Boletim Diário
ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS
Segunda - feira, 12 de Janeiro de 2026, Ano 06, n0 820 Contacto: +258 87 672 7013

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INFLAÇÃO FECHA 2025 EM 3,23%, MENOS DE METADE DA PREVISÃO DO GOVERNO
Ainflação em Moçambique encerrou o ano de 2025 fixada em 3,23%, de acordo com os dados mais recentes do Índice de Preços no Consumidor (IPC) divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). O número representa menos de metade da meta oficial de 7% que havia sido projectada pelo Governo.
De acordo com a “Lusa”, o resultado consolida uma tendência de queda no custo de vida que se arrasta desde o pico de 13% registado em Julho de 2022. Após fechar 2023 com 5,3% e 2024 com 4,15%, a economia moçambicana demonstra uma estabilização de preços mais robusta do que o antecipado pelas autoridades financeiras.
Apesar da baixa taxa anual, o mês de Dezembro registou uma ligeira subida mensal de 0,49% face a Novembro. Segundo o INE, os sectores que mais pressionaram o bolso do consumidor ao longo do ano foram, os sectores de alimentação e bebidas não alcoólicas, responsáveis por 1,87 pontos percen-

tuais da variação anual e restauração e hotelaria, com contribuição de 0,70 pontos percentuais. Produtos específicos como o peixe seco, pão de trigo, carapau, tomate e arroz foram os principais vilões dos preços no acumulado de 2025. Por outro lado, o país viveu um fenómeno atípico de oito períodos de deflação (queda de preços)
num intervalo inferior a 18 meses, o que ajudou a manter a média anual baixa. Mesmo com o desempenho favorável de 2025, o Governo mantém uma postura conservadora para o novo ano. A previsão oficial para 2026 permanece em 7%, sinalizando cautela face a possíveis choques externos ou variações sazonais que possam afectar o mercado interno.
TAXA DE RESERVAS OBRIGATÓRIAS EM MOÇAMBIQUE RECUA PARA 31,42% NO INÍCIO DE JANEIRO
Ataxa média efectiva de reservas obrigatórias em moeda nacional registou uma descida acumulada de 111 pontos base entre os dias 2 e 8 de Janeiro de 2026, passando de 32,53% para 31,42%.
Segundo dados compilados a partir dos Diários dos Mercados do Banco de Moçambique e citados pelo Diário Económico, esta variação traduziu-se numa redução acumulada de liquidez na ordem de 106,8 milhões de dólares, com os saldos médios de excesso de liquidez a recuarem de 280,2 milhões de dólares no início do período para 231,5 milhões de dólares no encerramento da semana. As reservas obrigatórias representam os montantes que os bancos comerciais devem manter depositados no banco central, servindo como um instrumento fundamental de controlo monetário. A descida da taxa efectiva indica uma menor retenção de fundos por parte dos bancos, o que pode reflectir uma maior procura de liquidez para a concessão de crédito ou para a gestão de tesouraria.
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No sentido inverso, a taxa efectiva de reservas obrigatórias em moeda estrangeira apresentou uma tendência ligeiramente ascendente ao longo da mesma semana, passando de 32,28% para 32,52%, com o desvio de liquidez a subir de 70,3 milhões para 76,3 milhões de dólares, representando um acréscimo de 6 milhões de dólares.

Os dados analisados cobrem o período de funcionamento efectivo do sistema bancário no arranque do ano, com base nas publicações oficiais do regulador monetário.




PREVENÇÃO E PRONTIDÃO MARCAM A 1ª SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DO INGD SOBRE CHUVAS INTENSAS
OInstituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) realizou na última sexta-feira (9 de Janeiro), a primeira sessão extraordinária de alerta para chuvas intensas.
O encontro dirigido pela presidente da instituição, Luísa Meque, teve como principal objectivo analisar os impactos da actual época chuvosa no país, e contou com a participação de representantes de diversos sectores ligados à gestão do risco de desastres e parceiros estratégicos, visando o alinhamento de estratégias para a eventual activação do Plano de Contingência.
Segundo informações apresentadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia, prevê-se a ocorrência de precipitação intensa entre os dias 10 e 14 do corrente mês, com maior incidência nas províncias de Inhambane, Gaza e Maputo. Durante a reunião, a presidente do INGD sublinhou a importância do reforço da comunicação preventiva, destacando o

