Zé Ronconi
Nova Veneza, SC 2021
Por um mergulho na memória Um olhar e uma aventura no tempo que se perde na memória de um aparente mundo conhecido. Através das imagens fotográficas as ausências vão chegando e reconstituindo aparições que a muito viviam na imaginação do fotógrafo, em seus próprios porões e sótãos da lembrança. A narrativa nos insere em um mergulho contemplativo, envolvida em um desbravar o entorno, se perder nos horizontes, parar para uma conversa na cerca, comer um pedaço de bolo, descansar embaixo de uma árvore, achar pela estrada tesouros em formato de galhos, sentir o vento e o sol na caminhada, e entre uma construção e outra, perder-se em esconderijos. Uma história que só se faz consciente no adulto é apresentada pelas lembranças e fantasias do menino que vai nos instigando a olhar com atenção para nossos próprios rastros e saudades de andar sem medo por um lugar desconhecido e ao mesmo tempo seguro e familiar. Lucila Horn
Por una zambullida en la memoria
Per una immersione nella memoria
Rastros
Una mirada y una aventura en el tiempo que se pierde en la memoria de un aparente mundo conocido. A través de las imágenes fotográficas las ausencias llegan y reconstituyen apariencias que han vivido durante mucho tiempo en la imaginación del fotógrafo, en sus propios sótanos y desvanes de la memoria.
Uno sguardo e un’avventura nel tempo che si perde nella memoria di un apparente mondo conosciuto. Attraverso le immagini fotografiche arrivano assenze che ricostituiscono apparizioni a lungo vissute nell’immaginario del fotografo, nelle proprie cantine e soffitte della memoria.
Nossa memória se constitui de inúmeros fragmentos formando o tecido de nossas vivências. Como um baú depositário de lembranças, guardamos imagens de nossas experiências. Reminiscências que compõem o indivíduo social que somos. Rememorações, fruto da recomposição do presente que foi no presente que é.
La narración nos inserta en una zambullida contemplativa, envueltos en la exploración del entorno, perdiéndonos en los horizontes, parando a charlar en la verja, comiendo un trozo de torta, descansando bajo un árbol, encontrando tesoros en forma de ramas en el camino, sintiendo el viento y el sol durante la caminada, y entre un edificio y otro, perdiéndose en escondites.
Il narrativo ci inserisce in un’immersione contemplativa, coinvolta nell’esplorazione dei dintorni, perdersi negli orizzonti, una chiacchierata al recinto, un pezzo di torta da mangiare, riposare sotto un albero, trovare tesori nei sentieri sotto forma di rami, sentire il vento e il sole mentre cammini, e tra una abitazione e l’altra, perdersi nei nascondigli.
Una historia que sólo se hace consciente en el adulto se presenta a través de los recuerdos y fantasías del niño que nos instiga a mirar con atención nuestras propias huellas y anhelos de caminar sin miedo por un lugar desconocido que es a la vez seguro y familiar.
Una storia che si fa consapevole soltanto nell’adulto è presentata di ricordi e fantasie del ragazzo che ci spinge a guardare attentamente le nostre stesse tracce e la nostalgia di camminare senza paura in un luogo sconosciuto e allo stesso tempo sicuro e familiare.
Com este trabalho percorri lugares em busca destas imagens. Busquei registrar por meio da fotografia os vestígios de memória presentes nos ambientes de convívio dos descendentes de imigrantes italianos de Nova Veneza, SC. Fui em busca dos testemunhos de um passado que ainda vive, mesmo que ressignificado no presente destas pessoas. Cenários de conquistas mas também de conflitos e frustrações. Neles encontrei as casas, com seus ambientes de habitação, de trabalho, de convívio. Espaços que alimentaram projetos de vida. Lugares que reativam sonhos, poéticas, devaneios da nossa consciência subjetiva.
Lucila Horn
Lucila Horn
Através destas imagens busquei igualmente abrir o meu baú de memórias. Reencontrar um eu, que reside imerso em laços afetivos interiorizados. As minhas lembranças “perdidas” de um passado, de experiências vividas, especialmente na velha casa de meus avós maternos. Rastros... ausências e permanências... ruídos e silenciamentos. Um reencontro emocionado com marcas de infância, onde o que foi... o que não existe mais... ainda é. As vozes dos ancestrais que ainda ecoam em nossa alma. Zé Ronconi
Rastros
Tracce
Nuestra memoria se compone de innumerables fragmentos que forman el tejido de nuestras vivencias. Como un baúl de depósito de recuerdos, guardamos imágenes de nuestras experiencias. Reminiscencias que conforman el individuo social que somos. Recordatorios, fruto de la recomposición del presente que fue en el presente que es.
