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UnicaPhoto [n.6]

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Revista do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Unicap - #6, mai 2016 www.unicap.br/unicaphoto


Na web www.unicap.br/unicaphoto /fotografiaunicap

Expediente Coordenação: Renata Victor Edição: Carolina Monteiro Diagramação: Arline Lins Textos: Carolina Monteiro, Dario Brito, Germana Soares, Juliana Nascimento Torezani, Maria Sofia de Queiroga Vieira, Renata Victor e Suann Medeiros. Ensaios: Grupo (Ammanda Falcão, Paulo Vasconcelos, Priscila Silva, Nitali Angélica, Rautemberg Nóbrega, Amanda Bezerra, Daniel Guimarães, Alzio Dias, Alexandre Torres, Allan Oliveira, José Maurício, Ana Nery, Jéssyca Artico, Humberto Pereira, Suann Medeiros e Jundy Leal) Luara Olívia, Kesya Souza e Renata Victor. A UnicaPhoto é uma publicação semestral do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (ISSN 2357-8793). Fotos da capa: Keila Castro Foto da contra-capa: Eva Feitosa

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EDITORIA L

Renata Victor Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Unicap Na última década, a fotografia vivenciou grandes transformações, não só nas linguagens, mas na sua produção. As experimentações nas redes sociais, no audiovisual, na arte contemporânea e o avanço tecnológico dos artefatos fotográficos levaram a fotografia a patamares jamais imaginados. Dessa forma, necessitamos compreender os novos conceitos e os prováveis caminhos da fotografia. O curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Unicap, com apenas cinco anos, obteve nota máxima na avaliação do MEC, em novembro de 2015, e também passou a ser considerado pelo site ENEM VIRTUAL o curso líder no Ranking das Melhores Faculdades de Fotografia do Brasil. Apresentando dessa forma, até parece que a trajetória foi rápida e simples. Não foi o caso. Trabalhamos muito, acertamos e erramos em vários momentos, mas nunca esquecemos que o nosso maior bem é o aluno e a fotografia. Assim, buscamos sempre manter o curso jovem e atuante. O projeto pedagógico passou por duas atualizações, o corpo docente é formado por professores com experiências profissional e acadêmica. O curso promove diversas atividades interdisciplinares e transdisciplinares e tem como missão a excelência acadêmica e humanista. Sabemos que nada é perfeito e eterno, pois trabalhamos com gente, e cada turma se torna um novo desafio. Desafio. É assim que vemos o curso de especialização “As Narrativas Contemporânea da Fotografia e do Audiovisual”, que tem como princípio a reflexão sobre as novas perspectivas de uso da fotografia. O curso começou no dia 25 de maio e contará com um corpo docente de excelência. A Professora Doutora Simonetta Persichetti abriu o ciclo dos módulos, com a disciplina “Fotografia: Crítica e Curadoria”, e é com ela a entrevista dessa 6ª edição. Trazemos também quatro ensaios, matérias sobre audiodescrição e sobre a exposição de formatura da última turma, com o tema Manguebeat, uma homenagem ao falecido artista Chico Science, além de uma retrospectiva do momento da divulgação da nota de avaliação do MEC e muito mais. Boa leitura!

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ACONTECEU

ENTREVISTA

ACERVO UNICAP

FOTOGRAFIA DA UNICAP É NOTA MÁXIMA NO MEC

SOBRE FOTOGRAFAR O SUBLIME

AUDIODESCRIÇÃO: UMA ARTE QUE INCLUI!

FILMES FEITOS COM O CELULAR CHEGAM AOS CINEMAS

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100 ANOS DO VALE DE YOSEMITE PELAS LENTES DE ANSEL ADAMS

RECIFE: RECORTES CONCRETOS

ANÁLISE DE IMAGEM

DIR. AUTORAL E DIR. DE IMAGEM

O MAR VISTO DE CIMA

DA LAMA PARA O MUNDO: CHICO SCIENCE E O MOVIMENTO MANGUEBEAT

A MORTE AMOROSA

DICAS

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ACO N T E

C E U


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Entrevista

S i m o n e t ta P e r s i c h e t t i A Professora Doutora, jornalista, pesquisadora e crítica de Fotografia, Simonetta Persichetti é dona de um currículo vasto e bem-conceituado no universo da fotografia brasileira. Ela vai ministrar o módulo Fotografia: Crítica e Curadoria da especialização As Narrativas Contemporâneas da Fotografia e do Audiovisual oferecida pela primeira vez este ano na Unicap. Nesta entrevista ela fala sobre a sua relação com a fotografia pernambucana e faz um balanço do mercado da fotografia artística no Brasil e no mundo. Foto: Paulo Villar

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UnicaPhoto: Os cursos de graduação em fotografia são bem jovens no Brasil. No entanto, hoje percebemos um número considerável de instituições ofertando graduações e pósgraduações na área da imagem. Como você analisa esse atual cenário? Tem alguma previsão para o futuro? Simonetta: Sou bastante otimista e acho que a partir do momento em que a fotografia entrou para a academia e passou a ser discutida e reconhecida de forma mais ampla como uma linguagem a ser estudada, decodificada e entendida passamos a ter um olhar mais crítico não só dos acadêmicos, mas também do público em geral. Com certeza, a fotografia crescerá ainda mais. UnicaPhoto: É sabido que você tem uma ligação com a fotografia pernambucana. Como você avalia a produção fotográfica artística em Pernambuco? Simonetta: Graças ao Fernando Neves e Luciana Carvalho que me convidaram para ser curadora da Arte Plural em 2009, tive a oportunidade de ver a consistência e a seriedade da produção pernambucana. Fotógrafos como Helia Scheppa, Ricardo Labastier, Yeda Bezerra Mello, Roberta Guimarães, Teresa Maia, e o saudoso Alexandre Severo, Gustavo Bettini, Lia Lubambo, Gilvan Barreto, enfim uma infinidade de nomes (fica até chato deixar de citar alguns) que desenvolvem trabalhos preciosos em conexão com uma linguagem contemporânea de micro-histórias, micro universos que tem sido aplaudidos no Brasil e no exterior e que, ainda bem, nos tiram dos já conhecidos eixos Rio-São Paulo. A fotografia pernambucana é tão rica quanto a própria cultura do estado. UnicaPhoto: O que define uma fotografia artística? Simonetta: Essa é uma pergunta que vale um milhão de dólares, ou euros, vocês decidem! É muito difícil responder o que é arte e o que não é. A própria filosofia ainda não discutiu o que é arte. Acho que se o século XIX registrou

o mundo e o século XX o interpretou, agora no século XXI somos livres para contar nossas histórias e aí alargamos o conceito de poiésis, de criação e de articidade de uma fotografia. UnicaPhoto: Como você vê o mercado da fotografia artística no Brasil e no mundo? Simonetta: Ainda acho que muito se fala, mas pouco se realiza. No sentido de que ainda não vejo um mercado institucionalizado, criado. Isto ainda está para acontecer. Precisamos ainda entender quem compra fotografia, quem são os colecionadores, e como estabelecer preços. Esta é uma questão de mercado que eu não gosto e nem quero entrar. Eu quero ver boas e consistentes fotografias e não trabalhos que somente atendem a um mercado e criam receitas vendáveis. UnicaPhoto: Quais os fotógrafos que você destaca no mercado da fotografia artística no Brasil e no mundo? Simonetta: Esta é uma escolha de Sofia, prefiro não responder! UnicaPhoto: Algum fotógrafo da nova geração lhe impressiona? Simonetta: Vale a mesma resposta acima. Sim, alguns me impressionam, mas prefiro ainda esperar... UnicaPhoto: A tecnologia apresentada pelos equipamentos fotográficos digitais aproximou os fotógrafos para a produção audiovisual. Qual é sua avaliação sobre tal situação? Simonetta: Eu acredito, mas não tenho nenhuma certeza, de que a fotografia foi a expressão do século XX e que entrou no século XXI cheia de poderes, mas acho que o tempo vai nos aproximar cada vez mais do vídeo. Talvez as fotografias se tornem frames de vídeos, mas acho que essa vai ser a tendência: o vídeo, sem acabar com a foto, mas será preponderante. UnicaPhoto: Qual o conselho que você daria para quem está começando na fotografia? Simonetta: Com dizia o meu querido e saudoso amigo Thomaz Farkas: “para você que está começando agora, fotografe, fotografe muito”. [9]


