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UnicaPhoto [n.2]

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Revista do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Unicap - #2, mar 2014 www.unicap.br/unicaphoto

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Na web

www.unicap.br/unicaphoto /fotografiaunicap

Expediente: Coordenação: Renata Victor. Edição: Carolina Monteiro. Textos: Arline Lins, Carolina Monteiro, Dario Brito, Elyzangela Freitas, Fanuel Paes Barreto, Juliana Galvão, Julianna Nascimento Torezani , Lindomar Oliveira, Nieja Dias. Ensaios: Alunos do Curso de Fotografia da Unicap, Gilberto Vieira, Lila Rios, Marina Felduhes e Renata Victor. Diagramação: Arline Lins. A UnicaPhoto é uma publicação semestral do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco (ISSN 2357-8793). Foto da capa: Gustavo Bettini e Lia Lubambo

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EDITORIAL

No Dia Mundial da Fotografia do ano passado, em 19 de agosto, no auditório da Livraria Cultura, em Recife, o curso de Fotografia da UNICAP teve o prazer de vivenciar a realização de três de seus projetos mais queridos: a entrega do prêmio Alcir Lacerda, a exposição dos nossos alunos e o lançamento da primeira edição da revista UNICAPHOTO. O prêmio foi instituído em 2012 para homenagear um dos maiores expoentes da arte da fotografia em Pernambuco, o nosso querido Alcir Lacerda. E, a cada ano, são escolhidos fotógrafos que contribuem com a fotografia em Pernambuco para serem agraciados. No ano passado, os homenageados foram Gilberto Marcelino e Pedro Luiz. Em paralelo ao reconhecimento aos profissionais que já são ícones na nossa cena, também nesse mesmo dia tivemos a oportunidade de lançar um olhar sobre o que os fotógrafos da nova geração - os alunos da UNICAP – têm produzido, através de uma exposição de seus trabalhos. Já a UNICAPHOTO foi a concretização de um sonho – uma revista que lance um olhar sobre a produção contemporânea, sem esquecer os aspectos históricos e trate das transformações da câmera, da estética e da linguagem pelas quais a fotografia vem passando ao longo desses 188 anos de existência. Para esta nova edição, trazemos algumas novidades, com o intuito de tornar a revista ainda mais dinâmica. Assim, teremos duas novas seções: uma de entrevista, que é inaugurada com a fotógrafa Rosângela Andrade, que fala sobre o processo analógico de cópias fotográficas, e outra que apresentará dicas de leitura, filmes e sites relacionados com a fotografia. A partir desta edição, a revista passa a ter o ISSN, que é um código universal que individualiza os títulos de uma publicação em série e, por isso, facilita a identificação rápida das publicações, garantindo em nosso caso, uma maior segurança na troca de informações no meio virtual. Já nossa matéria de capa trata do mercado da fotografia Fine Art no Recife, um mercado promissor que vem atraindo, sobretudo a atenção dos fotógrafos que produzem trabalhos autorais e almejam, por isso, uma impressão de qualidade diferenciada e com longa durabilidade. Por fim, agradeço aos professores do curso de Fotografia da UNICAP, aos alunos, ex-alunos e colaboradores pela elaboração dos textos e produção da revista. Agradeço, ainda, aos nossos apoiadores, ADI – Ateliê de Impressão, Escambo Fotográfico e Foto Varela, pela valorosa parceria para a execução de mais um projeto do nosso curso.

Renata Victor Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Fotografia da Universidade Católica de Pernambuco


SUMÁRIO ENTREVISTA: O ACONTECEU ANALÓGICO NA ERA Pág. 6 DIGITAL

ACERVO UNICAP Pág. 10

Pág. 8 CAMINHOS QUE SE CRUZAM: A FOTOGRAFIA A IMAGEM EM DE MARC PALAVRAS FERREZ E NELSON KON Pág. 18 Pág. 12

ENSAIOS Pág. 20


A MELHOR IMPRESSÃO É A QUE FICA Pág. 66

LEWIS HINE: O OLHAR SOCIÓLOGO ATRAVÉS DAS LENTES Pág. 72 ANÁLISE DE IMAGEM - STEVE MCCURRY Pág. 74

DICAS Pág. 78

INSTAGRAM: REGISTRO DO PRESENTE Pág. 80

COLUNA direito autoral e direito de imagem

Pág. 76

COMO SER UM PROFISSIONAL TAMBÉM NO MUNDO DIGITAL Pág. 85


Dia Mundial da Fotografia: exposição

ACONTECEU NO CURSO DE FOTOGRAFIA DA UNICAP

4º Concurso de Fotografia - Carnaval de PE

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02.04.14

Alunas ganham bolsa cultural da Fasa Unicap 06.03.14

19.08.13

Dia Mundial da Fotografia: homenageados

Renault Experience 16.09.13

19.08.13

1ª edição da UnicaPhoto 19.08.13

Canon: atividades ligadas à fotografia 17.02.14

Palestra com maquiador Diógenes Coelho 14.02.14

Ciclo de palestras dando início às atividades pedagógicas 04.02.14


2º Encontro de Fotovídeo (oficinas)

2º Encontro de Fotovídeo (palestras) 09.10.13

09.10.13

Colação de grau dos formandos do curso 31.01.14

Exposição Novos Olhares 09.01.14

Workshop de Pinhole com alunos da IFPB 30.10.13

Exposição do final do semestre 06.12.13

Palestra com o fotógrafo Bruno Terena da Red Bull 02.11.13

Festival Brasil Stop Motion

Palestra com o empresário Fernando Boulitreau

27.11.13

26.11.13

Exposição fotográfica Gênero e Raça 11.11.13

Repórter Kety Marinho conversa com alunos do curso

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12.11.13


ENTREVISTA

O analógico na era digital De olho em quem está trabalhando com a Fotografia Analógica nos dias de hoje, a UnicaPhoto traz nesta edição uma entrevista de Niedja Dias com a laboratorista Rosangela Andrade, de 53 anos, natural de Ribeirão Preto, atualmente residindo em São Paulo. Há 38 anos ela fotografa e atua no universo do processamento químico P&B desde 1989. Em 1992 decidiu abrir seu próprio espaço, o Imágicas Laboratório Fotográfico, de onde saíram diversas imagens para exposições e livros de renomados fotógrafos do país.

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UNICAPHOTO – De onde surgiu a paixão pelo laboratório fotográfico PB? ROSANGELA – A paixão surgiu quando passei a integrar a equipe da Álbum , um dos grandes laboratórios da década de 1980, do fotografo Zé de Boni. Lá tive contato com grandes nomes da fotografia brasileira, entre eles Maureen Bisilliat, Boris Kossoy, Vânia Toledo, Araquém Alcântara LiLy Sverner, além do próprio Zé de Boni e de Cristiano Mascaro, que foi o responsável por esta paixão imediata. Digo imediata porque foi ampliando uma imagem dele que percebi o amor pelo laboratório. UNICAPHOTO – No início, qual era o seu maior desafio? ROSANGELA – Conseguir interpretar o trabalho do fotógrafo bem próximo da sua expectativa em forma de contrastes, luzes e sombras. UNICAPHOTO – Atualmente, qual é o grande desafio? ROSANGELA – Continua sendo o mesmo, alem de ter que conseguir me manter no mercado

totalmente voltado para imagens digitais. UNICAPHOTO – Como é continuar, em plena fase digital, com o processamento analógico? ROSANGELA – É bastante complicado, mas faço o que gosto e não consigo me afastar daquilo que amo. Hoje ainda atendo grandes fotógrafos como German Lorca, Ed Viggiani (meu parceiro em grupos de estudo de fotografia analógica), Sylvia Diez, Paulo Velloso e os amantes e amadores da fotografia. UNICAPHOTO – Você se depara com muitas pessoas da nova geração querendo se aprimorar no universo analógico? ROSANGELA – Sim, dou orientação de interpretação de imagem preto e branco no Sesc Pompéia. As turmas lotam e a maioria dos alunos são jovens de 22 a 35 anos buscando este entendimento da fotografia analógica e querendo desenvolver projetos pessoais com câmeras analógicas, filmes e ampliações em papel fibra preto e branco. UNICAPHOTO – Você se considera um peixe


Foto: Sylvia Diez

fora d´água no mercado atual? ROSANGELA – Não, mas quando estou em um grupo de fotógrafos que optaram pelo digital ouço sempre umas piadinhas que já não me incomodam. Acho que quando você faz o que ama, você não ouve os barulhos externos. UNICAPHOTO – Como você define a construção da imagem analógica? ROSANGELA – Defino como a essência da fotografia. UNICAPHOTO – É rentável trabalhar com laboratório nos dias de hoje? ROSANGELA – Não é rentável, mas trabalhando com isso eu vivo; talvez se mudasse para o digital eu apenas sobreviveria (é maluco pensar desta forma, mas é assim que sinto). UNICAPHOTO – Se você tivesse que pontuar um momento marcante, ao longo da sua trajetória, qual seria? ROSANGELA – A chegada do processo digital. Entrei

