ANO XIII
JULHO / AGOSTO
Nยบ 78
Página 02
Julho / Agosto
o ovelheiro
EDITORIAL Este é um momento de extrema importância para mim e para a ASPACO. Para mim por estar escrevendo meu primeiro editorial do informativo O Ovelheiro e para a ASPACO por estar reativando este importante e agradável instrumento de levar as informações Arnaldo dos Santos Vieira Filho de nosso meio aos assoPresidente ciados e a todas as pessoas que recebem o informativo, por serem de alguma forma, nossos companheiros de atividade. Meus cumprimentos ao Márcio Armando Gomes de Oliveira, organizador e redator deste informativo, que, apesar de seu tempo escasso, dividido entre visitas técnicas, assessorias, palestras, cursos, julgamentos de classificação de animais em todo o país, ASPACO, canários, e sua família entre outros, está se dedicando novamente ao O Ovelheiro. Gostaria de dizer que nossa associação está trabalhando em prol da ovinocultura a todo vapor, junto à Secretaria de Agricultura e Abastecimento no que diz respeito aos financiamentos do FEAP e na implantação e adequação do PNSCO, Programa Nacional de Sanidade Caprino Ovina, com o Programa Brasileiro de Qualidade do Couro, com o SEBRAE, com o Sistema FAESP/SENAR-AR/SP, com a EMBRAPA e vários outros parceiros, sem deixar de falar nas inúmeras ações, feiras e exposições que temos dado apoio e participação, eventos consolidados e emergentes com grande potencial. Lançamos em parceria com o SENAR-AR/SP o Programa de Capacitação na Ovinocultura, que é constituído por uma série de cursos relacionados entre si, visando atender às necessidades de capacitação de mão de obra, possibilitando aos criadores o desenvolvimento sustentável da atividade, bem como a oferta ao mercado de um produto que atenda às suas exigências. Os cursos estão acontecendo, vejam em nosso site, que por sinal está cada vez melhor, confira!
Tenho a honra de comunicar a criação de novos núcleos regionais como o da região de Assis, São Carlos e Presidente Prudente, que juntos com Araçatuba, Lins, Botucatu, Tietê, Ourinhos, Fartura e São João da Boa Vista, fazem o rol de núcleos regionais oficializados pela ASPACO no momento e temos vários outros “saindo do forno”. Nossa sede está passando por uma reforma e reestruturação, sempre com a intenção de melhorar nossos serviços, a recepção dos visitantes e dos associados, e o bem estar de nossos funcionários. Para finalizar, gostaria de manifestar minha satisfação de estar dirigindo a ASPACO, que está crescendo e se fortalecendo de forma alicerçada. Conte conosco! Pedi um pequeno espaço neste editorial para manifestar minha satisfação em, novamente, poder contribuir com a associação, mais precisamente na divulgação e informação através de O OVELHEIRO. Devo desculpas aos nossos associados e antigos leitores por tanto tempo de ausência. O crescimento da ovinocultura levou-nos a nos concentrar em atividades mais exigentes, como prestadores de serviços que somos, faltando, desta forma, o tempo para se dedicar ao informativo. No entanto, os pedidos de quem já conhecia o O OVELHEIRO e as reclamações diretamente relacionadas com a falta de informações nos fez repensar e nos ajustar para reativar este projeto. É elementar que os ovinocultores paulistas não estão totalmente desamparados. Afinal de contas, hoje contamos com as revistas O BERRO e OVINOS, além de sites e páginas na internet. Mas O OVELHEIRO é paulista. Tem como obrigação passar as informações do que acontece na nossa ovinocultura. Esperamos contar com a participação dos criadores e patrocinadores. E aos criadores, lembramos: o informativo está à sua disposição; ele pode ser o meio de adquirir conhecimentos técnicos, meio de saber o que aconteceu e o que acontecerá e até um meio de manifesto sobre os assuntos ligados à ovinocultura. Obrigado por reclamarem a nossa falta. Zoot. Márcio Armando G. de Oliveira Diretor Técnico
AGENDA 1º LEILÃO RARIDADE – Boer, Santa Inês e Dorper Dia 09 de Setembro de 2005 Local: Expo Feira – Feira de Santa/BA Informações: Leilo Norte 71-3347.8186/9138.9356
AREA – Associação Riopretensse da Exposição Agropecuária Dia 07 a 16 de outubro de 2005 Local: Recinto de Exposições Alberto Bertelli Lucatto - São José do Rio Preto/SP
EXPOINÊS - Exposição de Ovinos da Raça Santa Inês Dia 25 de setembro a 02 de outubro de 2005 Local: Parque de Exposição Fernando Costa – Uberaba/MG Programação: 18 a 21/09 – entrada dos animais 22 e 23/09 – admissão e pesagem dos animais 25 a 28/09 – julgamento de classificação 02/09 – saida dos animais 1º LEILÃO GRIFES SANTA INÊS DE PRENHESES Dia 27 de setembro de 2005 Local: Tatersal ABCZ – Uberaba-MG Horário: 16:00h - Informações: Remate Leilões 11 - 3872-5777 1º LEILÃO GRIFES SANTA INÊS DE ANIMAIS Dia 28 de setembro de 2005 Local: Tatersal ABCZ – Uberaba-MG Horário: 16:00h - Informações: Remate Leilões 11 - 3872-5777 2º SIMPÓSIO INTERNACIONAL DA OVELHA Dia 29 e 30 de setembro de 2005 Local: Bagé/RS Promoção: Fecolã - Informações: Felocã 51-3225.1433 1º LEILÃO CAPITAL SANTA INÊS Dia 10 de outubro de 2005 Local: Villa Country – São Paulo/SP Realização: Beto Duwel - Informações: MBA Leilões 11 – 3067.6111
EXPEDIENTE
“o ovelheiro” - órgão informativo da Associação Paulista de Criadores de Ovinos ASPACO. Rua Marcelo Giorgi, 69 - Jardim Progresso (14) 3841.6841 - São Manuel / SP e-mail: aspaco@aspaco.org.br
Para obter maiores informações sobre os cursos Senar, procurar o Sindicato Rural mais próximo. Organização, Redação e Revisão: Márcio A. G. de Oliveira Jornalista Responsável: Rita de Cássia Toneta da Fonseca- MTB 42120/SP Impressão e Diagramção: Gráfica e Editora do Lar Anália Franco
Qualquer matéria deste jornal poderá ser publicada em outros veículos desde que seja citada a fonte.
