Tiragem 3.000 exemplares
Samba na maré Grupo Estilo Brasileiro mostra seu seu talento no restaurante Convés na praia da Enseada, em Guarujá. Pág. 7
Crianças da Vila dos Pescadores em Cubatão visitam o Aquário e o Museu de Pesca de Santos. Págs. 6 e 7
Experimente um delicioso pudim de tapioca! Pág. 9
Caruara entra na rota oficial do turismo do Estado de São Paulo. Pág. 12
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PESCADOR: Como obter autorização para a pesca do caranguejo-uçá O primeiro passo para obter a autorização é preencher as fichas de auto-registro que são encontradas no Instituto de Pesca ou nas Colônias de Pescadores. É importante entregar as fichas de auto-registro em dia, se possível, todo mês. Em seguida fazer o pedido de relatório no Instituto de Pesca, pessoalmente. Levar o relatório e os documentos necessários pessoalmente na Coordenadoria de Recursos Naturais (CBRN). Quando a autorização estiver pronta, buscá-la pessoalmente na CBRN. Para emissão do Relatório de Produção: I – Entregar as fichas de auto-registro preenchidas; II – Assinar o pedido de relatório; III – Cópia simples de um documento com foto (RG, CNH ou RGP); IV – Cópia simples de um comprovante de residência atual. Documentos para emissão da Autorização de Captura do Caranguejo-uçá: I - Cópia simples, acompanhada da via original do documento de identidade ou equivalente com foto; II - Cópia simples, acompanhada
Sarah e Priscila mostram as fichas de auto-registro a serem preenchidas no Instituto de Pesca
da via original da Licença de Pescador Profissional, mesmo quando suspensa, ou protocolo de solicitação da mesma; III - Cópia simples de comprovante de residência ou declaração de residência emitida por entidade representativa, tais como: associação ou colônia de pescadores, associação de bairro ou de moradores ou órgão público; IV - Relatório de produção com discriminação da pesca do caranguejo-
uçá, emitida pelo Instituto de Pesca. Instituto de Pesca - Avenida Bartolomeu de Gusmão, 192 - Aparecida, Santos/SP CEP: 11045-401. Telefone: (13) 3261-5160 (Falar com Gastão, Sarah ou Priscila). Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN) Rua República dos Estados Unidos da Venezuela, 75 - Ponta da Praia, Santos/ SP CEP: 11030-270. Telefones: (13) 3269-1214/3269-1215 e 3269-1213.
Protocolo volta a ser válido para a prática da pesca artesanal
Cadê as carteiras?
A permissão do uso de protocolo para a prática da pesca artesanal foi feita através da Portaria 2.546-SEI de 29/12/2017. Ela entrou em vigor na data de sua publicação em 11/01/2018 com vigência até 31/12/2018. A medida valida os protocolos de solicitação de Registro Geral da Atividade Pesqueira, categoria Pescador Profissional Artesanal, entregues a partir de 2014 como documentos de regularização para o exercício da atividade de pesca. Ficam validados os protocolos de entrega de Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira-REAP como documentos de regularização das Licenças suspensas, cujo motivo de suspensão foi o descumprimento do Art. 9º da Instrução Normativa MPA 6 de 29/07/2012. Os protocolos servirão especialmente para efeito de comprovação junto aos órgãos de controle e fiscalização da atividade da pesca. A regularização da portaria 2.546 servirá como comprovante de regularização para fins de recebimento de benefícios previdenciários. No entanto, não se aplica para fins de requerimento do benefício assistenciário seguro-desemprego (seguro-defeso), que se fará necessário o atendimento dos requisitos constantes na Lei 10.779 de 25/11/2003 e Decreto 8.424 de 31/03/2015. Veja a portaria na íntegra em www.jornalmartimpescador.com.br (em legislação)
Diante da falta de emissão de carteira inicial de pescador artesanal pela Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca-SEAP, desde 2014, representantes da categoria na Baixada Santista entraram em fevereiro com pedido para instauração de inquérito civil público no Ministério Público Federal. Sem a documentação necessária para exercer legalmente sua profissão, o pescador perde direito de pescar e de receber benefícios sociais. Embora ocasionalmente sejam editadas portarias temporárias tornando o protocolo de requerimento da carteira válido para pescar, o seguro-defeso, salário que o pescador deveria receber durante o defeso das espécies, nunca é concedido sem a carteira.
EXPEDIENTE www.jornalmartimpescador.com.br
Órgão Oficial da Federação de Pescadores do Estado de São Paulo Presidente Tsuneo Okida
Av. Dino Bueno, 114 Santos - SP CEP: 11030-350 Fone: (013) 3261-2992
Defesos Bagre-rosado (Genidens genidens/ Genidens barbus/Cathorops agassizi) 01/01 a 31/03 Caranguejo-guaiamum (Cardisoma guanhumi) 01/10 a 31/03 Caranguejo-uçá (Ucides cordatus) proibição de pesca no Decreto SMA 60.133 de 07/02/2014- Exceções ao Decreto na resolução SMA 02/2015 (conheça as leis na íntegra em www. jornalmarttimpescador.com.br legislação) Defeso anual do caranguejo-uçá1/10 a 30/11 (machos e fêmeas) 1/12 a 31/12 (somente fêmeas) Lagosta-vermelha (Panulirus argus) Lagosta verde (P. laevicauda) 1/12 a 31/05 Mexilhão (Perna perna) 01/09 a 31/12 Ostra- 18/12 a 18/02 Sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) (traineiras) 15/06 a 31/07 (recrutamento) e 1/11 a 15/02 (desova)
Sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) (atuneiros) 15/06 a 31/07 (recrutamento) Moratórias Cherne-poveiro (Polyprion americanus) 06/10/2015 a 6/10/2023 (Portaria Interministerial no 14) Mero (Epinephelus itajara) 06/10/15 a 06/10/23 (Portaria Interministerial no 13) Tubarão-raposa (Alopias superciliosus)- tempo indeterminado Tubarão galha-branca (Carcharinus longimanus)-tempo indeterminado Raia manta (família Mobulidae) tempo indeterminado Marlim-azul ou agulhão-negro (Makaira nigricans)- tempo indeterminado Marlim-branco ou agulhão-branco (Tetrapturus albidus) – tempo indeterminado Saiba mais sobre a legislação de pesca em: www.jornalmartimpescador. com.br (legislação)
TELEFONES ÚTEIS Corpo de Bombeiros .......... 193 SAMU(Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ........... 192 Disque Denúncia ............... 181
Polícia Civil ........................ 197 Polícia Militar ..................... 190 Sabesp .............................. 195 CPFL ...........................0800-0102570
COMUNICADO
APA Marinhas do Estado de São Paulo
DEFESO DA SARDINHA (Sardinella brasiliensis)
Instrução Normativa IBAMA Nº 15 de 21 de maio de 2009
15 de junho a 31 de julho e 1° de novembro a 15 de fevereiro
Tamanho Mínimo de captura: 17 cm
A comercialização só é permitida quando a sardinha for capturada fora do período de defeso e para exemplares com tamanho igual ou superior a 17 cm
Durante o defeso, ficam proibidos: a captura, o transporte, o desembarque, o armazenamento, a salga e a comercialização da sardinha. A declaração de estoque deverá ser entregue às Superintendências Estaduais do IBAMA até os dias 22 de junho e 09 de novembro, conforme o modelo Anexo da IN nº 15/2009.
