Projeto Sementes do Saber | AS-PTA | PB • Nov/2014 | Nº 024
Esperança, 18 de outubro de 2014 Eu me chamo Silvana Santino dos Santos. Moro com meus pais, Pedro Firmino dos Santos e Maria do Carmo Santino dos Santos. Eu tenho 26 anos, e tenho seis irmãos, são sete comigo. Moro no assentamento Cícero Romana I, situado no município de Esperança. Antes de morar no Assentamento, morava com minha família na comunidade de Timbaúba, no sítio de um padrinho, é assim como a gente o considerava. Passamos uma vida toda lá. Foi onde nasci e me criei. Só no ano de 2005, que passamos a morar no Assentamento. Quando chegamos lá não tinha energia e a casa era antiga, mas dava para morar. Nela tinha um tanque de pedra e uma lagoa em frente. Foi só com a desapropriação da terra que foi dividida em lotes e o lote da minha mãe ficou com 4,5 hectares. Faz mais ou menos 10 anos que a gente mora nessa área de Assentamento. Foi lá onde eu comecei a me inserir dentro da comunidade. Passei a ser secretaria na Associação do Assentamento, onde permaneço até hoje. Foi onde vi que era pouco só trabalhar com minha mãe na roça. Resolvi acompanha o Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra. Passei a ser educadora do Brasil Alfabetizado por uns dois anos seguidos. Já participava das atividades do Sindicato do município, quando o movimento (MST) avaliou que meu desempenho era muito bom, por eu já ser agricultura e filha de assentada, que eu deveria fazer curso de militância. Fui escolhida a participar do curso de dirigente em Fortaleza, na Escola Florestan Fernandes, com duração de um mês. Quando voltei do curso, comecei militar no Sertão do estado, no Alto Sertão no Vale do Piancó. Lá eu fiquei na organização de famílias agricultoras acampadas durante um ano. Em 2014 retornei para casa e voltei a cultivar junto com minha família. Hoje sou professora do EJA e ensino a jovens e adultos. Participo das Comissões do Sindicato, mas tenho minhas atividades agrícolas. Planto feijão, ajudo na colheita, na limpa do roçado, no meu dia-adia. Sempre participo de reuniões do Sindicato e do Polo da Borborema. E por ser professora, vou dar aulas à tarde e pela manhã, dedico às atividades voltadas para a roça e aos afazeres da casa, tenho minha galinha e um galo que dou milho para eles pela manhã. Nos sábados vou para a feira agroecologia junto com minha mãe. Na agricultura o que mais gosto de fazer é a limpa do feijão, porque se reúne toda a família, é quando fazemos uma festa no roçado. Como minha família é muito grande, quando estamos todos juntos sobra alegria para todo lado. O resultado da roça é armazenado uma parte para o próximo ano e a outra parte é
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para o consumo da família, porque mesmo tendo banco de semente no Assentamento onde moro, meu pai acha melhor que as sementes fiquem armazenadas em casa. Sempre nos juntamos todos para guardar parte em garrafas pet. Quando eu era ainda criança não trabalhava, porque era muito pequena. Com meus sete anos ficava mais em casa cuidado dos meus irmãos que era mais novos do que eu. Um dia pedi a minha mãe para me levar junto com ela, já que nós ainda morávamos na comunidade de Timbaúba, no sítio do meu padrinho. Lá a gente só tinha direito a casa, não tinha roçado para plantar, mãe tinha que ir trabalhar de aluguel (de alugado) para ajudar o meu pai no sustento da família. Então certo dia fui junto com ela para o roçado, era época de colheita de batatinha, e eu era tão pequena que não sabia fazer nada. A partir desse dia, ia sempre junto com ela, observava o que minha mãe fazia, e foi então que aprendi com ela como se juntava batatinha no roçado, como apanhava erva-doce, como eu podia usar a enxada na arranca do feijão. Hoje me sinto feliz por ser agricultora porque com toda luta, depois de muitas conquistas, só em saber que antes nós não tínhamos onde plantar e hoje temos a terra, isso é muito gratificante, não só para mim mais para toda minha família, porque foi através dessa terra que aprendemos a ser agricultores-experimentadores. Cada dia que se passa, mais eu tenho orgulho de ser agricultora e o Sindicato junto com o Polo vem ajudando muito nesse desempenho, porque através da agricultura descobri que posso ter conhecimento e mais experiência enquanto jovem. Para meu futuro penso em continuar exercendo minha função de agricultora, com mais conhecimento, adquirindo junto com outros jovens, porque uma pessoa sozinha não consegue fazer nada, mais quando se junta toda a juventude, aí sim faz toda a diferença. Eu diria para outro jovem que não se desanime, junte-se, porque todos juntos fazemos mais. Que procure um grupo de jovem no seu município e ajude fazer a diferença. Que procure sempre buscar conhecimento dos mais velhos por eles tem muito a ensinar. E que não desista da agricultura porque nela se pode ter um futuro melhor, basta só buscar e correr atrás. Essa foi um pouco da minha história onde me descobri como sendo agricultora. Busquei vários caminhos para me encontrar, mas nunca saí da realidade de ser uma agricultora, de buscar caminhos e conhecimentos para construir junto com minha família uma agricultura saudável, livre de agrotóxico, levando para os consumidores da Feira Agroecológica do município mais saúde. Com isso termino minha história dizendo “JOVEM QUE OUSA LUTAR CONSTROE UM PODER POPULAR”.
Silvana Santino dos Santos