Boletim Diário
ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS
- feira, 20 de Fevereiro de 2026, Ano 06, n0 848 Contacto: +258 871 850 850

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GOVERNO ADMITE POSSIBILIDADE DE REVIRAVOLTA DA DECISÃO DE ENCERRAMENTO DE-
FINITIVO DA MOZAL
OGoverno moçambicano não dá como definitivo o encerramento da Mozal, previsto para 15 de Março próximo, conforme anunciou em Dezembro de 2025, a australiana South 32, maior accionista daquela fundição do alumínio localizada no Parque Industrial de Beluluane, distrito de Boane, na província de Maputo Falando hoje, 20 de Fevereiro, à margem da primeira Sessão Plenária Ordinária da Comissão Consultiva do Trabalho, o Porta-voz do Ministério do Trabalho, Gênero e Acção Social, Baltazar Egídio, afirmou que "o processo ainda está em aberto e que, até à data anunciada, poderão surgir desenvolvimentos que alterem o cenário, formalizando assim o primeiro posicionamento oficial do Governo", expectou Egídio.
Recentemente, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, também afirmou que o Governo está a fazer “tudo o que é necessário” para que a Mozal continue a operar, assegurando estar ainda em curso as negociações entre as partes.
A South32 já iniciou o processo de despedimento colectivo e colocará a fábrica

num regime de “cuidado e manutenção”. O Presidente do Conselho de Administração da Mozal, Jaime Samo Gudo, a frente do processo, chegou a declarar que é “tarde demais para voltar atrás” em relação ao cronograma de suspensão, embora admita que a unidade poderá ser reactivada “um dia” se as condições forem favoráveis.
O motivo central do encerramento, se-
gundo a South32, pretende-se com a falta de um novo acordo de fornecimento de electricidade com custos competitivos, uma vez que o contrato actual expira em Março de 2026.
A Mozal representa cerca de 3% do PIB de Moçambique e é um dos maiores exportadores do país, o que explica a pressão do Governo e de associações como a CTA para encontrar uma solução.
SIMO DESMENTE “APAGÃO” E APONTA VANDALISMO COMO CAUSA DE FALHAS NOS PAGAMENTOS
ASociedade Interbancária de Moçambique (SIMO), gestora da Rede Única Nacional de Pagamentos (SIMOrede), confirma que no dia 11 de Fevereiro registou-se falha na Rede Única Nacional de Pagamentos, devido à vandalização deliberada da fibra óptica de alta velocidade. Através de um comunicado emitido esta quinta-feira (19), a entidade esclarece que o acto de sabotagem causou a perda do sinal, agravada pelo comprometimento simultâneo da ligação redundante. "Como consequência, alguns serviços da SIMOrede ficaram momentaneamente indisponíveis em alguns terminais ATM e POS de alguns bancos", reconhece a SIMOrede.
Os clientes dos bancos que se dirigiram às ATM's para levantar dinheiro, foram surpreendidos ao deparar que as máquinas devolviam cartões sem entregar notas e talões, mas ficaram a saber junto dos balcões as quantias que pretendiam foram descontados.
De acordo com Judite Cardoso, cliente
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vítima da situação, disse que a reposição do seu dinheiro aconteceu 48 horas depois da ocorrência de ter se dirigido ao balcão do seu banco para apresentar a reclamação.
A SIMOrede assegurou que após a detecção do incidente, foram imediatamente activados os procedimentos de recuperação, o que permitiu o restabelecimento de todos os serviços da SIMOrede no mesmo dia, mas ainda decorrem acções com vista à implementação de mecanismos mais eficientes de resposta a incidentes semelhantes.






MOÇAMBIQUE E ZÂMIA INAUGURAM POSTO FRONTREIRIÇO DE PARAGEM ÚNICA PARA REDUZIR FRICÇÕES LOGÍSTICAS
Moçambique e Zâmbia lançam no próximo dia 21 de Fevereiro o posto fronteiriço de paragem única (One-Stop-Border Post), na sigla em inglês, de Chanida-Cassacatiza, numa infra-estrutura orientada para acelerar a circulação de bens e reduzir fricções logísticas entre os dois países particularmente nos sectores de transporte, logística e agricultura.
O novo modelo integra procedimentos aduaneiros, migratórios e de controlo fronteiriço num único sistema, permitindo que viajantes e transportadores realizem apenas uma paragem para cumprimento das formalidades.
A cerimónia oficial contará com a presença do ministro zambiano da Tecnologia e Ciência, Felix Mutati, e do ministro moçambicano das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, que formalizam a entrada em funcionamento do sistema integrado de fronteira.
De acordo com o “DE”, Ilitongo Maboshe, Relações Públicas do Minis-