La nostra memoria è composta da innumerevoli frammenti che formano il tessuto delle nostre vicende. Come un baule depositario di ricordi, conserviamo le immagini delle nostre esperienze. Reminiscenze che compongono l’individuo sociale che siamo. Rimembranze, frutto della ricomposizione del presente che era nel presente che è.
Con este trabajo viajé por lugares en busca de estas imágenes. Intenté registrar a través de la fotografía las huellas de la memoria presentes en los entornos de convivencia de los descendientes de inmigrantes italianos en Nova Veneza, SC. Fui en busca de testimonios de un pasado que aún vive, aunque resignificado en el presente de estas personas. Escenarios de logros, pero también de conflictos y frustraciones. En ellos encontré las casas, con sus ambientes para vivir, trabajar y socializar. Espacios que alimentaron proyectos de vida. Lugares que reactivan los sueños, la poética, las ensoñaciones de nuestra conciencia subjetiva.
Con questo lavoro ho passeggiato tra luoghi alla ricerca di queste immagini. Ho cercato di registrare, attraverso la fotografia, i vestigi di memoria presenti negli ambienti di vita dei discendenti di immigrati italiani di Nova Veneza, SC. Sono andato alla ricerca delle testimonianze di un passato che vive ancora, anche se riformulato, nel presente di queste persone. Scenari di conquiste ma anche di conflitti e frustrazioni. Li ho trovato le case, con i loro ambienti di vita, di lavoro e convivenza. Spazi che nutrivano progetti di vita. Luoghi che riattivano sogni, poetiche, rêverie della nostra coscienza soggettiva.
A través de estas imágenes también intenté abrir mi baúl de recuerdos. Redescubrir un yo que reside inmerso en vínculos afectivos interiorizados. Mis recuerdos “perdidos” de un pasado, de experiencias vividas, especialmente en la vieja casa de mis abuelos maternos. Huellas... ausencias y permanencias... ruidos y silencios. Un reencuentro emocional con las marcas de la infancia, donde lo que fue... lo que ya no existe... sigue siendo. Las voces de los antepasados que aún resuenan en nuestra alma. Zé Ronconi
Attraverso queste immagini ho cercato anche io di aprire il mio baule di ricordi. Riscoprire un se che risiede immerso nei legami affettivi interiorizzati. I miei ricordi perduti di un passato, di esperienze vissute, soprattutto nella vecchia casa dei miei nonni materni. Tracce ... assenze e permanenze ... rumori e silenzi. Un ricongiungimento emotivo con i segni dell’infanzia, dove ciò che era ... ciò che non esiste più ... è ancora. Le voci degli antenati che ancora riecheggiano nella nostra anima. Beppi Ronconi
Imagens que falam e dizem de nós Somos feitos de memórias, de encontros, inquietações e um desejo de povoar ausências, como que, percorrendo rastros e silenciamentos que se perdem na paisagem da cidade. São cidades dentro da cidade que vão surgindo a cada negativo revelado. A estrada e o ciclista a nos conduzir a outros tempos e lugares encharcados de agoras, porque revisitados na relação e sentidos que vão sendo costurados também por quem se coloca para além de espectador, como um viajante que partilha desse aventurar-se pela nossa história. Tal qual um mergulho no nosso passado que é também presente, porque nos atravessa e nos é brindado por essa narrativa imagética. Cada cantinho, objeto, ferramenta, cômodo, engrenagens, a escada, as cadeiras, o teto, os animais e a mulher que contempla a paisagem, vão criando retratos sem molduras, porque não se encerra ali. Há neles uma dimensão do cotidiano de várias famílias, são portanto, evocadores de memórias outras partilhadas por uma coletividade que se vê para além do instante capturado pela lente deste artista, poeta e coletor de memórias. São experiências sensoriais que à flor da pele, vão unindo tempos que se interligam ao presente pelo olhar e sensibilidade de quem, atrás de uma câmera fotográfica, presentifica com seu gesto lugares, saberes, sujeitos e reitera o compromisso de catalogar a cada imagem tão belamente produzida, pedaços de vida que não pertencem só ao passado. São retratos de modos de permanecer e estar na cidade, como uma narrativa que vai entrelaçando
memórias a compor histórias com tempos e experiências outras que nos chegam pelas lentes tão bem posicionadas a realçar cada detalhe que diz desta intenção. E somos tomados pela nostalgia ao ser tocado, ouvir e ser pelas imagens. Sim, porque estas imagens falam e dizem de nós o que fomos e somos. E, pelos rastros aqui partilhados nos reencontramos a cada clique, com uma história, uma lembrança, um fim de tarde, um dia chuvoso, um amanhecer ou um dia dedicado à colheita. São lugares, espaços e objetos que se transformam em relicários que ao resistirem ao tempo e ao abandono continuam e se perpetuam como pertencimento ou ainda como parte do nosso patrimônio cultural. São narrativas guiadas pelo desejo de não esquecer. Lucy Cristina Ostetto
