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BOLETIM BANCA & SEGUROS 23.03.2026

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Boletim Diário

ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS

Segunda - feira, 23 de Março de 2026, Ano 06, n0 869 Contacto: +258 871 850 850

e-mail: redaccao@mbc.co.mz

BANCO DE MOÇAMBIQUE MANTÉM TAXA DE POLÍTICA MONETÁRIA EM 9,25%.

OComité da Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique mantém a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%, uma decisão que interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internas e externas.

O Governador do Banco de Moçambique (BdM), Rogério Zandamela, que falava esta segunda-feira, 23 de Março, numa conferência, disse que "esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a eclosão do conflito no Médio Oriente e seus impactos na cadeia de logística, bem como na oferta e preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciam a revisão em alta das perspectivas da inflação", disse. Quanto à inflação, as perspectivas foram revistas em alta.

Após, 3% no mês de Janeiro, fixou-se em 3,2% em Fevereiro.

"No curto e médio prazo, antevê-se um aumento dos preços, reflectindo, entre outros factores, os efeitos do conflito no Médio Oriente e o impacto das recentes inundações, não obstante a manutenção da estabilidade

do Metical", antevê Rogério Zandamela. O endividamento público interno continua a agravar-se, condicionando o normal funcionamento do mercado financeiro, e "situa-se em 487,3 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 12,7 mil milhões em relação a Dezembro de 2025", explicou Zandamela.

GOVERNO ADMITE REVISÃO ORÇAMENTAL EM CASO EXTRENO DA GUERRA NO MÉDIO ORIENTE

Aministra das Finanças, Carla Loveira, admitiu a possibilidade de o Governo efectuar uma revisão orçamental “em caso extremo”, se a guerra no Médio Oriente se intensificar ao ponto de provocar a subida generalizada dos preços do petróleo.

“No cenário mais extremo e adverso, poderá, sim, ser necessária uma revisão orçamental. Todo o impacto da guerra causa efeitos na economia, através da inflação importada, do incremento do preço dos combustíveis que pode gerar subida dos produtos básicos alimentares", explicou entrevistada pela Lusa. A governante acrescentou que "o conflito também pode determinar que haja um agravamento da despesa pública não em termos quantitativos, mas de

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valor", esclarecendo que cerca de 80% das importações de combustíveis do País transitam pelo Estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente.

Loveira destacou que o Governo realizou uma análise baseada em diferentes cenários sobre o abastecimento e preço do combustível.

A S&P PREVÊ EMISSÃO DE 2,3 MIL MILHÕES DE DÓLARES EM DÍVIDA PARA MOÇAMBIQUE

Aagência de notação financeira Standard & Poor’s estima que Moçambique, Angola e Cabo Verde emitam, em conjunto, um total de 6,6 mil milhões de dólares de dívida pública durante o ano de 2026. De acordo com o relatório mais recente da instituição, citado pela Lusa, este montante reflecte um crescimento de 20% em comparação com os 5,5 mil milhões de dólares registados no ano anterior.

No panorama individual, Angola lidera as necessidades de financiamento com uma previsão de 4,2 mil milhões de dólares. Moçambique surge logo a seguir, prevendo-se que emita 2,3 mil milhões de dólares este ano, o que o coloca como o segundo país lusófono africano com maior volume de emissão. Já Cabo Verde apresenta valores significativamente mais baixos, com uma estimativa de 100 milhões de dólares.

O aumento global nas emissões é justificado principalmente pelas crescentes necessidades orçamentais e pelo cenário económico interno de cada nação. A análise enviada aos investidores indica que este movimento contribuirá para que a

dívida comercial soberana africana em circulação atinja pouco mais de 1,2 bilião de dólares até ao final de 2026, o que representará cerca de 45% do Produto Interno Bruto do continente, incluindo os compromissos de curto prazo.

CFM ACABA COM PAGAMENTO EM DINHEIRO A BORDO PARA TRAVAR PREJUÍZOS NA ZONA SUL

Aempresa pública Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) anunciou uma mudança significativa na logística de bilheteria para o transporte de passageiros na zona Sul do país. A partir do próximo dia 2 de Abril, deixará de ser permitido o pagamento de passagens em numerário (dinheiro físico) a bordo das automotoras.

