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Número 132
Ano 24
Outubro/Novembro/Dezembro, 2016
ASPACO define Ranking Cabanha do Ano 2016
Matéria Técnica
Todos os segredos do rendimento de carcaça Página 06
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Ganho de peso
Os resultados do Campeonato Cordeiro Paulista 2016
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Editorial
Prezados Leitores, Vem 2017!
Bruno Garcia Moreira Presidente
ASPACO – Associação Paulista de Criadores de Ovinos é uma entidade promocional fundada na década de 60. Está sediada em São Manuel desde a sua reativação em 1984. De um modo geral, a
O ano de 2016 está chegando ao fim e com ele, a esperança de que 2017 será bem melhor. Este ano não foi fácil, a ASPACO, assim como todo o agronegócio brasileiro sofreu bastante com a crise econômica que afeta o Brasil. Os criadores também sentiram o baque, a indústria sentiu e tudo isso refletiu nas associações como um todo. Contudo, em nenhum momento, algum elo da cadeia produtiva deixou de trabalhar e se esforçar para que pudéssemos continuar com as nossas atividades. Se pudéssemos definir 2016 em uma só palavra seria “superação”. Não foram poucos os desafios que tiveram de ser superados, não só a crise financeira, mas os problemas climáticos, de segurança pública e de instabilidade política, que invariavelmente afetaram o ovinocultura. Porém, os criadores seguiram firmes e com o objetivo de tornar a ovinocultura uma atividade cada vez mais forte e estável. Aliás, tenho observado o interesse cada vez maior pela ovinocultura de corte. A carne de cordeiro tem se tornado cada vez mais atraente para os consumidores. O consumo médio de carne de cordeiro no Brasil, por pessoa, é de 400 gramas por ano. Ainda é cedo para afirmar que esse número vai decolar, mas com certeza os próximos reservam um crescimento sem igual. Isso é resultado de empenho e profissionalização de toda a cadeia produtiva da ovinocultura. Nesses últimos três meses a ASPACO tem trabalhado muito e uma das nossas principais conquistas é o Campeonato Cordeiro Paulista, que teve 35 lotes, somando 140 animais e o resultado rendeu uma página exclusiva. O Ovelheiro traz outros destaques, como o resultado do ranking Cabanha do Ano - ASPACO 2016, uma matéria com inspetores antigos da ARCO, o evento importante como o “Mercado São Paulo”, a matéria técnica e as tradicionais “Ovinotícias”. Boa leitura e contem sempre com a ASPACO!
ASPACO atua com o objetivo de promover e fomentar a ovinocultura no Estado de São Paulo, prestando serviços de:
Curta a página no Facebook: facebook.com/ ASPACOvinos
• Orientação na criação de ovinos e na comercialização dos produtos • Serviço de registro genealógico • Promoção de cursos; palestras e dias de campo • Promoção e apoio em feiras, exposições e eventos • Apoio e execução de programas e planos de interesse ao ovinocultor • Realização e apoio em leilões e em outros meios de comercialização de ovinos e seus produtos
“O Ovelheiro” Órgão informativo da ASPACO (Associação Paulista de Criadores de Ovinos) Rua Marcelo Giorgi, 69 Jd. Progresso São Manuel - SP Cep: 18.650-000 Fone: (14) 3841-6841 e-mail: oovelheiro@aspaco.org.br
Próximos eventos
Organização, Redação e Revisão: Márcio A. G. de Oliveira Edição e diagramação: Manacá Comunicação Jornalista responsável: Bruno Piesco - MTB 60724/SP
De 27 a 29 de janeiro 11º CooperShow Cândido Mota Ranqueada ASPACO
Anuncie no O Ovelheiro (14) 3841-6841 (14) 99101-6262 oovelheiro@aspaco.org.br Qualquer artigo ou matéria contidos no “O Ovelheiro” poderá ser publicada em outros veículos desde que seja citada a fonte.
