Boletim Diário
ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS
Terça - feira, 31 de Março de 2026, Ano 06, n0 874 Contacto: +258

Editor: Aurélio Muianga | Paginação: Cleiton Chemane
e-mail: redaccao@mbc.co.mz
PRIME RATE EM MOÇAMBIQUE DESCE PARA 15,50% EM ABRIL
Ocusto do crédito em Moçambique voltará a registar uma redução no mês de Abril. A Prime Rate, taxa de referência para as operações de crédito bancário, foi fixada em 15,50%, de acordo com o comunicado oficial emitido esta terça-feira (31 de março) pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB) e pelo Banco de Moçambique (BdM).
A nova taxa representa uma descida de 10 pontos-base em relação aos 15,60% que vigoraram durante o mês de Marçola, consolidando a tendência de alívio nas condições de financiamento para empresas e particulares no país. Desde o início do ano, o indexante tem mostrado um comportamento descendente, reflectindo a actual conjuntura macroeconómica. Em Janeiro desceu 15,70% (corte de 10 pontos-base), ao passo que em Fevereiro registou manutenção dos 15,70%.

Entretanto, em Março, registou um corte de 10 pontos-base, fixando-se em 15,60% e igualmente no mês próximo, Abril, com uma nova redução de 10 pontos base, fixando-se em 15,50%.
A taxa de 15,50% será aplicada a todas as operações de crédito baseadas no in-
dexante único que forem celebradas ou renovadas durante o próximo mês. Esta medida é vista pelo regulador, como um sinal positivo para o sector empresarial, visando estimular o investimento e o consumo num cenário de inflação controlada.
MOÇAMBIQUE PAGA INTEGRALMENTE SUA DÍVIDA DE MAIS DE 700 MILHÕES DE DÓLARES AO FMI
Moçambique liquidou cabalmente sua dívida junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), correspondente a cerca de 701,4 milhões de dólares. Esta era uma das dívidas mais concessionais da carteira externa do Estado pelo que o seu reembolso deverá ter um efeito limitado no alívio da pressão de liquidez sobre o soberano. De acordo com o “DE”, numa nota do Standard Bank divulgada recentemente, o banco sublinha esta é uma operação de forte significado institucional, mas com impacto económico imediato reduzido. Dados recentes do FMI indicam que o saldo de crédito pendente caiu de 514,04 milhões de direitos de saque especiais (SDR), no final de Fevereiro, para zero a 27 de Março, após reembolsos no mesmo montante e sem novos desembolsos no período.
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Segundo a mesma análise, o valor amortizado equivale a aproximadamente 3,1% do produto interno bruto (PIB) estimado para 2025. Ainda assim, o enquadramento global da dívida pública continua a exigir prudência.
A dívida total de Moçambique — incluindo Governo e empresas públicas seleccionadas — aumentou 4,7% em 2025, atingindo 1.132 mil milhões de meticais, o equivalente a 79,1% do PIB, face a 74,4% registados no ano anterior.






CONFIANÇA DOS CONSUMIDORES E CLIMA ECONÓMICO REGISTAM QUEDA NO MÊS DE MARÇO
OInstituto Nacional de Estatística (INE) revelou que a confiança dos consumidores voltou a cair em Março, atingindo o nível mais baixo desde Dezembro de 2023. A queda ocorre num contexto de agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, que têm intensificado a pressão sobre os preços. De acordo com os inquéritos de conjuntura divulgados esta segunda-feira (30), citados pela Lusa, o indicador do clima económico também registou uma queda, situando-se em níveis semelhantes aos observados há um ano. Este comportamento reflecte um ambiente de incerteza que afecta simultaneamente consumidores e empresas, condicionando decisões de consumo e investimento.
Segundo o INE, “o conflito no Médio Oriente tem pressionado as expectativas de preços”, influenciando directamente a confiança dos consumidores.

Esta confiança já se encontrava fragilizada devido à deterioração da situação financeira das famílias, o que agrava ainda mais o sentimento de insegurança económica.
O INE referiu ainda que a queda da confiança se intensificou nos últimos
dois meses, com maior incidência em Março. Este agravamento está associado à deterioração das perspectivas quanto à evolução futura da economia nacional, bem como à expectativa de piorar a condição financeira dos agregados familiares.
MOÇAMBIQUE PRETENDE IMPLEMENTAR SISTEMA DIGITAL DE CONTROLO DA EXPORTAÇÃO DE MADEIRA
OGoverno anunciou a introdução de um sistema digital de controlo da exportação de madeira, visando resolver a disparidade de informações do sector e combater o contrabando do recurso no país. A medida surge como parte dos esforços para reforçar a gestão florestal e aumentar a fiabilidade dos dados sobre o sector, segundo avança a Lusa “Nós começámos com a digitalização para o licenciamento florestal e vamos entrar já na digitalização do processo de exportação da madeira. O que vai isso implicar? Uma grande fiabilidade de informação que se presta, porque a informação que foi sendo dada nos últimos tempos era díspar”, disse o director nacional das Florestas e Fauna Bravia, Imede Falume.
Falando à margem da primeira reunião da Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia, Imede Falume destacou que a ferramenta digital deverá ajudar a resolver o problema do contrabando da madeira, sobretudo nas regiões centro e