Pratique o comércio e o consumo responsáveis! Aos infratores desta Instrução Normativa serão aplicadas as penalidades previstas na Lei n° 9.605 de 12 de fevereiro de 1998 e no Decreto n° 6.514, de 22 de julho de 2008. Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte (12) 3832-1397/(12) 3832-4725 apamarinhaln@fflorestal.sp.gov.br Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Centro (13) 3567-1495/3567-1506 apamarinhalc@fflorestal.sp.gov.br Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Sul (13) 3851-1108/(13) 3851-1163 apamarinhals@fflorestal.sp.gov.br
Jornalista responsável: Christina Amorim MTb: 10.678/SP christinamorim@gmail.com Fotos Fotos e ilustração: e ilustração: Christina Christina Amorim; Amorim; Diagramação: Diagramação: cassiobueno.com.br; cassiobueno.com.br; Projeto Projeto gráfico: gráfico: Isabela Isabela Carrari Carrari - belacarrari@hotmail.com - icarrari@gmail.com Impressão: Impressão:Diário Diáriodo do Litoral: Litoral Fone.: Fone.:(013) (013)3226-2051 3226-2051 Os artigos e reportagens assinados não refletem necessariamente a opinião do jornal ou da colônia
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Pescador, profissão de coragem Izaura Martins Bilro, presidente da Alpesc, fala sobre o pai Otaviano, um pescador de muito talento Otaviano Martins dos Santos era um homem de coragem. Pescando à noite no estuário, quando a malha da rede se enroscava, não tinha dúvida. Mergulhava para soltar. Com esse mesmo vigor, ia remando em sua canoa até Bertioga pelo canal. Nascido em São Francisco, no Sergipe em 1919, até o dia de sua morte em 1988 em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, viveu uma vida de trabalho árduo. Chegou com sua esposa Helena e quatro filhas em 1952 com o chamado grupo dos 40, famílias que se reuniram em Sergipe e viajaram juntas para a região da Baixada. A filha mais nova, Izaura, nasceu em Vicente de Carvalho em 1956. “O apelido do meu pai era Cabeça de Pedra, carregava tudo na cabeça”, lembra-se Izaura com bom humor. Como as casas eram feitas de madeira, para mudá-las de lugar eram colocados rolos de madeira embaixo para transportar. “Trabalho de gente forte”, diz a filha. Dono de venda em Sergipe, e pescador de
rio, aqui usava sua habilidade na administração e na improvisação. Inventou uma máquina de cochar fios usando a criatividade. Com os cabos grossos de navio que ganhava, descochava, ou seja, desmanchava, para trançar outros mais finos para fazer malhão e tarrafa. “Eu ficava na ponta da maré, segurando uma roda de bicicleta que girava para enrolar o fio”, conta Izaura. Otaviano fazia também pesos para a rede, e outros objetos como lampião, jogando o chumbo derretido num molde. A mãe, Helena, hoje com 88 anos, também trabalhou muito com os pescadores. Izaura lembra até hoje das capas de plástico duro que a mãe costurava para os pescadores enfrentarem a jornada nas águas. “Tudo na época era artesanal”, diz. Otaviano fazia vários tipos de pesca. No malhão pegava robalo, bagre cabeçudo, guaivira, entre outros. No puçá, muito camarão-branco com engodo feito de sardinha cozida e misturada com terra em forma de bolinhos. Pescava em canoa de um pau só, e em 1966 já usava motor. “Pescava aqui e vendia tudo no Mercado de Santos, carregando nas cestas de palha que ele mesmo fazia”, lembra-se a filha. “Cada cesto carregava 20 quilos de camarão, era uma época de fartura”, acrescenta. Aquele mesmo cesto de pescado voltava carregado de compras que o pescador fazia no Mercado. Em 1968, Otaviano foi presidente da Colônia de Pescadores Z-3. Construiu uma grande sede na av. Senador Salgado Filho, onde Lampião a querosene e peso de faziam bailes, que ele animava ao chumbo feitos por Otaviano, nos tempos em que tudo era artesanal som do violão. Promovia a procissão
Otaviano Martins dos Santos com o prefeito Jayme Daige na Festa da Tainha
Izaura (centro), com a filha Daniele e a neta Amanda
de São Pedro, marítima (em canoas) e terrestre, Festa da Tainha na Praça 14 Bis. “Meu pai tinha muito apoio do prefeito Jayme Daige em suas realizações”, diz Izaura. Por seu destaque na comunidade, Otaviano recebeu homenagem da Capitania dos Portos. Como administrador ensinou muito à filha. “Com 12 anos aprendi com meu pai a preencher as guias de INSS”, diz Izaura. Com 13 anos foi a capitania tirar documentos para pescadores e nunca mais parou. O pai até se espantou com a facilidade que a menina fazia um trabalho tão burocrático. Fundou em 2008 a Associação Litorânea da Pesca Extrativista Classista do Estado de São Paulo-Alpesc, onde é diretora-presidente, atendendo pescadores na obtenção de sua documentação e requisição de benefícios. A sede fica na mesma casa em que nasceu e morou toda a sua vida, na av. Senador Salgado Filho. Izaura ensina agora o ofício à filha Daniele e à neta Amanda, que a auxiliam na coordenação da Alpesc. O pai, com seu dinamismo e amor ao próximo sempre foi um modelo a seguir. “Meu pai ajudou muita gente, nossa casa estava
Otaviano recebe homenagem na Capitania dos Portos em 1970
sempre cheia”, orgulha-se Izaura. Otaviano acolhia em sua casa amigos que chegavam do Nordeste. Ali ficavam até se ajeitar na vida nova. Com sabedoria, convencia os pescadores a fazer suas contribuições no INSS, e até guardava as guias para que não perdessem. “Muita gente está aposentada hoje por causa dele”, conclui. Feliz com a fartura da terra que o acolheu, sempre dizia: “Se eu tivesse nascido nessa terra eu seria doutor”. Apesar de uma vida muito ativa,
passou seus últimos dez anos lutando contra uma doença hepática, que tirou suas forças e ânimo para o trabalho. “Izaura, me coloque num barco, me deixe morrer lá fora”, dizia já muito doente, mas mostrando ainda seu amor pelo mar. Em maio de 1988, Otaviano partiu, deixando como legado muitos feitos e conhecimentos transmitidos aos que o rodeavam. E a certeza de que em sua maneira tão autêntica de ser, Otaviano foi um grande pescador, doutor em sua arte em múltiplas maneiras.