Ovinotícias
Aprovada política nacional para rebanhos de ovinos
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou no fim de novembro o Projeto de Lei 6048/16, do deputado Afonso Hamm (PP-RS), que cria a Política Nacional de Incentivo à Ovinocaprinocultura, para desenvolver raças mais produtivas e aumentar a rentabilidade dos rebanhos. A política busca promover também a regularização do abate e do comércio de produtos derivados como carne, lã, couro e laticínios, e o estímulo ao processamento industrial, familiar e artesanal desses produtos. Entre os princípios e diretrizes da política de incetivo estão a desburocratização e a simplificação
de procedimentos regulatórios e administrativos; a redução de disparidades regionais; e a elevação da produtividade do trabalho. O projeto define que o planejamento da política nacional seja formulado e implementado em articulação com entidades dos setores de produção de ovinos e caprinos, além da indústria de processamento, de empresas e instituições federais, estaduais e municipais. A proposta ainda será analisada de forma conclusiva pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. São previstos, entre outros, os seguintes instrumentos da política nacional: – associativismo, coopera-
tivismo, arranjos produtivos locais e contratos de parceria de produção integrada; – certificações de origem, sociais e de qualidade dos pro-
dutos; – crédito para a produção, a industrialização e a comercialização; – seguro rural.
ARCO investe em tecnologia CEPEA atuará na ovinocultura para o trabalho de campo paulista, a partir de 2017 Já estão em testes pela superintendência do Serviço de Registro Genealógico (SRGO) da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO), novas tecnologias que ajudarão na eficiência e agilidade no trabalho de campo realizado pelos inspetores técnicos. Os novos equipamentos são pequenas impressoras que junto a um aplicativo de celular poderão emitir na hora o comprovante da inspeção feita pelo técnico. “É um avanço significativo para nós que temos técnicos credenciados em todo o Bra-
sil, não só pela agilidade, mas também pela presteza das informações que chegarão mais rápido ao nosso banco de dados e muito pelo compromisso com o meio ambiente, pois deixaremos de utilizar tanto papel” diz o superintende da entidade, Edemundo Gressler. As máquinas foram testadas na Estância Santa Thereza, Cabanha Obelisco e Coxilha Verde, todas no Rio Grande do Sul. Por enquanto estão em testes, mas espera-se que muito em breve esta nova tecnologia esteja pronta para ser utilizada em todo o Brasil.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) é o centro de pesquisas econômicas da ESALQ, campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba. Desenvolve pesquisas sobre aspectos econômicos e financeiros de cerca de 30 cadeias produtivas do agronegócio brasileiro e internacional, tratando também de questões sociais e ambientais. Objetiva contribuir para a administração mais eficiente e sustentável do agronegócio, provendo, ao mesmo tempo, embasamento para os formuladores de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do setor e, por extensão, do País. O CEPEA já atua há muito tempo na bovinocultura e, desde julho vem se organizan-
do em parceria com a ASPACO para desenvolver este trabalho na ovinocultura paulista. No último dia 02 de dezembro reuniram-se no Sindicato Rural de São Manuel membros do CEPEA, diretores e técnicos da ASPACO, ovinocultores paulistas e pessoas ligadas a industria da carne ovina e de venda de insumos. A conferência terminou com uma coleta de informações que servirão de base para o estabelecimento do custo de produção na atividade e posterior fornecimento de referências seguras quanto aos seus aspectos econômicos. Há alguns anos outro centro da USP, o Campus de Pirassununga, desenvolve e oferece ferramentas no custo de produção do cordeiro paulista.
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Eventos
Expovelha encerra exposições da ASPACO A 29ª edição da Exposição e Feira de Ovinos do Estado de São Paulo (Expovelha) aconteceu entre os dias 10 a 16 de outubro, no Recinto de Exposições José Oliveira Prado, Lençóis Paulista (SP) e contou com a presença de mais de 300 animais. O evento marcou a última e obrigatória etapa do Ranking Cabanha do Ano – ASPACO 2016. Saiba mais sobre o Ranking Cabanha do Ano - ASPACO 2016 na página 05, deste O Ovelheiro! “A Expovelha é um dos evento mais importante do ano para a ASPACO, não somente porque encerra o Ranking que premia as cabanhas que se destacaram no ano, mas porque é uma exposição que marca o fim do ciclo para todos que estão envolvidos com a ovinocultura paulista”, afirma o presidente da ASPACO, Bruno Garcia Moreira. O jurado para todas as raças foi o zootecnista e inspetor técnico da ARCO, Gustavo Martins Ferreira. “Durante a exposição pudemos observar
excelentes animais, prova de que os criadores estão empenhados em produzir cordeiros cada vez melhores , com o objetivo de fazer crescer a ovinocultura, não só em São Paulo, mas no Brasil”, ressalta. O evento ainda teve a realização do 16º Seminário Paulista de Ovinocultura que, este ano, teve o tema “Mercado Nacional e Internacional”,
com a presença de mais de 50 pessoas. A Expovelha também foi palco do Campeonato Supremo. Entre as fêmeas a Campeã Suprema ficou com a raça White Dorper (identificação 21 - Interlagos Astrid TE 2098). Nos machos, o Campeão Supremo ficou com a raça Dorper (Identificação 81 - Kaiowas Tango TE 847).
