LA
QUE
SABÉ
/
KIKA
DE
MARCO
LF-05/005
LA QUE SABÉ / KIKA DE MARCO
LA QUE SABÉ / KIKA DE MARCO
“Encarar o poder selvagem em nós mesmas é ganhar acesso aos inúmeros rostos do feminino oculto. Eles nos pertencem de modo inato e podemos optar por incorporar os que nos forem mais convenientes a qualquer momento.” “Mulheres que correm com os Lobos: Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”, Clarissa Pinkola Estés
Vivenciar diretamente a própria natureza sombria, especialmente os aspectos exploradores, ciumentos e rejeitadores do self (...). Incorporar esses aspectos. Criar o melhor relacionamento possível com as piores partes de si mesma. Deixar acumular a tensão entre quem se aprendeu a ser e quem se é realmente.
ver alguma coisa a fundo ou perceber tudo o que possa estar oculto exige intuição bem como força para suportar o que se vê.
O sangue nesse conto não é o sangue menstrual, mas sangue arterial, da alma. Ele não mancha só a chave; ele escorre pela persona inteira.
Quando a chave que chora ou a pergunta que clama mancha nossas personagens conseguimos mais esconder nossas dificuldades. Podemos dizer o que quisermos, mostrar a expressão mais sorridente, mas, uma vez tendo visto a verdade revoltante da câmara da morte, não podemos mais fingir que ela não existe. E ver a verdade faz com que esgotemos nossa energia ainda mais. (…) doloroso; é um corte na artéria. Precisamos tentar corrigir imediatamente esse terrível estado.
Sentir, pensar ou agir segundo qualquer
Recear aventurar-se ou revelar-se, te-
um dos seguintes exemplos representa ter
mer procurar um mentor, mãe, pai, temer
um relacionamento parcialmente prejudica-
exibir a própria obra antes que esteja
do ou inteiramente perdido com a psique
perfeita, temer iniciar uma viagem, recear
instintiva profunda. Usando-se exclusiva-
gostar de alguém ou dos outros, ter medo
mente a linguagem das mulheres, trata-se
de não conseguir parar, de se esgotar, de
de sensações de extraordinária aridez, fa-
se exaurir, curvar-se diante da autorida-
diga, fragilidade, depressão, confusão, de
de, perder a energia diante de projetos
estar amordaçada, calada à força, deses-
criativos, encolher-se, humilhar-se, ter
timulada. Sentir-se assustada, deficiente
angústia, entorpecimento, ansiedade. Ter
ou fraca, sem inspiração, sem ânimo, sem
medo de revidar quando não resta outra
expressão, sem significado, envergonhada,
coisa a fazer, medo de experimentar o
com uma fúria crônica, instável, amarrada,
novo, medo de enfrentar, de exprimir sua
sem criatividade, reprimida, transtornada.
opinião, de criticar qualquer coisa, de
Sentir-se impotente, insegura, hesitan-
sentir náuseas, aflição, acidez, de sentir-
te, bloqueada, incapaz de realizações,
-se partida ao meio, estrangulada, conci-
entregando a própria criatividade para
liadora e gentil com extrema facilidade,
os outros, escolhendo parceiros, empre-
de ter sentimentos de vingança.
gos ou amizades que lhe esgotam a ener-
Ter medo de parar, ter medo de agir,
gia, sofrendo por viver em desacordo com
contar até três repetidamente sem conse-
os próprios ciclos, superprotetora de si
guir começar, ter complexo de superiorida-
mesma, inerte, inconstante, vacilante,
de, ambivalência e, no entanto, não fosse
incapaz de regular a própria marcha ou de
por isso, ser plenamente capaz, em perfei-
fixar limites.
to funcionamento. Essas rupturas são uma
Não conseguir insistir no seu próprio
doença não de uma era, nem de um século,
andamento, preocupar-se em demasia com a
mas transformam-se em epidemia a qualquer
opinião alheia, afastar-se do seu Deus ou
hora e em qualquer lugar onde as mulheres
dos seus deuses, isolar-se da sua própria
se vejam aprisionadas, sempre que a natu-
revitalização, deixar-se envolver exagera-
reza selvática tiver caído na armadilha.
damente na domesticidade, no intelectualismo, no trabalho ou na inércia, porque é esse o lugar mais seguro para quem perdeu os próprios instintos.
Baba Yaga é assustadora por ser ela própria o poder da aniquilação e o poder da força da vida ao mesmo tempo. Contemplar seu rosto é ver a vagina dentata, olhos de sangue, o recém-nascido perfeito e as asas dos anjos, todos juntos.
(...) é uma porta. O material contido neste livro foi selecionado para lhe dar coragem. O trabalho é oferecido como um fortificante para aquelas que estão no meio do caminho, incluindo-se as que lutam em difíceis paisagens interiores bem como as que lutam no mundo e por ele. Precisamos nos esforçar para permitir que nossa alma cresça naturalmente até atingir sua profundidade natural.
Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura apresentam
LA QUE SABÉ KIKA DE MARCO Todos os textos desta edição foram extraídos do livro “Mulheres que correm com os Lobos: Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”, de Clarissa Pinkola Estés. LF-05/005
/ Kika de Marco é paulistana, nascida em 1992, pesquisa, produz e respira imagens. Atua principalmente no campo da fotografia expandida, com intervenções manuais em imagens, de maneira muito diversa e dispersa, como uma boa geminiana faria. eueram.tumblr.com / Composto em Relative Mono 10 Pitch e impresso em Risograph sobre papel Chambril Avena + 90 g/m2 e FCard Cinza 180 g/m2, com tiragem de 500 exemplares. São Paulo, 2017. / PDF disponível para download gratuito no site. livros-fantasma.com
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