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Cabo Frio, capital do marlim azul A inauguração de uma réplica de marlim-azul de 575 quilos atrai turistas à orla da Praia do Forte
O prefeito Marquinho Mendes (exibindo a medalha) com representantes da Prefeitura e pescadores do ICRJ
Natal no Portinho Cerca de 70 crianças puderam curtir a visita do Papai Noel antecipada, dia 17 de dezembro no Clube do Bolinha, no Portinho Salgado Filho em Vicente de Carvalho, Guarujá. A festa foi organizada por Ana Paula Rodrigues, Leticia Mello, Jessica Gomes e Max Rodrigues. “Contamos ainda com a ajuda do vereador Tody, vários amigos, como o pessoal da banda Amigos da Maré, Os Baladeiros, Sr. Luiz, e muitos vizinhos”, explica Ana Paula, que atualmente trabalha na Colônia de Pescadores Z-3 de Vicente de Carvalho. “A festa foi muita linda mais um ano, gracas a Deus ocorreu tudo certo, e vamos continuar a fazer a festa como
A família Soares, Evandro, Eliseu e o recordista Eurico na inauguração da estátua
Quem leu o romance O Velho e o Mar, de Hemingway, sabe da existência do marlim-azul, um peixe de força e beleza rara, que pode chegar a mais de 600 quilos. Como o animal ocorre muito longe da costa, poucos já puderam observá-lo de perto. Por isso, a inauguração de uma réplica em tamanho natural de um exemplar capturado em Cabo Frio em 2001 chamou muito a atenção de quem passava na Praça da Cidadania, na orla da Praia do Forte, dia 25 de janeiro. Isso reforça a fama de Cabo Frio como a capital do marlim-azul. O Prefeito Marquinho Mendes esteve presente à inauguração da estátua e recebeu uma medalha comemorativa do evento. O peixe de 575 quilos é recorde do Estado do Rio de Janeiro e recorde mundial em torneios. Foi capturado por Eurico Soares em 2001. O recorde mundial da espécie é de 636 quilos, obtido por Paulo Amorim no Espírito Santo em 1992. Estiveram presentes ao evento pescadores do Iate Clube do Rio de Janeiro, entre eles o recordista Eurico Soares, o coordenador geral do Meio Ambiente da Prefeitura, Eduardo Pimenta, o secretário do Desenvolvimento, Cláudio Bastos, a secretária de Turismo, Fabiola Bleicker e o professor Alberto Amorim do Instituto de Pesca de Santos-IP, da Secretaria de Agricultura e
Abastecimento do ESP. A piscosidade do mar cabo-friense é em parte explicada pelo fenômeno da ressurgência, que ocorre quando águas profundas, mais ricas em nutrientes, afloram à sua superfície. De outubro a janeiro o marlim-azul chega mais próximo à costa com uma massa de água quente, conhecida como Corrente do Brasil. O torneio Cabo Frio Marlin Invitational, realizado entre os meses de janeiro ou fevereiro pelo Iate Clube do Rio de Janeiro, completa 25 anos em 2018. Hoje a modalidade praticada é de catch & release (pesque e solte) ou tag & release (marque e solte) coordenada pelos pesquisadores Eduardo Pimenta e Alberto Amorim do IP. O tag & release é uma maneira de estabelecer rotas migratórias dos peixes, usadas para estabelecer medidas de conservação das espécies. Um marlim-azul liberado em Delaware em1992, costa leste norte-americana, foi reencontrado após três anos em frente às Ilhas Maurício, no Oceano Índico. Pimenta destacou que cientistas aproveitam a oportunidade durante os torneios para praticar o tag & release, para estudos de rotas migratórias, subsidiando tomada de decisões para a manutenção dos estoques.
Ana Paula com as crianças do bairro
o meu pai, o Passarinho, sempre fazia”, explica. José Antônio Rodrigues, também conhecido como Passarinho, falecido em 2017, trabalhou por muitos anos na capatazia da Colônia Z-3 no Portinho Salgado Filho, tomando à frente muitas ações para os pescadores, com um carinho especial pelas crianças do bairro. Ana Paula, que dá continuidade às obras sociais do pai, afirma que ele deixou um legado muito bom. “Ele sempre pensava no próximo, ajudava muita gente, e isso enche os familiares de orgulho”, explica, E essa é a motivação de Ana Paula em continuar o trabalho de seu pai, e realizar mais uma vez a festa de Natal que sempre alegrou a criançada do bairro.