ACERVO UNICAP

O sincretismo religioso é uma das características mais marcantes do Brasil de hoje, cuja identidade e cultura são fortemente influenciadas pelas tradições de índios (sua população nativa); brancos colonizadores e negros trazidos da África a partir do século 16 para trabalharem como escravos nas plantações de café e cana-de-açúcar até pelo menos o ano de 1888, quando toda forma de escravidão foi abolida no país. No início da colonização, no entanto, junto com as obrigações do trabalho forçado, índios e negros também eram convertidos às tradições católicas portuguesas em rituais e cultos que permanecem intactos até os dias atuais. É o caso da devoção a Santa Quité[10]

ria, jovem portuguesa venerada como mártir desde o século VIII em Portugal e cujo culto foi trazido pelos portugueses para o Nordeste do Brasil. Um vilarejo nordestino chamado Santa Quitéria das Frexeiras, localizado a 15km da cidade de São João, no Agreste de Pernambuco, foi nomeado em homenagem à santa desde o século 17 e até hoje recebe milhares de romeiros durante o mês de setembro para agradecer pedidos alcançados e renovar a fé na santa a quem se atribuem milagres e graças. Os primeiros fiéis eram índios e escravos convertidos, mas a crença se espalhou pela região de forma indiscriminada, atingindo várias etnias e classes sociais.


fotógrafa: inês campelo câmera: nikon 6006 (analógica) filme: preto e branco (t-max 3.200, kodak)

ano: 2000

O vilarejo, que vive da agricultura de subsistência e da movimentação do comércio em torno das romarias, tem pouco mais de duas ruas e o culto à santa é realizado em uma casa pertencente a uma família do local há cerca de 300 anos, sem a participação oficial da Igreja Católica. O culto acontece em torno de uma imagem da Santa de 44 cm de altura, trazida pela família portuguesa “Corrêa da Rocha” para o local em 1695. A casa foi transformada em santuário no século 18, segundo os registros familiares. Para agradecer as graças alcançadas, os fiéis trazem ex-votos (esculturas de madeira, gesso ou bronze) que represen-

tam os pedidos atendidos na forma de cabeças, pés, braços e pernas (locais das enfermidades curadas) ou casas, carro e animais (pedidos alcançados). Conheci a festa de Santa Quitéria de Frexeiras em 2000, quando fiz um ensaio fotográfico documental orientado pela professora Renata Victor, como projeto de conclusão de curso de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco. Estive no lugarejo na semana entre 31 de agosto a sete de setembro. O local me impressionou não apenas pela riqueza imagética, mas pela força da fé e da devoção das famílias e das pessoas que iam até o santuário para rezar e agradecer. [11]


Fotografia da Unicap é nota máxima no MEC O Curso de Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco recebeu nota 5 na avaliação do MEC. Um reconhecimento de excelência e qualidade Texto de Suann Medeiros Fotos: Facetime e Luara Olívia

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O Curso Superior Tecnológico em Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no Recife, conquistou nota máxima na avaliação do Ministério da Educação (MEC), principal indicador de qualidade do ensino superior no país. A nota 5 é a maior pontuação que um curso de ensino superior pode receber no conceito do Governo Federal. O resultado comprova que o curso atende aos critérios de formação de profissionais, tanto no que se refere à dimensão institucional quanto ao corpo docente e projeto pedagógico. “Penso que 2015 foi um ano feliz para o curso de Fotografia porque em apenas cinco anos de existência, teve dois prêmios no Intercom Regional e também


a avaliação máxima do MEC. Ou seja, o curso mostrou a que veio, fortaleceu-se e adquiriu reconhecimento dentro e fora da instituição”, comenta a coordenadora Renata Victor. O curso, que teve início em fevereiro de 2010, busca aliar formação teórica à vivência prática das atividades fotográficas, preservando as identidades nordestina e nacional, sem esquecer do contexto atual do mundo globalizado. Segundo a Pró-reitora Acadêmica e Professora da Unicap, Aline Grego, “é extremamente positiva a nota máxima do MEC, pois mostra que as opções por cursos superiores de caráter tecnológicos, que têm uma duração menor do que as demais graduações, são viáveis e que

existe demanda na cidade para eles, sobretudo como um upgrade para as demais áreas, como podemos constatar que existem alunos que já trabalham com fotografia, mas também outros que vêm de graduações totalmente distintas da área da comunicação”. O entusiasmo é compartilhado pelos alunos. “Me sinto extremamente feliz e orgulhoso de fazer parte de um curso mantido com tanto zelo e dedicação. O reconhecimento do MEC é apenas uma consequência de uma construção sólida, que mescla professores super qualificados, competentes e dedicados, uma estrutura acadêmica adequada ao mercado, e claro, o incansável carinho e comprometimento da co-

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ordenadora Renata Victor. É uma alegria fazer parte disso tudo, sabendo que o curso não nos impõe limites, pelo contrário, nos oferece um ambiente que abre portas e nos permite alçar voos, seja no mundo acadêmico, seja na formação profissional”, contou o ex-aluno Paulo Souza. Para a professora e coordenadora Geral de Graduação da Unicap, Verônica Brayner, o conceito 5 obtido pelo curso de Fotografia veio coroar uma breve trajetória. “Não foi uma surpresa. Devido ao zelo que o curso veio sendo construído desde a sua origem e concepção. Essa nota representa a capacidade da universidade de ter um curso tradicional como Direito, que tem 55 anos de existência, que tira 5 na nota máxima do MEC e a graduação de Fotografia, com apenas 5 anos. Para um curso superior em tecnologia, insisto, é um ganho enorme porque eles são avaliados da mesma forma que um bacharelado ou uma licenciatura de cinco anos”, comenta Verônica.

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Atualmente, o curso é noturno e tem duração de dois anos. São oferecidas 40 vagas por ano. A Graduação em Fotografia da Unicap é considerada a melhor universidade privada de fotografia no Brasil - segundo o site Enem Virtual. Seu corpo docente é formado por nove professores, entre especialistas, mestres e doutores. Além das atividades em sala de aula, o curso ainda oferece ao graduando importantes atividades de extensão como o Prêmio Alcir Lacerda, o Concurso Fotográfico de Carnaval, a Revista UnicaPhoto, Exposições Interdisciplinares a cada finalização dos semestres, o FotoVídeo, caminhadas fotográficas e aulas de campo visitando algumas áreas do litoral pernambucano e do agreste. Entre os parceiros estão Canon, IPHAN, Museu da Cidade do Recife, a gráfica FacForm, Sebrae, Livraria Cultura, Hotel Dorisol, Galeria Arte Plural e o Ateliê de impressão ADI, Liceu, os festivais Stop Motion e Ver/Ouvindo e o Projeto Criança Esperança, patrocinado pela Universidade Católica de Pernambuco.


