Skip to main content

BOLETIM BANCA & SEGUROS 13.04.2026

Page 1


Boletim Diário

ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS

Segunda - feira, 13 de Abril de 2026, Ano 06, n0 883 Contacto: +258

e-mail: redaccao@mbc.co.mz

INFLAÇÃO ANUAL EM MOÇAMBIQUE SOBE PARA 3,37% EM MARÇO E CONSOLIDA TENDÊN-

CIA DE ALTA NO TRIMESTRE

Ocusto de vida em Moçambique registou um novo agravamento no encerramento do primeiro trimestre de 2026. Segundo o mais recente relatório do Instituto Nacional de Estatística, publicado pelo Banco de Moçambique, a inflação anual fixou-se em 3,37% em Março, representando um incremento de 0,17 pontos percentuais em relação aos 3,20% verificados no mês anterior. Este aumento foi impulsionado sobretudo pelos sectores de alimentação, bebidas não alcoólicas, restauração e hotelaria. De acordo com o documento oficial, factores como as inundações recentes que afectaram o país e a instabilidade geopolítica no Médio Oriente têm exercido uma pressão constante sobre os preços no curto e médio prazo, dificultando a estabilização do nível geral de preços.

A trajectória da inflação tem mostrado uma tendência ascendente desde o início do ano, subindo progressivamente dos 3,04% em Janeiro para os actuais 3,37%. Contudo, o relatório ressalva que o ce-

nário actual ainda é considerado moderado quando comparado com períodos críticos anteriores, como o ano de 2022, quando Moçambique enfrentou picos inflacionários que atingiram quase 13%.

BANCO MUNDIAL CRESCIMENTO ECONÓMICO DE MOÇAMBIQUE CAI PARA 0,9% EM 2026

Ocrescimento económico de Moçambique sofreu um declínio de 3% para apenas 0,9%, num contexto marcado pelo impacto do conflito no Médio Oriente e pela inflação generalizada. Apontam as novas projecções do relatório semestral do Banco Mundial - Africa Economic Updates para 2026.

O documento divulgado, recentemente, em Washington, EUA, indica que esta é a descida mais significativa entre os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), reflectindo as pressões externas e as fragilidades internas que estão a dificultar a recuperação económica do País.

Para além do abrandamento do crescimento, Moçambique enfrenta também um aumento da inflação estimado em 7,5%, o que está a fazer subir o custo de

PUBLICIDADE:

COMUNICAMOS PARA SI:

vida e a exercer pressão sobre o poder de compra das famílias.

Nos PALOP, o Banco Mundial reviu em baixa as suas previsões de crescimento para quase todas as economias.

A instituição atribui estas revisões principalmente aos efeitos do conflito no Médio Oriente, que provocaram perturbações no abastecimento e um aumento dos preços, em particular no sector energético.

CONFIANÇA EMPRESARIAL NA ECONOMIA DE MOÇAMBIQUE DESACELERA NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026

Aconfiança das empresas na economia nacional voltou a desacelerar no primeiro trimestre de 2026, registando o sétimo trimestre consecutivo de abrandamento. O Indicador do Clima Económico manteve-se abaixo da média da série histórica, influenciado pela estagnação das perspectivas de emprego e da procura, apesar de alguns sinais positivos em sectores como serviços.

Segundo o Boletim de Indicadores de Conjuntura do Instituto Nacional de Estatística (INE), a avaliação desfavorável foi sobretudo marcada pela queda da confiança no sector industrial e pela redução no comércio, que mantém uma tendência decrescente, contrariando ligeiras melhorias registadas nos serviços. O indicador de expectativas da procura apresenta melhorias progressivas desde o terceiro trimestre de 2025, impulsionado pelas previsões positivas nos sectores do comércio e dos serviços, embora a produção industrial continue a

registar uma trajectória descendente. No que diz respeito ao emprego, o indicador de expectativas estabilizou nos últimos três trimestres, após uma queda acentuada no início de 2025, permanecendo ainda abaixo da média histórica. A estabilidade resulta do desempenho positivo nos sectores do

comércio em 38% e serviços em 48% apesar da quebra na indústria que manteve-se em 53%.

Já as perspectivas de preços de bens e serviços registaram uma melhoria, invertendo a tendência negativa observada desde o quarto trimestre de 2024, aproximando-se da média da série.

FUNDO SOBERANO REGISTA CRESCIMENTO DE 7% ATINGINDO 117,5 MILHÕES DE DÓLARES EM QUATRO MESES

Ovalor de mercado do Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou um crescimento de cerca de 7% nos primeiros quatro meses sob gestão do Banco de Moçambique (BdM) atingindo 117,5 milhões de dólares ( mais de 7.5 mil milhões de Meticais), de acordo com dados citados pela Lusa.