o ovelheiro
Julho / Agosto
Página 03
OVINOTÍCIAS ARCO: DIRETORIA MANTIDA Paulo Schwab e sua diretoria permanecem no comando da ARCO – Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos depois de conturbada eleição no dia 30 de agosto do ano passado, durante a EXPOINTER em Esteio/RS. É o quinto mandato consecutivo do Méd. Veterinário Paulo que disputou com Jair Menezes, criador e Presidente nos anos de 1986 a 1988, a presidência da entidade. Esta eleição também foi marcada por ser a primeira vez que duas chapas se enfrentaram. Segundo Schwab, os trabalhos continuam, priorizando, no entanto, os convênios com reconhecidas instituições de pesquisa e ações mais próximas às câmaras setoriais da ovinocultura. Vale ressaltar o excelente trabalho realizado por Schwab e sua diretoria, que, quando assumiram a ARCO em 1992 encontrou a associação em dívidas deixadas por diretorias passadas. Na prestação de contas durante a assembléia a ARCO mostrou que colocou o caixa em ordem, pagou as dívidas e, até o momento, mantinha recurso suficiente para a futura administração. Diretoria – ARCO (2.004 – 2.006) Presidente: Paulo Afonso Schwab 1º Vice-Presidente: Teófilo Pereira Garcia 2º Vice-Presidente: Suetônio Vilar Campos 1º Secretário: Wilson José Mateo Dornelles 2º Secretário: Manuel Rossel Sarmento Conselho Fiscal – Titulares: Luiz Alfredo Horn Júnior; Carlos Alberto Teixeira; Wilson Belloc Barbosa Suplentes: Antônio Gilberto da Costa; Volnei Afonso Merino; Clóvis José Menegatti
Sendo hoje, o Santa Inês, a raça mais criada na maioria dos estados brasileiros, é fundamental que exista uma entidade promocional que a promova e que defenda os interesses de seus criadores. Paulo Farha já está revendo a questão estatutária da ABSI, bem como os regulamentos do ranking nacional das exposições oficiais que, ultimamente, têm gerado vários pontos conflitantes. A Diretoria da ABSI é formada por: Presidente: Paulo César Rebeis Farha - SP 1o Vice – Presidente: Álvaro Lins Borba – PB 1o Tesoureiro: Rodrigo Cansanção Loureiro – AL 2o Tesoureiro: José Albérico de Souza Azevedo – AL 1o Secretário: Francisco Edílson da Costa Maia – AL 2o Tesoureiro: Carlos Augusto Silveira Sobral – SE Diretor de Divulgação: Tomaz Quintas Radel - BA Diretor de Eventos: Marcelo Aguiar Fasano – SP Diretoria Técnica: 1. Weaver Braga – CE 2. Joselito de Araújo Barbosa – BA 3. Edmilson Lúcio de Souza Júnior – PB 4. Rodrigo Orzil Viana – MG 5. Marcos de Oliveira Franco – SE Conselho Consultivo: 1. Fernando Lopes de Farias – AL 2. Luiz Felipe de Almeida Brennand – PE 3. Ricardo José Schmidt Falcão – BA Conselho Fiscal: 1. Marcelo Tavares de Melo - PE 2. Marco Antônio Cabral Maranhão – AL 3. Isnar Ferreira Bastos Filho – AL Conselho Suplente Fiscal: 1. Pompeu Gouveia Borba – PB 2. José Geraldo Dórea – SE 3. Frederico Guilherme Rocha Bezerra - PA
CRIADORES DE DORPER SE ORGANIZAM EM SÃO PAULO Depois da reunião em dezembro, durante a exposição de Salvador/BA, finalmente a ARCO reconheceu a ABC DORPER – Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Dorper como a única entidade promocional registrada da raça. Está inscrita no Ministério da Agricultura sob o nº PR – 005 data 28/09/2000 no livro nº 3A de registro geral de entidades. Em São Paulo, durante a FEINCO em março, Dr. Walfrido Leal, Taeke Greidanus e Valdomiro Poliselli Jr. assumiram os cargos de Presidente, 1º Vice-Presidente e 2º Vice-Presidente da ABC DORPER, respectivamente. Na reunião determinou-se, também, que núcleos estaduais de criadores terão autonomia, mas serão supervisionados pela entidade nacional. Quanto ao aspecto técnico, o Conselho formado pelo Presidente Joselito Araújo Barbosa e os Inspetores Técnicos Márcio A. G. de Oliveira e Giancarlo Antoni ficou com a incumbência de traçar o que queremos do Dorper no Brasil. Uma das questões, por exemplo, é a exigência da pontuação 4 ou 5 para fêmeas e 5 para machos, dentro da classificação do padrão sul-africano, quando se tratar de importação de animais vivos ou embriões. O núcleo paulista do Dorper, também, já se organizou. Durante a FEICORTE, em junho passado, mais de 35 criadores se reuniram e sob o comando de Valdomiro Poliselli Jr. estabeleceram metas para a raça no Estado.
ABSI EM SÃO PAULO Tendo que se ausentar da ovinocultura por motivos particulares, Givago Tenório passa o cargo de Presidente da ABSI – Associação Brasileira do Santa Inês ao 1º Vice, Paulo César Rebeis Farha (Faz. Caruana – Bauru/SP). Apesar da ABSI estar sediada no recinto de exposições em Maceió/AL, Farha terá que contar com o apoio de sua diretoria e dos criadores para manter o crescimento da raça no país.
PROGRAMA NACIONAL DE SANIDADE DE CAPRINOS E OVINOS No dia 2 de junho esteve na ASPACO, o Dr. Otávio Diniz, da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e representante do Estado junto ao Programa Nacional de Sanidade dos Caprinos e Ovinos (PNSCO). Em reunião com o Presidente Arnaldo dos Santos Vieira Filho (Dindo), contando, ainda, com o Vice-Presidente Gustavo Martins Ferreira e o Conselheiro Técnico Dr. Luiz Cláudio Mendes, Dr. Otávio informou que a oficialização do PNSCO ocorrerá em breve. Para o acompanhamento deste programa será formado um Comitê Estadual de Sanidade Ovina e Caprina no qual a ASPACO poderá indicar dois membros (médicos veterinários) para dela, fazer parte. Determinou-se, além, que ações conjuntas entre a Coordenadoria de Defesa Agropecuária e ASPACO serão tomadas para promover a melhoria sanitária de nosso rebanho.
ATENÇÃO AO COURO O SEBRAE e o CICB - Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil assinaram, em outubro de 2004, uma parceria para a realização do Programa Brasileiro da Qualidade do Couro. Este, como o próprio nome já diz, objetiva a melhoria da qualidade do couro, já que, atualmente, perdemos mais de U$ 1 bilhão pela desqualificação deste produto. O programa contempla o repasse das melhores práticas, como a fase de manejo do animal na propriedade, transporte deste até o frigorífico ou matadouro, processo de esfola e as fases do curtimento. Promoverá os couros bovino, bubalino, caprino, ovino e peles exóticas (peixes, rãs, jacarés, avestruz, bucho e rumem de boi, pés de peru entre outros). O evento de lançamento do Programa Brasileiro da Qualidade do Couro ocorreu no último dia 09 de junho no escritório do SEBRAE em Presidente Prudente, contando com a participação da ASPACO, na presença do Presidente Dindo.
