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Prismazine [n.1] : gênero, sexualidade e fotografia

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PRISMA abril/2021 ©IFOTO

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G Ê N E R O , S E X U A L I D A D E F O T O G R A F I A

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IFOTO, INSTITUTO DA FOTOGRAFIA. 2004 -

PRISMAZINE #01 : GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA / IFOTO – INSTITUTO DA FOTOGRAFIA – FORTALEZA: EXPRESSÃO GRÁFICA, 2021. 76P. ISBN:

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I. TÍTULO: PRISMAZINE #01 GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA

FOTOGRAFIA 2.

ARTES VISUAIS

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No entanto, nem todas as formas de existência tem sua trajetória no mundo biografadas, ficcionadas ou meramente registradas.

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TODA VIDA DÁ UM LIVRO.

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SOBRE A PRISMAZINE E A S S I N G U L A R I D A D E S D A

L U Z Toda vida dá um livro. No entanto, nem todas as formas de existência tem sua trajetória no mundo biografadas, ficcionadas ou meramente registradas. Ao longo da história da fotografia e da visualidade contemporânea, corpos e corpas dissidentes dos regimes de poder e verdade não são abordades igualmente aos corpos e existências construídas dentro da norma. Vidas negras, corpos femininos, corpas lgbtq+, via de regra são apresentadas em contextos de violências diversas. Em relações assimétricas de poder, objetificades por câmeras ao longo de gerações, agora produzimos as fotografias, fabulamos memórias e disputamos a atribuição de sentidos a nossas imagens. Por tais razões, o tema de nosso programa de formação é “ imagem, experimentação e memória”. E foi dessa perspectiva que propusemos às/aos tutores de nossos três ateliês Singularidades da Luz que discutissem entre seus pares relações entre fotografias e lembranças nos seguimentos de ‘negritude’, ‘ gênero e sexualidade’ e ‘ povos indígenas do Ceará’. Assim, tinham por fim pensar coletivamente estas publicações que agora lemos. Uma zine é também uma corpa dissidente da normatividade editorial. Uma ou mais vozes, mãos, olhos, percepções urgentes de verdades pessoais e provisórias, de fato urgem por se espalhar feito capim, por chegar rapidamente a outres. Se o livro com sua ABNT é a morada de teses e dissertações, a zine tem vocação para o ensaio. Não apenas para servir de suporte para tal gênero textual, mas para, como


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ele, sem pretensões a macroverdades testadas previamente nas academias, ensaiar seu caminho e sua forma enquanto vai sendo feita. Com a força da imagem da prisma, o Ifoto busca desconstruir a luz una de qualquer verdade e deixar que as coletividades autoras das edições de nossas zines recomponham as luminosidades em arranjos efêmeros e coloridos de perspectivas diversas. Que a prismazine seja uma experiência decolonial até onde seus saberes e fazeres a permitam ser. Que partilhe as lutas, mas também os prazeres de existências diaspóricas e dissidentes. Que celebre a vida, posto que esta zine nasce em dias que, das maneiras mais óbvias, precisamos reafirmá-la. E aqui o fazemos.

FORTALEZA - CEARÁ, 25 DE ABRIL DE 2021 IGOR CAVALCANTE

E FELIPE CAMILO

ORGANIZADORES DO PRISMAZINE

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P R E F Á C I O Um encontro de distintas corpas e experiências de existir no mundo é o gesto propulsor deste fotozine. Em tempos de distância e angústia, quando estamos impedidos de tocar uns aos outros, a chance de – ainda que em salas virtuais – estar com outres de nós, com quem compartilhar nossos processos de criação e projetar outros mundos possíveis, é um jeito de seguir. Um ateliê/laboratório de criação em que discutimos gênero e sexualidade – e aqui faço alusão à Helena Vieira, quando ela diz que o gênero é uma ficção –, mesa de processo em que nossas visualidades deslizam e se encontram: é sobretudo esse o espaço criado por nós para construção dessa publicação. A fotografia é um sintoma, diz Didi-Huberman. Fagulha, centelha, bola de fogo, explosão de estrela intentando constelação. Ela é superfície aonde deslizam os tempos e os sentidos: que se encontram e se completam no presente do agora, do instante-já. Transbordamento, rasgadura, desvio, rompimento, cisão: é a imagem, emergência e desejo, que nos toma de assalto e nos faz, tantas vezes, emudecer. É isso também que pode fazer a nossa corpa – nossa corpa sapatão, trans, viade, bi, nossa corpa dissidente, nossa corpa gorda, emagrecida, desviante, cambiante, corpa que se esquiva e se constrói no extra-campo da fotografia e do rígido padrão que construíram pra nós. Assim é nossa fotografia e nossa corpa dissidente: ambas transitam pela fronteira. Fronteira como linha limite, como lugar indefinido e em constante disputa, que divide os territórios, mas que não pertence a lugar nenhum. Nós


