Revolução

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REVOLUÇÃO

Associação Barreiro - Património Memória e Futuro Nº 01 Maio /Junho 2010

Os Ferroviários e a República

www.patrimoniobarreiro.org A Revolução Republicana no Barreiro

Os ferroviários portugueses já estavam organizados e lutadores no tempo da monarquia. No Barreiro foi constituída em 1903, a Associação de Classe Metalúrgica e Artes Anexas, formada essencialmente por operários das ferrovias. Na sequência da Implantação da Republica, em 1910, o seu associativismo vai sofrer um grande impulso, condição para conseguir a unidade e a coragem necessárias, numa das profissões mais republicanizadas, para exigir do novo poder político a satisfação das sua velhas reivindicações, melhores condições de vida e de trabalho. A primeira grande luta dos homens das ferrovias do Sul foi travada em 1911, durante seis dias, integrada numa greve nacional vitoriosa, por aumentos salariais. Para responder às novas exigências organizativas a Associação dos Metalúrgicos foi substituída pela Associação de Classe dos Ferroviários do Sul e Sueste, em 1914, e transformada depois no Sindicato do Pessoal dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste em 1921. Melhor organizados os homens dos caminhos-de-ferro do Estado participam numa grandiosa greve em Novembro de 1918, contra a carestia de vida e por melhores salários. Luta dura e prolongada, com sabotagens, repressão feroz, prisões, despedimentos. É o tempo do “vagão fantasma”, que leva na frente dos comboios os líderes grevistas com escolta militar! O poder republicano, apesar das contradições internas, mostrar-se-ia desde muito cedo avesso às reivindicações operárias. Os ferroviários, enfurecidos desde os graves incidentes de 1914, » continua pg. 2

A Revolução Republicana encontra na Margem Sul, nomeadamente no Barreiro, uma sociedade preparada e empenhada na realização dos ideais republicanos. A este empenhamento não é alheio o precoce destino industrial da vila, no todo nacional. O processo de industrialização dá origem a um desenvolvimento urbanístico e demográfico vertiginoso. Por vagas, vinda de todo o País, chega mão-de-obra que, nos Caminhos de Ferro, nas Corticeiras e na Companhia União Fabril, procura realizar o sonho de um futuro melhor. No Barreiro, o salário a troco do trabalho manual na fábrica era a única fonte de rendimento destes trabalhadores. Surge, desta forma, uma classe operária que entre 1861 e 1911 atinge 44% da população activa. Os ferroviários e os corticeiros são os primeiros a criar associações de classe, mais tarde sindicatos, demonstrando uma capacidade organizativa e mobilizadora uma clara consciência política da sua realidade económica, social, cultural, laboral e assistencial. E as lutas, então encetadas, reforçar-se-ão com o operariado da Companhia União Fabril. » continua pg. 3


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