Página 04
Julho / Agosto
NOVA DIRETORIA DA ASPACO Mesmo que todos os associados da ASPACO já tenham recebido esta informação, reserva-nos o direito de anunciar os novos diretores para o biênio 2.005/2.006, visto que esta é a primeira edição de O OVELHEIRO depois da eleição. A Assembléia Geral que definiu a nova Diretoria da ASPACO ocorreu no dia 12 de março, na sede da associação em São Manuel. A chapa única liderada por Arnaldo dos Santos Vieira Filho, o Dindo, foi aprovada de forma unânime. Alguns diretores permaneceram, como o próprio Dindo, que, como 2º Vice-Presidente na diretoria anterior, já assumia a ASPACO após o afastamento de Luís Henrique Fernandes. O Ex-Presidente foi obrigado a deixar a associação por questões profissionais, mudando-se para Rio Verde/GO. A Diretoria da ASPACO para os dois próximos anos está formada por: Presidente – Arnaldo dos Santos Vieira Filho 1º Vice-Presidente – Paulo César Rebeis Farha 2º Vice-Presidente – Gustavo Martins Ferreira 1º Secretário – André de Camargo Assumpção 2º Secretário – Carmen Cecília Sicherle 1º Tesoureiro – Willen Alexandre G. Bortotti 2º Tesoureiro – Claúdia da Costa Boucinhas Diretor de Eventos – Ismael Daldon Jr. Diretor de Núcleos Regionais - Francisco M. N. Fernandes Diretor Técnico – Márcio Armando G. de Oliveira Conselho Fiscal e Consultivo – Bruno Garcia Moreira; Luiz Fernando da Rocha Gottardi; Vera Aun Abrahão Suplentes – Paulo Pellicci; Luis Henrique Fernandes
o ovelheiro
o ovelheiro
Página 05
Julho / Agosto
O PLANTEL DE OVINOS Por Márcio Armando G. de Oliveira Zootecnista, Especialista em Produção de Ovinos Inspetor e Diretor Técnico – ASPACO
INTRODUÇÃO O plantel, ou seja, a criação voltada para produzir matrizes e reprodutores é um dos possíveis sistemas de produção de ovinos no Estado de São Paulo. Fazer deste sistema um negócio rentável é o que nos preocupa como técnico em ovinocultura porque observamos uma série de erros que vão desde a formação deste plantel até o processo final, a comercialização, passando por todas as etapas da criação. Vimos, ao longo deste artigo, chamar a atenção para aspectos importantes a serem seguidos na dedicação aos plantéis. Nestes 17 anos trabalhando como Inspetor Técnico ao lado dos criadores selecionadores acumulamos algumas experiências que, dentro do possível, citaremos como exemplos, aliando-as aos pontos de vista e conceitos da zootecnia para contribuir com esta “arte”.
UM PROJETO INICIAL Vamos partir do princípio que o produtor quer criar ovinos. Como é de praxe, o indagamos sobre as características da propriedade, localidade e qual o objetivo da criação. Estas informações iniciais são importantíssimas. É com este diagnóstico que poderemos propor um sistema de produção. Portanto, em primeiro lugar: consulte um técnico e solicite um projeto de criação ou se oriente quanto ao projeto que você idealizou, se é viável e aplicável às suas condições.
to em um rebanho comercial como em um plantel. Não podemos esquecer que os rebanhos selecionadores devem fazer uma boa apresentação de seus exemplares. Portanto, um local de preparo para uma exposição e leilão é fundamental. Trata-se do que muitos chamam de “cabanha”. Esse conjunto de baias sob uma cobertura individualiza ou mantém alguns animais juntos durante um período. A cabanha deve oferecer conforto aos animais. As instalações elevadas com pisos ripados, chamadas apriscos, não têm mais justificativa de uso. Ainda muito utilizadas para preparar animais de lã no Sul, sabe-se hoje dos resultados negativos nos aprumos dos borregos mais pesados em recria, principalmente daqueles de raças tipo carne. Um piso que permita boa lixiviação da urina e forrado com uma cama adequada é a melhor opção. A cabanha deve ter boa ventilação sem, no entanto, permitir correntes de vento e acesso de chuva. As baias devem dispor cochos, bebedouros e local para volumoso, como fenil, de tal forma que os ocupantes não precisem disputar espaço, alimento, sal mineral e água. Instalações já existentes, como barracão de leite e granjas desativadas, normalmente, prestam-se à criação de ovinos; bastam pequenas adaptações procurando sempre o conforto dos animais.
O AMBIENTE Em São Paulo não observamos condições climáticas inviáveis à criação de qualquer raça ovina disponível no país, quando se pensa na formação de plantéis. Mas, é possível que se encontre microclimas específicos em algumas áreas do Estado que limitam o bem estar e a saúde dos animais. Tais características obrigam os criadores a fazer adaptações nas instalações e manejos para contornar a ação negativa do ambiente. O mais adequado, no entanto, é buscar raças adaptadas a tais condições. Avaliar a origem e o desempenho das raças ovinas no seu ambiente de formação é um parâmetro fundamental na implantação do plantel. Baixos índices reprodutivos, desenvolvimento retardado, deficiente desempenho de produção e constantes problemas sanitários são, geralmente, observados em rebanhos não adaptados. Podemos citar como exemplo, os altos índices de verminose observados em raças produtoras de lã fina, como a Merino Australiano e a Ideal em ambientes cuja umidade favorece a sobrevivência das formas livres de parasitas gastrointestinais. Nada surpreendente quando lembramos que ambas são raças originárias de regiões semidesérticas da Austrália, que se caracterizam pelas altas temperaturas e baixa pluviosidade.
OVELHAS EM PASTAGEM DE COAST CROSS
INSTALAÇÕES Mesmo sendo a ovelha um exemplar de pequeno ou médio porte e de fácil manipulação, certas instalações são necessárias para o perfeito manejo. Um centro de manejo, ou seja, um conjunto de currais, seringa e tronco provido de pedilúvio facilita as separações e os trabalhos mais comuns como vermifugação, vacinação, tratamento dos cascos, etc., tan-
COCHOS PARA FORA DA BAIA EM CABANHA
A PASTAGEM A espécie ovina é um ruminante. Como tal, pode utilizar apenas a pastagem como recurso nutricional para atender suas necessidades fisiológicas e de produção. Apesar de o produtor saber que nos trópicos as pastagens têm uma fase de baixa qualidade e quantidade de matéria seca, é comum ver os animais do tipo ruminante passando fome na época de estiagem invernal. Não prevendo isto com antecedência, a compra de ração e alimentos suplementares leva à significativos aumentos de custo na criação. O quadro é mais drástico quando se pensa nos plantéis que, conforme já dissemos, devem apresentar bem seus reprodutores e matrizes de venda ou que irão aos julgamentos de classificação. Muitas vezes, quando o criador percebe o que está gastando passa a racionalizar o alimento dos animais levando-os ao emagrecimento e aos maus resultados produtivos e reprodutivos. O princípio básico da utilização das pastagens para ovinos nos mostra que, além da escolha das gramíneas apropriadas à espécie e ao ambiente (clima e solo), devemos dividir a pastagem, fazer o rodízio de piquetes, manter a qualidade de solo e racionalizar a produção de matéria forrageira, como conservar o excesso na época chuvosa. Certamente estes manejos de pastagem vão assegurar o mínimo para alimentar os animais e, principalmente no caso dos plantéis, para diminuir o custo de ração. Do ponto de vista do bem estar animal, temos observado indivíduos que ficam muito tempo confinados em baias úmidas, sombrias e pouco espaçosas. Estas condições levam à exagerada obesidade e problemas sanitários de origem bacteriana, como pneumonias. Basta soltá-los na pastagem para perceber o prazer que sentem ao “estarem livres”. Apesar de tanto tempo de domesticação, os ovinos ainda preferem pastar. Dois aspectos, ainda relativo às pastagens, deverão ser observados: cercas e sombreamento. As cercas para ovinos não devem causar ferimentos e prejuízos à produção. Estamos falando das cercas convencionais de arame farpado que provocam falhas nos animais lanados e podem ferir os deslanados,
Página 06
Julho / Agosto
deixando cicatrizes na pele e diminuindo seu valor comercial. As cercas de arame liso e as elétricas bem instaladas são recomendáveis. O sombreamento é essencial para garantir o conforto e evitar o estresse térmico que causa sérios prejuízos à reprodução dos ovinos. Mesmo as raças mais adaptadas às altas temperaturas procuram a sombra quando em pasto.