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Pescadores afetados pelo incêndio da Ultracargo prosseguem negociações Três reuniões aconteceram em dezembro para discutir possíveis formas de compensações para pescadores artesanais afetados pelo incêndio da Ultracargo ocorrido em abril de 2015. As discussões aconteceram no auditório do Museu de Pesca, no Instituto de Pesca, em Santos, reunindo representantes do Ministério Público Estadual e Federal e pesquisadores do Instituto de Pesca, UniSanta e Ong Maramar. No último encontro, dia 20 de dezembro, estiveram presentes a promotora Flávia Maria Gonçalves do GAEMA, o promotor Daury de Paula Júnior do Ministério Público Estadual, o procurador da República Antônio José Molina Daloia do Ministério Público Federal e o assessor técnico do Ministério Público de SP, Roberto Pereira Borges. A presença das autoridades foi importante para esclarecer dúvidas em relação às ações. A promotora Flavia ressaltou a importância das reuniões técnicas para a finalização do processo. A proposta discutida foi de uma moratória com duas possibilidades: proibições baseadas em locais de pesca que se alternarão em forma de rodízio durante o período de um ano ou proibições referentes a épocas ou tamanho de capturas baseadas nas principais espécies pescadas no estuário também pelo período de um ano. Segundo o promotor Daury a ideia da moratória é de dar um folego para o ambiente A missa foi celebrada pelo padre Samuel Fonseca
Os promotores Flavia Gonçalves e Daury de Paula Jr. e o procurador Antonio Daloia
natural atingido pelo acidente e uma forma de encontrar um ponto de equilíbrio necessário para a proteção ambiental. “Mas isso não vai impedir o pescador artesanal de trabalhar em outros locais que não constem na moratória”, acrescenta. O promotor explica que o acordo foi desenhado por duas vertentes. Uma da criação de uma moratória, e a outra que visa levantar quais benefícios relacionados à infraestrutura que a comunidade precisa. Na moratória, os pescadores que aderirem ao acordo receberão um salário mínimo paulista por mês durante o período de duração, previsto inicialmente para 12 meses. A criação de uma moratória com o apoio dos pescadores é inédita e poderá ser aplicada
no futuro como compensação ambiental em outros acidentes. “Este trabalho também tem um caráter de pioneirismo que pode ser replicado em outros acidentes”, explicou o promotor Daury de Paula Jr. referindo-se ao formato da proposta que conta com o empenho dos pescadores em colocar em prática uma ação que tem como intuito a conservação do meio ambiente. Após as reuniões com os pescadores, os técnicos irão estudar as propostas de moratória elaboradas pelas comunidades. De 30 a 40 dias após o término dos trabalhos deverá ser elaborada uma minuta para retomar as negociações com a Ultracargo no intuito de estabelecer compensações aos pescadores.
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Histórico Incêndio ocorrido de 2 a 10 de abril de 2015 em seis tanques de combustível da Ultracargo no bairro de Alemoa em Santos causou a morte de cerca de 8 toneladas de peixes. Os pescadores da área de influência do acidente foram afetados num primeiro momento pela proibição da pesca, seguido pela falta do peixe, e depois pela desconfiança do consumidor em comprar o pescado das áreas atingidas. As negociações para estabelecer compensação do dano ambiental coletivo tiveram início logo após a ocorrência do incêndio, promovidas pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), Núcleo Baixada Santista do Ministério Público do Estado de São Paulo em Santos, com a participação do Ministério Público Federal. Pescadora Vera de São Vicente ainda tem no celular a imagem dos peixes mortos devido ao incêndio.
Missa no TPPS reúne pescadores e armadores Frequentadores do Terminal Pesqueiro Público de Santos se reuniram em missa de fim de ano no dia 15 de dezembro na sede do local. A cerimônia foi celebrada pelo padre Samuel Fonseca, vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes e responsável pela Capela Santa Edwiges e pelo Centro Stela Maris. É também assessor diocesano para a Pastoral dos Pescadores da Diocese de Santos.
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COLUNA
DP World Santos realiza 14ª edição da Ecoférias na Ilha Diana
Natal à b Crianças da Vila dos Pescadores fazem passeio educativo no Museu de Pesca e Aquário de Santos Uma visita ao Aquário e ao Museu de Pesca de Santos foi um jeito divertido de comemorar a época natalina para as crianças da Vila dos Pescadores, em Cubatão. No passeio realizado dia 22 de dezembro, os visitantes puderam se divertir e também aprender bastante sobre a vida dos animais do mar e de água doce no Aquário e conhecer atrações muito tradicionais no Museu de Pesca, como a ossada da baleia Fin de 23 metros e a sala do capitão, entre outros. Divertido mesmo foi pintar as imagens de peixes e do capitão feitas pelo artista plástico Alexandre Huber. A coordenadora da capatazia da Colônia de Pescadores Z-1, Santina Barros, organizou a excursão com o apoio do vereador Cleber do Cavaco, do Museu de Pesca e do Aquário de Santos.
A DP World Santos, um dos maiores e mais modernos terminais portuários privados do país, instalado na margem esquerda do Porto de Santos (SP), realiza entre os dias 08 a 31 de janeiro a 14ª edição do Ecoférias – Programa de Educação Ambiental na Ilha Diana. O Programa, direcionado a crianças e adolescentes da comunidade, é
realizado anualmente, nos meses das férias escolares, e tem o objetivo de trabalhar a educação ambiental nos pequenos moradores por meio da inserção de novos hábitos, conscientizando-os sobre o uso racional dos recursos naturais, descarte correto dos resíduos domésticos e valorização do patrimônio ambiental da Ilha como atração turística.
Nesta 14ª edição, que conta com 36 horas de atividades, o tema foca na valorização do patrimônio arqueológico, histórico e cultural comunidade. As crianças participantes estão tendo a oportunidade de participar de atividades, como dança, arte e preparação de artesanato, além de aprenderem sobre a ciência das escavações.