O evento também teve a cobertura exclusiva da revista Cabra e Ovelha, que apoiou diversos projetos desenvolvidos pela ASPACO em 2016 , mostrando o interesse da imprensa pela ovinocultira paulista. Mais detalhes e os resultados desse evento estão disponíveis no site da ASPACO (aspaco.org.br).
ASPACO participa do Mercado São Paulo A ASPACO e frigorífico Cowpig estiveram presentes no Mercado São Paulo, que nos dias 10 e 11 de dezembro foi dedicado a produção de ovinos, caprinos e suínos, no Jaguaré, em São Paulo (SP). O projeto tem a proposta de valorizar a produção agropecuária paulista e criar um novo ponto gastronômico e cultural para que a população conheça, aprenda e deguste alimentos produzidos no campo. Além de adquirir os alimentos diretamente do produtor, foi possível conhecer mais sobre as características de produção, aprender receitas e degustar os produtos. Também foram
organizadas mostras temáticas, oficinas interativas e exposições. Os participantes puderam degustar os produtos e provar do cardápio servido pelo restaurante, que teve por desafio oferecer pelo menos um prato preparado com os alimentos temas das edições do evento. O evento foi organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo (SDECTI), por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Regional e Territorial (CDRT). A mostra foi a largada para uma grande política pública voltada ao fortalecimento do produto paulista.
11ª Coopershow abre calendário de 2017 A 11ª Coopershow será realizada entre os dias 25 e 27 de janeiro, no Campo de Difusão de Tecnologia Coopermota, em Cândido Mota (SP). A Coopershow abre o calendário de eventos da ASPACO em 2016 e
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Out - Nov - Dez 2015
é um evento oficial da ASPACO e ARCO. A inscrição será cobrada por animal levado para exposição, julgamento ou venda na baia, no valor de R$ 80 para pagamentos efetuados até o dia 18 de janei-
ro. Após essa data será cobrado o valor de R$ 95 . Para criadores do Estado de São Paulo não sócios da ASPACO, será cobrada a inscrição em dobro. As inscrições podem ser feitas no site da ARCO (arcoovinos.org.br). A
Coopermota irá fornecer a alimentação para todos os animais inscritos no evento. O jurado para todas as raças será o zootecnista e inspetor técnico da ARCO, Gustavo Martins Ferreira.
Após os julgamentos de pista da 29ª Expovelha, que aconteceu entre os dias 10 e 16 de outubro, em Lençóis Paulista (SP), a ASPACO compilou a pontuação e definiu o final do Ranking Cabanha do Ano – ASPACO 2015 com a premiação para os criadores e expositores vencedores. Conforme o Regulamento de Exposições de Ovinos Oficializada pela ASPACO e Ranking Cabanha do Ano AS-
PACO, o Melhor Criador e Melhor Expositor de cada raça resultou dos pontos somados nos eventos ranqueados, obedecendo os pesos em função do número de expositores. O Ranking Cabanha do Ano ASPACO tem o objetivo de destacar o trabalho de criadores e expositores, que participaram das sete feiras e exposições espalhadas pelo Estado de São Paulo, que formaram todas as etapas do Ranking,
neste ano de 2016. De acordo com o presidente da ASPACO, Bruno Garcia Moreira, o Ranking, além de reconhecer, também ratifica e valoriza os animais dos produtores e expositores. “A cada etapa os criadores e expositores apresentam seus melhores animais para que possam ter o melhor desempenho nos julgamentos das exposições. Dessa forma, é possível observar os melhores animais e
os respectivos responsáveis, que são valorizados no mercado. Isso é fundamental para o crescimento e desenvolvimento da ovinocultura paulista e também para o mercado. O Ranking é muito importante para a atividade.”, define o dirigente Mais detalhes sobre o Ranking Cabanha do Ano deste e de outros anos estão disponíveis no site da ASPACO (aspaco.org.br).