Professoras Veronica Brayner, Aline Grego, Renata Victor, Conceição Bizerra, e o reitor da Unicap, padre Pedro Rubens Ferreira, comemoram o resultado.

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Ensaios

S O B R E F O TO G R A FA R O SUBLIME Texto e fotos de Kezya Souza Presenciar o sublime é uma verdadeira dádiva. Vejo a mulher parindo como uma deusa. E o que mais seria um ser capaz de gerar um novo ser em seu ventre, capaz de gestá-lo por meses, pari-lo e ainda saciar a sua fome com o alimento que ela mesma produz? O parto é um evento sagrado e transformador para todos os que o presencia. Ser escolhida para estar no seio das famílias, neste momento tão importante em suas vidas, me deixa infinitamente feliz. Gratidão plena! É preciso estar sempre atenta para não deixar escapar cenas importantes e, ao mesmo tempo, fazer-se invisível. O aconchego do lar e seus detalhes, a expectativa amorosa dos familiares presentes, a participação do pai do bebê no processo, o envolvimento e forte profissionalismo das parteiras, o carinho e apoio psicológico das doulas, a expectativa do irmão que aguarda o caçula, o cãozinho que, mesmo sem entender o que está acontecendo em seu lar, de longe tudo observa com candura e apreensão, o momento do expulsivo. Ah, o momento do expulsivo! O que dizer dele? Ver a natureza, ali, agindo para perpetuar uma espécie é fantástico. Nesse momento é preciso respirar fundo, brigar com as lágrimas para que elas não embacem o visor da câmera, firmar as mãos e pernas trêmulas e dedo atento no botão do obturador para não perder uma linda cena: o bebê nascendo, a emoção dos pais ao pegá-lo nos braços pela primeira vez, o pequenino buscando o olhar da mãe poucos minutos após seu nascimento, todos aos prantos de tanta emoção, o primeiro choro, a primeira mamada.

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Ensaios

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Ensaios

Tecnicamente falando, o cenário é bastante hostil para fotografar, pois geralmente, o ambiente está com baixa luminosidade e a temperatura ambiente oscilando entre de 36 e 38ºC, pois a água da banheira deve estar sempre quentinha. Algumas vezes, a falta de espaço para a movimentação em busca de pontos de vista diferentes, também é um fator que dificulta um pouco o trabalho. Então, ficar embaixo de uma mesa, subir numa cama, cadeira, um sofá (tudo com permissão, claro!) são algumas das alternativas que utilizo para me posicionar. Mas ressalto que nenhuma dessas dificuldades diminui minha alegria por estar ali, muito pelo contrário, só alimentam o desejo de vencer os desafios. Captar todas as emoções envolvidas durante o processo de nascimento de um bebê, que nasce de forma instintiva, está sendo uma oportunidade para compreender, aceitar, agradecer pela vida e crer em um mundo melhor para a humanidade. É doce a minha missão!

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Audiodescrição: uma arte que inclui! Texto de Suann Medeiros

A audiodescrição permite que pessoas com deficiência visual tenham as mesmas sensações e entendimento de todos. Seja na arte, na educação, na saúde, ou em quaisquer outras áreas e situações. “Para mim é uma forma de expressão artística no sentido de mediação, a audiodescrição media uma obra, um evento, uma imagem para uma pessoa com deficiência visual. Na arte e na cultura, ela [a audiodescrição] também é uma forma de arte, de fazer arte e de proporcionar essa tradução”, assim Liliana Tavares, audiodescritora apaixonada, trata o seu ofício. Formada em Psicologia, ela conta que a partir da sua primeira experiência com audiodescrição, por volta de 2010, passou a dedicar-se totalmente à técnica, fazendo dela a sua profissão. Hoje, Liliana é doutoranda em Comunicação, pela UFPE, estudando a audiodescrição na fotografia e no cinema. Ela também é audiodescritora e produtora cultural. A audiodescrição é a técnica de traduzir para as pessoas cegas ou com baixa visão, a imagem observada, de forma clara, direta e precisa. Nas artes, por exemplo, o audiodescritor deve traduzir aquilo que está além dos diálogos (quando se trata de teatro ou cinema), descrever o figurino, o cenário e as reações, para que o deficiente visual possa também ser envolvido pelas sensações da manifestação artística em questão. Mas Liliana lembra que não é apenas nas artes que a técnica se faz presente. Na [22]

educação, na saúde e até em algumas questões jurídicas, faz-se de suma importância a presença do audiodescritor. Vale frisar que audiodescrição é uma atividade profissional, repleta de técnicas e exige estudo e capacitação. Liliana explica que “existem várias modalidades da audiodescrição, ela pode ser ao vivo ou gravada e, pode ser exibida de várias formas: aberta para todos ouvirem, fechadas com fones de ouvidos, e também pode ser escrita em braile”. E emenda: “o Brasil tem muitos bons profissionais na audiodescrição hoje em dia em São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e aqui em Pernambuco. Esses são os Estados que mais sobressaem e os cursos são restritos”. O professor Francisco Lima, da UFPE, é um grande formador, bem como Lívia Motta (SP) coordenadora do primeiro curso de pós-graduação em audiodescrição na UFJF. Ela conta que Pernambuco é um dos estados que mais produz audiodescrição no Brasil e que a maioria das pessoas com alguma deficiência visual – que pode ser total ou parcial – já conhece e entende o que é audiodescrição. Um dos motivos apontados pela audiodescritora, como razão deste pioneirismo, surgiu da exigência da audiodescrição em editais de cultura no Estado, principalmente os editais do Funcultura, que pontuam os projetos que oferecem acessibilidade comunicacional. Dentre as modalidades em que a audiodescrição se encontra presente, Liliana destaca a


Informações sobre a imagem

Fotógrafo: Graciliano Paes Audiodescrição: com acessibilidade Comunicacional UM MENINO É FOTOGRAFADO EM SALTO SOBRE UM GRAMADO. Ele está de perfil braços abertos e joelhos flexionados. Tem cabelos escuros e lisos e a pele morena. Usa camiseta verde de malha e bermuda jeans. A imagem está um pouco borrada devido ao movimento.

fotografia, área estudada por ela, que considera um desafio, por precisar descrever e passar a emoção e profundidade de tudo o que a fotografia fala, mas tomando cuidados para não tornar cansativo. Ela explica que a narração deve ser feita “inicialmente pela hiperonímia, que significa a gente dar, em uma ou duas frases, a noção do todo”. Isso levando em consideração as técnicas de leitura de imagens que é feita da

esquerda para direita, de cima para baixo, e do primeiro plano para o fundo, etc., e completa, “dependendo da fotografia a gente fala o que vê. Leva-se em consideração o ‘punctum’ e a ‘aura’ - citando Walter Benjamin, primeiro, a gente estuda o que a imagem toca, fala e diz, depois disso vai detalhar a imagem, transmitindo a sensação, o sentimento, o questionamento que a imagem está mostrando”.