OUVIDORIA DP WORLD SANTOS 0800 779-1000 faleconosco@embraport.com www.dpworldsantos.com As crianças puderam pintar os desenhos do capitão e dos animais marinhos
beira-mar Hora de alimentação do leãomarinho
Olhando o leãomarinho de pertinho
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Samba na maré
Músicos do grupo Estilo Brasileiro contam como surgiu seu talento para o samba
Nascidos próximo ao Portinho Salgado Filho, em Vicente de Carvalho, Guarujá, componentes do Estilo Brasileiro contam como era fazer samba com a vista para o estuário de Santos. “A gente morava na beira da maré”, lembra Dilermando de Jesus. Ali nasceu o amor pelo samba e pela pesca. Dilermando e o irmão Waldenir contam com bom humor que pegavam caranguejo dentro de casa na av. Salgado Filho, quando a maré subia. Pescavam também com linha, rede, puçá. Waldenir já teve uma baleeira para pegar camarão. “Mas agora é só lazer”, diz. E foi ali na maré que também o samba começou. O pai Durvalino do Cavaquinho, já falecido, saia para tocar, mas também fazia muita reunião em casa. “Compadre Lídio Correa gostava de cantar, ia pra lá, mais o velho Elói. Mandavam trazer bebidinha, tira-gosto, cantavam Nelson Gonçalves”, diz com saudades. Durvalino era solista de cavaquinho e luthier, fazia rabeca e viola no canivete. Dos seis filhos, três le-
zonense abraça os filhos do Nordeste”. O samba foi vencedor entre 12 temas concorrentes para representar a escola na passarela em 2013. “A Mocidade Amazonense está no meu sangue”, diz Dilermando que este ano desfilou na Ala da Velha Guarda da escola. “Antes com o o d minha família toda n a c to o 007 Dilermand alino em 2 desfilava, até minha rv u D i a p saudoso mãe Dirce saia na ala das baianas da escola”, varam a música a sério, rememora. Hoje apenas Dilermando e foram aprendendo a tocar “de continua e a mãe Dirce, aos 84 anos, orelhada”, como ele mesmo dizia. acompanha somente em alguns Dilermando na cuíca, Paulinho eventos. A alegria de Dilermando, no cavaco e Waldenir na bateria. que ensinou o filho Vitor de 23 Hoje, com Arnaldo do Pandeiro anos a tocar a cuíca, está agora em (Jacaré), Fernando do Rebolo e Rui ensinar o neto Guilherme, de sete do Surdo, formam o grupo Estilo anos, e assim continuar a tradição Brasileiro. Tocam samba, seresta, da família Jesus iniciada com Durchoro, samba de raiz. Mesclam bem valino do Cavaquinho para as novas o antigo com o novo. Da maré para gerações. O Estilo Brasileiro não para a avenida, Dilermando participa desde a fundação em 1972 do Grê- de tocar. Além de animar festas e mio Recreativo da Escola de Samba eventos, é no Butekin da Neia que o Mocidade Amazonense de Guarujá, grupo se apresenta todos os domincom sede no distrito de Vicente de gos das 18h às 22h na rua Francisco Carvalho. Em 2013, Dilermando da Alves, Vicente de Carvalho, perto Cuíca, Paulinho do Cavaco, Bira da praça 14 Bis. Aos sábados, no Moreno, Bolinha, Mario Soares restaurante Convés, na av. Miguel e Erasmo criaram para a Amazo- Stefano 4710, na praia da Enseada, nense o samba enredo: “Oh Xênte Guarujá. Telefones de contato: (13) Cabra da Peste Mocidade Ama- 98864.8572/99762.4585. Dilermando ensina o neto Guilherme a arte da cuíca
No andar superior está a ossada de baleia de 23 metros...
...que pode ser vista no andar térreo através do vidro
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COLUNA
O Porto na Comunidade
“Estou muito feliz por aprender coisas novas relacionadas ao funcionamento da empresa” Jonatha Silva Souza, morador de Monte Cabrão, foi selecionado pela DP World Santos para trabalhar na empresa por meio do Programa Jovem Aprendiz Conseguir uma oportunidade e entrar no mercado de trabalho é um grande desafio nos dias de hoje. Por isso é preciso aproveitar as oportunidades que a vida oferece. E foi isso que fez o jovem Jonatha Silva Souza, morador do bairro de Monte Cabrão, área Continental de Santos. Ele foi selecionado pela DP World Santos (antes conhecida como Embraport) em dezembro do ano passado para trabalhar na empresa por meio do Programa Jovem Aprendiz. Ele fez parte da primeira turma de alunos formado pelo Programa Global de Educação, e foi um dos 20 estudantes da Unidade Municipal de Ensino de Monte Cabrão, que durante os meses de abril a novembro de 2017, assistiram aos módulos ministrados por voluntários da empresa, com temas relacionados ao porto e outras atividades inerentes ao setor portuário. O projeto é uma iniciativa da DP World e visa expandir a qualidade na educação de mais de 34 mil jovens em 30 países onde a empresa atua. Feliz e motivado com a oportunidade, Jonatha conta que o programa foi essencial para o início da sua vida profissional. “Tenho aprendido cada dia mais aqui na empresa, e agora posso ver no dia a dia tudo o que foi ensinado durante as aulas. Estar aqui trabalhando foi um sonho realizado” comemora. Jonatha relata que um dos maiores aprendizados ao longo dos módulos foi o incentivo dado pelos voluntários durante as aulas. “Eles nos mostraram que todos são capazes de crescer. Estou muito feliz por poder aprender coisas novas relacionadas ao meu trabalho e também ao funcionamento da empresa”, finaliza.