Foto: Carlos Ximenes

em pânico, mas já passou e agora estou mais tranquila. UNICAPHOTO – Tem muita dificuldade em conseguir os insumos no comércio? ROSANGELA – Infelizmente sim. Temos apenas um representante da Ilford e geralmente não consigo ter à disposição todo tipo de papel e sempre preciso recorrer a mercados alternativos. UNICAPHOTO – Pensou em desistir em algum momento? ROSANGELA – Não. Desistir nunca, mas comprei um computador Mac e tentei estudar programas de tratamento de imagem. UNICAPHOTO – Você adota algum critério para

pegar um determinado trabalho? ROSANGELA – Não, estou disponível para todos os fotógrafos que ainda compartilham comigo esta paixão pelo analógico. UNICAPHOTO – Já optou em não fazer algum trabalho? Por que? ROSANGELA – Não, adoro desafios, adoro imagens e sempre quero fazer por elas o melhor. UNICAPHOTO – Qual a importância da relação entre o fotógrafo e o laboratorista? ROSANGELA – Esta relação tem que ser de cumplicidade, entrega e confiança. Se for assim o resultado final é sempre uma bela cópia. UNICAPHOTO – Qual o conselho que você dá para quer seguir na contramão da tecnologia? ROSANGELA – Ter paciência, dedicação e amar o que faz.

Contato: Laboratorio: Imagicas Laboratorio Fotográfico Analógico P/B End. Rua Arruda Alvim, 195 Pinheiros São Paulo Tels.: (11) 30832461/ (11) 86693831 Email: roimagicas@gmail.com Facebook: https://www.facebook.com/Imagicas?fref=ts

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Foto: Marcos Michael

ACERVO UNICAP

THINK DIFFERENT Fotógrafo: MARCOS MICHAEL Câmera: Cannon 5D MK2 Lente: 45mm Tilt-Shift/2.8 Velocidade: 1000 Ano: 2011

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“Estava de férias com minha esposa em São Francisco quando saiu a notícia da morte de Steve Jobs. Era 5 de outubro de 2011 e achei bem emblemático estar ali naquela região, naquele momento, onde tudo começou. Daí veio o insight de ir até uma Apple Store para fotografar as pessoas prestando homenagens a ele. Liguei para a Abril a fim de saber se eles queriam algum material. Conversei com Erthal (João Marcello Erthal), o editor da Veja. com, sugeri um ensaio e ele topou na hora. Peguei o equipamento e fui para lá. Dentro da loja, todas as telas de computadores estavam com dizeres em homenagem a ele e ali não era permitido fotografar. Dei uma “cariocada” e fiz uns cliques rápidos e, depois que fui abordado sobre a proibição,

expliquei que era turista. Mas o que achei mais simbólico desse momento estava justamente do lado de fora: foram os “papeizinhos” que as pessoas colavam na fachada, cada um mais interessante que o outro. Com vários dizeres, agradecimentos, desenhos. Cada um, a sua maneira, ia manifestando a percepção do quanto ele havia sido importante. Fiquei pensando que para boa parte da nossa geração ele foi um cara excepcional, pelos artefatos que criou. Eu mesmo estou cercado dessas criações: quando ouço música, ligo para alguém, quando jogo com meu filho ou um amigo. O ensaio foi publicado na Veja.com em 25 fotos, com imagens das mais variadas naturezas, sob o título de Peregrinação ao ‘templo’ da Apple”.

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Caminhos que se cruzam: a fotografia de Marc Ferrez e Nelson Kon Elysangela Freitas*

* Aluna do curso de fotografia da Unicap, Elysangela Freitas faz uma breve análise da trajetória da obra de Marc Ferrez e Nelson Kon, dois fotógrafos brasileiros que viveram em diferentes momentos históricos, seguida de uma análise comparativa de seus trabalhos, especialmente no que se refere aos seus olhares em relação às cidades onde viveram e trabalharam.

Fotos: Marc Ferrez

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MARC FERREZ Marc Ferrez é um dos fotógrafos brasileiros mais importantes de todos os tempos. Nascido em 1843 no Rio de Janeiro, filho de um casal de escultores e gravadores franceses que vieram para o Brasil com a Missão Artística Francesa, em 1867, Marc Ferrez abriu seu próprio negócio: a Casa Marc Ferrez & Cia, especializada em equipamentos e serviços fotográficos. Em 1875, a trajetória de Ferrez se transformou radicalmente, ao receber convite para integrar, como fotógrafo, a Comissão Geológica do Império. A expedição percorreria os estados de Bahia, Pernambuco e Alagoas e partes da Amazônia. Assim, entre os anos de 1875 e 1877, viajou pelo norte e nordeste brasileiro documentando fotograficamente a região e os trabalhos da referida comissão. Destaca-se por desenvolver equipamentos próprios e introduzir experiências técnicas como as fotografias coloridas, aperfeiçoando a invenção dos irmãos Lumière, batizadas por ele de autocromo. Em 1890, Marc Ferrez começa a produzir fototipias, processo pelo qual publica álbuns e postais, entre outros produtos. Era um entusiasta das inovações tecnológicas, sendo pioneiro no uso do flash


de magnésio para documentar os trabalhos no interior das minas de ouro. Ferrez fotografou atividades econômicas, a construção das principais estradas de ferro, as construções seculares da arquitetura barroca, as minas de ouro e pedras preciosas em Minas Gerais, as belas paisagens das florestas e das fazendas, seus costumes e personagens. Primeiro fotógrafo brasileiro a visitar os rincões do território nacional e registrá-los em fotografias e documentos cartoriais, Marc Ferrez foi nomeado como primeiro (e único) Fotógrafo da Marinha Imperial e agraciado pelo imperador Pedro II com o título de Cavaleiro da Ordem da Rosa. O artista, mesmo após a queda do Império, continuaria a ter posição de destaque nos primeiros tempos da República. A partir de 1903, realizou uma de suas séries mais reproduzidas até hoje: a documentação completa das obras de instalação da Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco, no estado do Rio de Janeiro. Fotografou dos antigos edifícios às construções que foram erguidas no começo do século XX. O fotógrafo também foi pioneiro no cinema e seu nome está relacionado ao nascimento desta arte no país. Em 1907, inaugurou a primeira sala de exibição permanente de espetáculos cinematográficos do Brasil — o Cinema Pathé – e ajudou a montar salas de cinema pelo país a fora.

Patrocinou ainda a produção dos primeiros filmes nacionais, assim como a Casa Marc Ferrez & Filhos tomaria para si a distribuição da grande maioria dos filmes exibidos nas diversas salas de cinema que surgiram no Rio de Janeiro. Marc Ferrez foi reconhecido, no Brasil e no exterior, não apenas como fotógrafo de paisagens e de obras públicas, mas também de cartões postais e de retratos de políticos, como o próprio Imperador D. Pedro II e a família real, como também personalidades que se tornariam célebres, entre eles os escritores Machado de Assis e Rui Barbosa. Ferrez gostava igualmente de fotografar “tipos”, tais como vendedores de artigos variados e artesãos que habitavam as ruas do Rio de Janeiro, recriados com fundos neutros. Além disso, o artista fotografaria muitos negros e indígenas. Em sua obra destacam-se ainda as belas panorâmicas em negativos de grande formato (40cm X 110cm), onde evidencia-se o seu domínio da luz e a precisão na escolha do ponto de vista para ressaltar no enquadramento a qualidade estética das cenas registradas. Marc Ferrez fotografou profissionalmente até 1914, ano do falecimento de sua esposa. Durante sua carreira, publicou vários álbuns, o que muito contribuiu para a conservação de suas fotografias. Atualmente, sua produção fotográfica, preservada intacta por seus familiares no último século, encontra-se

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Fotos: Nelson Kon

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espalhada pelo Museu Imperial, Biblioteca Nacional, Mapoteca do Palácio Itamaraty e em mãos de colecionadores particulares. Uma grande parte do acervo de Marc Ferrez - uma coleção que totaliza cerca de 5.500 fotografias diferentes, produzidas no século 19 e começo do século 20, incluindo mais de 4 mil negativos originais em vidro - foi comprada pelo Instituto Moreira Salles (IMS), que lançou no Brasil e na França um catálogo fotográfico intitulado “O Brasil de Marc Ferrez”, reunindo detalhada biografia, cronologia de seus principais trabalhos, ensaios escritos por especialistas e uma coleção de 160 imagens.