O lado de quem sente A deficiente visual Michele Alheiros, 39, que é pedagoga e professora de braile, lembra do seu primeiro contato com a audiodescrição, que foi aos 36 anos, em uma exposição fotográfica, na Torre Malakof, no Bairro do Recife. “Gostei do empoderamento, de ter acesso à fotografia daquela maneira não amadora. Porque, se fosse uma exposição sem audiodescrição, não faria efeito em mim como faz em um uma

pessoa que enxerga. Eu me senti útil, me senti igual a todos”. Michele fala que cada vez mais, os eventos culturais em Recife, estão trazendo a audiodescrição ou as informações em braile, destacando a Fenearte, exposições nos museus e galerias e festivais de cinema, entre outros. E admite que gosta bem mais quando tem audiodescrição, “a gente sente mais a exposição”. [23]


Filmes feitos com o celular chegam aos cinemas Texto de Carolina Monteiro

“O longa-metragem norte-americano e independente “Tangerine” [...] foi filmado unicamente com a câmera traseira de iPhones, foi exibido no Festival de Sundance e chegou a salas comerciais do mundo todo, inclusive do Brasil.” [24]


Fotografar com o smartphone é tão comum quanto usar o aparelho para falar com os amigos, interagir no Whatsapp e resolver problemas. Percebendo o uso cada vez mais frequente do telefone como câmera fotográfica os fabricantes têm se esforçado a cada novo lançamento para incrementar os recursos e a qualidade das câmeras e programadores se desdobram em novos aplicativos que suprem eventuais limitações do aparelho permitindo editar as imagens com qualidade “quase” profissional. Na verdade, a qualidade dos equipamentos de captação dos telefones celulares atingiu um nível técnico tão razoável que a onda agora parece ser fazer filmes com ele. Mas não aqueles filmes caseiros de momentos em família, filmes mesmo, curtas e longas metragens de ficção, alguns deles já reconhecidos e premiados em festivais internacionais. O longa-metragem norte-americano e independente “Tangerine”, por exemplo, foi filmado unicamente com a câmera traseira de iPhones, foi exibido no Festival de Sundance e chegou a salas comerciais do mundo todo, inclusive do Brasil. A história de duas prostitutas transsexuais que procuram por um rapaz que traiu uma delas numa véspera de Natal em Hollywood foi filmada por Sean Baker, que usou modelos 5s com alguns assessórios como steadycam e um protótipo de adaptador que se conecta à lente para permitir filmar em widescreem e dar às imagens um estilo mais “cinematográfico”, além de recursos do aplicativo Filmic Pro e retoques de pós-produção para aprimorar as cores e dar ao longa um visual mais saturado e cheios de grãos que simulam as películas hollywoodianas. Técnica e criatividade de sobra com um orçamento de 120 mil dólares, nada que se compare aos custos dos demais filmes que dividiram as salas de cinema com ele. Tangerine fez barulho depois de sua exibição

em Sundance no ano passado, mas ele certamente não foi o primeiro. O pioneirismo é atribuído aos coreanos Chan-kyong Park e Chan-wook Park que lançaram, ainda em 2011, o curta Paranmanjang, filmado com um iPhone 4. Também vem da Coreia o primeiro longa neste formato, uma comédia romântica chamada Cachorros e Gatos, sobre o romance entre uma artista depressiva que adota um cachorro e um desenhista que encontra um gato amarrado a um banco. O filme lançado em 2013 não chegou a fazer a carreira internacional de Tangerine mas é apontado como pioneiro em longas-metragens feitos com celular. Também em 2014, o cineasta espanhol Pablo Lacurén usou o iPhone para contar o pesadelo de amigos presos em uma casa durante uma festa em Barcelona. O terror recebeu elogios da critica internacional e se vale do clichê de filmagens encontradas, estilo A Bruxa de Blair, para assustar garota que adota um , apesar não filmou tudo apenas apontando o celular na direção dos atores. Além de lentes especiais e o aplicativo Filmic Pro para controles técnicos especiais, ele adquiriu o protótipo de um adaptador que se conecta à lente do celular e dá ao conteúdo filmado um estilo mais cinematográfico. Na pós-produção, as cores foram aprimoradas e o visual fica bastante saturado e cheio de grãos, quase uma caricatura de Hollywood. Ainda assim, o equipamento “base” é o smartphone da Apple. Do Brasil, o principal representante até agora é Charlotte SP, dirigido pelo paulistano Frank Mora e capturado e editado com iPhones modelos 4 e 5. O longa de ficção conta a história de uma modelo brasileira que retorna ao país após carreira internacional e tenta reencontrar os amigos. O filme, produzido no ano passado, tenta agora emplacar participações em festivais de cinema e não tem previsão de estreia nos circuitos nacionais.

Filme Tangerine

Filme Charlotte [25]


100 Anos do Vale de Yosemite pelas lentes de Ansel Adams Texto de Julianna Nascimento Torezani Professora do Curso de Fotografia da Unicap. Doutorando em Comunicação pela UFPE. Mestre em Cultura e Turismo e Bacharel em Comunicação Social pela UESC. Email: juliannatorezani@yahoo.com.br No início do século XX um grupo de fotógrafos americanos defendeu fotografias em preto e branco, com texturas e detalhes diferenciados. Os temas escolhidos eram o cotidiano e o ambiente onde viviam e as câmeras de grande formato davam clareza e as gradações de tom de forma espetacular. Esta nova tendência era considerada puramente fotográfica, pois deixava de lado a estética pictorialista, buscava a partir deste momento maior nitidez, exame rigoroso dos objetos e da natureza, tendo como marco histórico o movimento Photo-Secession criado por Alfred Stieglitz nos Estados Unidos. Na Costa Oeste, o defensor da fotografia direta era Ansel Easton Adams, que nasceu no inverno de 1902, em 20 de fevereiro em San Francisco, Estados Unidos. Inicialmente dedicou-se a música como pianista, aprendeu a tocar sozinho e praticava seis horas por dia, mas voltou-se à fotografia quando publicou um álbum onde procurava imitar a pintura impressionista, com efeitos suaves, obtidos no laboratório. Começou a fotografar o Vale de Yosemite em 1916, além de colecionar fotografias alheias. Conheceu o vale numa viagem com os pais em 1o de junho de 1916 durante dois dias de trem e de ônibus, o que o fez escrever mais tarde: “O esplendor de Yosemite explodiu sobre nós. [26]