PASTAGEM SOMBREADA
A RAÇA Vários são os motivos para eleger uma raça com o objetivo de se montar um plantel. Seguindo uma determinada ordem de importância podemos citar: 1 - preferência e gosto particular do criador; 2 - a interação já citada genótipo/ambiente, ou seja, se a raça escolhida se adapta ao ambiente; 3 - objetivo da raça dentro da cadeia produtiva da ovinocultura; 4 - custo de formação do plantel; 5 - mercado consumidor dos reprodutores e matrizes produzidos. Basicamente diante dos itens 3 e 5 dos motivos para a escolha da raça acima citados é importante ressaltar que todas as raças são importantes dentro da cadeia produtiva da ovinocultura. Até uma raça especializada na produção de leite pode ter sua participação num processo de produção de carne. Na Europa, por exemplo, raças de boa habilidade materna são utilizadas para aumentar a disponibilidade de leite aos cordeiros terminais provenientes de um cruzamento triplo ou tri cross. Portanto, definindo quem consumirá os reprodutores e matrizes, define-se a raça. Cuidado, no entanto, deve ser tomado diante dos modismos. Lançados e mantidos por fortes grupos de produtores, a moda ilude novos criadores que se motivam ainda mais com os valores de comercialização. Aí, concretiza-se o que já cansamos de ver: a entrada na atividade na fase dos altos preços, o lançamento de grandes investimentos, o trabalho para produzir bons animais e a má comercialização destes, pois, o mercado entrou na realidade e os preços caíram. Concluímos que produzir reprodutores deve ter um objetivo mais técnico e concreto do que simplesmente participar das pistas de julgamento ou seguir uma tendência momentânea.
o ovelheiro
MELHORAMENTO E SELEÇÃO A seleção pode ser feita para várias características. Às vezes, ao se melhorar um índice piora-se outro. Tudo é normal e aceitável, já que o animal perfeito não existe e muitas das características produtivas têm correlação negativa. Exemplo: em raças produtoras de lã fina, ao se procurar velos de menor finura seleciona-se os de menor peso com fibras de menor comprimento. Dentro do plantel formado o criador deve ter objetivos. O seu rebanho deve ter uma marca registrada. Deve ter uma característica que complementará ou que, ao se recombinar com outra, leve ao indivíduo mais equilibrado e mais produtivo. Esse é o melhoramento que buscamos incessantemente. A seleção e o melhoramento genético do rebanho são as tarefas obrigatórias do cabanheiro. Mas, não são trabalhos tão simples. Os resultados podem levar anos, entre várias gerações, para se concretizar. O criador deve seguir uma boa orientação técnica e se conscientizar de que, além do difícil caminho, é possível simplesmente não se alcançar os resultados esperados por conta dos caprichos da genética. Existem programas de melhoramento genético desenvolvidos por órgãos de pesquisa, universidades e associações. É importante conhecer estes programas e aplica-los. É inadmissível, por outro lado, que o cabanheiro se baseie em características sem justificativa técnica para fazer seleção. A raça Suffolk passou por esta calamitosa situação, na década de 90. Vários criadores pararam de criar quando descobriram que o desempenho dos produtos importados dos E.U.A. e Canadá, bem como de seus filhos, não era dos melhores nas nossas condições pastoris. Estes criadores se iludiram inicialmente com os resultados dos julgamentos nas exposições, quando norte- americanos faziam o trabalho de classificação. Os ex-cabanheiros da raça Suffolk poderiam continuar a ter sucesso, mesmo não premiando seus exemplares em pista. Fomos testemunhas de uma famosa criação desta raça que chegou a fazer a Grande Campeã na disputada EXPOINTER em Esteio/RS. Quando deixou de ganhar prêmios, continuou a comercializar bem os seus produtos, pois outros cabanheiros precisavam das características dos importados (altura e comprimento) para melhorar seus plantéis. No entanto, a desilusão nas pistas foi tão grande que o trabalho de seleção se perdeu ao vender todo o rebanho. Baseado nesta experiência fica a sugestão: selecione aquilo que mais lhe agrada; seus produtos serão importantes em outros plantéis e, um dia, eles poderão ser os melhores.
O MANEJO Como em todas as criações um manejo mínimo deve ser aplicado para garantir a saúde e o bom desempenho do plantel. Se um produtor comercial não vacinar seus cordeiros contra as clostridioses, por exemplo, muitos poderão morrer levando a um prejuízo do sistema. Mas, se um cabanheiro vender um borrego não vacinado que vier a morrer, o problema é bem maior. Além da reposição, ficará o descrédito. Portanto, as práticas sanitárias, nutricionais e reprodutivas devem ser bem aplicadas ao plantel. A imagem do rebanho bem manejado é a maior propaganda de seus produtos e da atividade de um modo geral.
OS ANIMAIS
REGISTRO
É comum se basear no fenótipo, ou seja, nas características visuais para escolher os indivíduos que comporão o plantel. Observamos, no entanto, vários produtos que são quase perfeitos, mas não produzem bem. “Não produzir bem” vai desde a infertilidade até a produção de indivíduos muito inferiores, zootecnicamente falando. Por outro lado, sabe-se de reprodutores aparentemente ruins, mas responsáveis por premiadas progênies. Realmente a genética não é matemática. Se fosse, certamente seria muito fácil ser um grande cabanheiro. Para ilustrar um pouco esta realidade, cito um ex-criador paulista que, ao adquirir um Grande Campeão em Esteio/RS, “virou cabanheiro” e utilizou o famoso carneiro em suas oito fêmeas PO; seis pariram e, para nossa surpresa ao realizamos a inspeção ao pé-da-mãe, identificamos dois cordeiros monorquíticos (possuíam apenas um testículo) e um retrognata (má formação crânio-facial caracterizada pelo queixo curto). Conclusão: o Grande Campeão produziu 50% de cordeiros com defeitos graves. Antes de mais nada, o plantel deve ser formado por animais saudáveis. Estes, ainda, devem ser reprodutivamente perfeitos e se possível, com descendência comprovada. Há plantéis onde se detecta ovelhas com subfertilidade ou com baixa habilidade materna ou extremamente susceptíveis a determinadas enfermidades, mas que pelo fato de serem premiadas e vistosas permanecem no rebanho. Os defeitos apontados, entretanto, são geneticamente transmissíveis com herdabilidade suficiente para que se repitam em suas filhas. Será, então, interessante mantermos este indivíduo no plantel?