A extraordinária qualidade formal e documental da obra de Marc Ferrez, assim como a quantidade, a diversidade e a preservação de sua produção fotográfica o consolidam como um dos mais importantes fotógrafos documentaristas do Brasil. NELSON KON Nelson Kon nasceu em São Paulo, no ano de 1961, e formou-se em arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), em 1983, mas nunca exerceu a profissão. Foi no Laboratório de Recursos Audiovisuais na FAUUSP,


criado em 1979, pelo então diretor professor Nestor Goulart Reis Filho, e coordenado pelo fotógrafo Cristiano Mascaro, que ele teve seu primeiro contato com a fotografia . Já no primeiro ano do curso de arquitetura se interessou pela fotografia, mas só começou a atuar na profissão de fotógrafo em 1985. Em entrevista concedida a Eduardo Augusto Costa e Sonia Maria Milani Gouveia, publicada na revista PÓS, Nelson Kon afirma que no período em que estudou na FAU não fotografava arquitetura e que seu interesse pelo estudo se deu apenas após cinco anos de formado. Considerando que na década de 1980 não era dada muita importância à fotografia de arquitetura, Nelson Kon inicialmente montou um estúdio para fotografia publicitária, linguagem que foi logo deixada de lado. Devido à insatisfação do trabalho com publicidade, Kon começa a realizar pesquisas no campo da fotografia de arquitetura e cidades, por causa do seu interesse pela relação do homem com o espaço que habita. Hoje Nelson Kon é um fotógrafo de arquitetura, trabalha apenas com isso e é bastante respeitado pelos arquitetos brasileiros. Com trabalhos publicados em livros e revistas especializados no Brasil e no exterior, Nelson Kon registrou a obra de importantes arquitetos como Rino Levi, Paulo Mendes da Rocha, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi, Vilanova Artigas e Lucio Costa. Suas fotos são de grande importância e estão presentes nos principais livros da história da arquitetura nacional. Atualmente, trabalha no campo da editoria colaborando para várias editoras brasileiras como Abril, Brasiliense, Cosac & Naify, Martins Fontes e estrangeiras como Phaidon, Prestel, Rizzoli, Taschen e outras. Sua trajetória foi registrada no livro Nelson Kon, de Simonetta Persichetti e Thales Trigo, editado pela Editora Senac, em 2004. Em 2005 suas imagens passaram a integrar a coleção Pirelli-MASP de fotografia. Embora tenha usando durante muito tempo filmes para os trabalhos principais de arquitetura, com uma câmera de fole – Arca Swiss – com correção de perspectiva, na atualidade Nelson Kon trabalha apenas com equipamento 100% digital. Ele usa uma Câmera Canon

5D, equipada com objetivas de correção de perspectiva, e uma Câmera Arca-Swiss 6×9 cm com Back Digital Phase One e para o tratamento de imagem utiliza os softwares Photoshop CS4 e Capture One. Kon não vê diferença entre fotografia de arquitetura e de cidade. Para ele, uma

e outra se confundem, já que considera a arquitetura como o espaço construído pelo homem, mesmo que ela tenha a escala da cidade, como afirmou em entrevista: “Para mim essa distinção não faz sentido. Ao falar de fotografia de cidade eu estou falando de fotografia de arquitetura. Arquitetura de forma ampla é o espaço construído pelo homem, seja a apropriação da caverna ou a construção da cidade”. Um dos destaques da obra de Nelson Kon é o ensaio fotográfico realizado para o livro Rino Levi - Arquitetura e Cidade, de Renato Anelli, Abílio Guerra e Nelson Kon, publicado pela Romano Guerra Editora no ano 2001. São imagens de seis edifícios fundamentais para a compreensão de diversos aspectos da obra do grande arquiteto brasileiro.

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Foto: Marc Ferrez

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INTERFACES ENTRE FERREZ E KON Sem dúvida os dois fotógrafos trouxeram grandes contribuições para a História da Fotografia no Brasil. Cada um a seu tempo. Cada um a seu modo. Marc Ferrez trilhou caminhos variados, abordando diversos temas. Quer viajando pelo país, quer retratando políticos, celebridades e anônimos. A trajetória de Nelson Kon, por sua vez, é relacionada à arquitetura e às cidades. E é nas visitas realizadas às imagens das cidades que os caminhos dos dois artistas se cruzam, pois ambos fotografaram com intensidade as diversas mudanças e transformações do espaço urbano brasileiro. Os dois fotografaram a imagem das cidades, mas cada um aborda o tema por aspectos completamente distantes um do outro, pois, além de a percepção das cidades ser subjetiva, os fotógrafos estudados pertencem a contextos históricos e, consequentemente, tecnológicos em relação ao processo fotográfico, completamente diversos.

O fotógrafo do Império registrou muitas cidades com suas lentes, especialmente o Rio de Janeiro, que foi sistematicamente fotografando por mais de quarenta anos, produzindo documentos que hoje se configuram em instrumentos importantíssimos de pesquisa e estudos iconológicos. A paixão de Nelson Kon pela arquitetura e urbanismo pode ser apreciada através de suas imagens de obras, do patrimônio e de cenas urbanas do Brasil. São Paulo é tema recorrente de seus ensaios fotográficos, onde a registra de forma monumental, mostrando as diversas transformações urbanas pelas quais a cidade passou nos últimos anos. Marc Ferez e Nelson Kon fizeram/fazem o registro histórico da evolução da arquitetura brasileira, introduzindo uma nova dimensão nas relações entre o homem e a sociedade, ao tempo em que valorizam o planejamento urbanístico e a arquitetura como manifestação e cenário da vida cultural.


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A imagem em palavras

tal é a concepção que fundamenta o nosso trabalho no âmbito da disciplina Português Instrumental, no Curso de Fotografia da UNICAP. Para além das necessidades urgentes no que se refere às habilidades de produção de gêneros textuais acadêmicos e profissionais, o caráter “instrumental” da disciplina abrange, distintamente, o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de um

Fanuel Paes Barreto*

A principal diferença entre o usuário ocasional de uma máquina fotográfica e o verdadeiro fotógrafo talvez esteja em que este, ao captar uma imagem, mais do que registrar um momento, pretenda dizer alguma coisa. Para o fotógrafo, a imagem é um texto, uma mensagem, e o ato fotográfico, um evento comunicativo, envolvendo uma intenção a ser interpretada por quem contempla essa imagem. O conjunto de recursos empregados pelo fotógrafo constitui, assim, um sistema de significação, vale dizer, um sistema semiótico, uma linguagem. Um dos pais da linguística e da semiótica modernas, Ferdinand de Saussure, sustentava que a linguagem verbal é o mais característico dentre todos os sistemas semióticos, além de ser o mais complexo e o mais comum (SAUSSURE, 2005, p. 101). Já outro linguista e semioticista, Émile Benveniste, entendia que a linguagem verbal é o meio para a interpretação dos demais sistemas semióticos, pois é o único cuja natureza comporta uma função metalinguística (BENVENISTE, 1974, p. 43-66). Se aceitarmos tais proposições, será inescapável a conclusão de que conceber a fotografia como uma linguagem nos autoriza o trabalho de elucidar suas mensagens por meio das palavras. Obviamente, essa formulação abreviada de uma concepção possível das relações existentes entre a imagem fotográfica e as palavras contorna uma infinidade de problemas conceituais e teóricos. Contudo,

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olhar propriamente fotográfico, aguçando-o em suas percepções. E como isso é feito? Uma propriedade fundamental da linguagem verbal entra em foco: a iconicidade estrutural. Isso quer dizer que, embora a relação entre as palavras e as coisas que elas significam seja basicamente arbitrária e convencional, a construção dos enunciados que constituem a mensagem representa, em certa medida, como as situações e os fatos se organizam na realidade. Um exemplo bem simples: “O cantor apareceu e o público aplaudiu”. Nesse enunciado, vemos que a ordem das orações (1) “o cantor apareceu” e (2) “o público aplaudiu” representa a ordem temporal em que os fatos ocorreram, de modo que, se invertermos a ordem das orações (formando o enunciado “O público aplaudiu e o cantor


apareceu”), fica sugerida também uma inversão da ordem dos fatos. A iconicidade (do grego, eikōn, ‘imagem”), portanto, é a propriedade que a linguagem verbal tem de “decalcar” a estrutura dos fatos. A conclusão natural seria então: se as palavras organizadas em enunciados têm a capacidade de decalcar os fatos, então há uma evidente correlação entre a linguagem

verbal e a linguagem fotográfica. Contudo, é necessário cautela: os modos de captar a estrutura dos fatos não são os mesmos nas duas linguagens, e certamente há muitos traços da realidade captados por uma que não podem ser diretamente traduzidos na outra. No entanto, residem exatamente aqui as vantagens e a importância de se fazer um trabalho de conversão do discurso imagético para o discurso verbal. Com esse trabalho, atendemos à necessidade de ampliar os limites da percepção e da expressividade, no esforço de aproximar os dois modos de representar o mundo. Por exemplo: entre as formas de representação dos fatos na linguagem verbal encontramos a narração e a descrição. Em sua definição mais simples, a narração envolve a sucessão temporal

