Boletim Diário
ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS
Sexta - feira, 16 de Janeiro de 2026, Ano 06, n0 824 Contacto: +258 87 672 7013

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GNL
GOVERNO PROPÕE EXTENSÃO DE 4 ANOS À TOTALENERGIES E EXIGE AUDITORIA
Ao contrário do pedido da TotalEnergies, que solicitava uma extensão de concessão por dez anos para a retoma do megaprojecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Área 1, em Cabo Delgado, Governo aprovou um período de reposição de quatro anos e meio.
O Executivo alegando que o período concedido correspondente ao tempo em que o projecto esteve suspenso por “força maior”, acaba de responder formalmente à carta endereçada pela petrolífera francesa, em Outubro do ano passado, altura que anunciou as condições para se retomar o projecto em Afungi.
A decisão, tomada em Conselho de Ministros, baseia-se na aplicação rigorosa das normas vigentes. O período de quatro anos e meio cobre o intervalo entre o ataque terrorista à vila de Palma, em Abril de 2021, e Outubro de 2025.
Além do prazo, o Governo impôs a condição de uma auditoria independente de modo a avaliar os custos reportados pela multinacional.

A TotalEnergies estima prejuízos de 4,5 mil milhões de dólares devido à paragem, valor que o Estado quer ver escrutinado com “rigor técnico e transparência” antes de qualquer aprovação final. O projecto, orçado em 20 mil milhões
de dólares, é vital para a economia nacional, mas tem sofrido sucessivos adiamentos. Se a retoma for confirmada nos novos moldes, o primeiro carregamento de GNL está agora agendado para o primeiro semestre de 2029 (o plano original previa 2024).
TÍTULOS DO PAÍS RECUAM APÓS DECLARAÇÕES DE CHAPO SOBRE NEGOCIAÇÕES DA DÍVI-
DA COM FMI
Oúnico título soberano de Moçambique denominado em dólares registou uma desvalorização acentuada na última quinta-feira (15), em reacção às declarações do Presidente Daniel Chapo, feitas numa entrevista à Bloomberg Television. O Chefe de Estado admitiu a possibilidade de renegociar a dívida externa assim que for consolidado um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). No entanto, o eurobond nacional (ISIN: XS2051203862), com maturidade prevista para 2031, recuou 1,4 cêntimos, fixando-se em 84,12 cêntimos por dólar. De acordo com dados de mercado citados pelo “DE”, o título está a ser transaccionado com uma taxa de rendimento próximo de 14%, valor que evidencia o elevado prémio de risco exigido pelos investidores perante a incerteza fiscal. Daniel Chapo sublinhou que a prioridade do Executivo é o restabelecimento da confiança dos mercados, mas condicionou qualquer diálogo com credores privados ao desfecho das conversações com o FMI.
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“As conversações serão conduzidas com parceiros internacionais e a prioridade do Governo é criar um ambiente de confiança junto dos investidores”, afirmou o Presidente.
Em resposta, um porta-voz do FMI confirmou que a instituição acompanha os desenvolvimentos e continua a trabalhar com as autoridades moçambicanas

para assegurar a estabilidade macroeconómica. Em causa está o processo de negociação de uma nova linha de crédito alargada, solicitada por Moçambique em Abril de 2025.
Refira-se que a dívida pública externa do País encerrou o ano de 2024 avaliada em cerca de 9,8 mil milhões de dólares.




ENH PREPARA TRANSIÇÃO PARA SE TORNAR OPERADORA PETROLÍFERA EM MOÇAMBIQUE
AEmpresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) iniciou um processo estratégico de transformação para se tornar, a longo prazo, uma operadora petrolífera plena.
A transição, descrita como gradual, envolve desde a reforma do quadro legal até ao fortalecimento da capacidade técnica e financeira da instituição para gerir concessões de hidrocarbonetos.
O ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, sublinhou recentemente a magnitude dos investimentos necessários, destacando que os custos de operação estão, actualmente, além das capacidades imediatas do país. A título de exemplo, o governante apontou os projectos Coral Sul e Coral Norte, cujos investimentos rondam os 7,3 mil milhões de dólares.
“À medida que o país for se desenvolvendo e capacitando a ENH, esta estará em condições de se transformar em operadora. Começaremos por pequenos reservatórios antes de darmos voos