A restrição aplica-se especificamente aos utentes das linhas que ligam a capital às zonas de Matola-Gare, Boane e Marracuene. Segundo a empresa, a decisão faz parte de um processo de modernização tecnológica e visa aumentar a eficiência na cobrança de receitas.De acordo com dados citados pela “Carta”, o director do CFM Sul, Emídio Bata, revelou que a operação de transporte de passageiros nesta região acumula prejuízos anuais de cerca de 4,5 milhões de dólares (aproximadamente 285 milhões de meticais).

“O CFM subsidia em 85% por ano. Em termos de prejuízos, na Zona Sul, acumulamos cerca de 4,5 milhões de dólares. O valor pago pelos passageiros cobre apenas 15% do custo real do ser-

viço”, explicou BataO objectivo da nova medida não é eliminar o subsídio, mas sim garantir que o sistema seja sustentável e modernizado, evitando fugas de receita que podem ocorrer com o pagamento manual a bordo.

BANCO DE DESENVOLVIMENTO PODERÁ ESTAR “EFECTIVAMENTE OPERACIONAL” EM 2027

OGoverno prevê que o Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) esteja “efectivamente operacional” em 2027. A iniciativa insere-se na estratégia de reforço do financiamento ao crescimento económico e está associada a um calendário definido para a criação e implementação da instituição, com o objectivo de dinamizar o investimento produtivo no País.

O anúncio foi feito por Carla Louveira, ministra das Finanças, recentemente, na embaixada de Moçambique em Brasília, no Brasil. Segundo Loveira, a proposta de criação do banco deverá ser submetida ao Parlamento ainda este ano, havendo a expectativa de aprovação no mesmo período.

Este passo, segundo a governante, permitirá avançar para a fase seguinte do processo. “Pretendemos que, a partir de 2027, o banco esteja, de facto, plenamente operacional”, afirmou.

O plano do Governo está estruturado num horizonte de dois anos, período durante o qual serão organizados os

principais instrumentos institucionais necessários.

A preparação técnica é apontada como um elemento determinante para o sucesso da iniciativa.

O processo conta com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Eco-

nómico e Social (BNDES), do Brasil, na sequência de um encontro realizado na embaixada de Moçambique em Brasília. Este apoio inclui componentes técnicas e institucionais, sendo considerado um factor relevante para acelerar a implementação do projecto.

INSS INAUGURA NOVO EDIFÍCIO EM MOCUBA PARA REFORÇAR PROTECÇÃO SOCIAL NA ZAMBÉZIA

Odistrito de Mocuba, na província da Zambézia, conta com uma nova infraestrutura do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). O edifício, construído de raiz, surge no âmbito da estratégia de expansão da cobertura e melhoria da qualidade dos serviços de protecção social em Moçambique.

A nova sede foi inaugurada recentemente pela Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, durante a sua visita de trabalho à província. Com um investimento fixado em cerca de 20 milhões de meticais, o edifício moderno de um piso ocupa uma área de 900 metros quadrados no Bairro Samora Machel. A estrutura foi projectada para optimizar o fluxo de trabalho e o atendimento ao cidadão, conta com salas de atendimento ao público, gabinetes técnicos e salas de reuniões, arquivo digital e físico e compartimentos de apoio administrativo.

A relevância desta nova infraestrutura é sustentada pelo crescimento do volume de utentes na região.

Até Janeiro de 2026, o Distrito de Mocuba tinha 3.078 contribuintes (empresas),

746 beneficiários (trabalhadores) e 686 Trabalhadores por Conta Própria (TCP). No total a Província da Zambézia tinha 17.632 contribuintes, 190.495 beneficiários, 5.344 TPC e 7.208 pensionistas.

A edição 35 da Banca & Seguros mergulha no coração das transformações que estão a redesenhar o sistema financeiro, da ascensão das fintechs à nova arquitetura digital do dinheiro, revelando riscos, oportunidades e os interesses

em disputa. Com uma abordagem crítica e aprofundada, esta edição desafia o leitor a repensar o papel da banca, da regulação e do consumidor num mercado em mutação acelerada. Entre análises exclusivas, entrevistas e dados

reveladores, traça-se um retrato rigoroso de um sector em ponto de viragem. Uma publicação de referência, agora sob gestão editorial do grupo MBC, que afirma o seu compromisso com informação de qualidade e impacto.

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