[...] Havia luz em todo lugar. Uma nova era se iniciava para mim”. Quando chegou ao vale seu pai lhe presenteou com uma Kodak no 1 Box Brownie, depois que aprendeu como a câmera funcionava, correu pelo vale fotografando tudo o que via. Depois dessa viagem em todo verão voltava à Yosemite. Ao explorar a beleza extraordinária do lugar, cada vez que alcançava um ponto mais alto, melhor ficavam suas fotos. Aprendeu sozinho a revelar seus negativos e, assim, começou a experimentar novas abordagens de exposição. Ao observar que as imagens não representavam exatamente o que estava visualizando resolveu utilizar um filtro vermelho Wratten A, que tinha como resultado escurecer o céu para fazer contraste com as rochas e as nuvens. Em 1919, entrou para o Sierra Club, onde teve suas imagens publicadas em boletim e sua primeira exposição, em 1934 foi eleito diretor do clube. Adams trabalhava sem parar, sem férias, sete dias por semana, todos os dias do ano, mesmo aos 80 anos. Em 1930, abandonou a música pela fotografia e, dois anos mais tarde, participou na criação do grupo f/64, com Edward Weston, Willard Van Dyke e Imogen Cunningham. O grupo tinha por propósito executar imagens de grande nitidez mediante o diafragma mais reduzido


da objetiva, máxima profundidade de campo e uso de papéis fotográficos com baixo brilho. Foi influenciado pelo fotógrafo americano Paul Strand, pelo impacto que as imagens dele causaram. Ao tratar da obra de Adams a historiadora Marie-Loup Sougez (2001, p. 248) comenta que “sobretudo as suas paisagens californianas são composições muito depuradas, em que dominam as linhas horizontais e verticais, cujo rigor e harmonia parecem diretamente herdados da sua formação musical”. Em janeiro de 1936, foi à Washington para solicitar que o Kings Canyon, a sudeste de Yosemite, se transformasse em parque nacional, feito que ocorreu quando o presidente Franklin Roosevelt criou a lei em 1940. Neste mesmo período foi em Nova York mostrar a Alfred Stiglitz seu trabalho que lhe convidou a fazer uma exposição individual em sua galeria, American Place, a mais importante para os fotógrafos da época. Criou o método para controle de exposição e revelação chamado Sistema de Zonas. Con-

siste na forma para determinar com precisão o tom e a forma de cada parte da cena fotografada na cópia final, ou seja, o resultado final da ampliação fotográfica. Estudando todas as etapas do processamento fotográfico com rigor, sobretudo o uso dos químicos. A imagem Nascer da lua, Henandez, Novo México foi feita em 1941 quando Adams vinha dirigindo na estrada rumo a Santa Fé sob a lua nascente quando a aldeia e as cruzes do cemitério chamaram sua atenção, agindo rápido, parou freneticamente e instalou sua câmera e mediu a exposição pelo brilho da lua, fez apenas uma foto e é considerada uma das imagens mais marcantes de sua carreira e uma das mais famosas imagens do século XX. Em 1940, ajudou a fundar o primeiro acervo museológico de fotografias no mundo, o do Museum of Modern Art de Nova York (MOMA). Começou a produzir murais para o governo dos Estados Unidos em 1941 para o Ministério do Interior, eram imagens épicas, imensas e de grande dificuldade técnica. Em 1945, Adams

Yosemite National Park (1916)

Monolith, a Face of Half Dome (1926)

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North Palisade from Windy Point (1936)

Nascer da lua, Henandez, Novo México (1941)

Clouds above Golden Canyon, Death Valley, California (1946)

El Capitan, Sunrise (1956)

cria um departamento de fotografia artística na California School of Fine Arts. Na Escola de Belas Artes de San Francisco criou o primeiro curso universitário de fotografia. Abriu uma galeria em San Francisco para promoção da fotografia artística. Dedicou assim toda sua vida a fotografia, produzindo imagens, organizando exposições e ministrando aulas. O livro Making a Photograph (1935) foi o primeiro guia de fotografia que trata tanto da

técnica quanto da estética. Dedicado à conservação da natureza desde jovem, muitos de seus livros são apelos em favor da proteção ambiental, como My Camera in the National Parks (1950), This is the American Earth (1960) e Photographs of the Southwest (1976). Adams apresentou os elementos de sua técnica fotográfica nos livros A Câmera, O Negativo, A Cópia, utilizados em cursos de fotografia em vários lugares do mundo.

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“Moon and Half Dome”. Yosemite National Park, California (1960) Em 1979, foi homenageado com uma retrospectiva de seu trabalho no MOMA. Em 1980, em uma cerimônia de gala na Casa Branca ele ganhou a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração civil. Ninguém melhor do que Adams demonstrou através de suas fotografias a beleza da Serra Nevada, em Yosemite, exaltando a natureza a cada fotograma, fazendo daquele lugar seu lar. Nas palavras de Adams a descrição de seu trabalho: “Eu realmente não consigo verbalizar o significado das fotografias. Alguns amigos meus conseguem de uma forma mística, mas eu... Eu prefiro dizer que, quando sinto uma grande emoção, eu faço uma fotografia equivalente ao que vi e senti”. Adams morreu em Carmel, na Califórnia, em 22 de abril de 1984. Seis meses após sua morte o congresso americano batizou a área a sudeste de Yosemite de Ansel Adams Wilderness. Em 1985, um pico no coração de Serra Nevada foi oficialmente chamado de Monte Ansel Adams.

El Capitan, Winter Sunrise, Yosemite (1968/1976) Filme: Ansel Adams: um documentário. Direção de Ric Burnd, 2002.

Referências: HACKING, Juliet (editora geral). Tudo sobre fotografia. Tradução de Fabiano Morais, Fernanda Abreu e Ivo Korytowski. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. SOUGEZ, Marie-Loup. História da fotografia. Tradução de Lourenço Pereira. Lisboa: Dinalivro, 2001.

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Ensaios

Recife recortes concretos Texto e fotos de Luara Olívia

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Da janela do ônibus ou andando pelas ruas, percebo os prédios da cidade. Janelas me chamam atenção, como um elemento que se repete e cria um padrão visual, são de certa forma únicas. Por trás delas existem histórias singulares. Alguns daqueles prédios são residências, outros escritórios, empresas, existem os que são os dois ou os que já não servem de habitação, são apenas espaços esquecidos.


Recife tem dessas coisas. De espaços esquecidos, prédios, praças, espaços históricos abandonados. A capital cresce desordenada e está à beira de transformações na arquitetura “velha” para a construção de um suposto Novo Recife. Se para alguém, esses prédios passam despercebidos, em ‘’Recife: Recortes Concretos” eles são registrados de uma forma diferente.

O ensaio busca cortes de prédios do centro da cidade do Recife, na Avenida Guararapes, na Conde da Boa Vista e redondezas. As fotografias valorizam a geometria dos prédios, buscam as linhas que os tornam ligados entre si. Sua textura única, suas cores, suas particularidades. Seja sua pintura degastada, seja seu revestimento metálico moderno. São todos concretos.

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Ensaios

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Analise de Imagem Francesca Woodman e seu fluxo temporal

Análise feita pela aluna Maria Sofia de Queiroga Vieira do curso de Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) dentro das atividades da disciplina Linguagem Fotográfica I, ministrada no semestre letivo de 2016.1 pelo professor Leonardo Ariel.