Confira os vencedores: Ile de France Melhor criador e expositor: Cabanha Chico Borborema Suffolk Melhor criador e expositor: Cabanha Leone Santa Inês Melhor criador: Rebanho TAP Melhor expositor: Cabanha DM Dorper Melhor criador e expositor: Cabanha Interlagos White Dorper Melhor criador e expositor: Cabanha Interlagos
Melhor criador e expositor Ile de France: Francisco Fernandes
Melhor criador Santa Inês, Rebanho TAP; melhor expositor, Cabanha DM
Melhor criador e expositor Suffolk: Cabanha Leone
Melhor criador e expositor White Dorper: Cabanha Interlagos
Melhor criador e expositor Dorper: Cabanha Interlagos
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Capa
Ranking Cabanha do Ano - ASPACO 2016: definidos os melhores Criadores e Expositores
Técnica
Rendimento de carcaça Carcaças ovinas e caprinas – Obtenção, Avaliação e Classificação Marcílio Fontes Cezar Wandrick Hauss de Sousa
Provavelmente a pergunta mais importante para quem está vendendo ou comprando um animal vivo para o abate é: “quanto este animal em negociação vai render em carcaça após ser abatido?” O que se busca no animal de corte é o máximo de carcaça e o mínimo de não-constituintes da carcaça, ou seja, busca-se o máximo de rendimento. Entende-se por rendimento a quantidade de carcaça gerada pelo animal vivo após o seu abate, ou seja, o rendimento é quanto do animal, em termos relativos, é constituído de carcaça. A característica produtiva mais importante do animal de corte é, portanto, o seu rendimento de carcaça. Determinação do rendimento O peso do animal na balança denomina-se peso vivo (PV) e é formado por uma fração abiótica e outra biótica. Este último é o verdadeiro peso dos tecidos que compõem o animal, enquanto o primeiro não é constituinte te-
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Out - Nov - Dez 2015
cidual do animal, consistindo de conteúdo gastrintestinal (água, ingesta, digesta e fezes) e de líquido da bexiga e vesícula biliar. Neste sentido é que o animal antes de ser abatido deve passar por um período de jejum hídrico e alimentar. Após o abate, o trato gastrintestinal (TGI), a bexiga (B) e a vesícula biliar (VB) devem ser esvaziados e lavados para a obtenção do peso corporal vazio (PCV), que será estimado subtraindo-se do peso vivo ao abate em jejum (PVAJ), os pesos referentes ao conteúdo gastrintestinal, da bexiga e da vesícula biliar. Após ser obtida, lavada e escorrida, a carcaça é pesada para se obter o peso da carcaça quenPCV = PVAJ – (conteúdo do TGI + B + VB) te (PCQ). A partir daí, determina-se o rendimento da carcaça quente ou verdadeiro (RV) e o
rendimento biológico (RB). Posteriormente as carcaças deverão ser acondicionadas em sacos plásticos e, finalmente, transportadas para uma câmara frigorífica a 4°C, onde permanecem penduradas pelo tendão calcâneo do jarrete (tendão do músculo gastrocnêmio) em ganchos por um período de 24 horas,quando o centro térmico da perna atinge 4°C . Decorrido esse período, a carcaça é pesada para se determinar o peso da carcaça fria (PCF) e, em seguida, será determinada a perda de peso por resfriamento (PPR) e o rendimento de carcaça fria ou comercial (RC).