mais altos”, explicou Pale, durante uma visita recente à Coreia do Sul.
De acordo com o “Notícias”, fonte da empresa assegurou que esta acção não é única, iniciativas similares estão em curso, numa parceria com entidades como Eni; países como RUA; para além de empresas
dos Emirados Arabes Unidos e instituições de ensino espalhados pelo mundo. É exemplo disso a assinatura, em Dezembro, do memorando de entendimento entre a ENI e a Berker Hugher, dos Estados Unidos da América, para a formação de trinta jovens engenheiros moçambicanos em diversas áreas.
INGD RESGATA MAIS DE 110 PESSOAS EM GAZA APÓS SUBIDA DO NÍVEL DAS ÁGUAS
OInstituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) afirmou ter resgatado nas últimas 24 horas mais de 110 pessoas afectadas pelas chuvas nos distritos de Chókwé e Guijá, na província de Gaza, região Sul do País.
A instituição emitiu um alerta para a subida repentina das águas que inundaram diversas áreas habitacionais e agrícolas.
Segundo o director Regional do INGD, Cândido Mapute, citado pela AIM, as operações de resgate decorreram no domingo passado, 18 de Janeiro, e envolveram uma equipa multissectorial coordenada com recurso a meios aéreos e embarcações.
O responsável descreveu que o nível elevado das águas dificultou significativamente o acesso às comunidades, obrigando os socorristas a recorrerem a helicópteros para alcançar vítimas que se encontravam presas em árvores ou em pequenos pontos elevados para sobreviverem à correnteza.
Entre os resgatados contam-se idosos, jovens e crianças, e um dos casos de maior urgência envolveu uma mulher

grávida que apresentava sinais evidentes de debilidade física e se encontrava prestes a entrar em trabalho de parto.
A mesma foi prontamente evacuada para o Hospital Distrital de Chongoene, onde recebeu assistência médica especializada. O drama vivido pelas populações de Chókwè e Guijá expõe a vulnerabilidade das comunidades ribeirinhas face aos fenómenos climáticos extremos. Muitas famílias perderam as suas casas, bens e meios de subsistência, ficando agora dependentes da ajuda humanitária e da rápida intervenção das autoridades governamentais.



CÂMARA DOS REPRESENTANTES DOS EUA APROVA EXTENSÃO DO AGOA ATÉ 2028
ACâmara de Comércio Moçambique-Estados Unidos da América (CCMUSA) comunicou aos seus membros um desenvolvimento relevante no quadro das rela- ções comerciais entre África e os Estados Unidos, com impacto directo para o sector privado nacional.
No dia 13 de Janeiro de 2026, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou a proposta de extensão do African Growth and Opportunity Act (AGOA) até 31 de Dezembro de 2028. Este instrumento legal, que concede acesso preferencial ao mercado norte-americano através da isenção de tarifas e quotas para milhares de produtos, aguarda agora a aprovação final do Senado e a subsequente promulgação presidencial.
O AGOA afirma-se como um dos principais pilares da cooperação económica e comercial entre os Estados Unidos e a África Subsaariana.
A sua continuidade é estratégica para promover a expansão das exportações africanas, a diversificação da base pro-

dutiva e a criação de emprego, especialmente nos sectores industrial e agro-industrial.
Além disso, a manutenção deste regime reforça a atractividade do continente para o investimento directo estrangeiro, consolidando parcerias de longo prazo entre os dois blocos.
Para as empresas moçambicanas, a extensão deste acordo representa uma oportunidade crucial de crescimento. O acesso preferencial aumenta a competitividade dos produtos nacionais no exigente mercado norte-americano e confere maior previsibilidade jurídica tanto para empresas que já exportam como para novos projectos.
EXPORTAÇÕES DO PAÍS RECUPERAM NO TERCEIRO TRIMESTRE DE 2025 IMPULSIONADAS POR GÁS E CARVÃO
As exportações de bens em Moçambique registaram uma recuperação no terceiro trimestre de 2025, apoiadas principalmente no reforço das vendas de gás natural e carvão mineral.
De acordo com o Resumo Mensal de Informação Estatística de Novembro de 2025, publicado pelo Banco de Moçambique e citado pelo Diário Económico, o valor total das exportações nacionais ascendeu a 135,5 mil milhões de meticais, o equivalente a 2,1 mil milhões de dólares, representando um aumento significativo face aos trimestres anteriores. O relatório do banco central esclarece que a melhoria observada deveu se, em grande medida, ao aumento das quantidades vendidas destes recursos, que mantêm um papel preponderante na pauta comercial do país.
A instituição sublinha que a contribuição conjunta destes dois produtos foi determinante para a recuperação do sector externo, reflectindo o avanço nos

projectos de produção de gás natural liquefeito e uma procura internacional elevada pelo carvão.
No segundo período de 2025, o gás natural gerou 438,8 milhões de dólares, enquanto o carvão mineral respondeu
por 443,3 milhões de dólares. Os novos dados reforçam a continuidade e o peso estratégico destes recursos naturais na balança comercial nacional, posicionando-os como os principais motores da entrada de divisas na economia moçambicana durante o ano de 2025.


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