Boletim Diário
ECONOMIA | EMPRESAS E MARCAS

Editor: Aurélio Muianga | Paginação: Cleiton Chemane
e-mail: redaccao@mbc.co.mz
GOVERNO REFORÇA APOSTA NO GÁS NATURAL VEICULAR COMO RESPOSTA ESTRATÉGICA À CRISE ENERGÉTICA GLOBAL
OMinistro dos Recursos Minerais e Energia, Cristóvão Pale, defendeu, esta quinta-feira (2), que a massificação do Gás Natural Veicular (GNV) é a solução fundamental para minimizar os impactos do actual conflito entre os Estados Unidos e o Irão, que tem condicionado a importação de combustíveis líquidos no país e noutras regiões do mundo.
Falando durante a abertura do Seminário Anual da Autogás, o governante sublinhou que "o governo tem como um dos seus objectivos estratégicos promover o desenvolvimento da cadeia de valor do gás natural, com vista a impulsionar o crescimento económico, a produtividade, gerar emprego e assegurar a sustentabilidade ambiental".
O evento reuniu representantes do sector público, privado e académicos para avaliar o progresso do projecto nas pro-

víncias de Maputo e Gaza. Segundo Pale, o gás natural veicular afirma-se como uma "solução energética, oferecendo uma alternativa mais limpa, eficiente e economicamente viável aos combustíveis tradicionais".
Actualmente, o país conta com sete postos de abastecimento e cerca de quatro mil viaturas convertidas, e o ministro Pale reconheceu que "o principal desafio reside na expansão das infra-estruturas, nomeadamente postos de abastecimento e centros de conversão.
FACTURA DE COMBUSTÍVEIS EM MOÇAMBIQUE CAI 5% E FIXA-SE NOS 1.142 MILHÕES DE DÓLARES
Moçambique registou uma redução de 5% na factura de importação de combustíveis ao longo de 2025, totalizando 1.142 milhões de dólares (mais de 73 mil milhões de Meticais). Esta tendência de queda tem sido constante desde o pico de gastos registado em 2022, de acordo com os dados estatísticos do Banco de Moçambique (BdM).
O relatório detalha que o gasóleo continua a ser o principal peso nas contas do país, representando 771,6 milhões de dólares do total importado. Já a gasolina correspondeu a 326,7 milhões de dólares. A trajectória descendente é clara quando comparada com os anos anteriores. Em 2022 no pico pós-pandemia, registou uma factura de 1.966 milhões de dólares, em 2023 recuou para 1.417 milhões de dólares, já em 2024 recuou 1.198 milhões de dólares e em 2025 um recuou de 1.142 milhões de dólares.
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Os combustíveis representam actualmente quase metade (cerca de 47%) do valor total de bens intermédios importados pelo país, grupo que inclui também energia eléctrica, alumínio e materiais de construção.
No dia 10 de Março passado, o Governo assegurou que o país dispunha de reservas de 75 mil toneladas de combustíveis, stock considerado suficiente para garantir o abastecimento até ao início de Maio.






ALARGAMENTO DA BASE FISCAL PODE ALIVIAR “ASFIXIA” DE PMES EM MOÇAMBIQUE
Oactual ciclo de endividamento público está a criar um efeito de contágio negativo na economia, prejudicando a liquidez das empresas e o poder de compra dos cidadãos. A constatação foi apresentada por Odílio Biosse, especialista em banca e finanças, que falava esta quinta-feira (2) no programa “Banca & Seguros” da MBC TV.
Em análise ao peso da dívida pública interna e o seu impacto directo no tecido empresarial nacional, Biosse afirmou que "a diminuição da taxa ou do número de tributos pode ser um convite para o alargamento da base”, alertou.
Segundo o especialista, que recorreu ao termo “asfixia” para descrever como a falta de retribuição imediata por parte do sector público interrompe a cadeia de valor, afirmou que hoje o Estado enfrenta o desafio de encontrar um “cenário óptimo” para garantir a circulação de dinheiro na economia, sublinhando