RENDIMENTOS E PERDA ________________________ RV = (PCQ/PVAJ) x 100 RB = (PCQ/PCV) x 100 RC = (PCF/PVAJ) x 100 PPR = (PCQ – PCF)/PCQ x 100
Embora o rendimento biológico seja o que melhor representa os componentes da carcaça ao eliminar as variações influenciadas pelo conteúdo abiótico, o rendimento verdadeiro é o mais utilizado pelos produtores, enquanto o comercial é o mais praticado pelos frigoríficos e mais importante para a cadeia produtiva da carne ovina e caprina. Na comparação de rendimentos, é necessário saber o que foi considerado como carcaça ou não, pois a gordura perirrenal e pélvica, os rins, a cauda, a cabeça e a pele, por exemplo, podem ser ou não, em função das tradições de mercados, considerados como constituintes da carcaça. Fatores que influem nos rendimentos Vários fatores, ligados ao animal e ao meio-ambiente, podem afetar o rendimento de carcaça dos animais, com destaque para:
B) Idade e peso vivo do animal O peso vivo associado à idade tem sido usado com muita freqüência como indicador do rendimento de carcaça. A cria recém-nascida tem relativamente mais cabeça e membros, mas a medida que cresce, surgem ondas de crescimento progressivas das extremidades do corpo para o tronco e particularmente para a região dorso-lombar (crescimento centrípeto) de forma que com o aumento do peso vivo, as regiões corporais de crescimento muito precoce, como os membros e cabeça, diminuem, enquanto que
regiões mais tardias, como aquelas do tronco, aumentam proporcionalmente. Como a cabeça e as extremidades não são constituintes da carcaça e elas são, em termos proporcionais, maiores em animais mais jovens, espera-se que estes tenham menor rendimento de carcaça que aqueles mais velhos, com maior proporção de regiões do tronco, que são constituintes da carcaça. Por outro lado, quanto mais jovem for o animal, menor é a proporção do trato gastrintestinal (TGI) e de seu conteúdo, de modo que dois animais de mesmo peso, o mais jovem terá, provavelmente, maior rendimento de carcaça. O mesmo princípio serve para os animais lactantes, de menor TGI e com alimentação mais digerível, em relação aos animais desmamados, de maior TGI e alimentação menos digerível. Da mesma forma que ocorre com a composição regional, a composição tecidual da carcaça sofre efeito do peso vivo. A ordem de prioridade de deposição de tecidos no corpo e, por conseguinte, na carcaça, é em primeiro lugar o tecido ósseo, seguido pelo muscular e por último o adiposo. O tecido ósseo pára de crescer no animal ainda jovem, o muscular encerra seu crescimento quando atinge a maturidade, enquanto o gorduroso continua a ser depositado continuamente durante toda a vida do animal. Assim, animais de mais idade e/ou de maior peso, por possuírem uma maior quantidade de gordura que animais mais jovens e/ou menos pesados, deverão apresentar maior rendimento de carcaça. C) Sexo do animal Em geral, a proporção de gordura nos pequenos ruminantes é menor nos machos inteiros, intermediária nos castrados e maior nas fêmeas, enquanto que a proporção de músculos é maior
Técnica Capa
A) Tempo de jejum alimentar O jejum líquido deve ser de 16 h e o sólido de 24 h. Tempos muito superiores a estes resultam em desidratação e perda de tecido do animal, principalmente o adiposo, podendo alterar o rendimento de carcaça e causar efeitos prejudiciais à qualidade das carcaças. Contrariamente, tempos muito curtos podem superestimar o PVAJ e, por conseguinte, diminuir o rendimento da carcaça. Estudos australianos demonstraram que cordeiros com jejum de 2, 4, 6, 8, 12, 24, 48 e 72 h, a perda de PV foi de 2,0, 2,5, 3,0, 4,0, 5,0, 7,0, 10,0 e 12,0%, respectivamente. O efeito do jejum sobre a perda de peso vivo e, portanto, sobre o rendimento de carcaça depende do tipo de alimento previamente consumido pelo animal a ser abatido. Animais alimentados com alimentos fibrosos e de baixa digestibilidade, como os volumosos, normalmente apresentam um rendimento de carcaça menor que aqueles alimentados com menos fibra e de maior digestibilidade, a exemplo dos concentrados, porque há perda de conteúdo do TGI mais lento e consequentemente maior PVAJ, mesmo que submetidos a igual tempo de jejum.