Se o objetivo é a venda de reprodutores, eventualmente o rebanho deverá ser registrado. A fidelidade dos dados deverá ser garantida pelas anotações que serão passadas aos inspetores técnicos e ARCO – Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos. Dentro do Capítulo V do Manual Técnico da associação, “Dos Criadores e suas Obrigações”, selecionamos: Inscrever os animais adquiridos; notificar a cobrição, nascimento e anexo complementar da notificação de nascimento; solicitar inspeção ao pé-da-mãe dos produtos PO e PCOC, bem como para confirmação; fornecer, quando necessário, atestado de cobrição e autorização de transferência; aceitar as inspeções determinadas pela ARCO em seus estabelecimentos. O cumprimento destas e das demais normas é importante para garantir a credibilidade e o controle do rebanho. Infelizmente muitas cabanhas têm feito péssima propaganda ao comercializarem animais com documentação irregular, por não fornecerem o registro e autorização de transferência e por não comunicarem a posição reprodutiva das matrizes e seus produtos. É aceitável não autorizar a transferência de produto enquanto não terminar o acerto financeiro por parte do comprador. No entanto, podem ser fornecidas cópias das documentações citadas. Caso contrário, o processo segue para uma verdadeira bagunça, sobrando para o inspetor técnico e associações o dever de regularizar os registros. Isto leva tempo, caindo, sobre a associação,
o ovelheiro
Página 07
Julho / Agosto
a culpa pelos atrasos no fornecimento das documentações. Ser bom cabanheiro, também, exige atenção para os aspectos burocráticos. Ficar em dia com as anuidades e emolumentos das associações, bem como com os serviços de registro prestados, também, é obrigação do cabanheiro e propaganda positiva de sua criação.
O PREPARO DOS ANIMAIS Como já dissemos, matrizes e reprodutores devem estar bem preparados num plantel. Essa boa apresentação leva em consideração uma boa condição corporal, sem, no entanto, apresentar acúmulo de gordura. Animais obesos têm: dificuldade de se locomover, alterações na reprodução (infertilidade) e riscos de problemas cardíacos. Entre os efeitos da superalimentação, há vários casos registrados de intoxicação como a cúprica e a enterotoxemia. Para se conquistar um prêmio, quantidades anormais de concentrado são fornecidas antes e durante a exposição. Após serem comercializados, vêm a óbito como seqüela do manejo nutricional errado. Atenção: não é preciso exageros nos pesos dos ovinos participantes de um julgamento de classificação; avaliar conformação carne não é avaliar peso corporal. Os produtos que vão para as pistas de julgamento devem ser cabresteados. Esse processo de mansidão facilita a avaliação feita pelo jurado. É interessante que durante o cabresteamento na propriedade seja simulado um julgamento para adaptar o animal. O aparo dos cascos é outro manejo importante para uma boa apresentação. Alguns problemas de aprumos, inclusive, podem ser corrigidos com o casqueamento. Em raças lanadas, é imprescindível o preparo da lã. Nas raças produtoras de lã fina, o velo é o principal ponto de comparação e determinador dos resultados. Nas raças tipo carne, é comum a lavagem, cardagem e aparo da lã, sendo que, para cada raça, há um preparo específico. Determinadas exposições exigem o Controle de Tosquia. Feita pelo Inspetor Técnico, este controle permite padronizar a altura de lã dos animais em pista. Nas raças deslanadas vale a lavagem e escovação do pêlo para, simplesmente, melhorar a aparência dos produtos. Toda e qualquer prática que tentar ludibriar o jurado é considerada ilegal. É possível enganar a todos num momento como o do julgamento. Mas o infrator estará se enganando quando utilizar um reprodutor que transmitirá defeitos ao seu plantel ou ao dos outros.
AS EXPOSIÇÕES As exposições e mostras de ovinos fazem parte da vida dos cabanheiros, tanto para mostrar e comercializar seus produtos, quanto para adquirir novos reprodutores e matrizes. Elas são vitrines que expõem os resultados do árduo trabalho de seleção. Numa exposição é possível se confraternizar, se atualizar e aprender, além de poder comparar o seu nível de criação com o dos outros produtores. É comum, criadores que não têm o hábito de visitar os eventos acharem que seus animais são superiores. Sabe-se que toda etapa de participação dos eventos requer gastos, como exames, transporte, despesas com o funcionário, hotel, inscrição e comissão de vendas. No entanto, eles devem ser computados quando se planeja um plantel. Cabe, também, selecionar os eventos mais importantes, ou seja, aqueles que podem oferecer resultados positivos de propaganda e comercialização dos produtos.
JULGAMENTO
A DIVULGAÇÃO Já escrevemos nesta matéria várias formas de divulgação e marketing da criação, como a participação nos eventos de ovinocultura (exposições e leilões) e a própria rotina de se organizar e bem apresentar seus animais, mesmo na propriedade. Os catálogos da propriedade ou da criação são meios de fazer a propaganda do plantel. Muitos impressionam pela qualidade gráfica e fotos. Cuidado, no entanto, com o que podemos chamar de propaganda enganosa: “VENDA PERMANENTE DE REPRODUTORES E MATRIZES” ou “REBANHO SELECIONADO A MAIS DE X ANOS PARA ......”.
COMERCIALIZAÇÃO Criar é, sem dúvida nenhuma, a parte mais importante do sucesso de um plantel. Mas, se não se concretizar uma boa comercialização, de nada valerá o esforço de criar. Não estamos falando dos altos preços anunciados nos grandes leilões. Queremos valorizar o bom senso e a racionalização da criação. Não adianta produzirmos reprodutores onde apenas um ou outro consegue ser vendido a preços lunáticos. E o restante? O cabanheiro deve ter liquidez total daquilo que é produzido para venda. Já ouvimos a frase “para vender por baixos preços, prefiro comer tudo”. Mas, a realidade é outra. O cabanheiro tem que pensar no rebanho comercial. Enquanto vende-se um reprodutor de dez mil para outro cabanheiro, vendem-se dez reprodutores de mil para os produtores comerciais. Os rebanhos comerciais são os grandes consumidores de carneiros. Portanto, vamos encarar o plantel de outra forma. Vamos focar a liquidez. Outro fator a ser considerado neste item é a definição de valores. Para se chegar aos preços de comercialização é preciso analisar os custos de produção e diferenciar valores para os diferentes produtos. O que não é recomendável é combinar com o comprador um valor e no ato da venda ditar outro, ou, o preço pela cara do freguês. Trata-se de uma péssima propaganda, quando o comprador perceber que foi vítima de uma gananciosa especulação. Conheço criadores que perderam grandes oportunidades de venda por indecisões provocadas pela “lei de querer levar vantagem sempre”.