norte do país, sublinhando que a tecnologia permitirá maior controlo e transparência no processo de exportação. De acordo com o Forest Stewardship Council (FSC), organização Não-Governamental internacional que promove a gestão florestal responsável através da certificação, Moçambique perde anualmente
cerca de 500 milhões de dólares devido a práticas insustentáveis no sector. Entre os principais factores destacam-se a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima, actividades que contribuem para a degradação ambiental e provocam perdas económicas significativas.






CTA,
OTM-CS
E
CONSILMO REAFIRMAM COMPROMISSO COM INSS NO PROCESSO DE AUS-
CULTAÇÃO
AConfederação das Associações Económicas (CTA), Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) e Confederação dos Sindicatos Independentes e Livres de Moçambique (CONSILMO), estão disponíveis a cooperar com o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) no processo de auscultação em curso no País, no âmbito da revisão do regulamento da Segurança Social Obrigatório (SSO).
Os parceiros sociais, respectivamente o Presidente da CTA, Álvaro Massingue e os Secretários Gerais da OTM-CS , Damião Simango e da CONSILMO, Jeremias Timane, assumiram o compromisso durante a reunião com o Director-Geral do INSS, Joaquim Suíta, esta segunda-feira (30 de Março) em Maputo.
A reunião decorreu, no âmbito das visitas realizadas àquelas instituições, com o objectivo de partilhar a informação sobre o processo de auscultação, que decorre a nível nacional desde o dia 4 de Março. Suíta, destacou na ocasião, que as trans-

formações de ordem demográfica, económica, tecnológica e laboral vividas hoje exigem que o sistema de segurança social evolua, tornando-se mais inclusivo, sustentável, moderno e ajustado à nova realidade do País.
Para o Director, a revisão da legislação da segurança social em curso no País
é um processo colectivo que deve ser construído com base no diálogo social e no consenso nacional, reflectindo as aspirações legítimas da sociedade. “A consulta pública pertence a toda a sociedade e o seu sucesso depende do contributo de todos, incluindo dos parceiros sociais” disse.
FIDA GARANTE CONTINUIDADE DE FINANCIAMENTO RURAL APÓS ENCERRAMENTO DO REFP
OGoverno e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) anunciaram, esta segunda-feira (30 de Março), o encerramento oficial do Projecto de Financiamento de Empreendimentos Rurais (REFP). Contudo, o principal motor financeiro do programa - o Gestor de Fundos (Umbrella Fund Manager) - continuará operacional para garantir que os empreendedores rurais não percam o acesso a serviços financeiros adaptados. O anúncio foi feito por Jaana Keitaanranta, Directora e Representante do FIDA em Moçambique, em Maputo, durante a cerimónia de assinatura do Contrato para Gestão de Fundos para a Linha de Financiamento de Empreendimentos Rurais (LFER’s), uma parceria do Moza Banco e o Ministério das Finanças. Implementado entre 2019 e 2026, o REFP foi criado como um Veículo Especial para colmatar a lacuna de financiamento no sector primário.
A continuidade do seu modelo de ges-

tão é vista como uma vitória estratégica para o sector.
“O contrato que hoje se assina vem confirmar que, mesmo com o encerramento do REFP, o seu instrumento principal vai continuar as suas operações ao longo dos próximos anos”, afirmou Keitaanranta, sublinhando que este mecanismo continuará a assegurar que produtores,
pescadores e piscicultores tenham uma fonte de financiamento robusta. Actualmente, a carteira activa da organização no país ultrapassa os 350 milhões de dólares, sendo que mais de 90% deste valor é composto por donativos, focados nas áreas de agricultura, pescas, aquacultura e finanças rurais.




A edição 35 da Banca & Seguros mergulha no coração das transformações que estão a redesenhar o sistema financeiro, da ascensão das fintechs à nova arquitetura digital do dinheiro, revelando riscos, oportunidades e os interesses em disputa. Com uma abordagem crítica e aprofundada, esta edição desafia o leitor a repensar o papel da banca, da regulação e do consumidor num mercado em mutação acelerada. Entre análises exclusivas, entrevistas e dados reveladores, traça-se um retrato rigoroso de um sector em ponto de viragem. Uma publicação de referência, agora sob gestão editorial do grupo MBC, que afirma o seu compromisso com informação de qualidade e impacto.













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