nos machos inteiros, intermediária nos castrados e menor nas fêmeas, provavelmente porque a ação do hormônio masculino, testosterona, promove um crescimento muscular e esquelético mais acentuado, resultando em carcaças mais magras e com maior musculatura nos machos inteiros em relação aos machos castrados e fêmeas. Assim, como o crescimento muscular é temporário e o da gordura é contínuo, o rendimento de carcaça na fêmea é maior que no macho castrado e no macho inteiro é menor que no castrado, provavelmente pela maior proporção de tecido adiposo para uma mesma idade e peso vivo. D) Frame size Animais com o tamanho da estrutura corporal menor, por serem mais precoces no crescimento e terminação, terão relativamente mais gordura corporal e, assim, apresentam normalmente maior rendimento que animais com biótipos maiores.
E) Condição corporal Em geral, animais bem condicionados nutricionalmente, com elevado escore de condição corporal, têm rendimento mais elevado que animais mais magros, haja vista que a condição é determinada pela quantidade de gordura depositada no animal. F) Apêndices corporais Animais lanados, os pernaltas, os chifrudos, os com caudas e os inteiros em relação aos tosquiados, aos não-pernaltas, aos mochos, aos sem cauda e aos castrados, com mesma idade e peso, geralmente apresentam menor rendimento de carcaça. G) Tipo zootécnico ou econômico Animais tipo corte, quando comparados a animais tipo leiteiro e mistos, quando bem alimentados apresentam, como é típico para esse tipo, uma massa muscular e um acabamento superior, que os levam a apresentar um maior rendimento de carcaça.
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Artigo
CCP 2016 – Resultado Final
Artigo escrito pelo zootecnista e diretor técnico da ASPACO, Márcio Gomes de Oliveira. Chega ao fim mais um Campeonato Cordeiro Paulista. No dia 07 de novembro passado realizou-se a última pesagem da 1ª etapa, a prova de ganho de peso. O CCP 2016 voltou a apresentar aumento de ganho de peso médio. O Campeão desta etapa, Bruno Garcia Moreira, Cabanha Leone de Platina (SP), chegou com o registro de 438 g/dia em média do trio de cordeiros cruza Suffolk. A média geral dos conjuntos participantes foi de 353 g/ dia, considerando o terno com melhor ponderal de cada conjunto, e 323 g/dia para o total de cordeiros, ou seja, considerando o quarto cordeiro de cada conjunto. Dos 35 conjuntos concorrentes, 80% ganhou mais de 300 g/dia, sendo que os sete primeiros colocados ultrapassaram os 400 g/dia. Os cordeiros embarcaram após a última pesagem com destino ao abate no Frigorífico Dom Pig em São Manuel. No dia 09 de novembro as carcaças ficaram a disposição do Médico Veterinário Tarcísio Bartmeyer, da Cooperativa Castrolanda. Ele é o responsável pelo traba-
lho junto aos cooperados da região de Castro, no Paraná, na produção de cordeiros e de cortes com a marca Cordeiro Castrolanda. Utilizando-se dos métodos estabelecidos no regulamento do CCP, Tarcísio elogiou a qualidade das carcaças avaliadas. De um modo geral, a qualidade das carcaças foi mantida em relação aos anos anteriores. Mas, notou-se uma pequena desuniformidade dos conjuntos, mesmo quando excluiu-se, por este critério, uma das quatro carcaças do conjunto para seguir a avaliação do terno. Além de uma seleção menos criteriosa na escolha dos cordeiros inscritos por parte dos produtores participantes, problemas sanitários podem ter influenciado negativamente no desenvolvimento de alguns indivíduos. Segundo o relatório da equipe de veterinários da Faculdade de Medicina Veterinária da UNESP – Araçatuba, liderada pelo Prof. Luiz Cláudio Nogueira Mendes, houve cordeiros que mesmo depois de medicados não conseguiram se recuperar