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COLUNA
Você conhece o Porto? Embraport agora é DP World Santos A Embraport está dando um grande passo em direção à integração como empresa do Grupo DP World através do processo de adequação de sua marca. A mudança ocorre após a DP World (Dubai Ports World) ter adquirido – no último mês de dezembro - a parte adicional de 66,67% da Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport) no Brasil, que fica agora com 100% da participação acionária. Com esta mudança, a empresa passa a se chamar DP World Santos e utilizar uma nova identidade visual. Com a compra, a DP World torna-se um dos principais players do setor de infraestrutura da América do Sul com uma rede de terminais no Peru, República Dominicana, Argentina, Equador e Suriname, além do Brasil. A DP World Santos é a responsável pela operação de um dos maiores terminais portuários privados do Brasil, na margem esquerda do Porto de Santos (SP). Com investimentos de R$ 2,3 bilhões, proporciona mais de 800 empregos diretos e 1.500 indiretos. A multinacional DP World é um dos principais facilitadores do comércio global e uma parte integrante da cadeia logística. A empresa opera 78 terminais marítimos e terrestres operando, apoiados por mais de 50 negócios relacionados, em 40 países nos seis continentes. Saiba mais em www.dpworld.com
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Riscos do pescado contaminado por mercúrio A alimentação saudável é a base para uma boa saúde, dessa forma tudo que comemos influencia positivamente ou negativamente na saúde. O pescado além de conter proteínas, minerais e vitaminas, contem ômega-3, que é considerada uma gordura boa responsável por reduzir problemas cardiovasculares. Porém os peixes, moluscos e crustáceos podem ser contaminados por metais pesados, danosos à saúde humana. As fontes naturais do mercúrio são as superfícies terrestres, os vulcões em atividade e a erosão das rochas, mas a atividade humana, como por exemplo a queima do carvão para produção de energia e o garimpo resultam na maior liberação do mercúrio, que chega às águas dos rios e por fim aos oceanos onde ocorre contaminação dos animais que aí vivem. Quando ocorre o consumo de peixes, moluscos e crustáceos contaminados pelo homem, vários sintomas podem ser observados nas crianças como a redução da capacidade de aprender e reter a informação. Se a exposição é alta, a criança pode ter paralisia cerebral, descoordenação de movimentos, dificuldade de falar, alteração na visão e distúrbios
auditivos. No adulto o principal órgão a ser afetado é o sistema nervoso central, resultando também descoordenação dos movimentos, perda da audição e problemas visuais. Se a intoxicação é crônica pode originar sinais de distúrbio nervoso que podem ser confundidos com outras doenças, como por exemplo, a doença de Parkinson ou doença de Alzheimer. Órgãos americanos, que se dedicam a esse tema propõem uma lista dos peixes, moluscos e crustáceos contaminados, classificando-os em: pequena, moderada e alta contaminação por mercúrio, para servir de guia para o consumidor. Assim os peixes mais contaminados são: tubarão, corvina e atum. Os que têm contaminação moderada são: carpa e lagosta e os que apresentam pequena contaminação são anchova, bagre, sardinha, salmão, tilápia, bacalhau, badejo e truta; entre os moluscos com pequena contaminação estão: ostras, lulas e vieiras e entre os crustáceos destaca-se o camarão. Portanto o mercúrio representa um risco e quanto maior a contaminação pior é o problema de saúde, mas temos que lembrar que os benefícios do pescado são
Augusto Pérez Montano Médico Veterinário, membro da Comissão de Aquicultura do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo
inúmeros. Os pesquisadores recomendam que todos comam pescado, com uma ressalva importante que as grávidas e crianças comam até duas refeições por semana de peixes classificados na lista como pequena contaminação para que haja menor exposição e menor risco para a saúde.
Pudim de tapioca Ingredientes: ½ xicara (chá) tapioca granulada 1/2 litro de leite (corresponde a 3 xícaras de chá) 2 vidros pequenos de leite de coco (200 ml cada) 1 pacote 50g de coco ralado 1 lata de leite condensado 3 ovos 2 xícaras (chá) de açúcar para a calda Papel-alumínio Preparo: Levar ao fogo a tapioca com o leite, mexendo até formar mingau. Deixar esfriar totalmente. Enquanto o mingau esfria, caramelizar uma forma redonda. Jogar 2 xícaras (chá) de açúcar no fundo da forma. Colocar no fogo bem baixo (mínimo). Misturar com uma colher de pau até virar uma farofa. Continuar mexendo com vigor até virar uma calda dourada. Reservar. Se o mingau de tapioca e leite já estiver frio, acrescentar leite condensado e coco ralado, mexendo bem. Reservar. Bater os ovos com leite de coco no liquidificador e derramar essa mistura no mingau frio. Despejar toda a mistura dentro da forma caramelizada. Tampar a forma com um pedaço de papel-alumínio, para evitar que a água do banho-maria penetre na forma. Escolher uma panela não muito alta para colocar a forma em banho-maria, para
que a água não transborde para dentro do doce. Encher a panela de água pela metade e ajeitar a forma. Levar ao fogo baixo. Depois que a água começar a ferver deixar por cerca de 1h30. A receita foi enviada por Olga Amorim, da Pousada Tocca de Veludo, diretamente da terra da tapioca, Ponta do Corumbau na Bahia
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janeiro/fevereiro 2018 A mesma paisagem e o mesmo barco em 2018.......
“Sou marítimo de sangue”, diz Mauri Martins da Silva. Nascido em 1935 na Bocaina em Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá, veio morar em frente à Ilha Diana aos dois anos de idade, numa casa de madeira com fogão a lenha. Depois de viver uns tempos no Rio de Janeiro, casou-se e mudou-se para a Ilha aos 35 anos. Com Yolanda teve os filhos Ademir, Ivair, Suely, Edneia, Mauri Jr, Waldecy e Wilson. Sua vida sempre foi ligada ao mar. “Pai marinheiro, avô embarcadiço, tio pescador, graças a Deus”, diz com orgulho. Com uma mistura bem feita de pai brasileiro do Ceará, avó materna alemã, avô materno grego. “Adoro as águas”, afirma com satisfação. Já pescou de cerco, tarrafa, caniço. Constrói barcos e faz redes. “Antes eu comprava canoa. Chatinha, eu fiz. Aprendi vendo os outros fazerem”, diz com simplicidade. “Que tamanho é meu barco? Cabe Deus, eu e minha mercadoria”, conclui. Adriano da Silva Alves, nascido em Iguape no ano de 1946, mora há 55 anos na Ilha. “Quando cheguei aqui só tinham poucas casas, cerca de 150 pessoas”, lembra-se. Veio com 17 anos para trabalhar na adutora que traria água para a ilha. “Não tinha luz na ilha, a televisão era à bateria, fogão a lenha”, explica. Compravam gelo no mercado e punham no isopor. Havia muito mosquito antigamente. “Quase que mata todo mundo”, brinca. “Mas agora está um paraíso”, comemora. Casou-se aos 20 anos com Geny. Do casamento nasceram quatro filhos: Elisa, Xilico, Lili e Beto. Em seu segundo casamento com Joseane nasceram Jéssica e Tainá. Trabalhou na Prefeitura e se aposentou. Pescava ostra, marisco, siri, peixe e camarão na tarrafa, por isso o pescado nunca faltou em sua mesa. Lembra-se da década de 80 quando foram colocados os primeiros postes de luz, feita a calçada de pedras da rua principal e a construído o Centro Comunitário. É devoto de Bom Jesus, tradição vinda de sua cidade natal, Iguape. Como bom devoto, invoca o santo nas horas de aperto, dizendo: “Meu Bom Jesus, me valei!”
