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Revista Agriculturas V5, N3 - Artigo 4

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Essa terra dá mais legume:

construindo a qualidade do solo no Sertão Central do Ceará ssa terra dá mais legume”; “A terra daqui tem mais força”; “tem mais bicho”; “tá mais fofa”; “pega mais água”. Essas são algumas das expressões utilizadas por agricultores(as) familiares do sertão cearense quando perguntados a respeito das áreas de cultivo que vêm conduzindo a partir de princípios agroecológicos. Para chegar até esse ponto, um longo caminho foi percorrido, não só por eles, mas também por todos que viveram e vivem essa realidade, no caso por técnicos(as) do Esplar – Centro de Pesquisa e Assessoria, assim como da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“E

Tudo começou em 1989, a partir da observação de um agricultor que constatou a viabilidade da produção de algodão numa época em que todos estavam desestimulados por conta do intenso ataque do bicudo do algodoeiro1. Essa observação incentivou o início de uma caminhada em busca de alternativas técnicas para a produção do algodão que tem sido marcada por épocas de grandes expectativas e por outras de frustrações. No 1

O bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis) é um inseto-praga nativo do México. O primeiro relato oficial de sua ocorrência no Brasil data de 1983. (Nota do editor).

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Agriculturas - v. 5 - no 3 - setembro de 2008

Fotos: Arquivo Esplar

Teógenes Senna de Oliveira e Ana Leônia de Araújo

Algodão consorciado

entanto, o acúmulo de conhecimento é a marca principal desses anos de trabalho conjunto. A cultura do algodão é uma atividade econômica tradicional no estado e no Nordeste brasileiro, mas que atualmente vive um momento de crise. Ela sempre esteve associada à agricultura familiar, seja em suas pro-


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