O BOM RELACIONAMENTO A idéia de que existem vários cabanheiros fazendo o mesmo trabalho, infelizmente, é conflitante para alguns. Trata-se da concorrência que ao invés de ser considerada benéfica, por permitir a busca da melhora, é encarada como uma guerra, onde o adversário deve ser minado. Disso, surgem rixas entre criadores, entre criador e associação, ente criador e técnico, etc. O que queremos neste item é que se atente para os perigos do mau relacionamento. Independente do caráter e do jeito de cada um, é preciso se usar o bom senso, o bom humor, a paciência e a simpatia para garantir, mesmo sem ter o melhor plantel, a confiança e a credibilidade de todos os envolvidos na atividade.
A ÉTICA Segundo Aurélio Buarque de Holanda, ética é estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. A falta de ética por parte de certos cabanheiros é a parte desanimadora de tudo o que envolve as criações do tipo plantel. Trata-se de um conjunto de atitudes que faltam com o respeito aos animais, aos técnicos e aos outros criadores, visando, quase sempre, um único objetivo: a premiação e a supervalorização de seus animais. Citar todas estas atitudes pode levar a um item muito extenso. Mas, algumas mais comuns ou mais inesperadas servirão de exemplos. Sabe-se que em qualquer espécie doméstica submetida à comparação para premiação, há muito tempo, utilizam-se produtos e drogas para melhorar o desempenho funcional ou a conformação, no nosso caso mais específico. Provar que determinados animais foram “bombados”, no entanto, é extremamente difícil. Produtos utilizados para melhorar a musculatura podem provocar distúrbios hormonais. Talvez seja por isso que encontramos belos exemplares que não se reproduzem. Recentemente nos chegou a notícia de que um funcionário aplicava, via oral, salmoura aos animais antes da pesagem na admissão, aumentando, assim, a ingestão de água e o peso corporal. Encaramos tais técnicas como ilegais, já que tentam mascarar um dado real.
Página 08
Julho / Agosto
Ainda relacionado ao peso dos animais, temos nos deparado com produtos com datas de nascimento adulteradas, mostrando serem mais novos do que na verdade são. A ABSI – Associação Brasileira do Santa Inês incluiu no seu regulamento de exposições uma regra para evitar que produtos com idade “roubada” sejam beneficiados. Os índices aplicados ao desvio padrão dos ganhos de peso médios da categoria não funcionam, porém, em todas as circunstâncias. Além dos métodos já citados, irregularidades como mudar pais de um produto, adulterar datas de cobertura e nascimento, trocar produtos, etc., já foram cadastradas. Ou seja, vale tudo para se conseguir um título. E infelizmente, ao invés de nos ocuparmos em idealizar um bom projeto de melhoramento e incrementar melhorias nos sistemas de produção, temos que perder nosso precioso tempo em busca de soluções para neutralizar os antiéticos. Na questão comércio dos animais, há produtores que se esquecem que dependem dos compradores para viabilizar seus negócios. Começam pelo mau atendimento. Depois contam várias mentiras para impressionar o comprador. Por fim, vendem o refugo, levando ao insucesso e desestímulo de um potencial ovinocultor. Outras atitudes estão relacionadas às acirradas exposições. Temos observado severas críticas aos técnicos das associações e aos jurados de pista. Por mais natural que sejam as discordâncias é inadmissível, entretanto, que os técnicos sejam humilhados e seus trabalhos difamados por criadores que não têm o conhecimento de zootecnia ou que, criando há alguns meses, já se acham no direito de contestar. Poucos entendem que os julgamentos são momentos de aprendizagem, onde os jurados, pela comparação, premiam e explicam o porquê estão premiando. É preciso entender que todos estão sujeitos à falhas. Um jurado pode não estar no seu melhor dia com reflexos negativos no trabalho, assim, como um borrego pode não se apresentar bem numa determinada exposição. Além disso, diferentes jurados podem ter diferentes critérios para julgar. A questão pessoal também deve ser levada em consideração; o que ele considera melhor, mais bonito, mais harmônico, etc. Todas as atitudes anti-éticas mencionadas acabam, por fim, tendo péssima repercussão no meio, além de possíveis penas. Até porque, mais cedo ou mais tarde, as irregularidades e más condutas são descobertas e comentadas
o ovelheiro
por todos. Conquistar a confiança e o sucesso pode levar anos, mas para perdê-los bastam poucos minutos.
CONCLUSÃO Concluímos que formar, manter e produzir a partir de um plantel não é fácil. É o sistema de produção de ovinos que mais requer a atenção do criador. Exige maiores investimentos, tecnologia e mão-de-obra qualificada. Podemos dizer que requer sorte, também, levando em consideração que a genética nem sempre premia com bons resultados. No entanto, tudo o que estiver ao alcance, dentro do permitido, deve ser feito, procurando os melhores resultados genéticos e deixando que se manifestem na sua totalidade. Para compreender a importância das cabanhas e da “arte” de criar reprodutores e matrizes é fundamental entender os motivos e os objetivos da ovinocultura.
REPRODUTOR DE EXPOSIÇÃO
CABANHA DO ANO 2004 Em 2.004 a ASPACO apoiou oito exposições de ovinos além das sete que, oficialmente, fazem parte do ranking paulista CABANHA DO ANO. Cumprindo os objetivos de difundir a ovinocultura e permitir a mostra do trabalho genético em desenvolvimento nos rebanhos, as feiras e exposições têm disputado a importância no circuito paulista. Esta saudável competição refletiu em eventos de alto nível, onde a presença, não somente de cabanheiros paulistas, mas de criadores de outros estados brasileiros aumentaram significativamente a quantidade e a qualidade dos animais expostos. Entre os novos eventos deste ano passado, se destacou a FEINCO – Feira Internacional de Caprinos e Ovinos, realizada em São Paulo no Parque de Exposições Imigrantes (antigo Parque de Exposições da Água Funda). Com uma estrutura inigualável, o Grupo Agrocentro, detentor do recinto, quer fazer da FEINCO uma FEICORTE – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne, hoje, uma das maiores feiras do gênero no mundo. A EXPOVELHA, o maior evento da ovinocultura paulista, em 2004 bateu os números anteriores. Reuniu em exposição 85 criadores com mais de 800 animais, e mantém-se como a única exposição específica de ovinos no Estado e uma das únicas no país. Crescimento considerável, também, foi identificado nas ranquiadas FACILPA (Lençóis Paulista), FAPI (Ourinhos) e GRAND EXPO – BAURU; e nas apoiadas de Fartura, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. A raça Santa Inês tem sido a mais numerosa nestes eventos. Mas, nota-se um crescimento das raças tipo carne como a Dorper. A comercialização de reprodutores e ovelhas de elite tem se mantido constante com preços mais modestos. Os resultados dos leilões comerciais não foram dos melhores em 2.004. No entanto, sabe-se da grande quantidade de matrizes vendidas diretamente nos criatórios ou através de distribuidores que vêm do sul ou do nordeste. Os resultados da CABANHA DO ANO por raça se encontram nas tabelas ao lado:
o ovelheiro
Julho / Agosto
Página 09
CABANHA DO ANO 2005 Em 2.005 a ASPACO resolveu atender os pedidos para ranquiar novas exposições. Aprovado em reunião de Diretoria, juntamente com as Comissões de Raças, foi aplicado um questionário à todos os criadores já participantes dos eventos em São Paulo. Foi pedido a indicação, dentro de uma lista de exposições, das preferidas para somar pontos para a Cabanha do Ano. No final do ano tivemos o seguinte quadro:
O concurso Cabanha do Ano de 2.005 se encontra assim:
a) Para a raça Santa Inês serão ranquiadas a FEINCO (março em São Paulo), FACILPA (abril em Lençóis Paulista), FAPI (junho em Ourinhos), EXPOVINOS (julho em Araçatuba), FEAPAM (agosto em Ribeirão Preto), EXPOVELHA (outubro em Lençóis Paulista) e GRAND EXPO BAURU (novembro em Bauru); o criador tem o direito de não participar de 2 eventos, ou seja, será considerado as 5 maiores pontuações; a EXPOVELHA terá peso 2 e o ranking termina em Bauru. b) Para as raças Suffolk, Ile de France, Texel, Hampshire Down e Poll Dorset serão ranquiadas a FEINCO, FACILPA, FAPI, EXPOVINOS e EXPOVELHA, com o término do ranking na EXPOVELHA que terá peso 2; serão consideradas as 4 maiores pontuações. c) Para as raças Dorper e White Dorper serão ranquiadas a FEINCO, FACILPA, FAPI, EXPOVINOS, EXPOVELHA e GRAND EXPO BAURU; serão consideradas as 5 maiores pontuações; a EXPOVELHA tem peso 2; e o término do ranking será em Bauru.