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Introdução Francesca Woodman foi uma fotógrafa estadunidense, nascida em 1958. Quando recebeu uma câmera fotográfica do seu pai, aos 13 anos de idade, começou o seu acervo, o qual veio a ser parado nove anos depois, já que aos seus 22 anos, infelizmente, cometeu suicídio. Suas fotografias são compostas por elementos opostos, como cenários envelhecidos, deteriorados; e modelos jovens, de pele lisa e limpa. Ela costumava fazer autorretratos, o que gera uma discussão sobre o narcisismo e auto-representação, tanto que muitos procuram em seus últimos trabalhos índices do seu suicídio. Contudo, percebe-se que Woodman queria não necessariamente representar a si própria, mas sim materializar seu corpo nas fotografias. A imagem fotográfica é um recorte espaço-temporal de fragmentos do mundo, ela recorta lugares, tirando-os do seu fluxo temporal contínuo para o perpétuo e congelado. As obras de Woodman, por vezes, explorava as baixas velocidades do obturador, o que, muitas vezes, não congelava completamente o movimento, ficando algumas partes borradas. Além disso, usava cenários com paredes, chão e objetos envelhecidos, esmaecidos e abandonados, o que causa estranhamento e admiração no observador. Dessa forma, o artigo é dividido em duas partes, na primeira são discutidas as questões dos autorretratos e performance para depois abrir para o tema da temporalidade, em que serão abrangidos o uso dos cenários em ruínas e do não congelamento total do movimento. Autorretrato e Performance Francesca Woodman costumava ser a sua própria modelo. Muitos procuram, a partir disso, representações da personalidade da fotógrafa em seus autorretratos, principalmente, índices de seu suicídio. É fato que a artista, incluída em um contexto social, histórico e geográfico, expressa os seus sentimentos nas suas obras, porém Woodman não estava em suas imagens como ela própria, na verdade, apropriava-se de seu corpo para a representação de algo, ou seja, fazia uma performance. Como já foi citado, a câmera se apodera do fotografado, se o outro souber da presença do aparelho, não há como permanecer inocente, tanto que Barthes afirmava que “não para de se imitar” (1980) quando para ele é apontada

uma objetiva. “A fotografia, em si, é da ordem do performativo” (DUBOIS, 1993), o acervo de Woodman é consciente dessa performance, tanto que pode até ser chamada de fotografia Encenada, visto que é toda planejada e composta previamente a pose e o cenário já como um enquadramento. Essa fotografia é um dos poucos autorretratos em que o rosto de Woodman aparece de forma mais nítida; seu studium pode parecer simples inicialmente: uma jovem moça nua está com o rosto virado para o espelho em uma clara característica narcisista, um duplo do duplo. Entretanto, percebe-se que ela se encara no espelho nem para a objetiva, como se negasse a sua imagem para si própria e para a câmera. Há um elemento fora de campo que só nos é permitido ver devido ao seu reflexo no espelho: uma espécie de búzio posicionado acima de sua cabeça. Normalmente, a fotografia remete ao extracampo quando o fotografado encara diretamente a lente ou quando o dispositivo aparece no enquadramento, aqui ela remeteu ao colocar esse objeto que não está enquadrado, apenas o seu reflexo. Sua pele lisa e seu cabelo bem arrumado contrasta com a parede rude e degrada, apenas a sua mão está focada no quadro, enquanto o resto do seu corpo compõe o ambiente. A decomposição da parede traz a da retratada, como se essas duas estivessem se esvaindo. Recorte temporal O filósofo Zenão afirmava que o movimento é uma ilusão, ao argumentar que ao lançar uma flecha de um lugar a outro, há o deslocamento de espaço, porém em cada aqui-agora a flecha se encontra parada (DUBOIS, 1993). É fato que são tempos distintos o da realidade e o da fotografia, visto que o daquela é efêmero e o dessa é perpétuo (KOSSOY, 2007), dessa forma, a maneira que o olho humano enxerga o mundo é diferente do modo da lente, o que causa percepções do movimento distintas. Se vemos a flecha ir de um canto a outro de forma contínua, a câmera consegue capturar o aqui-agora de Zenão, imobilizando o objeto, isso quando a velocidade do obturador consegue alcançar números maiores. Nos primeiros anos da fotografia, a emulsão não conseguia capturar o elemento de forma rápida o suficiente, assim, o movimento desaparecia, restando apenas o que ficara imóvel, um exemplo é a [35]


Figura 1 - Woodman. “Autoengodo nº1”, Roma. 1978. Disponível em: <https:// literatercia.wordpress.com/tag/francesca-woodman/> . Acesso em: 13 de dezembro de 2015. Figura 2 - Woodman, House#3, Providence, Rhode Island, 1976. Disponível em: <http://www.nybooks.com/daily/2011/01/24/long-exposure-francescawoodman/>. Acesso no dia 14 de dezembro de 2015.

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fotografia de Daguerre, tirada em 1858, da rua Boulevard du Temple, em que apenas o homem cujos sapatos estavam sendo engraxados foi capturado pelo daguerreotipo, enquanto que as outras pessoas que andaram na rua não foram eternizadas ali. Muitas fotografias de Francesca Woodman abordam o movimento de forma ainda distinta dessas duas. Ao usar velocidade do obturador baixa, a película não conseguia congelar o objeto, porém era rápida o suficiente para deixá-lo borrado, capturando o índice de movimentação. Se “ao cortar, o ato fotográfico faz passar para o outro lado (da fatia); de um tempo evolutivo a um tempo petrificado” (DUBOIS, 1993, p. 168), então essas imagens da fotógrafa ficam entre esses dois tempos, já que detém a fluidez da passagem do tempo. Na fotografia House#3, percebe-se que há uma dicotomia entre o rastro do corpo do jovem moça e a arquitetura rígida, antiga e esmaecida do quarto. Woodman parece saber que a câmera se apodera do fotografado (SONTAG, 1977), tanto que não permite que a película capture seu rosto e corpo, esses que parecem fugidios, mutáveis e fragilizados perto do cenário rígido, caindo aos pedaços. Por outro lado, a modelo se cobre com uma espécie de papelão ou lenço

parecido com a textura da parede, o que dá a interpretação de que faz parte da construção daquele espaço, materializando o seu corpo. A presença humana, tão importante desde o início da fotografia comercial, em que muitas pessoas ficavam quinze minutos expostas ao obturador a fim de que eternizassem sua imagem, aparece como um vulto nas fotografias de Woodman. “A imagem que é pesada, imóvel, obstinada (por isso que a sociedade se apoia nela), e sou eu que sou leve, dividido, disperso” (BARTHES, 1980, p.20), é fato que o autor, ao afirmar essa frase, estava comparando a sua representação fotográfica e a sua pessoa real, porém aqui, quando Woodman nos esconde sua imagem focada, ela nos mostra a fragilidade do objeto retratado e nega as propriedades comuns da fotografia que tem a presença humana. A casa parece abandonada, assim como a moça. Aquela pode representar o interior dessa, enquanto que a essa tem memória, aquela já fez parte da de outrem. O quarto apresenta objetos quebrados, como se estivesse caindo aos pedaços, já a modelo, ao aparecer borrada devido à movimentação, parece desaparecer aos poucos, assim como a estrutura arquitetônica.

Referências Bibliográficas MONTENEGRO, Tércia. Woodman. Blog “Livros e Bichos”, 2013. Disponível em: <https://literatercia.wordpress. com/2013/11/07/woodman/> . Acesso em: 13 de dezembro de 2015. CLARO, Alexandre. A Dimensão fotográfica: uma observação ao trabalho de Francesca Woodman. Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2014/2015. Disponível em: <http://www.academia.edu/12101109/A_Dimens%C3%A3o_Fotogr%C3%A1fica_Uma_Observa%C3%A7%C3%A3o_ao_Trabalho_de_Francesca_Woodman>. Acesso em: 15 de dezembro de 2015. Gorjon, Melina; Pereira, Bruno. O olho da águia- a fotografia de Francesca Woodman para além do visível. Universidade Estadual de Londrina, III Simpósio Gênero e Políticas Públicas, 2014. Disponível em: <http://www.uel. br/eventos/gpp/pages/arquivos/GT11_Bruno%20Pereira;%20Melina%20Garcia%20Gorjon%20(N%C3%A3o%20 enviaram%20em%20word).pdf>. Acesso em: 15 de dezembro de 2015. DUBOIS, Philippe. O Ato fotográfico e outros ensaios. Tradução Marina Appenzeller. Campinas, SP : Papirus, 1993 (Coleção Oficio de Arte e forma). BARTHES, Roland. A câmera clara: notas sobre fotografia. Tradução Júlio Castañon Guimarães. 1980. Ed. Especial, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, Sarava de bolso, 2012. SONTAG, Susan. Sobre fotografia. Tradução Rubens Figueiredo. 1977. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. KOSSOY, Boris. Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. Editora Ateliê, São Paulo: 2007.