papel fundamental das rádios comunitárias e da comunicação social na disseminação de mensagens de alerta e informação útil às comunidades.
Luísa Meque alertou ainda para a necessidade de intensificar as acções de
sensibilização face ao aumento de casos de afogamento, estimando que cerca de 500 mil pessoas poderão estar em situação de risco a nível nacional durante a presente época, com aproximadamente 2.700 pessoas potencialmente afectadas numa fase inicial.
ESCASSEZ DE DIVISAS OXFORD ECONOMICS PREVÊ DESVALORIZAÇÃO DO METICAL EM 2026
Moçambique poderá enfrentar uma desvalorização gradual do metical ao longo de 2026, como resposta à acentuada escassez de reservas em moeda externa e à sobrevalorização cambial que tem marcado os últimos anos, segundo alerta a consultora britânica Oxford Economics, num relatório dedicado às perspectivas macroeconómicas da África Subsaariana.
A informação avançada pela Lusa indica que a consultora inclui Moçambique e Angola entre os quatro países africanos que enfrentam risco de reestruturação da dívida soberana ou incumprimento financeiro. Faz parte dessa lista também o Maláui e Senegal com economias em situação vulnerável.
De acordo com a análise, a correcção cambial em Moçambique poderá ser uma das condições exigidas no âmbito das negociações em curso para um novo acordo de financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A consultora antecipa que esse novo pacote de apoio seja concluído ainda no primeiro trimestre do ano. Entretanto, nos últimos meses, a pressão

sobre as reservas em moeda externa tem-se intensificado, num contexto marcado pelo elevado serviço da dívida pública, pelo aumento das necessidades de importação e por uma execução orçamental mais dependente do endividamento interno. Dados recentes do Banco de Moçambique indicam que as reservas internacionais líquidas permanecem em níveis limitados, condicionando a capacidade de intervenção cambial da autoridade monetária, ao mesmo tempo que o Estado enfrenta obrigações externas crescentes, incluindo pagamentos a credores multilaterais e comerciais.



BANCO MUNDIAL GARANTE APOIO DE USD 8 MILHÕES À POPULAÇÃO AFECTADA PELO
ATERRO DA KATEMBE
OBanco Mundial vai disponibilizar uma verba de 8 milhões de dólares para reassentar 468 famílias que vivem nas proximidades do local escolhido para a construção do novo aterro sanitário, no bairro da Katembe, cidade de Maputo, região Sul de Moçambique.
Segundo o “DE”, a garantia foi dada recentemente, pelo director do Gabinete de Desenvolvimento Estratégico, Danúbio Lado, que explicou. “Decidimos acelerar o processo de pagamento de compensações, referentes a 138 famílias, num valor global estimado em 8 milhões de dólares. Vamos seguir a legislação vigente, bem como as regras do financiador e prevemos concluir o processo até finais de Fevereiro”.
Segundo Lado, o encerramento da lixeira de Hulene depende da conclusão do novo aterro sanitário, cujo início das obras está previsto para breve, numa área superior a 140 hectares. “Já foi lançado o concurso público para a construção da infra-estrutura, e está agendada uma visita ao local com as empresas interessadas, no dia 15 de Fevereiro, para esclarecimento de dú-

vidas e recolha de mais informações.”
Refira-se que em 2018, 16 pessoas morreram na sequência do desabamento de uma parte da lixeira de Hulene. Após o incidente, as autoridades municipais receberam diversos apoios para a gestão de resíduos, mas o encerramento, orçado em cerca de 110 milhões de
dólares, não tem ainda data prevista.
Segundo informações divulgadas pelo Governo, espera-se que, após o seu encerramento, a lixeira de Hulene sirva de ponto de separação de resíduos sólidos que serão depois transferidos para os aterros sanitários de Matlemele, no município da Matola, e da Katembe, na cidade de Maputo.
BdM ANUNCIA CRESCIMENTO DE 13,2% DAS COMISSÕES DAS INSTITUIÇÕES DE MOEDA ELECTRÓNICA
OBanco de Moçambique (BdM) anunciou recentemente, que as comissões cobradas pelas Instituições de Moeda Electrónica (IME), que operam no País através de plataformas móveis, cresceram 13,2% num ano, atingindo 3 mil milhões de meticais (48 milhões de dólares), passando agora a estar sujeitas a tributação.
De acordo com o recente relatório do banco central, com dados até ao final de Junho de 2025, o desempenho representa um aumento face aos 2,7 mil milhões de meticais (42 milhões de dólares) registados em Junho de 2024.
O BdM destaca igualmente o crescimento sustentado da actividade das instituições de moeda electrónica no País, referindo que as disponibilidades em instituições de crédito aumentaram cerca de 30% num ano. Os recursos dos clientes continuam a dominar a estrutura do passivo das IME, representando 88% do total.
Apesar do aumento das comissões, os resultados líquidos das instituições

registaram uma redução significativa. “Os resultados líquidos registaram uma redução de 24% face ao período homólogo de 2024, ao fixarem-se em 1,1 mil milhões de meticais (17 milhões de dólares), contra 1,4 mil milhões de meticais (22 milhões de dólares) alcançados no mesmo período do ano anterior”, refere o relatório. Entretanto, mais de 415 mil agentes de moeda electrónica em actividade no País passarão a pagar uma taxa de 10% sobre as comissões resultantes das transacções efectuadas, na sequência de alterações ao quadro legal tributário.


A nova edição da B&S chega com uma leitura indispensável sobre os desafios e oportunidades da economia nacional. Destacamos a relevância estratégica da
FACIM, palco onde Moçambique reafirma o seu potencial comercial e industrial. Trazemos ainda análises actuais sobre finanças, seguros e investimento,
preparando o leitor para compreender um mercado em rápida transformação. Boa leitura!





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