dos fatos, enquanto a descrição importa na apresentação das características de um objeto apreendido em um dado momento de tempo, ou sem qualquer referência temporal. Um mecanismo essencial na distinção entre essas duas formas está no emprego dos tempos verbais: “Pedro já se afastara alguns metros do bar, quando ocorreu uma inflamada discussão entre dois homens e um deles disparou o revólver várias vezes. Pedro não retornaria mais ao local naquela noite.” Percebe-se nessa passagem narrativa que as formas verbais destacadas distinguem fatos propriamente narrados, que se sucedem (ocorreu, disparou), de comentários que contextualizam esses fatos (afastara, retornaria). Já em uma passagem descritiva, os tempos verbais sugerem exatamente a ideia de um “congelamento” do objeto em um dado tempo: “A casa tinha (tem) uma ampla varanda que dava (dá) para um jardim com plantas variadas.” Intuitivamente, somos levados a estabelecer uma aproximação mais estreita entre a forma descritiva de representação verbal e a imagem fotográfica. Mas isso é tudo? Será que um instante fotográfico não pode contar uma história? Como, então, se poderia desdobrá-lo em uma passagem narrativa? A proposta do trabalho com a língua portuguesa no Curso de Fotografia envolve, entre outras tarefas mais óbvias, a de estimular o aluno a transitar entre dois modos de conceber e representar o mundo, o da imagem e o das palavras, e, ao fazer isso, ampliar sua capacidade de manejar os recursos disponibilizados por esses dois sistemas de significação.

Referências BENVENISTE, Émile. Problèmes de linguistique générale, vol. 2. Paris: Gallimard, 1974. SAUSSURE, Ferdinand de. Cours de linguistique générale. Paris: Payot, 2005. * Fanuel Paes Barreto é professor da disciplina de Português Instrumental do Curso de Fotografia da Unicap

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ENSAIOS

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Antes Por Marina Felduhes

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Olhares sobre Gênero e Raça Alunos dos cursos de Fotografia e de Serviço Social da Unicap realizaram no mês de novembro de 2013 uma exposição coletiva sobre Gênero e Raça. A ideia era lançar vários olhares sobre o tema como parte das atividades do Dia da Consciência Negra. Depois de uma troca de experiências entre alunos e professores do dois cursos, os futuros assistentes sociais aprenderam um pouco sobre fotografia e os futuros fotógrafos profissionais aprenderam sobre questões contemporâneas e perspectivas históricas sobre gênero e raça no Brasil. Um resumo do resultado deste trabalho está exposto aqui.

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Welliton Por Gilberto Vieira Aluno do curso de fotografia da Unicap, Gilberto Vieira apresenta em imagens Welliton, mais conhecido como “Galeguinho”, morador da Região Metropolitana do Recife, que numa tarde de final de inverno sem energia elétrica percorre à luz de velas os cômodos da sua casa mobiliada apenas por uma mesa e duas cadeiras de plástico enquanto fala sobre a sua infância sofrida, sobre falta de afeto, sobre o tempo que morou nas ruas e sobre o orgulho de ter superado grandes dificuldades para construir com seu trabalho duro como vendedor ambulante o patrimônio que conquistou. “Sou feliz por ter hoje uma casa para morar. Ainda sou muito carente, falta tudo dentro da minha casa, mas com fé em Deus e muito trabalho vou conseguir me levantar e ter uma vida melhor”.

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Recortes de Manhattan Por Renata Victor 50

Ficha técnica: Canon EOS 6D, lente Canon EF, 24-105mm, f: 4 e lente canon EF, 40mm, f 2.8.


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Porto de Galinhas Por Lila Rios 60


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A melhor impressão é a que fica Uma Ferrari do modelo California F1, com 460 cavalos de potência, zero KM, custa cerca de R$ 1,5 milhão. Comprar um carro desses para andar nas ruas do Recife seria insanamente ousado. Muitos chamariam de loucura. Essa é a comparação feita pelo fotógrafo Gustavo Bettini quando o assunto é impressão Fine Art. “De que adianta você produzir uma foto com uma preocupação artística, tratar com todo o cuidado e, na hora da impressão, não escolher a Fine Art?”, ele pergunta e responde segundos depois: não fez nada. Embora importantíssimo para a qualidade dos serviços fotográficos, este processo de impressão ainda não é bem compreendido pela maioria dos profissionais. Muitos precisam de uma certa catequese para decidir pagar um pouco a mais pela impressão e lembrar que certas economias não valem a pena. A principal característica deste serviço de impressão é garantir uma longevidade maior ao produto: 150 anos, em perfeitas condições, exatamente como foi impresso. Contudo, muitas outras preocupações estão envolvidas na evolução da imagem, desde a concepção até tê-la em mãos, para garantir a excelente e duradoura qualidade. De início, já se pode pensar em fazer uma captura em RAW, ter um espaço de cor grande (como o Adobe RGB) e trabalhar com arquivos em TIFF, para ter baixa compressão. Bettini lembra, porém, que quem não fotografar seguindo esses padrões também vai conseguir um bom resultado. Ele, por exemplo, já imprimiu uma exposição inteira com fotos tiradas em um celular. Isso porque outros fatores, na hora do tratamento da imagem, continuam

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O processo Fine Art, ainda pouco compreendido pelos fotógrafos, é a melhor garantia de que o produto vai ser preservado de uma maneira perfeitamente fiel Arline Lins*

o processo Fine Art. Para trazer a novidade ao Recife e atender à Região Nordeste do País, há seis anos, Gustavo e mais dois sócios criaram o ADI Atelier de Impressão, que fica na Rua da Moeda, dentro da Arte Plural Galeria, no bairro do Recife. Ele ficou sozinho aqui e os sócios cuidam da filial em São Paulo, que atende ao Sudeste. Dentro do atelier, Bettini tem um ambiente com a temperatura e a umidade controladas para garantir que o produto vai durar 150 anos. A cor das paredes é de uma tonalidade específica do cinza para ajudá-lo a ter uma percepção perfeita na hora de tratar as imagens. Os monitores Eizo – considerados os melhores do mercado – garantem uma visão perfeita da imagem, se periodicamente calibrados, é claro. As lâmpadas do local também são específicas e têm uma temperatura de 5.000K, que imita a luz branca natural emitida pelo sol em céu aberto ao meio-dia. No atelier, Bettini e Michelly – parceira de trabalho – só tocam nas fotos com luvas de algodão, para garantir que a acidez da pele, do suor, não vai passar para a imagem. Para o fotógrafo Chico Barros, dono do Centro Capibaribe da Imagem (CCI), o segredo do processo Fine Art é o gerenciamento de cor. Para alcançar a tão desejada excelência na impressão é preciso ter os equipamentos adequados ao que se propõe fazer, como os monitores calibrados e uma impressora com vários cartuchos de tinta. Os papéis em algodão e alfa-celulose também são fundamentais na constituição da arte que sai das lentes e vai para o material palpável.


Foto: ADI Atelier de Impressão/Divulgação

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Foto: Cecília Maria/Divulgação

E é nesse intervalo que entra a importância do equipamento. “Às vezes o profissional faz a foto já com uma concepção de Fine Art e faz o tratamento em casa. Ele acha que está bom, mas se engana porque o monitor utilizado não estava devidamente calibrado. Quando ele chega aqui no CCI, colocamos as imagens nos nossos computadores e fazemos os ajustes necessários antes de partir para a impressão”, pontua Barros, que fotografa há 20 anos e começou a trabalhar com a impressão Fine Art em 2013. No ADI, Gustavo Bettini usa duas impressoras que trabalham com tintas minerais, com 12 cartuchos cada. Elas têm uma saída de 1,10m e um espectrofotômetro incorporado, para ler as cores que imprimiu, checando se está atingindo cada uma da maneira correta; se o alvo está sendo alcançado. Os papéis são de alfa-celulose e de algodão, assim como os de Chico Barros, das marcas Hahnemühle e Canson (linha Infinity). “Eles são verdadeiramente brancos porque não sofrem o processo de branqueamento óptico. Essa característica garante que o papel não vai ficar amarelado, como os papéis normais, que passam pelo procedimento artificial para ficarem brancos”, conta Gustavo. Os papéis fineart também encapsulam a tinta para que ela não desbote ao longo dos 150 anos. Além disso, eles são ligeiramente alcalinos para neutralizar uma possível contaminação por acidez. “Existe um perfil de cor para cada papel e para cada impressora. A impressão sai muito fiel à imagem”, garante o fotógrafo. Há também alguns profissionais que ousam e fazem um tipo de impressão fineart com finalidades que não são grandes exposições, como trabalham Bettini e Barros. A fotógrafa e professora Cecília Maria utiliza papéis experimentais (como o de manteiga e o de desenho) para fazer livros e pequenas exposições de seus alunos. São fotografias destinadas à venda. Para ela, não existe um tipo de impressão melhor, mas a qualidade adequada ao que se propõe. “Nesse conceito de fineart, temos a vantagem da gama de texturas e da longevidade do produto. Mas a impressão fica melhor em alguns tons do que em outros”, explica. Cecília também usa