que a consolidação fiscal, embora importante, não é o único caminho.
A solução para que o Estado honre os seus compromissos e reduza a dependência do crédito bancário passa, prioritariamente, pelo alargamento da base tributária em
vez do simples aumento de impostos. De acordo com o banco Central, a dívida pública interna, situa-se em 485 mil milhões de Meticais, o que representa um aumento de 11,1 mil milhões em relação a Dezembro de 2025.
GOVERNO PREVÊ SUBIDA INEVITÁVEL DE PREÇOS EM MAIO DEVIDO À CRISE DOS COMBUSTÍVEIS
OGoverno alertou, recentemente, que a subida dos preços dos produtos essenciais será inevitável a partir do mês de Maio. O anúncio surge como consequência directa da volatilidade do mercado internacional e da instabilidade geopolítica no Médio Oriente, que têm pressionado o custo dos combustíveis à escala global. A incerteza sobre a disponibilidade de recursos gerou uma onda de pânico na capital do país nos últimos dias. Temendo a escassez, milhares de automobilistas dirigiram-se em massa às bombas, resultando no esgotamento de stocks e no encerramento temporário de várias gasolineiras. Segundo revelou o Secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, ao MBC TV, o consumo atingiu números recordes num único dia. “O consumo atingiu cerca de 4 milhões de toneladas de gasóleo e gasolina num único dia.”
Apesar de o Executivo garantir que exis-

tem reservas suficientes para cobrir o mês de Abril, o Secretário de Estado deixou um aviso, que os próximos dias poderão ser significativamente mais críticos.
A economia nacional continua refém de factores externos como o conflito no
Médio Oriente que é o principal factor de instabilidade que condiciona o preço do barril, uma vez que Moçambique acompanha os preços do mercado global, qualquer oscilação externa reflecte-se imediatamente no mercado interno.






EXPORTAÇÕES PESQUEIRAS RECUAM 18% DEVIDO A RESTRIÇÕES DA ENTRADA DE ALGUMAS ESPÉCIES NO MERCADO ASIÁTICO
As exportações pesqueiras recuaram 18%, para cerca de 8 mil toneladas em 2025, face ao ano anterior. A queda “deveu-se a restrições da entrada da lagosta viva no mercado asiático”, em concreto na China, bem como a “problemas de colocação do camarão, peixe e cefalópodes nos mercados tradicionais”.
De acordo com dados da execução orçamental citados pela Lusa, as restrições impostas em mercados internacionais travaram as exportações pesqueiras, e acrescenta que o valor total de exportação alcançado em 2025 ascendeu a 46,5 milhões de dólares, menos 20% face a 2024. O documento refere que só a exportação de camarão rendeu a Moçambique no ano passado 16,3 milhões de dólares, menos 17% num ano, equivalente a 1.631 toneladas, enquanto a lagosta

recuou 19%, garantindo 2,5 milhões de dólares, de 160 toneladas.
O Governo espera uma estagnação na actividade de pesca em 2026, com um
crescimento de residual de 0,3% nas capturas, para 549.533 toneladas, liderada pelo sector artesanal, segundo dados oficiais citados pela Lusa.
CTA DEFINE ESTRATÉGIA COMUM PARA ACELERAR CONTEÚDO LOCAL EM MOÇAMBIQUE
OGabinete de Conteúdo Local (BCL) da Confederação das Associações Económicas (CTA) realizou recentemente a sua primeira reunião de coordenação com o objectivo de definir uma estratégia unificada para o desenvolvimento do conteúdo local no País. O encontro reuniu associações empresariais, profissionais e grupos de trabalho para alinhar a participação de empresas nacionais nas grandes cadeias de valor.
De acordo com o comunicado da CTA citado pelo “DE”, os investimentos em gás natural, especialmente na província de Cabo Delgado, foram identificados como uma oportunidade estratégica prioritária. No entanto, o entendimento consolidado no encontro sublinha que o conteúdo local não deve limitar-se aos hidrocarbonetos; sectores como a mineração, energia e turismo devem também assumir um papel activo na dinamização da economia interna. Durante a reunião, os participantes

identificaram obstáculos que precisam de intervenção urgente para que as empresas nacionais possam competir com eficácia. Entre as prioridades definidas destacam-se, o acesso à Informação, qualificação da mão-de-obra e clarificação legal.
Para Adrian Frey, presidente do Gabi-
nete de Conteúdo Local, o sucesso da iniciativa depende da capacidade de diálogo entre os diferentes intervenientes. “Esta coordenação entre a indústria e as partes interessadas é essencial para desenvolver empresas e criar empregos”, afirmou Frey, classificando o arranque dos trabalhos como positivo.




A edição 35 da Banca & Seguros mergulha no coração das transformações que estão a redesenhar o sistema financeiro, da ascensão das fintechs à nova arquitetura digital do dinheiro, revelando riscos, oportunidades e os interesses em disputa. Com uma abordagem crítica e aprofundada, esta edição desafia o leitor a repensar o papel da banca, da regulação e do consumidor num mercado em mutação acelerada. Entre análises exclusivas, entrevistas e dados reveladores, traça-se um retrato rigoroso de um sector em ponto de viragem. Uma publicação de referência, agora sob gestão editorial do grupo MBC, que afirma o seu compromisso com informação de qualidade e impacto.








