Boletim Diário
ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS
Terça - feira, 24 de Março de 2026, Ano 06, n0 870 Contacto: +258 871 850 850

Editor: Aurélio Muianga | Paginação: Cleiton Chemane
e-mail: redaccao@mbc.co.mz
CONFLITO MÉDIO ORIENTE BANCO DE MOÇAMBIQUE NÃO VOLTARÁ A FINANCIAR IMPORTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS
OGovernador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou esta segunda-feira (23) não haver necessidade de voltar a financiar as importações de combustíveis, apesar da crise de fornecimento provocada pelo conflito no Médio Oriente.
“A banca tem feito um bom trabalho, não é perfeito, mas ela tem feito um trabalho que tem-nos permitido garantir que o financiamento de combustível continue razoavelmente bem e neste momento não vemos nenhuma necessidade de mudar essa postura”, afirmou Zandamela, questionado pelos jornalistas no final da reunião do Comité de Polícia Monetária (CPMO).
No 10 de Março corrente, o secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, garantiu que Moçambique tinha 75 mil toneladas de combustíveis,

quantidade considerada suficiente até princípios de Maio, adquirida a preços anteriores ao início do conflito no Médio Oriente, que levou ao Irão a bloquear passagens pelo estreito de Ormuz.
Tivane acrescentou ainda que cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam pelo estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente.
BANCO DE MOÇAMBIQUE REJEITA RECOMENDAÇÃO DO FMI E MANTÉM ESTRATÉGIA CAMBIAL
OGovernador do Banco de Moçambique (BdM), Rogério Zandamela, reiterou esta segunda-feira (23) que a instituição não irá interferir no mercado cambial para forçar uma convergência com o mercado paralelo.
A decisão surge em resposta directa às recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI), que em Fevereiro sugeriu uma maior flexibilidade da taxa de câmbio oficial.
Rogério Zandamela, que fala numa conferência de imprensa sobre Comité de Política Monetária (CPMO), justificou a manutenção da política actual como uma medida de protecção ao interesse público. Um alinhamento forçado entre as taxas do mercado formal e informal poderia comprometer o equilíbrio da
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economia nacional e gerar instabilidade. O FMI tem mantido uma postura crítica em relação à estabilidade do Metical, que se fixa em torno dos 63,27 meticais por dólar desde 2021. E essa fixação so-
brevaloriza a moeda nacional face ao mercado informal, onde o dólar chega a atingir os 90 meticais, prejudicando a competitividade das exportações nacionais.

e Eventos





EMPREENDEDORISMO
UBA E FUNDAÇÃO TONY ELUMELU DISPONIBILIZARAM 25 MILHÕES DE METICAIS PARA APOIAR JOVENS
OUnited Bank for África (UBA) e a Fundação Tony Elumelu (TEF) anunciaram a disponibilização de mais de 25 milhões de meticais destinados ao apoio de jovens empreendedores em Moçambique. O investimento surge no âmbito da 12.ª edição do Programa de Empreendedorismo da fundação, que este ano seleccionou um total de 3.200 beneficiários em 54 países africanos.
Entre os seleccionados para o ciclo actual, figuram 80 jovens moçambicanos que terão acesso a um pacote de benefícios que inclui financiamento inicial não reembolsável (capital semente), a formação técnica e mentoria especializada e acesso à rede global de networking através da plataforma digital TEFConnect.
Segundo comunicado das instituições, o objectivo é permitir que estes jovens

“realizem os seus sonhos” através da criação de negócios sustentáveis, reforçando o compromisso com a transformação económica do continente. Desde a sua criação em 2010, a Fundação já injectou mais de 100 milhões de
dólares no ecossistema de empreendedorismo africano. O impacto acumulado é expressivo de 24.000 empreendedores apoiados, criou 1,5 milhão de empregos e retirou 2,1 milhões de pessoas da pobreza.
INGD REFORÇA MONITORIA E SENSIBILIZAÇÃO EM INHAMBANE FACE À SEGUNDA VAGA DE CHUVAS E INUNDAÇÕES
OInstituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) continua a intensificar as acções de monitoria e sensibilização das famílias na província de Inhambane, em resposta à ocorrência de chuvas intensas que provocaram cheias e inundações em vários distritos, com destaque para Govuro.
Neste contexto, a Presidente do INGD, Luísa Meque, acompanhada pela Secretária de Estado na Província de Inhambane, Bendita Donaciano Lopes, liderou visitas aos centros de acomodação e às comunidades afectadas, avaliando os impactos desta segunda vaga de chuvas que assolou o país.
As autoridades constataram a vulnerabilidade das populações e reforçaram as medidas preventivas para evitar perdas humanas. A nível nacional, o INGD regista actualmente 31 centros de aco-