JULGAMENTO NA II FEINCO
MACUNA 2384 – GRANDE CAMPEÃ SANTA INÊS - FACILPA 2005
CARPA 1060 - RESERVADO GRANDE CAMPEÃO – SANTA INÊS - FACILPA 2005
BURIA 201 - GRANDE CAMPEÃO – DORPER - FACILPA 2005
ÁRVORE GRANDE 30 - RESERVADAGRANDE CAMPEÃ – ILE DE FRANCE - FACILPA 2005
STAND ASPACO EM PARCERIA COM O SENAR NA VIII EXPOVINOS
VPJ 006 – GRANDE CAMPEÃO – DORPER – VIII EXPOVINOS
PHILLIPSON 144-03 – GRANDE CAMPEÃO SUFFOLK – VIII EXPOVINOS
Página 10
Julho / Agosto
o ovelheiro
PARCERIA SENAR – ASPACO O SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural é uma instituição privada que tem como objetivo desenvolver ações da Formação Profissional Rural e da Promoção Social, levando ao homem do campo melhoria na qualidade de vida, profissionalizando-o e integrando-o à sociedade. O SENAR recebe do Governo Federal 0,2% do valor de todas as notas fiscais emitidas pelo produtor rural. A maior parte deste recurso é empregada nos cursos profissionalizantes que são inteiramente gratuitos, habilitando, treinando e certificando os participantes. A parceria com os Sindicatos Rurais permite que o SENAR realize cursos de ovinocultura, que fazem parte da pecuária dentro da linha de ação da Formação Profissional Rural. A captação do público alvo fica a cargo do coordenador, profissional ligado ao Sindicato Rural local. Identificando no mínimo 12 interessados, entre produtores e trabalhadores na atividade, justifica-se realizar o curso cujo pedido segue via projeto para o SENAR-AR/SP. Os cursos de ovinocultura pelo SENAR começaram em 1995, quando o zootecnista da ASPACO Márcio de Oliveira, através de um acordo informal e não oficial entre as entidades, passou a treinar o trabalhador na ovinocultura. O material didático utilizado foi a cartilha BASE PARA A CRIAÇÃO DE OVINOS NO ESTADO DE SÃO PAULO editada pela ASPACO. O crescimento da ovinocultura paulista nos últimos 10 anos levou a uma procura muito grande dos cursos de ovinocultura por parte dos sindicatos rurais. Essa crescente importância da atividade gerou uma reformulação total do processo de formação do trabalhador na ovinocultura. Com um convênio firmado em outubro entre ASPACO e SENAR-AR/SP, formou-se uma comissão para formatar um Programa de Capacitação na Ovinocultura. Dentro do novo programa, o antigo curso de “Manejo de Ovinos” foi dividido em 6 módulos com os seguintes cursos: I – INTRODUÇÃO À OVINOCULTURA 1. Sistemas de Produção 2. Custo de Produção II – MANEJO NUTRICIONAL 1.Formação e Manejo de Pastagens 2.Formação e Manejo de Capineiras 3.Produção de Silagem 4.Produção de Feno 5.Alimentação III – MANEJO DE REPRODUÇÃO 1. Manejo Reprodutivo IV – MANEJO DE CRIA E RECRIA 1.Manejo de Cria 2.Manejo de Recria e Engorda V – MANEJO SANITÁRIO 1. Controle de Verminose e Ectoparasitas 2. Controle de Doenças 3. Aplicação de Medicamentos e Vacinas
VI – ATIVIDADES DE SUPORTE 1.Cerqueiro 2.Tosquia 3.Preparo dos Animais para Exposição Cada curso terá uma cartilha específica com ilustrações e as práticas passo a passo. O material desenvolvido pelos técnicos da ASPACO está passando por uma revisão e deverá ficar pronto até dezembro. Além dos cursos de treinamento de instrutores, realizados normalmente pelo SENAR com o objetivo de desenvolver o processo ensino-aprendizagem, o zootecnista Teodoro Miranda e o grupo da ASPACO concluíram que era importante se fazer um outro treinamento para, principalmente, padronizar as informações técnicas nos cursos. A reunião entre técnicos da ASPACO e SENAR com os instrutores paulistas de ovinocultura ocorreu do dia 12 ao dia 17 de dezembro do ano passado, no Hotel Fazenda Berro d’Água em Avaré. A reciclagem levou à saudáveis mudanças, inclusive referentes ao material a ser distribuído para os participantes dos cursos. Fez parte do treinamento visitas a Faz. Grama Roxa, tradicional criador de ovinos da região de Avaré. O lançamento oficial do programa ocorreu no último dia 23 de abril no recinto de exposições de Itapetininga, durante a festa local. Registrou-se a presença do Dr. Fábio de Salles Meirelles, Presidente do SENAR-AR/SP e da FAESP – Federação da Agricultura do Estado de São Paulo; do Sr. Amauri Elias Xavier, Vice-Presidente da FAESP e Presidente do Sindicato Rural de Itapetininga; e do Sr. Arnaldo dos Santos Vieira Filho, Presidente da ASPACO. Após a cerimônia os convidados puderam saborear os 8 diferentes tipos de cordeiro em mais uma “Queima do Cordeiro”. O novo programa de capacitação na ovinocultura já começou antes mesmo do lançamento oficial. Os pequenos produtores e trabalhadores rurais interessados devem procurar o sindicato rural de seu município e solicitar os cursos. É importante obedecer a ordem dos cursos, já que eles estão relacionados entre si. Os participantes devem ter no mínimo 16 anos, ser alfabetizado e ter condições físicas e mentais para o exercício da ocupação.