O arranque operacional do fundo ocorreu a 10 de Dezembro, quando o Governo transferiu para o BdM na qualidade de entidade gestora, um montante inicial de 109,97 milhões de dólares, proveniente das receitas da exploração de gás. Posteriormente, a 6 de Janeiro, o Governo efectuou um novo reforço de capital, no valor de 6,1 milhões de dólares.

Segundo os dados mais recentes do BdM referentes a 8 de Abril, o FSM apresentava um capital de 117,47 milhões de dólares, o que representa um

crescimento de 6,8% em quatro meses, e um valor de mercado de 117,50 milhões de dólares.

A criação do FSM foi aprovada pela Assembleia da República a 15 de De-

zembro de 2023, estando previsto que o fundo seja financiado com 40% das receitas anuais provenientes da exploração de gás natural, as quais poderão atingir, na década de 2040, cerca de 6 milhões de dólares por ano.

TRIBUNAL SUÍÇO ARQUIVA PROCESSO CONTRA O UBS REFERENTE A ACÇÕES DO CREDIT SUISSE EM MOÇAMBIQUE

OTribunal Penal da Suíça anunciou na última sexta-feira (10) que arquivou o processo contra o UBS (UMA multinacional suíça de serviços financeiros) num caso relacionado à suspeita de lavagem de dinheiro em Moçambique envolvendo o Credit Suisse. A decisão judicial encerra, nesta instância, a investigação sobre a responsabilidade criminal da entidade após a integração das operações entre os dois gigantes bancários.

De acordo com a agência de notícias Reuters, o tribunal fundamentou a sua decisão com base no facto de o Credit Suisse ter deixado de existir como entidade de direito penal. De acordo com a sentença, a extinção da personalidade jurídica do banco ocorreu em decorrência da fusão orquestrada pelo Estado suíço com o seu antigo rival, o UBS, há três anos.

Assim, a corte entendeu que as respon-

sabilidades penais da instituição absorvida não poderiam ser automaticamente herdadas pela entidade adquirente. Em Dezembro, os procuradores federais suíços acusaram o Credit Suisse de não ter

impedido a lavagem de dinheiro em Moçambique, num episódio onde empréstimos concedidos à frota pesqueira de atum do país africano desencadearam uma grave crise económica há uma década.

INGD E PARCEIROS REFORÇAM ACÇÕES ANTECIPADAS À SECA COM FOCO EM PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS, MONITORIA E AVALIAÇÃO

OInstituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em coordenação com o PMA e o UNICEF, encerrou a 10 de Abril, o Seminário Nacional de Balanço da activação e implementação dos Planos de Acções Antecipadas (PAAs) à Seca 2024/25.

Durante três dias, o Grupo Técnico de Trabalho para o Sistema de Aviso Prévio e Acções Antecipadas, incluindo pontos focais provinciais e regionais do INGD e do INAS, analisou minuciosamente o processo de financiamento, activação, implementação, monitoria e avaliação dos planos, identificando avanços, desafios e oportunidades de melhoria no sistema nacional.

Os debates resultaram em recomendações cruciais para a actualização do Manual de Procedimentos Operacionais, o reforço da coordenação multissectorial, a flexibilização dos mecanismos de financiamento e a melhoria das

ferramentas de monitoria e avaliação de impacto.

A Delegada do INGD na Província de Maputo, Sarah Matches, avaliou positivamente os resultados do seminário e sublinhou a necessidade de maior rigor técnico e institucional na implementa-

ção das acções. Referiu ainda que é preciso trabalhar com base em instrumentos orientadores claros, como o Manual de Procedimentos e evitar activações fora dos critérios definidos, defendendo ainda a partilha imediata das recomendações entre as instituições.

A edição 35 da Banca & Seguros mergulha no coração das transformações que estão a redesenhar o sistema financeiro, da ascensão das fintechs à nova arquitetura digital do dinheiro, revelando riscos, oportunidades e os interesses em disputa. Com uma abordagem crítica e aprofundada, esta edição desafia o leitor a repensar o papel da banca, da regulação e do consumidor num mercado em mutação acelerada. Entre análises exclusivas, entrevistas e dados reveladores, traça-se um retrato rigoroso de um sector em ponto de viragem. Uma publicação de referência, agora sob gestão editorial do grupo MBC, que afirma o seu compromisso com informação de qualidade e impacto.

Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
BOLETIM BANCA & SEGUROS 13.04.2026 by Revista Banca & Seguros - Issuu