Aniversário de Ilha Diana Arquivo da Fundação Arquivo e Memória de Santos(FAMS)
“No meu barco cabe Deus, eu e minha mercadoria”, diz seu Mauri
Seu Mauri com seu barco, que é parte da paisagem da ilha
......e na década de 80
Moradores em frente à antiga igreja na década de 80
Madalena Panhoci (à esq.) com a equipe da Espetofest
Roda de oração com moradores
janeiro/fevereiro 2018
Ilha Diana perde um líder
Casamento de Dina e Norberto em 1935
Dona Dina, sentada em seu banco predileto na Ilha
Dona Dina, a senhora da Ilha
Um dia ensolarado marcou as comemorações na ilha Dia 14 de janeiro foi um momento de confraternização em Ilha Diana, para a comemoração do aniversário do bairro. Um churrasco preparado pela Espetofest e bolo fizeram parte dos festejos. Madalena Panhoci, da Prefeitura de Santos, fez uma roda de oração, quando os presentes deram-se as mãos num momento de reflexão e agradecimento. A apenas 20 minutos do centro da cidade de Santos, em viagem de barca, o local mantém seu aspecto de comunidade caiçara com muitas casas de madeira e barcos com petrechos de pesca ao longo de seu píer. Considerado um bairro santista, está localizado na área continental da cidade. A ilha no mangue se forma dependendo da maré, estando delimitada pelo Canal de Bertioga e o rio Diana, de onde vem seu nome. O lugar começou a ser habitado no final da década de 30, depois da desapropriação da Vila da Bocaina, localizada em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá. Seus habitantes deixaram o vilarejo para que fosse construída a pista de pouso da Aeronáutica do Brasil, dando origem à Base Aérea de Santos – BAST. A comemoração de aniversário de Ilha Diana foi realizada com o apoio da DP World-Santos.
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Sentada em seu banco, com o cão de estimação no colo, Antônia Bittencourt de Sousa (1918-2011) gostava de contar histórias da Ilha aos visitantes. Nascida de um parto difícil, levou o nome em homenagem a Santo Antônio, para quem o avô fez promessa para que mãe e filha sobrevivessem. Era conhecida também como dona Dina, inspirado na madrinha, Pedrina. O santo iluminou Antônia numa vida de muito trabalho. Nascida no Saco da Embira, em Guarujá, ela e o marido Norberto de Sousa ali chegaram em 1937, dois anos depois de casados. Foram os primeiros a morar na Ilha Diana. Com o marido, além de criar seis filhos adotivos, pegou muito marisco no mangue, tainha no cerco e camarão na gamboa com tarrafa. Com o passar do tempo foram chegando mais famílias, como Biscardi, Quirino, Hipólito, Gomes. No começo da vida na ilha as casas eram de madeira e só havia o fogão a lenha e água de poço. A rotina era carregar toda a roupa de barco para lavar no poço do Morro Sandi. Era também de barco que Dina transportava a lenha cortada por suas próprias mãos para acender o fogão. A ilha hoje O sobrinho Hélio e tem cerca de 50 casas e 250 moradores. Alguns a esposa Terezinha ainda vivem da pesca e outros têm emprego em cultivam os outras áreas. Seu sobrinho Hélio França e a eshábitos da pesca posa Terezinha ainda vivem na Ilha, cultivando e gastronomia os hábitos da pesca e da gastronomia caiçara. caiçara
Walter Quirino é um dos mais antigos moradores da Ilha Diana. Afinal, foi lá que nasceu em 1945. Só perde para o irmão mais velho, Sergino, que é de 1941. Naquela época as crianças nasciam com o auxílio da parteira dona Ana, que vivia em Vicente de Carvalho, em frente a Colônia de Pescadores Z-3. Diz a lenda que quando dona Ana demorava muito, chegava e a criança já tinha nascido! Walter casou-se com Irene em 1968 e tiveram 5 filhos: Ricardo, Nelson, Valdir, Andreia e Patrícia. Seu pai, Pedro Quirino, também era pescador que veio de Iguape para o Saco da Embira em Guarujá. Com a desapropriação para construir a Base Aérea, mudou-se para Ilha Diana. “Pesco desde que nasci”, brinca Walter. Mas aprendeu mesmo a profissão com o pai aos 10 anos. Sabe usar jerivá, tarrafa, rede de emalhe, linha. “Antes pegava mais peixe, mas a vida era mais difícil, diz lembrando-se dos tempos em que não havia luz nem água encanada na ilha. Dos tempos com mais abundância de peixe, conta brincando que pegava 20 quilos de robalo com linha pela janela quando enchia a maré. Além de cultivar os tradicionais hábitos de pesca caiçara, Walter gosta de salgar o peixe e secar no sol à moda antiga, para depois saborear num ensopado com batata-doce ou abóbora.
Evaldo Domingos de Lima, o Cabedelo, um dos líderes de Ilha Diana, bairro da área continental de Santos, faleceu dia 4 de abril deste ano, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). Nascido em Cruz Espírito Santo, na Paraíba, em 4 de janeiro de 1961, morreu durante visita a seu Estado natal. Cabedelo casou-se aos 19 anos com Silvia, moradora da Ilha e filha do tradicional pescador Arnaldo, e ali estabeleceu moradia. O casal teve quatro filhos: Ângela, Cristina, Alexandre e André, e os netos Natasha, Jaqueline e Larissa. Foi presidente da Sociedade Amigos de Ilha Diana de 2010-2015, lutando sempre pelos direitos dos moradores. Após sua saída da presidência, seu filho Alexandre Lima passou a ocupar o cargo.