Projeto que resultou na produção de um pequeno livro artesanal com tiragem limitada em 150 exemplares, essa série busca um diálogo entre a narrativa por meio de imagens e gêneros literários como o diário e a poesia. Autor: Roberto Vietri Publicação: Prólogo Selo Editorial Impressão: Cecília Maria

papéis da Canson e da Hahnemühle, alfacelulose e algodão, mas também dá espaço ao bambu. Trabalhando com o processo Fine Art para obter um material que dure mais, Gustavo Bettini realizou uma exposição, em março deste ano, na Arte Plural Galeria, no Bairro do Recife. A Entre-Meios, trabalho feito em parceria com a amiga e fotógrafa Lia Lubambo, mostra imagens de vários municípios do Sertão de Pernambuco capturadas à noite. “Resolvemos fotografar o Sertão porque ele é encantador, mas é um pouco triste ver que essa região é retratada de uma maneira miserável, sofrida, árida. É sempre o sol quente, o chão rachado, as pessoas tristes. Mas o sertanejo é forte e lindo. Então a gente quis mostrar uma outra cara do Sertão”, conta. Todas as imagens foram pensadas, desde o primeiro momento, com a captura que garantiria a melhor qualidade de impressão. O ambiente, a profundidade de campo, o enquadramento, tudo foi debatido antes de tirar a foto. A dupla usou aplicativos para saber a hora que a lua ia nascer e onde as estrelas estariam. Eles trabalharam com o ISO baixo porque queriam um grande tempo de exposição – algumas imagens tiveram uma hora de captura depois do clique. Não foi um trabalho de muitas fotos porque cada uma exigiu uma grande produção. Ao todo, 57 foram tiradas

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nesta primeira edição. Dessas, 29 estão na exposição, que tem curadoria de Simonetta Persichetti. Gustavo e Lia também fizeram algumas gravações em vídeo para captar o som ambiente, com o intuito de deixar a exposição mais interativa. Todo esse trabalho teve uma finalização à altura com impressão Fine Art, claro. O problema de muitos profissionais não conhecerem o processo é que acabam sendo enganados por alguns estabelecimentos. O fotógrafo precisa estar atento às características de impressão quando for escolher o local para fazer o trabalho. Frutos da interpretação e da intenção do artista com o produto, as imagens devem ser integralmente respeitadas no transcurso de tratamento e finalização. Com a chegada ao mercado recifense de mais prestadores do serviço, o processo de impressão Fine Art caminha para deixar de ser uma novidade e se tornar a opção mais segura de ter a fotografia como parte das Belas Artes.

Fineart no Recife Algumas opções: Capibaribe Centro da Imagem (CCI) Rua da Aurora, n 533, 1˚ andar - Boa Vista 3032.2500 contato@cci.art.br ADI Atelier de Impressão Rua da Moeda, n 140 - Recife 3424.1310 contato@atelierdeimpressao.com.br Cecília Maria Casa Amarela contato@ceciliamaria.com.br

* Arline Lins é estudante do 8º período do Curso de Jornalismo da Unicap.

Foto: Gustavo

ASSINATURA COLETIVA O trabalho de Lia Lubambo e Gustavo Bettini é inteiramente feito em conjunto. Para eles, o importante é cercar-se de cuidados para garantir uma boa qualidade de impressão. Para fazer as imagens da Entre-Meios, os dois viajaram pelo Sertão durante dez dias. Passaram pelas cidades de Arcoverde, Vale do Catimbau, Serra Talhada, Moxotó, Floresta, Algodões e Santa Rita. Durante o dia, eles avaliavam o local e onde a foto seria tirada. À noite, voltavam para fazer o trabalho. Como o ISO era baixo e o tempo de exposição era longo, o processo depois do clique também era combinado antes.

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HISTÓRIA - “Na imagem da igreja, eu começava obstruindo o céu e a cruz com a tampa da lente. Aí eu dava um primeiro assovio e ela acendia a luz de cima da construção. Eu deixava quatro ou cinco segundos, assoviava, e ela apagava. Ela já sabia que o terceiro era só para piscar a luz. Porque na primeira luz eu tinha a iluminação da cruz ia dar a luz no chão, na frente da igreja. A segunda vez era só para ter o brilho da cruz, sem dar um estouro. No quarto assovio, ela acendeu a lamparina dentro da igreja. No quinto, ela apagou e saiu com a lamparina e entrou na próxima capelinha,” lembra. Todo esse processo foi feito em cerca de quatro minutos. O intuito era captar a luz do céu, já que a Lua estava nascendo por trás da igreja. Os dois não trabalham como assistentes um do outro. São parceiros que fotografam juntos, da ideia ao clique.


Bettini e Lia Lubambo

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Juliana Galvão

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Lewis Wickes Hine nasceu nos Estados Unidos, em setembro de 1874, e estudou sociologia e pedagogia. Após a compra de sua primeira câmera, reconheceu na fotografia uma ferramenta pedagógica eficaz para a divulgação de assuntos do seu interesse, tais como a pobreza e o trabalho infantil. Por ter sido contratado pelo Comitê Nacional do Trabalho Infantil, viajou pelos Estados Unidos para registrar as crianças em atuação nas minas, fábricas, comércio e produção agrícola, com o intuito de denunciar as condições precárias em que viviam. Para fotografar o ambiente de trabalho das crianças, ele se valia de artifícios. Assim, não raras foram as vezes em que se passou por inspetor de incêndio, escondendo a sua câmera com objetiva grande angular, por ser mais discreta, em suas vestimentas. O esforço, entretanto, foi recompensado, pois esse registro fotográfico foi fundamental para a criação de leis contra o trabalho infantil. Nos dias atuais, toda criança é protegida contra a exploração no trabalho em declarações de direitos humanos, mas na época em que Hine viveu, a realidade era outra. Eram os anos de surgimento das fábricas, da produção em série e o trabalho assalariado provocou o êxodo rural e o crescimento desordenado das cidades. Os trabalhadores eram submetidos a jornadas excessivas e condições insalubres de trabalho. E os donos das fábricas passaram a contratar mulheres e crianças, a quem ofereciam salários ainda mais indignos. É o cotidiano dessas crianças que Lewis Hine se propõe a retratar, com o intuito de denunciar as condições sub-humanas a que são submetidas e de estimular o debate sobre a necessidade de criação de leis para a sua proteção.

A imagem sobre a qual ora se debruça foi capturada em 1908 e, sobre ela, Hine fez a seguinte anotação “The Mill: a moment’s glimpse of the outer world. Said she was 11 years old. Been working over a year. Rhodes Mfg. Co. Lincontlon, North Carolina”. Assim, sabe-se que a garota tinha 11 anos e que trabalhava há mais de um nesse moinho, na cidade de Linconlton, na Carolina do Norte. O núcleo de interesse da foto é a menina, que, por estar centralizada, confere um equilíbrio estático à imagem. Poder-se-ia até imaginar que Hine, ao compor a cena de maneira tão simétrica, queria tanto conferir imobilidade, quanto passar a ideia de que o tempo, dentro da fábrica, havia parado e de que o movimento, a dinâmica da vida, concentrava-se para além da janela. O plano que permeia a obra de Lewis Hine, para essa imagem também utilizado, é o geral. Os documentaristas o preferem, diante da necessidade de se contextualizar a situação representada, o que seria muito mais difícil com o registro apenas de detalhes. Some-se a isso a necessidade de se registrar as condições de trabalho para fomentar o debate sobre a criação de leis contra o trabalho infantil e está explicada a sua preferência pelos planos gerais. E essa é a realidade que se nos impõe. A imagem de uma menina de 11 anos, que trabalhou numa tecelagem dos Estados Unidos, no começo do século 20, surpreende-nos como uma súplica por redenção. Isolada por madeira e aço, o que lhe resta apenas é a ânsia pelo olhar de fora que lhe é negado; são sentimentos e sonhos facilmente desviados Foto: Lewis Hine

Lewis Hine: o olhar sociológico através das lentes


pela “voz de metal” que irritantemente lhe chega aos ouvidos. Mas às vezes, a menininha consegue driblar a vigilância das máquinas e corre para o seu refúgio predileto – aquele lugar em que não distingue mais o que é sonho e o que é realidade – realidade para os que estão além da janela, é verdade – mas uma realidade quase palpável e à distância de uma rua, naquela mesma em que se vê uma família, num sábado à tarde, a sorrir. E é porque já faz mais de oito horas que a menina escuta a voz metálica e sente o tremor dos botões, que ela não sabe mais qual cena é a realidade e qual é o sonho. Ela está tão cansada e o sonho do outro lado da rua se separa da sua realidade por

uma pilha de tijolos tão fina, que as cenas se entrelaçam. E essa pode ser a solução ou a criação de um problema maior, não de discernimento, mas de loucura, de quando não se faz mais a separação do que se é, da realidade da qual não se pode fugir, daquilo que se deseja desesperadamente ser. E é aí que a criança se enverga, porque lhe falta identidade. Apesar da idade, já não pode mais ser criança. O peso do que poderia ter sido lhe enverga tão precocemente que nem a janela é capaz mais de lhe salvar. Agora, só lhe resta o consolo da lente de um fotógrafo, que dirá para sempre da beleza de se procurar no olhar de fora o sonho, e até a loucura, como salvação, como um encontro.