SOLENIDADE DE LANÇAMENTO DO PROGRAMA DE OVINOCULTURA
PREMIAÇÃO DA QUEIMA DO CORDEIRO
Cel.: (14) 9106.9198
o ovelheiro
Página 11
Julho / Agosto
PUNÇÃO ASPIRATIVA AUMENTA O CONTROLE SANITÁRIO DA LINFADENITE CASEOSA EM EXPOSIÇÕES DE OVINOS NO ESTADO DE SÃO PAULO A linfadenite caseosa é uma doença causada pela bactéria Corynebacterium pseudotuberculosis. De alta ocorrência em rebanhos ovinos de todo o Brasil, é popularmente reconhecida como “caroço” e caracteriza-se pelo aumento dos linfonodos (estruturas de defesa regional do organismo). Com a progressão da doença, os linfonodos (caroços) vêm a furo, liberando material caseoso (pus denso) que é altamente infectante para outros animais, contaminando pasto, água e utensílios da propriedade, principalmente canzis e máquinas de tosquia. Ocasionalmente, a doença leva a quadros de abscessos de pele, mastite, nefrite e pneumonia, que debilitam progressivamente os animais, gerando grande preocupação por parte dos produtores, visto que leva freqüentemente ao óbito ou descarte dos animais, não possui tratamento eficaz e pode acometer o homem. Visando melhorar o controle sanitário da linfadenite caseosa, foi instituída a técnica de punção aspirativa de linfonodos com aumento de volume, no momento da admissão de animais, em exposições do Estado de São Paulo. Este trabalho inovador tem sido realizado nas exposições ranquiadas do Estado, pelos Médicos Veterinários Dr. Rafael de Oliveira Guena e Dr. Victor Lara Pupo, com o apoio da ASPACO. O trabalho conta também com auxílio técnico do Prof. Dr. Márcio Garcia Ribeiro (FMVZUNESP-Botucatu), que realizou pioneiramente a técnica em caprinos com linfadenite, em 2001, no Brasil. A introdução do procedimento visa o diagnóstico mais preci-
so da doença, diminuindo os prejuízos do criador, visto que a desclassificação dos animais era realizada, até o momento, somente com base na palpação de linfonodos aumentados de volume. Essa alternativa diagnóstica foi empregada com sucesso até o momento em grandes feiras do segmento como FEINCO, FACILPA, FAPI, EXPOVINOS e FEAPAM, mostrando-se promissora no controle da doença em eventos, em virtude da agilidade na execução, rapidez e eficácia dos resultados, visto que a técnica já vinha sendo utilizada com sucesso em caprinos.
MED. VETERINÁRIO RAFAEL GUENA
RESOLUÇÕES DO CONSELHO TÉCNICO Para agilizar os trabalhos técnicos, a nova diretoria da ASPACO tratou de formar seu Conselho Técnico. Dentre várias sugestões foram aprovados os seguintes nomes: - Méd. Veterinário ALEXANDRE VAZ PIRES (ESALQ – Piracicaba) - Zootecnista FRANCISCO M. N. FERNANDES (Inspetor Técnico e Diretor dos Núcleos Regionais) - Méd. Veterinário LUIZ CLAUDIO N. MENDES (UNESP – Araçatuba) - Zootecnista SIMONE FERNANDES (FMVZ/UNESP – Botucatu) - Méd. Veterinário VICTOR LARA PUPO (autônomo) Aceitando o convite, os novos conselheiros reuniram-se na ASPACO no dia 09 de maio para a primeira reunião, convocados pelo Diretor Técnico, o Zootecnista Márcio Oliveira. Assuntos importantes foram abordados e, destes, os aprovados pela Diretoria foram: a) Será exigida em todas as exposições oficiais da ASPACO, ranquiadas para a CABANHA DO ANO, o exame para linfadenite caseosa por punção aspirativa, ou qualquer outro método mais objetivo, além do exame clínico; manter-se-á a exigência do exame andrológico para machos com mais de 12 meses e ultrasom para fêmeas com mais de 18 meses que
nunca criaram; b) Para o ano de 2.006 haverá mudanças no regulamento das exposições oficiais da ASPACO, procurando se enquadrar regulamentos já existentes e padronizando-os para todas as raças; c) Dentro das exposições oficiais da ASPACO manter-se-á o julgamento das fêmeas da raça Santa Inês inscritas como RGB Base, mesmo adotando-se o regulamento oficial da ABSI – Associação Brasileira do Santa Inês, bem como dos RGB provisórios I, II e III nos próximos anos; d) Nos concursos CORDEIRO PAULISTA, a etapa de ganho de peso terá seus pontos multiplicados por 60%, considerando-se os ganhos dos 4 cordeiros; a etapa da avaliação de carcaças terá seus pontos multiplicados por 40% e avaliará as 3 carcaças mais homogêneas; a avaliação das carcaças será feita objetivamente; e) Será instituído um Programa de Melhoramento Genético de Ovinos em São Paulo; f) O Projeto Cordeiro Paulista da ASPACO com os parceiros SEBRAE, SENAR e Secretaria da Agricultura será mantido, com retomada de ações já previstas.
Página 12
Julho / Agosto
o ovelheiro
RECEITA: CORDEIRO COM AGRIDOCE DE TAMARINDO Ingredientes: 12 costeletas de cordeiro Marinada: 1 collher (sopa) de óleo de oliva 200g de tamarindo natural ou ½ xícara (chá) de polpa ½ xícara de água ¼ de xícara (chá) de vinho branco seco 1 colher (sopa) de cebola picada ¼ de xícara de açúcar mascavo 1 folha de louro 1 ramo pequeno de alecrim 300g de batatas tenras com casca 300g de cebolas tenras com casca 1 colher (chá) de sal grosso 2 colheres (chá) de óleo de oliva extravirgem 1 ramo de alecrim Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto Modo de preparo: Limpe as costeletas de cordeiro e reserve. Numa panela, misture os ingredientes da marinada e leve ao fogo baixo para dissolver o açúcar. Retire do fogo e deixe esfriar completamente. Tempere as costeletas com sal, pimenta e coloque-as em um recipiente de
vidro. Despeje a marinada sobre elas e deixe-as de molho nesses temperos por cerca de 1 hora. Numa tigela, junte as batatas, as cebolas, o sal gorsso, o óleo de oliva, as folhhinhas de alecrim, misture bem, coloque em uma assadeira e leve ao forno baixo por cerca de 1 hora ou até que as batatas e as cebolas fiquem macias. Retire as costeletas da marinada e grelhe-as por 2 minutos de cada lado na churrasqueira ou em chapa no fogão. Coe o líquido da marinada, coloque em uma panela, ferva novamente e acerte o ponto de sal e da pimenta. Sirva as costeletas com as batatas e as cebolas, regue com o líquido da marinada e decorre com gomos de limão e os ramos de alecrim. Fonte: Por Arri Coser