ZI
NE
PRISMA abril/2021 ©IFOTO
#01
G Ê N E R O , S E X U A L I D A D E F O T O G R A F I A
E
I663P
IFOTO, INSTITUTO DA FOTOGRAFIA. 2004 -
PRISMAZINE #01 : GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA / IFOTO – INSTITUTO DA FOTOGRAFIA – FORTALEZA: EXPRESSÃO GRÁFICA, 2021. 76P. ISBN:
1.
I. TÍTULO: PRISMAZINE #01 GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA
FOTOGRAFIA 2.
ARTES VISUAIS
CDD
- 770
CDU
- 77
No entanto, nem todas as formas de existência tem sua trajetória no mundo biografadas, ficcionadas ou meramente registradas.
NE
3
ZI
TODA VIDA DÁ UM LIVRO.
PRISMA
SOBRE A PRISMAZINE E A S S I N G U L A R I D A D E S D A
L U Z Toda vida dá um livro. No entanto, nem todas as formas de existência tem sua trajetória no mundo biografadas, ficcionadas ou meramente registradas. Ao longo da história da fotografia e da visualidade contemporânea, corpos e corpas dissidentes dos regimes de poder e verdade não são abordades igualmente aos corpos e existências construídas dentro da norma. Vidas negras, corpos femininos, corpas lgbtq+, via de regra são apresentadas em contextos de violências diversas. Em relações assimétricas de poder, objetificades por câmeras ao longo de gerações, agora produzimos as fotografias, fabulamos memórias e disputamos a atribuição de sentidos a nossas imagens. Por tais razões, o tema de nosso programa de formação é “ imagem, experimentação e memória”. E foi dessa perspectiva que propusemos às/aos tutores de nossos três ateliês Singularidades da Luz que discutissem entre seus pares relações entre fotografias e lembranças nos seguimentos de ‘negritude’, ‘ gênero e sexualidade’ e ‘ povos indígenas do Ceará’. Assim, tinham por fim pensar coletivamente estas publicações que agora lemos. Uma zine é também uma corpa dissidente da normatividade editorial. Uma ou mais vozes, mãos, olhos, percepções urgentes de verdades pessoais e provisórias, de fato urgem por se espalhar feito capim, por chegar rapidamente a outres. Se o livro com sua ABNT é a morada de teses e dissertações, a zine tem vocação para o ensaio. Não apenas para servir de suporte para tal gênero textual, mas para, como
5
ele, sem pretensões a macroverdades testadas previamente nas academias, ensaiar seu caminho e sua forma enquanto vai sendo feita. Com a força da imagem da prisma, o Ifoto busca desconstruir a luz una de qualquer verdade e deixar que as coletividades autoras das edições de nossas zines recomponham as luminosidades em arranjos efêmeros e coloridos de perspectivas diversas. Que a prismazine seja uma experiência decolonial até onde seus saberes e fazeres a permitam ser. Que partilhe as lutas, mas também os prazeres de existências diaspóricas e dissidentes. Que celebre a vida, posto que esta zine nasce em dias que, das maneiras mais óbvias, precisamos reafirmá-la. E aqui o fazemos.
FORTALEZA - CEARÁ, 25 DE ABRIL DE 2021 IGOR CAVALCANTE
E FELIPE CAMILO
ORGANIZADORES DO PRISMAZINE
ZI
NE
PRISMA
P R E F Á C I O Um encontro de distintas corpas e experiências de existir no mundo é o gesto propulsor deste fotozine. Em tempos de distância e angústia, quando estamos impedidos de tocar uns aos outros, a chance de – ainda que em salas virtuais – estar com outres de nós, com quem compartilhar nossos processos de criação e projetar outros mundos possíveis, é um jeito de seguir. Um ateliê/laboratório de criação em que discutimos gênero e sexualidade – e aqui faço alusão à Helena Vieira, quando ela diz que o gênero é uma ficção –, mesa de processo em que nossas visualidades deslizam e se encontram: é sobretudo esse o espaço criado por nós para construção dessa publicação. A fotografia é um sintoma, diz Didi-Huberman. Fagulha, centelha, bola de fogo, explosão de estrela intentando constelação. Ela é superfície aonde deslizam os tempos e os sentidos: que se encontram e se completam no presente do agora, do instante-já. Transbordamento, rasgadura, desvio, rompimento, cisão: é a imagem, emergência e desejo, que nos toma de assalto e nos faz, tantas vezes, emudecer. É isso também que pode fazer a nossa corpa – nossa corpa sapatão, trans, viade, bi, nossa corpa dissidente, nossa corpa gorda, emagrecida, desviante, cambiante, corpa que se esquiva e se constrói no extra-campo da fotografia e do rígido padrão que construíram pra nós. Assim é nossa fotografia e nossa corpa dissidente: ambas transitam pela fronteira. Fronteira como linha limite, como lugar indefinido e em constante disputa, que divide os territórios, mas que não pertence a lugar nenhum. Nós
Á C I
O
O
somos o escândalo da imagem que insiste em aparecer, em resistir às investidas do mundo da imageria coletiva –a pedagogia visual que ditaram sobre nossos modos de ver e de sermos vistos nunca nos comportou. A carne de fronteira e a imagem da borda, a celebração que extrapola corpa e imagem, a bola de fogo que cruza o horizonte do mundo enquanto arde e queima. É por isso que a fotografia é também nossa arma de guerra – como nossas corpas, nossos amores e nossos jeitos de fabricar o mundo pelas nossas visualidades. É desse modo que tecemos politicamente o trabalho das imagens enquanto liberamos nossa corpa da invisibilidade ou da mutilação. Explodimos como estrelas, compomos constelações, deslizamos pela superfície imaginal e resvalamos para o extra campo da significação. Somos muites. Estamos atentes e brilhamos ao sol, como rebatedor dourado que ilumina nossa própria carne enquanto, com nossas imagens, dizemos: nada pode nos deter.