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DIREITO AUTORAL E DIREITO DE IMAGEM Julianna Nascimento Torezani, professora do Curso de Fotografia da Unicap. Email: juliannatorezani@yahoo.com.br.

DIREITO À IMAGEM: MENORES E DETENTOS Para tratar do direito à imagem de menores, além da Constituição Federal de 1988, que garante o direito à vida, à liberdade, à intimidade, à vida privada e à honra, também existe o Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei no 8.069 de 13 de julho de 1990, que trata sobre a inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral do menor, além da preservação de sua imagem. Artigo 143: É vedada a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional. Parágrafo único: Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome. Em função da personalidade em formação, o menor recebe proteção integral, por conta do direito de personalidade peculiar. Para a advogada Maria Cecília Naréssi Munhoz Affornalli, no livro Direito à própria imagem (Editora Juruá, 2012, p. 31): “A autorização para a utilização da imagem de crianças e adolescentes pode ser exercida pelos seus representantes legais, mesmo que para fins publicitários. Contudo, como os direitos destas pessoas em condição peculiar de desenvolvimento residem em seara do Direito Público, o Ministério Público pode vir a se insurgir contra o uso que, embora autorizado pelos pais ou responsáveis dos menores, não respeite parâmetros de dignidade e de preservação da integridade física, psíquica e moral”. Desta forma, todos são responsáveis pelo zelo da imagem de crianças e adolescentes, mesmo que pais e responsáveis autorizem, as pessoas podem dialogar em situações que coloquem tal imagem em risco. Para as produções fotográficas e videográficas, o Termo de Autorização de Imagem deve ter os dados do menor e dos pais ou responsáveis legais, com a assinatura destes. É importante deixar claro qual o projeto, em que ambientes será publicado (televisão, cinema, exposição em museu por exemplo) e por quanto tempo. O fotógrafo Marcelo Pretto conta no livro Direito Autoral para Fotógrafos (Editora iPhoto,

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2013) que uma fotografa parisiense chamada Irina Ionesco fez vários ensaios fotográficos com sua filha seminua quando era menor de idade. Eva Ionesco, a filha, processou a mãe que, em 2012, foi condenada a pagar uma indenização de 10 mil euros. O caso chegou ao cinema através do filme My Little Princess (Minha Pequena Princesa) realizado pela própria Eva. Se esse caso ocorresse no Brasil e as imagens fossem publicadas pela mãe, o Ministério Público deveria intervir no sentido de proteger os interesses da menor. Outro cuidado que deve ser tomado em produção fotojornalística é o referente a detentos, pois estes estão sob responsabilidade do Estado, quando estão em estabelecimentos penitenciários, que deve velar pela integridade física e moral dos detentos. Os fotógrafos Erivam Oliveira e Ari Vicentini, na obra Fotojornalismo: uma viagem entre o analógico e o digital (Editora Cengage Learning, 2009, p. 152), afirma que “os atos praticados por pessoas detidas pela polícia, quase sempre, de interesse jornalístico. [...] Os detentos podem negar autorização para divulgação de suas fotos, baseados no direito de imagem. E é dever do Estado respeitar tal decisão. Apoiado no direito de informação, porém, é possível fotografá-los, sem que isso fira seu direito de imagem, desde que estejam na rua. Portanto, em local público ou se concordar em tirar as fotos e, obviamente, se o caso for de importância social”. Affornalli (2012, p. 62) alerta ainda que “quanto à divulgação de imagens em informativos de cunho policial, deve-se ter cuidado quando as pessoas retratadas são suspeitos de autoria de ilícitos penais pois, com a publicação de seus traços pessoais acabam sendo lançadas a julgamento público e submetidas a agressões diversas. Não raro descobre-se, posteriormente a essa execração, serem inocentes, mas então suas vidas pessoas já se encontram em total e irremediavelmente desestruturadas”. Assim, o cuidado com a imagem das pessoas é fundamental para o bom trabalho do profissional de fotografia, trata-se de zelo, ética e respeito a todos, quanto a menores e detentos a atenção deve ser ainda maior.


Sua fotografia merece esta ampliação Fotografias: Gustavo Bettini

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O MAR vistO de cima Fotos de Renata Victor

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Da lama para o mundo: Chico Science e o movimento Manguebeat Texto de Germana Soares Foto: Paulo Souza

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Foto: Alexandre Magalhães

Movimento musical e cultural surgido na década de 90, na cidade do Recife, o Manguebeat teve como essência a mistura de ritmos mundialmente difundidos - rock, hip hop e música eletrônica - com ritmos regionais como maracatu, coco de roda e ciranda. Os principais responsáveis pela proposta estética foram os músicos Chico Science e Fred 04, que projetaram nacionalmente o movimento com seu ritmo inconfundível e letras com reflexões e críticas sociais. A batida mangue, que leva em sua raiz a essência do povo pernambucaFoto: Ricardo Deiga

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Foto: Francisco Souza

Foto: Hilário Martins


Foto: Amanda Melo

no, tomou forma e difundiu para o resto do mundo a diversidade da cultura local através de compassos e cadência, acompanhados de poesia e contestação. Chico Science, o protagonista, faleceu em 1997 em um acidente automobilístico. Sua maior herança ficou enraizada e cresceu, assim como os manguezais que cercam nossos rios e pontes. A

Foto: Carolina Figueiredo

bandeira defendida pelo movimento, a diversidade, ainda hoje encontra-se presente e responsável pela variada produção cultural local com relevância nacional. Em 2016 Chico Science estaria completando 50 anos e, buscando valorizar esse importante movimento cultural e seu idealizador, o Curso Superior de Tecnologia em Fotografia, em parceria com o Museu da Cidade do Recife, montaram uma exposição fotográfica onde os alunos retrataram conceitos e propostas da “filosofia” Mangue, do seu surgimento aos dias atuais.

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Foto: Josy Barbosa

Foto: Eva Feitosa

Foto: Williams Fernandes

Foto: Marcio Fonseca

Foto: Nathália Nóbrega

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O tema foi escolhido com a participação dos alunos concluintes na disciplina de Montagem de portfólio e curadoria. Com a temática definida, foi feita uma pesquisa para apresentação e entendimento do tema para que as imagens fossem desenvolvidas. O processo criativo teve duração de 60 dias, onde cada fotógrafo teve a liberdade de escolha na abordagem do tema. Eles também desenvolveram um texto

para acompanhar a imagem produzida. Dessa forma os visitantes puderam entender a obra de forma individualizada e, ao mesmo tempo no contexto do coletivo. A exposição contou com a participação de 22 alunos e 28 obras. Além das imagens, foi elaborado um documentário produzido por alunos e a projeção do filme “Manguebeat: 10 anos de efervescência cultural” (2003) dirigido por

Foto: Luara Oliveira

Alessandro Guedes e Juliano Domingues. Em cartaz de 16 de janeiro a 13 de março de 2016, a mostra fotográfica contou na sua estreia com a apresentação do maracatu Brincante Popular e no encerramento com palestra do fotógrafo Gil Vicente, um dos fotógrafos que acompanhou de perto a trajetória de Science e outros integrantes do movimento.