modação que acolhem cerca de 10 mil pessoas, e a província de Inhambane conta com quatro centros, que alberga aproximadamente quatro mil pessoas. Segundo Meque, apesar da rápida subida das águas, o escoamento também ocorreu de forma célere, com níveis a baixarem gradualmente em várias bacias. No entanto, a segunda vaga deixou um rasto de destruição, incluindo danos em infra-estruturas e a perda de 18 vidas humanas, maioritariamente por afogamento.






GOVERNO E PARCEIROS SOCIAIS INICIAM NEGOCIAÇÕES DOS SALÁRIOS DA FUNÇÃO PÚBLICA PARA 2026
AComissão Consultiva do Trabalho reuniu-se nesta segunda-feira (23) para dar arranque ao processo de revisão dos salários mínimos por sector de actividade na função pública.
porta-voz da Sessão Plenária Ordinária da Comissão Consultiva do Trabalho, Joaquim Siúta, destacou que o cenário macroeconómico é desafiador devido ao contexto geopolítico internacional e aos efeitos dos protestos pós-eleitorais de 2024, que afectaram o tecido empresarial.
“O ano começou com um problema sério, relacionado com as cheias, fenómeno semelhante ao vivenciado no ano passado, em que foram registados eventos climáticos extremos como o ciclone Chido e Dikeledi.
Assim, apelamos a que, durante os debates, as partes ponderem o equilíbrio, dadas as circunstâncias em que as economias ao nível nacional e mundial se encontram”, declarou Joaquim Siúta.

Pelo lado dos trabalhadores, a expectativa é de alcançar os melhores resultados possíveis, embora exista o reconhecimento da fragilidade da economia. Boaventura Simbinde, porta-voz da classe laboral, indicou que a prioridade neste momento passa também pela
salvaguarda do emprego e pela regularização de salários em atraso em algumas empresas.
As propostas salariais por cada sector de actividade deverão ser apresentadas nos próximos 30 dias.
GOVERNO VAI INVESTIR DOIS MIL MILHÕES DE DÓLARES PARA TORNAR O PORTO DE MAPUTO MAIS COMPETITIVO
OGoverno vai investir dois mil milhões de dólares nos próximos dez anos para aumentar a capacidade de manuseio de carga no Porto de Maputo, com o objectivo de tornar a infra-estrutura a mais competitiva da região.
De acordo com o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, o porto registou 35 milhões de toneladas de carga manuseada até 2025, mas a meta para a próxima década é mais ambiciosa.
“Nossa expectativa é subir para 50 milhões de toneladas ao longo dos próximos dez anos. É um investimento que está a ser feito, mas nos próximos dez anos é fazer uma subida de forma acentuada”, explicou o ministro citado pelo MzNews.
Entre as acções imediatas, está previsto para este semestre o lançamento da dragagem do porto.
Segundo João Matlombe, este passo será


decisivo para o posicionamento estratégico de Moçambique no mercado regional.
“O Porto de Maputo vai passar a ser o mais profundo da zona Sul, mais ou
menos da África Austral, passando a receber navios panamax com mais de 70 mil toneladas. São navios que não podem sequer atracar no Porto de Durban. Portanto, vai ser o porto mais competitivo da região”, afirmou.



A edição 35 da Banca & Seguros mergulha no coração das transformações que estão a redesenhar o sistema financeiro, da ascensão das fintechs à nova arquitetura digital do dinheiro, revelando riscos, oportunidades e os interesses


em disputa. Com uma abordagem crítica e aprofundada, esta edição desafia o leitor a repensar o papel da banca, da regulação e do consumidor num mercado em mutação acelerada. Entre análises exclusivas, entrevistas e dados
reveladores, traça-se um retrato rigoroso de um sector em ponto de viragem. Uma publicação de referência, agora sob gestão editorial do grupo MBC, que afirma o seu compromisso com informação de qualidade e impacto.

