FORTALEZA - CEARÁ, 25 DE ABRIL DE 2021 MARÍLIA OLIVEIRA TUTORA E ORIENTADORA DOS PROJETOS DO ATELIÊ SINGULARIDADES DA LUZ – GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA
PRISMA
NE
D I O G O
9
ZI
L U A N A
11
ZI
NE
PRISMA
13
ZI
NE
PRISMA
15
ZI
NE
PRISMA
17
ZI
NE
PRISMA
19
ZI
NE
PRISMA
21
ZI
NE
PRISMA
PRISMA
NE
A L M E I D A
23
ZI
B E A T R I Z
25
ZI
NE
PRISMA
27
ZI
NE
PRISMA
29
ZI
NE
PRISMA
31
ZI
NE
PRISMA
33
ZI
NE
PRISMA
35
ZI
NE
PRISMA
37
ZI
NE
PRISMA
39
ZI
NE
PRISMA
PRISMA
NE
F E L I X
41
ZI
L O U I S E
43
ZI
NE
PRISMA
45
ZI
NE
PRISMA
47
ZI
NE
PRISMA
49
ZI
NE
PRISMA
PRISMA
NE
M E N E Z E S
51
ZI
M I C A E L A
53
ZI
NE
PRISMA
55
ZI
NE
PRISMA
57
ZI
NE
PRISMA
PRISMA
NE
F O I T O
59
ZI
L U I
61
ZI
NE
PRISMA
63
ZI
NE
PRISMA
65
ZI
NE
PRISMA
67
ZI
NE
PRISMA
PRISMA
NE
M A I A
69
ZI
S I D N E I
71
ZI
NE
PRISMA
73
ZI
NE
PRISMA
PRISMAZINE #01 GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA ©IFOTO 2021 PROGRAMA DE FORMAÇÃO IFOTO - TÉCNICA, EXPERIMENTAÇÃO E MEMÓRIA DA FOTOGRAFIA / ATELIÊ SINGULARIDADES DA LUZ ESTE PROJETO É UMA REALIZAÇÃO DO IFOTO, APOIADO PELA SECRETARIA ESTADUAL DA CULTURA DO CEARÁ, ATRAVÉS DO FUNDO ESTADUAL DA CULTURA, COM RECURSOS PROVENIENTES DA LEI FEDERAL Nº 14.017/2020 – ALDIR BLANC.
IGOR CAVALCANTE DIRETOR PRESIDENTE
PRISMAZINE/ORGANIZAÇÃO
BETO SKEFF DIRETOR EXECUTIVO E DE FOMENTO CESAR TEIXEIRA DIRETOR FINANCEIRO FELIPE CAMILO CONSULTOR DE PROGRAMAS E PROJETOS EMI TEIXEIRA DIRETORA DE COMUNICAÇÃO MARCELLA ELIAS DIRETORA DE PESQUISA E INTERCÂMBIO LIA DE PAULA DIRETORA DE POLÍTICAS SOCIAIS
IGOR CAVALCANTE E FELIPE CAMILO LIA DE PAULA PRODUÇÃO/FORMAÇÃO MARINA MOTA / MAROCE DESIGN MARÍLIA OLIVEIRA TUTORIA/ORIENTAÇÃO DE PROJETOS AUTORES LUANA DIOGO A VIDA É UMA FICÇÃO BEATRIZ ALMEIDA RECONSTRUÇÃO DO CORPO LAR LOUISE FELIX PARA SEMPRE VOU TE AMAR MICAELA MENEZES EU ESTIVE AQUI LUI FOITO QUEIMO POR DENTRO SIDNEI MAIA A INFLAMAÇÃO
PRISMA
NE
PRISMAZINE
75
ZI
IFOTO INSTITUTO DA FOTOGRAFIA DO CEARÁ
“A VIDA É UMA FICÇÃO” LUANA DIOGO
#