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Experimentando a prática de leitura de imagens, os alunos da disciplina Linguagem Fotográfica I desenvolveram uma atividade de análise de fotografias. Os discentes são representados, nesta edição da UnicaPhoto, por Lindomar Oliveira. A prática foi desenvolvida pelo professor Leonardo Ariel. “A análise de Lindomar traz uma foto de Steve McCurry em um tributo a um grande mestre da foto colorida”, explica. Uma breve biografia do fotógrafo: Steve McCurry começou sua carreira de fotojornalismo cobrindo a invasão soviética ao Afeganistão. Explorando a fotografia documental humanista, a estética cujo foco é voltado para o homem, sua cultura e seu ambiente natural, tornou-se um celebrado fotografo da cor. Steve ganhou o direito de utilizar o último rolo de filme Kodachrome, filme produzido pela Kodak nos anos de 1935 a 2010. A maioria das fotos de Steve McCurry é produzida com este filme, cuja características importantes são a qualidade de reprodução de cores e arquivamento, o que também passou a ser uma característica do próprio fotógrafo, com suas fotos em cores fortes e brilhantes. Descrição Foto em formato horizontal, colorida (foi produzida com filme Kodachrome), tendo como elemento principal, no primeiro plano, um menino pintado na cor vermelha, encostado numa coluna de cor verde clara, no segundo plano desfocado, e com predominância da cor azul, se vê um segundo menino também em vermelho e uma

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Análise Nesta foto percebemos todas as características do trabalho do fotógrafo: cores fortes e vibrantes que valorizam e dão vida à imagem prendendo a atenção do observador. O olhar enigmático do menino que parece querer nos dizer algo, também é uma característica dos retratos de Mccurry. Em uma composição harmoniosa e equilibrada, devido à escolha certa do plano de tomada e enquadramento perfeito dos elementos dentro da imagem. Steve mostra Foto: Steve McCurry

ANALISE DE IMAGEM

janela. Steve McCurry afirma ser um menino indiano com o rosto coberto de gulal, um pó avermelhado, participando da tradicional festa hindu de Ganesh Chaturthi em Bombaim.


em primeiro plano o elemento humano, que é sua prioridade. Com foco especifico na expressão do olhar que é onde aflora a sensibilidade humana. Utilizando com mestria o contraste de cores quentes e frias, num jogo de luzes e sombras, ângulo normal, mas posicionando os elementos em ângulo oblíquo, desfoque do segundo plano, proporcionando assim uma imagem com perspectiva, textura, onde as formas dos elementos sobressaem do papel, prendendo a atenção do observador. Fazendo com isto que nosso olhar percorra toda imagem, mas volte sempre para o elemento humano que Steve quer mostrar, com seus sentimentos mais profundos. Como no caso desta imagem em que nos perdemos quanto à

ambiguidade da expressão do menino. Isto nos faz lembrar a frase de Steve McCurry: “Se o fotógrafo fizer as pessoas esquecerem a máquina fotográfica, a alma delas aparece na fotografia”. Elementos citados Ângulo normal, primeiro plano, foco especifico, composição harmoniosa, equilíbrio, textura, alto contraste luminoso e tonal, perspectiva, enquadramento dos elementos de acordo com a regra dos terços, forma. Veja mais imgens do fotógrafo: http://stevemccurry.com/

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DIREITO AUTORAL E DIREITO DE IMAGEM Julianna Nascimento Torezani

LEGISLAÇÃO INTERNACIONAL DE DIREITO AUTORAL Toda produção humana é considerada uma obra intelectual que deve ser protegida visando ser utilizada de forma correta pelas pessoas. Estas obras são expressas de alguma forma, através de textos, objetos, filmes, roupas, fotografias. Com a proliferação das imagens fotográficas, principalmente pela Internet, é importante que as pessoas conheçam as regras de uso e proteção de tais obras. No cenário legal, há uma série de documentos jurídicos que tratam da legislação específica no âmbito internacional e nacional diante das questões que envolvem o direito autoral. Estes textos foram criados, inicialmente, na Idade Moderna, em função do momento em que muitos autores de livros não tinha a posse de seus textos e nem mesmo o nome nas capas das cópias, por conta da impressão em grande escala, graças aos tipos móveis de Gutemberg. Assim, em 1710 foi criado, na Inglaterra, o Estatuto da Rainha Ana, como o primeiro documento que reconhece oficialmente o direito de autor para publicação de suas obras. A partir deste uma série de eventos foram organizados com o intuito de discutir a questão de autoria e propriedade das obras e, a partir de tais eventos, outros documentos foram criados e assinados por vários países reconhecendo também estes direitos. Atualmente, temos os seguintes textos de legislação internacional sobre direito autoral que tratam das regras de autoria e que indica as diretrizes para a criação de leis nacionais: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Convenção de Berna e Convenção Universal de Genebra. Estas convenções coexistem como documentos jurídicos internacionais que tratam do direito autoral e foram assinados por vários países, inclusive o Brasil. Declaração Universal dos Direitos Humanos*: 1948, Artigo XXVII indica quanto a criação e proteção de obras intelectuais:

1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios. 2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção literária ou artística da qual seja autor. Convenção de Berna*: texto de 1971 e revisão em 1979. Documento da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), organismo da ONU, trata da proteção autoral e utilização de obras intelectuais: ARTIGO 2: Os termos “obras literárias e artísticas” compreendem todas as produções do domínio literário, científico e artístico, qualquer que seja o seu modo ou forma de expressão, tais como: os livros, folhetos e outros escritos; [...] as composições musicais com ou sem palavras; as obras cinematográficas, às quais são assimiladas as obras expressas por um processo análogo à cinematografia; [...] as obras fotográficas, às quais são assimiladas as obras expressas por um processo análogo ao da fotografia; as obras de artes aplicadas [...]. Convenção Universal de Genebra*: texto de 1952 , revisão em 1971, em Paris. Documento da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), organismo da ONU, trata da proteção autoral e utilização de obras intelectuais: Artigo I - Cada um dos Estados Contratantes compromete-se a tomar todas as medidas necessárias a assegurar uma concreta e eficaz proteção dos direitos dos autores e de quaisquer outros titulares destes direitos sobre obras literárias, científicas e artísticas, tais como os escritos, as obras musicais, dramáticas e cinematográficas e as de pintura, gravura e escultura. *Todos os documentos são encontrados na Internet.


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O curador de algumas das mais importantes exposições de fotografia do Brasil, Eder Chiodetto (foto), lançou em setembro de 2013 através do Prémio Funart Marc Ferraz de Fotografia 2012, o e-book “Curadoria em Fotografia: da Pesquisa à Exposição”. O livro aborda os desafios, as etapas e os diferenciais que um curador de fotografia deve ter, além de relatar as experiências adquiridas pelo autor nos seus 10 anos de carreira e mais de 60 exposições realizadas. “Curadoria em Fotografia: da Pesquisa à Exposição” tem um destaque especial uma vez que não existia no Brasil e no mundo uma publicação que tratasse especificamente em curadoria para exposições de fotografia. O e-book foi desenvolvido inicialmente, voltado

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Foto: Alcir Silva

Dica: livro sobre curadoria para fotografia

DIC

para fotógrafos e pesquisadores, mas estudantes, amantes da arte e o público em geral também conseguem ter um contato mais amplo sobre o assunto devido a forma como o livro foi escrito e montado, no formado de PDF interativo. “Curadoria em Fotografia: da Pesquisa à Exposição” pode ser baixado vou visualizado gratuitamente no site oficial de Eder Chiodetto (http://ederchiodetto.com.br). Para saber mais sobre o autor, vale conferir visita a entrevista dada ao site Olhavê (http://olhave.com.br/blog/entrevistando-eder-chiodetto). A dica é de Germana Soares, fotógrafa e professora das disciplinas de Curadoria e Gerenciamento de Cor do curso de Fotografia da Unicap