tério da Tecnologia e Ciência da Zâmbia, afirmou que o novo modelo combina, num único ponto, os procedimentos aduaneiros, migratórios e de controlo fronteiriço de ambos os Estados.
Na prática, viajantes e transportadores deixam de efectuar dois processos distintos em cada lado da fronteira, passando a cumprir todas as formalidades numa única paragem.
REVIMO ESTIMA EM 42 MILHÕES DE DÓLARES CUSTO PARA ELIMINAR “NÓS” NA CIRCULAR DE MAPUTO
ARede Viária de Moçambique (REVIMO) revelou que a solução definitiva para os crónicos congestionamentos na Estrada Circular de Maputo exige um investimento de 42 milhões de dólares. O plano, já submetido à Administração Nacional de Estradas (ANE), foca-se na transformação das três rotundas mais críticas da via.
Segundo Sérgio Nhancale, porta-voz da concessionária, o caos no trânsito concentra-se em períodos de ponta nas, rotunda do Albazine, rotunda da CMC e rotunda do Intaka (conhecida como “Primeira Rotunda”), localizações da EN204. Além das limitações de infraestrutura, a REVIMO aponta o factor humano como agravante, como o estacionamento irregular de “chapas” (transporte semicolectivo), a venda informal e a presença de agentes de carteira móvel nas bermas dificultam a fluidez.
O estudo técnico apresenta dois caminhos distintos para cada rotunda, com um custo estimado de 14 milhões de



dólares por nó viário: a implementação de vias de viragem à esquerda e direita, controladas por semáforos de três fases e fluxo contínuo na EN204 através de passagens superiores, enquanto o tráfego das vias secundárias circularia por baixo.
Apesar de ter o projecto pronto, a REVIMO esclareceu que não possui fundos próprios para avançar com as obras a curto ou médio prazo, deixando a decisão e o financiamento pendentes da avaliação das autoridades competentes. (CARTA)







INGD REFORÇA PRONTIDÃO NO NIASSA FACE AOS IMPACTOS DA ÉPOCA CHUVOSA
OVice-Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro, realizou uma visita de trabalho à Província de Niassa para monitorar e reforçar a capacidade de resposta à época chuvosa e ciclónica 2025/2026. A deslocação surge num momento crítico, em que a província já regista os primeiros danos severos em infraestruturas e famílias deslocadas. Em audiência com a Governadora de Niassa, Elina Massengele, foi traçado o cenário actual: as chuvas intensas já forçaram o deslocamento de 14 famílias para um centro de acomodação no bairro de Chiwaula. Além do drama humano, a rede escolar foi afectada, levando a governadora a solicitar o envio urgente de tendas-escola para assegurar o início do ano lectivo.
“A visita visa aferir o nível de prontidão e apoiar a província face aos desafios actuais”, afirmou Gabriel Monteiro durante o encontro.
Apesar dos esforços locais, a delegada

provincial do INGD, Isabel Cavo, alertou para a escassez de apoios externos.
Actualmente, a delegação conta apenas com a parceria estratégica da Organização Internacional para as Migrações
(OIM) e do Programa Mundial de Alimentação (PMA).
Por outro lado, o papel dos Comités Locais foi enaltecido pela rapidez na evacuação das zonas de risco, demonstrando a eficácia da preparação comunitária.
ESCASSEZ DE DIVISAS LIMITA CAPACIDADE DAS EMPRESAS DE IMPORTAR MATÉRIA-PRIMA
OFundo Monetário Internacional (FMI) voltou a alertar que a escassez de dólares no mercado moçambicano está a agravar as dificuldades das empresas, afectando o comércio e a produção.
Os atrasos no acesso à moeda estrangeira perturbam o comércio e a produção ao limitar a capacidade das empresas de importar matérias-primas e bens de capital, segundo voltou a alertar o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o impacto negativo de escassez de divisas no comercio e na produção.
Os bancos e empresas relatam dificuldades crescentes durante 2025 na obtenção de moeda estrangeira, com o aumento dos tempos de espera, como reflexo da redução das entradas relacionadas com as exportações e ajuda externa.
O Fundo sublinha ainda que Moçambique enfrenta uma escassez crescente de moeda estrangeira e afecta sobremaneira a actividade económica, apesar de o metical se manter estável face ao dólar norte-americano desde 2021. Ainda assim, o prémio do mercado paralelo atingiu 14% no final de 2025 (o dólar “na rua” custa



14% a mais do que o preço que aparece nos ecrãs dos bancos comerciais).
O Fundo adverte igualmente que “a escassez elevada de divisas pode impedir as importações de bens essenciais como combustível, alimentos e medicamentos e, consequentemente, a actividade económica”. O crescimento fora do sector extractivo deverá manter-se “modesto, em torno de 2%”, penalizado por “incerteza fiscal, fraco crescimento do crédito e escassez de moeda estrangeira”. O crédito à economia aumentou 2,3% em 2025.



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