Cabedelo, o líder comunitário de Ilha Diana
Cabedelo,a esposa Silvia e o filho André no dia de sua primeira comunhão
Moradores de Ilha Diana têm posse da terra garantida Dia 22 de dezembro foi feita a outorga do TAUS (Termo de Autorização de Uso Sustentável) para 61 famílias de Ilha Diana, bairro da área continental de Santos. Os moradores assinaram o termo, no qual a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e a Prefeitura reconhecem que a tradicional comunidade habita o local desde a década de 1930. Para a comprovação foram necessários 18 meses de trabalho de técnicos da SPU, Prefeitura, Instituto Polis, Unifesp, UniSantos e o Observatório Socioespacial da Baixada Santista. O TAUS assegura a posse e a permanência de todos na ilha. Dessa maneira disciplina a utilização e o aproveitamento dos imóveis da União em favor das comunidades
tradicionais, com o objetivo de possibilitar a ordenação do uso racional e sustentável dos recursos naturais disponíveis na orla marítima e fluvial, voltados à subsistência dessa população. O Termo é para o uso exclusivo da unidade familiar ou comunidade tradicional, transferível apenas por sucessão, sendo vedada sua transferência para terceiros. Os moradores se mostraram muito satisfeitos com a documentação, que comprova o direito de posse dos moradores no local. As irmãs Katia Adriana da Silva Alves e Elisa Maria da Silva Alves, assim como outros vizinhos, dizem que agora sentem mais segurança no bairro onde vivem, até para investir em reformas em suas habitações, pois sabem que não serão retiradas de lá.
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janeiro/fevereiro 2018
Caruara entra na rota do turismo oficial
Um bairro tranquilo com muito verde, pássaros e cachoeiras convida a descansar e apreciar todas essas belezas. Assim é Caruara, situada na área continental de Santos, com acesso pela Rio-Santos (BR-101). O trajeto é estimado em cerca de uma hora do município de Santos, percorrendo um total de 54,3 km de Santos. À sua beleza natural soma-se a gastronomia caiçara e artesanato produzido pelos moradores. Em 2018, Caruara entra na rota do Roda São Paulo, iniciativa da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo em parceria com a Prefeitura de Santos. O roteiro abrange os nove municípios da Baixada Santista, com passeios a R$ 10,00 pelo dia todo, sempre de terça a domingo, com monitoria de guias de turismo durante todo o percurso e na visitação dos atrativos. O período da operação vai de 5/01/2018 a 04/03/2018. O bairro de Caruara está incluído no Roteiro 3, que sai de Guarujá com destino a Santos e Bertioga, com início às 9h e término às 17h30. A visitação a Caruara inclui um almoço com pratos típicos caiçaras, das 11h30 às 13h15. Além da programação do Roda São Paulo, os artesãos locais também recebem grupos de visitantes, agendados
com antecedência, durante o ano inteiro. A artesã Lygia Mesquita, do Associação das Mulheres da Área Continental de Santos (Mudecom), mora há 31 anos no bairro e conta as histórias do bairro aos visitantes numa roda de conversa. Além dos passeios, os visitantes são convidados para um almoço caiçara com peixe assado, bolinhos de taioba, salada quilombola, camarão, bolo de juçara, brigadeiro e bolo de jaca. Para quem não gosta de frutos do mar será servido um prato com outras carnes. Sandra Assumpção, artesã e profunda conhecedora da culinária caiçara, conta que algumas das melhores receitas aprendeu com o pai Tarcilio, tradicional pescador de Ubatuba. Para agendar estas visitas o grupo deve ter um mínimo de 10 pessoas e o contato é (13) 997517484/tbccaruara@gmail. com. Participam também do grupo Helena e Amanda Assumpção, Jorge Manoel da Silva, Zefa, Maria Cristina Pereira, Adélia, Hermínia. A madrinha do grupo é Nurcy Brito dos Santos, diretora da UME Judoca Ricardo Sampaio. A Mudecom conta também com o apoio de Renato Marchesini da Caiçara Expedições, UniSantos, Guarujá Radical, Secretaria de Turismo de Santos.
Portinho de Caruara
Turismo de Base Comunitária de Caruara entra no roteiro do Roda São Paulo da Secretaria de Turismo do Estado
Artesanato com escamas de peixe Sandra Assumpção e Lygia Mesquita mostram cesto feito em cipó
Amanda Assumpção e a filha Heloise Renato dos Anjos e Milene Correia da Setur de Santos
Magali Santos e Cleber Felipe da Secretaria do Meio Ambiente de Bertioga e a diretora Nurcy Brito
Um delicioso café à moda caiçara é servido para os visitantes
Gastronomia, artesanato e esportes representam o potencial turístico de Caruara. O tema foi discutido em reunião dia 15 de dezembro na UME Judoca Ricardo Sampaio. Renato dos Anjos e Milene Correia da Setur (Secretaria Municipal de Turismo de Santos) anunciaram na ocasião que o bairro a partir de 2018 estava incluído no roteiro do Roda São Paulo, da Secretaria de Turismo do Estado. Como os diversos atrativos de Caruara podem se transformar em atrações turísticas foi o tema da apresentação de Cleber Augusto de Mesquita e Magali Santos da Guarujá Radical Turismo. A empresa, criada em 2015, já opera passeios de trilhas no local, mas mostrou como o projeto pode ser ampliado através da criação do Caruara Radical Parque, que poderá ser implantado numa grande área próxima ao portinho. O programa prevê o desenvolvimento do turismo receptivo com esportes radicais e de aventura, exploração de trilhas, passeio de lancha, pesca esportiva, eventos e esportes. Segundo Cleber Augusto de Mesquita, no momento a Guarujá Radical Turismo busca parcerias para desenvolver o projeto (facebook.com/guaru.radical). Durante o evento as artesãs de Caruara prepararam uma mesa com diferentes pratos caiçaras, e também expuseram artesanato feito pelo grupo.