CAS A

Amnésia Diretor: Christopher Nolan, 2000

B

A vida secreta de Walter Mitt Diretor: Ben Stiller, 2013

C

Blow up - Depois daquele beijo Diretor: Michelangelo Antonioni, 1966

D

Evandro Teixeira – Instantâneos da Realidade Diretor: Paulo Fontenelle, 2003

E

Nascidos em Bordéis Direção: Ross Kauffman, Zana Briski, 2004

Interpretação da Luz: o controle de tons na fotografia preto-e-branco, 1994

http://www. dicasdefotografia. com.br/

A câmera de Pandora: a fotografi@ depois da fotografia Joan Fontcuberta, 2013

http://www. vivianmaier.com/

Curadoria em Fotografia Eder Chiodetto, 2013

http://olhave.com.br/ blog/

Tudo sobre Fotografia Editora Sextante, 2012

Ligeiramente Fora de Foco Robert Capa, 2010

http://www. studium.iar. unicamp.br/

http://lens.blogs. nytimes.com/

Dicas de: A - Niedja Dias B - Carolina Monteiro C - Germana Soares D - Julianna Nascimento Torezani E - Renata Victor

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Instagram: registro do presente Julianna Nascimento Torezani

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Câmeras em telefones celulares, aplicativos para edição de imagens e redes sociais são as novas estruturas que redesenham o modo de produção e recepção da imagem. Agora o viver está intensivamente mostrado aos outros pela rede mundial de computadores, misturando o espaço público com a esfera privada do corpo, das ideias, da intimidade. Assim, a fotografia não é apenas a captura do momento passado, mas passa a ser o registro do presente, de forma altamente efêmera. Entre as várias formas de produção e publicação instantâneas de imagens que


existem chegamos ao Instagram, que integra esses elementos de elaboração de imagens atuais. Criado em outubro de 2010 pelo brasileiro Mike Krieger e pelo norte-americano Kevin Systrom, tendo como origem o Burbn. Em apenas três meses no mercado já era usado por 1 milhão de pessoas. Em abril de 2012, foi comprado pela empresa Facebook em um negócio que foi divulgado pela imprensa americana por 1 bilhão de dólares. Em junho de 2013, foi lançado o suporte para vídeos de 15 segundos de duração, inserindo mais uma possibilidade de criação de imagens. Em função da tecnologia digital em outros equipamentos, não seria diferente com a fotografia, em que os dispositivos trouxeram agilidade aos trabalhos, avançando ainda mais a invenção da instantaneidade do Polaroid. O momento atual, através das imagens, principalmente em plataformas digitais, mostram os códigos da vida social captados não apenas através da luz que atravessa as lentes, mas com o toque e retoque de refazer o mundo nesta nova forma de duplicidade. Para o antropólogo Luiz Eduardo Robinson Achutti (1995, p. 439), “fotografar é aprender um olhar sobre o outro, este olhar é reificado em uma imagem, imagem esta que tenha o poder de captar olhares de outros outros. Que seria do fotógrafo se não contemplassem suas imagens? Fotografando, somos um olhar que busca olhares”. Através desta frase depara-se com a utilização do Instagram, onde as imagens ali expostas requer olhares, comentários, indicações “positivas”, assim a contemplação é buscada uma vez que se amplia a visualização através de demais redes sociais, algo precisa ser dito. Assim o traço físico da imagem fornece os sentidos desta reelaborados pelos cortes, molduras e cores, o que fica na memória não é sua concepção física e sim os significados que esta imagem carrega. Guerras, cultura, natureza, pessoas, viagens são alguns dos temas que a fotografia registra, traduz e eterniza. Mas um em especial teve o apogeu desde o século 19 que nunca foi perdido, o retrato, ter a sua

própria imagem em suporte, mesmo para dar de presente ao outro, atravessa os anos. A escolha do melhor traje, dos melhores lugares e móveis com a pose para a posteridade, esse encanto pessoal tornou-se um mercado rentável, muitos retratistas vão equipar seus estúdios com roupas e acessórios que possam ser usados para aqueles que se afirma em vida através da fotografia. O filósofo alemão Walter Benjamin (1994, p. 98) relata os acontecimentos sobre a fotografia até o início do século 20, dando destaque aos retratos: “os acessórios desses retratos, com seus pedestais, balaustradas e mesas ovais evocam o tempo em que, devido à longa duração da pose, os modelos precisavam ter pontos de apoio para ficarem imóveis”. O que seriam os inúmeros retratos feitos na atualidade, também uma afirmação da vida? Poses, trajes e lugares são escolhidos a todo momento e reconfigurados pelas ferramentas de edição que possibilitam também eliminar ou mudar algo que não agrada. A representação humana quer sempre anular algo e afirmar outro elemento, a ideia do pós-humano, de mostrar além da realidade, sempre existiu. Neste momento, o retrato contemporâneo também quer ser colocado à disposição do olhar do outro, mas agora esse retrato pode mudar rapidamente e incessantemente, sendo reconstruído no cotidiano, o que faz surgir inclusive novas terminologias, como “selfies”. Há uma publicização da vida íntima, doméstica, privada, o futuro que o artista plástico norteamericano Andy Warhol vislumbrou em que todos teriam 15 minutos de ‘fama’ chegou. Com essas possibilidades tecnológicas de criação de imagens temos uma nova estética, que é da vida íntima, da cenografia, da cultura da construção do mundo com a teatralização dos momentos e dos gestos, criando assim o pós-humano, pode-se dizer até de um neopictorialismo, com corpos mutantes em cena que se vislumbra uma arte contemporânea que vai além da fotografia, mas em toda sua performance, na instalação, no vídeo. De acordo com a pesquisadora Lucia Santaella (2006, p. 181), “enxames de fotos dos mais variados tamanhos e espécies e nos mais

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variados lugares, interiores e exteriores, povoam o mundo e, além de fazerem parte da realidade tanto quanto os objetos fotografados o fazem, as fotos têm um poder multiplicador que os objetos não têm”. Nesta reflexão, seria o Instagram o telegrama contemporâneo, numa releitura de fotografar e enviar, algo instantâneo e com respostas instantâneas. Encontra-se assim uma produção fotográfica que reelabora o real, construindo uma realidade. Filtros, molduras, foco, desfoque e as várias alterações feitas na imagem sugerem um outro referente, que parte do existente e transforma-se nas possibilidades de edição. Nessa construção da realidade o pesquisador Boris Kossoy (1999, p. 43) indica que “a representação fotográfica é uma recriação do mundo físico ou imaginado, tangível ou intangível; o assunto registrado é produto de um elaborado processo de criação por parte de seu autor”. Entre os elementos que possibilitam essa construção está o Instagram, usado por milhões de pessoas no mundo, numa reelaboração constante do que é visto, trazendo os traços do real, mas altamente produzido numa performance neo-pictorialista. E na reflexão da professora e jornalista Dulcilia Schroeder Buitoni (2011, p. 174), “na produção multimídia, a tecnologia digital é utilizada para produzir uma convergência da imagem fotográfica estática com o cinema, o vídeo, a fala e os sons gravados, material de texto e imagens gráficas. Tudo isso permite um tipo de edição transformadora, dentro de meios previamente diferenciados, para construir novos tipos de arquitetura audiovisual”. Não é mais a fotografia por si só, mas uma fotografia ligada a outros elementos, inclusive o som, que traduz esse novo modelo vida utilizando as tecnologias da imagem. A experiência imagética do Instagram mescla fotografia, vídeo, mobilidade e redes sociais em um regime de visualidade contemporâneo criando um novo conceito de fotografia de se fazer e ver a imagem. O famoso slogan da Kodak “você aperta o botão e nós fazemos o resto” para o modelo “vocês apertam o botão e fazem o resto”, colocando essa condição de fazer na possibilidade de cada um pode editar

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Fotos: Julianna Torezani

como quiser a imagem e publicá-la pelas redes sociais. Ainda no paralelo sobre a Kodak e o Instagram, o jornalista e professor José Afonso da Silva Junior (2012, p. 03-04) defende que “podemos entender nesse eixo de antípodas entre os modelos Kodak vs. Instagram a distribuição como um conceito que é substituído pelo de circulação. Um sistema de distribuição opera de forma centralizada, mantém uma hierarquia rígida entre os participantes e tem como objetivo principal à entrega de produtos acabados e uniformes ao consumidor. Um sistema de circulação flexibiliza e coloca em crise a concepção de hierarquia, assimila a lógica descentralizada da própria rede e gera a disseminação das informações como elemento necessário à experiência. A distribuição enfatiza o consumo. A circulação faz apologia da participação. Para a fotografia, circular é ter em conta a consideração a desmaterialização dos suportes, a flexibilizarão das ferramentas de tratamento da imagem e a amplificação dos canais de acesso da fotografia como produção simbólica”. A fotografia sempre encantou as pessoas, mesmo os retratos daguerreotípicos em

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albumina e prata do século XIX à imagem na tela do telefone celular, a busca pela imagem e a eternização dos momentos através de índices iconográficos faz-se mover o ser humano, em sua finitude ou espetacularização. A cultura visual contemporânea é a cultura do compartilhamento, deixou de se mostrar o álbum físico a alguém para mostrar uma imagem a todos através da Internet, assim os dispositivos que produzem as imagens permitem novas formas de interação humana na transmissão do que são, desta forma as pessoas se veem pelas imagens fotográficas. A convergência de mídias e tecnologias favorece um mundo imagético múltiplo e híbrido, para ampliar as potencialidades do olhar, surgindo assim também uma nova estética.