Imágenes que hablan y dicen de nosotros Estamos hechos de recuerdos, de encuentros, de inquietudes y de un deseo de poblar las ausencias, como si se tratara de recorrer caminos y silencios que se pierden en el paisaje de la ciudad. Son ciudades dentro de la ciudad que surgen con cada negativo revelado. La carretera y el ciclista nos llevan a otros tiempos y lugares empapados de ahoras, porque revisitados en la relación y los sentidos que también están siendo cosidos por quienes se colocan más allá del espectador, como un viajero que comparte esta aventura a través de nuestra historia. Como una inmersión en nuestro pasado que también es presente, porque nos atraviesa y nos ofrece esta narración imaginaria. Cada rincón, objeto, herramienta, habitación, engranaje, la escalera, las sillas, el techo, los animales y la mujer que contempla el paisaje crean retratos sin marco, porque no terminan ahí. Hay en ellos una dimensión de la vida cotidiana de varias familias, son por tanto evocadores de otros recuerdos compartidos por una colectividad que se ve a sí misma más allá del instante captado por el lente de este artista, poeta y coleccionista de recuerdos. Son experiencias sensoriales que, a flor de piel, unen tiempos que se interconectan con el presente por la mirada y la sensibilidad de quien, tras una cámara fotográfica, presenta con su gesto lugares, conocimientos, sujetos y reitera el compromiso de catalogar en cada imagen tan bellamente producida, trozos de vida que no pertenecen sólo al pasado. Son retratos de modos permanecer y estar en la ciudad, como una narración que entrelaza recuerdos para componer historias con otros tiempos y experiencias que nos llegan a través de lentes tan bien colocadas para resaltar cada detalle que dice de esta intención. Y la nostalgia nos lleva a emocionarnos, a escuchar y a ser por las imágenes. Sí, porque estas imágenes hablan y dicen de nosotros lo que fuimos y somos. Y por los rastros compartidos aquí nos
encontramos de nuevo con cada clic, con una historia, un recuerdo, un fin de tarde, un día lluvioso, un amanecer o un día dedicado a la cosecha. Se trata de lugares, espacios y objetos que se convierten en relicarios que, al resistir al tiempo y al abandono, continúan y se perpetúan como pertenencia o incluso como parte de nuestro patrimonio cultural. Son narraciones guiadas por el deseo de no olvidar. Lucy Cristina Ostetto
Immagini che parlano e dicono di noi Siamo fatti di ricordi, incontri, inquietudini ed un desiderio di popolare assenze, come che a percorrere tra vestigi e cancellazioni che si perdono nel paesaggio della città. Sono città dentro la città che ci affiorano in ogni negativo rivelato. La strada e il ciclista che ci condurre in altri tempi e altri luoghi pieni di adesso, perché rivisitati nel rapporto e nei significati che vengono cuciti anche da chi si pone al di là dello spettatore, come un viaggiatore che condivide questa avventura dentro la nostra storia. Come un tuffo nel nostro passato che è anche presente, perché ci attraversa e ci viene offerto da questo narrativo di immagini. Ogni angolo, oggetto, strumento, stanza, ingranaggi, la scala, sedie, il soffitto, animali e la donna che contempla il paesaggio, creano delle ritratti senza cornice, perché non finisce li. C’è in loro una dimensione della vita quotidiana di distinte famiglie, quindi, sono evocatori di ricordi, altre condivisioni per una collettività che si vede oltre dall’istante catturato dall’obiettivo di questo artista, poeta e collezionista di ricordi. Si tratta di esperienze sensoriali in prima linea nell’unire tempi che si collegano al presente attraverso lo sguardo e la sensibilità di chi, dietro una macchina fotografica, ci portano nel tempo presente luoghi, saperi, soggetti con il loro gesto e ribadisce l’impegno di catalogare in ogni immagine così meravigliosamente prodotta, pezzi di vita che non appartengono soltanto al passato. Sono ritratti di modi di rimanere e di essere in città come in una narrazione che vai intrecciando ricordi per comporre storie con altri tempi ed esperienze che ci arrivano attraverso gli obiettivi così ben posizionati da evidenziare ogni dettaglio che dice di questa intenzione. E diventiamo pieni di nostalgia nel essere toccati, ascoltati ed essere delle immagini. Sì, perché queste immagini parlano e dicono di noi cosa che eravamo e siamo. E, attraverso le tracce qui condivise, ci ritroviamo in ogni click, con una storia, un ricordo,
una serata, una giornata piovosa, un’alba o una giornata dedicata alla vendemmia. Sono luoghi, spazi e oggetti che diventano reliquiari che, resistendo al tempo e l’abbandono, continuano e si perpetuano come appartenenze o come parte del nostro patrimonio culturale. Sono narrazioni guidate dalla voglia di non dimenticare. Lucy Cristina Ostetto