no ganho de peso. As Necropsias feitas em cordeiros que não resistiram ao tratamento e morreram durante o confinamento, mostraram que o manejo sanitário nas propriedades requer ajustes. O melhor conjunto de carcaças, ficando como campeão da 2ª etapa do CCP 2016, foi o conjunto 2 de Francisco Manoel Nogueira Fernandes, Cabanha Chico Borborema, São Manuel/ SP, com cordeiros cruza Ile de France. Este conjunto apresentou o melhor rendimento médio de carcaça, 53,4%, sendo que a média geral foi de 49%. Dois conjuntos obtiveram, em média, a melhor classificação no quesito conformação, neste caso, 3 classificações “U” dentro do Sistema Europeu de Classificação de Carcaças (SEUROP): lote 1, também, de Francisco Fernandes, com cordeiros Ile de France; e o lote 15 de João A. Mantovanini, Faz. Monte Belo, Bauru/SP, com cruzas Dorper. Apenas dois conjuntos se destacaram com a pontuação máxima de harmonia ou uniformidade: o lote 29 de Arnal-
do dos Santos Vieira Filho, Faz. Boizendinha, Araçatuba/SP (que ficou como Vice-Campeão desta etapa) e o lote 33 de Juliano Barbaresco, Cabanha Barbaresco, Paraguaçu Paulista/ SP, ambos formados por cordeiros cruza Suffolk. Quanto ao acabamento e distribuição de gordura, 57% das carcaças que compuseram os ternos para avaliação atingiram a classificação melhor, segundo o sistema SEUROP. Ao final das duas etapas, o Grande Campeão do CCP 2016 foi Bruno Garcia Moreira, Cabanha Leone de Platina/SP, com o lote 19, formado por cordeiros cruza Suffolk. Em seguida ficou o lote 1 de Francisco Fernandes, Cabanha Chico Borborema, São Manuel/SP, com os cordeiros Ile de France. A ASPACO e o NCO – Araçatuba e Região parabenizam todos os participantes do CCP 2016 e agradece por mais um ano de parceria aos seguintes patrocinadores: FMV–UNESP/ Araçatuba, COOPERMOTA, Laboratórios ELANCO e VENCO, ZOLLA, Revista Cabra & Ovelha e Langelli Alimentos.
Exemplos na ovinocultura Artigo escrito pelo zootecnista e diretor técnico da ASPACO, Márcio Gomes de Oliveira. Foi na Expo Brasil 2016, exposição nacional da raça Santa Inês, que ocorreu durante a 54ª Festa do Boi em Parnamirim/ RN, que mais um ícone entre o corpo de inspetores técnicos da ARCO recebeu o troféu Mérito Ovelheiro. A homenagem concedida pela ARCO – Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) àqueles que se destacam na ovinocultura já é uma tradição na Expointer em Esteio (RS). Contudo, a visita do Presidente da ARCO, Paulo Afonso Schwab, de seu vice, Suetônio Vilar, e do Superintendente do Serviço de Registro Genealógico de Ovinos (SRGO), Edemundo Gressler, à exposição mais importante da raça Santa Inês teve como um dos propósitos homenagear o inspetor mais antigo do nordeste brasileiro, Dr. Pedro Simeão do Nascimento. Este médico veterinário cearense está no quadro de ins-
petores da ARCO desde 1978 e continua deixando um legado de experiências e conhecimentos na ovinocultura nordestina. Além de Pedro Simeão, dois dos mais antigos inspetores da ARCO, Dr. Dirceu Vieira de Santa Maria (RS) e Dr. Francisco José Perelló Medeiros de Pelotas (RS), já foram agraciados com o Troféu Mérito Ovelheiro. Entretanto, em 2016 trocaram
seus trabalhos como inspetor pelo merecido descanso por tanta dedicação à atividade. Vale lembrar que este experiente trio de senhores, além de inspetores de registro, orientadores e professores de tantos outros técnicos do quadro da ARCO, foram responsáveis pelo desenvolvimento da ovinocultura regional e nacional, atribuindo-se à eles gran-
des responsabilidades, como, por exemplo, Dr. Perelló que foi Superintendente do Serviço de Registro Genealógico de Ovinos por 20 anos. Só nos resta agradecer a esse trio pela inestimável contribuição à ovinocultura brasileira. Que sejam, sempre, considerados grandes exemplos entre os técnicos da produção animal.
A ASPACO deseja aos associados, amigos e parceiros, um feliz Natal e um prรณspero 2017! FECHAMENTO AUTPRIZADO PODE SER ABERTO PELA ECT
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