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somos o escândalo da imagem que insiste em aparecer, em resistir às investidas do mundo da imageria coletiva –a pedagogia visual que ditaram sobre nossos modos de ver e de sermos vistos nunca nos comportou. A carne de fronteira e a imagem da borda, a celebração que extrapola corpa e imagem, a bola de fogo que cruza o horizonte do mundo enquanto arde e queima. É por isso que a fotografia é também nossa arma de guerra – como nossas corpas, nossos amores e nossos jeitos de fabricar o mundo pelas nossas visualidades. É desse modo que tecemos politicamente o trabalho das imagens enquanto liberamos nossa corpa da invisibilidade ou da mutilação. Explodimos como estrelas, compomos constelações, deslizamos pela superfície imaginal e resvalamos para o extra campo da significação. Somos muites. Estamos atentes e brilhamos ao sol, como rebatedor dourado que ilumina nossa própria carne enquanto, com nossas imagens, dizemos: nada pode nos deter.

FORTALEZA - CEARÁ, 25 DE ABRIL DE 2021 MARÍLIA OLIVEIRA TUTORA E ORIENTADORA DOS PROJETOS DO ATELIÊ SINGULARIDADES DA LUZ – GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA


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PRISMAZINE #01 GÊNERO, SEXUALIDADE E FOTOGRAFIA ©IFOTO 2021 PROGRAMA DE FORMAÇÃO IFOTO - TÉCNICA, EXPERIMENTAÇÃO E MEMÓRIA DA FOTOGRAFIA / ATELIÊ SINGULARIDADES DA LUZ ESTE PROJETO É UMA REALIZAÇÃO DO IFOTO, APOIADO PELA SECRETARIA ESTADUAL DA CULTURA DO CEARÁ, ATRAVÉS DO FUNDO ESTADUAL DA CULTURA, COM RECURSOS PROVENIENTES DA LEI FEDERAL Nº 14.017/2020 – ALDIR BLANC.


IGOR CAVALCANTE DIRETOR PRESIDENTE

PRISMAZINE/ORGANIZAÇÃO

BETO SKEFF DIRETOR EXECUTIVO E DE FOMENTO CESAR TEIXEIRA DIRETOR FINANCEIRO FELIPE CAMILO CONSULTOR DE PROGRAMAS E PROJETOS EMI TEIXEIRA DIRETORA DE COMUNICAÇÃO MARCELLA ELIAS DIRETORA DE PESQUISA E INTERCÂMBIO LIA DE PAULA DIRETORA DE POLÍTICAS SOCIAIS

IGOR CAVALCANTE E FELIPE CAMILO LIA DE PAULA PRODUÇÃO/FORMAÇÃO MARINA MOTA / MAROCE DESIGN MARÍLIA OLIVEIRA TUTORIA/ORIENTAÇÃO DE PROJETOS AUTORES LUANA DIOGO A VIDA É UMA FICÇÃO BEATRIZ ALMEIDA RECONSTRUÇÃO DO CORPO LAR LOUISE FELIX PARA SEMPRE VOU TE AMAR MICAELA MENEZES EU ESTIVE AQUI LUI FOITO QUEIMO POR DENTRO SIDNEI MAIA A INFLAMAÇÃO

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IFOTO INSTITUTO DA FOTOGRAFIA DO CEARÁ


“A VIDA É UMA FICÇÃO” LUANA DIOGO

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