Refletindo nesta direção, seria o Instagram o carte de visite contemporâneo? Referências: ACHUTTI, Luiz Eduardo Robinson. Imagem e Fotografia: aprendendo a olhar. In: Corpo e significado: ensaios de antropologia social. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1995. BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. Tradução de Sergio Paulo Rouanet. 7 ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Obras escolhidas; v. 1). Título original: Auswahl in Prei Bänden. BUITONI, Dulcilia Schroeder. Fotografia e jornalismo: a informação pela imagem. São Paulo: Saraiva, 2011. (Coleção Introdução ao Jornalismo; v. 6). KOSSOY, Boris. Realidades e ficções na trama fotográfica. Cotia, SP: Ateliê Ed., 1999. SANTAELLA, Lucia. Por uma epistemologia das imagens tecnológicas: seus modos de apresentar, indicar e representar a realidade. In: ARAUJO, Denize Correa. Imagem (ir)realidade: comunicação e cibermídia. Porto Alegre: Sulina, 2006. SILVA JUNIOR, José Afonso. Da fotografia Expandida à Fotografia Desprendida: Como o Instagram Explica a Crise da Kodak e Vice-versa. In: Anais do XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Fortaleza: Intercom, 2012.

Foto: Registro.br/Reproducão

Foto: Julianna Torezani

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Como ser profissional também no mundo digital Um bom portfólio na internet e uma estratégia de redes sociais são fundamentais para divulgação do trabalho Carolina Monteiro*

Desde que o Google se tornou uma espécie de oráculo do mundo digital, tente lembrar da última vez que procurou por um produto ou serviço e não recorreu à ferramenta de buscar para encontrar informações, endereço, telefone ou comentários? Com os serviços de fotografia não é diferente e quem procura um bom profissional, seja para eternizar os momentos mais importantes da vida ou para contratar com segurança, também recorre ao buscador e/ou, mais recentemente, às redes sociais. Por isso, os fotógrafos profissionais não devem descuidar da sua “presença online” com um excelente portfólio digital, uma

boa posição no ranking de busca do Google e uma estratégia correta para as redes sociais. Como em vários aspectos da vida, a primeira impressão é a que fica. Então, uma presença na internet começa com um portfólio profissional, um endereço onde você possa mostrar as suas melhores fotos, falar um pouco sobre suas qualificações, áreas de especialidade e interesses, além de facilitar o contato com os clientes em potencial. Um primeiro cuidado deve ser registrar o domínio, ou seja, o endereço do seu site na internet. O ideal é que ele seja o mais fácil possível de decorar e não fuja muito do formato www. seunomeprofissional.com.br. Se o endereço já estiver sendo usado por outro profissional homônimo, a dica é escolher um domínio.com (usado geralmente por sites americanos, mas disponível para quem registrar e pagar por ele). O registro do domínio e a checagem da disponibilidade ou não do endereço .com.br pode ser feito no www.registro.br, ao custo de R$ 30,00 por ano. No caso dos domínios .com, o registro é feito em sites americanos que fornecem ou serviço ou através de serviços que já oferecem toda a estrutura (design e ferramenta para atualizações do portfólio) como os que veremos a seguir.

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Se como webdesigner você é um excelente fotógrafo, deixe o trabalho para outros profissionais. Procure um escritório ou designer especializado e participe ativamente do processo de criação sugerindo sites de outros fotógrafos que possam servir como referência do que você procura. O ideal é que o site seja o mais “clean” possível para que as fotos, as grandes “estrelas” do site, possam se sobressair. Se for contratar um profissional ou empresa para fazer o seu portfólio esteja atento à forma como vai mantê-lo atualizado depois de pronto e escolha uma proposta que lhe ofereça também a possibilidade de que você mesmo possa atualizar ao final de cada trabalho e fuja das propostas nas quais o designer fica responsável por isso. Este tipo de relação quase sempre termina com o fotógrafo insatisfeito porque as atualizações não são feitas com a rapidez ou frequência que ele precisa. Caso a grana esteja curta para contratar uma empresa, saiba que é possível você mesmo criar o seu site em serviços específicos para este fim. O resultado pode ser surpreendente. A maioria deles funciona com a oferta de vários “templates” (modelos de página), que podem ser personalizados com o endereço eletrônico do fotógrafo, logomarca, paleta de cores e formatos das galerias de fotos e tamanhos das imagens. Um dos mais conhecidos deles é o Wix (www.wix.com), que oferece várias opções de sites específicos para fotógrafos e outros profissionais liberais, com bom design e layouts para vários perfis de fotógrafos (casamento, esportes, natureza, fotojornalismo etc). O serviço oferece o pacote completo (endereço, design e plataforma para atualização) por R$ 25,00 por mês. Na verdade, é possível fazer até de graça, mas você não poderá usar o seu endereço próprio e também terá pequenos anúncios na sua página, tirando a cara de site profissional que você precisa ter. Um formato mais simples, mais fácil de criar porém mais limitado é o Carbonmade (www.carbonmade.com). O endereço é bastante usado por fotógrafos, designers e

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Foto: Wix.com/Reprodução

ilustradores e custa US$ 12 por mês (o site é americano e, portanto, todo em inglês, o que pode dificultar a vida de quem não fala bem a língua). De qualquer forma, o Carbonmade é um dos mais simples e fáceis de usar. Outra opção é o 4Format (www.4format.com), também em inglês, com valor mensal de US$ 6 por opções de design bem minimalistas, todas com as fotos fullscreem (tela inteira) e possibilidade de registrar e criar ou usar o seu endereço próprio. Seja qual for a sua opção para criar o portfólio, alguns detalhes não podem passar despercebidos, entre eles a qualidade e o tamanho das imagens. A qualidade deve ser inerente ao seu trabalho, claro, mas as fotos escolhidas devem ser significativas para o ramo da fotografia na qual você atua, além de ter qualidades técnica e estética suficientes para causar uma boa impressão e mostrar suas habilidades profissionais. A resolução também precisa ser levada em consideração para que as imagens tenham boa visualização, sem ficarem pesadas o suficiente para deixar o seu site lento. Por isso, esqueça qualquer foto em RAW e faça o upload dos arquivos em JPG, com


Foto: Carbonmade.com/Reprodução

resolução máxima de 80 dpi, que é mais do que suficiente já que os arquivos são para visualização em tela e não para impressão. Quanto ao tamanho, no caso dos temas fullscreem, a largura deve ter em média 1280px (que é a resolução de tela mais usada pelos internautas atualmente), garantindo a qualidade da exibição da foto. Lançar o portfólio na internet é o primeiro passo, mas depois de estar no ar o ideal é que o seu endereço apareça bem posicionado no Google quando o internauta fizer uma busca, principalmente no seu tipo de especialidade fotográfica. Se trabalha registrando casamentos no Recife, a busca que mais interessa para você é “fotografia + casamento + recife” ou variações destas três “tags”, como são chamadas as palavraschave de uma busca na web. Neste caso, você precisa conhecer mais sobre as técnicas de SEO (Search Engine Optmization ou Otimização para Engenho de Busca). Tratase de um conjunto de procedimentos técnicos e semânticos para o um site seja bem posicionado nas pesquisas. Entre as estratégias mais conhecidas estão a atualização frequente do seu site, a divulgação do endereço em redes sociais, blogs e fóruns de fotografia, além do preenchimento dos campos de TAGs oferecidos pela maioria dos serviços de publicação (Wix e Carbonmade, entre eles) Por fim, deve-se também nomear os arquivos de fotos com

palavras-chave relevantes (fotocasamentorecife1.jpg, fotocasamentorecife2.jpg etc), em vez dos tradicionais DSC000001.jpg, por exemplo. Com os cuidados devidamente tomados, a parte final de uma estratégia profissional de uso das mídias digitais é a presença nas redes sociais. Em todos os setores, redes como Twitter, Instagram e, principalmente, o Facebook vêm sendo usados como ferramentas de marketing extremamente eficazes e rentáveis. Neste caso, crie perfis profissionais em quantas puder manter sempre atualizadas (se for para não atualizar, é melhor nem criar!), divulgue seus trabalhos mais recentes, interaja com os internautas e com outros profissionais e construa uma reputação digital não apenas postando sobre você e suas fotos, mas conversando sobre assuntos de interesse da sua área de expertise.

* Carolina Monteiro é jornalista, mestre em Design pela UFPE e professora da disciplina de Mídias Digitais da Unicap

Foto: 4Format.com/Reprodução

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