Foto: Paloma Barros

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Foto: Marcílio Melo

Foto: Thaís Carvalho

Foto: Quintino Robson

Foto: Jadna Lima

MANGUE BEAT no Museu da Cidade Nos últimos anos o Museu da Cidade do Recife tem realizado investimentos na criação de parcerias como forma de revitalizar e dinamizar o museu. Entre muitos parceiros, o curso de fotografia da Universidade Católica de Pernambuco tem sido uma das experiências exitosas. Nos últimos três anos realizamos com os alunos da Católica e com a curadoria das professoras Renata Victor e Germana Soares em parceria com Betânia Corrêa de Araujo do museu três mostras, sendo a última sobre o MANGUE BEAT. MANGUE BEAT realizada entre os dias 17 de janeiro e 13 de março de 2016, apresentou além de fotografias e textos, um documentário

sobre o movimento Mangue da Coleção Alberto Cavalcanti e uma seleção de vídeos clipes selecionados pelos fotógrafos participantes. No encerramento, a exposição apresentou uma palestra com o fotógrafo Gil Vicente, autor de vários retratos de Chico Science e do seu grupo. No período em que ocupou a Sala de Exposições temporárias do Museu, a mostra MANGUE BEAT recebeu 3624 visitantes (assinantes) entre brasileiros e estrangeiros e impactou o público com as imagens dos fotógrafos e a expressiva música do movimento mangue. A mostra fez parte das comemorações do aniversário de 50 anos de Chico Science.

Betânia Corrêa de Araújo Diretora Geral do Museu da Cidade do Recife [52]


Foto: Isabele Marinho

Foto: Mariana Aguiar

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a morte amorosa Como atividade da disciplina de Poética da Imagem os alunos da disciplina de Poética da Imagem, ministrada no terceiro módulo do curso de Fotografia da Unicap, receberam a missão de transformar contos do século XIX em imagens. A seleção deveria ser feita entre as obras do livro Contos Fantásticos do Século 19 escolhidos por Italo Calvino. Entre os contos, histórias de Edgar Allan Poe, Honoré de Balzac, Hans Christian Andersen e Guy de Montpassant. O grupo formado pelos alunos Ammanda Falcão, Paulo Vasconcelos, Priscila Silva, Nitali Angélica, Rautemberg Nóbrega, Amanda Bezerra, Daniel Guimarães, Alzio Dias, Alexandre Torres, Allan Oliveira, José Maurício, Ana Nery, Jéssyca Artico, Humberto Pereira, Suann Medeiros e Jundy Leal escolheu o conto A Morte Amorosa, de Théophile Gautier, para contar em imagens a história do amor entre o padre recém-ordenado Romuald e a vampira Clarimonde em um ensaio produzido a partir do uso de figuras de linguagem e das características da Função Poética da Imagem, no esquema elaborado por Roman Jakobson. O resultado, quase uma fotonovela, virou ensaio nesta edição da UnicaPhoto pela qualidade do trabalho da equipe.

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Dicas A onipresença das câmeras Julianna Nascimento Torenzani Professora do Curso de Fotografia da UNICAP. Doutorando em Comunicação pela UFPE. Mestre em Cultura e Turismo e Bacharel em Comunicação Social pela UESC. Email: juliannatorezani@yahoo.com.br O livro Sobre Fotografia escrito pela filósofa norte-americana Susan Sontag, em 1977, é extremamente atual, visto que discute questões técnicas da fotografia amparadas na linguagem e na intencionalidade de cada fotógrafo ao fazer uma cena. Sontag nasceu em Nova Iorque em 1933 e morreu em 2004, aos 71 anos, cursou Filosofia na Universidade de Chicago e pós-graduação em Harvard. Seus livros foram traduzidos para mais de trinta línguas. Escreveu ensaios e romances, além de dirigir filmes e peças. A obra Sobre Fotografia ganhou o National Book Critics Circle Award. Dividida em sete capítulos o livro traz uma profunda reflexão da fotografia do século XIX em diante, dando destaques a alguns fotógrafos documentais e fotojornalistas. O primeiro capítulo é intitulado Na caverna de Platão onde a autora trata do início da produção fotográfica a partir de 1839. O segundo capítulo, Estados Unidos, visto em fotos, de um ângulo sombrio, a filósofa trata de obras documentais de fotógrafos norteamericanos, que no século XX tiveram tendências diversas, inclusive de estilo, uma vez que movimentos artísticos como o surrealismo interferem diretamente nas possibilidades criativas de captura de luz, além das imagens vinculadas ao projeto Photo-Secession criado por Alfred Stieglitz.No terceiro capítulo chamado [60]

Capa

ro do liv

Objetos de melancolia, Sontag revela os vários lados que a imagem fotográfica suscita, entre eles como elementos de tristeza analisando várias produções com temas que envolvem a miséria e a guerra. Como quarto capítulo será discutido o tema O heroísmo da visão já que a fotografia transbordou a potencialidade do olhar com equipamentos, trouxe novas visualidades, aproximou e ampliou os temas. Em Evangelhos Fotográficos, Sontag traça a interminável discussão entre a fotografia e a arte, ou ainda se a fotografia é arte ou produz arte, trazendo produções e frases de vários fotógrafos e artistas.O capítulo que fecha o livro, O mundo-imagem, discute a questão da fotografia e da realidade, pelos critérios de escolhas do fotógrafo há, segundo a autora, uma perturbação de quem olha para imagens de determinados temas. Esta obra abre muitas reflexões e também muitos campos de pesquisa. Pensar a fotografia de maneira múltipla, desvendar o que por trás das produções dos fotógrafos e entender as intencionalidades da cena a cada contexto histórico são algumas das contribuições que Sontag traz para a fotografia. Difícil ler este livro sem trazer exemplos de toda a história da fotografia, do século XIX em diante, mas, sobretudo refletir sobre a produção fotográfica contemporânea.


Confira

outras dicas de livros, filmes

e sites dos professores do curso de

Fotografia

da

Unicap

A

Destrua essa câmera Diretor: Leon Gast, 2010.

Um diário russo John Steinbeck e Robert Capa, 2010.

David Loftus Photography Masterclass

B

Swimmer Diretor: Lynne Ramsay, 2012.

Fotografia contemporânea: entre o cinem, o vídeo e as novas mídias. Antonio Fatoreli, 2013.

DIY Photography

C

Mil vezes boa noite Diretor: Erik Poppe, 2013.

Filosofia da Caixa Preta Vilém Flusser, 1983.

Revista Mira Fotográfica

D

Iluminados Diretores: Cristina Leal, 2007.

50 anos de luz: câmera e ação Edgar Moura, 2002.

Humanæ

Quando a fotografia é genial Val Williams, 2014.

ZUM

E

Meia noite em Paris Diretores: Woody Allen, 2011.

Dicas de: A - João Guilherme B - Leonardo Castro Gomes C - Marina Feldhues (Ex-aluna do curso) D - Ricardo Marcelino E - Renata Victor [61]


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